Participantes
160
mulheres randomizadas, 150 completaram o estudo
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Headache
Ano
2002
Autores
Allais et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo comparou acupuntura com um medicamento preventivo para enxaqueca em 160 mulheres. A acupuntura mostrou ser mais eficaz que o medicamento nos primeiros meses, reduzindo tanto o número de crises quanto a intensidade da dor. Além disso, quem fez acupuntura teve muito menos efeitos colaterais e precisou de menos analgésicos para alívio da dor.
Título original do estudo: Acupuncture in the Prophylactic Treatment of Migraine Without Aura: A Comparison with Flunarizine
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em mulheres com enxaqueca sem aura, acupuntura foi mais eficaz que flunarizina nos primeiros 4 meses, reduziu mais a intensidade da dor e teve muito menos efeitos colaterais, embora as diferenças tenham desaparecido ao 6º mês.
Este estudo comparou acupuntura com um medicamento preventivo para enxaqueca em 160 mulheres. A acupuntura mostrou ser mais eficaz que o medicamento nos primeiros meses, reduzindo tanto o número de crises quanto a intensidade da dor. Além disso, quem fez acupuntura teve muito menos efeitos colaterais e precisou de menos analgésicos para alívio da dor.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Em mulheres com enxaqueca sem aura, sessões regulares de acupuntura reduziram crises mais rápido que flunarizina, aliviaram mais a intensidade da dor e causaram bem menos incômodos
Ponto 1
Melhora significativa já nas primeiras 8 semanas, com sessões semanais
Ponto 2
Manutenção com apenas 1 sessão por mês após o 2º mês
Ponto 3
Sonolência e ganho de pesso, comuns com remédio, foram mínimos com acupuntura
O que este estudo acrescenta
Este foi um dos primeiros ensaios randomizados de grande porte a comparar acupuntura diretamente com um medicamento preventivo estabelecido para enxaqueca, demonstrando eficácia e superioridade em velocidad
Aplicabilidade clínica
A redução de aproximadamente 50% nas crises e a superioridade em intensidade da dor e tolerabilidade são clinicamente significativas, especialmente para pacientes sensíveis a efeitos colaterais de medicamentos. A perda d
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental onde pacientes foram distribuídos aleatoriamente entre tratamentos, oferecendo evidência de alta qualidade sobre eficácia comparativa.
Participantes
160
mulheres randomizadas, 150 completaram o estudo
Redução de crises (acupuntura)
54%
queda média nos primeiros 2 meses, de ~6,4 para ~2,95 crises/mês
Redução de crises (flunarizina)
33%
queda nos primeiros 2 meses, de ~6,1 para ~4,1 crises/mês
Efeitos colaterais
3x menor
13% com acupuntura vs 40% com flunarizina relataram algum evento adverso
Livres de crises
12,9%
proporção que ficou completamente sem enxaqueca com acupuntura vs 9,5% com flunarizina
Ficha rápida do estudo
Condição
enxaqueca sem aura, profilaxia
Tipo de estudo
ensaio clínico randomizado
Participantes
160 mulheres, média de 38 anos, com ≥2 crises/mês
Duração
6 meses de tratamento, após 2 meses de observação
Sessões
semanais por 2 meses, depois mensais por 4 meses (≈16 sessões)
Comparador
flunarizina, calcioantagonista padrão para profilaxia de enxaqueca
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
aproximadamente 16 sessões ao longo de 6 meses
semanal nos primeiros 2 meses, mensal nos 4 meses seguintes
20 minutos com agulhas inseridas
10 pontos fixos bilaterais (exceto CV12 e GV20): LR3, SP6, ST36, CV12, LI4, PC6, GB20, GB14, EX-HN5, GV20; manipulação até De Qi, método 'even' (intermediário)
flunarizina 10mg/dia por 2 meses, depois 20 dias/mês por 4 meses
Protocolo padronizado ('formula acupuncture'), não individualizado segundo TCM; agulhas de aço estéril descartáveis 0,3mm x 52mm, inserção 10-30mm
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Frequência de crises
reduziu
queda de ~6,4 para ~2 crises/mês ao final, com vantagem sobre flunarizina nos primeiros 4 meses
Intensidade da dor
reduziu
único tratamento que diminuiu significativamente a gravidade das crises; flunarizina não teve esse efeito
Uso de analgésicos
reduziu
menor necessidade de medicamentos de resgate; 23,3% conseguiu parar completamente
Tolerabilidade
melhorou
muito menos efeitos colaterais que flunarizina: 13% vs 40% de pacientes com algum evento adverso
Pacientes livres de dor
melhorou
12,9% ficaram completamente sem crises vs 9,5% com flunarizina
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
aos 2 meses
Primeira redução significativa
frequência de crises caiu de ~6,4 para ~2,95 por mês no grupo de acupuntura; já estatisticamente superior à flunarizina
aos 4 meses
Máxima redução de crises
média de 2,30 crises/mês com acupuntura, mantendo vantagem sobre flunarizina (2,93)
aos 2 meses
Redução de analgésicos
consumo caiu de ~9,7 para ~5,13 doses/mês, significativamente menor que flunarizina neste ponto
meses 3 a 6
Manutenção com sessões mensais
benefícios mantidos com apenas 1 sessão mensal, embora vantagem sobre flunarizina não mais significativa
Antes e depois
Crises de enxaqueca/mês (acupuntura)
escala máx. 8 crises
Crises de enxaqueca/mês (flunarizina)
escala máx. 8 crises
Analgésicos/mês (acupuntura)
escala máx. 12 doses
Analgésicos/mês (flunarizina)
escala máx. 12 doses
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução de aproximadamente metade do número de crises de enxaqueca, com diminuição da intensidade da dor e menor necessidade de analgésicos de resgate
Tempo provável
melhora significativa já aos 2 meses, com manutenção do benefício em sessões mensais a partir do 3º mês
A vantagem sobre medicamento preventivo padrão foi mais clara nos primeiros 4 meses; aos 6 meses ambos os tratamentos mostraram resultados semelhantes, e a acup
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Acupuntura só funciona como placebo para dor
Achado
Neste estudo, acupuntura superou um medicamento ativo em eficácia nos primeiros meses e reduziu intensidade da dor de forma que flunarizina não conseguiu
Mito
Acupuntura precisa ser feita para sempre com a mesma frequência
Achado
Os benefícios foram mantidos com redução drástica da frequência de sessões, de semanal para mensal após os primeiros 2 meses
Mito
Tratamentos naturais ou alternativos não têm efeitos colaterais
Achado
Acupuntura teve efeitos colaterais, mas foram leves e muito menos frequentes que os do medicamento; incluíram sonolência pós-sessão e dor local
Mito
Acupuntura e medicamento preventivo têm a mesma velocidade de ação
Achado
Acupuntura mostrou resposta mais rápida, com diferença significativa já aos 2 meses, enquanto flunarizina levou mais tempo para atingir efeito máximo
Como isso pode funcionar
ESTIMULAÇÃO NERVOSA
A inserção e manipulação das agulhas ativa fibras nervosas cutâneas e musculares, gerando sinais que ascendem pelo sistema nervoso central — mecanismo neurofisiológico proposto, não diretamente testado neste estudo
MODULAÇÃO DA DOR
A estimulação sustentada pode promover liberação de neurotransmissores endógenos relacionados à analgesia, como endorfinas e encefalinas — explicação teórica baseada em outros estudos, não confirmada aqui
REGULAÇÃO VASCULAR
A acupuntura pode influenciar o tônus vascular e a reatividade das artérias intracranianas, potencialmente reduzindo a cascata fisiopatológica da enxaqueca — hipótese plausível, mas não investigada nesta pesquisa
EFEITO CENTRAL INTEGRATIVO
A sensação de De Qi e a resposta do organismo à estimulação podem ativar sistemas de controle descendente da dor e modulação do estresse — interpretação proposta pelos autores, requerendo mais pesquisa
O que ainda é incerto
Comparar acupuntura com flunarizina na prevenção de enxaqueca por 6 meses
160 mulheres com enxaqueca sem aura e pelo menos 2 crises por mês
80 receberam acupuntura semanal e 80 tomaram flunarizina 10mg/dia
Acupuntura reduziu mais crises nos primeiros 4 meses e diminuiu intensidade da dor
Acupuntura apresentou muito menos efeitos colaterais que a medicação
Achados Interessantes
VELOCIDADE DA RESPOSTA
A acupuntura mostrou vantagem estatística sobre o medicamento já aos 2 meses, sugerindo resposta mais rápida — algo clinicamente valioso para quem sofre com crises frequentes e busca alívio imediato
PROTOCOLO PADRONIZADO FUNCIONOU
Mesmo usando os mesmos 10 pontos em todas as pacientes — abordagem considerada 'redutiva' pelos autores — a acupuntura foi eficaz, sugerindo que formulações padronizadas têm valor prático, embora a individualização possa
FENÔMENO DA 'IMINÊNCIA'
Um achado curioso e característico: nas primeiras semanas, muitas pacientes sentiram pontadas e parestesias como se uma crise viesse, mas que nunca se concretizaram — possível sinal de reorganização do sistema de modulaç
DESAFIO À EQUIVALÊNCIA
Os autores alertaram que a ausência de diferença estatística aos 6 meses não significa equivalência entre tratamentos, dado que o poder estatístico não foi calculado previamente — lição importante sobre interpretação cau
Resumo detalhado em linguagem acessível
A enxaqueca afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, sendo uma das principais causas de dor de cabeça crônica. Esta condição neurológica provoca episódios recorrentes de dor intensa, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Para o controle preventivo da enxaqueca, tradicionalmente os médicos prescrevem medicamentos como a flunarizina, um bloqueador de canal de cálcio amplamente utilizado. No entanto, esses medicamentos podem causar efeitos colaterais indesejados como sonolência, ganho de peso e depressão.
Nesse contexto, a acupuntura tem emergido como uma alternativa terapêutica promissora, oferecendo uma abordagem não medicamentosa para a prevenção da enxaqueca. Apesar dos resultados encorajadores de estudos anteriores, havia necessidade de pesquisas mais rigorosas comparando diretamente a eficácia da acupuntura com medicamentos convencionais.
Este estudo controlado e randomizado foi conduzido ao longo de seis meses com o objetivo de avaliar se a acupuntura seria eficaz na prevenção da enxaqueca sem aura e comparar seus resultados com o tratamento medicamentoso com flunarizina. Os pesquisadores recrutaram 160 mulheres com diagnóstico de enxaqueca, com idades entre 18 e 59 anos, que apresentavam pelo menos duas crises por mês. As participantes foram divididas aleatoriamente em dois grupos: 80 receberam tratamento com acupuntura e 80 foram tratadas com flunarizina. No grupo da acupuntura, as sessões foram realizadas semanalmente nos primeiros dois meses e depois mensalmente por mais quatro meses.
Os pesquisadores utilizaram sempre os mesmos pontos de acupuntura em todas as pacientes, incluindo pontos nos pés, pernas, abdome, mãos, braços, pescoço e cabeça. As agulhas permaneciam inseridas por 20 minutos em cada sessão. No grupo da flunarizina, as pacientes tomaram 10 mg diariamente nos primeiros dois meses, seguidos de 20 dias por mês durante os quatro meses subsequentes. Durante todo o período, as participantes mantiveram diários detalhados registrando a frequência das crises, intensidade da dor e uso de medicamentos para alívio da dor.
Os resultados demonstraram que ambos os tratamentos foram eficazes na redução da frequência das crises de enxaqueca. Entretanto, a acupuntura mostrou-se superior à flunarizina em vários aspectos importantes. Nos primeiros quatro meses de tratamento, o grupo da acupuntura apresentou uma redução significativamente maior no número de ataques de enxaqueca em comparação com o grupo da flunarizina. Após dois meses de tratamento, as pacientes tratadas com acupuntura também utilizaram significativamente menos medicamentos para alívio da dor do que aquelas que receberam flunarizina.
Um achado particularmente relevante foi que apenas a acupuntura conseguiu reduzir significativamente a intensidade da dor, enquanto a flunarizina não mostrou este benefício. Ao final do tratamento, aproximadamente 13% das pacientes do grupo acupuntura ficaram completamente livres de dor de cabeça, comparado a cerca de 9% no grupo flunarizina. Além disso, 23% das pacientes tratadas com acupuntura pararam completamente de usar medicamentos para alívio da dor, em comparação com 15% no grupo flunarizina. Aos seis meses, as diferenças entre os grupos diminuíram, sugerindo que os benefícios da acupuntura são mais pronunciados nos estágios iniciais do tratamento.
Do ponto de vista clínico, estes resultados têm implicações importantes tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. A acupuntura demonstrou ser uma opção viável e eficaz para a prevenção da enxaqueca, oferecendo vantagens significativas em termos de tolerabilidade. Enquanto o grupo da flunarizina apresentou efeitos colaterais como sonolência, ganho de peso e depressão, o grupo da acupuntura relatou principalmente dor local leve e sedação temporária após o tratamento. O número total de pacientes com efeitos colaterais foi significativamente menor no grupo acupuntura.
Para pacientes que não toleram bem medicamentos preventivos ou preferem abordagens não farmacológicas, a acupuntura representa uma alternativa segura e eficaz. Os resultados também sugerem que a acupuntura pode ser especialmente benéfica nos primeiros meses de tratamento, período em que muitos pacientes abandonam tratamentos convencionais devido aos efeitos colaterais. A capacidade da acupuntura de reduzir tanto a frequência quanto a intensidade das crises, além de diminuir o uso de medicamentos para alívio da dor, oferece uma abordagem abrangente para o manejo da enxaqueca.
O estudo apresenta algumas limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Os pesquisadores utilizaram uma abordagem padronizada de acupuntura, aplicando os mesmos pontos em todas as pacientes, o que difere da prática tradicional da medicina chinesa, onde o tratamento é individualizado conforme o padrão específico de cada paciente. Esta abordagem pode ter limitado o potencial terapêutico pleno da acupuntura. Além disso, o grupo da acupuntura recebeu naturalmente mais atenção e contato direto com os terapeutas, o que pode ter contribuído para um maior efeito placebo.
O número de sessões utilizadas também foi menor do que o idealmente recomendado na prática clínica tradicional. Apesar dessas limitações, a acupuntura demonstrou eficácia mesmo sob essas condições restritivas. Os pesquisadores concluem que a acupuntura deveria ser considerada mais frequentemente como tratamento de primeira linha para a prevenção da enxaqueca, especialmente considerando seu perfil de segurança superior e eficácia comparável ou superior aos medicamentos convencionais nos estágios iniciais do tratamento.
Acupuntura
80 pessoas
sessões semanais por 2 meses, depois mensais
Flunarizina
80 pessoas
10mg diário por 2 meses, depois 20 dias/mês
Redução de crises aos 2 meses (acupuntura)
Redução de crises aos 2 meses (flunarizina)
Pacientes livres de dor (acupuntura)
Pacientes livres de dor (flunarizina)
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor de cabeça · Avaliação especializada
Converse com quem trata cefaleia e enxaqueca há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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