Estudo científico comentado

Efetividade da terapia por ondas de choque extracorpóreas em condições comuns dos membros inferiores

Referência acadêmica

Periódico

British Journal of Sports Medicine

Ano

2018

Autores

Korakakis et al.

Desenho

revisão sistemática

Esta revisão analisou se a terapia por ondas de choque funciona para dores em tendões e músculos das pernas. Os resultados mostram benefícios claros para problemas nos isquiotibiais e algumas vantagens para tendinopatia de Aquiles. Para dor no joelho (tendinopatia patelar), não houve diferença em relação ao placebo. A qualidade dos estudos foi variável e são necessárias mais pesquisas para definir os melhores protocolos de tratamento.

Título original do estudo: The effectiveness of extracorporeal shockwave therapy in common lower limb conditions: a systematic review including quantification of patient-rated pain reduction

📊revisão sistemática👥n=1847 participantes🏥impacto clínico variável
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A terapia por ondas de choque mostra benefícios moderados para tendinopatia dos isquiotibiais e algumas formas de tendinopatia de Aquiles, mas não supera o placebo na tendinopatia patelar; a evidência ainda é insuficiente para recomendações universais.

O que isso significa para você?

Esta revisão analisou se a terapia por ondas de choque funciona para dores em tendões e músculos das pernas. Os resultados mostram benefícios claros para problemas nos isquiotibiais e algumas vantagens para tendinopatia de Aquiles. Para dor no joelho (tendinopatia patelar), não houve diferença em relação ao placebo. A qualidade dos estudos foi variável e são necessárias mais pesquisas para definir os melhores protocolos de tratamento.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A terapia por ondas de choque não é uma solução universal para dores de tendão; seu benefício depende fortemente de qual tendão está afetado e onde exatamente está a lesão
  • 2Para tendinopatia patelar (joelho do saltador), os estudos de melhor qualidade não encontraram vantagem em relação a um tratamento falso — considere bem antes de investir
  • 3A melhora, quando ocorre, não é imediata; espere avaliar resultados apenas após 1 a 4 meses do início do tratamento
  • 4Exercícios específicos continuam sendo uma base essencial do tratamento e não devem ser abandonados em favor apenas das ondas de choque
  • 5A qualidade dos estudos ainda é variável; mais pesquisa é necessária para definir quem se beneficia mais e com qual protocolo exato
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha condição específica (qual tendão, qual localização, há quanto tempo) tem evidência favorável nesta revisão?
  • 2Qual protocolo exato será usado e por que foi escolhido, dada a grande variação entre os estudos?
  • 3Como vamos medir se está funcionando, e em quanto tempo decidimos parar se não houver resposta?
  • 4Quais são as alternativas comparáveis em termos de custo-benefício e evidência para o meu caso específico?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1A segurança sistêmica da ESWT não foi adequadamente documentada na maioria dos estudos revisados; relatos de eventos adversos foram esparsos e não padronizados
  • 2Contraindicações conhecidas da tecnologia (distúrbios de coagulação, gestação, infecção local, neuropatia) devem ser avaliadas individualmente antes do tratamento
  • 3O desconforto durante a aplicação é esperado e pode ser significativo; a impossibilidade de cegamento completo pode influenciar tanto a resposta relatada quanto a decisão de contin
  • 4Treze dos 31 estudos analisados apresentaram alto risco de viés, o que introduz incerteza sobre a magnitude real dos benefícios reportados

Leitura rápida para pacientes

Ondas de choque: funciona para alguns, não para todos

Antes de investir em múltiplas sessões, verifique se sua condição específica tem evidência de benefício real

Ponto 1

Isquiotibiais e inserção do calcanhar: evidência mais favorável

Ponto 2

Joelho do saltador (patelar): não mostrou vantagem sobre placebo

Ponto 3

Sempre compare com exercícios e reabilitação antes de decidir

O que este estudo acrescenta

PERSPECTIVA DO PACIENTE

Esta foi uma das primeiras revisões a traduzir mudanças numéricas de dor para categorias de experiência vivida pelo paciente, evitando interpretações estatísticas clinicamente irrelevantes

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

Os efeitos são condição-específicos: clinicamente relevantes para isquiotibiais e inserção de Aquiles, mas ausentes ou incertos para patelar e tibial medial; a variabilidade de protocolos limita a reprodutibilidade

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois sintetiza múltiplos estudos comparativos com critérios rigorosos de qualidade

participantes totais

1. 847

em 31 estudos publicados entre 2002 e 2016

estudos com alto risco de viés

13

principais problemas: metodologia, cegamento e reporte

diferença VISA-A (Aquiles inserção)

16 pontos

favorável à ESWT versus exercícios excêntricos

evidência de eficácia em tendinopatia patelar

moderada de ausência

sem diferença significativa entre ESWT e placebo

condições com evidência favorável

2 de 5

isquiotibiais e inserção de Aquiles; incerto ou negativo para as demais

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Tendinopatias e síndromes dolorosas comuns dos membros inferiores

Tipo de estudo

Revisão sistemática com síntese quantitativa e qualitativa

Participantes

1. 847 adultos com AT, GTPS, MTSS, PT ou PHT em 31 estudos

Duração

3 meses a 3 anos de acompanhamento

Sessões

Variável: geralmente 3 a 5 sessões semanais ou quinzenais

Comparador

Placebo sham, treino excêntrico, injeção de corticoide, cuidado usual ou espera ativa

Grupos do estudo

ondas de choque radial ou focalizadaplacebo, exercícios ou tratamento conservador

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

3 a 5 sessões predominantes, variando de 1 a 12 sessões nos estudos

Frequência02

Intervalos semanais predominantes; alguns protocolos quinzenais ou diários

Duração da sessão03

Não especificado de forma padronizada; impulsos variando de 1. 500 a 4. 000

Pontos / técnica04

Aplicação direta sobre o ponto de dor máxima; técnicas radial ou focalizada conforme a condição

Comparador05

Placebo sham (aparelho desligado ou com amortecimento), exercícios excêntricos, injeção de corticoide, ou programa de fi

Nota de protocolo06

Alta heterogeneidade de protocolos: densidade de energia de 0,09 a 0,25 mJ/mm², frequências de 1 a 10 Hz; não há consenso sobre parâmetros ideais

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de ambos os sexos com diagnóstico de tendinopatia ou síndrome dolorosa específicaPacientes com dores persistentes, geralmente por mais de 6 mesesIndivíduos que falharam em tratamentos não operatórios préviosParticipantes de diversos níveis de atividade física, desde sedentários até atletasPacientes com dor localizada e palpável nos tendões ou regiões afetadas

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adolescentes (estudos limitados a adultos)Pacientes com indicação cirúrgica clara ou lesões agudas recentesIndivíduos com contraindicações à ESWT como distúrbios de coagulação ou gestaçãoPacientes com dor de origem não mecânica ou sistêmica

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

dor

melhorou em condições selecionadas

Redução percebida como 'muito melhorada' em isquiotibiais e inserção de Aquiles; sem diferença em patelar

🦵

função (VISA-A)

melhorou

Ganho de 16 pontos na inserção de Aquiles versus exercícios; comparável na porção média

🏃

recuperação percebida

melhorou em algumas condições

Superior à espera ativa em Aquiles médio; comparável ao placebo em patelar

📊

escore funcional do quadril (HHS)

melhorou

Superioridade da ESWT sobre conservador na síndrome trocantérica a curto prazo

O que não mudou

  • Tendinopatia patelar: nenhuma diferença significativa entre ESWT focalizada e placebo em função ou dor
  • Tendinopatia de Aquiles (porção média): ESWT não superou o treino excêntrico em nenhum desfecho
  • Síndrome do estresse tibial medial: evidência insuficiente para conclusão de eficácia
  • Atividades da vida diária: sem diferença entre ESWT focalizada e placebo em Aquiles não especificado

Quando a melhora apareceu

1

4 meses

Tendinopatia de Aquiles (inserção)

Diferença significativa de 16 pontos no VISA-A favorável à ESWT versus exercícios

2

Curto, médio e longo prazo

Tendinopatia proximal dos isquiotibiais

Superioridade consistente da ESWT radial sobre conservador em todos os momentos

3

Após 4 meses

Síndrome trocantérica vs corticoide

Inversão da vantagem: corticoide melhor no início, ESWT melhor no médio/longo prazo

Antes e depois

VISA-A (inserção de Aquiles: ESWT vs exercício)

escala máx. 100 pontos

Antes63 pontos
Depois79 pontos

VISA-A (porção média: ESWT vs espera ativa)

escala máx. 100 pontos

Antes55 pontos
Depois70 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Tecnologia utilizada há duas décadas sem alertas de segurança graves identificados nesta revisão
Amarelo
  • Dificuldade de cegamento dos participantes pode influenciar a percepção de melhora
  • Desconforto durante a aplicação é esperado e relatado
  • Alta heterogeneidade de protocolos dificulta previsibilidade de resposta
Vermelho
  • Segurança não sistematicamente relatada na maioria dos estudos incluídos
  • Treze estudos com alto risco de viés metodológico
  • Contraindicações como distúrbios de coagulação não foram adequadamente investigadas nesta amostra

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com tendinopatia proximal dos isquiotibiais refratária a tratamentos conservadores
  • Pacientes com tendinopatia de Aquiles de inserção que não responderam adequadamente a exercícios
  • Indivíduos com síndrome trocantérica que preferem evitar ou já falharam com injeção de corticoide
  • Pacientes com expectativas realistas e disposição para múltiplas sessões de tratamento
  • Pessoas com dor crônica localizada (mais de 6 meses) e diagnóstico bem estabelecido

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com tendinopatia patelar como condição isolada (sem evidência de vantagem sobre placebo)
  • Indivíduos com síndrome do estresse tibial medial (evidência insuficiente)
  • Pessoas com expectativa de cura rápida ou resultado garantido
  • Pacientes com contraindicações médicas não avaliadas (coagulopatias, gestação, neuropatia)
  • Crianças, adolescentes ou adultos muito idosos (fora do perfil estudado)

Expectativa realista

Melhora possível, mas não garantida

Para tendinopatia dos isquiotibiais e inserção do tendão de Aquiles, há chance real de redução significativa da dor e melhora funcional após algumas semanas. Para dor patelar, não há evidência de vantagem sobre placebo.

Tempo provável

Benefícios mensuráveis tendem a aparecer entre 1 e 4 meses, não imediatamente

A resposta varia muito conforme a condição específica, e múltiplas sessões são geralmente necessárias sem garantia de resultado

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se sua condição específica (tendão, localização, tempo de evolução) tem boa evidência para ESWT nesta revisão
  2. 2Questione qual protocolo será usado: número de sessões, intervalo, tipo de onda (radial ou focalizada) e parâmetros de energia
  3. 3Discuta alternativas comparáveis: exercícios excêntricos, programa de reabilitação, ou outras opções para sua condição específica
  4. 4Peça esclarecimento sobre como será medida a resposta ao tratamento e quando decidir interromper se não houver melhora

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ondas de choque funcionam para qualquer dor de tendão

Achado

A evidência é condição-específica: funciona para algumas condições (isquiotibiais, inserção de Aquiles), mas não para outras (patelar)

Mito

Quanto mais sessões, melhor o resultado

Achado

Não há consenso sobre protocolo ideal; os estudos variaram enormemente e não demonstraram dose-resposta clara

Mito

Ondas de choque são superiores a todos os outros tratamentos

Achado

Na porção média do Aquiles, foi comparável ao exercício; na patelar, não superou o placebo; na trocantérica, foi pior que corticoide no curto prazo

Mito

A melhora é imediata ou rápida

Achado

Os benefícios, quando presentes, aparecem tipicamente após semanas a meses, não dias

Como isso pode funcionar

⚙️

PASSO 1

Estímulo mecânico das ondas de choque pode promover neovascularização local e aumento do metabolismo celular — mecanismo proposto, não comprovado em humanos

🔄

PASSO 2

Possível modulação da resposta inflamatória crônica e estimulação de fatores de crescimento tecidual — hipótese baseada em estudos pré-clínicos

🧠

PASSO 3

Efeito neuromodulador sobre a percepção da dor pode contribuir para a melhora relatada — difícil de separar do efeito placebo devido à impossibilidade de cegamento completo

O que ainda é incerto

  • ?Qual é o protocolo ótimo de tratamento? A energia, frequência e número de sessões variaram excessivamente entre os estudos
  • ?A ESWT é realmente mais efetiva que o placebo em condições onde o cegamento é impossível? O viés de expectativa não pode ser eliminado
  • ?Qual é a durabilidade dos benefícios além de 3 anos? O acompanhamento mais longo foi insuficiente para conclusões definitivas
  • ?A segurança em populações especiais (idosos, gestantes, pacientes com comorbidades) não foi adequadamente estudada
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar a efetividade da terapia por ondas de choque em tendinopatias de Aquiles, síndrome da dor trocantérica, síndrome do estresse tibial medial, tendinopatia patelar e tendinopatia proximal dos isquiotibiais

👥

QUEM PARTICIPOU

1847 pacientes adultos com condições de membros inferiores em 31 estudos

🧪

COMO FOI FEITO

Ondas de choque focalizadas ou radiais comparadas com placebo, exercícios ou tratamento conservador

📈

O QUE MUDOU

Evidência moderada de benefícios em tendinopatia proximal dos isquiotibiais; evidência baixa para outras condições

🛟

SEGURANÇA

13 estudos apresentaram alto risco de viés metodológico

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

DOR NA LINGUAGEM DO PACIENTE

Em vez de apenas reportar médias estatísticas, os autores traduziram as mudanças de dor para categorias como 'muito melhorado' ou 'minimamente piorado', alinhadas à experiência real de quem sente a dor

🧭

MAPA DE EFICÁCIA POR CONDIÇÃO

Esta revisão desenhou um 'mapa de calor' da evidência: verde para isquiotibiais e inserção de Aquiles, amarelo para trocantérica e porção média do Aquiles, vermelho para patelar e cinza para tibial medial

📌

O PARADOXO DO CORTICOIDE

Na síndrome trocantérica, a injeção de corticoide venceu no curto prazo (1 mês), mas as ondas de choque mostraram-se superiores após 4 meses e 1 ano — um alerta sobre a armadilha do alívio rápido versus duradouro

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Efetividade da terapia por ondas de choque extracorpóreas em condições comuns dos membros inferiores

A terapia por ondas de choque extracorpóreas é frequentemente mencionada como opção para diversas dores nos tendões e músculos das pernas, mas sua efetividade real varia bastante conforme a condição tratada. Esta revisão sistemática abrangente, publicada no British Journal of Sports Medicine em 2018 por Korakakis e colaboradores, examinou com rigor as evidências científicas disponíveis até agosto de 2016 para cinco condições frequentes dos membros inferiores: tendinopatia de Aquiles (tanto na porção média quanto na inserção próxima ao calcanhar), síndrome da dor trocantérica (dor na região lateral do quadril), síndrome do estresse tibial medial (popularmente conhecida como canela de prata), tendinopatia patelar (joelho do saltador) e tendinopatia proximal dos isquiotibiais (região posterior da coxa). Ao todo, foram analisados 31 estudos envolvendo 1. 847 participantes adultos, sendo 924 que receberam algum tipo de terapia por ondas de choque e 923 em grupos de controle que utilizaram placebo, exercícios ou tratamento conservador tradicional.

A metodologia desta revisão merece destaque por sua busca de clareza e relevância clínica. Os autores utilizaram os critérios GRADE para classificar a qualidade das evidências, adotando uma abordagem inovadora para traduzir as mudanças em escalas de dor em categorias que refletem a experiência real do paciente. Em vez de se limitarem a diferenças numéricas abstratas, eles classificaram os resultados como "muito pior", "sem mudança", "minimamente melhor", "muito melhor" ou "muito melhorado". Essa tradução é particularmente importante porque evita que pequenas variações estatisticamente significativas, mas clinicamente irrelevantes, sejam interpretadas como sucesso terapêutico.

Os autores também reconheceram abertamente uma limitação metodológica inerente a praticamente todos os estudos da área: é praticamente impossível cegar os pacientes durante o tratamento com ondas de choque, o que introduz viés de expectativa nos resultados.

Os achados revelam um panorama heterogêneo que desafia qualquer generalização simplista. Para a tendinopatia proximal dos isquiotibiais, houve evidência moderada de superioridade das ondas de choque radiais em relação ao tratamento conservador nos prazos curto, médio e longo, com melhorias que os pacientes perceberam como clinicamente relevantes. Na tendinopatia de Aquiles de inserção, próxima ao calcanhar, as ondas de choque radiais mostraram-se superiores ao treino excêntrico após quatro meses, com diferença de 16 pontos no questionário VISA-A e redução de dor que os pacientes classificaram como "muito melhorada", em contraste com apenas "minimamente melhorada" no grupo de exercícios. Já para a porção média do tendão de Aquiles, as ondas de choque foram comparáveis ao treino excêntrico, mas superiores à estratégia de esperar e observar — o que reforça que o exercício continua sendo uma base importante do tratamento.

No entanto, os resultados para outras condições foram menos favoráveis. Para a tendinopatia patelar, não houve diferença significativa entre as ondas de choque focalizadas e o placebo nos prazos de três e cinco a seis meses, tanto em termos de função quanto de dor. Esta é uma descoberta clinicamente relevante, pois o joelho do saltador é uma das indicações mais comuns para este tratamento na prática clínica. Para a síndrome da dor trocantérica, as ondas de choque radiais mostraram-se superiores ao tratamento conservador e comparáveis a ele no longo prazo, mas foram superadas pela injeção de corticoide no curto prazo — embora tenham apresentado resultados melhores que o corticoide após quatro meses e mais de um ano de acompanhamento.

Quanto à síndrome do estresse tibial medial, não foi possível estabelecer evidência clara de eficácia devido às limitações metodológicas dos estudos disponíveis, com resultados conflitantes entre diferentes pesquisas.

A segurança do tratamento não foi sistematicamente relatada na maioria dos estudos, o que representa uma lacuna importante para a avaliação completa desta tecnologia. Treze dos 31 estudos incluídos apresentaram alto risco de viés, principalmente devido a problemas de metodologia, cegamento inadequado e reporte seletivo de resultados. A heterogeneidade nos protocolos de tratamento — variando de 1. 500 a 4.

000 impulsos, com diferentes densidades de energia, frequências e número de sessões — dificulta consideravelmente a determinação do regime ótimo para cada condição.

Para quem considera este tratamento, a mensagem prática é de cautela informada. A terapia por ondas de choque pode oferecer benefícios reais para problemas específicos, especialmente nos isquiotibiais e na inserção do tendão de Aquiles, mas não é uma solução universal. A decisão deve ser individualizada, considerando a condição específica, o tempo de evolução dos sintomas, as respostas prévias a tratamentos conservadores e as expectativas realistas sobre os prazos de melhora. O investimento em múltiplas sessões pode não se justificar para tendinopatia patelar isolada, dada a ausência de vantagem demonstrada sobre placebo.

É importante também reconhecer que a qualidade da evidência ainda é limitada para várias condições, com poucos estudos de alta qualidade para cada diagnóstico específico.

Mais pesquisas rigorosas, com protocolos padronizados e acompanhamento prolongado, são necessárias para definir com precisão quem mais se beneficia desta tecnologia e em que circunstâncias ela deve ser oferecida como parte de um plano de tratamento integrado. Até lá, a comunicação clara entre profissionais de saúde e pacientes sobre o que se sabe e o que ainda é incerto permanece essencial para decisões compartilhadas e expectativas adequadas.

O que fortalece a leitura

  • 1Revisão abrangente de múltiplas condições de membros inferiores
  • 2Uso de critérios rigorosos GRADE para qualidade da evidência
  • 3Análise inovadora da percepção do paciente sobre melhora da dor
  • 4Inclusão apenas de estudos controlados para síntese quantitativa
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Alta heterogeneidade nos protocolos de ondas de choque
  • 2Pequeno número de estudos de alta qualidade por condição
  • 3Critérios de inclusão variáveis entre os estudos
  • 4Dificuldade em cegar participantes durante tratamento com ondas de choque

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
4/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

1847pessoas avaliadas
divisão dos grupos

ondas de choque

924 pessoas

terapia por ondas de choque radial ou focalizada

controles

923 pessoas

placebo, exercícios ou tratamento conservador

⏱️ Tempo de acompanhamento: 3 meses a 3 anos de acompanhamento

📊 Resultados em números

sem diferença significativa

tendinopatia patelar vs placebo

16 pontos VISA-A

tendinopatia de Aquiles - inserção vs exercícios

3,7 pontos escala Nirschl

tendinopatia isquiotibiais vs conservador

74% vs 67%

síndrome trocantérica - recuperação longo prazo

Destaques percentuais

74% vs 67%
síndrome trocantérica - recuperação longo prazo

📊 Comparação de Resultados

melhora funcional VISA-A

ondas de choque
79
exercícios
63

📅 Linha do tempo da evidência

2002primeiros estudos controlados de ondas de choque em tendões
2009diretrizes metodológicas Cochrane para revisões
2016busca sistemática da literatura até agosto
2018publicação desta revisão sistemática abrangente

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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