Estudo científico comentado

Terapia por Ondas de Choque para Dor Lombar Crônica: Revisão Sistemática de Ensaios Clínicos

Referência acadêmica

Periódico

BioMed Research International

Ano

2021

Autores

Yue et al.

Desenho

revisão sistemática

Esta revisão analisou 10 estudos com 455 pessoas que tinham dor nas costas há mais de 3 meses. A terapia por ondas de choque mostrou reduzir a dor no primeiro mês e melhorar a capacidade funcional após 3 meses, comparado a outros tratamentos. O procedimento foi seguro, com apenas relatos de dor leve durante a aplicação. Embora promissor, são necessários mais estudos de qualidade para confirmar os benefícios.

Título original do estudo: Extracorporeal Shockwave Therapy for Treating Chronic Low Back Pain: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomized Controlled Trials

📊revisão sistemática👥n=455 participantes🔬evidência de qualidade baixa a moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A terapia por ondas de choque pode reduzir a dor lombar crônica no primeiro mês e melhorar a funcionalidade até três meses, mas a evidência ainda é de baixa a moderada qualidade e não estabelece dose ou protocolo ideais.

O que isso significa para você?

Esta revisão analisou 10 estudos com 455 pessoas que tinham dor nas costas há mais de 3 meses. A terapia por ondas de choque mostrou reduzir a dor no primeiro mês e melhorar a capacidade funcional após 3 meses, comparado a outros tratamentos. O procedimento foi seguro, com apenas relatos de dor leve durante a aplicação. Embora promissor, são necessários mais estudos de qualidade para confirmar os benefícios.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A terapia por ondas de choque é uma opção não invasiva com potencial de alívio no curto prazo, não uma cura definitiva.
  • 2Os resultados mais consistentes aparecem em até 3 meses; não se sabe se os benefícios duram mais que isso.
  • 3A segurança parece boa, mas os dados são incompletos — converse abertamente sobre preocupações.
  • 4Não existe ainda 'receita única': o número de sessões, a energia aplicada e a técnica variam muito entre centros.
  • 5Combine com hábitos de autocuidado: movimentação adequada, sono de qualidade e manejo do estresse potencializam qualquer tratamento.
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base no meu tipo específico de dor lombar, você recomendaria ondas de choque como parte do meu plano de tratamento?
  • 2Qual protocolo o centro utiliza, e existe alguma justificativa para essa escolha específica?
  • 3Como vamos avaliar se está funcionando, e em quanto tempo reconsideramos se não houver melhora?
  • 4Existem contraindicações específicas para mim, considerando meu histórico de saúde e medicamentos atuais?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso grave foi relatado, mas apenas metade dos estudos monitorou segurança de forma sistemática — a ausência de evidência não é evidência de ausência de risco.
  • 2Dor leve durante o procedimento foi relatada em um estudo, especialmente com energia de 0,10 a 0,18 mJ/mm²; informe-se sobre o nível de desconforto esperado.
  • 3Contraindicações clássicas das ondas de choque (gravidez, tumores, infecções ativas, uso de anticoagulantes) devem ser avaliadas individualmente, embora não tenham sido testadas ne
  • 4A qualidade da evidência sobre segurança é limitada pela falta de padronização no relato de eventos adversos entre os estudos incluídos.

Leitura rápida para pacientes

Ondas de choque: promessa de curto prazo para dor lombar crônica

Uma revisão de 10 estudos mostra que a terapia pode aliviar a dor em um mês e melhorar a funcionalidade em três, mas ainda faltam respostas sobre duração e protocolo ideais.

Ponto 1

Benefício mais claro no primeiro mês, com melhora da capacidade funcional até 3 meses

Ponto 2

Sem eventos graves, mas metade dos estudos não acompanhou efeitos colaterais de forma completa

Ponto 3

Ainda não há protocolo único comprovado; a decisão deve ser individualizada com seu médico

O que este estudo acrescenta

ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE

Primeira meta-análise registrada prospectivamente a incluir literatura cinzenta e não inglesa, ampliando a busca por evidências, embora a conclusão reforce a necessidade de mais pesquisas de alta qualidade.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

O efeito sobre a dor no curto prazo supera o limiar de mudança clinicamente importante, mas a variabilidade entre estudos, a qualidade da evidência e a falta de acompanhamento de longo prazo limitam a certeza sobre o ben

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é o nível mais alto da hierarquia de evidências, pois combina resultados de múltiplos ensaios clínicos randomizados, embora a qualidade aqui seja limitada pelo tamanho e pela

participantes analisados

455

total em 10 ensaios clínicos

redução da dor em 1 mês

SMD -0,81

efeito de tamanho moderado a grande, com intervalo de confiança significativo

melhora da incapacidade em 3 meses

SMD -0,69

evidência de qualidade moderada, mais consistente que no primeiro mês

eventos adversos graves

0

nenhum relatado, mas monitoramento foi incompleto

estudos com cegamento adequado

minoría

limitação importante que pode inflacionar os resultados observados

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

dor lombar crônica (mais de 3 meses de duração)

Tipo de estudo

revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Participantes

455 adultos jovens a de meia-idade (29 a 56 anos), predominância feminina

Duração

acompanhamento de 1 a 3 meses nos estudos incluídos

Sessões

variável: de 3 a 12 sessões, conforme o estudo

Comparador

procedimento simulado, medicamentos, exercícios, TENS, manipulação ou injeção de pontos-gatilho

Grupos do estudo

ondas de choque extracorpóreacontrole (placebo, medicamentos ou outras terapias)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

3 a 12 sessões, dependendo do estudo

Frequência02

de 1 vez por semana a 2 vezes por semana

Duração da sessão03

não especificada de forma padronizada nos estudos

Pontos / técnica04

aplicação na região lombar, com densidade de fluxo de energia de 0,1 a 0,18 mJ/mm²; técnica variou entre estudos

Comparador05

placebo sham, medicamentos (anti-inflamatórios, relaxantes musculares), exercícios, TENS, manipulação ou injeção de pont

Nota de protocolo06

Não há consenso sobre o protocolo ideal; os estudos variaram bastante em dose, frequência e técnica de aplicação

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com dor lombar crônica há mais de 3 mesesFaixa etária de 29 a 56 anos, com leve predomínio femininoPacientes com dor de intensidade variada (4,2 a 8,4 em escala de 10)Pessoas com dor inespecífica ou associada a síndrome miofascialIndivíduos de sete países diferentes, incluindo estudos de literatura cinzentaParticipantes que não haviam respondido adequadamente às terapias convencionais

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com déficits neurológicos, histórico de cirurgia ou trauma na colunaPessoas com condições inflamatórias específicas como espondilite anquilosanteDores localizadas em outras regiões (cervical, torácica, sacroilíaca ou cóccix)Gestantes ou indivíduos com infecções ativas, tumores ou fraturasCrianças, adolescentes e idosos acima de 60 anos (fora da faixa estudada)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

intensidade da dor

reduziu

diminuição significativa aos 30 dias comparada a controles, com efeito de tamanho moderado a grande

🚶

incapacidade funcional

melhorou

redução nos escores de incapacidade aos 3 meses, com evidência de qualidade moderada

📊

qualidade de vida

melhorou

alguns estudos individuais relataram melhora, embora não tenha sido o foco principal da meta-análise

💪

tensão muscular

melhorou

estudos com síndrome miofascial mostraram redução da sensibilidade em pontos-gatilho

O que não mudou

  • A redução da dor não se manteve estatisticamente significativa aos 3 meses na análise combinada
  • Não há dados de acompanhamento além de 3 meses para avaliar persistência do efeito
  • A heterogeneia entre protocolos impede conclusões sobre dose ou técnica ideais

Quando a melhora apareceu

1

1 mês

redução da dor

diferença significativa favorável às ondas de choque em análise combinada de 10 estudos

2

1 mês

melhora da incapacidade

tendência de melhora, mas evidência de qualidade muito baixa

3

3 meses

melhora da incapacidade

redução significativa e mais consistente da incapacidade funcional

Antes e depois

intensidade da dor (estimativa visual)

escala máx. 10 pontos

Antes6.5 pontos
Depois3.5 pontos

incapacidade funcional (estimativa)

escala máx. 50 pontos ODI

Antes22 pontos ODI
Depois14 pontos ODI

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso grave relatado nos estudos incluídos
  • Procedimento não invasivo, sem necessidade de anestesia geral ou incisões
  • Boa tolerabilidade geral, com retorno imediato às atividades
Amarelo
  • Dor leve durante o procedimento relatada em um estudo, especialmente em doses mais altas
  • Metade dos estudos não relatou eventos adversos de forma sistemática
  • Falta de padronização no monitoramento de segurança entre os ensaios
Vermelho
  • Dados de segurança insuficientes para avaliar riscos raros ou tardios
  • Contraindicações clássicas das ondas de choque não foram testadas nesta população específica (grávidas, pacientes com tumores ou anticoagulação)

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor lombar crônica inespecífica há mais de 3 meses
  • Pacientes que não obtiveram alívio satisfatório com medicamentos e exercícios
  • Pessoas com componente miofascial significativo (tensão e pontos dolorosos musculares)
  • Indivíduos que preferem abordagens não invasivas antes de considerar intervenções mais agressivas
  • Pacientes com expectativas realistas sobre benefícios de curto prazo

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com dor lombar de causa estrutural definida (fraturas, tumores, infecções)
  • Pacientes com comprometimento neurológico ou histórico de cirurgia espinal
  • Indivíduos com doenças inflamatórias sistêmicas da coluna
  • Gestantes ou pessoas com condições que contraindicam ondas de choque em outras regiões
  • Quem busca garantia de resultado duradouro além de 3 meses, pois os dados não sustentam isso

Expectativa realista

Alívio possível no primeiro mês

Muitos pacientes experimentam redução perceptível da intensidade da dor já nas primeiras 4 semanas após o tratamento. A capacidade de realizar atividades diárias pode melhorar gradualmente, com resultados mais claros em torno de 3 meses.

Tempo provável

benefício mais consistente entre 1 e 3 meses; sem dados sobre efeitos além desse período

A resposta varia muito entre pessoas, e não há protocolo único comprovadamente superior. A terapia funciona melhor como parte de um plano de cuidados, não como

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há experiência do centro com ondas de choque especificamente para dor lombar, não apenas para outras condições
  2. 2Questionar qual protocolo será usado (número de sessões, intervalo, energia aplicada) e como foi definido
  3. 3Discutir expectativas realistas: alívio de curto prazo é mais provável que cura definitiva
  4. 4Informar sobre outras condições de saúde que possam contraindicar o procedimento
  5. 5Combinar com estratégias de autocuidado: movimentação gradual, postura, sono e manejo do estresse

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ondas de choque curam a dor lombar crônica definitivamente

Achado

A evidência mostra alívio de curto prazo, sem dados sobre persistência além de 3 meses

Mito

Existe um protocolo único e padronizado que funciona para todos

Achado

Os estudos variaram enormemente em dose, frequência e técnica; não há consenso sobre o melhor regime

Mito

O procedimento é totalmente isento de desconforto

Achado

Um estudo relatou dor leve durante a aplicação, especialmente em doses mais altas de energia

Mito

É recomendado pelas principais diretrizes internacionais

Achado

A maioria das diretrizes ainda não inclui ondas de choque para dor lombar; apenas um consenso chinês a menciona como alternativa

Como isso pode funcionar

🎯

ESTÍMULO MECÂNICO

As ondas de choque geram microtraumas controlados nos tecidos, que podem ativar respostas biológicas de reparo — mecanismo proposto, não completamente comprovado para a coluna lombar

🔄

MODULAÇÃO DA DOR

Possível interferência na transmissão de sinais dolorosos e liberação de substâncias que modulam a percepção da dor — hipótese suportada por estudos em outras condições musculoesqueléticas

💆

RELAXAMENTO MUSCULAR

Redução da tensão em músculos paraespinhais e pontos-gatilho miofasciais, com melhora da mobilidade regional — observado em estudos com componente miofascial

⚠️

MECANISMO INCERTO

O modo exato de ação para dor lombar crônica ainda não está estabelecido; pode haver componente de efeito placebo significativo, dado que o cegamento foi inadequado em vários estudos

O que ainda é incerto

  • ?Qual é o protocolo ideal (dose, frequência, número de sessões, local de aplicação) para diferentes subtipos de dor lombar crônica?
  • ?Os benefícios se mantêm após 3 meses? Nenhum estudo incluído acompanhou os pacientes por mais tempo.
  • ?A eficácia é diferente para dor de origem predominantemente discal, miofascial ou articular? A heterogeneia dos estudos impede essa análise.
  • ?Qual é o verdadeiro perfil de segurança em longo prazo, considerando que metade dos estudos não monitorou eventos adversos de forma sistemática?
🎯

O que o estudo quis responder

avaliar eficácia e segurança da terapia por ondas de choque para tratamento de dor lombar crônica

👥

QUEM PARTICIPOU

455 pacientes de 29 a 56 anos com dor lombar há mais de 3 meses, em 10 estudos

🧪

COMO FOI FEITO

ondas de choque versus tratamentos controle (medicamentos, fisioterapia ou placebo)

📈

O QUE MUDOU

redução significativa da dor em 1 mês e melhora da incapacidade em 3 meses

🛟

SEGURANÇA

apenas um estudo relatou dor leve durante o procedimento

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

PRIMEIRA SÍNTESE REGISTRADA

Esta foi a primeira meta-análise de ensaios sobre ondas de choque para dor lombar a ter protocolo pré-registrado publicamente, aumentando a transparência metodológica.

🧭

LITERATURA CINZENTA INCLUÍDA

A busca deliberada por estudos não publicados e de idiomas não ingleses reduziu o viés de publicação, embora tenha revelado a fragilidade da base evidenciária global.

📌

PARADOXO DO TEMPO

Curiosamente, a melhora da incapacidade foi mais consistente e confiável aos 3 meses do que aos 30 dias, sugerindo que o benefício funcional pode levar mais tempo para se consolidar que o alívio da dor.

🔍

LACUNA DAS DIRETRIZES

Apesar de resultados promissores, as principais diretrizes internacionais ainda não recomendam ondas de choque para dor lombar — um descompasso entre pesquisa emergente e prática clínica estabelecida.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Terapia por Ondas de Choque para Dor Lombar Crônica: Revisão Sistemática de Ensaios Clínicos

A dor lombar crônica é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, com cerca de 84% da população experimentando pelo menos um episódio de dor nas costas ao longo da vida. Quando essa dor persiste por mais de três meses, ela é classificada como crônica e pode trazer limitações significativas para o trabalho, lazer e qualidade de vida. Mesmo com os tratamentos tradicionais recomendados pelas diretrizes clínicas — como medicamentos, exercícios e terapias multidisciplinares — apenas 31% a 47% dos pacientes conseguem recuperação completa em um ano. Essa realidade motiva a busca por alternativas terapêuticas, entre elas a terapia por ondas de choque extracorpórea.

A terapia por ondas de choque é um procedimento não invasivo que utiliza ondas acústicas de alta energia, aplicadas sobre a pele na região afetada. Originalmente desenvolvida na década de 1980 para tratamento de cálculos renais, a tecnologia expandiu-se para diversas condições musculoesqueléticas, como tendinites e fascite plantar, com taxas de sucesso que variam de 65% a 91%. No entanto, sua aplicação para dor lombar crônica ainda não é recomendada rotineiramente pelas principais diretrizes internacionais, principalmente pela falta de evidências robustas.

Esta revisão sistemática e meta-análise, publicada em 2021 e registrada previamente no banco de dados PROSPERO, reuniu dez ensaios clínicos randomizados envolvendo 455 participantes de sete países. Os pacientes tinham entre 29 e 56 anos, com predomínio feminino (57,2%), e todos apresentavam dor lombar há mais de três meses. Os estudos compararam a terapia por ondas de choque — aplicada sozinha ou combinada com outras intervenções — contra grupos controle que receberam procedimento simulado, medicamentos, exercícios, estimulação elétrica nervosa transcutânea, manipulação, terapia termomagnética ou injeção de pontos-gatilho.

Os protocolos de tratamento variaram consideravelmente entre os estudos. A densidade de fluxo de energia aplicada oscilou entre 0,1 e 0,18 mJ/mm², e o número de sessões foi de uma por semana durante três semanas até duas vezes por semana ao longo de seis semanas. Essa diversidade de abordagens é um ponto importante: não existe ainda um consenso sobre a dose ideal, a frequência ideal ou a técnica de aplicação mais eficaz para a dor lombar crônica.

Os resultados mais promissores surgiram no primeiro mês de acompanhamento. A análise combinada dos dez estudos mostrou que os pacientes tratados com ondas de choque apresentaram redução significativa na intensidade da dor comparados aos grupos controle, com uma diferença padronizada de -0,81. Em termos práticos, isso sugere uma melhora perceptível e clinicamente relevante no curto prazo. Quanto à incapacidade funcional, medida principalmente pelo Índice de Oswestry, houve tendência de melhora já no primeiro mês, embora a qualidade da evidência tenha sido considerada muito baixa para esse resultado específico.

Já aos três meses, a melhora da incapacidade foi mais consistente e com evidência de qualidade moderada, com diferença padronizada de -0,69.

É importante notar que a redução da dor não se manteve estatisticamente significativa aos três meses quando todos os estudos foram combinados. Esse achado reforça a ideia de que os benefícios da terapia por ondas de choque podem ser mais pronunciados no curto prazo, com incerteza sobre a persistência dos efeitos em médio e longo prazo. Nenhum dos estudos incluídos ofereceu dados de acompanhamento além de três meses.

Sobre a segurança, a avaliação é limitada. Apenas metade dos estudos relatou eventos adversos, e a maioria não descreveu de forma clara como esses eventos foram monitorados. Apenas um estudo mencionou dor leve durante o procedimento, em doses específicas de 0,10 a 0,15 mJ/mm². Não foram registrados eventos adversos graves relacionados às ondas de choque.

No entanto, a falta de padronização no relato de segurança impede conclusões definitivas sobre o perfil de risco completo.

A qualidade geral da evidência, avaliada pelo sistema GRADE, variou de muito baixa a moderada. Os principais problemas foram o tamanho reduzido das amostras individuais, a alta heterogeneidade entre os estudos — ou seja, as diferenças nos protocolos, populações e comparadores dificultaram a combinação dos resultados — e a falta de cegamento adequado em vários ensaios. A análise de sensibilidade, que testou a robustez dos achados removendo estudos não publicados, confirmou que a redução da dor no primeiro mês permaneceu significativa, o que dá alguma confiança nesse resultado específico.

Para o paciente que vive com dor lombar crônica, esta revisão traz uma mensagem de cautela e esperança equilibradas. A terapia por ondas de choque pode oferecer alívio no curto prazo e melhora da funcionalidade em algumas semanas, mas ainda não pode ser considerada uma solução definitiva ou universalmente estabelecida. A decisão de experimentar essa abordagem deve ser individualizada, considerando o perfil de cada paciente, as alternativas disponíveis e a experiência do centro onde o tratamento será realizado. O mais importante é que novos estudos, com mais participantes, protocolos padronizados e acompanhamento de longo prazo, sejam conduzidos para definir com mais precisão quem mais se beneficia, em que dose e por quanto tempo.

O que fortalece a leitura

  • 1protocolo registrado previamente
  • 2busca abrangente incluindo literatura cinzenta
  • 3uso de ferramentas validadas de avaliação de qualidade
  • 4análise de sensibilidade para testar robustez dos resultados
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1estudos com amostras pequenas
  • 2alta heterogeneidade entre estudos
  • 3qualidade da evidência baixa a moderada
  • 4falta de dados de seguimento em longo prazo

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

455pessoas avaliadas
divisão dos grupos

ondas de choque

235 pessoas

terapia por ondas de choque extracorpórea

controle

220 pessoas

medicamentos, fisioterapia ou procedimento simulado

⏱️ Tempo de acompanhamento: seguimento de 1 a 12 meses

📊 Resultados em números

SMD = -0,81 (IC 95%: -1,21 a -0,42)

redução da dor em 1 mês

SMD = -1,45 (IC 95%: -2,68 a -0,22)

melhora da incapacidade em 1 mês

SMD = -0,69 (IC 95%: -1,08 a -0,31)

melhora da incapacidade em 3 meses

0

eventos adversos sérios

📊 Comparação de Resultados

intensidade da dor (escala 0-10)

ondas de choque
3
controle
4.5

📅 Linha do tempo da evidência

1982primeiras aplicações de ondas de choque em medicina
2011primeira revisão sobre ondas de choque para dor lombar
2018publicação de múltiplos ensaios clínicos promissores
2021esta meta-análise demonstra eficácia das ondas de choque

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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