Estudo científico comentado

Acupuntura como tratamento para dor vulvar em vestibulodinía provocada

Referência acadêmica

Periódico

Journal of Pelvic, Obstetric and Gynaecological Physiotherapy

Ano

2021

Autores

Forth

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo acompanhou uma mulher com dor vulvar crônica que recebeu 5 sessões de acupuntura combinada com fisioterapia. A acupuntura usou pontos específicos conhecidos por reduzir dor e inflamação. Após o tratamento, a paciente teve melhora significativa na dor e qualidade de vida. Embora promissor, este é apenas um caso isolado e estudos maiores são necessários para confirmar a eficácia da acupuntura nesta condição.

Título original do estudo: Acupuncture as a pain-relieving modality for provoked vestibulodynia

📋Relato de caso👥n=1 participante💡Potencial clínico moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Uma única paciente com vestibulodinía provocada de longa duração apresentou redução clinicamente significativa na dor e melhora na qualidade de vida após cinco sessões de acupuntura combinada com reabilitação do assoalho pélvico, mas este relato isolado não pe

O que isso significa para você?

Este estudo acompanhou uma mulher com dor vulvar crônica que recebeu 5 sessões de acupuntura combinada com fisioterapia. A acupuntura usou pontos específicos conhecidos por reduzir dor e inflamação. Após o tratamento, a paciente teve melhora significativa na dor e qualidade de vida. Embora promissor, este é apenas um caso isolado e estudos maiores são necessários para confirmar a eficácia da acupuntura nesta condição.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A vestibulodinía provocada é uma condição complexa que frequentemente exige abordagem em múltiplas frentes, não uma única solução
  • 2Se você considera acupuntura, busque profissionais com formação médica adequada e, idealmente, integrados a equipes de saúde pélvica
  • 3Melhoras em condições de dor crônica geralmente são graduais e requerem paciência; expectativas realistas protegem contra frustração
  • 4Mantenha diário de sintomas para que você e seu médico possam avaliar objetivamente se há benefício
  • 5Não descontinue outros tratamentos recomendados sem discutir com seu médico, mesmo que sinta melhoria com acupuntura
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha apresentação clínica se assemelha ao caso descrito no estudo? Quais são as diferenças importantes?
  • 2Há outros tratamentos que deveriam ser tentados antes, ou em conjunto com, a acupuntura?
  • 3Como vamos medir se a acupuntura está funcionando para mim, especificamente?
  • 4Se não houver melhora após 5 sessões, qual seria o próximo passo recomendado?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Este relato de caso único não permite conclusões robustas sobre segurança; efeitos adversos podem ser raros mas não são descartáveis
  • 2A paciente não relatou desconforto, mas inserção de agulhas na região lombo-sacral e próxima a estruturas pélvicas requer precisão anatômica para evitar complicações
  • 3A autora não recomendou agulhamento direto dos músculos do assoalho pélvico para iniciantes, indicando que certas técnicas demandam expertise avançada
  • 4Mulheres grávidas, com distúrbios de coagulação ou infecções ativas na região não foram representadas neste estudo e precisam de avaliação individualizada de riscos

Leitura rápida para pacientes

Uma história de melhora, não uma promessa

Uma mulher com dor vulvar crônica sentiu-se melhor após acupuntura combinada, mas isso não garante o mesmo para você

Ponto 1

A melhora veio gradualmente, não na primeira sessão

Ponto 2

O tratamento incluiu acupuntura mais exercícios e relaxamento em casa

Ponto 3

Este é apenas um caso; estudos maiores são necessários para confirmar se funciona

O que este estudo acrescenta

PROTOCOLO DETALHADO

Este relato oferece descrição pormenorizada da racionalização clínica e seleção de pontos, servindo como base para futuros estudos controlados com mesmo protocolo

Aplicabilidade clínica

Sinal discreto

A redução de 9 pontos no NIH-CPSI atinge o limiar de significância clínica (≥6 pontos), mas vem de um único caso sem controle, com medida subjetiva de incômodo inalterada e sem replicação em outros estudos com mesmo prot

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Descrição detalhada de uma única experiência clínica, útil para gerar hipóteses mas incapaz de demonstrar causa e efeito ou eficácia em populações

n de pacientes

1

único relato de caso, sem replicação

redução no NIH-CPSI total

9 pontos

de 23 para 14; limiar de significância clínica é ≥6 pontos

sessões de acupuntura

5

menos que os 10 de estudos anteriores promissores

anos de duração da dor

3

condição crônica estabelecida antes do tratamento

quilômetros de distância percorridos

240+

limitou a frequência ideal de tratamento

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Vestibulodinía provocada (dor vulvar crônica ao toque)

Tipo de estudo

Relato de caso

Participantes

1 mulher, 30 anos, com dor vulvar há 3 anos

Duração

Aproximadamente 5 semanas de tratamento

Sessões

5 sessões de acupuntura

Comparador

Nenhum — sem grupo controle

Grupos do estudo

Acupuntura + reabilitação do assoalho pélvico

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

5 sessões

Frequência02

Semanal, com intervalo de 2 semanas entre a 3ª e 4ª sessões

Duração da sessão03

10 a 30 minutos com agulhas in situ

Pontos / técnica04

Pontos LIV3, LI4, SP6 (todas as sessões); SP9 (sessões 2-5); SP10 (sessões 3-5); BL20 e BL28 (sessão 5); Shenmen auricular (sessões 4-5). Técnica de acupuntura ocidental com busca

Comparador05

Nenhum — estudo de caso único sem controle

Nota de protocolo06

Na 5ª sessão, foi realizada liberação manual de pontos gatilho miofasciais do assoalho pélvico devido à melhora prévia da dor

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Mulher de 30 anos com diagnóstico confirmado de vestibulodinía provocadaDor vulvar localizada há 3 anos, com início após período de estresse significativoHipertonicidade dos músculos do assoalho pélvico com pontos gatilho miofasciais ativosSinais de sensibilização central (alodinia e hipersensibilidade no vestíbulo)Histórico de ansiedade e distress emocional relacionado à condiçãoNenhum tratamento prévio de acupuntura ou reabilitação pélvica

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Mulheres com vulvodínia generalizada ou outras subtipos de dor vulvarPacientes que já haviam recebido acupuntura ou fisioterapia pélvica anteriormenteMulheres com dor de curta duração ou causa anatômica identificávelPacientes sem componente de hipertonicidade muscular do assoalho pélvicoIndivíduos que não pudessem comparecer a múltiplas sessões presenciais

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor vulvar

melhorou

Escore NIH-CPSI de dor reduziu de 8 para 6 em escala de 23 pontos

🚽

Sintomas urinários

melhorou

Escore NIH-CPSI urinário caiu de 3 para 1 em escala de 10 pontos

😊

Qualidade de vida

melhorou

Impacto na qualidade de vida reduziu de 12 para 7 em escala de 12 pontos — a maior melhora observada

😴

Sono e bem-estar

melhorou

Paciente relatou dormir melhor, mais energia e menos sensação de estar 'tensa e acelerada'

💧

Sintomas associados

melhorou

Retorno do fluxo vaginal normal e resolução de problema dermatológico na testa

🧘

Função muscular

melhorou

Hipertonicidade do assoalho pélvico reduzida; amplitude de movimento e capacidade de relaxamento melhoradas

O que não mudou

  • Escala Likert de incômodo permaneceu inalterada em 10/10 ao final do tratamento
  • Não houve tentativa de relação sexual durante o período de acompanhamento para avaliar essa dimensão específica
  • A frequência ideal de duas sessões semanais não pôde ser mantida devido à distância geográfica

Quando a melhora apareceu

1

1 semana

Após 1ª sessão

Paciente relatou aumento do bem-estar geral, sem redução ainda dos sintomas vulvares específicos

2

3 semanas

Após 3ª sessão

Relatou menor percepção dos sintomas e continuação da sensação de bem-estar

3

5 semanas

Após 5ª sessão

Redução objetiva nos escores de dor e qualidade de vida; liberação muscular tornou-se viável devido à diminuição da dor

Antes e depois

Dor (NIH-CPSI, 0-23)

escala máx. 23 pontos

Antes8 pontos
Depois6 pontos

Qualidade de vida (NIH-CPSI, 0-12)

escala máx. 12 pontos

Antes12 pontos
Depois7 pontos

Sintomas urinários (NIH-CPSI, 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes3 pontos
Depois1 pontos

Escore total NIH-CPSI (0-45)

escala máx. 45 pontos

Antes23 pontos
Depois14 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Tratamento bem tolerado pela paciente, sem efeitos adversos relatados
  • Agulhas foram bem aceitas e De Qi alcançado em todas as sessões
  • Não houve interrupção do tratamento por desconforto ou complicação
Amarelo
  • Profissional era iniciante em acupuntura, o que pode afetar reprodutibilidade técnica
  • Liberação de pontos gatilho intrapelvicos só foi tentada após melhora prévia, sugerindo cautela em casos mais severos
  • Número limitado de sessões (5) pode subestimar riscos de tratamentos mais prolongados
Vermelho
  • Relato de caso único não permite avaliação robusta de segurança em população mais ampla
  • Não há dados sobre segurança em mulheres grávidas, com distúrbios de coagulação ou infecções ativas na região
  • Inserção de agulhas na região lombar-sacral (BL28) próxima a estruturas profundas requer expertise adequada

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Mulheres com vestibulodinía provocada de longa duração e componente de hipertonicidade do assoalho pélvico
  • Pacientes com sensibilização central evidente (hipersensibilidade, alodinia) e distress emocional significativo
  • Mulheres que não obtiveram resposta adequada a tratamentos convencionais isolados
  • Pacientes com acesso a profissionais integrados em equipe multidisciplinar de saúde pélvica
  • Mulheres motivadas para tratamento que envolve múltiplas sessões e práticas de relaxamento em casa

Mais cautela para extrapolar

  • Mulheres com dor vulvar de causa anatômica identificável ou infecção ativa não tratada
  • Pacientes com distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes ou histórico de sangramento anormal
  • Mulheres grávidas ou com suspeita de gravidez (segurança não estabelecida nesta população)
  • Pacientes com fobia de agulhas ou incapacidade de tolerar a sensação de De Qi
  • Mulheres que buscam resultado rápido e isolado, sem disposição para abordagem multidimensional e de médio prazo

Expectativa realista

Melhora gradual, não imediata

Se a acupuntura for benéfica, os primeiros sinais tendem a ser de bem-estar geral e relaxamento, com redução da dor local aparecendo semanas depois, não na primeira sessão

Tempo provável

Pelos dados disponíveis, avaliação de eficácia precisaria de pelo menos 5 a 10 sessões ao longo de 5 a 10 semanas

Este é apenas um caso isolado; sua experiência individual pode ser diferente, e muitas mulheres podem não responder da mesma forma

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há evidência de maior qualidade sobre acupuntura especificamente para vestibulodinía provocada
  2. 2Discutir se minha apresentação clínica se assemelha ao caso descrito (hipertonicidade, sensibilização central, distress emocional)
  3. 3Questionar sobre a experiência do profissional em acupuntura médica e em condições de dor pélvica crônica
  4. 4Solicitar plano de avaliação de desfechos com instrumentos validados, não apenas avaliação subjetiva
  5. 5Verificar se o profissional trabalha integrado a equipe multidisciplinar (ginecologia, psicologia, reabilitação pélvica)

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Acupuntura funciona como analgésico imediato para dor vulvar

Achado

Neste caso, os primeiros efeitos foram de bem-estar geral; a redução específica da dor levou várias sessões para se manifestar

Mito

A acupuntura sozinha é suficiente para tratar vestibulodinía

Achado

O tratamento incluiu reabilitação do assoalho pélvico, relaxamento e mindfulness; a autora sugere que a combinação provavelmente potencializa os resultados

Mito

Cinco sessões de acupuntura são o padrão adequado

Achado

Estudos anteriores usaram 10 sessões e a autora especula que mais sessões poderiam ter produzido efeitos ainda maiores

Mito

Se a dor melhora, todos os aspectos da condição melhoram igualmente

Achado

A escala de incômodo geral permaneceu máxima (10/10) mesmo com melhorias objetivas em outros domínios, mostrando que diferentes dimensões da dor podem evoluir de forma descompassada

Como isso pode funcionar

🎯

MODULAÇÃO LOCAL

A inserção da agulha pode aumentar o fluxo sanguíneo e liberar substâncias que facilitam a resposta de cicatrização no tecido — mecanismo proposto, não diretamente observado neste caso

🧠

BLOQUEIO SEGMENTAR

Pontos em dermátomos relevantes podem ativar o 'controle de portão' da dor, reduzindo a transmissão de sinais dolorosos — efeito sugerido pela literatura de referência

💫

AÇÃO SUPRAESPINHAL

Liberação de serotonina, ocitocina e endorfinas pode inibir centros da dor e melhorar bem-estar emocional — hipótese teórica apoiada por estudos de neuroimagem em outras condições de dor crônica

🌙

REGULAÇÃO DO SONO E ANSIEDADE

Estimulação da melatonina e equilíbrio do sistema nervoso autônomo podem melhorar sono e reduzir ansiedade — benefício relatado pela paciente, mecanismo não confirmado diretamente

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os mesmos pontos e técnica produziriam resultados semelhantes em outras mulheres com perfil clínico diferente
  • ?A contribuição relativa da acupuntura versus as intervenções de reabilitação e relaxamento permanece indeterminada
  • ?O efeito de mais de 5 sessões, ou de tratamento de manutenção, é desconhecido para este protocolo específico
  • ?A validade de usar NIH-CPSI (instrumento para prostatite em homens) em mulheres com vestibulodinía ainda carece de consolidação em estudos de validaçã
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se acupuntura adjunta à fisioterapia melhora dor vulvar em vestibulodinía provocada

👥

QUEM PARTICIPOU

Uma mulher de 30 anos com dor vulvar há 3 anos

🧪

COMO FOI FEITO

5 sessões de acupuntura com pontos LIV3, LI4, SP6 e outros, combinada com fisioterapia

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa na dor e melhora na qualidade de vida após 5 sessões

🛟

SEGURANÇA

Tratamento bem tolerado, sem efeitos adversos relatados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

MELHORA MESMO COM PROFISIONAL INICIANTE

A autora era novata em acupuntura, o que sugere que protocolos bem racionalizados podem ser aplicados sem décadas de experiência — embora expertise provavelmente otimize resultados

🧭

PROTOCOLO DE PONTOS REPRODUTÍVEL

A descrição detalhada de LIV3, LI4, SP6 e pontos adicionados progressivamente oferece base para padronização em ensaios futuros, diferente de estudos anteriores com abordagem individualizada de medicina chinesa tradicion

📌

DISSOCIAÇÃO ENTRE MELHORA OBJETIVA E SUBJETIVA

A paciente melhorou em escores validados de dor e qualidade de vida, mas manteve incômodo máximo na escala Likert — um lembrete de que 'melhora' pode ser parcial e multifacetada, não binária

🔍

FUNÇÃO MUSCULAR COMO MARCADOR DE PROGRESSO

A liberação manual dos pontos gatilho do assoalho pélvico só foi possível após melhora prévia com acupuntura, sugerindo que a modalidade pode criar 'janela terapêutica' para outras intervenções inviáveis inicialmente

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Acupuntura como tratamento para dor vulvar em vestibulodinía provocada

Este relato de caso documenta o tratamento de uma mulher de 30 anos com vestibulodínia provocada (VDP), uma condição crônica caracterizada por dor vulvar severa ao toque ou tentativa de penetração vaginal. A paciente sofria desta condição há 3 anos, tendo iniciado durante um período de estresse significativo que incluía tensão no trabalho, angústia emocional de uma interrupção de gravidez e infecções vaginais recorrentes. O estudo explora o uso da acupuntura como modalidade adjuvante ao tratamento fisioterápico convencional. A abordagem de tratamento foi fundamentada na compreensão moderna dos mecanismos de ação da acupuntura, incluindo seus efeitos locais, segmentares e supraespinhais.

A nível local, a inserção das agulhas promove resposta pró-inflamatória aumentando o fluxo sanguíneo. Segmentalmente, a colocação das agulhas em dermátomos relevantes tem efeito analgésico através do bloqueio da transmissão sináptica. Supraespinhalmente, a acupuntura promove liberação de hormônios e neuropeptídeos que aliviam a dor, incluindo serotonina, oxitocina e endorfinas. O protocolo de tratamento envolveu cinco sessões de acupuntura ao longo de várias semanas.

Os pontos selecionados incluíram os 'Quatro Portões' (LIV3 e LI4 bilateralmente), conhecidos por seus fortes efeitos analgésicos especialmente em dor com sensibilização central. O ponto SP6 foi escolhido por ser considerado fundamental para questões ginecológicas, eliminando estagnação e tonificando Qi e sangue. Nas sessões subsequentes, foram adicionados SP9 para reduzir espasmo genital, SP10 por seus efeitos anti-inflamatórios, e pontos Shenmen auriculares para acalmar a mente e prolongar os efeitos do tratamento. A avaliação foi realizada utilizando o Índice de Sintomas de Prostatite Crônica dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH-CPSI), adaptado para uso em mulheres, e uma escala Likert simples para classificar o incômodo associado ao problema.

Os resultados demonstraram melhorias em todos os domínios do NIH-CPSI. O escore de dor reduziu de 8/23 para 6/23, sintomas urinários de 3/10 para 1/10, e impacto na qualidade de vida de 12/12 para 7/12, resultando numa redução total de 9 pontos no escore geral. Em homens com prostatite crônica, uma redução de 6 pontos ou mais é considerada clinicamente significativa. Além das melhorias mensuráveis, a paciente relatou subjetivamente sentir-se menos estressada, dormindo melhor, com mais energia e um aumento geral na sensação de bem-estar.

Também houve retorno da secreção vaginal normal e cessação de um problema dermatológico que afetava sua testa. Na quinta sessão, a melhoria dos sintomas permitiu a realização de liberação manual de pontos-gatilho miofasciais dos músculos do assoalho pélvico, que se mostraram menos dolorosos que na avaliação inicial. O estudo discute duas pequenas pesquisas anteriores sobre acupuntura para VDP. Curran et al.

(2010) trataram 8 mulheres com abordagem individualizada baseada na medicina tradicional chinesa, demonstrando reduções estatisticamente significativas em sentimentos de desamparo e dor com estimulação manual. Schlaeger et al. (2015) randomizaram 36 mulheres com vulvodínia para tratamento padronizado de acupuntura ou lista de espera, mostrando reduções significativas na dor vulvar e melhoria na função sexual. As limitações deste relato de caso incluem o fato de ser um único caso, não generalizável para população mais ampla.

A autora era acupunturista novata sem familiaridade com o framework da medicina tradicional chinesa. Houve falta de medidas de resultado confiáveis e validadas no campo, sendo utilizadas apenas duas medidas, uma não-validada. Apenas cinco sessões de acupuntura puderam ser completadas, quando outros estudos utilizaram 10 sessões. A distância que a paciente precisava viajar impediu sessões duas vezes por semana.

As implicações clínicas sugerem que a acupuntura tem potencial eficácia como modalidade de tratamento para mulheres com VDP, especialmente quando combinada com outras modalidades fisioterápicas por período mais longo. A abordagem multidisciplinar mostrou-se promissora, combinando os efeitos neurobiológicos da acupuntura com técnicas convencionais de fisioterapia pélvica.

O que fortalece a leitura

  • 1Protocolo bem detalhado de acupuntura
  • 2Uso de instrumentos validados de avaliação
  • 3Combinação com fisioterapia padrão
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Apenas um caso relatado
  • 2Sem grupo controle ou comparação
  • 3Número limitado de sessões (apenas 5)
  • 4Profissional iniciante em acupuntura

Leitura clínica do estudo

FRACA
35/ 100
Desenho
2/5
Amostra
1/5
Confirmação
2/5

🔬 Como o estudo foi organizado

1pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Acupuntura + Fisioterapia

1 pessoas

5 sessões de acupuntura com pontos específicos mais fisioterapia padrão

⏱️ Tempo de acompanhamento: 5 semanas

📊 Resultados em números

9 pontos

Redução no escore total NIH-CPSI

De 8 para 6

Melhora na dor (NIH-CPSI)

De 12 para 7

Melhora na qualidade de vida

De 3 para 1

Sintomas urinários

📊 Comparação de Resultados

NIH-CPSI Dor (0-23 pontos)

Antes
8
Após
6

NIH-CPSI Qualidade de Vida (0-12 pontos)

Antes
12
Após
7

📅 Linha do tempo da evidência

2001Primeiros estudos piloto de acupuntura para vestibulodinía
2010Estudo de Curran et al. demonstra viabilidade da acupuntura
2015Ensaio controlado de Schlaeger et al. confirma benefícios
2021Presente relato de caso detalha protocolo de acupuntura adjunta

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Conheça a equipe da clínica →

Acesse a fonte original

Continue lendo

Continue pesquisando

Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.

Ginecologia & Saúde ReprodutivaDor Crônica (Geral)
2026

Efeito duradouro da acupuntura em mulheres com vulvodínia: estudo duplo-cego revela benefícios prolongados

O que este estudo responde

A acupuntura real não mostrou vantagem imediata sobre placebo na redução da dor vulvar, mas entre as mulheres que responderam ao tratamento, o alívio…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura com agulhas penetrantes (n=45) foi comparado a agulhas placebo que tocam a pele sem penetrar, em dispositivo visualmente idêntico…

Comparador

Agulhas placebo que tocam a pele sem penetrar, em dispositivo visualmente idêntico

🔬 ensaio clínico duplo-cego👥 89 participantes evidência de alta qualidade

Força da evidência

85%

Schlaeger et al.

J Pain

Ver resumo
Ginecologia & Saúde ReprodutivaRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2015

Acupuntura reduz ondas de calor e melhora qualidade de vida na menopausa natural

O que este estudo responde

A acupuntura reduz significativamente a frequência e intensidade das ondas de calor em mulheres na menopausa natural, com benefícios que se mantêm por…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura (tradicional chinesa ou eletroacupuntura) foi comparado a principalmente acupuntura falsa (sham) e cuidado usual; apenas 1 estudo…

Comparador

Principalmente acupuntura falsa (sham) e cuidado usual; apenas 1 estudo comparou com terapia hormonal

🔍 Meta-análise👥 869 participantes🌟 Alto impacto clínico

Força da evidência

82%

Chiu et al.

Menopause

Ver resumo
Ginecologia & Saúde ReprodutivaRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2024

Acupuntura e Terapias Relacionadas para Endometriose: Meta-Análise em Rede Compara Diferentes Técnicas

O que este estudo responde

Diferentes técnicas de acupuntura e terapias relacionadas mostraram-se mais eficazes que medicamentos hormonais para reduzir dor e melhorar resposta…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura tradicional foi comparado a medicamentos hormonais ocidentais (principalmente), fitoterapia chinesa, cuidado usual e acupuntura…

Comparador

Medicamentos hormonais ocidentais (principalmente), fitoterapia chinesa, cuidado usual e acupuntura sham

🔬 Meta-análise em rede👥 n=3.635 participantes Evidência robusta

Força da evidência

78%

Li et al.

Journal of Pain Research

Ver resumo
Ginecologia & Saúde ReprodutivaDor Crônica (Geral)
2023

Evaluation and Treatment of Vulvodynia: State of the Science

O que este estudo responde

Para vulvodinia crônica, acupuntura padronizada, fisioterapia multimodal e lidocaína 5% noturna possuem as melhores evidências atuais de redução de dor e…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como diversos tratamentos farmacológicos e não-farmacológicos foi comparado a cuidado usual, placebo, lista de espera ou tratamento ativo…

Comparador

Cuidado usual, placebo, lista de espera ou tratamento ativo comparador

📚 Revisão sistemática📊 41 estudos analisados Evidência Clínica Crítica

Força da evidência

75%

Schlaeger et al.

Journal of Midwifery & Women's Health

Ver resumo