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Acupuntura: um furo no tempo

Existente desde muito antes da Era Cristã, a medicina oriental expandiu-se pelo Ocidente em meio a questionamentos sobre sua eficácia

Muita dúvida gira em torno e ainda pouco se sabe sobre a eficácia do tratamento por meio da Acupuntura. Contudo, mesmo na medicina ocidental tradiocional, com todo o avanço científico e tecnológico, tratamento e cura de doenças também geram incertezas. Sendo reconhecida no Brasil em 1998 como especialidade médica, a Acupuntura, uma técnica milenar chinesa com aproximadamente 5 mil anos, teve seus primeiros relatos no Ocidente por volta do século XVII, na Europa. Mas foi no início da década de 50 que o prof. Frederico Spaeth, fisioterapeuta e massoterapeuta, introduziu no Brasil a Acupuntura para a capacitação de profissionais da área da Saúde.

Ministrou o primeiro Curso de Formação em Acupuntura em 1958, que culminou com a criação de um grupo que, posteriormente, foi o resonsável pela fundação da primeira entidade de classe no País - a Associação Brasileira de Acupuntura (ABA), tornando-se oficial três anos depois.

Foi a associação que dedicou relevantes serviços à Acupuntura nacional, realizando seminários, congressos, simpósios e cursos difundindo, assim, a teoria e a prática da técnica oriental no Brasil. Vários tipos de dores podem ser tratados por meio da aplicação da Acupuntura. Inclusive nas dores de cotovelo, ombro, joelho, pescoço, coluna e demais articulações com total êxito. Outros males tratados são: resfriado, sinusite, bronquite, insônia, estresse, tabagismo, seqüelas de A.V.C. (Acidente Vascular Cerebral), paralisia, gastrite, diabete, impotência sexual, ejaculação precoce, tendinite e muito mais. Segundo a concepção chinesa a doença é uma manifestação de desequilíbrio, e a aplicação da Acupuntura é uma forma de readquirir a harmonia perdida.

"Há uns 20 anos, a Acupuntura era vista como mística. Atualmente é comprovada cientificamente. Ainda temos profissionais não gabaritados no mercado, mas há como as pessoas saberem se o médico é especializado por meio de consulta feita à Sociedade Médica Brasileira de Acupuntura", aconselhou Hong Jin Pai, médico acupunturista e membro da SMBA.

Na Acupuntura, as doenças não se classificam de uma maneira tão restritamente como estamos acostumados. A dor é a causa do tratamento. Seja na parte interna ou externa do corpo, o que importa é a eficácia da terapia. Todas as dores locais causam alterações no comportamento, no perfil psicológico e cognitivo. "Na hora de se submeter ao tratamento, temos de afastar a causa tratando a parte emocional e física do paciente", destacou dr. Hong.

Como em qualquer outro tratamento, primeiro segue o diagnóstico feito pelo médico, através do toque na parte atingida. A localização dos pontos pode ser feita pela sensibilidade manual ou por meio do uso de aparelhos. Poucos sabem, mas na Acupuntura existem outras técnicas além da penetração de agulhas. O uso do aparelho elétrico é um, conhecido como Eletrosimulador, que aumenta a eficiência. Tem ainda a infiltração com injeção de xilocaina que alivia a dor e melhora a inflamação. E há técnicas medicamentosas como a queima de ervas medicinais com propriedades analgésicas e antiinflamatórias, aplicadas no local afetado. "Quem faz uso correto tem um alivio de até 75% da dor. Têm pessoas que dizem ter feito uso, mas não sentiram resultado. Contudo: será que foi feito de forma correta e por um especialista?", questionou Hong, acrescentando que "muitas vezes é preciso até trocar de médico."

O método, segundo o especialista, apresenta três níveis relacionados no Brasil: primeiro a Acupuntura aplicada em clínicas particulares; segundo, convênios médicos que aceitam a Acupuntura em seus hospitais, como os do SUS (Sistema Único de Saúde).

Na Sociedade Médica Brasileira de São Paulo foi criado um centro de referência, oferecendo tratamento gratuito ou quase gratuito a pessoas carentes. Cerca de 150 pacientes são atendidos por semana. A SMBA/SP fica na Alameda Jaú, 687, no Jardim Paulista. Mais informações pelo fone 3284-2513.

Por Cleber Eufrasio
Fonte: Folha Universitária

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