Estudo científico comentado

Novo bloqueio fascial paravertebral guiado por ultrassom para dores no pescoço e nas costas

Referência acadêmica

Periódico

American Journal of Emergency Medicine

Ano

2026

Autores

Aulia et al.

Desenho

estudo observacional retrospectivo

Este estudo testou uma nova técnica para tratar dores musculares no pescoço e nas costas que não melhoravam com remédios comuns. Os médicos injetaram anestésico local entre as camadas que envolvem os músculos, usando ultrassom para guiar a agulha. Todos os pacientes sentiram alívio significativo da dor, que se manteve por pelo menos dois dias. Embora promissor, este é um estudo pequeno que precisa ser confirmado por pesquisas maiores.

Título original do estudo: The paravertebral fascial plane block: A novel, ultrasound-guided technique for paraspinal neck and back pain

📊estudo observacional retrospectivo👥n=11 participantes🟡impacto clínico promissor
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em 11 pacientes com dor miofascial paravertebral refratária, bloqueio fascial guiado por ultrassom reduziu dor intensa (9/10) para leve (1-3/10) sem complicações, mas evidência ainda é preliminar e carece de grupo controle e acompanhamento prolongado.

O que isso significa para você?

Este estudo testou uma nova técnica para tratar dores musculares no pescoço e nas costas que não melhoravam com remédios comuns. Os médicos injetaram anestésico local entre as camadas que envolvem os músculos, usando ultrassom para guiar a agulha. Todos os pacientes sentiram alívio significativo da dor, que se manteve por pelo menos dois dias. Embora promissor, este é um estudo pequeno que precisa ser confirmado por pesquisas maiores.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você tem dor persistente no pescoço ou costas que não melhora com remédios comuns, existem abordagens inovadoras sendo estudadas — mas ainda em fase inicial de evidência
  • 2A técnica descrita requer médico com treinamento específico em ultrassom e não está disponível em todos os locais de atendimento
  • 3O alívio pode ser rápido, mas não há garantia de duração prolongada; dor miofascial geralmente exige manejo multifatorial a longo prazo
  • 4Não hesite em perguntar sobre alternativas não invasivas, reabilitação e mudanças posturais antes de procedimentos injetáveis
  • 5Mantenha expectativas realistas: este é um estudo pequeno, sem grupo de comparação, que aponta para uma direção promissora, mas não estabelece tratamento definitivo
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor tem características que sugerem origem miofascial, ou poderia haver outra causa que ainda não foi investigada?
  • 2Quais alternativas de tratamento menos invasivas ainda não experimentei antes de considerar este procedimento?
  • 3O médico que me atenderá tem experiência específica com bloqueios fasciais guiados por ultrassom, e quantas vezes já realizou esta técnica?
  • 4Se eu fizer o procedimento e a dor voltar, qual será o próximo passo no meu plano de tratamento?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhuma complicação foi relatada neste pequeno grupo de 11 pacientes, mas estudos maiores são necessários para confirmar segurança em populações mais amplas
  • 2O procedimento envolve agulha perto da coluna e costelas; embora guiado por ultrassom, riscos como pneumotórax, infecção ou lesão vascular existem teoricamente e foram insuficiente
  • 3Dexametasona foi usada na maioria dos casos; pacientes com diabetes, imunossupressão ou outros fatores de risco devem discutir individualmente o uso de corticoide
  • 4Amostra pequena e curta duração do acompanhamento significam que efeitos tardios ou raros podem não ter sido detectados

Leitura rápida para pacientes

Promessa inicial para dor refratária

Nova técnica de injeção guiada por ultrassom na fáscia das costas e pescoço mostrou alívio rápido e sustentado por 2 dias em 11 pacientes, sem complicações

Ponto 1

Dor intensa (9/10) caiu para leve (1-3/10) logo após o procedimento

Ponto 2

Técnica é minimamente invasiva e mais superficial que injeções tradicionais profundas

Ponto 3

Ainda é estudo pequeno e preliminar — precisa de confirmação em pesquisas maiores

O que este estudo acrescenta

NOVA ABORDAGEM

Primeira descrição sistemática de bloqueio fascial paravertebral aplicável a todos os níveis da coluna (cervical, torácico e lombar), combinando hidrodissseção, anestesia e agulhamento guiados por ultrassom

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A magnitude da redução da dor é clinicamente importante (grande efeito), mas a ausência de grupo controle, amostra mínima e acompanhamento muito curto restringem a confiança na causalidade e na generalização para a práti

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Relato de uma pequena sequência de pacientes tratados da mesma forma, sem grupo de comparação, útil para gerar hipóteses mas insuficiente para provar eficácia ou estabelecer padrão

pacientes tratados

11

tamanho da amostra, todos em centro único

redução da dor na alta

67%

queda relativa média na escala numérica de dor

redução da dor em 24-48h

89%

queda relativa em relação ao valor inicial, em 10 pacientes com acompanhamento

pacientes com alívio sustentado

80%

8 de 10 pacientes mantiveram ou melhoraram o alívio obtido na alta

complicações

0

nenhum evento adverso relatado, mas amostra pequena limita detecção de raros

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

síndrome da dor miofascial paravertebral refratária (cervical, torácica ou lombar)

Tipo de estudo

coorte observacional retrospectiva

Participantes

11 pacientes adultos, mediana de 48 anos, 64% mulheres

Duração

acompanhamento de 24 a 48 horas após alta do pronto-socorro

Sessões

1 sessão única por paciente

Comparador

nenhum grupo controle; comparação antes e depois do procedimento na mesma coorte

Grupos do estudo

bloqueio fascial paravertebral (PFPB) — todos os participantes

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 sessão única

Frequência02

procedimento único, sem repetição programada no estudo

Duração da sessão03

não especificada; observação pós-procedimento de pelo menos 30 minutos

Pontos / técnica04

injeção ultrassom-guiada no plano fascial entre músculo superficial e eretor da espinha, com bupivacaína, soro fisiológico (15-80 mL) e dexametasona (2-8 mg), seguida de agulhament

Comparador05

sem comparador ativo — apenas comparação intra-individual antes e depois

Nota de protocolo06

volume de soro ajustado conforme extensão da dor; dexametasona omitida a pedido do paciente; técnica variou entre níveis cervicais, torácicos e lombares

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com dor paravertebral focal e sensibilidade à palpação, sem causa estrutural identificadaPacientes que não obtiveram alívio com analgésicos orais e intravenosos padrão do pronto-socorroPacientes com histórico documentado de dor miofascial paravertebral recorrente e refratáriaIndivíduos com dor em qualquer nível da coluna: cervical (18%), torácico (36%) ou lombar (45%)Pacientes que aceitaram procedimento guiado por ultrassom após discussão médicaCasos unilaterais e bilaterais (45% dos pacientes receberam bloqueio bilateral)

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adolescentes menores de 18 anosPacientes com fraturas vertebrais, infecção de pele sobrejacente ou radiculopatia confirmadaGestantes ou indivíduos com contraindicações a anestésicos locais ou corticoidesPacientes que não puderam ser acompanhados por telefone em 24-48 horas (1 dos 11)Indivíduos atendidos fora de centro acadêmico terciário com médicos treinados em ultrassom avançado

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

intensidade da dor

reduziu substancialmente

de 9/10 (intensa) para 3/10 na alta e 1/10 em 24-48h, com diferenças estatisticamente significativas

⏱️

rapidez do alívio

melhorou

alívio perceptível já na alta do pronto-socorro, sem necessidade de múltiplas doses de analgésicos orais

🔄

sustentação do benefício

melhorou

80% dos pacientes com dados de acompanhamento mantiveram ou ampliaram o alívio após 24-48 horas

🏥

retorno ao pronto-socorro

reduziu

nenhum paciente retornou à emergência em 48h, sugerindo estabilidade clínica inicial

O que não mudou

  • Não houve avaliação de função física, qualidade de vida ou capacidade de trabalho/atividades diárias
  • Não se investigou se o efeito se manteria além de 48 horas, nem taxas de recidiva em semanas ou meses
  • Não foi possível determinar qual componente da intervenção (anestésico, soro, dexametasona ou agulhamento) foi mais determinante para o resultado

Quando a melhora apareceu

1

alta do pronto-socorro

imediato após o procedimento

redução média de 9/10 para 3/10 na escala de dor, com 67% de redução relativa

2

24 a 48 horas

sustentação ou aprofundamento

redução média para 1/10, com 80% dos pacientes mantendo ou melhorando o alívio obtido na alta

Antes e depois

dor média (escala 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes9 pontos
Depois3 pontos

dor média em 24-48h (escala 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes9 pontos
Depois1 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhuma complicação ou evento adverso em 11 procedimentos
  • Nenhum caso de toxicidade sistêmica por anestésico local
  • Nenhum retorno à emergência em 48 horas por problemas relacionados ao procedimento
Amarelo
  • Procedimento realizado apenas por médicos com treinamento avançado em ultrassom; curva de aprendizado pode afetar segurança em outras mãos
  • Uso de corticoide (dexametasona) em alguns pacientes, com perfil de risco individual a considerar
  • Volumes variáveis de soro e anestésico, sem padronização definitiva estabelecida
Vermelho
  • Amostra muito pequena para detectar eventos raros como pneumotórax, infecção ou lesão vascular
  • Segurança em populações mais amplas, comorbidades ou uso anticoagulante não estabelecida
  • Ausência de dados sobre efeitos a longo prazo da hidrodissseção ou do agulhamento fascial repetido

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pacientes com dor miofascial paravertebral focal, sem causa estrutural identificada por exame clínico ou imagem
  • Indivíduos que não obtiveram alívio adequado com analgésicos orais e intravenosos convencionais
  • Pacientes com histórico de dor recorrente e refratária na região do pescoço, costas ou lombar
  • Pessoas que buscam alternativa não farmacológica ou complementar para crises agudas de dor miofascial
  • Pacientes com acesso a centros médicos com profissionais experientes em procedimentos guiados por ultrassom

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com dor de origem claramente estrutural (fraturas, hérnias discas com compressão nervosa, infecções)
  • Indivíduos com contraindicações a anestésicos locais, alergias conhecidas ou distúrbios de coagulação não controlados
  • Gestantes, pois segurança nesta população não foi avaliada
  • Pacientes que esperam cura definitiva ou solução de longo prazo baseada apenas nesta evidência inicial
  • Pessoas sem acesso a centros com infraestrutura de ultrassom e profissionais treinados na técnica específica

Expectativa realista

Alívio rápido, mas provisório

Se a técnica for indicada e bem-sucedida, você pode sentir redução significativa da dor ainda na saída do atendimento, com possível manutenção por alguns dias. Não se trata de cura definitiva da dor miofascial.

Tempo provável

melhora em minutos a horas após o procedimento; dados de sustentação disponíveis apenas para 24-48 horas

Não se sabe se o efeito supera simplesmente aguardar com analgésicos, pois não houve grupo comparativo recebendo tratamento padrão sem o bloqueio

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se sua dor tem características de origem miofascial e se exames já descartaram causas estruturais (fratura, hérnia, infecção)
  2. 2Questione se você já tentou analgésicos orais e/ou tópicos adequadamente e por tempo suficiente antes de considerar procedimento invasivo
  3. 3Verifique se o médico tem experiência específica em bloqueios guiados por ultrassom e se já realizou esta técnica em outras ocasiões
  4. 4Discuta os componentes da injeção (anestésico, soro, corticoide) e se há algum motivo para você evitar algum deles
  5. 5Pergunte sobre plano de acompanhamento: como será avaliado o resultado, o que fazer se a dor retornar, e quando buscar reavaliação

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Injeções em músculos são sempre o melhor tratamento para dor miofascial

Achado

Evidências recentes questionam injeções intramusculares tradicionais; este estudo explora mirar a fáscia, não o músculo, com resultados preliminares favoráveis

Mito

Bloqueios para dor nas costas precisam ser profundos e arriscados

Achado

Esta técnica é mais superficial que abordagens tradicionais, teoricamente mais segura, embora isso precise de confirmação em estudos maiores

Mito

Qualquer médico pode fazer este procedimento com resultados similares

Achado

O estudo foi realizado por médicos emergencistas com fellowship em ultrassom; a segurança e eficácia em outras mãos são desconhecidas

Mito

O alívio da dor prova que a técnica funciona como descrito

Achado

Sem grupo controle, não se pode descartar efeito placebo, ação dos analgésicos prévios ou melhora espontânea; os mecanismos propostos são hipotéticos

Como isso pode funcionar

🔍

LOCALIZAÇÃO

Ultrassom identifica o plano fascial entre músculos superficiais e o eretor da espinha, evitando estruturas mais profundas

💧

HIDRODISSSEÇÃO

Injeção de soro fisiológico separa camadas fasciais — pode romper adesões e diluir substâncias inflamatórias (mecanismo proposto, não comprovado)

🎯

ANESTESIA LOCAL

Bupivacaína bloqueia terminações nervosas dolorosas na fáscia, com possível espalhamento ampliado pelo soro

🔄

AGULHAMENTO

Múltiplas passagens da agulha através das fascias visam perfurar adesões e facilitar distribuição do medicamento (efeito mecânico especulativo)

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe qual componente da mistura injetada é mais importante para o alívio: anestésico, soro, corticoide ou o agulhamento mecânico
  • ?Desconhece-se se o benefício persistiria além de 48 horas, qual seria a frequência ideal de repetição e se há riscos cumulativos
  • ?Sem grupo controle, é impossível estimar quanto da melhora se deve à técnica em si, a efeito placebo, a analgésicos prévios ou a evolução natural
  • ?A técnica foi desenvolvida e aplicada em único centro acadêmico por especialistas; sua reprodutibilidade em outros contextos clínicos é incerta
🎯

O que o estudo quis responder

testar nova técnica de bloqueio fascial para síndrome da dor miofascial paravertebral refratária

👥

QUEM PARTICIPOU

11 pacientes com dor no pescoço e costas que não responderam ao tratamento convencional

🧪

COMO FOI FEITO

injeção guiada por ultrassom entre camadas fasciais dos músculos paravertebrais

📈

O QUE MUDOU

dor diminuiu de 9/10 para 3/10 na alta e para 1/10 após 24-48 horas

🛟

SEGURANÇA

nenhuma complicação ou evento adverso foi relatado

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

MIRAR A FÁSCIA, NÃO O MÚSCULO

Em vez de injetar no músculo como nas técnicas tradicionais, esta abordagem alveja o plano entre as camadas fasciais, onde há alta concentração de nervos dolorosos — uma mudança de paradigma com respaldo anatômico cresce

🧭

VERSATILIDADE ESPINHAL

Ao contrário de técnicas fasciais anteriores limitadas a regiões específicas, o PFPB pode ser aplicado de forma reprodutível no pescoço, tórax e lombar, usando a mesma lógica anatômica

📌

MULTIMODALIDADE PROPOSITAL

A técnica combina quatro elementos distintos (anestésico, soro, corticoide e agulhamento mecânico), mas o estudo não conseguiu determinar qual é o mais importante — deixando questões abertas para pesquisas futuras

🛡️

SEGURANÇA EM NÚMEROS PEQUENOS

Nenhuma complicação em 11 procedimentos, incluindo níveis torácicos onde pneumotórax é temido, sugere perfil de segurança favorável, embora não definitivo

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Novo bloqueio fascial paravertebral guiado por ultrassom para dores no pescoço e nas costas

A dor miofascial paravertebral — aquela tensão e dor persistentes nos músculos ao longo da coluna, no pescoço, nas costas ou na lombar — é uma das queixas mais frequentes em prontos-socorros e consultórios médicos. Estima-se que até 85% dos adultos experimentem algum episódio desse tipo ao longo da vida. Apesar de tão comum, o tratamento convencional muitas vezes deixa a desejar: analgésicos orais como paracetamol e anti-inflamatórios nem sempre oferecem alívio adequado, e suas doses repetidas ou prolongadas carregam riscos como problemas no fígado, sangramento gastrointestinal e efeitos renais. Já as injeções em pontos-gatilho, técnica tradicional que aplica medicamento diretamente em pontos doloridos dos músculos, têm evidências controversas — um grande estudo recente mostrou que, para dor lombar miofascial, elas não foram superiores a analgésicos orais.

Além disso, injeções profundas no pescoço e no tórax, quando mal guiadas, podem causar pneumotórax, complicação grave que exige atenção imediata.

Nesse cenário, um grupo de médicos do Hospital da Universidade da Pensilvânia desenvolveu e testou uma abordagem diferente: em vez de mirar o músculo em si, mirar a fáscia — a membrana de tecido conjuntivo que envolve e separa os músculos, historicamente vista apenas como estrutura de sustentação, mas hoje reconhecida como rica em terminações nervosas dolorosas e potencialmente central na manutenção da dor miofascial. A técnica, batizada de bloqueio do plano fascial paravertebral (PFPB, na sigla em inglês), foi descrita em um estudo observacional retrospectivo publicado no American Journal of Emergency Medicine em 2026.

O estudo analisou 11 pacientes atendidos no pronto-socorro entre setembro de 2024 e agosto de 2025. Todos tinham dor paravertebral focal — no pescoço, tórax ou lombar — com características de síndrome da dor miofascial, ou seja, tensão e sensibilidade à palpação na região paraespinhal, sem infecção de pele, fraturas, hérnias discais com radiculopatia ou outras causas estruturais identificadas. A maioria (8 de 11) já havia recebido analgésicos padrão do pronto-socorro sem obter alívio satisfatório; três tinham histórico documentado de dor miofascial recorrente e refratária e optaram pelo procedimento diretamente.

A intervenção foi realizada por médicos emergencistas com treinamento avançado em ultrassom. Usando o ultrassom para visualização em tempo real, o médico identificava o plano fascial entre o músculo superficial (trapézio, romboide ou latíssimo do dorso, dependendo do nível da coluna) e o músculo eretor da espinha, mais profundo. Nesse espaço, injetava-se uma solução contendo anestésico local (bupivacaína), soro fisiológico e, na maioria dos casos, dexametasona — um corticoide com ação anti-inflamatória local. O volume variou de 15 a 80 mL de soro, conforme a extensão da dor.

Em seguida, a agulha realizava múltiplas passagens através das camadas fasciais, técnica chamada de agulhamento fascial, sempre sob visualização ultrassônica. Após o procedimento, os pacientes ficavam em observação por pelo menos 30 minutos.

Os resultados, embora preliminares, foram consistentemente favoráveis. A dor média antes do procedimento era de 9 em uma escala de 0 a 10 — dor intensa, próxima ao máximo tolerável. Na alta do pronto-socorro, essa média caiu para 3, representando redução de 67%. Nas ligações de acompanhamento entre 24 e 48 horas (10 dos 11 pacientes — um não pôde ser contatado), a dor média era de apenas 1, ou seja, redução de 89% em relação ao início.

Oito dos dez pacientes com seguimento relataram manutenção ou até melhora adicional do alívio obtido na alta. Nenhum paciente precisou retornar ao pronto-socorro nas 48 horas seguintes.

Quanto à segurança, nenhuma complicação foi registrada — nem toxicidade sistêmica por anestésico local, nem pneumotórax, nem infecção. A técnica, por ser mais superficial que abordagens profundas como o bloqueio do plano do eretor da espinha, teoricamente oferece margem adicional de segurança, embora isso precise de confirmação em estudos maiores.

Os autores são cuidadosos em suas conclusões. Reconhecem que o estudo é pequeno, sem grupo controle, retrospectivo e de centro único, com acompanhamento muito curto. Não se sabe se o benefício observado superaria o de cuidados usuais, nem qual componente da mistura injetada foi mais importante — o anestésico, o soro, a dexametasona ou o agulhamento fascial. Também não se pode excluir influência de analgésicos tomados antes ou depois do procedimento.

A hipótese mecanicista é que a hidrodissseção com soro rompa adesões fasciais, dilua mediadores inflamatórios, restaure o deslizamento entre camadas teciduais e promova espalhamento do anestésico; o agulhamento adicional perfuraria adesões; e a dexametasona atuaria localmente contra a inflamação. Mas esses mecanismos permanecem especulativos, como os próprios autores enfatizam.

Para pacientes com dor miofascial paravertebral refratária, o estudo oferece uma sinalização promissora: existe uma técnica minimamente invasiva, bem tolerada, que pode proporcionar alívio rápido e sustentado por pelo menos 48 horas. No entanto, trata-se de evidência inicial, que demanda replicação em estudos prospectivos, randomizados e com maior número de participantes antes que possa ser considerada padrão de cuidado. A decisão de indicar essa técnica deve ser individualizada, feita por médicos com experiência em procedimentos guiados por ultrassom, e com clara discussão dos limites do conhecimento atual.

O que fortalece a leitura

  • 1técnica minimamente invasiva
  • 2alívio rápido e sustentado da dor
  • 3sem complicações observadas
  • 4aplicável a diferentes regiões da coluna
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1amostra muito pequena
  • 2sem grupo controle
  • 3acompanhamento muito curto
  • 4realizado em centro único especializado

Leitura clínica do estudo

LIMITADA
45/ 100
Desenho
2/5
Amostra
1/5
Confirmação
1/5

🔬 Como o estudo foi organizado

11pessoas avaliadas
divisão dos grupos

bloqueio fascial paravertebral

11 pessoas

injeção ultrassom-guiada com anestésico local, solução salina e dexametasona

⏱️ Tempo de acompanhamento: acompanhamento de 24 a 48 horas

📊 Resultados em números

0%

redução da dor na alta hospitalar

0%

redução da dor em 24-48h

0%

pacientes com alívio sustentado

0

complicações

Destaques percentuais

67%
redução da dor na alta hospitalar
89%
redução da dor em 24-48h
80%
pacientes com alívio sustentado

📊 Comparação de Resultados

escala numérica de dor (0-10)

pré-procedimento
9
alta hospitalar
3
24-48 horas
1

📅 Linha do tempo da evidência

2020evidências crescentes sobre o papel da fáscia na dor miofascial
2023estudos prévios sobre bloqueios interfasciais em outras regiões
2024desenvolvimento da técnica do bloqueio fascial paravertebral
2025coleta de dados e análise dos primeiros casos
2026publicação dos resultados preliminares da nova técnica

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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