Estudo científico comentado

Agulhamento seco melhora dor e função em diferentes tipos de dor de cabeça

Referência acadêmica

Periódico

Complementary Therapies in Medicine

Ano

2024

Autores

Kandeel et al.

Desenho

revisão sistemática e meta-análise

Este estudo mostra que o agulhamento seco pode ser uma opção eficaz para quem sofre com dores de cabeça frequentes. A técnica envolve a inserção de agulhas finas em pontos específicos dos músculos tensos, sem injetar qualquer substância. Os resultados indicam que pacientes tratados com agulhamento seco apresentaram menor intensidade de dor e menos crises ao longo de 3 meses. É uma alternativa não medicamentosa que pode ajudar quando outros tratamentos não funcionam adequadamente.

Título original do estudo: Dry needling techniques as a treatment for improving disability and pain in patients with different types of headache: A systematic review and meta-analysis

📊revisão sistemática e meta-análise👥n=4.304 estudos avaliados🎯alto impacto clínico
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

O agulhamento seco mostrou reduzir significativamente a intensidade e a frequência de crises de cefaleia após 1 e 3 meses, com efeito menos consistente sobre a incapacidade funcional; a evidência é promissora, mas a variabilidade entre estudos pede cautela na

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que o agulhamento seco pode ser uma opção eficaz para quem sofre com dores de cabeça frequentes. A técnica envolve a inserção de agulhas finas em pontos específicos dos músculos tensos, sem injetar qualquer substância. Os resultados indicam que pacientes tratados com agulhamento seco apresentaram menor intensidade de dor e menos crises ao longo de 3 meses. É uma alternativa não medicamentosa que pode ajudar quando outros tratamentos não funcionam adequadamente.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1O agulhamento seco é uma opção não medicamentosa com evidência crescente para cefaleias tensionais, enxaquecas e cervicogênicas
  • 2Os melhores resultados costumam aparecer após algumas semanas, não imediatamente — paciência e regularidade são importantes
  • 3A técnica frequentemente foi usada junto com exercícios e outras terapias nos estudos, então um tratamento combinado pode ser mais efetivo
  • 4Não é adequado para todos: crianças, grávidas e pessoas com certas condições médicas precisam de avaliação individualizada
  • 5A decisão de experimentar deve ser sempre discutida com seu médico, considerando seu histórico completo e outras opções disponíveis
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu tipo de dor de cabeça se encaixa nos que foram estudados com agulhamento seco?
  • 2Quantas sessões seriam recomendadas e com qual frequência, considerando minha situação específica?
  • 3O tratamento será feito isoladamente ou combinado com exercícios, mobilizações ou outras abordagens?
  • 4Há alguma contraindicação para mim, considerando meus medicamentos e condições de saúde?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1A técnica é minimamente invasiva e geralmente bem tolerada, mas desconforto local, dor leve ou pequeno hematoma podem ocorrer
  • 2Os estudos incluídos na meta-análise relataram eventos adversos de forma inconsistente, o que limita a avaliação completa da segurança
  • 3Não há dados robustos sobre segurança em gestantes, crianças, idosos fragilizados ou pacientes com distúrbios de coagulação
  • 4A escolha do profissional deve considerar experiência com a técnica e conhecimento das contraindicações específicas de cada paciente

Leitura rápida para pacientes

Agulhamento seco pode ajudar quem tem dor de cabeça frequente

A técnica mostrou reduzir intensidade e frequência de crises após algumas semanas, mas não é milagre nem funciona igual para todos.

Ponto 1

Benefícios mais claros aparecem após 1 a 3 meses de tratamento

Ponto 2

Funciona melhor como parte de um plano integrado, não isoladamente

Ponto 3

Fale com seu médico se seus sintomas se encaixam no perfil estudado e se há contraindicações para você

O que este estudo acrescenta

MAIOR SÍNTESE ATÉ HOJE

Esta meta-análise reúne o maior número de ensaios clínicos já analisados sobre agulhamento seco em cefaleias, comparando múltiplos tipos de dor de cabeça e diferentes períodos de seguimento, o que permite uma visão mais

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de intensidade e frequência de crises é clinicamente meaningful para pacientes com cefaleia recorrente, mas a heterogeneidade entre estudos, a combinação com outras terapias e a ausência de seguimento longo lim

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois reúne e analisa estatisticamente múltiplos estudos controlados, embora a qualidade dos estudos incluídos influencie a

Estudos avaliados na busca

4. 304

registros únicos após remoção de duplicatas

Ensaios clínicos incluídos

13

na revisão sistemática; 10 na meta-análise quantitativa

Redução da dor após 3 meses

SMD -1,52

diferença padronizada significativa e estatisticamente robusta, com baixa heterogeneidade

Redução de frequência após 3 meses

MD -2,05

diferença média significativa em dias de dor ou crises

Heterogeneidade máxima observada

I² = 95%

em algumas análises de intensidade da dor, indicando grande variabilidade entre estudos

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Cefaleia tensional, enxaqueca e cefaleia cervicogênica

Tipo de estudo

Revisão sistemática e meta-análise

Participantes

13 ensaios clínicos randomizados, com amostras variadas; idade média entre 28 e

Duração

Seguimento de 1 semana a 6 meses

Sessões

Variável conforme estudo; protocolos não uniformes

Comparador

Procedimento simulado, fisioterapia convencional, tratamento farmacológico ou combinações

Grupos do estudo

Agulhamento seco (isolado ou combinado)Controle (sham, fisioterapia, farmacológico ou combinado)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável: estudos usaram de 1 a 12 sessões ou mais

Frequência02

Não padronizado; intervalos variaram conforme protocolo de cada estudo

Duração da sessão03

Não especificado de forma uniforme; geralmente minutos por sessão

Pontos / técnica04

Inserção de agulhas em pontos-gatilho musculares, suboccipitais, trapézio superior, esternocleidomastoideo e outros músculos relacionados

Comparador05

Sham/placebo, fisioterapia convencional, medicação profilática (metoprolol), toxina botulínica, lidocaína ou combinações

Nota de protocolo06

Vários estudos combinaram agulhamento seco com mobilizações, manipulações ou exercícios, dificultando isolar o efeito exclusivo da técnica

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com diagnóstico de cefaleia tensional, enxaqueca ou cefaleia cervicogênicaPacientes com idade média entre 28 e 45 anos, de ambos os sexosIndivíduos com cefaleia crônica ou recorrente, em diferentes graus de incapacidadeParticipantes de estudos conduzidos em múltiplos países (EUA, Turquia, Dinamarca, Irã, Índia)Pacientes que aceitaram intervenção com agulhas em pontos musculares específicos

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adolescentes (menores de 18 anos)Pacientes com cefaleias secundárias a tumores, traumas ou infecçõesGrávidas ou indivíduos com contraindicações específicas à técnica (não detalhadas nos estudos)Pacientes com seguimento muito curto (menos de uma semana) ou protocolos não descritosIndivíduos em uso de anticoagulantes ou com distúrbios de coagulação (provável exclusão implícita)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

Diminuição significativa após 1 e 3 meses; efeito mais consistente no período de 3 meses com dados homogêneos

📅

Frequência de crises

reduziu

Menos dias com dor de cabeça após 1 e 3 meses; redução média de aproximadamente 1,6 a 2 crises no período

🚶

Incapacidade funcional

melhorou

Melhora significativa após 1 e 3 meses, mas não após 1 semana; alta variabilidade entre estudos

💊

Dependência de medicamentos

possivelmente reduziu

Como técnica não farmacológica, oferece alternativa para quem busca diminuir uso de analgésicos

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa na incapacidade após apenas 1 semana de tratamento
  • A intensidade da dor não diferiu do controle no período de 1-2 semanas em uma das análises
  • Não foi possível determinar efeitos além de 6 meses devido ao seguimento limitado dos estudos
  • Não houve padronização de qual protocolo de agulhamento é superior

Quando a melhora apareceu

1

4 semanas

Após 1 mês

Redução significativa na intensidade da dor e na frequência de crises; melhora na incapacidade funcional

2

12 semanas

Após 3 meses

Manutenção da redução de intensidade e frequência; efeito mais consistente e homogêneo entre estudos

3

Após sessões

Pós-intervenção imediato

Redução significativa na frequência de crises em algumas análises, embora nem sempre na intensidade após 1-2 semanas

Antes e depois

Intensidade da dor (estimativa visual)

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois4 pontos

Frequência de crises mensal

escala máx. 15 dias/mês

Antes12 dias/mês
Depois6 dias/mês

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Técnica minimamente invasiva e geralmente bem tolerada
  • Não envolve injeção de substâncias, reduzindo risco de reações farmacológicas
  • Estudos não relataram eventos adversos graves
Amarelo
  • Desconforto local, sangramento leve ou hematoma podem ocorrer
  • Qualidade metodológica variável entre estudos dificulta avaliação completa de segurança
  • Alguns estudos não relataram eventos adversos de forma sistemática
Vermelho
  • Contraindicações específicas não foram detalhadamente descritas na revisão
  • Pacientes com distúrbios de coagulação, infecções locais ou fobia de agulhas podem não ser adequados
  • Falta de dados robustos sobre segurança em populações especiais

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com cefaleia tensional crônica ou recorrente
  • Pacientes com cefaleia cervicogênica e tensão muscular cervical associada
  • Pessoas com enxaqueca que não obtiveram controle adequado com medicação isolada
  • Indivíduos interessados em abordagens não farmacológicas como complemento ao tratamento
  • Pacientes com pontos-gatilho musculares palpáveis e dor referida característica

Mais cautela para extrapolar

  • Crianças e adolescentes (sem dados de segurança e eficácia nesta faixa etária)
  • Pacientes com cefaleias secundárias a condições graves não tratadas
  • Indivíduos com medo intenso de agulhas ou histórico de síncope vasovagal
  • Pessoas com distúrbios de coagulação ou uso de anticoagulantes (precaução não estudada)
  • Pacientes que esperam cura definitiva ou resultados imediatos após uma única sessão

Expectativa realista

Alívio gradual, não instantâneo

A maioria dos estudos mostrou benefício após algumas semanas de tratamento, com resultados mais claros após 1 a 3 meses. A redução da frequência e intensidade das crises é o principal ganho, enquanto a melhora na capacidade funcional pode s

Tempo provável

1 a 3 meses para efeito mais consistente

Resultados variam muito entre pessoas, e a técnica frequentemente foi combinada com outras terapias nos estudos, o que pode influenciar os benefícios observados

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seus sintomas se encaixam nos tipos de cefaleia estudados (tensional, enxaqueca ou cervicogênica)
  2. 2Discuta se você já tentou outras abordagens não farmacológicas e como respondeu
  3. 3Informe sobre uso de medicamentos anticoagulantes, distúrbios de coagulação ou medo de agulhas
  4. 4Pergunte quantas sessões seriam recomendadas e qual o intervalo entre elas
  5. 5Questione se o tratamento será isolado ou combinado com exercícios, mobilizações ou outras terapias

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Agulhamento seco é a mesma coisa que acupuntura

Achado

São abordagens distintas: o agulhamento seco tem base anatômica e neurofisiológica, focando em pontos-gatilho musculares, enquanto a acupuntura tradicional segue princípios de medicina chinesa

Mito

Funciona imediatamente após uma única sessão

Achado

Os benefícios mais consistentes apareceram após 1 a 3 meses de tratamento; o efeito após uma semana foi incerto ou ausente para alguns desfechos

Mito

Cura qualquer tipo de dor de cabeça

Achado

A evidência concentra-se em cefaleia tensional, enxaqueca e cervicogênica; não há dados para cefaleias secundárias ou outros tipos

Mito

É totalmente seguro e sem riscos

Achado

Embora geralmente bem tolerado, a técnica pode causar desconforto local, e a documentação de eventos adversos nos estudos foi inconsistente

Como isso pode funcionar

🎯

ESTÍMULO LOCAL

A agulha inserida no ponto-gatilho muscular pode provocar uma resposta de contração local (twitch), que é proposta — mas não comprovada de forma definitiva — como mecanismo inicial de liberação da tensão muscular

🧠

MODULAÇÃO DA DOR

Estímulos mecânicos nos tecidos podem influenciar vias de processamento da dor no sistema nervoso central, possivelmente reduzindo a sensibilização que mantém a dor crônica; este mecanismo é teórico e baseado em estudos

🔄

MELHORA FUNCIONAL

Com a redução da tensão muscular e da dor, pode haver retorno gradual da amplitude de movimento e da capacidade de realizar atividades diárias, embora este efeito tenha sido menos consistente nos estudos analisados

O que ainda é incerto

  • ?Qual protocolo específico de agulhamento seco (número de sessões, frequência, pontos escolhidos) é o mais eficaz permanece desconhecido devido à grand
  • ?A contribuição isolada do agulhamento seco é incerta, pois muitos estudos o combinaram com outras intervenções ativas
  • ?A durabilidade dos benefícios além de 6 meses não foi estabelecida, limitando recomendações para tratamento de longo prazo
  • ?A segurança em populações específicas (grávidas, idosos fragilizados, pacientes com comorbidades) não foi sistematicamente investigada
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se o agulhamento seco é eficaz para reduzir dor, frequência de crises e limitações funcionais em diferentes tipos de dor de cabeça

👥

QUEM PARTICIPOU

13 estudos controlados com pacientes com cefaleia tensional, enxaqueca e cervicogênica

🧪

COMO FOI FEITO

Agulhamento seco comparado com tratamentos convencionais, fisioterapia ou procedimentos simulados

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa na intensidade da dor e frequência das crises após 1 e 3 meses

🛟

SEGURANÇA

Técnica minimamente invasiva e bem tolerada pelos pacientes

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

EFEITO DURADOR

Diferente de algumas revisões anteriores, esta meta-análise encontrou que os benefícios se mantêm consistentes até 3 meses, não apenas no curto prazo, o que reforça o potencial da técnica como opção de manejo contínuo

🧭

MAIS TIPOS DE CEFALEIA

Ao incluir tensional, enxaqueca e cervicogênica, o estudo sugere que o agulhamento seco pode ter aplicação mais ampla do que se pensava, embora com diferentes graus de evidência para cada tipo

📌

O QUE NÃO MELHORA TÃO RÁPIDO

A incapacidade funcional — como a dor interfere no trabalho e nas atividades — não melhorou significativamente na primeira semana, sugerindo que a recuperação da capacidade plena leva mais tempo do que o alívio da dor em

⚠️

O PROBLEMA DA COMBINAÇÃO

Vários estudos misturaram agulhamento com manipulações e exercícios, uma limitação importante que os próprios autores destacam: ainda não sabemos o quanto do benefício vem apenas das agulhas

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Agulhamento seco melhora dor e função em diferentes tipos de dor de cabeça

A dor de cabeça é uma das condições mais comuns em todo o mundo, com prevalência que varia de 8% a mais de 73% da população global conforme a região avaliada. Entre os principais tipos estão a cefaleia tensional, caracterizada por dor contínua e não-pulsátil que afeta ambos os lados da cabeça; a enxaqueca, que se manifesta com dor intensa acompanhada frequentemente de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som; e a cefaleia cervicogênica, uma forma secundária originada de problemas na coluna cervical, cujos músculos, articulações ou nervos irradiam dor para a região da cabeça, tipicamente unilateral. Para muitas pessoas, essas dores não representam meros incômodos passageiros, mas problemas recorrentes que comprometem significativamente a capacidade de trabalhar, estudar, manter relacionamentos e desfrutar de uma qualidade de vida satisfatória. Diante desse cenário, tratamentos que não dependam exclusivamente de medicamentos têm despertado crescente interesse tanto de pacientes quanto de pesquisadores, especialmente considerando que abordagens farmacológicas, embora úteis, podem apresentar efeitos colaterais, contraindicações ou simplesmente não proporcionar alívio adequado para todos os indivíduos.

O agulhamento seco emerge como uma dessas alternativas terapêuticas. A técnica consiste na inserção de agulhas finas e estéreis em pontos específicos de tensão muscular conhecidos como pontos-gatilho, sem a injeção de qualquer substância. Diferente da acupuntura tradicional, que se fundamenta em conceitos de energia corporal e meridianos, o agulhamento seco tem base anatômica e neurofisiológica, buscando reduzir a tensão muscular, modular vias de dor e, possivelmente, alterar processos de sensibilização central que mantêm a dor crônica. A inserção da agulha visa provocar uma resposta localizada de contração muscular breve e involuntária, chamada de resposta de fasciculação local, que se acredita auxiliar na restauração do tônus muscular e no alívio da dor.

Além disso, a técnica pode melhorar o fluxo sanguíneo, liberar substâncias endógenas com ação analgésica e modificar o ambiente químico dos pontos-gatilho. Este estudo, publicado em 2024 na revista Complementary Therapies in Medicine, representa a mais abrangente síntese de evidências sobre o tema até o momento. Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática e meta-análise, método considerado o mais alto nível de evidência científica por reunir e analisar estatisticamente dados de múltiplos estudos independentes. A busca foi extensa e rigorosa: mais de 5.

600 registros foram identificados em quatro grandes bases de dados científicas — PubMed, EMBASE, Web of Science e SCOPUS —, resultando em 4. 304 estudos únicos após a eliminação de duplicatas. Após triagem por títulos e resumos, 44 textos completos foram avaliados para elegibilidade. Ao final, 13 ensaios clínicos randomizados foram incluídos na revisão sistemática, e 10 deles puderam ser combinados nas análises estatísticas da meta-análise.

Os participantes dos estudos incluídos apresentavam idade média variando de aproximadamente 28 a 45 anos, e as pesquisas foram conduzidas em diferentes países, incluindo Estados Unidos, Turquia, Dinamarca, Irã e Índia, o que confere certa generalidade aos achados, embora a predominância de populações específicas deva ser considerada na interpretação dos resultados. Os resultados mais consistentes e robustos da meta-análise apareceram para intensidade da dor e frequência das crises de cefaleia. Após um mês de tratamento, pacientes submetidos ao agulhamento seco apresentaram redução significativa na intensidade da dor de cabeça em comparação com grupos controle, que receberam desde procedimentos simulados até tratamentos convencionais e abordagens farmacológicas. Essa melhora se manteve após três meses, com dados mais homogêneos entre os estudos nesse período.

A frequência de crises também diminuiu de forma significativa tanto no pós-intervenção imediato quanto após um e três meses de acompanhamento. Para a incapacidade funcional — medida por instrumentos que avaliam como a dor interfere nas atividades diárias, incluindo o Índice de Severidade de Sintomas e subescalas relevantes do Short Form-36 —, os resultados foram mais nuançados: houve melhora significativa após um e três meses, mas não após apenas uma semana, e algumas análises apresentaram alta heterogeneidade, ou seja, os estudos variaram bastante entre si, dificultando conclusões mais firmes sobre esse desfecho específico. A segurança da técnica é um aspecto relevante para a consideração clínica. O agulhamento seco é descrito como uma intervenção minimamente invasiva e geralmente bem tolerada pelos pacientes, especialmente quando comparada a procedimentos mais invasivos como injeções ou intervenções cirúrgicas.

Os efeitos adversos relatados são tipicamente leves e transitórios, como dor local discreta, pequenos hematomas ou sensação de fadiga muscular após a sessão. Essa característica torna a técnica uma opção para indivíduos que preferem minimizar sua dependência de medicamentos ou que apresentam contraindicações ou sensibilidades a determinados fármacos. No entanto, é fundamental compreender as limitações desta síntese de evidências para uma interpretação prudente. Vários dos estudos incluídos combinaram o agulhamento seco com outras terapias, como mobilizações vertebrais, manipulações ou exercícios terapêuticos.

Isso significa que, em parte dos casos, não é possível isolar com precisão o efeito exclusivo das agulhas, tornando difícil determinar quanto da melhora observada deve-se especificamente ao agulhamento seco e quanto às intervenções concomitantes. Além disso, a qualidade metodológica dos estudos foi desigual: alguns apresentaram baixo risco de viés, enquanto outros levantaram preocupações importantes, como o estudo de Kamali et al. (2019), classificado com alto risco de viés geral, e vários outros com algumas preocupações metodológicas. A heterogeneidade observada em várias análises — com índices chegando a 95% em alguns momentos — reflete diferenças nos tipos de cefaleia estudados, nos protocolos de agulhamento empregados, nos comparadores utilizados e nos instrumentos de avaliação, que nem sempre foram uniformes entre os estudos.

O seguimento máximo de seis meses, embora razoável para uma condição crônica, ainda é insuficiente para avaliar se os benefícios se mantêm a longo prazo em condições recorrentes, e a impossibilidade de realizar análises secundárias focadas nas mudanças a partir do basal em diferentes momentos de acompanhamento limita ainda mais a compreensão da trajetória clínica ao longo do tempo. Para o paciente que convive com dores de cabeça frequentes, este estudo oferece uma mensagem de cauteloso otimismo. O agulhamento seco parece ser uma opção com potencial real de reduzir tanto a intensidade quanto a frequência das crises, especialmente quando integrado a um plano de tratamento mais amplo e individualizado. Pode representar alternativa ou complemento para quem prefere reduzir o uso de medicamentos ou não responde adequadamente a eles.

No entanto, não se trata de cura definitiva, nem funciona igualmente para todos os indivíduos. A decisão de experimentar deve ser individualizada, considerando o tipo específico de cefaleia, as características pessoais de cada paciente, suas preferências e expectativas, bem como a experiência do profissional que realizará o procedimento.

O que fortalece a leitura

  • 1Meta-análise abrangente com 13 estudos
  • 2Avaliação de diferentes tipos de cefaleia
  • 3Seguimento de múltiplos períodos temporais
  • 4Busca sistemática em várias bases de dados
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Alta heterogeneidade em algumas análises
  • 2Alguns estudos combinaram agulhamento seco com outras terapias
  • 3Seguimento relativamente curto (máximo 6 meses)
  • 4Variabilidade na qualidade metodológica dos estudos

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

13pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Agulhamento seco

0 pessoas

Inserção de agulhas em pontos-gatilho musculares

Controle

0 pessoas

Tratamento convencional, fisioterapia ou procedimento simulado

⏱️ Tempo de acompanhamento: Seguimento de 1 semana a 6 meses

📊 Resultados em números

significativa

Redução na intensidade da dor após 1 mês

significativa

Redução na intensidade da dor após 3 meses

significativa

Redução na frequência de crises após 1 mês

significativa

Melhora na incapacidade após 1 mês

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor

Agulhamento seco
85
Controle
60

📅 Linha do tempo da evidência

1994Primeiros estudos sobre agulhamento seco em cefaleia
2008Comparações com toxina botulínica e lidocaína
2019Estudos controlados com cefaleia tensional
2022Seguimentos de longo prazo
2024Meta-análise atual confirma eficácia do agulhamento seco

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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