Estudo científico comentado

Estudo Compara Dois Tipos de TENS no Tratamento da Síndrome da Dor Miofascial

Referência acadêmica

Periódico

International Journal of Precision Engineering and Manufacturing

Ano

2026

Autores

Bae et al.

Desenho

ensaio clínico randomizado

Este estudo testou dois tipos diferentes de estimulação elétrica (TENS) em pessoas com dor no pescoço e ombro. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor e melhoraram os movimentos do pescoço em apenas 5 dias. O TENS é um tratamento seguro, não invasivo e acessível que pode ser usado como terapia complementar. Os resultados sugerem que tanto estimulação de baixa quanto de alta frequência são efetivas para alívio da dor muscular.

Título original do estudo: Comparative Effects of Low-Frequency High-Intensity and High-Frequency Low-Intensity TENS on Neuromuscular Activation in Myofascial Pain Syndrome: A Randomized Controlled Trial

🎯ensaio clínico randomizado👥n=30impacto moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

TENS de baixa e alta frequência reduziram dor e tensão muscular e melhoraram a mobilidade cervical em adultos com dor miofascial do trapézio superior em apenas cinco dias, sem diferença clínica importante entre os protocolos.

O que isso significa para você?

Este estudo testou dois tipos diferentes de estimulação elétrica (TENS) em pessoas com dor no pescoço e ombro. Ambos os tratamentos reduziram significativamente a dor e melhoraram os movimentos do pescoço em apenas 5 dias. O TENS é um tratamento seguro, não invasivo e acessível que pode ser usado como terapia complementar. Os resultados sugerem que tanto estimulação de baixa quanto de alta frequência são efetivas para alívio da dor muscular.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1TENS é uma opção não invasiva e geralmente bem tolerada para dor miofascial no pescoço e ombro, com evidência de curto prazo favorável
  • 2A escolha entre protocolo com contrações visíveis ou sensação confortável pode ser personalizada conforme sua preferência e objetivos
  • 3Os benefícios apareceram rapidamente (5 dias), mas não há garantia de que persistam sem uso contínuo ou manutenção
  • 4TENS funciona melhor como parte de um plano integrado que inclua atividade física, atenção à postura e manejo do estresse
  • 5Converse com seu médico para descartar causas estruturais da dor antes de iniciar tratamento exclusivo com TENS
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1A minha dor no pescoço/ombro é compatível com dor miofascial ou pode haver outra causa que precise de investigação diferente?
  • 2Existe alguma contraindicação para eu usar TENS, considerando meu histórico de saúde e medicamentos?
  • 3Qual protocolo de TENS seria mais adequado para o meu caso: com contrações musculares ou com sensação mais suave?
  • 4Como posso combinar o TENS com exercícios e mudanças de postura para maximizar e manter os benefícios?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O estudo não relatou efeitos adversos, mas também não descreveu um sistema formal de coleta de eventos — a tolerabilidade individual pode variar
  • 2Pessoas com marcapasso, desfibrilador implantado ou distúrbios de ritmo cardíaco devem obter avaliação médica antes de usar TENS
  • 3A pele na região dos eletrodos deve estar íntegra, sem lesões, irritações ou infecções
  • 4O uso prolongado sem supervisão não foi testado neste estudo; ajustes de intensidade inadequados podem causar desconforto ou fadiga muscular

Leitura rápida para pacientes

Dois tipos de TENS aliviaram dor no pescoço e ombro

Em 5 dias de uso, ambos os protocolos reduziram dor, tensão muscular e melhoraram a movimentação do pescoço em adultos com dor miofascial

Ponto 1

TENS de baixa frequência com contrações visíveis e TENS de alta frequência com sensação confortável tiveram resultados p

Ponto 2

Além de aliviar a dor, os tratamentos melhoraram a coordenação dos músculos do ombro

Ponto 3

Ainda não se sabe se o benefício dura após parar o uso; converse com seu médico sobre incluir TENS no seu plano de cuida

O que este estudo acrescenta

COMPARAÇÃO DIRETA DE PROTOCOLOS

Este é um dos poucos estudos que comparou diretamente os efeitos neuromusculares de TENS de baixa frequência alta intensidade versus alta frequência baixa intensidade em dor miofascial, incluindo análise de coordenação m

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

As melhorias foram consistentes e estatisticamente significativas em múltiplos domínios (dor, função, tônus muscular), com tamanhos de efeito clinicamente perceptíveis em curto prazo. No entanto, a ausência de acompanham

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Participantes foram distribuídos aleatoriamente entre dois grupos de tratamento, o que reduz vieses de seleção, embora a ausência de grupo placebo limite a certeza sobre efeitos es

participantes

30

15 em cada grupo, randomizados

redução média da dor

3,2 pontos

no grupo de baixa frequência alta intensidade, de 4,80 para 1,60

aumento do limiar de dor

8,1 lbf

no grupo de alta frequência baixa intensidade, de 7,80 para 15,90

sessões totais

10

20 minutos, duas vezes ao dia, durante 5 dias

duração mínima da dor

6 meses

critério de inclusão para caracterizar dor crônica

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

síndrome da dor miofascial no trapézio superior

Tipo de estudo

ensaio clínico randomizado

Participantes

30 adultos de 20 a 40 anos, com dor de pelo menos 6 meses

Duração

5 dias de intervenção, sem acompanhamento posterior

Sessões

10 sessões de 20 minutos (2 por dia)

Comparador

dois protocolos ativos de TENS comparados entre si, sem grupo controle placebo

Grupos do estudo

TENS baixa frequência alta intensidade (2-8 Hz, contrações visíveis)TENS alta frequência baixa intensidade (80 Hz, nível sensorial confortável)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

10 sessões no total

Frequência02

2 sessões por dia durante 5 dias consecutivos

Duração da sessão03

20 minutos cada sessão

Pontos / técnica04

eletrodos de 5×5 cm sobre os pontos-gatilho mais palpáveis do trapézio superior, com eletrodo de referência no acrômio; pulso bifásico simétrico

Comparador05

dois protocolos de TENS ativos comparados entre si, sem grupo sham ou placebo

Nota de protocolo06

intensidade individualizada: grupo LFHI usou função mi-Scan para contração visível não dolorosa (25-30 unidades de energia); grupo HFLI usou função mi-TENS para nível sensorial con

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de 20 a 40 anos com dor miofascial no trapézio superior há pelo menos 6 mesesPessoas com pontos-gatilho palpáveis e dor local ou irradiada na regiãoParticipantes com restrição de movimento do pescoçoIndivíduos que não usavam analgésicos e não fizeram fisioterapia no mês anteriorPessoas sem comprometimento neurológico ou lesão estrutural grave

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com hérnia de disco cervical ou radiculopatiaIndivíduos com patologia do ombro que limitasse o movimentoQuem fez tratamento fisioterápico recente ou usava medicação para dorPacientes com histórico de trauma severo na região cervical ou do ombroPessoas fora da faixa etária de 20 a 40 anos ou com condições sistêmicas não controladas

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

intensidade da dor

melhorou significativamente

escala numérica caiu de 4,80 para 1,60 no grupo LFHI e de 3,80 para 1,73 no grupo HFLI

🛡️

limiar de dor à pressão

aumentou significativamente

de 9,40 para 15,74 lbf no grupo LFHI e de 7,80 para 15,90 lbf no grupo HFLI, indicando menor sensibilidade dolorosa

🔄

amplitude de movimento cervical

melhorou em todas as direções

flexão, extensão, inclinação lateral e rotação aumentaram significativamente em ambos os grupos

🧘

tônus muscular do trapézio

reduziu significativamente

de 349,54 para 291,21 N/m no grupo LFHI e de 363,74 para 312,63 N/m no grupo HFLI, indicando menor tensão

atividade muscular do deltoide

aumentou significativamente

maior ativação do deltoide médio durante abdução do ombro, sugerindo recrutamento mais eficiente

⚖️

razão deltoide/trapézio (grupo HFLI)

melhorou significativamente

aumento da relação de 1,06 para 1,22 apenas no grupo de alta frequência, indicando possível melhora na coordenação escapuloumeral

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa entre os dois grupos na maioria dos desfechos, sugerindo eficácia comparável dos protocolos
  • A razão deltoide/trapézio não melhorou significativamente no grupo de baixa frequência alta intensidade
  • Não foi avaliado se os benefícios se mantêm após o término das sessões de tratamento

Quando a melhora apareceu

1

10 sessões de 20 minutos

após 5 dias de tratamento

redução significativa da dor, aumento do limiar de dor à pressão e melhora da mobilidade cervical em ambos os grupos

Antes e depois

dor (escala 0-10) — grupo LFHI

escala máx. 10 pontos

Antes4.8 pontos
Depois1.6 pontos

dor (escala 0-10) — grupo HFLI

escala máx. 10 pontos

Antes3.8 pontos
Depois1.73 pontos

limiar de dor à pressão — grupo LFHI

escala máx. 20 lbf

Antes9.4 lbf
Depois15.74 lbf

limiar de dor à pressão — grupo HFLI

escala máx. 20 lbf

Antes7.8 lbf
Depois15.9 lbf

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Tratamento bem tolerado, sem efeitos adversos relatados nos 30 participantes
  • Técnica não invasiva com risco mínimo quando aplicada corretamente
  • Intensidade ajustada individualmente para garantir conforto
Amarelo
  • Contrações musculares no protocolo de alta intensidade podem causar fadiga se mal conduzidas
  • Uso de dispositivo elétrico requer atenção a contraindicações como marcapasso ou pele lesionada na região
  • Resultados de curto prazo não garantem segurança em uso prolongado sem supervisão
Vermelho
  • Estudo não relatou monitoramento sistemático de eventos adversos nem descreveu critérios de interrupção
  • Ausência de dados sobre segurança em populações especiais como gestantes, pessoas com epilepsia ou distúrbios de condução cardíaca

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos jovens com dor miofascial no pescoço e ombro de pelo menos 6 meses
  • Pessoas com pontos-gatilho palpáveis e restrição de movimento cervical
  • Quem busca tratamento não farmacológico e não invasivo como complemento
  • Indivíduos sem lesões estruturais graves na coluna cervical ou ombro
  • Pacientes que conseguem dedicar tempo para duas sessões diárias de 20 minutos

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com hérnia de disco cervical, radiculopatia ou comprometimento neurológico
  • Quem usa marcapasso ou tem contraindicação para estimulação elétrica
  • Pacientes com dor aguda recente ou trauma não esclarecido na região
  • Indivíduos fora da faixa etária estudada (menores de 20 ou maiores de 40 anos)
  • Quem espera cura definitiva ou substituição para tratamento de condições associadas não abordadas

Expectativa realista

Alívio da dor em uma semana de uso dedicado

Com duas sessões diárias de 20 minutos durante cinco dias, a maioria das pessoas com perfil similar ao do estudo pode esperar redução importante da dor, maior tolerância à pressão na região dolorida e mais liberdade para mover o pescoço

Tempo provável

benefícios mensuráveis após 5 dias de tratamento intensivo

Não se sabe se os ganhos persistem após parar o tratamento; uso contínuo ou manutenção pode ser necessário, e a dor miofascial crônica geralmente exige abordage

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há contraindicações para uso de TENS, como marcapasso, epilepsia ou lesão de pele na região
  2. 2Discutir se a dor é realmente miofascial ou se pode haver causa estrutural ou neurológica associada
  3. 3Verificar se há medicações em uso que possam mascarar a resposta ao tratamento
  4. 4Solicitar orientação sobre ajuste correto de intensidade e posicionamento dos eletrodos
  5. 5Combinar o TENS com outras estratégias como exercícios, postura e técnicas de relaxamento

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

TENS de alta frequência funciona apenas para dor aguda e o de baixa frequência apenas para dor crônica

Achado

Ambos os protocolos reduziram dor crônica de 6 meses ou mais de forma comparável, sem superioridade clara de um sobre o outro neste estudo

Mito

Quanto mais forte a contração muscular, melhor o resultado

Achado

O protocolo sem contrações visíveis (alta frequência baixa intensidade) foi tão efetivo quanto o com contrações, e ainda mostrou vantagem específica na coordenação muscular do ombro

Mito

TENS serve apenas para mascarar a dor temporariamente

Achado

Além da analgesia, houve redução do tônus muscular, melhora da mobilidade e recalibração de padrões de ativação muscular, sugerindo efeitos que vão além do simples alívio sintomático imediato

Como isso pode funcionar

🚪

CONTROLE DE PORTÃO

O TENS de alta frequência (80 Hz) ativa fibras nervosas grossas (Aβ) que, segundo a teoria do portão da dor, podem bloquear a passagem de sinais dolorosos na medula espinal — mecanismo proposto, não diretamente observado

🧠

LIBERAÇÃO DE ENDORFINAS

O TENS de baixa frequência (2-8 Hz) com contrações visíveis pode ativar vias inibitórias descendentes do cérebro, promovendo liberação de endorfinas e encefalinas — mecanismo descrito na literatura de referência do artig

💪

RECALIBRAÇÃO MUSCULAR

Ambos os protocolos reduziram a atividade excessiva do trapézio e elevador da escápula, enquanto aumentaram a ativação do deltoide, sugerindo melhora na coordenação durante o movimento do ombro

🔄

REDUÇÃO DO TÔNUS

A diminuição da rigidez muscular do trapézio superior pode refletir melhora da circulação local e redução do reflexo de proteção mantido pela dor crônica

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os benefícios observados em 5 dias se mantêm semanas ou meses após o término do tratamento
  • ?A ausência de grupo controle placebo ou sham impede saber quanto da melhora seria esperada espontaneamente ou por efeito de regressão à média
  • ?O pequeno tamanho amostral (30 participantes) e a faixa etária restrita limitam a generalização para outras populações
  • ?Não foi investigado se a resposta ao tratamento varia conforme a gravidade inicial, duração da dor ou características individuais dos pontos-gatilho
🎯

O que o estudo quis responder

comparar efeitos de dois tipos de TENS (baixa e alta frequência) na dor e função muscular

👥

QUEM PARTICIPOU

30 adultos com síndrome da dor miofascial no músculo trapézio superior

🧪

COMO FOI FEITO

aplicação de TENS por 20 minutos, duas vezes ao dia, durante 5 dias consecutivos

📈

O QUE MUDOU

redução significativa da dor e melhora da mobilidade cervical em ambos grupos

🛟

SEGURANÇA

tratamento bem tolerado, não invasivo e sem efeitos adversos relatados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

EFICÁCIA COMPARÁVEL INESPERADA

Contrariando a suposição de que mecanismos distintos levariam a resultados diferentes, ambos os protocolos foram igualmente efetivos para dor, mobilidade e tônus muscular — o que dá flexibilidade na escolha do tratamento

🧭

VANTAGEM ESPECÍFICA DA ALTA FREQUÊNCIA

Apenas o TENS de alta frequência baixa intensidade melhorou significativamente a razão de ativação deltoide/trapézio, sugerindo um diferencial na reorganização do padrão muscular durante o movimento do ombro

📌

PROTOCOLO INTENSIVO E CURTO

A melhora expressiva em apenas 5 dias com duas sessões diárias mostra que a frequência de aplicação pode ser mais importante que a duração total, embora isso precise de confirmação em estudos maiores

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Estudo Compara Dois Tipos de TENS no Tratamento da Síndrome da Dor Miofascial

A síndrome da dor miofascial é uma condição dolorosa que afeta os músculos e a fascia, a membrana que os envolve. Quando se desenvolve no músculo trapézio superior — aquele que vai da base do crânio até o ombro —, pode causar dor local intensa, nódulos sensíveis ao toque conhecidos como pontos-gatilho, limitação para mover o pescoço e uma sensação de tensão muscular persistente. Estima-se que até 85% das pessoas experimentem algum tipo de dor miofascial ao longo da vida, o que torna essa condição extremamente comum e relevante para a qualidade de vida de muitos adultos jovens e de meia-idade.

O tratamento da dor miofascial geralmente envolve abordagens conservadoras, e entre elas a estimulação elétrica nervosa transcutânea — mais conhecida como TENS — se destaca por ser não invasiva, portátil e de fácil aplicação. O dispositivo TENS envia pequenos impulsos elétricos através da pele até os nervos subjacentes, e diferentes configurações de frequência e intensidade podem produzir efeitos distintos no organismo. A questão central que motivou esta pesquisa, conduzida por Bae e colaboradores e publicada em 2026, foi justamente comparar duas dessas configurações: a estimulação de baixa frequência com alta intensidade, que provoca contrações musculares visíveis e age por meio da liberação de endorfinas, versus a estimulação de alta frequência com baixa intensidade, que atua mais superficialmente nos nervos sensoriais segundo a teoria do controle de portão da dor.

Para isso, os pesquisadores recrutaram 30 adultos com idades entre 20 e 40 anos, todos diagnosticados com síndrome da dor miofascial no trapézio superior de pelo menos seis meses de duração. Os participantes precisavam apresentar pontos-gatilho palpáveis, movimentação restrita do pescoço e não poderiam estar usando medicamentos para dor, nem ter feito fisioterapia no mês anterior. Foram excluídas pessoas com hérnia de disco cervical, problemas neurológicos, lesões graves no ombro ou histórico de trauma significativo. Os 30 participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 15 pessoas cada, garantindo que a distribuição fosse imparcial.

O grupo de baixa frequência alta intensidade recebeu estimulação elétrica entre 2 e 8 pulsos por segundo, em intensidade suficiente para causar contrações musculares visíveis mas não dolorosas, ajustada individualmente para cada pessoa. O grupo de alta frequência baixa intensidade recebeu estimulação a 80 pulsos por segundo, em nível sensorial confortável, sem contrações visíveis. Em ambos os casos, eletrodos de 5 por 5 centímetros foram posicionados sobre os pontos-gatilho mais evidentes do trapézio superior, com eletrodo de referência próximo ao acrômio da escápula. Cada sessão durava 20 minutos, e foram realizadas duas sessões por dia durante cinco dias consecutivos, totalizando dez aplicações.

Antes e depois do período de tratamento, os pesquisadores avaliaram vários aspectos: a intensidade da dor por escala numérica de 0 a 10, o limiar de dor à pressão com um algômetro — instrumento que mede quanta força a pele suporta antes de sentir dor —, a amplitude de movimento cervical em todas as direções, o tônus muscular do trapézio superior com um miotonômetro, e a atividade elétrica dos músculos durante a abdução do ombro por meio de eletromiografia de superfície. Essa última avaliação permitiu observar não apenas se os músculos estavam mais ou menos ativos, mas também se a coordenação entre eles melhorava.

Os resultados foram expressivos e favoráveis em ambos os grupos. A dor diminuiu significativamente: no grupo de baixa frequência, a média caiu de 4,80 para 1,60 na escala de 0 a 10, enquanto no grupo de alta frequência a redução foi de 3,80 para 1,73. O limiar de dor à pressão aumentou de 9,40 para 15,74 libras-força no primeiro grupo e de 7,80 para 15,90 no segundo, o que significa que os participantes passaram a tolerar muito mais pressão antes de sentir desconforto. A mobilidade do pescoço melhorou em todas as direções — flexão, extensão, inclinação lateral e rotação — em ambos os grupos, sem diferença significativa entre eles.

O tônus muscular do trapézio superior também reduziu de forma importante, indicando menor tensão na região.

A análise da atividade muscular revelou padrões distintos. Em ambos os grupos, houve redução da atividade excessiva do trapézio superior e do elevador da escápula — músculos frequentemente sobrecarregados nessa condição —, acompanhada de aumento da ativação do deltoide médio, que é mais responsável pelo movimento propriamente dito do braço. Isso sugere uma recalibração do padrão de recrutamento muscular, com menos compensação e mais eficiência. Um achado específico do grupo de alta frequência foi o aumento significativo da razão entre a atividade do deltoide e a do trapézio superior, indicando possivelmente uma coordenação muscular mais equilibrada durante a elevação do braço.

Apesar desses resultados promissores, é fundamental interpretá-los com prudência. O estudo teve apenas cinco dias de duração, o que impede qualquer conclusão sobre se os benefícios se mantêm semanas ou meses depois. A amostra de 30 participantes, embora adequada para um estudo piloto, limita a generalização para toda a população com dor miofascial. Além disso, os pesquisadores não controlaram as atividades diárias, posturas de trabalho ou níveis de estresse dos participantes, fatores que poderiam influenciar os resultados.

Não houve grupo controle que não recebesse estimulação, o que dificulta separar o efeito específico do TENS da melhora natural que ocorre com o tempo em algumas pessoas.

Do ponto de vista prático, este estudo oferece informações valiosas para quem convive com dor miofascial no pescoço e ombro. Ele sugere que tanto a configuração de baixa frequência com contrações visíveis quanto a de alta frequência com sensação confortável podem aliviar a dor, melhorar a mobilidade e reduzir a tensão muscular em curto prazo. A escolha entre os protocolos pode considerar a preferência pessoal — algumas pessoas toleram melhor a sensação de contração, outras preferem o estímulo mais suave — e os objetivos individuais, já que a alta frequência mostrou um diferencial na coordenação muscular. O TENS permanece como uma opção acessível, segura e não invasiva, que pode ser usada como complemento a outras estratégias de manejo da dor, como atividade física orientada, atenção à postura e técnicas de relaxamento.

O que fortalece a leitura

  • 1desenho randomizado controlado bem estruturado
  • 2avaliações objetivas incluindo eletromiografia
  • 3protocolo padronizado e reprodutível
  • 4análise de múltiplos desfechos funcionais
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1amostra pequena (30 participantes)
  • 2período de tratamento curto (apenas 5 dias)
  • 3falta de acompanhamento de longo prazo
  • 4não controlou atividades diárias dos participantes

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

30pessoas avaliadas
divisão dos grupos

TENS baixa frequência alta intensidade

15 pessoas

2-8 Hz com contrações musculares visíveis

TENS alta frequência baixa intensidade

15 pessoas

80 Hz em nível sensorial confortável

⏱️ Tempo de acompanhamento: 5 dias

📊 Resultados em números

4.80 para 1.60 pontos

redução dor grupo baixa frequência

3.80 para 1.73 pontos

redução dor grupo alta frequência

9.40 para 15.74 lbf

melhora limiar de dor baixa freq.

7.80 para 15.90 lbf

melhora limiar de dor alta freq.

📊 Comparação de Resultados

redução da dor (escala 0-10)

baixa freq. alta intensidade
3.2
alta freq. baixa intensidade
2.07

aumento do limiar de dor (lbf)

baixa freq. alta intensidade
6.34
alta freq. baixa intensidade
8.1

📅 Linha do tempo da evidência

1965teoria do portão da dor (base para TENS alta frequência)
1979primeiros estudos sobre analgesia por estimulação elétrica
2008evidências sobre efetividade do TENS para dor crônica
2016estudos comparando TENS com outras terapias em dor miofascial
2026estudo atual comparando protocolos de TENS

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Força da evidência

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