Total de participantes
1. 187
soma dos nove estudos incluídos na revisão
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Biomedicines
Ano
2025
Autores
Monclús-Díez et al.
Desenho
Revisão sistemática
Este estudo mostra que pontos-gatilho miofasciais (áreas dolorosas nos músculos) são muito comuns em pessoas com dor lombar. Os músculos mais afetados são o quadrado lombar, glúteo médio e piriforme. O tipo de dor lombar (se irradia ou não para as pernas) influencia quais músculos são mais comprometidos, ajudando os terapeutas a focar melhor o tratamento.
Título original do estudo: Prevalence of Myofascial Trigger Points in Patients with Radiating and Non-Radiating Low Back Pain: A Systematic Review
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Pontos-gatilho miofasciais são frequentes em músculos lombares e glúteos de pessoas com dor lombar, com padrões diferentes entre dor irradiada e não irradiada, mas o diagnóstico por palpação ainda é subjetivo e os estudos têm limitações importantes de metodolo
Este estudo mostra que pontos-gatilho miofasciais (áreas dolorosas nos músculos) são muito comuns em pessoas com dor lombar. Os músculos mais afetados são o quadrado lombar, glúteo médio e piriforme. O tipo de dor lombar (se irradia ou não para as pernas) influencia quais músculos são mais comprometidos, ajudando os terapeutas a focar melhor o tratamento.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Pontos tensos e sensíveis em músculos da lombar e do quadril são comuns em quem tem dor lombar, com padrões diferentes se a dor irradia ou não para as pernas
Ponto 1
Os resultados parecem promissores, mas precisam ser interpretados dentro do seu contexto clínico.
Ponto 2
O estudo ajuda a entender possibilidades de benefício, não garante o mesmo efeito para todas as pessoas.
Ponto 3
A decisão de tratamento continua dependendo do diagnóstico, da intensidade dos sintomas e da avaliação médica.
O que este estudo acrescenta
Primeira revisão sistemática a separar a prevalência de pontos-gatilho miofasciais entre dor lombar irradiada e não irradiada, revelando padrões musculares distintos para cada condição
Aplicabilidade clínica
A revisão mapeia padrões úteis para orientar avaliação clínica, mas a subjetividade da palpação, a heterogeneidade entre estudos e a ausência de grupos controle na maioria dos trabalhos limitam a certeza sobre a especifi
Força do desenho do estudo
Síntese de múltiplos estudos observacionais, oferecendo visão mais ampla que estudos isolados, mas ainda sujeita às limitações dos trabalhos originais
Total de participantes
1. 187
soma dos nove estudos incluídos na revisão
Prevalência no quadrado lombar
30-55%
faixa de pontos-gatilho ativos em pacientes com dor lombar
Prevalência no glúteo médio
34-45%
pontos-gatilho ativos; latentes chegaram a 74% em um estudo
Prevalência na região glútea em radiculopatia
76,4%
no estudo com maior proporção, indicando associação com dor irradiada
Qualidade metodológica média
5,5/7
pontuação dos estudos incluídos, indicando qualidade moderada a boa
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor lombar aguda, crônica não específica e com radiculopatia
Tipo de estudo
Revisão sistemática
Participantes
n=1187, 45% homens, com dor lombar de diferentes durações e características
Duração
Revisão de estudos publicados até abril de 2025, sem intervenção própria
Sessões
Não aplicável — revisão de dados existentes
Comparador
Grupos assintomáticos em quatro estudos; comparação entre lados doloroso e não doloroso em alguns estudos
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Não aplicável
Não aplicável
Não aplicável
Palpação manual para identificação de pontos-gatilho ativos e/ou latentes, com alguns estudos usando algômetro para confirmação de sensibilidade à pressão
Grupos assintomáticos em quatro estudos; comparação lado a lado em outros
A revisão não testou nenhuma intervenção — apenas sintetizou dados de prevalência de estudos prévios. A qualidade da palpação variou entre estudos, com poucos usando cegamento.
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Mapeamento muscular
avançou
Identificou quais músculos são mais frequentemente afetados em cada tipo de dor lombar
Diferenciação por tipo de dor
clareou
Dor irradiada: mais pontos-gatilho glúteos; dor não irradiada: mais quadrado lombar e paravertebrais
Priorização do exame clínico
orientou
Sugere onde concentrar a avaliação inicial para maior eficiência diagnóstica
Base para futuras pesquisas
estabeleceu
Destaca necessidade de critérios padronizados e métodos mais objetivos de diagnóstico
O que não mudou
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Entender que músculos específicos são mais comumente afetados em diferentes tipos de dor lombar, o que pode ajudar a direcionar conversas com seu médico sobre avaliação e possibilidades terapêuticas
Tempo provável
Não aplicável — esta é uma revisão de prevalência, não de tratamento
Os achados não substituem avaliação médica individual, e o diagnóstico de pontos-gatilho por palpação ainda é impreciso
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Dor lombar sempre significa problema no disco ou na coluna
Achado
Músculos como quadrado lombar e glúteo médio são frequentemente afetados e podem ser fontes significativas de sintomas
Mito
Dor que irradia para a perna é sempre nervo comprimido
Achado
Pontos-gatilho em músculos glúteos são mais comuns em radiculopatia, mas também ocorrem em outras condições; a relação causa-efeito ainda não está clara
Mito
Palpação é um diagnóstico preciso e confiável
Achado
Examinadores frequentemente discordam sobre localização e presença de pontos-gatilho; métodos mais objetivos ainda são necessários
Mito
Se não doi espontaneamente, o músculo não está comprometido
Achado
Pontos-gatilho latentes, que não causam dor espontânea, são comuns e podem contribuir para tensão e limitação de movimento
Como isso pode funcionar
SOBRECARGA MECÂNICA
Posturas mantidas, movimentos repetitivos ou compensações podem tensionar fibras musculares específicas, especialmente em músculos estabilizadores como quadrado lombar e glúteo médio — mecanismo proposto, não totalmente
ALTERAÇÃO LOCAL
A tensão sustentada pode reduzir o fluxo sanguíneo local, alterando o ambiente químico do músculo e aumentando a sensibilidade das terminações nervosas — hipótese baseada em estudos de fisiopatologia, não diretamente obs
IRRITAÇÃO NERVOSA
Em casos de radiculopatia, a irritação de raízes nervosas pode predispor a alterações miofasciais na região glútea, possivelmente por mecanismos reflexos ou compensações biomecânicas — associação observada, mas causalida
SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL
Na dor crônica, alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central podem perpetuar e amplificar a atividade dos pontos-gatilho — mecanismo teórico apoiado por literatura correlata, não testado diretamente ne
O que ainda é incerto
Investigar a prevalência de pontos-gatilho miofasciais em músculos de pacientes com dor lombar
1187 pessoas com dor lombar aguda, crônica ou associada à radiculopatia
Revisão sistemática de estudos que examinaram pontos-gatilho por palpação manual
Identificou músculos mais comumente afetados por pontos-gatilho na dor lombar
Apenas revisão de dados existentes, sem novas intervenções
Achados Interessantes
O QUE ESTE ESTUDO ADICIONA
O artigo acrescenta uma peça útil à evidência, mesmo que não resolva todas as dúvidas clínicas.
COMO INTERPRETAR
O valor principal está em mostrar direção de efeito e contexto, não em prometer resultado universal.
POR QUE IMPORTA
Esse tipo de estudo ajuda pacientes e médicos a discutirem expectativas de forma mais concreta.
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor lombar é uma das condições mais comuns que levam pessoas a buscar atendimento médico, e em grande parte dos casos não existe uma causa estrutural claramente identificável, como fratura ou hérnia de disco. Nesse cenário, os músculos e tecidos moles passam a ser investigados como fontes importantes de sintomas. Entre as hipóteses mais estudadas estão os chamados pontos-gatilho miofasciais — pequenas áreas de tensão e sensibilidade dentro de um músculo que, quando pressionadas, podem reproduzir a dor que o paciente já sente, às vezes inclusive irradiando para outras regiões. Esta revisão sistemática, publicada em 2025 no periódico Biomedicines, reuniu e analisou o que se sabe sobre a frequência desses pontos-gatilho em pessoas com dor lombar, separando cuidadosamente os casos em que a dor se irradia para as pernas daqueles em que permanece apenas na região lombar.
O estudo foi conduzido como uma revisão sistemática rigorosa, seguindo as diretrizes PRISMA e registrando previamente seu protocolo. Os pesquisadores consultaram três bases de dados científicas principais — PubMed, Cochrane e Web of Science — além de realizar busca manual em revistas relevantes. Foram incluídos apenas trabalhos que avaliaram a presença de pontos-gatilho ativos ou latentes por meio da palpação manual, seguindo critérios diagnósticos consensuais internacionais. Ao final, nove estudos foram selecionados, totalizando 1.
187 participantes, sendo aproximadamente 45% homens. A amostra englobou pessoas com dor lombar aguda (menos de dois meses de duração), dor lombar crônica não específica e dor lombar associada a radiculopatia, ou seja, com irritação de raízes nervosas que causa irradiação para os membros inferiores.
A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada com uma ferramenta derivada do Centro Cochrane Holandês, que examina sete critérios como descrição dos grupos, viés de seleção, cegamento e controle de fatores de confusão. A pontuação média foi de 5,5 em 7 pontos, o que indica qualidade moderada a boa, embora com limitações importantes: poucos estudos incluíram grupos controle assintomáticos, e a maioria não adotou cegamento nem controle adequado de confundidores. Essas lacunas são relevantes porque afetam a confiança nas estimativas de prevalência encontradas.
Os resultados mostraram que os pontos-gatilho ativos são bastante frequentes em determinados músculos. O quadrado lombar, músculo profundo que estabiliza a coluna e auxilia na respiração e no equilíbrio pélvico, apresentou prevalência entre 30% e 55% dos pacientes com dor lombar. O glúteo médio, responsável pela estabilidade do quadril durante a marcha, teve prevalência de 34% a 45%. O piriforme, músculo profundo da região glútea que pode comprimir o nervo ciático quando tensa, apresentou 42% de prevalência em um dos estudos.
Outros músculos como o psoas, o iliocostal lombar e o glúteo mínimo também foram afetados, embora com frequências menores ou mais variáveis. Já os pontos-gatilho latentes — aqueles que não causam dor espontânea, mas são sensíveis à palpação — mostraram padrão diferente, sendo mais comuns no glúteo médio (até 74% em um estudo) e no quadrado lombar (14-17%).
Um achado importante foi a diferença de distribuição conforme o tipo de dor. Em pacientes com radiculopatia lombossacra, ou seja, dor que irradia para a perna devido à compressão ou irritação de raízes nervosas, os pontos-gatilho ativos na região glútea foram mais prevalentes, chegando a 76,4% em um estudo. Isso sugere que a irritação nervosa pode, por mecanismos ainda não completamente elucidados, favorecer o desenvolvimento dessas alterações miofasciais — possivelmente por compensações biomecânicas ou reflexos que alteram a atividade muscular. Em contrapartida, nos casos de dor lombar não irradiada, o quadrado lombar e os músculos paravertebrais lombares parecem mais comprometidos.
A localização específica dentro de cada músculo também importa: no glúteo médio, as fibras posteriores e superiores são mais atingidas, provavelmente por suportarem maior carga durante a marcha e a estabilização pélvica.
Para quem vive com dor lombar, esses achados têm utilidade prática. Eles ajudam a entender que a dor pode ter origem em estruturas musculares que são palpáveis e, em tese, tratáveis, e não apenas em problemas discais ou ósseos. A identificação de padrões musculares mais comuns pode orientar a priorização do exame clínico, direcionando a atenção para regiões de maior probabilidade de alteração. Contudo, é fundamental manter a prudência: a palpação manual, embora amplamente utilizada, é um método subjetivo.
Estudos incluídos nesta revisão mostraram que examinadores diferentes podem discordar tanto sobre a presença quanto sobre a localização exata dos pontos-gatilho — em um trabalho, apenas 57% dos pontos identificados por um examinador foram confirmados por outro dentro de uma margem de 50 milímetros. Isso significa que o diagnóstico depende muito da experiência do examinador e que ainda não existe um método totalmente objetivo e acessível para confirmar essas alterações.
Além disso, a revisão não foi capaz de estabelecer relações quantitativas claras entre a duração da dor, sua intensidade e a prevalência ou distribuição dos pontos-gatilho, porque os estudos originais relataram esses dados de formas inconsistentes. Também não há dados suficientes sobre a prevalência de pontos-gatilho latentes em pacientes com dor irradiada, nem sobre músculos dos membros inferiores nesse grupo. A maioria dos estudos não incluiu grupos controle saudáveis, dificultando saber se essas alterações são específicas de quem tem dor lombar ou também ocorrem em pessoas assintomáticas. Por fim, a revisão se limitou a artigos em inglês e espanhol, o que pode ter excluído pesquisas relevantes de outras regiões.
Em síntese, este trabalho consolida evidências de que pontos-gatilho miofasciais são comuns em pessoas com dor lombar, com padrões de distribuição que variam conforme o tipo e a cronicidade da dor. Ele reforça a importância de considerar a musculatura lombar, glútea e pélvica na avaliação clínica, mas também alerta para as limitações dos métodos atuais de diagnóstico e para a necessidade de mais pesquisas que padronizem critérios, incluam grupos de comparação adequados e explorem métodos de imagem mais objetivos, como elastografia ultrassônica.
Dor lombar aguda
61 pessoas
avaliação de pontos-gatilho
Dor lombar crônica
192 pessoas
avaliação de pontos-gatilho
Dor lombar com radiculopatia
537 pessoas
avaliação de pontos-gatilho
Prevalência no quadrado lombar
Prevalência no glúteo médio
Prevalência no piriforme
Qualidade metodológica média
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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