Pacientes analisados
23
Amostra final após perdas (31 randomizados)
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Rev Esc Enferm USP
Ano
2018
Autores
Ruela et al.
Desenho
Ensaio clínico controlado
Este estudo mostra que a auriculoterapia pode ser uma opção valiosa para pacientes com câncer que sofrem com dor intensa. O tratamento reduziu significativamente a dor e permitiu diminuir o uso de medicamentos analgésicos. É uma técnica segura, de baixo custo e com riscos mínimos, que pode complementar o tratamento convencional da dor oncológica.
Título original do estudo: Effectiveness of auricular acupuncture in the treatment of cancer pain: randomized clinical trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Auriculoterapia individualizada reduziu significativamente a dor e o uso de analgésicos em pacientes oncológicos em quimioterapia, mas evidências de maior porte e seguimento prolongado ainda são necessárias.
Este estudo mostra que a auriculoterapia pode ser uma opção valiosa para pacientes com câncer que sofrem com dor intensa. O tratamento reduziu significativamente a dor e permitiu diminuir o uso de medicamentos analgésicos. É uma técnica segura, de baixo custo e com riscos mínimos, que pode complementar o tratamento convencional da dor oncológica.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Técnica complementar com agulhas no ouvido mostrou reduzir dor e uso de analgésicos em pacientes em quimioterapia, de forma segura
Ponto 1
8 sessões semanais reduziram dor de forte para leve em pacientes tratados
Ponto 2
Técnica foi segura, com apenas dor leve local transitória
Ponto 3
Não substitui tratamento médico, mas pode complementar o manejo da dor
O que este estudo acrescenta
Demonstra que a auriculoterapia com seleção personalizada de pontos pelos Cinco Elementos supera o placebo em dor oncológica, reforçando a importância da individualização no tratamento
Aplicabilidade clínica
A redução de mais de 5 pontos na escala de dor (de forte para leve), combinada à diminuição do uso de analgésicos, representa impacto clinicamente importante para pacientes oncológicos, embora a amostra pequena exija cau
Força do desenho do estudo
Estudo em que pacientes foram alocados aleatoriamente a grupos de tratamento ou placebo, oferecendo evidência de alta qualidade, embora limitada pelo tamanho da amostra
Pacientes analisados
23
Amostra final após perdas (31 randomizados)
Redução da dor
-5,3 pontos
De 7,4 para 2,1 na escala 0-10 no grupo tratado
Sessões de tratamento
8
Uma por semana, com agulhas semipermanentes
Significância estatística
p < 0,001
Diferença entre grupos na intensidade da dor
Duração da dor local
até 3 dias
Principal efeito adverso relatado
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor oncológica em pacientes em tratamento quimioterápico
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado controlado com paralelo 1:1
Participantes
31 randomizados, 23 completaram (majoritariamente mulheres com câncer de mama, e
Duração
8 semanas de intervenção, sem seguimento posterior
Sessões
8 sessões semanais
Comparador
Placebo com agulhas em pontos auriculares não específicos para dor
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
8 sessões
1 vez por semana
~40 minutos (grupo verdadeiro); ~20 minutos (grupo placebo)
Agulhas semipermanentes 0,20x1,5 mm em pontos individualizados (Shenmen, Rim, Simpático, Relaxamento Muscular + equilíbrio energético pelos Cinco Elementos), alternando orelhas a c
Pontos fixos placebo (Ojo e Tráquea) com mesma técnica de agulhamento
Agulhas permaneciam por 7 dias; estimulação manual não recomendada; sem cegamento dos participantes sobre o grupo
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
Reduziu fortemente
Média caiu de 7,4 para 2,1 pontos (0-10); diferença entre grupos p < 0,001
Doses diárias de analgésicos
Reduziu
Queda significativa no grupo tratado (p = 0,010)
Número de analgésicos
Reduziu
Menos medicamentos em uso no grupo tratado (p = 0,019)
Degrau da Escala Analgésica da OMS
Melhorou
Posição nos degraus da OMS mudou favoravelmente (p = 0,026)
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
8 semanas
Após 8 sessões semanais
Redução da média de dor de 7,4 para 2,1 pontos no grupo tratado versus manutenção em ~6,3 no placebo
Antes e depois
Intensidade da dor (grupo tratado)
escala máx. 10 pontos
Intensidade da dor (grupo placebo)
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução significativa da intensidade da dor e possibilidade de diminuir analgésicos, mantendo o tratamento oncológico principal
Tempo provável
Melhora mensurável após 8 sessões semanais consecutivas
Efeito a longo prazo não foi estudado; não substitui o acompanhamento médico nem os analgésicos prescritos
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Acupuntura no ouvido funciona por sugestão, como efeito placebo
Achado
O estudo mostrou diferença significativa entre pontos específicos individualizados e pontos placebo fixos, indicando que a seleção correta dos pontos importa para o resultado
Mito
Terapias complementares substituem os analgésicos no câncer
Achado
A auriculoterapia reduziu o uso de analgésicos, mas os participantes continuaram em tratamento médico; a técnica complementou, não substituiu, o cuidado convencional
Mito
Qualquer ponto no ouvido serve para dor
Achado
O protocolo individualizado baseado na teoria dos Cinco Elementos foi fundamental; o grupo com pontos não relacionados à dor não teve o mesmo benefício
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO AURICULAR
Agulhas em pontos específicos do pavilhão auricular ativam terminações nervosas locais
MODULAÇÃO NERVOSA
Sinais viajam para o sistema nervoso central, com possível liberação de endorfinas — mecanismo proposto, não diretamente observado neste estudo
EQUILÍBRIO ENERGÉTICO
Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, a correção do fluxo de Qi restaura a harmonia corporal e reduz a percepção da dor
REDUÇÃO DA MEDICAÇÃO
Com melhora da dor, há menor necessidade de analgésicos, potencialmente diminuindo efeitos colaterais dos medicamentos
O que ainda é incerto
Verificar se auriculoterapia reduz dor de pacientes com câncer durante quimioterapia
31 pessoas com câncer e dor forte, a maioria com câncer de mama
Aplicação de agulhas no ouvido por 8 semanas: pontos específicos vs pontos placebo
Dor caiu de 7 para 2 pontos no grupo tratado, redução no uso de analgésicos
Apenas dor leve no local da agulha por até 3 dias
Achados Interessantes
PONTOS INDIVIDUALIZADOS FAZEM DIFERENÇA
O estudo reforça que auriculoterapia com seleção personalizada pelos Cinco Elementos funciona melhor que pontos fixos sem relação com a dor — a individualização do protocolo foi chave para o sucesso
MENOS REMÉDIOS, MESMO COM CÂNCER AVANÇADO
A maioria dos participantes estava em estágios III e IV de câncer, muitos de mama, e mesmo assim houve redução significativa no uso de analgésicos — um achado relevante para quem lida com polifarmácia
AGULHAS QUE FICAM POR UMA SEMANA
O uso de agulhas semipermanentes por 7 dias entre sessões é uma abordagem prática que diferencia este estudo de outros com estimulação imediata, facilitando a adesão do paciente oncológico
Resumo detalhado em linguagem acessível
Este ensaio clínico randomizado investigou a efetividade da auriculoterapia no tratamento da dor oncológica em 31 pacientes brasileiros em quimioterapia. O estudo foi realizado na Universidade Federal de Alfenas entre 2015 e 2016, com pacientes que apresentavam dor igual ou superior a 4 na escala numérica. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: experimental (n=16) e placebo (n=15). O grupo experimental recebeu auriculoterapia com pontos específicos para dor (Shenmen, Rim, Simpático, Relaxamento Muscular) e pontos individualizados de equilíbrio energético baseados na teoria dos Cinco Elementos da Medicina Tradicional Chinesa.
O grupo placebo recebeu aplicação em pontos fixos sem relação com a dor (Olho e Traqueia). Ambos os grupos receberam 8 sessões semanais com agulhas semipermanentes de 0,20 mm x 1,5 mm, alternando entre as orelhas. A avaliação da dor foi realizada através da Escala Numérica de 11 pontos, e o consumo de analgésicos foi monitorado conforme a Escala Analgésica da OMS. Os resultados demonstraram diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p<0,001) na redução da intensidade da dor.
O grupo experimental apresentou redução média da dor de 7,36±1,74 para 2,09±1,44 (de dor moderada para leve), enquanto o grupo placebo manteve níveis similares (6,00±1,5 para 6,33±2,14). Além da redução da dor, observou-se diminuição significativa no consumo de analgésicos no grupo experimental, incluindo redução das doses diárias (p=0,010), número de medicamentos consumidos (p=0,019) e alterações na posição dos pacientes nos escalões da Escala da OMS (p=0,026). A abordagem individualizada, considerando o desequilíbrio energético específico de cada paciente através da teoria dos Cinco Elementos, foi fundamental para os resultados positivos. Não foram observados eventos adversos significativos, apenas dor leve no local de aplicação por até 3 dias em alguns participantes.
A população estudada foi majoritariamente feminina (78%) com câncer de mama (52%), e 43,5% dos participantes apresentavam estadiamento III-IV, indicando formas mais avançadas da doença. O estudo apresenta limitações como o tamanho amostral relativamente pequeno devido a perdas durante o seguimento (principalmente óbitos), resistência da população ao tratamento com agulhas, e dificuldades na padronização do protocolo devido às diferentes vertentes da auriculoterapia. Os achados sugerem que a auriculoterapia pode ser uma terapia complementar valiosa no manejo da dor oncológica, oferecendo uma alternativa segura e eficaz que pode reduzir a dependência de analgésicos e seus efeitos adversos, especialmente importante no contexto do cuidado paliativo.
Auriculoterapia
16 pessoas
Pontos específicos para dor e equilíbrio energético
Placebo
15 pessoas
Pontos fixos não relacionados à dor
Redução média da dor no grupo tratado
Diferença significativa na intensidade da dor
Redução no uso de analgésicos
Mudança na escala analgésica da OMS
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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