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FIBROMIALGIA NA MULHER

Dr. Carlos Maurício de Castro Costa
Prof. Titular de Neurofisiologia /UFC
Vice-Presidente da SBED

A fibromialgia é uma condição músculo-esquelética de natureza  polissintomática  com quadro clinico central de dor crônica (Goldenberg,1987:Bennet,2003), pertencendo ao global de síndrome de dor crônica difusa (Smith et al.,2007) e afetando 2% da população mundial.

A fibromialgia caracteriza-se clinicamente por:

1. Dor difunsa crônica envolvendo os quatro membros e o tronco, com duração superior a três meses: e
2. Presença de pelo menos 11 de 18 pontos sensíveis (figura), segundo os critérios do American College of  Rheumathology (1990)

Além disso, há também a presença de:

1. Fadiga:
2. Distúrbio do sono:
3. Disfunção cognitiva e afetiva:

4. Distúrbios associados: síndromes de cólon irritável, pernas-inquietas, bexiga irritável, constipação, urgência  urinária, rigidez matinal, depressão e ansiedade (Bennet, 2003: De Castro-Costa,2006).

A fisiopatogenia da fibromialgia é complexa e é considerada um estado de hiper-responsividade sensitiva central decorrente de:

•Alterações neuroquimicas: envolvendo aumento de fator de crescimento neural, glutamato,óxido nítrico e diminuição de serotonina e noradrenalina, e participação de citocinas;
•Predisposição genética;
•Disfunção neuro-sensitiva;
•Alterações neuroendócrinas por disfunção do eixo hipotálamo-adrenal e sistema nervoso autônomo associado com fatores psicológicos com maior repercussão na mulher (Buskila et al.,2007: Cook et al.,2007:Anderberg et al.,1998: Malte t al.,2002: Abeles et al.,2007: Wingelfeld et al.,2008).

Quanto ao gênero e sexo, há um predomínio da fibromialgia em mulheres na porpoção de 4 mulheres para 1 homem, com uma prevalência de 3,4% para mulheres, 0,5% para homens e 2,0% para ambos os gêneros (Wolfe et al.,1995: Berkley,1997: Leresche,2000). Quanto à idade, ocorre mais freqüentemente de 20 a 60 anos, porém, atinge todas as idades.

No que diz respeito à mulher, além da prevalência, outras características devem ser mencionadas. As mulheres, mais do que os homens, expressam queixa de dor, e por isso, procuram médicos  com mais freqüência. As diferenças na composição corporal (tecido adiposo, menos massa muscular, variações endócrinas mensais etc.) predispõem a maior incidência de doenças músculo-esqueléticas tais como a fibromialgia. Depressão é um importante sintoma relacionado com fibromialgia, e essa relação é mais significativa entre mulheres do que entre homens (Vishne et al.,2008). O impacto da fibromialgia não se dá somente sobre a pessoa que a sofre, mas também influencia todo o âmbito familiar, principalmente o marido no que diz  respeito à maior responsabilidade e encargo familiar (Söderberg et al.,2003). O impacto para a mulher com fibromialgia refere-se também ao estigma que a doença traz no concernente ao questionamento moral, a psicologização dos sintomas e ao próprio diagnóstico, levando o paciente a procurar estratégias para minimizar esse estigma (Asbring & Närvänen, 2002). A mulher, como maior alvo da fibromialgia, sofre uma ruptura em sua identidade e biografia, repercutindo em sua vida laborativa e social (Asbring, 2001).

Entretanto, em estudos de comunidade, mulheres com fibromialgia que trabalham expressam melhor condição de saúde do que aquelas que estão desempregadas (Reisine et al.,2003), o que sugere que novos estudos para confirmar o efeito protetor do trabalho nessa condição devam ser realizados.

Apesar da fibromialgia não apresentar risco de morte, ela causa incapacitação e comportamento da qualidade de vida. As diferentes terapias utilizadas não curam, porém, trazem melhora substancial. A conduta é multimodal, e inclui:

- Atividade de aceitação pelo médico e paciente;

- Avaliação completa e diagnóstico preciso;

- Educação do paciente, família e sociedade;

- Encorajar o paciente a tomar parte ativa no seu tratamento;

- Apoio psicológico ou psiquiátrico e o uso de biofeedback ;

- Uso parcimonioso de medicamentos considerados efetivos (antidepressivos tricíclicos em baixa dose (principalmente amitriptilina) ou outros inibidores da recaptação  da serotonina, sedativos, hipnóticos, analgésicos (tramadol) e antiepilépticos (gabapentina, pregabalina);

- monitoramento regular e seguimento clínico:

- E, principalmente, terapia física.

Comentário do Dr. Hong Jin Pai

Para esta patologia, o uso de acupuntura é importante porque a acupuntura provoca efeitos: analgésico, relaxamento muscular, ansiolítico e antidepressivo.

E na medicina, alguns medicos incluem a terapia de acupuntura na area de medicina física ou terapia física.

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Procure seu médico acupunturista para realizar uma avaliação. Somente ele poderá indicar o melhor tratamento.