participantes
18
9 com pé diabético, 9 com doença arterial periférica
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Frontiers in Medicine
Ano
2024
Autores
Valentini et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo testou se a acupuntura pode melhorar a circulação sanguínea ao redor de feridas que não cicatrizam, em pessoas com diabetes ou problemas nas artérias das pernas. A acupuntura foi aplicada no tórax e mostrou melhorar o fluxo de sangue próximo às feridas. Embora sejam resultados promissores, ainda não sabemos se isso realmente ajuda as feridas a cicatrizarem mais rápido.
Título original do estudo: Can acupuncture increase microcirculation in peripheral artery disease and diabetic foot syndrome? – a pilot study
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Uma única sessão de acupuntura no tórax melhorou temporariamente a microcirculação ao redor de feridas crônicas em pacientes com diabetes e doença arterial periférica, mas não se sabe se isso leva à cicatrização real ou benefício clínico duradouro.
Este estudo testou se a acupuntura pode melhorar a circulação sanguínea ao redor de feridas que não cicatrizam, em pessoas com diabetes ou problemas nas artérias das pernas. A acupuntura foi aplicada no tórax e mostrou melhorar o fluxo de sangue próximo às feridas. Embora sejam resultados promissores, ainda não sabemos se isso realmente ajuda as feridas a cicatrizarem mais rápido.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Em um pequeno estudo piloto, uma sessão rápida aumentou o fluxo sanguíneo na pele ao redor de feridas crônicas de diabetes e doença arterial — mas ainda não se sabe se isso ajuda a
Ponto 1
Melhora foi imediata e mensurável, não comprovada na cicatrização real
Ponto 2
Técnica usou pontos no tórax, não perto da ferida
Ponto 3
Falta pesquisa maior com grupo de comparação para confirmar o efeito
O que este estudo acrescenta
Estudos anteriores avaliaram acupuntura e microcirculação em outras regiões ou condições; este é o primeiro a testar pontos torácicos específicos para melhorar a circulação ao redor de feridas crônicas em pé diabético e
Aplicabilidade clínica
A melhoria biológica na microcirculação é mensurável e estatisticamente significativa, mas o estudo não demonstra se esse efeito se traduz em cicatrização mais rápida, redução de dor, menor risco de amputação ou qualquer
Força do desenho do estudo
Pesquisa exploratória que testa uma ideia em poucos participantes, sem grupo comparativo, servindo de base para estudos maiores — não estabelece causalidade nem eficácia.
participantes
18
9 com pé diabético, 9 com doença arterial periférica
parâmetros que melhoraram com unilateral
7 de 8
todos exceto saturação de oxigênio superficial
parâmetros que melhoraram com bilateral
8 de 8
incluindo o parâmetro que não respondeu à unilateral
duração da sessão
~5 min
agulhamento único, sem retenção das agulhas
eventos adversos
0
durante a sessão, embora o acompanhamento tenha sido muito breve
Ficha rápida do estudo
Condição
Feridas crônicas não cicatrizantes em pé diabético e doença arterial periférica
Tipo de estudo
Estudo piloto prospectivo, não controlado
Participantes
18 pacientes internados (9 com pé diabético, 9 com doença arterial periférica),
Duração
Sessão única de 5 minutos, com medições antes e até 10 minutos após
Sessões
1 sessão
Comparador
Nenhum — comparação pré-pós na mesma sessão
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1
Aplicação única
Aproximadamente 5 minutos
Pontos Estômago 14 e 15 no tórax, na linha mamilar; técnica de 'bicar do pardal' com agulhas de 0,3×5 mm, inserção total sem retenção
Nenhum — cada paciente serve como próprio controle (medição pré e pós)
Aplicada unilateralmente (ipsilateral à ferida) em 8 pacientes e bilateralmente em 10; sem busca por de qi ou outras intervenções associadas
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Fluxo sanguíneo superficial
melhorou
Aumento significativo na camada de 3 mm de profundidade após acupuntura unilateral e bilateral
Fluxo sanguíneo profundo
melhorou
Aumento significativo na camada de 8 mm com ambas as técnicas; maior ganho com bilateral
Velocidade do fluxo
melhorou
Melhora em ambas as profundidades, mais pronunciada com agulhamento bilateral
Quantidade de hemoglobina
melhorou
Aumento significativo em ambas as profundidades, indicando mais sangue na região
Saturação de oxigênio profunda
melhorou
Melhora significativa na camada de 8 mm; superficial só com bilateral
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Durante a sessão
Imediatamente após agulhamento unilateral
7 de 8 parâmetros de microcirculação melhoraram significativamente
Durante a sessão
Após agulhamento bilateral
Todos os 8 parâmetros melhoraram, incluindo saturação de oxigênio superficial
Antes e depois
Fluxo sanguíneo superficial (AU)
escala máx. 25 AU de variação
Fluxo sanguíneo profundo (AU)
escala máx. 25 AU de variação
Fluxo sanguíneo profundo bilateral (AU)
escala máx. 25 AU de variação
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Se houver efeito, ele parece ser imediato e mensurável nos vasos sanguíneos da pele ao redor da ferida — não na ferida em si.
Tempo provável
Os efeitos foram observados durante e logo após a sessão de 5 minutos; não se sabe quanto duram.
Este estudo não provou que feridas cicatrizam mais rápido, nem que a acupuntura deve substituir tratamentos padronizados.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Acupuntura cura feridas diabéticas e evita amputação
Achado
O estudo mostrou apenas melhoria temporária na circulação ao redor da ferida, sem avaliar cicatrização real ou desfechos clínicos
Mito
Precisa agulhar perto da ferida para funcionar
Achado
Os pontos usados foram no tórax, longe da ferida, com base na teoria dos meridianos da medicina chinesa
Mito
Quanto mais sessões, melhor o resultado
Achado
O estudo usou apenas uma sessão de 5 minutos; não se sabe se múltiplas sessões ajudariam mais ou se o efeito persiste
Mito
Acupuntura funciona igual para pé diabético e doença arterial
Achado
Houve diferenças nos padrões de resposta: pé diabético respondeu melhor nas camadas superficiais, doença arterial nas profundas
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO NO TÓRAX
Agulhas inseridas nos pontos Estômago 14 e 15, na linha mamilar — região do meridiano que, na teoria chinesa, se estende até o pé
MODULAÇÃO NERVOSA (PROPOSTA)
Os autores sugerem que o efeito provavelmente ocorre via sistema nervoso autônomo, que regula a dilatação dos vasos e a perfusão sanguínea — não por ação direta local
VASODILATAÇÃO PERIFÉRICA
Liberação de óxido nítrico e outros mediadores (hipótese baseada em literatura) pode dilatar microvasos na pele ao redor da ferida
MAIS OXIGÊNIO E NUTRIENTES
Aumento do fluxo sanguíneo, velocidade e hemoglobina na região — melhorando as condições para que células de reparo trabalhem, embora a cicatrização em si não tenha sido demonstrada
O que ainda é incerto
Verificar se acupuntura melhora microcirculação ao redor de feridas crônicas
18 pacientes com feridas que não cicatrizam por diabetes ou doença arterial
Agulhamento em pontos do tórax, medição do fluxo sanguíneo antes e depois
Melhora significativa em 7 dos 8 parâmetros de circulação local
Nenhum evento adverso relatado durante o tratamento
Achados Interessantes
AGULHAR O TÓRAX PARA AJUDAR O PÉ
Ao contrário do que se poderia imaginar, os pontos que funcionaram não estavam nas pernas, mas no peito — na linha do meridiano do Estômago, que na teoria chinesa conecta-se ao dorso do pé
BILATERAL PARECE MELHOR QUE UNILATERAL
Agulhar apenas o lado da ferida já ajudou, mas agulhar ambos os lados do tórax trouxe melhora em todos os parâmetros, sugerindo um efeito de soma ou ativação mais ampla do sistema
DOENÇAS DIFERENTES, RESPOSTAS DIFERENTES
Pé diabético e doença arterial não responderam igual: o primeiro melhorou mais na superfície da pele, o segundo tendeu a melhorar mais nas camadas profundas — pista de que o mecanismo de ação pode precisar ser personaliz
Resumo detalhado em linguagem acessível
A doença arterial periférica e o diabetes mellitus representam dois grandes desafios de saúde pública mundial, afetando milhões de pessoas e gerando complicações graves que podem levar à amputação de membros inferiores. O diabetes atinge atualmente cerca de meio bilhão de pessoas no mundo, com projeções de crescimento para mais de três quartos de bilhão até 2045. Da mesma forma, a doença arterial periférica apresenta prevalência crescente, especialmente em pessoas acima de 80 anos, onde pode atingir mais de 20% da população. Uma das complicações mais temidas dessas condições é o desenvolvimento da síndrome do pé diabético e feridas crônicas que não cicatrizam adequadamente.
Essas feridas representam um verdadeiro dilema médico, pois frequentemente não respondem aos tratamentos convencionais e podem evoluir para infecções graves, necessitando de amputações. A circulação sanguínea deficiente, tanto nos grandes vasos quanto na microcirculação, é considerada um fator crucial para o processo de cicatrização, tornando urgente a busca por novas abordagens terapêuticas.
Este estudo piloto teve como objetivo investigar se a acupuntura pode melhorar a microcirculação em pacientes com síndrome do pé diabético e doença arterial periférica. Os pesquisadores conduziram um estudo prospectivo com 18 pacientes internados em um hospital alemão, sendo 9 com síndrome do pé diabético e 9 com doença arterial periférica, todos apresentando feridas crônicas que não cicatrizavam. A metodologia envolveu a aplicação de acupuntura em pontos específicos do tórax, entre os pontos Estômago 14 e Estômago 15, localizados na região do peito. Essa escolha seguiu princípios da medicina tradicional chinesa, considerando que esses pontos estão conectados ao meridiano do Estômago, que se estende até os pés.
A técnica utilizada foi relativamente simples, com agulhas muito finas inseridas por apenas 5 minutos, sem retenção prolongada. Os pesquisadores mediram oito parâmetros diferentes da microcirculação usando um equipamento chamado O2C, que combina laser Doppler e espectroscopia de luz branca, permitindo avaliar a saturação de oxigênio, quantidade de hemoglobina, fluxo sanguíneo e velocidade do sangue em diferentes profundidades da pele próxima à ferida.
Os resultados obtidos foram positivos e estatisticamente significativos. Após a aplicação da acupuntura em apenas um lado do corpo (ipsilateral ao lado da ferida), houve melhora significativa em sete dos oito parâmetros de microcirculação medidos. Quando a acupuntura foi aplicada bilateralmente (em ambos os lados do corpo), todos os oito parâmetros apresentaram melhora estatisticamente significativa em comparação com as medições iniciais. Isso significa que o fluxo sanguíneo, a oxigenação dos tecidos e outros indicadores de saúde vascular melhoraram de forma mensurável nas proximidades das feridas.
Os efeitos foram observados tanto em profundidade superficial quanto profunda da pele, sugerindo um impacto abrangente na microcirculação local. Interessantemente, os pesquisadores também observaram diferenças na resposta entre pacientes diabéticos e aqueles com doença arterial periférica, com os diabéticos mostrando melhor resposta nas medições superficiais e os pacientes com doença arterial periférica respondendo melhor nas medições profundas.
Estas descobertas têm implicações clínicas potencialmente importantes para pacientes e profissionais de saúde. A melhora demonstrada na microcirculação pode representar um passo fundamental no processo de cicatrização de feridas crônicas, já que a circulação sanguínea adequada é essencial para fornecer oxigênio e nutrientes necessários para a regeneração tecidual. Para os pacientes, isso pode significar uma nova opção terapêutica complementar, segura e de baixo custo, que poderia ser facilmente integrada ao tratamento convencional. Para os profissionais de saúde, especialmente aqueles que trabalham com pacientes diabéticos ou com problemas circulatórios, a acupuntura pode representar uma ferramenta adicional valiosa no arsenal terapêutico, especialmente em casos onde as opções convencionais se mostram limitadas.
A simplicidade da técnica, requerendo apenas uma sessão de 5 minutos, torna-a potencialmente viável tanto para pacientes internados quanto ambulatoriais.
É importante reconhecer as limitações significativas deste estudo piloto. O tamanho da amostra foi pequeno, com apenas 18 participantes, e não incluiu um grupo controle, o que limita a capacidade de tirar conclusões definitivas sobre a eficácia da acupuntura. Além disso, o estudo mediu apenas os efeitos imediatos da acupuntura, sem acompanhar os pacientes por um período mais longo para verificar se os benefícios se mantêm ao longo do tempo ou se realmente resultam em cicatrização mais rápida das feridas. Os mecanismos pelos quais a acupuntura produz esses efeitos na microcirculação ainda não são completamente compreendidos, embora os pesquisadores sugiram que podem estar relacionados à regulação do sistema nervoso autônomo.
Estudos futuros precisarão incluir grupos controle maiores, diferentes técnicas de aplicação da acupuntura e, principalmente, avaliar se essas melhorias na microcirculação se traduzem em cicatrização real das feridas e melhores resultados clínicos para os pacientes. Apesar dessas limitações, este estudo representa um primeiro passo promissor na investigação de uma abordagem complementar potencialmente valiosa para um problema de saúde complexo e desafiador.
Pé diabético
9 pessoas
acupuntura unilateral ou bilateral
Doença arterial periférica
9 pessoas
acupuntura unilateral ou bilateral
Melhora significativa após acupuntura unilateral
Melhora significativa após acupuntura bilateral
Eventos adversos
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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