Estudo científico comentado

Prevalência de pontos-gatilho miofasciais em pacientes com dor lombar irradiada e não irradiada

Referência acadêmica

Periódico

Biomedicines

Ano

2025

Autores

Monclús-Díez et al.

Desenho

Revisão sistemática

Este estudo mostra que pontos-gatilho miofasciais (áreas dolorosas nos músculos) são muito comuns em pessoas com dor lombar. Os músculos mais afetados são o quadrado lombar, glúteo médio e piriforme. O tipo de dor lombar (se irradia ou não para as pernas) influencia quais músculos são mais comprometidos, ajudando os terapeutas a focar melhor o tratamento.

Título original do estudo: Prevalence of Myofascial Trigger Points in Patients with Radiating and Non-Radiating Low Back Pain: A Systematic Review

📊Revisão sistemática👥n=1187 participantesEvidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Pontos-gatilho miofasciais são frequentes em músculos lombares e glúteos de pessoas com dor lombar, com padrões diferentes entre dor irradiada e não irradiada, mas o diagnóstico por palpação ainda é subjetivo e os estudos têm limitações importantes de metodolo

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que pontos-gatilho miofasciais (áreas dolorosas nos músculos) são muito comuns em pessoas com dor lombar. Os músculos mais afetados são o quadrado lombar, glúteo médio e piriforme. O tipo de dor lombar (se irradia ou não para as pernas) influencia quais músculos são mais comprometidos, ajudando os terapeutas a focar melhor o tratamento.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Os resultados parecem promissores, mas precisam ser interpretados dentro do seu contexto clínico.
  • 2O estudo ajuda a entender possibilidades de benefício, não garante o mesmo efeito para todas as pessoas.
  • 3A decisão de tratamento continua dependendo do diagnóstico, da intensidade dos sintomas e da avaliação médica.
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Este tipo de intervenção faz sentido para o meu caso específico?
  • 2Qual seria um objetivo realista de melhora no meu quadro?
  • 3Como acompanhar se o tratamento está funcionando de forma segura?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1A segurança do tratamento precisa ser interpretada à luz do desenho do estudo e do perfil do paciente.
  • 2Nem todo artigo descreve eventos adversos com o mesmo nível de detalhe.

Leitura rápida para pacientes

Sua dor lombar pode ter origem muscular

Pontos tensos e sensíveis em músculos da lombar e do quadril são comuns em quem tem dor lombar, com padrões diferentes se a dor irradia ou não para as pernas

Ponto 1

Os resultados parecem promissores, mas precisam ser interpretados dentro do seu contexto clínico.

Ponto 2

O estudo ajuda a entender possibilidades de benefício, não garante o mesmo efeito para todas as pessoas.

Ponto 3

A decisão de tratamento continua dependendo do diagnóstico, da intensidade dos sintomas e da avaliação médica.

O que este estudo acrescenta

MAPEAMENTO DIFERENCIADO

Primeira revisão sistemática a separar a prevalência de pontos-gatilho miofasciais entre dor lombar irradiada e não irradiada, revelando padrões musculares distintos para cada condição

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A revisão mapeia padrões úteis para orientar avaliação clínica, mas a subjetividade da palpação, a heterogeneidade entre estudos e a ausência de grupos controle na maioria dos trabalhos limitam a certeza sobre a especifi

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Síntese de múltiplos estudos observacionais, oferecendo visão mais ampla que estudos isolados, mas ainda sujeita às limitações dos trabalhos originais

Total de participantes

1. 187

soma dos nove estudos incluídos na revisão

Prevalência no quadrado lombar

30-55%

faixa de pontos-gatilho ativos em pacientes com dor lombar

Prevalência no glúteo médio

34-45%

pontos-gatilho ativos; latentes chegaram a 74% em um estudo

Prevalência na região glútea em radiculopatia

76,4%

no estudo com maior proporção, indicando associação com dor irradiada

Qualidade metodológica média

5,5/7

pontuação dos estudos incluídos, indicando qualidade moderada a boa

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor lombar aguda, crônica não específica e com radiculopatia

Tipo de estudo

Revisão sistemática

Participantes

n=1187, 45% homens, com dor lombar de diferentes durações e características

Duração

Revisão de estudos publicados até abril de 2025, sem intervenção própria

Sessões

Não aplicável — revisão de dados existentes

Comparador

Grupos assintomáticos em quatro estudos; comparação entre lados doloroso e não doloroso em alguns estudos

Grupos do estudo

Dor lombar aguda (n=61)Dor lombar crônica não específica (n=192)Dor lombar com radiculopatia (n=537)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Não aplicável

Frequência02

Não aplicável

Duração da sessão03

Não aplicável

Pontos / técnica04

Palpação manual para identificação de pontos-gatilho ativos e/ou latentes, com alguns estudos usando algômetro para confirmação de sensibilidade à pressão

Comparador05

Grupos assintomáticos em quatro estudos; comparação lado a lado em outros

Nota de protocolo06

A revisão não testou nenhuma intervenção — apenas sintetizou dados de prevalência de estudos prévios. A qualidade da palpação variou entre estudos, com poucos usando cegamento.

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pessoas com diagnóstico de dor lombar não específica, com ou sem irradiação para membros inferioresIndivíduos com dor lombar aguda (menos de 2 meses), crônica e associada a radiculopatia lombossacraEstudos que utilizaram palpação manual seguindo critérios do consenso de Delphi para identificação de pontos-gatilhoArtigos publicados em inglês ou espanhol, em qualquer momento até abril de 2025Trabalhos descritivos, observacionais ou experimentais com dados de prevalência

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com dor lombar de causa específica identificável (fraturas, tumores, infecções, síndrome da cauda equina)Estudos que não detalharam o procedimento de identificação de pontos-gatilho ou que não seguiram diretrizes consensuaisArtigos de revisão, ensaios clínicos sem dados de prevalência, ou publicados em outros idiomas além de inglês e espanholPopulações pediátricas ou com condições sistêmicas que pudessem explicar a dor lombar

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

🎯

Mapeamento muscular

avançou

Identificou quais músculos são mais frequentemente afetados em cada tipo de dor lombar

📊

Diferenciação por tipo de dor

clareou

Dor irradiada: mais pontos-gatilho glúteos; dor não irradiada: mais quadrado lombar e paravertebrais

🔍

Priorização do exame clínico

orientou

Sugere onde concentrar a avaliação inicial para maior eficiência diagnóstica

📋

Base para futuras pesquisas

estabeleceu

Destaca necessidade de critérios padronizados e métodos mais objetivos de diagnóstico

O que não mudou

  • Não há consenso sobre a localização exata e precisa dos pontos-gatilho dentro de cada músculo — examinadores discordam
  • Não ficou claro se a duração ou intensidade da dor correlacionam de forma previsível com a quantidade de pontos-gatilho
  • Não foram encontrados dados suficientes sobre prevalência de pontos-gatilho latentes em dor irradiada
  • Não houve padronização entre estudos para definição de 'dor aguda' e 'dor crônica', dificultando comparações

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • A revisão não envolveu intervenções experimentais, apenas análise de dados existentes
  • A identificação por palpação, quando bem realizada, é um procedimento não invasivo
  • Os critérios de inclusão exigiam metodologia mínima de qualidade, filtrando estudos muito fracos
Amarelo
  • A palpação manual é subjetiva e depende da experiência do examinador
  • A variabilidade na localização dos pontos-gatilho entre diferentes examinadores é considerável
  • A generalização dos achados é limitada pela heterogeneidade dos estudos incluídos
Vermelho
  • Não há método de diagnóstico totalmente objetivo validado para uso clínico rotineiro
  • A maioria dos estudos não incluiu grupos controle adequados, dificultando saber se os achados são específicos da dor lombar
  • A segurança e eficácia de tratamentos baseados nesses achados não foram avaliadas nesta revisão

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pessoas com dor lombar crônica não específica sem causa estrutural identificável
  • Indivíduos com dor lombar que irradia para as pernas, especialmente para avaliação da musculatura glútea
  • Pacientes em que a investigação de causas específicas (fratura, tumor, infecção) já foi realizada ou descartada
  • Quem busca entender melhor as possíveis origens musculares da dor para discussão com o médico

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com sinais de alerta (red flags) para causas graves de dor lombar, que precisam de investigação prioritária
  • Indivíduos com dor lombar de causa já estabelecida (fratura, infecção, neoplasia) onde a abordagem miofascial é secundária
  • Pacientes que esperam diagnóstico definitivo e objetivo, dada a subjetividade inerente à palpação
  • Quem busca diretrizes de tratamento específicas, pois esta revisão não avaliou intervenções

Expectativa realista

O que esperar desta revisão

Entender que músculos específicos são mais comumente afetados em diferentes tipos de dor lombar, o que pode ajudar a direcionar conversas com seu médico sobre avaliação e possibilidades terapêuticas

Tempo provável

Não aplicável — esta é uma revisão de prevalência, não de tratamento

Os achados não substituem avaliação médica individual, e o diagnóstico de pontos-gatilho por palpação ainda é impreciso

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se a musculatura lombar, glútea e pélvica foi avaliada como possível contribuinte para sua dor
  2. 2Discutir se há sinais de alerta que precisam ser investigados antes de atribuir a dor a causas miofasciais
  3. 3Questionar sobre métodos de avaliação mais objetivos disponíveis, como elastografia ou eletromiografia
  4. 4Solicitar esclarecimentos sobre como os achados da avaliação muscular se integram ao seu plano de tratamento global

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Dor lombar sempre significa problema no disco ou na coluna

Achado

Músculos como quadrado lombar e glúteo médio são frequentemente afetados e podem ser fontes significativas de sintomas

Mito

Dor que irradia para a perna é sempre nervo comprimido

Achado

Pontos-gatilho em músculos glúteos são mais comuns em radiculopatia, mas também ocorrem em outras condições; a relação causa-efeito ainda não está clara

Mito

Palpação é um diagnóstico preciso e confiável

Achado

Examinadores frequentemente discordam sobre localização e presença de pontos-gatilho; métodos mais objetivos ainda são necessários

Mito

Se não doi espontaneamente, o músculo não está comprometido

Achado

Pontos-gatilho latentes, que não causam dor espontânea, são comuns e podem contribuir para tensão e limitação de movimento

Como isso pode funcionar

🏗️

SOBRECARGA MECÂNICA

Posturas mantidas, movimentos repetitivos ou compensações podem tensionar fibras musculares específicas, especialmente em músculos estabilizadores como quadrado lombar e glúteo médio — mecanismo proposto, não totalmente

🔄

ALTERAÇÃO LOCAL

A tensão sustentada pode reduzir o fluxo sanguíneo local, alterando o ambiente químico do músculo e aumentando a sensibilidade das terminações nervosas — hipótese baseada em estudos de fisiopatologia, não diretamente obs

IRRITAÇÃO NERVOSA

Em casos de radiculopatia, a irritação de raízes nervosas pode predispor a alterações miofasciais na região glútea, possivelmente por mecanismos reflexos ou compensações biomecânicas — associação observada, mas causalida

🧠

SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL

Na dor crônica, alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso central podem perpetuar e amplificar a atividade dos pontos-gatilho — mecanismo teórico apoiado por literatura correlata, não testado diretamente ne

O que ainda é incerto

  • ?A palpação manual, método base de todos os estudos, é inerentemente subjetiva e com reprodutibilidade limitada entre examinadores
  • ?Não se sabe se os padrões encontrados são específicos da dor lombar ou também ocorrem em pessoas sem dor, pois poucos estudos tiveram grupos controle
  • ?A relação temporal entre o aparecimento dos pontos-gatilho e o início da dor não foi estabelecida — não se sabe se são causa, consequência ou mero aco
  • ?A utilidade clínica de direcionar tratamentos com base nesse mapeamento de prevalência ainda precisa ser testada em ensaios controlados
🎯

O que o estudo quis responder

Investigar a prevalência de pontos-gatilho miofasciais em músculos de pacientes com dor lombar

👥

QUEM PARTICIPOU

1187 pessoas com dor lombar aguda, crônica ou associada à radiculopatia

🧪

COMO FOI FEITO

Revisão sistemática de estudos que examinaram pontos-gatilho por palpação manual

📈

O QUE MUDOU

Identificou músculos mais comumente afetados por pontos-gatilho na dor lombar

🛟

SEGURANÇA

Apenas revisão de dados existentes, sem novas intervenções

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

O QUE ESTE ESTUDO ADICIONA

O artigo acrescenta uma peça útil à evidência, mesmo que não resolva todas as dúvidas clínicas.

🧭

COMO INTERPRETAR

O valor principal está em mostrar direção de efeito e contexto, não em prometer resultado universal.

📌

POR QUE IMPORTA

Esse tipo de estudo ajuda pacientes e médicos a discutirem expectativas de forma mais concreta.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Prevalência de pontos-gatilho miofasciais em pacientes com dor lombar irradiada e não irradiada

A dor lombar é uma das condições mais comuns que levam pessoas a buscar atendimento médico, e em grande parte dos casos não existe uma causa estrutural claramente identificável, como fratura ou hérnia de disco. Nesse cenário, os músculos e tecidos moles passam a ser investigados como fontes importantes de sintomas. Entre as hipóteses mais estudadas estão os chamados pontos-gatilho miofasciais — pequenas áreas de tensão e sensibilidade dentro de um músculo que, quando pressionadas, podem reproduzir a dor que o paciente já sente, às vezes inclusive irradiando para outras regiões. Esta revisão sistemática, publicada em 2025 no periódico Biomedicines, reuniu e analisou o que se sabe sobre a frequência desses pontos-gatilho em pessoas com dor lombar, separando cuidadosamente os casos em que a dor se irradia para as pernas daqueles em que permanece apenas na região lombar.

O estudo foi conduzido como uma revisão sistemática rigorosa, seguindo as diretrizes PRISMA e registrando previamente seu protocolo. Os pesquisadores consultaram três bases de dados científicas principais — PubMed, Cochrane e Web of Science — além de realizar busca manual em revistas relevantes. Foram incluídos apenas trabalhos que avaliaram a presença de pontos-gatilho ativos ou latentes por meio da palpação manual, seguindo critérios diagnósticos consensuais internacionais. Ao final, nove estudos foram selecionados, totalizando 1.

187 participantes, sendo aproximadamente 45% homens. A amostra englobou pessoas com dor lombar aguda (menos de dois meses de duração), dor lombar crônica não específica e dor lombar associada a radiculopatia, ou seja, com irritação de raízes nervosas que causa irradiação para os membros inferiores.

A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada com uma ferramenta derivada do Centro Cochrane Holandês, que examina sete critérios como descrição dos grupos, viés de seleção, cegamento e controle de fatores de confusão. A pontuação média foi de 5,5 em 7 pontos, o que indica qualidade moderada a boa, embora com limitações importantes: poucos estudos incluíram grupos controle assintomáticos, e a maioria não adotou cegamento nem controle adequado de confundidores. Essas lacunas são relevantes porque afetam a confiança nas estimativas de prevalência encontradas.

Os resultados mostraram que os pontos-gatilho ativos são bastante frequentes em determinados músculos. O quadrado lombar, músculo profundo que estabiliza a coluna e auxilia na respiração e no equilíbrio pélvico, apresentou prevalência entre 30% e 55% dos pacientes com dor lombar. O glúteo médio, responsável pela estabilidade do quadril durante a marcha, teve prevalência de 34% a 45%. O piriforme, músculo profundo da região glútea que pode comprimir o nervo ciático quando tensa, apresentou 42% de prevalência em um dos estudos.

Outros músculos como o psoas, o iliocostal lombar e o glúteo mínimo também foram afetados, embora com frequências menores ou mais variáveis. Já os pontos-gatilho latentes — aqueles que não causam dor espontânea, mas são sensíveis à palpação — mostraram padrão diferente, sendo mais comuns no glúteo médio (até 74% em um estudo) e no quadrado lombar (14-17%).

Um achado importante foi a diferença de distribuição conforme o tipo de dor. Em pacientes com radiculopatia lombossacra, ou seja, dor que irradia para a perna devido à compressão ou irritação de raízes nervosas, os pontos-gatilho ativos na região glútea foram mais prevalentes, chegando a 76,4% em um estudo. Isso sugere que a irritação nervosa pode, por mecanismos ainda não completamente elucidados, favorecer o desenvolvimento dessas alterações miofasciais — possivelmente por compensações biomecânicas ou reflexos que alteram a atividade muscular. Em contrapartida, nos casos de dor lombar não irradiada, o quadrado lombar e os músculos paravertebrais lombares parecem mais comprometidos.

A localização específica dentro de cada músculo também importa: no glúteo médio, as fibras posteriores e superiores são mais atingidas, provavelmente por suportarem maior carga durante a marcha e a estabilização pélvica.

Para quem vive com dor lombar, esses achados têm utilidade prática. Eles ajudam a entender que a dor pode ter origem em estruturas musculares que são palpáveis e, em tese, tratáveis, e não apenas em problemas discais ou ósseos. A identificação de padrões musculares mais comuns pode orientar a priorização do exame clínico, direcionando a atenção para regiões de maior probabilidade de alteração. Contudo, é fundamental manter a prudência: a palpação manual, embora amplamente utilizada, é um método subjetivo.

Estudos incluídos nesta revisão mostraram que examinadores diferentes podem discordar tanto sobre a presença quanto sobre a localização exata dos pontos-gatilho — em um trabalho, apenas 57% dos pontos identificados por um examinador foram confirmados por outro dentro de uma margem de 50 milímetros. Isso significa que o diagnóstico depende muito da experiência do examinador e que ainda não existe um método totalmente objetivo e acessível para confirmar essas alterações.

Além disso, a revisão não foi capaz de estabelecer relações quantitativas claras entre a duração da dor, sua intensidade e a prevalência ou distribuição dos pontos-gatilho, porque os estudos originais relataram esses dados de formas inconsistentes. Também não há dados suficientes sobre a prevalência de pontos-gatilho latentes em pacientes com dor irradiada, nem sobre músculos dos membros inferiores nesse grupo. A maioria dos estudos não incluiu grupos controle saudáveis, dificultando saber se essas alterações são específicas de quem tem dor lombar ou também ocorrem em pessoas assintomáticas. Por fim, a revisão se limitou a artigos em inglês e espanhol, o que pode ter excluído pesquisas relevantes de outras regiões.

Em síntese, este trabalho consolida evidências de que pontos-gatilho miofasciais são comuns em pessoas com dor lombar, com padrões de distribuição que variam conforme o tipo e a cronicidade da dor. Ele reforça a importância de considerar a musculatura lombar, glútea e pélvica na avaliação clínica, mas também alerta para as limitações dos métodos atuais de diagnóstico e para a necessidade de mais pesquisas que padronizem critérios, incluam grupos de comparação adequados e explorem métodos de imagem mais objetivos, como elastografia ultrassônica.

O que fortalece a leitura

  • 1Revisão abrangente de múltiplas bases de dados
  • 2Análise por tipo de dor lombar
  • 3Avaliação da qualidade metodológica dos estudos
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Subjetividade da palpação manual
  • 2Heterogeneidade entre estudos
  • 3Poucos estudos com grupos controle adequados

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
4/5
Amostra
4/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

1187pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Dor lombar aguda

61 pessoas

avaliação de pontos-gatilho

Dor lombar crônica

192 pessoas

avaliação de pontos-gatilho

Dor lombar com radiculopatia

537 pessoas

avaliação de pontos-gatilho

⏱️ Tempo de acompanhamento: Revisão de estudos publicados até abril de 2025

📊 Resultados em números

30-55%

Prevalência no quadrado lombar

34-45%

Prevalência no glúteo médio

0%

Prevalência no piriforme

5.5/7

Qualidade metodológica média

Destaques percentuais

30-55%
Prevalência no quadrado lombar
34-45%
Prevalência no glúteo médio
42%
Prevalência no piriforme

📊 Comparação de Resultados

Prevalência de pontos-gatilho ativos

Quadrado lombar
55
Glúteo médio
45
Piriforme
42

📅 Linha do tempo da evidência

1994Primeiros estudos sobre pontos-gatilho na dor lombar
2015Estabelecimento de critérios diagnósticos consensuais
2020Estudos sobre confiabilidade entre examinadores
2025Esta revisão sistemática sobre prevalência

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Conheça a equipe da clínica →

Continue lendo

Continue pesquisando

Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.

Revisões Sistemáticas & Meta-AnálisesDor Lombar & Pélvica
2018

Acupuntura para dor crônica: nova análise confirma eficácia e duração dos resultados

O que este estudo responde

Acupuntura reduz dor crônica de forma superior ao placebo e os benefícios persistem por pelo menos um ano, sendo uma opção terapêutica razoável para…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura verdadeira foi comparado a placebo acupuntura (agulhas falsas ou superficiais) ou ausência de tratamento/cuidado usual em dor…

Comparador

Placebo acupuntura (agulhas falsas ou superficiais) ou ausência de tratamento/cuidado usual

🔬 Meta-análise individual👥 n=20.827 pacientes Alto impacto clínico

Força da evidência

95%

Vickers et al.

The Journal of Pain

Ver resumo
Dor Lombar & PélvicaRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2024

Acupuntura reduz dor e melhora função na ciática crônica por hérnia de disco

O que este estudo responde

Acupuntura verdadeira reduziu mais a dor e melhorou mais a função que acupuntura simulada em pacientes com ciática crônica por hérnia de disco, com…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura verdadeira (n=108) foi comparado a acupuntura simulada (sham) com agulhas sem penetração em pontos fora dos meridianos em ciática…

Comparador

Acupuntura simulada (sham) com agulhas sem penetração em pontos fora dos meridianos

🎯 Ensaio clínico randomizado👥 Amostra: 216 Alto impacto clínico

Força da evidência

92%

Tu et al.

JAMA Internal Medicine

Ver resumo
Dor Lombar & PélvicaRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2022

Acupuntura para dor lombar crônica: qual protocolo funciona melhor

O que este estudo responde

Acupuntura verdadeira é mais eficaz que placebo para dor lombar crônica inespecífica, e os protocolos com melhores resultados são a acupuntura…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura individualizada foi comparado a acupuntura simulada (sham) e outros tipos de acupuntura entre si em dor lombar crônica…

Comparador

Acupuntura simulada (sham) e outros tipos de acupuntura entre si

📊 Meta-análise de rede bayesiana👥 8338 procedimentos Alto impacto clínico

Força da evidência

85%

Baroncini et al.

Journal of Orthopaedic Surgery and Research

Ver resumo
Dor Lombar & PélvicaRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2023

Acupuntura é eficaz no alívio da dor pélvica crônica: revisão sistemática e meta-análise

O que este estudo responde

A acupuntura demonstrou reduzir significativamente a dor pélvica crônica em análise de 17 ensaios clínicos, funcionando tanto como tratamento único…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura (diversas modalidades) foi comparado a medicamentos ocidentais, medicamentos tradicionais chineses, cuidados padrão, fisioterapia,…

Comparador

Medicamentos ocidentais, medicamentos tradicionais chineses, cuidados padrão, fisioterapia, acupuntura sham

🔬 revisão sistemática e meta-análise👥 1455 participantes alto impacto clínico

Força da evidência

85%

Lin et al.

Healthcare

Ver resumo