participantes
30
15 em cada grupo, randomizados
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
International Journal of Precision Engineering and Manufacturing
Ano
2026
Autores
Bae et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo testou dois tipos diferentes de estimulação elétrica (TENS) em pessoas com dor no pescoço e ombro. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor e melhoraram os movimentos do pescoço em apenas 5 dias. O TENS é um tratamento seguro, não invasivo e acessível que pode ser usado como terapia complementar. Os resultados sugerem que tanto estimulação de baixa quanto de alta frequência são efetivas para alívio da dor muscular.
Título original do estudo: Comparative Effects of Low-Frequency High-Intensity and High-Frequency Low-Intensity TENS on Neuromuscular Activation in Myofascial Pain Syndrome: A Randomized Controlled Trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
TENS de baixa e alta frequência reduziram dor e tensão muscular e melhoraram a mobilidade cervical em adultos com dor miofascial do trapézio superior em apenas cinco dias, sem diferença clínica importante entre os protocolos.
Este estudo testou dois tipos diferentes de estimulação elétrica (TENS) em pessoas com dor no pescoço e ombro. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor e melhoraram os movimentos do pescoço em apenas 5 dias. O TENS é um tratamento seguro, não invasivo e acessível que pode ser usado como terapia complementar. Os resultados sugerem que tanto estimulação de baixa quanto de alta frequência são efetivas para alívio da dor muscular.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Em 5 dias de uso, ambos os protocolos reduziram dor, tensão muscular e melhoraram a movimentação do pescoço em adultos com dor miofascial
Ponto 1
TENS de baixa frequência com contrações visíveis e TENS de alta frequência com sensação confortável tiveram resultados p
Ponto 2
Além de aliviar a dor, os tratamentos melhoraram a coordenação dos músculos do ombro
Ponto 3
Ainda não se sabe se o benefício dura após parar o uso; converse com seu médico sobre incluir TENS no seu plano de cuida
O que este estudo acrescenta
Este é um dos poucos estudos que comparou diretamente os efeitos neuromusculares de TENS de baixa frequência alta intensidade versus alta frequência baixa intensidade em dor miofascial, incluindo análise de coordenação m
Aplicabilidade clínica
As melhorias foram consistentes e estatisticamente significativas em múltiplos domínios (dor, função, tônus muscular), com tamanhos de efeito clinicamente perceptíveis em curto prazo. No entanto, a ausência de acompanham
Força do desenho do estudo
Participantes foram distribuídos aleatoriamente entre dois grupos de tratamento, o que reduz vieses de seleção, embora a ausência de grupo placebo limite a certeza sobre efeitos es
participantes
30
15 em cada grupo, randomizados
redução média da dor
3,2 pontos
no grupo de baixa frequência alta intensidade, de 4,80 para 1,60
aumento do limiar de dor
8,1 lbf
no grupo de alta frequência baixa intensidade, de 7,80 para 15,90
sessões totais
10
20 minutos, duas vezes ao dia, durante 5 dias
duração mínima da dor
6 meses
critério de inclusão para caracterizar dor crônica
Ficha rápida do estudo
Condição
síndrome da dor miofascial no trapézio superior
Tipo de estudo
ensaio clínico randomizado
Participantes
30 adultos de 20 a 40 anos, com dor de pelo menos 6 meses
Duração
5 dias de intervenção, sem acompanhamento posterior
Sessões
10 sessões de 20 minutos (2 por dia)
Comparador
dois protocolos ativos de TENS comparados entre si, sem grupo controle placebo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
10 sessões no total
2 sessões por dia durante 5 dias consecutivos
20 minutos cada sessão
eletrodos de 5×5 cm sobre os pontos-gatilho mais palpáveis do trapézio superior, com eletrodo de referência no acrômio; pulso bifásico simétrico
dois protocolos de TENS ativos comparados entre si, sem grupo sham ou placebo
intensidade individualizada: grupo LFHI usou função mi-Scan para contração visível não dolorosa (25-30 unidades de energia); grupo HFLI usou função mi-TENS para nível sensorial con
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
intensidade da dor
melhorou significativamente
escala numérica caiu de 4,80 para 1,60 no grupo LFHI e de 3,80 para 1,73 no grupo HFLI
limiar de dor à pressão
aumentou significativamente
de 9,40 para 15,74 lbf no grupo LFHI e de 7,80 para 15,90 lbf no grupo HFLI, indicando menor sensibilidade dolorosa
amplitude de movimento cervical
melhorou em todas as direções
flexão, extensão, inclinação lateral e rotação aumentaram significativamente em ambos os grupos
tônus muscular do trapézio
reduziu significativamente
de 349,54 para 291,21 N/m no grupo LFHI e de 363,74 para 312,63 N/m no grupo HFLI, indicando menor tensão
atividade muscular do deltoide
aumentou significativamente
maior ativação do deltoide médio durante abdução do ombro, sugerindo recrutamento mais eficiente
razão deltoide/trapézio (grupo HFLI)
melhorou significativamente
aumento da relação de 1,06 para 1,22 apenas no grupo de alta frequência, indicando possível melhora na coordenação escapuloumeral
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
10 sessões de 20 minutos
após 5 dias de tratamento
redução significativa da dor, aumento do limiar de dor à pressão e melhora da mobilidade cervical em ambos os grupos
Antes e depois
dor (escala 0-10) — grupo LFHI
escala máx. 10 pontos
dor (escala 0-10) — grupo HFLI
escala máx. 10 pontos
limiar de dor à pressão — grupo LFHI
escala máx. 20 lbf
limiar de dor à pressão — grupo HFLI
escala máx. 20 lbf
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Com duas sessões diárias de 20 minutos durante cinco dias, a maioria das pessoas com perfil similar ao do estudo pode esperar redução importante da dor, maior tolerância à pressão na região dolorida e mais liberdade para mover o pescoço
Tempo provável
benefícios mensuráveis após 5 dias de tratamento intensivo
Não se sabe se os ganhos persistem após parar o tratamento; uso contínuo ou manutenção pode ser necessário, e a dor miofascial crônica geralmente exige abordage
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
TENS de alta frequência funciona apenas para dor aguda e o de baixa frequência apenas para dor crônica
Achado
Ambos os protocolos reduziram dor crônica de 6 meses ou mais de forma comparável, sem superioridade clara de um sobre o outro neste estudo
Mito
Quanto mais forte a contração muscular, melhor o resultado
Achado
O protocolo sem contrações visíveis (alta frequência baixa intensidade) foi tão efetivo quanto o com contrações, e ainda mostrou vantagem específica na coordenação muscular do ombro
Mito
TENS serve apenas para mascarar a dor temporariamente
Achado
Além da analgesia, houve redução do tônus muscular, melhora da mobilidade e recalibração de padrões de ativação muscular, sugerindo efeitos que vão além do simples alívio sintomático imediato
Como isso pode funcionar
CONTROLE DE PORTÃO
O TENS de alta frequência (80 Hz) ativa fibras nervosas grossas (Aβ) que, segundo a teoria do portão da dor, podem bloquear a passagem de sinais dolorosos na medula espinal — mecanismo proposto, não diretamente observado
LIBERAÇÃO DE ENDORFINAS
O TENS de baixa frequência (2-8 Hz) com contrações visíveis pode ativar vias inibitórias descendentes do cérebro, promovendo liberação de endorfinas e encefalinas — mecanismo descrito na literatura de referência do artig
RECALIBRAÇÃO MUSCULAR
Ambos os protocolos reduziram a atividade excessiva do trapézio e elevador da escápula, enquanto aumentaram a ativação do deltoide, sugerindo melhora na coordenação durante o movimento do ombro
REDUÇÃO DO TÔNUS
A diminuição da rigidez muscular do trapézio superior pode refletir melhora da circulação local e redução do reflexo de proteção mantido pela dor crônica
O que ainda é incerto
comparar efeitos de dois tipos de TENS (baixa e alta frequência) na dor e função muscular
30 adultos com síndrome da dor miofascial no músculo trapézio superior
aplicação de TENS por 20 minutos, duas vezes ao dia, durante 5 dias consecutivos
redução significativa da dor e melhora da mobilidade cervical em ambos grupos
tratamento bem tolerado, não invasivo e sem efeitos adversos relatados
Achados Interessantes
EFICÁCIA COMPARÁVEL INESPERADA
Contrariando a suposição de que mecanismos distintos levariam a resultados diferentes, ambos os protocolos foram igualmente efetivos para dor, mobilidade e tônus muscular — o que dá flexibilidade na escolha do tratamento
VANTAGEM ESPECÍFICA DA ALTA FREQUÊNCIA
Apenas o TENS de alta frequência baixa intensidade melhorou significativamente a razão de ativação deltoide/trapézio, sugerindo um diferencial na reorganização do padrão muscular durante o movimento do ombro
PROTOCOLO INTENSIVO E CURTO
A melhora expressiva em apenas 5 dias com duas sessões diárias mostra que a frequência de aplicação pode ser mais importante que a duração total, embora isso precise de confirmação em estudos maiores
Resumo detalhado em linguagem acessível
A síndrome da dor miofascial é uma condição dolorosa que afeta os músculos e a fascia, a membrana que os envolve. Quando se desenvolve no músculo trapézio superior — aquele que vai da base do crânio até o ombro —, pode causar dor local intensa, nódulos sensíveis ao toque conhecidos como pontos-gatilho, limitação para mover o pescoço e uma sensação de tensão muscular persistente. Estima-se que até 85% das pessoas experimentem algum tipo de dor miofascial ao longo da vida, o que torna essa condição extremamente comum e relevante para a qualidade de vida de muitos adultos jovens e de meia-idade.
O tratamento da dor miofascial geralmente envolve abordagens conservadoras, e entre elas a estimulação elétrica nervosa transcutânea — mais conhecida como TENS — se destaca por ser não invasiva, portátil e de fácil aplicação. O dispositivo TENS envia pequenos impulsos elétricos através da pele até os nervos subjacentes, e diferentes configurações de frequência e intensidade podem produzir efeitos distintos no organismo. A questão central que motivou esta pesquisa, conduzida por Bae e colaboradores e publicada em 2026, foi justamente comparar duas dessas configurações: a estimulação de baixa frequência com alta intensidade, que provoca contrações musculares visíveis e age por meio da liberação de endorfinas, versus a estimulação de alta frequência com baixa intensidade, que atua mais superficialmente nos nervos sensoriais segundo a teoria do controle de portão da dor.
Para isso, os pesquisadores recrutaram 30 adultos com idades entre 20 e 40 anos, todos diagnosticados com síndrome da dor miofascial no trapézio superior de pelo menos seis meses de duração. Os participantes precisavam apresentar pontos-gatilho palpáveis, movimentação restrita do pescoço e não poderiam estar usando medicamentos para dor, nem ter feito fisioterapia no mês anterior. Foram excluídas pessoas com hérnia de disco cervical, problemas neurológicos, lesões graves no ombro ou histórico de trauma significativo. Os 30 participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 15 pessoas cada, garantindo que a distribuição fosse imparcial.
O grupo de baixa frequência alta intensidade recebeu estimulação elétrica entre 2 e 8 pulsos por segundo, em intensidade suficiente para causar contrações musculares visíveis mas não dolorosas, ajustada individualmente para cada pessoa. O grupo de alta frequência baixa intensidade recebeu estimulação a 80 pulsos por segundo, em nível sensorial confortável, sem contrações visíveis. Em ambos os casos, eletrodos de 5 por 5 centímetros foram posicionados sobre os pontos-gatilho mais evidentes do trapézio superior, com eletrodo de referência próximo ao acrômio da escápula. Cada sessão durava 20 minutos, e foram realizadas duas sessões por dia durante cinco dias consecutivos, totalizando dez aplicações.
Antes e depois do período de tratamento, os pesquisadores avaliaram vários aspectos: a intensidade da dor por escala numérica de 0 a 10, o limiar de dor à pressão com um algômetro — instrumento que mede quanta força a pele suporta antes de sentir dor —, a amplitude de movimento cervical em todas as direções, o tônus muscular do trapézio superior com um miotonômetro, e a atividade elétrica dos músculos durante a abdução do ombro por meio de eletromiografia de superfície. Essa última avaliação permitiu observar não apenas se os músculos estavam mais ou menos ativos, mas também se a coordenação entre eles melhorava.
Os resultados foram expressivos e favoráveis em ambos os grupos. A dor diminuiu significativamente: no grupo de baixa frequência, a média caiu de 4,80 para 1,60 na escala de 0 a 10, enquanto no grupo de alta frequência a redução foi de 3,80 para 1,73. O limiar de dor à pressão aumentou de 9,40 para 15,74 libras-força no primeiro grupo e de 7,80 para 15,90 no segundo, o que significa que os participantes passaram a tolerar muito mais pressão antes de sentir desconforto. A mobilidade do pescoço melhorou em todas as direções — flexão, extensão, inclinação lateral e rotação — em ambos os grupos, sem diferença significativa entre eles.
O tônus muscular do trapézio superior também reduziu de forma importante, indicando menor tensão na região.
A análise da atividade muscular revelou padrões distintos. Em ambos os grupos, houve redução da atividade excessiva do trapézio superior e do elevador da escápula — músculos frequentemente sobrecarregados nessa condição —, acompanhada de aumento da ativação do deltoide médio, que é mais responsável pelo movimento propriamente dito do braço. Isso sugere uma recalibração do padrão de recrutamento muscular, com menos compensação e mais eficiência. Um achado específico do grupo de alta frequência foi o aumento significativo da razão entre a atividade do deltoide e a do trapézio superior, indicando possivelmente uma coordenação muscular mais equilibrada durante a elevação do braço.
Apesar desses resultados promissores, é fundamental interpretá-los com prudência. O estudo teve apenas cinco dias de duração, o que impede qualquer conclusão sobre se os benefícios se mantêm semanas ou meses depois. A amostra de 30 participantes, embora adequada para um estudo piloto, limita a generalização para toda a população com dor miofascial. Além disso, os pesquisadores não controlaram as atividades diárias, posturas de trabalho ou níveis de estresse dos participantes, fatores que poderiam influenciar os resultados.
Não houve grupo controle que não recebesse estimulação, o que dificulta separar o efeito específico do TENS da melhora natural que ocorre com o tempo em algumas pessoas.
Do ponto de vista prático, este estudo oferece informações valiosas para quem convive com dor miofascial no pescoço e ombro. Ele sugere que tanto a configuração de baixa frequência com contrações visíveis quanto a de alta frequência com sensação confortável podem aliviar a dor, melhorar a mobilidade e reduzir a tensão muscular em curto prazo. A escolha entre os protocolos pode considerar a preferência pessoal — algumas pessoas toleram melhor a sensação de contração, outras preferem o estímulo mais suave — e os objetivos individuais, já que a alta frequência mostrou um diferencial na coordenação muscular. O TENS permanece como uma opção acessível, segura e não invasiva, que pode ser usada como complemento a outras estratégias de manejo da dor, como atividade física orientada, atenção à postura e técnicas de relaxamento.
TENS baixa frequência alta intensidade
15 pessoas
2-8 Hz com contrações musculares visíveis
TENS alta frequência baixa intensidade
15 pessoas
80 Hz em nível sensorial confortável
redução dor grupo baixa frequência
redução dor grupo alta frequência
melhora limiar de dor baixa freq.
melhora limiar de dor alta freq.
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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