pacientes com artrose de joelho
561
total analisados nos 13 estudos incluídos na revisão
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Pain Research
Ano
2024
Autores
Qu et al.
Desenho
revisão narrativa
Esta revisão analisou 13 estudos que usaram exames de neuroimagem para entender como a acupuntura funciona no cérebro de pessoas com artrose de joelho. Os resultados mostraram que a acupuntura ativa e regula áreas cerebrais importantes para o processamento da dor, das emoções e da memória. Isso explica cientificamente por que a acupuntura pode ser eficaz para aliviar a dor da artrose, oferecendo uma base neurológica para seu uso clínico.
Título original do estudo: Acupuncture-Related Therapy for Knee Osteoarthritis: A Narrative Review of Neuroimaging Studies
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Esta revisão sugere que acupuntura e moxabustão modulam circuitos cerebrais envolvidos na dor, emoção e memória em pacientes com artrose de joelho, mas a qualidade da evidência é heterogênea e a dose ideal de tratamento ainda não está estabelecida.
Esta revisão analisou 13 estudos que usaram exames de neuroimagem para entender como a acupuntura funciona no cérebro de pessoas com artrose de joelho. Os resultados mostraram que a acupuntura ativa e regula áreas cerebrais importantes para o processamento da dor, das emoções e da memória. Isso explica cientificamente por que a acupuntura pode ser eficaz para aliviar a dor da artrose, oferecendo uma base neurológica para seu uso clínico.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Cientistas mapearam como a acupuntura e a moxabustão regulam áreas cerebrais que processam dor, emoção e memória, oferecendo uma explicação neurológica para o alívio que muitos pac
Ponto 1
A dor da artrose de joelho envolve alterações cerebrais, não apenas problemas na articulação
Ponto 2
Acupuntura verdadeira mostrou efeitos cerebrais distintos da acupuntura simulada, mas a resposta varia entre pessoas
Ponto 3
A dose ideal de tratamento ainda não está clara; discuta com seu médico um plano individualizado
O que este estudo acrescenta
Esta é a primeira revisão abrangente dedicada especificamente aos mecanismos cerebrais da acupuntura e moxabustão na artrose de joelho, consolidando uma década de estudos e identificando alvos neurais potenciais para mod
Aplicabilidade clínica
A revisão consolida evidências de que acupuntura e moxabustão têm efeitos mensuráveis no cérebro de pacientes com artrose de joelho, mas a heterogeneidade metodológica, o risco de viês moderado na maioria dos estudos e a
Força do desenho do estudo
Este tipo de estudo sintetiza múltiplas pesquisas primárias, mas não utiliza métodos estatísticos formais de meta-análise, oferecendo uma visão qualitativa que pode ser afetada pel
pacientes com artrose de joelho
561
total analisados nos 13 estudos incluídos na revisão
estudos de neuroimagem incluídos
13
publicados entre 2013 e 2023, predominantemente com ressonância magnética funcional
estudos com baixo risco de viés
2
apenas 2 de 8 ensaios randomizados; a maioria teve risco moderado ou algumas preocupações
técnica de neuroimagem mais usada
12
de 13 estudos utilizaram ressonância magnética funcional BOLD-fMRI
países onde os estudos foram realizados
2
Estados Unidos (6 estudos) e China (7 estudos)
Ficha rápida do estudo
Condição
artrose de joelho (osteoartrite)
Tipo de estudo
revisão narrativa de estudos de neuroimagem
Participantes
692 indivíduos totais: 561 pacientes com artrose de joelho e 131 controles saudá
Duração
estudos publicados entre 2013 e 2023, com tratamentos de 1 a 30 sessões
Sessões
variável: 1 a 30 sessões, com duração de 6 a 30 minutos cada
Comparador
acupuntura simulada (sham), lista de espera, celecoxib, placebo oral ou controles saudáveis
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 a 30 sessões totais, dependendo do estudo
variável: alguns estudos com sessão única, outros com 2 a 5 vezes por semana
6 a 30 minutos por sessão
pontos mais frequentes: Dubi (ST35), Xiyan (EX-LE4/LE5), Yanglingquan (GB34), Yinlingquan (SP9), Xuanzhong (GB39), Sanyinjiao (SP6); técnicas: acupuntura manual (8 estudos), eletro
acupuntura simulada com dispositivo placebo (sem penetração da pele), pontos não específicos, lista de espera, celecoxib
quase todos os estudos relataram obtenção da sensação de deqi (sensação característica de peso, dormente ou irradiada) durante a acupuntura, ou sensação de moxabustão durante o tra
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
conectividade funcional cerebral
melhorou
aumento da comunicação entre córtex pré-frontal, giro cingulado anterior, tálamo e substância cinzenta periaquedutal
componente emocional-afetivo da dor
melhorou
regulação do sistema límbico (hipocampo, giro parahipocampal, núcleo accumbens) reduziu a carga emocional associada à dor crônica
atividade do sistema medial da dor
melhorou
normalização da atividade em regiões que processam a motivação e avaliação cognitiva da dor, como ínsula e tálamo
escores de dor e função
melhorou
redução nos escores de VAS, WOMAC, KOOS e SF-MPQ nos estudos que avaliaram desfechos clínicos
resposta cerebral à moxabustão
melhorou
ativação ampla em cerebelo, mesencéfalo e substância branca, com padrão distinto da acupuntura com agulhas
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
após 1 sessão de 6-25 minutos
efeito imediato pós-sessão única
alterações na conectividade funcional e atividade regional detectadas imediatamente após acupuntura ou moxabustão em 6 estudos
2 a 8 semanas de tratamento (6-30 sessões)
efeito cumulativo após múltiplas sessões
mudanças mais robustas em conectividade funcional e espessura cortical observadas em estudos com protocolos mais longos
durante o tratamento
modulação por expectativa
pacientes com maior expectativa positiva mostraram maior ativação do núcleo accumbens e córtex pré-frontal medial, associada a melhor alívio da dor
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Possível redução da intensidade da dor e melhora do bem-estar emocional, com modulação mensurável de circuitos cerebrais relacionados à dor, mas com resposta individual variável e sem garantia de cura da doença articular
Tempo provável
Efeitos funcionais cerebrais podem ser detectados após uma única sessão; benefícios clínicos mais consistentes tendem a
A melhoria da dor pode envolver tanto mecanismos específicos da acupuntura quanto fatores psicológicos como expectativa e atenção, e a magnitude do efeito varia
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Acupuntura funciona apenas como efeito placebo
Achado
Embora a expectativa do paciente influencie a resposta, a acupuntura verdadeira mostrou padrões cerebrais distintos da acupuntura simulada, com modulação específica de circuitos do sistema medial da dor e límbico
Mito
A dor da artrose está apenas no joelho danificado
Achado
A neuroimagem revela que a dor crônica de artrose de joelho está associada a alterações funcionais cerebrais em regiões de emoção, cognição e memória, que são moduladas pelo tratamento
Mito
Quanto mais sessões de acupuntura, melhor o resultado
Achado
A dose-resposta ideal não está estabelecida; estudos incluíram desde 1 até 30 sessões, sem consenso claro sobre o número ideal para máxima resposta cerebral ou clínica
Mito
Acupuntura e moxabustão funcionam exatamente da mesma forma
Achado
Embora ambas modulam regiões relacionadas à dor, a moxabustão mostra ativação cerebral mais ampla e disseminada, possivelmente devido às propriedades térmicas específicas do tratamento
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO LOCAL
A agulha de acupuntura ou o calor da moxabustão estimulam pontos específicos na pele e tecidos subcutâneos, ativando terminações nervosas e receptores (mecanismo periférico proposto, não diretamente visualizado nestes es
SINALIZAÇÃO CENTRAL
Sinais ascendentes chegam ao tálamo, que funciona como estação de retransmissão para o córtex pré-frontal, ínsula e giro cingulado anterior — regiões do sistema medial da dor que processam a experiência dolorosa de forma
MODULAÇÃO LÍMBICA
Hipocampo, giro parahipocampal e núcleo accumbens são regulados, o que provavelmente reduz a carga emocional-afetiva da dor crônica e melhora aspectos motivacionais do comportamento (mecanismo proposto com base em correl
CONTROLE DESCENDENTE
A substância cinzenta periaquedutal e o córtex pré-frontal exercem modulação descendente sobre a medula espinal, potencialmente inibindo a transmissão de sinais dolorosos (mecanismo inferido a partir de padrões de conect
O que ainda é incerto
analisar como acupuntura e moxabustão alteram a atividade cerebral em pacientes com artrose de joelho
561 pacientes com artrose de joelho em 13 estudos de neuroimagem
revisão de estudos com ressonância magnética funcional durante tratamento com acupuntura
acupuntura regulou áreas cerebrais relacionadas à dor, emoção e memória
métodos não invasivos de neuroimagem sem eventos adversos relatados
Achados Interessantes
MAPEAMENTO DOS CIRCUITOS DA DOR CRÔNICA
Pela primeira vez em uma revisão dedicada, foi sistematizado que a acupuntura para artrose de joelho modula especificamente o sistema medial da dor e o sistema límbico — circuitos que atribuem significado emocional e cog
DIFERENÇA ENTRE ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO
Enquanto a acupuntura com agulhas mostrou regulação focalizada em regiões específicas do sistema da dor, a moxabustão apresentou ativação cerebral mais ampla e disseminada, sugerindo que o calor ativa mecanismos neurais
O PAPEL DA EXPECTATIVA É MAIS NUANÇADO
Contrariando a visão simplista de que acupuntura é 'só placebo', os estudos mostraram que a expectativa do paciente modula a dor por vias cerebrais diferentes daquelas ativadas pela agulhada verdadeira — indicando que me
ALVOS POTENCIAIS PARA NOVAS TERAPIAS
A identificação de regiões como o núcleo accumbens, o hipocampo e a substância cinzenta periaquedutal como alvos da acupuntura abre caminho para o desenvolvimento de neuromodulações não invasivas mais precisas no futuro
Resumo detalhado em linguagem acessível
A osteoartrite de joelho é uma das condições articulares mais comuns em todo o mundo, afetando aproximadamente 30% das pessoas com mais de 45 anos. Caracterizada pela perda progressiva da cartilagem articular, essa condição causa dor intensa e limitações funcionais significativas, impactando drasticamente a qualidade de vida dos pacientes. Além do sofrimento físico, a osteoartrite de joelho está associada ao aumento do risco de mortalidade e representa um grande ônus econômico, com custos médicos diretos superiores a dez mil dólares por paciente ao longo da vida. Diante desse cenário, a busca por tratamentos eficazes tem levado muitos pacientes e profissionais de saúde a explorar terapias complementares.
A acupuntura, uma prática milenar da medicina tradicional chinesa, tem ganhado reconhecimento crescente e é oficialmente recomendada por diretrizes de tratamento para o manejo dos sintomas da osteoartrite de joelho.
O estudo em questão teve como objetivo principal analisar como a acupuntura e terapias relacionadas, como a moxibustão, afetam o funcionamento cerebral de pacientes com osteoartrite de joelho. Os pesquisadores realizaram uma revisão narrativa sistemática, examinando estudos que utilizaram técnicas de neuroimagem para investigar as respostas cerebrais a essas terapias. A busca foi conduzida em múltiplas bases de dados científicas, tanto em inglês quanto em chinês, abrangendo publicações desde o início dos registros até outubro de 2023. Dos 312 artigos inicialmente identificados, treze estudos foram considerados elegíveis e incluídos na análise final.
Estes estudos envolveram um total de 561 pacientes com osteoartrite de joelho e 131 indivíduos saudáveis, com idades variando entre 40 e 69 anos. A maioria dos estudos utilizou ressonância magnética funcional para mapear a atividade cerebral, enquanto dez estudos focaram especificamente na acupuntura e três na moxibustão.
Os resultados revelaram descobertas fascinantes sobre como essas terapias influenciam o cérebro. A acupuntura demonstrou capacidade de regular várias regiões cerebrais importantes no processamento da dor, incluindo o córtex pré-frontal, o córtex cingulado anterior, a ínsula, o tálamo e o hipocampo. Essas áreas fazem parte de dois sistemas cerebrais fundamentais: o sistema de dor medial e o sistema límbico. O sistema de dor medial é responsável pelos aspectos cognitivos e emocionais da dor, enquanto o sistema límbico regula as respostas emocionais e motivacionais.
Os estudos mostraram que a acupuntura consegue melhorar a conectividade entre essas regiões cerebrais, especialmente entre o córtex pré-frontal e outras áreas envolvidas no controle da dor. Particularmente interessante foi a descoberta de que a acupuntura verdadeira produziu respostas cerebrais mais extensas e significativas em comparação com a acupuntura simulada, fornecendo evidências científicas de que o efeito terapêutico vai além de um simples efeito placebo. A moxibustão, por sua vez, demonstrou um padrão de ativação ainda mais amplo, afetando não apenas as regiões relacionadas à dor, mas também o cerebelo, as substâncias branca e cinzenta, e outras áreas cerebrais.
Para os pacientes, essas descobertas oferecem uma explicação científica sólida de por que a acupuntura pode ser eficaz no tratamento da dor da osteoartrite de joelho. O fato de que essas terapias conseguem modificar a atividade de regiões cerebrais específicas envolvidas no processamento da dor sugere que os benefícios observados clinicamente têm base neurobiológica real. Isso é particularmente relevante porque a dor crônica da osteoartrite não afeta apenas as articulações, mas também altera o funcionamento cerebral, criando um ciclo de dor persistente. A capacidade da acupuntura de restaurar padrões normais de atividade cerebral pode explicar não apenas a redução da dor, mas também melhorias no humor, na função cognitiva e na qualidade de vida geral dos pacientes.
Para os profissionais de saúde, estes achados fornecem evidências científicas robustas que podem orientar decisões de tratamento e ajudar a integrar a acupuntura de forma mais eficaz nos planos terapêuticos. A identificação de regiões cerebrais específicas que respondem ao tratamento também pode ajudar a prever quais pacientes têm maior probabilidade de se beneficiar da terapia.
Apesar dos resultados promissores, o estudo apresenta algumas limitações importantes que devem ser consideradas. A maioria dos estudos incluídos teve um número relativamente pequeno de participantes, o que pode limitar a generalização dos resultados. Além disso, houve variações significativas nos protocolos de acupuntura utilizados, incluindo diferentes pontos de acupuntura, duração das sessões e número de tratamentos, tornando difícil determinar o protocolo mais eficaz. A avaliação da qualidade metodológica revelou que vários estudos apresentavam "algumas preocupações" quanto ao risco de viés, principalmente devido à dificuldade de cegar adequadamente os acupunturistas e, em alguns casos, os avaliadores.
Os pesquisadores também identificaram a necessidade de mais estudos que investiguem os efeitos estruturais de longo prazo no cérebro e que comparem diretamente diferentes modalidades de tratamento. Futuras pesquisas também deveriam explorar a relação entre a quantidade de estimulação por acupuntura e as mudanças na atividade cerebral, bem como investigar as diferenças individuais na resposta ao tratamento. Em conclusão, este estudo representa um avanço significativo na compreensão dos mecanismos cerebrais pelos quais a acupuntura proporciona alívio da dor na osteoartrite de joelho, oferecendo uma base científica sólida para sua utilização clínica e abrindo caminhos para futuras investigações que possam otimizar ainda mais esses tratamentos.
pacientes com artrose
561 pessoas
acupuntura ou moxabustão
controles saudáveis
131 pessoas
controle ou acupuntura simulada
estudos incluídos na revisão
pacientes com artrose analisados
países participantes
técnica mais usada
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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