participantes totais
1. 847
em 31 estudos publicados entre 2002 e 2016
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
British Journal of Sports Medicine
Ano
2018
Autores
Korakakis et al.
Desenho
revisão sistemática
Esta revisão analisou se a terapia por ondas de choque funciona para dores em tendões e músculos das pernas. Os resultados mostram benefícios claros para problemas nos isquiotibiais e algumas vantagens para tendinopatia de Aquiles. Para dor no joelho (tendinopatia patelar), não houve diferença em relação ao placebo. A qualidade dos estudos foi variável e são necessárias mais pesquisas para definir os melhores protocolos de tratamento.
Título original do estudo: The effectiveness of extracorporeal shockwave therapy in common lower limb conditions: a systematic review including quantification of patient-rated pain reduction
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A terapia por ondas de choque mostra benefícios moderados para tendinopatia dos isquiotibiais e algumas formas de tendinopatia de Aquiles, mas não supera o placebo na tendinopatia patelar; a evidência ainda é insuficiente para recomendações universais.
Esta revisão analisou se a terapia por ondas de choque funciona para dores em tendões e músculos das pernas. Os resultados mostram benefícios claros para problemas nos isquiotibiais e algumas vantagens para tendinopatia de Aquiles. Para dor no joelho (tendinopatia patelar), não houve diferença em relação ao placebo. A qualidade dos estudos foi variável e são necessárias mais pesquisas para definir os melhores protocolos de tratamento.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Antes de investir em múltiplas sessões, verifique se sua condição específica tem evidência de benefício real
Ponto 1
Isquiotibiais e inserção do calcanhar: evidência mais favorável
Ponto 2
Joelho do saltador (patelar): não mostrou vantagem sobre placebo
Ponto 3
Sempre compare com exercícios e reabilitação antes de decidir
O que este estudo acrescenta
Esta foi uma das primeiras revisões a traduzir mudanças numéricas de dor para categorias de experiência vivida pelo paciente, evitando interpretações estatísticas clinicamente irrelevantes
Aplicabilidade clínica
Os efeitos são condição-específicos: clinicamente relevantes para isquiotibiais e inserção de Aquiles, mas ausentes ou incertos para patelar e tibial medial; a variabilidade de protocolos limita a reprodutibilidade
Força do desenho do estudo
Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois sintetiza múltiplos estudos comparativos com critérios rigorosos de qualidade
participantes totais
1. 847
em 31 estudos publicados entre 2002 e 2016
estudos com alto risco de viés
13
principais problemas: metodologia, cegamento e reporte
diferença VISA-A (Aquiles inserção)
16 pontos
favorável à ESWT versus exercícios excêntricos
evidência de eficácia em tendinopatia patelar
moderada de ausência
sem diferença significativa entre ESWT e placebo
condições com evidência favorável
2 de 5
isquiotibiais e inserção de Aquiles; incerto ou negativo para as demais
Ficha rápida do estudo
Condição
Tendinopatias e síndromes dolorosas comuns dos membros inferiores
Tipo de estudo
Revisão sistemática com síntese quantitativa e qualitativa
Participantes
1. 847 adultos com AT, GTPS, MTSS, PT ou PHT em 31 estudos
Duração
3 meses a 3 anos de acompanhamento
Sessões
Variável: geralmente 3 a 5 sessões semanais ou quinzenais
Comparador
Placebo sham, treino excêntrico, injeção de corticoide, cuidado usual ou espera ativa
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
3 a 5 sessões predominantes, variando de 1 a 12 sessões nos estudos
Intervalos semanais predominantes; alguns protocolos quinzenais ou diários
Não especificado de forma padronizada; impulsos variando de 1. 500 a 4. 000
Aplicação direta sobre o ponto de dor máxima; técnicas radial ou focalizada conforme a condição
Placebo sham (aparelho desligado ou com amortecimento), exercícios excêntricos, injeção de corticoide, ou programa de fi
Alta heterogeneidade de protocolos: densidade de energia de 0,09 a 0,25 mJ/mm², frequências de 1 a 10 Hz; não há consenso sobre parâmetros ideais
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
dor
melhorou em condições selecionadas
Redução percebida como 'muito melhorada' em isquiotibiais e inserção de Aquiles; sem diferença em patelar
função (VISA-A)
melhorou
Ganho de 16 pontos na inserção de Aquiles versus exercícios; comparável na porção média
recuperação percebida
melhorou em algumas condições
Superior à espera ativa em Aquiles médio; comparável ao placebo em patelar
escore funcional do quadril (HHS)
melhorou
Superioridade da ESWT sobre conservador na síndrome trocantérica a curto prazo
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
4 meses
Tendinopatia de Aquiles (inserção)
Diferença significativa de 16 pontos no VISA-A favorável à ESWT versus exercícios
Curto, médio e longo prazo
Tendinopatia proximal dos isquiotibiais
Superioridade consistente da ESWT radial sobre conservador em todos os momentos
Após 4 meses
Síndrome trocantérica vs corticoide
Inversão da vantagem: corticoide melhor no início, ESWT melhor no médio/longo prazo
Antes e depois
VISA-A (inserção de Aquiles: ESWT vs exercício)
escala máx. 100 pontos
VISA-A (porção média: ESWT vs espera ativa)
escala máx. 100 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Para tendinopatia dos isquiotibiais e inserção do tendão de Aquiles, há chance real de redução significativa da dor e melhora funcional após algumas semanas. Para dor patelar, não há evidência de vantagem sobre placebo.
Tempo provável
Benefícios mensuráveis tendem a aparecer entre 1 e 4 meses, não imediatamente
A resposta varia muito conforme a condição específica, e múltiplas sessões são geralmente necessárias sem garantia de resultado
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque funcionam para qualquer dor de tendão
Achado
A evidência é condição-específica: funciona para algumas condições (isquiotibiais, inserção de Aquiles), mas não para outras (patelar)
Mito
Quanto mais sessões, melhor o resultado
Achado
Não há consenso sobre protocolo ideal; os estudos variaram enormemente e não demonstraram dose-resposta clara
Mito
Ondas de choque são superiores a todos os outros tratamentos
Achado
Na porção média do Aquiles, foi comparável ao exercício; na patelar, não superou o placebo; na trocantérica, foi pior que corticoide no curto prazo
Mito
A melhora é imediata ou rápida
Achado
Os benefícios, quando presentes, aparecem tipicamente após semanas a meses, não dias
Como isso pode funcionar
PASSO 1
Estímulo mecânico das ondas de choque pode promover neovascularização local e aumento do metabolismo celular — mecanismo proposto, não comprovado em humanos
PASSO 2
Possível modulação da resposta inflamatória crônica e estimulação de fatores de crescimento tecidual — hipótese baseada em estudos pré-clínicos
PASSO 3
Efeito neuromodulador sobre a percepção da dor pode contribuir para a melhora relatada — difícil de separar do efeito placebo devido à impossibilidade de cegamento completo
O que ainda é incerto
Avaliar a efetividade da terapia por ondas de choque em tendinopatias de Aquiles, síndrome da dor trocantérica, síndrome do estresse tibial medial, tendinopatia patelar e tendinopatia proximal dos isquiotibiais
1847 pacientes adultos com condições de membros inferiores em 31 estudos
Ondas de choque focalizadas ou radiais comparadas com placebo, exercícios ou tratamento conservador
Evidência moderada de benefícios em tendinopatia proximal dos isquiotibiais; evidência baixa para outras condições
13 estudos apresentaram alto risco de viés metodológico
Achados Interessantes
DOR NA LINGUAGEM DO PACIENTE
Em vez de apenas reportar médias estatísticas, os autores traduziram as mudanças de dor para categorias como 'muito melhorado' ou 'minimamente piorado', alinhadas à experiência real de quem sente a dor
MAPA DE EFICÁCIA POR CONDIÇÃO
Esta revisão desenhou um 'mapa de calor' da evidência: verde para isquiotibiais e inserção de Aquiles, amarelo para trocantérica e porção média do Aquiles, vermelho para patelar e cinza para tibial medial
O PARADOXO DO CORTICOIDE
Na síndrome trocantérica, a injeção de corticoide venceu no curto prazo (1 mês), mas as ondas de choque mostraram-se superiores após 4 meses e 1 ano — um alerta sobre a armadilha do alívio rápido versus duradouro
Resumo detalhado em linguagem acessível
A terapia por ondas de choque extracorpóreas é frequentemente mencionada como opção para diversas dores nos tendões e músculos das pernas, mas sua efetividade real varia bastante conforme a condição tratada. Esta revisão sistemática abrangente, publicada no British Journal of Sports Medicine em 2018 por Korakakis e colaboradores, examinou com rigor as evidências científicas disponíveis até agosto de 2016 para cinco condições frequentes dos membros inferiores: tendinopatia de Aquiles (tanto na porção média quanto na inserção próxima ao calcanhar), síndrome da dor trocantérica (dor na região lateral do quadril), síndrome do estresse tibial medial (popularmente conhecida como canela de prata), tendinopatia patelar (joelho do saltador) e tendinopatia proximal dos isquiotibiais (região posterior da coxa). Ao todo, foram analisados 31 estudos envolvendo 1. 847 participantes adultos, sendo 924 que receberam algum tipo de terapia por ondas de choque e 923 em grupos de controle que utilizaram placebo, exercícios ou tratamento conservador tradicional.
A metodologia desta revisão merece destaque por sua busca de clareza e relevância clínica. Os autores utilizaram os critérios GRADE para classificar a qualidade das evidências, adotando uma abordagem inovadora para traduzir as mudanças em escalas de dor em categorias que refletem a experiência real do paciente. Em vez de se limitarem a diferenças numéricas abstratas, eles classificaram os resultados como "muito pior", "sem mudança", "minimamente melhor", "muito melhor" ou "muito melhorado". Essa tradução é particularmente importante porque evita que pequenas variações estatisticamente significativas, mas clinicamente irrelevantes, sejam interpretadas como sucesso terapêutico.
Os autores também reconheceram abertamente uma limitação metodológica inerente a praticamente todos os estudos da área: é praticamente impossível cegar os pacientes durante o tratamento com ondas de choque, o que introduz viés de expectativa nos resultados.
Os achados revelam um panorama heterogêneo que desafia qualquer generalização simplista. Para a tendinopatia proximal dos isquiotibiais, houve evidência moderada de superioridade das ondas de choque radiais em relação ao tratamento conservador nos prazos curto, médio e longo, com melhorias que os pacientes perceberam como clinicamente relevantes. Na tendinopatia de Aquiles de inserção, próxima ao calcanhar, as ondas de choque radiais mostraram-se superiores ao treino excêntrico após quatro meses, com diferença de 16 pontos no questionário VISA-A e redução de dor que os pacientes classificaram como "muito melhorada", em contraste com apenas "minimamente melhorada" no grupo de exercícios. Já para a porção média do tendão de Aquiles, as ondas de choque foram comparáveis ao treino excêntrico, mas superiores à estratégia de esperar e observar — o que reforça que o exercício continua sendo uma base importante do tratamento.
No entanto, os resultados para outras condições foram menos favoráveis. Para a tendinopatia patelar, não houve diferença significativa entre as ondas de choque focalizadas e o placebo nos prazos de três e cinco a seis meses, tanto em termos de função quanto de dor. Esta é uma descoberta clinicamente relevante, pois o joelho do saltador é uma das indicações mais comuns para este tratamento na prática clínica. Para a síndrome da dor trocantérica, as ondas de choque radiais mostraram-se superiores ao tratamento conservador e comparáveis a ele no longo prazo, mas foram superadas pela injeção de corticoide no curto prazo — embora tenham apresentado resultados melhores que o corticoide após quatro meses e mais de um ano de acompanhamento.
Quanto à síndrome do estresse tibial medial, não foi possível estabelecer evidência clara de eficácia devido às limitações metodológicas dos estudos disponíveis, com resultados conflitantes entre diferentes pesquisas.
A segurança do tratamento não foi sistematicamente relatada na maioria dos estudos, o que representa uma lacuna importante para a avaliação completa desta tecnologia. Treze dos 31 estudos incluídos apresentaram alto risco de viés, principalmente devido a problemas de metodologia, cegamento inadequado e reporte seletivo de resultados. A heterogeneidade nos protocolos de tratamento — variando de 1. 500 a 4.
000 impulsos, com diferentes densidades de energia, frequências e número de sessões — dificulta consideravelmente a determinação do regime ótimo para cada condição.
Para quem considera este tratamento, a mensagem prática é de cautela informada. A terapia por ondas de choque pode oferecer benefícios reais para problemas específicos, especialmente nos isquiotibiais e na inserção do tendão de Aquiles, mas não é uma solução universal. A decisão deve ser individualizada, considerando a condição específica, o tempo de evolução dos sintomas, as respostas prévias a tratamentos conservadores e as expectativas realistas sobre os prazos de melhora. O investimento em múltiplas sessões pode não se justificar para tendinopatia patelar isolada, dada a ausência de vantagem demonstrada sobre placebo.
É importante também reconhecer que a qualidade da evidência ainda é limitada para várias condições, com poucos estudos de alta qualidade para cada diagnóstico específico.
Mais pesquisas rigorosas, com protocolos padronizados e acompanhamento prolongado, são necessárias para definir com precisão quem mais se beneficia desta tecnologia e em que circunstâncias ela deve ser oferecida como parte de um plano de tratamento integrado. Até lá, a comunicação clara entre profissionais de saúde e pacientes sobre o que se sabe e o que ainda é incerto permanece essencial para decisões compartilhadas e expectativas adequadas.
ondas de choque
924 pessoas
terapia por ondas de choque radial ou focalizada
controles
923 pessoas
placebo, exercícios ou tratamento conservador
tendinopatia patelar vs placebo
tendinopatia de Aquiles - inserção vs exercícios
tendinopatia isquiotibiais vs conservador
síndrome trocantérica - recuperação longo prazo
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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