Estudo científico comentado

Acupuntura para dor crônica: revisão sistemática avalia eficácia

Referência acadêmica

Periódico

Pain

Ano

2000

Autores

Ezzo et al.

Desenho

Revisão sistemática

Esta revisão analisou 51 estudos sobre acupuntura para dor crônica. Os resultados mostram evidência limitada de que a acupuntura é melhor que nenhum tratamento. Porém, quando comparada com placebo ou outros tratamentos, os resultados foram inconsistentes. A qualidade dos estudos influenciou os resultados - estudos de menor qualidade tenderam a mostrar mais benefícios. Mais pesquisas de alta qualidade são necessárias para conclusões definitivas.

Título original do estudo: Is acupuncture effective for the treatment of chronic pain? A systematic review

📊Revisão sistemática👥n=2423 participantes🔍Evidência limitada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A acupuntura pode ser melhor que nenhum tratamento para dor crônica, mas não há evidências conclusivas de que supere placebo, acupuntura falsa ou cuidados padrão; a qualidade metodológica dos estudos influencia fortemente os resultados positivos.

O que isso significa para você?

Esta revisão analisou 51 estudos sobre acupuntura para dor crônica. Os resultados mostram evidência limitada de que a acupuntura é melhor que nenhum tratamento. Porém, quando comparada com placebo ou outros tratamentos, os resultados foram inconsistentes. A qualidade dos estudos influenciou os resultados - estudos de menor qualidade tenderam a mostrar mais benefícios. Mais pesquisas de alta qualidade são necessárias para conclusões definitivas.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A acupuntura pode oferecer algum alívio, mas não espere milagres ou superioridade clara sobre tratamentos convencionais
  • 2Se decidir tentar, planeje pelo menos 6 sessões — a evidência sugere que menos que isso provavelmente não funciona
  • 3A qualidade do profissional importa tanto quanto a técnica; busque alguém com formação adequada e experiência
  • 4Monitore sua resposta de forma realista: se não houver melhora após algumas semanas, reconsiderar a estratégia é sensato
  • 5Continue o acompanhamento médico regular; a acupuntura, quando usada, deve complementar — não substituir — o cuidado convencional
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base na minha condição específica, há evidência melhor para algum tratamento convencional primeiro?
  • 2Se optar pela acupuntura, quantas sessões seriam razoáveis antes de avaliar se está funcionando?
  • 3Há alguma contraindicação específica para mim, considerando meus outros problemas de saúde e medicamentos?
  • 4Como posso distinguir melhora real de efeito placebo no meu caso?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Esta revisão específica não avaliou dados de segurança da acupuntura — informações sobre riscos devem ser buscadas em outras fontes
  • 2Eventos adversos sérios são raros mas possíveis, especialmente com profissionais sem treinamento adequado
  • 3A segurança da acupuntura em condições específicas (gravidez, uso de anticoagulantes, distúrbios de coagulação) não foi abordada nesta análise
  • 4Sempre informe ao médico responsável se está realizando acupuntura, para integração com o cuidado médico global

Leitura rápida para pacientes

Acupuntura para dor crônica: o que sabemos

A evidência é limitada e os melhores estudos mostram resultados menos entusiasmantes, mas pode valer a pena para quem já esgotou outras opções

Ponto 1

Melhor que nada fazer, mas não comprovadamente superior a placebo ou tratamentos padrão

Ponto 2

Provavelmente precisa de pelo menos 6 sessões para ter chance de funcionar

Ponto 3

A qualidade dos estudos influencia os resultados — cuidado com promessas baseadas em pesquisas antigas ou mal feitas

O que este estudo acrescenta

ALERTA METODOLÓGICO

Esta revisão foi pioneira em demonstrar sistematicamente que a baixa qualidade dos estudos de acupuntura infla artificialmente os resultados positivos, alertando para cautela na interpretação de pesquisas anteriores

Aplicabilidade clínica

Leitura incerta

A eficácia da acupuntura permanece incerta devido à predominância de estudos de baixa qualidade; estudos melhores tendem a mostrar resultados menos favoráveis, sugerindo possível superestimação do efeito real

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, mas neste caso foi limitado pela baixa qualidade dos estudos originais reunidos

Total de pacientes

2. 423

em 51 estudos incluídos na revisão

Estudos com resultado positivo

41%

21 de 51 estudos, mas associados à baixa qualidade

Estudos de baixa qualidade

67%

34 de 51 estudos, com tendência a resultados mais favoráveis à acupuntura

Significância da associação qualidade-resultado

P<0,05

estudos piores mostravam mais benefícios de forma estatisticamente significativa

Sessões associadas a melhor resultado

6+

6 ou mais tratamentos significativamente associados a resultados positivos (P<0,03)

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor crônica de diversas causas (musculoesquelética, cefaleia, fibromialgia, osteoartrite, entre outras)

Tipo de estudo

Revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados

Participantes

2. 423 pacientes com dor persistente há mais de 3 meses, distribuídos em 51 estud

Duração

Variável entre estudos; acompanhamento pós-intervenção de 1 dia a 1 mês na maior

Sessões

Variável; 6 ou mais sessões associadas a melhores resultados

Comparador

Lista de espera, controles inertes, acupuntura falsa ou cuidado padrão ativo

Grupos do estudo

Acupuntura com agulhasDiversos controles (lista de espera, placebo, acupuntura falsa, cuidado padrão)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável entre estudos; 6 ou mais sessões associadas a resultados positivos

Frequência02

Não padronizada; variou conforme protocolo de cada estudo

Duração da sessão03

Não especificada de forma uniforme na revisão

Pontos / técnica04

Variável; alguns estudos usaram pontos padronizados, outros tratamento individualizado; estimulação do 'deqi' em alguns protocolos

Comparador05

Lista de espera, placebo (pílulas de açúcar, TENS falso, acupuntura simulada), acupuntura falsa (agulhas em pontos não t

Nota de protocolo06

A heterogeneidade dos protocolos de acupuntura entre os estudos foi tão grande que impediu a realização de meta-análise estatística

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pacientes com dor crônica definida como mais de 3 meses de duraçãoDiversas condições: lombalgia, cervicalgia, osteoartrite, fibromialgia, cefaleia, enxaqueca, dor facial, angina, entre outrasAdultos de ambos os sexos, em sua maioriaEstudos realizados em múltiplos países, com predominância de publicações em inglêsPacientes que consentiram em participar de ensaios com agulhas

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com dor aguda (menos de 3 meses)Estudos que usaram apenas eletrodos superficiais sem agulhasPublicações em idiomas diferentes do inglês (excluídas por restrição orçamentária)Ensaios não randomizados ou sem grupo controle comparativoCrianças e adolescentes (a maioria dos estudos incluiu apenas adultos)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor crônica

melhorou em alguns estudos

Resultados positivos em 41% dos estudos, mas fortemente associados à baixa qualidade metodológica

⏱️

Resposta versus nenhum tratamento

melhorou

Todos os 5 estudos com lista de espera mostraram benefício, mas todos eram de baixa qualidade

🔍

Identificação de fatores de sucesso

avanço metodológico

Revisão identificou que número de sessões e qualidade do estudo influenciam resultados

O que não mudou

  • Consistência de resultados contra placebo ou acupuntura falsa: evidência inconclusiva
  • Superioridade clara sobre cuidados padrão: resultados inconsistentes
  • Padronização de protocolos: grande heterogeneidade entre estudos impediu conclusões firmes sobre técnica ideal

Quando a melhora apareceu

1

ao longo do tratamento

Após 6 ou mais sessões

Estudos com 6+ tratamentos mostraram resultados significativamente mais positivos, mesmo ajustando pela qualidade

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Esta revisão específica não avaliou dados de segurança da acupuntura — informações sobre riscos devem ser buscadas em outras fontes
Amarelo
  • Esta revisão não avaliou dados específicos de segurança
  • Eventos adversos da acupuntura não foram sistematicamente reportados nos estudos incluídos
Vermelho
  • Falta de informações sobre segurança nesta revisão específica
  • Risco de pneumotórax ou lesão de órgãos em profissionais sem treinamento adequado (não avaliado aqui, mas conhecido na literatura)
  • Contraindicações específicas não foram abordadas nesta análise

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pacientes com dor crônica musculoesquelética (onde os melhores estudos mostraram algum benefício)
  • Pessoas que já esgotaram opções de tratamento convencional
  • Pacientes dispostos a realizar pelo menos 6 sessões de tratamento
  • Indivíduos que valorizam abordagens complementares mesmo com evidência limitada

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com dor aguda (não estudada nesta revisão)
  • Pessoas que esperam resultados superiores a tratamentos convencionais comprovados
  • Indivíduos que não têm acesso a profissionais com treinamento adequado em acupuntura
  • Pacientes que não podem arcar com custos de múltiplas sessões sem garantia de benefício

Expectativa realista

O que esperar realisticamente

Possível alívio parcial da dor, especialmente se comparado a não fazer nada, mas sem garantia de superioridade sobre placebo ou tratamentos padrão

Tempo provável

Se houver benefício, tende a aparecer após várias sessões (6 ou mais)

A evidência é limitada e os estudos de melhor qualidade mostram resultados menos entusiasmantes; a melhora pode refletir efeitos não específicos de atenção e te

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar ao médico se há contraindicações específicas para sua condição
  2. 2Verificar a qualificação e experiência do profissional que aplicará a acupuntura
  3. 3Discutir custo e número esperado de sessões antes de iniciar tratamento
  4. 4Perguntar como monitorar se o tratamento está funcionando e quando reconsiderar a estratégia
  5. 5Informar sobre todos os tratamentos e medicamentos em uso para evitar interações

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Acupuntura é comprovadamente eficaz para dor crônica

Achado

A evidência é limitada e inconclusiva; estudos de melhor qualidade tendem a mostrar menos benefício

Mito

Acupuntura funciona melhor que placebo

Achado

Quando comparada com acupuntura falsa, os resultados são inconsistentes e não permitem conclusão definitiva

Mito

Uma ou duas sessões de acupuntura são suficientes

Achado

A revisão encontrou associação entre 6 ou mais sessões e melhores resultados, sugerindo necessidade de tratamento mais prolongado

Mito

Todos os estudos sobre acupuntura são de boa qualidade

Achado

Dois terços dos 51 estudos foram classificados como de baixa qualidade, e esses mostravam mais resultados positivos

Como isso pode funcionar

🧠

HIPÓTESE NEUROHUMORAL

Estímulo das agulhas pode ativar liberação de endorfinas e monoaminas — mecanismo proposto, não diretamente testado nesta revisão clínica

👐

EFEITO NÃO ESPECÍFICO

Atenção, tempo dedicado e expectativa do paciente podem contribuir para a melhora percebida — fator reconhecido pelos autores

ESTIMULAÇÃO DO 'DEQI'

Sensações de dormência e plenitude durante a sessão são consideradas importantes na tradição, mas sua relação com resultados clínicos não foi confirmada nesta revisão

O que ainda é incerto

  • ?Qual é a 'dose' ideal de acupuntura? O número de pontos, a frequência e a duração das sessões permanecem sem padronização baseada em evidências
  • ?A acupuntura falsa é realmente inerte? A taxa de melhora de 46% nesse grupo sugere efeitos não específicos da inserção de agulhas, complicando a inter
  • ?Qual o papel do 'deqi'? Apesar de central na teoria tradicional, não foi possível confirmar sua importância para resultados clínicos nesta revisão
  • ?A restrição a publicações em inglês excluiu estudos importantes, especialmente da Ásia, onde a prática é mais consolidada
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se acupuntura é eficaz para tratar dor crônica

👥

QUEM PARTICIPOU

2. 423 pacientes com dor há mais de 3 meses em 51 estudos

🧪

COMO FOI FEITO

Análise de estudos comparando acupuntura com lista de espera, placebo, acupuntura falsa e cuidado padrão

📈

O QUE MUDOU

Acupuntura melhor que nenhum tratamento, mas resultados inconsistentes com outros controles

🛟

SEGURANÇA

Revisão focou em eficácia, não relatou dados específicos de segurança

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

O VÍCIO DOS ESTUDOS RUINS

Pela primeira vez de forma sistemática, demonstrou-se que estudos de acupuntura de baixa qualidade exageram os benefícios em mais de 30% — um alerta metodológico que mudou como pesquisadores avaliam essa literatura

🧭

O ENIGMA DA ACUPUNTURA FALSA

A descoberta de que 46% dos pacientes melhoram com acupuntura falsa, contra 25% com placebos inertes, sugere que a simples inserção de agulhas tem efeitos biológicos próprios, complicando a interpretação de 'efeito espec

📌

A REGRA DAS 6 SESSÕES

A associação entre 6 ou mais tratamentos e melhores resultados, mesmo após ajuste estatístico, levanta a hipótese de 'dose mínima' — embora ainda não se saiba se isso reflete efeito cumulativo real ou investimento psicol

🔬

O CAMINHO PARA FRENTE

Os autores delinearam claramente o que falta: ensaios maiores, com acupuntura falsa como controle, focados em dor musculoesquelética, que testem diferentes doses e meçam o 'deqi' de forma padronizada

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Acupuntura para dor crônica: revisão sistemática avalia eficácia

A dor crônica — aquela que persiste por mais de três meses — é uma das razões mais comuns pelas quais pessoas buscam acupuntura. Nos Estados Unidos, estima-se que cerca de um milhão de consumidores recorrem a esse tratamento anualmente, muitas vezes após tentativas frustradas com abordagens convencionais. Mas será que as agulhas realmente funcionam para esse tipo de dor? Em 2000, um grupo de pesquisadores liderado por Jeanette Ezzo publicou uma revisão sistemática abrangente na revista Pain, analisando 51 estudos clínicos que reuniam 2.

423 pacientes, na tentativa de responder a essa pergunta de forma rigorosa.

O estudo adotou critérios bastante seletivos: incluiu apenas ensaios randomizados, com populações que tinham dor por mais de três meses, que utilizaram agulhas (não apenas eletrodos superficiais) e que foram publicados em inglês. Essa última restrição, embora prática, representa uma limitação importante, pois excluiu potencialmente estudos de qualidade publicados em outros idiomas, especialmente em chinês e japonês, onde a tradição da acupuntura é mais consolidada.

A metodologia da revisão foi meticulosa. Dois revisores independentes extraíram os dados usando um instrumento validado para avaliar a qualidade dos estudos. A escala de Jadad, com cinco pontos possíveis, foi utilizada para classificar os trabalhos em alta (3 a 5 pontos) ou baixa qualidade (0 a 2 pontos). Além disso, os pesquisadores investigaram quatro características específicas do tratamento com acupuntura: o número total de sessões, a quantidade de pontos agulhados por sessão, se houve estimulação do "deqi" (sensação de dormência e plenitude considerada importante na teoria tradicional) e se o tratamento foi padronizado ou individualizado para cada paciente.

Os resultados revelaram um cenário complexo e, em muitos aspectos, preocupante. Dos 51 estudos, 21 apresentaram resultados positivos para a acupuntura, 3 foram negativos e 27 foram neutros — ou seja, a maioria não encontrou diferença significativa entre a acupuntura e os controles. Mas a descoberta mais alarmante foi a associação entre qualidade metodológica e resultado: dois terços dos estudos (34 de 51) receberam pontuação baixa, e esses estudos de baixa qualidade foram significativamente mais propensos a mostrar resultados favoráveis à acupuntura. Essa associação permaneceu mesmo quando os pesquisadores ajustaram suas análises, sugerindo que falhas no desenho dos estudos — como falta de cegamento adequado, não reportar desistências ou não equilibrar o tempo de atenção entre grupos — podem inflar artificialmente os benefícios percebidos do tratamento.

Quando os resultados foram analisados segundo o tipo de grupo controle, emergiram padrões distintos. Os cinco estudos que compararam acupuntura com lista de espera (ou seja, nenhum tratamento) todos mostraram resultados positivos, mas todos eram de baixa qualidade. Isso gerou o que os autores classificaram como "evidência limitada" de que a acupuntura é melhor que nada. Já as comparações com placebo, acupuntura falsa ou cuidado padrão produziram resultados inconsistentes, classificados como "evidência inconclusiva".

Os estudos de maior qualidade concentraram-se nos desenhos que usavam acupuntura falsa como controle, justamente onde seria mais difícil demonstrar diferença devido aos requisitos de tamanho amostral e ao risco de erros do tipo II (falsos negativos).

Uma descoberta intrigante foi que seis ou mais tratamentos de acupuntura estavam significativamente associados a resultados positivos, mesmo após ajuste pela qualidade do estudo. Essa associação levanta três possibilidades: pode ser um achado ao acaso; pode refletir um efeito de "investimento" psicológico, onde pacientes que dedicam mais tempo e passam por mais sessões tendem a reportar melhora; ou pode indicar um efeito cumulativo genuíno da acupuntura, ainda não bem demonstrado em ensaios clínicos rigorosos. Os autores enfatizam que, sem estudos especificamente desenhados para testar diferentes "doses" de acupuntura, essa questão permanece sem resposta definitiva.

A comparação entre proporções de melhora nos diferentes grupos controle também merece atenção. Enquanto controles inertes (como pílulas de açúcar ou TENS falso) mostraram taxa mediana de melhora de 25%, a acupuntura falsa alcançou 46% e os controles ativos (como fisioterapia ou medicamentos) 48%. Embora a diferença entre acupuntura falsa e controles inertes não tenha atingido significância estatística, a tendência sugere que a simples inserção de agulhas — mesmo em pontos não tradicionais — pode ter efeitos analgésicos não específicos, complicando a interpretação de estudos que a utilizam como controle.

Para pacientes que consideram a acupuntura para dor crônica, essa revisão oferece uma mensagem matizada. Não há evidência robusta de que a acupuntura supere placebo ou tratamentos convencionais, mas também não há evidência de que seja inútil. A decisão de tentar esse tratamento deve considerar a gravidade da dor, as opções já esgotadas, o custo e a disponibilidade de profissionais qualificados.

Os autores concluem que é prematuro traçar conclusões definitivas sobre a eficácia da acupuntura para dor crônica, dada a predominância de estudos de baixa qualidade e os tamanhos amostrais insuficientes nos estudos de maior rigor metodológico. Eles apontam para a necessidade urgente de ensaios clínicos maiores e melhor desenhados, especialmente na área de dor musculoesquelética, onde os estudos de maior qualidade com resultados positivos se concentraram. Até lá, a acupuntura permanece como uma opção terapêutica com evidência limitada, que pode valer a pena para alguns pacientes, mas não como substituto de tratamentos com comprovação mais sólida.

O que fortalece a leitura

  • 1Revisão abrangente de 51 estudos
  • 2Análise da qualidade metodológica
  • 3Identificação de fatores associados a resultados positivos
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Maioria dos estudos de baixa qualidade
  • 2Grande heterogeneidade entre estudos
  • 3Restrita a publicações em inglês

Leitura clínica do estudo

LIMITADA
45/ 100
Desenho
2/5
Amostra
4/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

2423pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Acupuntura

1212 pessoas

Acupuntura com agulhas

Controles diversos

1211 pessoas

Lista espera, placebo, acupuntura falsa, cuidado padrão

⏱️ Tempo de acompanhamento: Variada entre estudos

📊 Resultados em números

0%

Estudos com resultado positivo

0%

Estudos de baixa qualidade

P<0.05

Associação baixa qualidade-resultado positivo

P<0.03

Eficácia com 6 ou mais tratamentos

Destaques percentuais

41%
Estudos com resultado positivo
67%
Estudos de baixa qualidade

📊 Comparação de Resultados

Taxa de melhora por tipo de controle

Controles inertes
25
Acupuntura falsa
46
Controles ativos
48

📅 Linha do tempo da evidência

1989Primeira revisão sistemática sobre acupuntura e dor crônica
1990Segunda revisão sistemática com resultados inconclusivos
1998Conferência de Consenso do NIH sobre Acupuntura
2000Esta revisão sistemática com 51 estudos

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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