Participantes incluídos
97
de 882 triados; meta de 174-210 não alcançada
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Oral & Facial Pain and Headache
Ano
2020
Autores
Lindfors et al.
Desenho
ensaio clínico controlado
Este estudo mostra que exercícios simples para a mandíbula podem ser tão eficazes quanto uma placa de mordida para tratar dores nos músculos da face. Os exercícios também ajudaram a reduzir dores de cabeça e a necessidade de tomar analgésicos. Além disso, o tratamento com exercícios é mais econômico, requer menos consultas e pode ser feito em casa pelo próprio paciente.
Título original do estudo: Effect of Therapeutic Jaw Exercises in the Treatment of Masticatory Myofascial Pain: A Randomized Controlled Study
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Exercícios mandibulares simples, realizados em casa, reduziram a dor durante movimentos da mandíbula, a frequência de dores de cabeça e o uso de analgésicos em adultos com dor miofascial crônica, com resultados comparáveis à placa oclusal noturna e menor custo
Este estudo mostra que exercícios simples para a mandíbula podem ser tão eficazes quanto uma placa de mordida para tratar dores nos músculos da face. Os exercícios também ajudaram a reduzir dores de cabeça e a necessidade de tomar analgésicos. Além disso, o tratamento com exercícios é mais econômico, requer menos consultas e pode ser feito em casa pelo próprio paciente.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Movimentos regulares de relaxamento e alongamento, ensinados por um profissional, mostraram reduzir dor, cefaleia e uso de remédios em adultos com dor muscular da face
Ponto 1
Tratamento pode ser feito em casa, sem custo de aparelhos
Ponto 2
Resultados comparáveis à placa noturna, com menos consultas
Ponto 3
Algumas pessoas sentem dor inicial leve que costuma passar
O que este estudo acrescenta
Pela primeira vez em um RCT, exercícios mandibulares mostraram não apenas eficácia comparável à placa oclusal, mas também menor custo, tempo de tratamento e número de consultas, com benefícios adicionais em cefaleia e fu
Aplicabilidade clínica
A redução de 62% na dor com movimento é clinicamente importante, e os benefícios secundários (cefaleia, analgésicos, função) acrescentam valor prático. No entanto, a amostra ficou abaixo do planejado, a adesão foi baixa
Força do desenho do estudo
Este é um dos níveis mais altos de evidência em pesquisa clínica, pois a randomização ajuda a equilibrar fatores de confusão entre os grupos comparados.
Participantes incluídos
97
de 882 triados; meta de 174-210 não alcançada
Redução da dor com movimento
62%
no grupo exercícios vs 44% placa e 15% controle
Adesão completa aos exercícios
4 em 35
apenas 11% fizeram 3x/dia como recomendado
NNT para 50% de redução da dor
2,2
número de pacientes a tratar para um benefício adicional vs controle
Economia de tempo de tratamento
24 vs 47 min
tempo médio total: exercícios quase metade da placa
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor miofascial da mastigação (DTM)
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado com três braços
Participantes
97 adultos, 77 mulheres e 20 homens, média de 35 anos, dor há pelo menos 6 meses
Duração
3 meses de intervenção
Sessões
Até 4 consultas oferecidas, sendo 1 de avaliação inicial e 1 de avaliação final
Comparador
Placa oclusal noturna e grupo sem tratamento (lista de espera)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Até 4 consultas (incluindo avaliação final)
Exercícios recomendados 3 vezes ao dia
Não especificada; tratamento total médio de 24 minutos no grupo exercícios vs 47
Relaxamento, movimentos livres de mandíbula (abertura, lateralidade, protrusão), movimentos com leve resistência dos dedos, e alongamento final
Placa oclusal de acrílico rígido para uso noturno, ajustada em relação cêntrica
Adesão foi baixa: apenas 4 de 35 pacientes seguiram a frequência recomendada de 3x/dia; 10 fizeram 1-2x/dia; 14 fizeram ainda menos frequentemente
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor durante movimentos da mandíbula
Reduziu significativamente
62% de redução média no grupo exercícios vs 44% na placa e 15% no controle
Frequência de cefaleia tensional
Reduziu
Diminuição estatisticamente significativa apenas no grupo de exercícios (P = 0,028)
Uso de analgésicos
Reduziu
Queda significativa no grupo exercícios (P = 0,007); também reduziu na placa, mas com menor evidência
Função mandibular
Melhorou
Pontuação da escala JFLS-20 diminuiu significativamente no grupo exercícios vs controle (P = 0,008)
Melhora global percebida
Melhorou
Ambos os tratamentos ativos superaram o controle na escala PGIC (P < 0,001)
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
3 meses
Avaliação final
Redução significativa da dor durante movimentos mandibulares, melhora global percebida pelo paciente, redução de cefaleia e uso de analgésicos no grupo de exercícios
Antes e depois
Dor durante movimentos mandibulares (exercícios)
escala máx. 100 mm VAS
Dor durante movimentos mandibulares (placa)
escala máx. 100 mm VAS
Dor durante movimentos mandibulares (sem tratamento)
escala máx. 100 mm VAS
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução gradual da dor ao mover a mandíbula, possível diminuição de dores de cabeça e menor necessidade de analgésicos, com ganho de função para mastigar e falar
Tempo provável
Avaliação do estudo foi aos 3 meses; melhoras podem começar antes, mas a consistência da prática é fator importante
Algumas pessoas sentem aumento inicial da dor; se isso persistir ou for intenso, deve-se consultar o profissional. A adesão à rotina influencia o resultado.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Placa oclusal é sempre melhor que exercícios porque é um tratamento 'profissional'
Achado
O estudo mostrou que exercícios tiveram resultados comparáveis à placa em dor com movimento, com vantagens em cefaleia e custo, embora a diferença direta não tenha sido estatisticamente confirmada
Mito
Exercícios para a mandíbula são ineficazes porque a adesão é sempre baixa
Achado
Mesmo com apenas 4 de 35 pacientes seguindo rigorosamente 3x/dia, o grupo de exercícios mostrou melhora significativa, sugerindo que benefícios podem ocorrer com prática menos intensa
Mito
Dor miofascial da mastigação melhora sozinha com o tempo
Achado
O grupo sem tratamento teve apenas 15% de redução da dor com movimento, muito inferior aos 62% do grupo exercícios, indicando que a intervenção ativa faz diferença real
Como isso pode funcionar
PASSO 1: Facilitação neuromuscular
Os movimentos repetidos podem ajudar o sistema nervoso a recalibrar o controle muscular da mandíbula, promovendo maior coordenação e relaxamento — mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo
PASSO 2: Inibição recíproca
A contração alternada de grupos musculares opostos pode induzir relaxamento reflexo, reduzindo a tensão em músculos que estão em espasmo ou sobrecarga — conceito teórico baseado em fisiologia, não confirmado individualme
PASSO 3: Hipoalgesia por exercício
A ativação muscular pode estimular vias inibitórias descendentes e sistema opioide endógeno, aumentando o limiar de dor — evidência indireta de estudos relacionados, não medida diretamente aqui
PASSO 4: Consciência corporal e alongamento
Os exercícios promovem maior percepção dos limites e capacidades da mandíbula, enquanto o alongamento pode reduzir tensões locais — efeito plausível, mas não quantificado isoladamente nesta pesquisa
O que ainda é incerto
Comparar a eficácia de exercícios mandibulares com placa oclusal e sem tratamento para dor miofascial da mastigação
97 adultos com dor muscular facial há pelo menos 6 meses e intensidade > 40mm na escala visual
Divididos em 3 grupos: exercícios mandibulares, placa de mordida noturna ou sem tratamento por 3 meses
Exercícios reduziram 62% da dor ao movimentar a mandíbula e diminuíram dores de cabeça e uso de analgésicos
Bem tolerado; alguns pacientes relataram aumento inicial da dor mandibular durante os exercícios
Achados Interessantes
BENEFÍCIO EXTRA NA CEFALEIA
Diferente da placa oclusal, os exercícios reduziram significativamente a frequência de dores de cabeça do tipo tensional — um achado clínico relevante para quem sofre de ambos os problemas
MENOS É POSSIVELMENTE SUFICIENTE
A principal descoberta foi que apenas 4 de 35 pacientes seguiram a recomendação de 3x/dia, e mesmo assim o grupo inteiro melhorou, sugerindo que protocolos mais flexíveis podem funcionar
CUSTO REAL IMPORTA NA ESCOLHA
Pela primeira vez com esse rigor metodológico, o estudo quantificou que exercícios exigem metade do tempo clínico, menos consultas e zero custo de laboratório, sem perda de eficácia aparente
FUNÇÃO MANDIBULAR ESPECÍFICA
A melhora na capacidade de mastigar, abrir a boca e falar foi significativa apenas com exercícios, não com a placa, sugerindo um efeito diferenciado na funcionalidade cotidiana
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor miofascial da mastigação é uma condição dolorosa que afeta os músculos responsáveis por movimentos como abrir a boca, mastigar e falar. É uma das formas mais comuns de disfunção temporomandibular (DTM), uma sigla que engloba diversos problemas que atingem a articulação da mandíbula e os músculos ao redor. Muitas pessoas convivem com essa dor por meses ou anos, recorrendo a analgésicos e, frequentemente, não sabem que existem tratamentos simples e acessíveis que podem ajudar significativamente.
O estudo conduzido por Lindfors e colaboradores, publicado em 2020 no Journal of Oral & Facial Pain and Headache, trouxe uma contribuição importante para esse cenário. Os pesquisadores compararam três abordagens diferentes: exercícios terapêuticos para a mandíbula, placa oclusal de estabilização (aquele aparelho noturno de acrílico comum no tratamento de DTM) e um grupo sem tratamento ativo, que permaneceu em lista de espera por três meses. A pergunta central era simples e direta: exercícios que o próprio paciente pode fazer em casa seriam tão eficazes quanto uma placa elaborada em laboratório?
Ao todo, 97 adultos participaram do estudo, todos com diagnóstico confirmado de dor miofascial pela classificação RDC/TMD, critério internacionalmente reconhecido para pesquisa em DTM. Para entrar no estudo, a pessoa precisava ter dor há pelo menos seis meses, com intensidade considerável — acima de 40 milímetros em uma escala de 0 a 100 — e ter 18 anos ou mais. A maioria era mulher (cerca de 80%), com idade média de 35 anos, e a duração média da dor era de aproximadamente dois anos, embora com grande variação entre os participantes.
O grupo de exercícios recebeu orientações para realizar movimentos de relaxamento, abertura e fechamento da mandíbula, movimentos laterais e de protrusão (para frente), alguns com leve resistência usando os próprios dedos, além de alongamentos. A recomendação era de três vezes ao dia, com dez repetições de cada movimento, exceto o alongamento final, que deveria ser feito duas a três vezes. Já o grupo da placa oclusal recebeu um aparelho de acrílico rígido, ajustado individualmente para uso noturno. O grupo controle foi apenas avaliado no início e após três meses, sem intervenção durante esse período.
Os resultados, após esse período, foram reveladores. Quando se analisou a dor durante os movimentos da mandíbula — como abrir a boca ou mastigar —, o grupo dos exercícios apresentou redução média de 62%, enquanto o da placa oclusal teve redução de 44%. Ambos os tratamentos foram significativamente superiores à ausência de tratamento, que mostrou apenas 15% de melhora. No entanto, e este é um ponto importante para a interpretação correta, a diferença direta entre exercícios e placa não atingiu significância estatística.
Os pesquisadores calcularam que, para detectar uma diferença definitiva entre esses dois tratamentos, seriam necessários mais participantes do que o estudo conseguiu recrutar.
Além da dor com movimento, os exercícios mostraram benefícios em outras áreas. A frequência de cefaleia do tipo tensional diminuiu significativamente no grupo dos exercícios, algo que não foi observado com clareza estatística no grupo da placa. O consumo de analgésicos também caiu nos dois grupos tratados, mas de forma mais pronunciada e estatisticamente robusta no grupo dos exercícios. A função mandibular, medida por uma escala que avalia limitações na mastigação, mobilidade e comunicação, melhorou apenas no grupo dos exercícios quando comparado ao controle.
Um aspecto prático e relevante para quem pensa em custos e tempo foi a diferença no número de consultas necessárias. Os pacientes do grupo de exercícios precisaram de aproximadamente três consultas, contra quatro do grupo da placa, e o tempo total de tratamento foi de cerca de 24 minutos versus 47 minutos. Isso sem contar que a placa oclusal envolve custos de laboratório, que no contexto sueco do estudo representavam aproximadamente 150 a 200 dólares adicionais.
No entanto, o estudo também deixa claro que nem tudo foi perfeito no grupo dos exercícios. A adesão ao tratamento foi um desafio significativo: apenas quatro pacientes, de 35, seguiram rigorosamente a recomendação de três vezes ao dia. A maioria fez uma ou duas vezes, e alguns ainda menos. Curiosamente, mesmo com essa adesão subótima, os resultados foram bons, o que levanta a questão de se a recomendação original poderia ser simplificada sem perder eficácia.
Além disso, a taxa de abandono foi maior no grupo de exercícios (20%) comparada às outras condições, e alguns pacientes relataram aumento inicial da dor durante a realização dos movimentos — embora isso não tenha sido estatisticamente diferente dos desconfortos relatados pelo grupo da placa, que principalmente sentiam pressão excessiva nos dentes.
Para quem convive com dor miofascial da mastigação, este estudo oferece uma mensagem encorajadora: tratamentos ativos e simples, que podem ser realizados de forma independente, têm potencial real de melhorar a qualidade de vida, reduzir dores de cabeça associadas e diminuir a dependência de medicamentos. A placa oclusal continua sendo uma opção válida e com evidências consolidadas, mas os exercícios representam uma alternativa mais acessível economicamente e com menor demanda de tempo clínico. A escolha entre um e outro, ou mesmo a combinação de ambos, deve ser discutida individualmente com o profissional de saúde, considerando as preferências do paciente, sua capacidade de adesão a rotinas e as características específicas de seu caso.
Exercícios mandibulares
35 pessoas
exercícios de relaxamento e movimentação 3x/dia
Placa oclusal
33 pessoas
placa de estabilização noturna
Sem tratamento
29 pessoas
lista de espera
Redução da dor durante movimentos mandibulares (exercícios)
Redução da dor durante movimentos mandibulares (placa)
Melhora global significativa vs controle
Redução da frequência de cefaleia (exercícios)
Redução do uso de analgésicos (exercícios)
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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