O que é fisiatra? O que ele faz, o que trata e quando procurar
O fisiatra é o médico que diagnostica e trata dor e perda de movimento sem cirurgia: examina, pede exames, prescreve e organiza a reabilitação, em parceria com o fisioterapeuta, que conduz o tratamento por exercício. Quando o caso exige cirurgia, entra o ortopedista.
O fisiatra é o médico que diagnostica e trata dor e perda de movimento sem cirurgia — a especialidade se chama Medicina Física e Reabilitação. Você o procura quando a dor já dura semanas, irradia para o braço ou a perna, vem com formigamento ou perda de força, ou quando uma reabilitação travou depois de uma cirurgia ou de um AVC. O exame começa por uma pergunta concreta — o que essa dor está impedindo você de fazer — antes de escolher qualquer técnica.
- O que é
- Médico especialista em Medicina Física e Reabilitação, com foco no diagnóstico e no tratamento não cirúrgico da dor e da perda de função.
- O que avalia
- Força, sensibilidade, reflexos, marcha, mobilidade, exames de imagem e eletroneuromiografia, medicamentos em uso e o impacto na rotina.
- Como trata
- Exercício terapêutico, reabilitação, ajuste de carga, medicação, infiltrações, bloqueios e ondas de choque, conforme o diagnóstico.
- Quando não é a porta
- Fratura, instabilidade ou compressão grave que exigem cirurgia vão para o ortopedista ou o neurocirurgião; a fisiatria é a via não cirúrgica.
- Onde
- Clínica Dr. Hong Jin Pai · Al. Jaú, 687, Jardim Paulista, São Paulo.
O que é um fisiatra
Fisiatra é o médico especialista em Medicina Física e Reabilitação. É ele quem diagnostica e trata dor e limitações de movimento sem cirurgia: examina, pede e interpreta exames, prescreve medicamentos e procedimentos e monta o programa de reabilitação. É uma especialidade médica reconhecida no Brasil, com residência própria.
A diferença para os outros profissionais que cuidam de dor é de papel, não de hierarquia: o fisioterapeuta conduz o tratamento com exercício e terapia manual; o ortopedista assume quando o caso é cirúrgico; o fisiatra é o médico da via não cirúrgica — diagnostica, prescreve e coordena o plano, em parceria com os dois.
Quando procurar um fisiatra
Procure um fisiatra quando a dor já dura semanas, volta sempre que você retoma a atividade, ou já passou por tratamento sem um plano que se sustente. Esses são os sinais de que a dor deixou de ser um episódio e virou um problema com história. Os cinco padrões abaixo são os que mais se beneficiam de uma avaliação médica do movimento.
- A dor persiste ou sempre volta. Passou de algumas semanas, melhora só por um tempo, ou reaparece toda vez que você caminha, treina ou trabalha. A persistência costuma significar que o diagnóstico está incompleto, que há mais de uma fonte de dor, ou que a carga aplicada segue acima da capacidade do tecido.
- A dor irradia. Sai do pescoço para o braço, ou da lombar e da nádega para a perna. Pode ser irritação de uma raiz nervosa — mas ombro, quadril, articulação sacroilíaca e músculos também produzem dor referida, e separar essas origens é exame clínico, não palpite.
- Há formigamento, queimação ou perda de força. Esses sintomas mudam a investigação: apontam para nervo, raiz ou músculo, e definem se uma eletroneuromiografia ajuda a localizar a lesão.
- A ressonância não combina com o que você sente. Protrusões, artrose e desgaste aparecem em pessoas sem dor; sintomas importantes existem com exames quase normais. Quem decide o peso de um achado é o exame físico, não o laudo isolado.
- O tratamento anterior não resolveu. Fisioterapia, repouso ou um procedimento que não funcionaram costumam apontar para a estrutura errada, duas fontes de dor ao mesmo tempo, ou uma carga que progrediu rápido demais. Repetir a mesma conduta sem rever a hipótese tende a repetir o resultado.
A dúvida real de quem chega aqui costuma ser de qual médico procurar. A tabela abaixo parte do que você percebe, mostra o que costuma estar por trás e para onde isso aponta primeiro.
| O que você percebe | O que costuma estar por trás | Para onde aponta primeiro |
|---|---|---|
| Dor lombar que desce pela perna abaixo do joelho, com formigamento | Irritação de raiz nervosa (radiculopatia), por hérnia ou estenose | Fisiatra: exame neurológico e, se preciso, eletroneuromiografia |
| Dor no ombro ao levantar o braço, pior à noite sobre o lado | Tendinopatia do manguito rotador ou capsulite | Fisiatra: avaliação do ombro e da coluna cervical |
| Formigamento no polegar, indicador e médio, que acorda à noite | Síndrome do túnel do carpo — ou uma raiz cervical | Fisiatra: exame e eletroneuromiografia para separar os dois |
| Dor após trauma forte, com deformidade ou incapacidade de apoiar | Fratura ou lesão que pode precisar de cirurgia | Pronto-socorro e ortopedista |
| Perda de destreza nas duas mãos, desequilíbrio, marcha instável | Sinais de mielopatia (compressão da medula) | Avaliação médica rápida, com neurologista ou neurocirurgião |
| Dor em várias regiões, sono não reparador, fadiga, piora após esforço | Sensibilização do sistema de dor, como na fibromialgia | Fisiatra: avaliação da dor crônica e do condicionamento |
O que o fisiatra trata
A maior parte da prática é dor e limitação do aparelho locomotor: coluna e dor irradiada, tendões e lesões por sobrecarga, articulações com artrose, nervos com formigamento, e dor crônica com fibromialgia. Cada cartão abaixo traz a pista que diferencia aquele quadro e leva à página com a profundidade clínica específica. Estes são alguns dos motivos mais frequentes — não a lista inteira.
Coluna e dor irradiada
Lombalgia
Dor lombar que piora ao sentar, levantar peso ou ficar muito tempo na mesma posição. Na maioria das vezes é inespecífica: vários tecidos contribuem ao mesmo tempo, sem uma única lesão que explique tudo.
Cervicalgia
Dor no pescoço e entre o pescoço e a escápula, pior em posições prolongadas e diante de telas. “Retificação” e “osteófitos” no laudo nem sempre são a causa da dor.
Hérnia de disco
Pode ser assintomática, dar só dor lombar ou irritar uma raiz. Só explica a dor quando o lado, o trajeto e o exame neurológico batem com a hérnia do laudo.
Ciática e radiculopatia
Dor que desce pela perna por irritação de uma raiz. Quando há fraqueza, perda de reflexo ou dormência, deixa de ser só dor e vira radiculopatia.
Estenose lombar
Peso ou dor nas pernas que aparece ao caminhar e melhora ao sentar ou inclinar para a frente — a claudicação neurogênica. O grau no laudo nem sempre acompanha o sintoma.
Dor sacroilíaca
Dor de um lado da base da lombar ou na nádega, confundida com quadril ou hérnia. O diagnóstico combina manobras que reproduzem a dor habitual.
Tendões e lesões por sobrecarga
Manguito rotador
Dor ao elevar o braço e ao deitar sobre o ombro, com perda de força pela dor. A maioria responde a exercício progressivo antes de pensar em imagem ou cirurgia.
Epicondilite
O cotovelo de tenista (lateral) ou de golfista (medial): dor ao segurar, apertar a mão ou usar ferramentas. Formigamento no dedo mínimo pede avaliar também o nervo ulnar.
Tendinopatia glútea
Dor na lateral do quadril, pior ao dormir de lado e ao subir escadas. Muito do que se chama “bursite trocantérica” tem tendinopatia glútea associada.
Tendinopatia patelar e de Aquiles
Dor abaixo da patela ou atrás do tornozelo em saltos, corrida e desaceleração. Repouso prolongado reduz a capacidade do tendão; o caminho é carga progressiva.
Fascite plantar
Dor na sola do calcanhar nos primeiros passos da manhã, que cede ao caminhar e volta após longos períodos em pé.
Tenossinovite de De Quervain
Dor na base do polegar ao pinçar, torcer panos ou abrir potes, com inchaço perto do punho.
Articulações
Artrose do joelho
Dor ao caminhar, em escadas e ao levantar da cadeira, com rigidez. A radiografia mostra o desgaste, mas não mede a dor: artrose avançada pode doer pouco, e o contrário também ocorre.
Artrose do quadril
Dor na virilha, rigidez e dificuldade para calçar sapatos ou entrar no carro, com perda de rotação. A radiografia costuma bastar para mostrá-la.
Dor femoropatelar
Dor na frente do joelho ao agachar, descer escadas, correr ou após muito tempo sentado. Costuma vir de progressão rápida de treino, não de lesão estrutural.
Lesão de menisco
Dor na linha articular, estalos e, às vezes, travamento. Alterações degenerativas do menisco são comuns sem sintoma — o laudo precisa bater com o mecanismo.
Capsulite adesiva
O ombro congelado: dor progressiva e perda de movimento, com a rotação externa muito limitada. A intensidade do exercício precisa acompanhar a fase.
Rizartrose
Artrose da base do polegar: dor ao abrir potes, girar chaves e escrever, com perda da força de pinça.
Nervos e formigamento
Síndrome do túnel do carpo
Formigamento no polegar, indicador e médio, pior à noite, que melhora ao sacudir a mão. Nem todo formigamento na mão é túnel do carpo — a raiz cervical imita.
Neuropatia ulnar
Formigamento no dedo mínimo e em parte do anelar, pior com o cotovelo dobrado, com perda de força fina da mão.
Meralgia parestésica
Queimação e dormência na lateral da coxa. Como o nervo é só sensitivo, não causa fraqueza da perna — um detalhe que ajuda no diagnóstico.
Polineuropatia
Dormência e formigamento que começam nos pés, nos dois lados, em “bota e luva”. Pede investigar a causa, da diabetes a deficiências.
Neuropatia fibular e pé caído
Dificuldade para levantar o pé, tropeços e dormência no dorso do pé. Uma radiculopatia lombar também causa pé caído — o exame e a eletroneuromiografia separam.
Dor crônica e fibromialgia
Dor crônica é a que persiste ou retorna por mais de três meses. Em alguns casos segue ligada a uma articulação, tendão ou nervo; em outros, o próprio sistema de dor fica mais sensível e passa a amplificar estímulos antes toleráveis. Três padrões podem conviver — dor musculoesquelética, dor neuropática (lesão de raiz ou nervo, com choque e queimação) e dor nociplástica (a sensibilização em si). Uma pessoa pode ter artrose e sensibilização ao mesmo tempo.
Fibromialgia
Dor generalizada com fadiga, sono não reparador e piora após esforço. Nenhum exame isolado confirma; a avaliação também afasta condições que imitam o quadro.
Dor miofascial
Pontos-gatilho e faixas musculares tensas com dor referida. Pode surgir sozinha ou junto de radiculopatia, artrose ou imobilização.
Dor neuropática
Choque, queimação, formigamento e dormência por lesão de uma raiz ou nervo. O tratamento e os medicamentos diferem da dor musculoesquelética.
Síndrome de dor regional complexa
Após trauma, fratura ou imobilização: dor intensa com inchaço, mudança de cor e temperatura e sensibilidade extrema. A avaliação precoce importa.
Como é a primeira consulta
A consulta fisiátrica é, antes de tudo, um exame físico orientado por raciocínio. A história localiza o problema no tempo — quando começou, o que piora, o que já foi tentado — e o exame transforma a queixa em hipótese. Por isso vale ir com roupa confortável: parte da avaliação é ver você caminhar, agachar e mover a região que dói.
Por grupo muscular e miótomo
A força é graduada músculo a músculo. O padrão de fraqueza aponta a raiz ou o nervo envolvido — por exemplo, dificuldade para andar na ponta dos pés sugere a raiz S1.
O mapa neurológico
Reflexos alterados e perda de sensibilidade em um território definido ajudam a separar raiz, plexo e nervo periférico, e a medir a gravidade.
Reproduzir a dor habitual
A elevação da perna estendida tensiona a raiz lombar; a manobra de Spurling, a raiz cervical; testes específicos provocam ombro, quadril e sacroilíaca. Vale o teste que reproduz a sua dor.
Como você se move
Marcha, equilíbrio e a forma de agachar ou subir num degrau mostram o que a imagem não mostra: o impacto real na função, que é o que o tratamento precisa devolver.
O exame busca por que dói: qual tecido, qual mecanismo e qual carga. É isso que decide se o próximo passo é um exame, um procedimento ou começar a reabilitação — e o que diferencia tratar a causa de tratar a imagem.
Que exames fazem sentido
Radiografia, ultrassom, ressonância e eletroneuromiografia respondem a perguntas diferentes. O exame mais detalhado nem sempre é o mais útil — e pedir o exame certo depende primeiro do exame físico, não do contrário.
Radiografia
Mostra artrose, fraturas, alinhamento e deformidades. Feita em pé, revela o comportamento sob carga que o exame deitado não mostra.
Ultrassom
Avalia tendões, bursas, alguns nervos, derrames e calcificações, e ainda permite observar a estrutura em movimento e guiar infiltrações.
Ressonância
Útil para discos, raízes, medula, tendões e ligamentos. Mais relevante quando há perda de força, sinal neurológico, trauma ou suspeita de infecção ou tumor. Sua limitação é mostrar muitas alterações que não estão causando sintoma.
Eletroneuromiografia
Mede a função de nervos e músculos. Ajuda a localizar túnel do carpo, neuropatia ulnar, radiculopatia ou polineuropatia, e a graduar a lesão. Indicada quando é preciso separar uma origem na coluna de uma compressão no braço ou na perna.
Termografia clínica
Mapa de temperatura da pele obtido por câmera infravermelha, sem radiação e sem contato. Não mostra estrutura, e sim como a região se comporta: compara o lado doloroso com o sadio, delimita a área alterada e serve para acompanhar a evolução ao longo do tratamento. Detalhada na página sobre termografia clínica.
Protrusões discais, artrose facetária e lesões parciais de tendão aparecem em muita gente sem dor; e sintomas fortes existem com exames quase normais. Para saber se um achado é o responsável, ele precisa bater com o lado e o trajeto da dor, com os movimentos que provocam o sintoma e com a força, a sensibilidade e os reflexos do exame. É a correspondência entre exame e imagem que dá o diagnóstico — não a imagem isolada.
Tratamentos e procedimentos
O eixo do tratamento é ativo: exercício terapêutico dirigido ao diagnóstico, reabilitação e ajuste de carga. Os procedimentos se somam a essa base quando há indicação — cada um com um alvo e uma evidência próprios, e nenhum substitui o trabalho que sustenta o resultado ao longo do tempo.
Procedimentos que entram no plano
Cada procedimento abaixo tem um alvo anatômico definido e um critério próprio de indicação. Nenhum deles substitui a reabilitação; entram quando o exame identifica uma estrutura que responde àquele estímulo e a dor está impedindo a progressão do exercício.
Bloqueios de nervos periféricos
Anestésico depositado junto a um nervo identificado ao ultrassom, para dor localizada no território dele. Serve para confirmar o gerador da dor e para aliviá-lo por um período.
Bloqueio de Fischer
Infiltração paraespinhal superficial no segmento da coluna que está hipersensível, com limiar de dor à pressão medido antes e depois. Tem ensaio randomizado próprio em lombalgia crônica.
Bloqueio do eretor da espinha e do quadrado lombar
Bloqueios de plano fascial guiados por ultrassom: uma punção cobre vários níveis, útil quando a dor lombar ou torácica está impedindo a reabilitação.
Bloqueio facetário
Anestésico junto aos ramos mediais que inervam uma articulação facetária, para dor axial que piora ao estender e girar a coluna.
Infiltração de ponto-gatilho
Agulha no ponto-gatilho ativo dentro do músculo, com ou sem anestésico, quando há nódulo palpável que reproduz a dor referida do paciente.
Hidrodissecção miofascial
Líquido no plano entre duas camadas musculares que perderam o deslizamento, para rigidez difusa de uma região que recidiva após o tratamento do ponto-gatilho.
Infiltração perineural com dextrose
Dextrose a 5% ao redor de um nervo comprimido, sem corticoide, nas neuropatias por aprisionamento como o túnel do carpo e a meralgia parestésica.
Infiltração articular guiada por ultrassom
Corticoide ou ácido hialurônico dentro da articulação, com a agulha acompanhada na tela, para artrose e dor articular que não cede ao exercício.
Ondas de choque
Estímulo mecânico de alta energia para tendinopatias e calcificações, com aparelhos focais e radiais importados.
Toxina botulínica
Para espasmo muscular, espasticidade, enxaqueca crônica e dor miofascial com músculo bem definido como origem.
Neuromodulação percutânea (PENS)
Estimulação elétrica por agulhas na dor persistente, como camada de modulação somada à reabilitação.
Como funciona o acompanhamento: consulta, plano e reavaliação
Da consulta sai um plano individualizado, que combina a reabilitação ativa — o fisioterapeuta conduz o exercício terapêutico — como eixo, com os procedimentos entrando como reforço quando o diagnóstico indica, nunca como tratamento isolado. Para tendinopatias e lesões por sobrecarga, um primeiro bloco de fisioterapia costuma girar em torno de seis a doze sessões, ajustado à gravidade e à resposta; para artrose, radiculopatia e dor crônica, o tempo até a melhora varia mais, porque depende da causa e não segue um número fixo de sessões. A reavaliação acontece ao fim desse primeiro bloco, quando se decide manter o plano, progredir a carga ou revisar a hipótese diagnóstica.
Tendinopatias e lesões por sobrecarga
Com carga isométrica na fase mais irritada e progressão gradual de resistência, a dor tende a ceder de forma consistente já nesse período; tendões mais espessados, como o de Aquiles, costumam levar mais tempo do que esse primeiro bloco.
Artrose e dor articular
Fortalecimento muscular, atividade aeróbica e ajuste de carga reduzem a dor de forma progressiva. Como a artrose acompanha a pessoa ao longo do tempo, a meta do primeiro bloco é função e dor, não mudar o que aparece na radiografia.
Radiculopatia e dor irradiada
A maioria melhora com tratamento conservador. Quando há fraqueza ou dormência, o acompanhamento é mais próximo, porque a reavaliação também confere se o nervo está recuperando função, não só se a dor caiu.
Dor crônica e fibromialgia
Quando o próprio sistema de dor está sensibilizado, o trabalho é gradual — exposição ao movimento e condicionamento aeróbico em dose tolerável — e a meta inicial é reduzir o impacto na rotina, antes de esperar a dor sumir por completo.
Exercício, reabilitação e ajuste de carga
O exercício é dirigido ao diagnóstico, não a um programa único. Na artrose do joelho, o eixo é o fortalecimento de quadríceps e glúteos somado a atividade aeróbica e controle de peso. Na tendinopatia, a carga é progressiva e graduada — isométricos para analgesia na fase mais irritada, depois resistência mais pesada e, no atleta, devolução de energia elástica em saltos e arranques.
Na radiculopatia, combina-se controle de carga e exercícios que o nervo tolere, sem insistir na postura que reproduz a dor. Na dor crônica com sensibilização, o caminho é a exposição gradual ao movimento e o condicionamento aeróbico em dose tolerável, porque o repouso prolongado tende a piorar o quadro.
Ajustar a carga é dosar a parte mais irritante por um tempo — encurtar a distância de corrida, diminuir saltos, limitar uma amplitude, baixar séries ou peso, alongar o intervalo de recuperação — e retomar de forma progressiva até reaproximar a exigência do trabalho ou do esporte. Calor, gelo, massagem e eletroterapia aliviam no curto prazo e entram como apoio a esse trabalho ativo.
O exercício é o que mais muda o curso na artrose e na tendinopatia
Diretrizes de osteoartrose e de tendinopatias colocam o exercício e o ajuste de carga como base do tratamento, com os recursos passivos somando a esse trabalho, sem substituí-lo. Repouso prolongado alivia por um tempo, mas reduz a capacidade do tecido; a carga progressiva, na dose tolerável, é o que devolve função e reduz recaída. A maior parte dos casos de dor lombar e de ciática melhora sem cirurgia, com tratamento conservador conduzido desde o início.
Ver referências →Fisiatra, fisioterapeuta ou ortopedista?
A diferença entre esses profissionais é de papel, e eles se complementam. O fisiatra é médico: diagnostica a condição, pede e interpreta exames e prescreve. O fisioterapeuta é o especialista que avalia a função e conduz a reabilitação e o exercício terapêutico. Os dois costumam atuar juntos no mesmo paciente — o fisiatra diagnostica a artrose do joelho e organiza o plano; o fisioterapeuta conduz o fortalecimento e o retorno à atividade.
| Profissional | Quando costuma ser a porta certa |
|---|---|
| Fisiatra | Dor de coluna ou articular que já dura semanas, ciática, artrose, tendinopatias, formigamento e perda de força, dor crônica, eletroneuromiografia e tratamento não cirúrgico — incluindo a segunda opinião antes de uma cirurgia. |
| Fisioterapeuta | Conduz o tratamento por exercício, fortalecimento, mobilidade, controle motor e reabilitação esportiva ou neurológica, em geral a partir de um diagnóstico definido. |
| Ortopedista | Fratura, luxação, ruptura traumática, instabilidade, deformidade ou artrose avançada com indicação cirúrgica — quando o caso pode precisar de cirurgia. |
| Neurologista | Doenças do sistema nervoso como epilepsia, Parkinson, esclerose múltipla, tremor e cefaleias complexas, além de algumas neuropatias e doenças neuromusculares. |
| Reumatologista | Várias articulações inchadas, rigidez matinal prolongada e suspeita de artrite inflamatória, lúpus, gota ou espondiloartrite, com sintomas sistêmicos. |
Para a comparação entre as duas profissões que mais se confundem, há uma página dedicada à diferença entre fisiatria e fisioterapia.
Reabilitação além da dor
A dor musculoesquelética é a maior parte da prática, mas a fisiatria nasceu da reabilitação e segue atuando em quadros que reduzem mobilidade e independência. Nessas frentes, o trabalho é em equipe, com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.
AVC e lesão medular
Fraqueza, alterações de marcha, dor no ombro, dificuldade para usar a mão e complicações da imobilidade entram em um plano de reabilitação dirigido.
Espasticidade
O aumento anormal do tônus após lesão do sistema nervoso central. A toxina botulínica em músculos selecionados reduz o tônus quando ele causa dor, limita um movimento ou dificulta a higiene.
Coto e dor fantasma
Dor no coto, dor fantasma, cicatrização, contraturas e adaptação da prótese. A dor fantasma tem origem em mudanças do sistema nervoso central após a amputação.
Reabilitação oncológica e quedas
Fadiga, neuropatia da quimioterapia, linfedema e perda de condicionamento; e, no idoso, a combinação de fraqueza, neuropatia e medicamentos que leva a quedas e perda de marcha.
Sinais de alerta
A maior parte da dor musculoesquelética não é urgência. Mas alguns sinais não devem esperar por uma consulta eletiva, porque indicam compressão grave de nervo ou medula, infecção ou um quadro vascular.
Vá ao pronto-socorro se houver
- Perda recente do controle da urina ou das fezes, retenção urinária, ou perda de sensibilidade na região genital ou entre as pernas (suspeita de síndrome da cauda equina).
- Fraqueza que progride, dormência nas duas pernas ou dificuldade súbita para caminhar.
- Perda de destreza das mãos, desequilíbrio e marcha instável com sintomas nos dois lados (suspeita de mielopatia cervical).
- Dor intensa após trauma importante, ou dor na coluna com febre.
- Fraqueza de um lado do corpo, alteração súbita da fala, assimetria do rosto ou perda súbita da visão.
- Uma articulação quente, muito inchada e dolorida.
Fisiatra em São Paulo: onde e como é o atendimento
A Clínica Dr. Hong Jin Pai reúne fisiatria, medicina da dor e reabilitação na Al. Jaú, 687, no Jardim Paulista, em São Paulo, e você pode marcar a consulta diretamente, sem encaminhamento. A primeira consulta costuma ser mais longa que uma consulta comum, porque o exame físico é detalhado: avaliar força, reflexos, sensibilidade, marcha e as manobras que reproduzem a dor leva tempo.
Vale levar os exames que já tem e a lista dos tratamentos que já tentou. Quando o caso pede fisioterapia, ela é conduzida em conjunto, dentro do mesmo plano de tratamento.
A clínica
A clínica é um Centro de Dor listado pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) e um Centro de Tratamento por Ondas de Choque listado pela SMBTOC. É também listada pelo CMBA, Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura.
Conheça a clínica

Perguntas frequentes
Fisiatra é médico?
Sim. É o médico especialista em Medicina Física e Reabilitação. Ele faz o diagnóstico, solicita e interpreta exames, prescreve medicamentos e indica ou realiza procedimentos, além de organizar a reabilitação.
Qual a diferença entre fisiatra e fisioterapeuta?
O fisiatra é médico e faz o diagnóstico, pede exames e prescreve o tratamento. O fisioterapeuta é o especialista que conduz a reabilitação e os exercícios terapêuticos. As duas formações são diferentes e se complementam no mesmo paciente.
Preciso de encaminhamento para consultar um fisiatra?
Não. Você pode procurar o fisiatra diretamente — inclusive para uma segunda opinião não cirúrgica antes de decidir sobre uma cirurgia.
O fisiatra opera?
Não. A fisiatria é a via não cirúrgica. Quando o caso exige cirurgia — uma fratura, uma instabilidade, uma compressão grave que não responde —, o encaminhamento é para o ortopedista ou o neurocirurgião.
Preciso fazer ressonância antes da consulta?
Não. Dependendo do caso, o exame mais útil pode ser uma radiografia, um ultrassom, uma eletroneuromiografia — ou nenhum exame naquele momento. Quem define isso é o exame físico, na consulta.
Minha ressonância está normal. Isso quer dizer que não há nada?
Não. Dor miofascial, várias neuropatias, tendinopatias e o aumento da sensibilidade à dor existem sem grandes alterações estruturais na imagem.
Minha ressonância está muito alterada. O problema é grave?
Não necessariamente. Alterações degenerativas extensas podem causar poucos sintomas. O laudo precisa ser comparado com a dor, a força, a sensibilidade e os reflexos para saber o que de fato pesa.
A eletroneuromiografia dói?
O estudo de condução usa estímulos elétricos breves; a parte de agulha usa uma agulha fina em músculos selecionados. O desconforto varia, mas o exame normalmente não exige anestesia.
O fisiatra trata fibromialgia?
Sim. Participa do diagnóstico e do tratamento da dor generalizada, da fadiga, do sono não reparador e da perda de condicionamento, e afasta condições que imitam o quadro.
O fisiatra atende atletas?
Sim. Lesões musculares, tendinopatias, dor articular, dor na coluna e lesões por sobrecarga estão entre os quadros mais frequentes do esporte.
Quanto tempo dura a primeira consulta?
Costuma durar mais do que uma consulta comum, porque o exame físico é detalhado: avaliar força, reflexos, sensibilidade, marcha e as manobras que reproduzem a dor leva tempo. Vale levar exames já feitos e uma lista dos tratamentos que já tentou.
A consulta é por convênio ou particular?
O atendimento é particular. Emitimos recibo para que você solicite reembolso ao seu convênio, conforme as regras do seu plano. Valores e detalhes podem ser confirmados pelo WhatsApp.
Referências12 fontes citadas neste artigoVerOcultar
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59).
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management (NG226).
- Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy (JOSPT). Rotator Cuff Tendinopathy: Clinical Practice Guideline, 2025.
- Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy (JOSPT). Achilles Tendinopathy: Clinical Practice Guideline, 2024.
- Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy (JOSPT). Patellofemoral Pain: Clinical Practice Guideline.
- Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy (JOSPT). Heel Pain — Plantar Fasciitis: Revision 2023.
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS). Management of Carpal Tunnel Syndrome: Clinical Practice Guideline.
- International Association for the Study of Pain (IASP). Terminology (nociceptive, neuropathic, nociplastic pain).
- EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Ann Rheum Dis. 2017;76(2):318-328.
- American Academy of Physical Medicine and Rehabilitation (AAPM&R). What is a physiatrist? / Why visit a rehabilitation physician.
- American Association of Neuromuscular & Electrodiagnostic Medicine (AANEM). Patient information on electrodiagnostic studies.
- World Health Organization (WHO). Rehabilitation — fact sheet.
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação médica individual.
