Pacientes avaliados
2. 239
maior coorte de acupuntura oncológica em mundo real
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Supportive Care in Cancer
Ano
2026
Autores
Lasheen et al.
Desenho
Estudo observacional retrospectivo
Este grande estudo mostra que a acupuntura realmente funciona para aliviar sintomas comuns do câncer como dor, fadiga e ansiedade quando usada na prática médica real. Os benefícios começam a aparecer já na segunda sessão e se mantêm entre os tratamentos. O estudo confirma que é seguro e viável integrar a acupuntura ao cuidado oncológico, oferecendo uma opção não medicamentosa para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Título original do estudo: Acupuncture for cancer symptoms: Clinical application and longitudinal impact a retrospective observational real-world data study
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Acupuntura em grupo, uma vez por semana, mostrou melhora significativa em seis sintomas comuns do câncer já a partir da segunda sessão, com alta adesão e boa tolerabilidade em mais de 2. 000 pacientes atendidos em prática oncológica real — mas sem grupo control
Este grande estudo mostra que a acupuntura realmente funciona para aliviar sintomas comuns do câncer como dor, fadiga e ansiedade quando usada na prática médica real. Os benefícios começam a aparecer já na segunda sessão e se mantêm entre os tratamentos. O estudo confirma que é seguro e viável integrar a acupuntura ao cuidado oncológico, oferecendo uma opção não medicamentosa para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Grande estudo de prática real mostra melhora em dor, fadiga, ansiedade e mais — mas exige paciência e múltiplas sessões
Ponto 1
Benefícios tendem a aparecer na 2ª-3ª sessão semanal, não imediatamente
Ponto 2
Onadas de calor e ansiedade respondem mais rápido; dor e fadiga precisam de mais tempo
Ponto 3
Funciona melhor como complemento, não substituto, do tratamento oncológico convencional
O que este estudo acrescenta
Este é o maior estudo longitudinal de acupuntura em oncologia com dados de prática clínica real, demonstrando viabilidade de integração em ambulatório convencional e padrões de uso por milhares de pacientes ao longo de o
Aplicabilidade clínica
A magnitude da melhora (1-2 pontos em escala 0-10) é clinicamente perceptível para pacientes, com taxas de resposta entre 49-70% dependendo do sintoma e da adesão. A alta adesão (83%) e a ausência de alternativas farmaco
Força do desenho do estudo
Dados de prática clínica real são valiosos para entender funcionamento no dia a dia, mas sem grupo controle não se pode ter certeza de que a intervenção causou o efeito observado.
Pacientes avaliados
2. 239
maior coorte de acupuntura oncológica em mundo real
Retorno para 2ª sessão
83%
taxa de adesão ao tratamento, indicando boa aceitação
Com múltiplos sintomas
68%
proporção de pacientes com dois ou mais sintomas simultâneos
Resposta clínica em ondas de calor
66-70%
taxa de melhora entre pacientes aderentes, o maior efeito observado
Mulheres na amostra
83%
predominância que limita generalização para populações masculinas
Ficha rápida do estudo
Condição
Sintomas relacionados ao câncer (dor, fadiga, ansiedade, ondas de calor, neuropatia, problemas de sono)
Tipo de estudo
Estudo observacional retrospectivo de dados do mundo real
Participantes
2. 239 pacientes com câncer, 83% mulheres, idade média 57 anos, 57% câncer de mam
Duração
8 anos de coleta (2015–2022); acompanhamento longitudinal por múltiplas sessões
Sessões
Mediana de intervalo de 7 dias entre sessões; 83% fizeram ≥2 sessões, 71% ≥3 ses
Comparador
Nenhum grupo controle ou placebo; comparação intraindividual ao longo do tempo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Variável; 83% fizeram pelo menos 2 sessões, 71% pelo menos 3, 56% pelo menos 4
Recomendação de 1 sessão por semana nas primeiras 4 semanas, depois individualiz
30 a 45 minutos por sessão
Aproximadamente 18 agulhas filiformes descartáveis por sessão, inseridas em pontos de acupuntura tradicional chinesa e ocasionalmente pontos Ashi, com estimulação manual a critério
Sem comparador ativo; cada paciente serve como seu próprio controle histórico
Sessões em grupo (até 4 pacientes simultâneos), em cadeiras reclináveis; custo potencialmente coberto parcialmente por seguro ou apoio filantrópico
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Ansiedade
melhorou
Redução média de 5 para 3 pontos na escala 0-10; 62% de resposta clínica na 2ª sessão
Ondas de calor
melhorou
Redução média de 6 para 4 pontos; maior taxa de resposta (66-70%) entre todos os sintomas
Problemas de sono
melhorou
Redução de 6 para 4-5 pontos; 57% de resposta clínica com adesão ao tratamento
Neuropatia sensorial
melhorou
Redução de 5 para 4 pontos; melhora mais lenta, consolidada na 3ª sessão
Dor
melhorou
Redução de 5 para 3-4 pontos; 49-56% de resposta clínica dependendo da análise
Fadiga
melhorou
Redução de 5 para 4 pontos; melhora estatística precoce, clínica consolidada na 3ª sessão
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
aproximadamente 1–2 semanas após início
Segunda sessão
Melhora estatística em todos os 6 sintomas; melhora clínica significativa para ansiedade e ondas de calor
aproximadamente 2–3 semanas após início
Terceira sessão
Melhora estatística e clínica significativa consolidada para todos os sintomas: dor, fadiga, ansiedade, ondas de calor, neuropatia e sono
Antes e depois
Ansiedade
escala máx. 10 pontos (0-10)
Ondas de calor
escala máx. 10 pontos (0-10)
Dor
escala máx. 10 pontos (0-10)
Problemas de sono
escala máx. 10 pontos (0-10)
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Se a acupuntura funcionar para você, é provável que note alguma diferença já na segunda semana, com benefícios mais consolidados após a terceira sessão. Onadas de calor e ansiedade tendem a responder mais rápido; dor e fadiga podem precisar
Tempo provável
2 a 3 semanas (2-3 sessões semanais) para avaliar resposta inicial significativa
Resultados variam muito entre pessoas, e este estudo não prova que a acupuntura causa a melhora — apenas que ela acompanhou melhora em pacientes que a receberam
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Acupuntura é apenas efeito placebo
Achado
A melhora foi mensurável e consistente em milhares de pacientes, mas sem grupo placebo no estudo, não se pode separar o efeito específico da acupuntura de outros fatores como expectativa e atenção recebida
Mito
Uma sessão já resolve
Achado
Os benefícios se acumularam ao longo das sessões; apenas ansiedade e ondas de calor mostraram melhora clínica significativa já na segunda sessão, enquanto outros sintomas precisaram de três
Mito
Só funciona para mulheres com câncer de mama
Achado
Embora 83% fossem mulheres, os homens e idosos que utilizaram o serviço tiveram benefícios comparáveis — o problema foi acesso, não eficácia
Mito
Acupuntura substitui tratamento oncológico
Achado
O estudo avaliou acupuntura como cuidado de apoio, sempre em conjunto com tratamentos convencionais; não há evidência aqui de que cure ou substitua terapias oncológicas padrão
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO LOCAL
Agulhas inseridas em pontos específicos do corpo podem ativar terminações nervosas e liberar substâncias como endorfinas — mecanismo proposto, não completamente confirmado
MODULAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO
A estimulação pode influenciar vias que regulam percepção de dor, temperatura e resposta ao estresse — efeito sugerido por estudos de neuroimagem, mas não diretamente demonstrado neste trabalho
EFEITO CUMULATIVO
Sessões repetidas parecem produzir benefícios maiores que sessões isoladas, possivelmente por reforço de vias neuroplásticas — padrão observado, mecanismo ainda especulativo
CONTEXTO TERAPÊUTICO
Atenção dedicada, ambiente de relaxamento e expectativa positiva também contribuem para o alívio percebido — fatores não farmacológicos reconhecidamente relevantes, embora de magnitude incerta
O que ainda é incerto
Avaliar como a acupuntura tradicional chinesa melhora sintomas do câncer na prática clínica real
2. 239 pacientes com câncer (83% mulheres, idade média 57 anos, 57% câncer de mama)
Análise de dados reais de múltiplas sessões de acupuntura em grupo, com avaliação de 6 sintomas principais
Melhora significativa em dor, fadiga, ansiedade, ondas de calor, neuropatia e sono já na segunda sessão
Tratamento bem tolerado sem eventos adversos graves, com 83% dos pacientes retornando para segunda sessão
Achados Interessantes
MELHORA PRECOCE
Ansiedade e ondas de calor mostraram benefício clínico significativo já na segunda sessão — mais rápido do que muitos medicamentos para esses sintomas, que podem levar semanas.
O MODELO EM GRUPO FUNCIONA
Até quatro pacientes simultaneamente, em cadeiras de quimioterapia, com alta adesão — isso sugere que acupuntura oncológica pode ser escalada sem perder eficácia, reduzindo custo e aumentando acesso.
O PARADOXO DA DESIGUALDADE
Homens e idosos se beneficiaram tanto quanto mulheres e jovens quando usaram o serviço, mas representaram minoria — apontando para barreiras de acesso, não de eficácia, que precisam de atenção em políticas de saúde.
PONTE ENTRE PESQUISA E ROTINA
Os autores propuseram explicitamente que uma sessão semanal é tão aceitável e praticável quanto as múltiplas sessões por semana dos ensaios clínicos — um achado prático para implementação em serviços reais.
Resumo detalhado em linguagem acessível
Este estudo retrospectivo representa a maior análise de dados do mundo real sobre acupuntura em oncologia já realizada, avaliando 2. 239 pacientes consecutivos com câncer que receberam acupuntura tradicional chinesa (ACP) em um ambiente ambulatorial entre 2015 e 2022. O estudo foi conduzido no Departamento de Oncologia de Suporte do Atrium Health Levine Cancer, onde foi estabelecida uma Seção de Medicina Integrativa em 2013 para integrar práticas complementares aos cuidados convencionais do câncer. A população estudada foi predominantemente feminina (83%) com idade média de 57 anos, sendo 57% dos casos relacionados ao câncer de mama.
Os sintomas mais comuns incluíam dor (61%), problemas de sono (50%), fadiga (45%), ondas de calor (42%), ansiedade (40%) e neuropatia (40%). A maioria dos pacientes (68%) apresentava múltiplos sintomas, com severidade basal entre 5-6 na escala numérica de 0-10. A intervenção consistiu em sessões de acupuntura em grupo, acomodando até quatro pacientes simultaneamente em cadeiras reclináveis similares às usadas em quimioterapia. Acupunturistas licenciados com mais de 10 anos de experiência aplicavam aproximadamente 18 agulhas por sessão, com número e profundidade adaptados aos sintomas e resposta prévia do paciente.
As sessões duravam 30-45 minutos, com recomendação de uma sessão por semana durante quatro semanas. Os resultados demonstraram efetividade significativa da ACP para todos os sintomas avaliados. Na segunda sessão, todos os sintomas mostraram melhora estatisticamente significativa, com ansiedade e ondas de calor também apresentando melhora clinicamente significativa (≥1 ponto na escala). Na terceira sessão, todas as melhorias eram tanto estatística quanto clinicamente significativas.
As taxas de resposta clínica variaram de 57% para ondas de calor a 42% para dor quando todos os pacientes foram incluídos, e de 70% para ondas de calor a 56% para dor entre aqueles que completaram pelo menos duas sessões. Um achado importante foi que os benefícios da ACP pareceram se sustentar entre as sessões, sugerindo efeitos duradouros do tratamento. Além disso, observou-se uma relação dose-resposta, onde múltiplas sessões foram necessárias para benefício ótimo, especialmente para sintomas como dor e fadiga. Para sintomas de natureza mais aguda, como ansiedade e ondas de calor, o efeito terapêutico foi mais pronunciado e imediato.
A adesão ao tratamento foi alta, com 83% dos pacientes retornando para uma segunda sessão. Pacientes aderentes tenderam a ser mais velhos e com maior carga sintomática. O estudo revelou disparidades importantes no uso da ACP. Mulheres e pacientes mais jovens utilizaram mais os serviços, enquanto homens e adultos mais velhos tiveram menor utilização, apesar de experimentarem benefícios similares quando participaram do tratamento.
Mulheres apresentaram maior carga sintomática (3±2 vs 2±2 sintomas) e sintomas mais severos em várias categorias. Não foram observadas diferenças significativas nas taxas de resposta clínica entre gêneros ou grupos etários. As implicações clínicas são substanciais. O estudo demonstrou que a integração da ACP em ambientes oncológicos ambulatoriais convencionais é viável e sustentável.
O modelo de ACP em grupo mostrou-se eficiente em termos de custos, permitindo maior acesso aos serviços. A frequência semanal de sessões provou ser tanto aceitável quanto eficaz, contrastando com ensaios clínicos que frequentemente empregam múltiplas sessões por semana. O estudo identificou lacunas significativas na base de evidências atual, incluindo a necessidade de pesquisas sobre disparidades de gênero e idade, benefícios em populações diversas, práticas de prescrição, análises de custo-efetividade e padronização de critérios para diferença clinicamente importante mínima. Os achados apoiam a expansão da cobertura de seguros para serviços de ACP como forma de melhorar o acesso e reduzir disparidades no cuidado de suporte ao câncer.
Pacientes com acupuntura
2239 pessoas
Acupuntura tradicional chinesa em grupo, sessões semanais
Taxa de resposta clínica para ansiedade
Taxa de resposta clínica para ondas de calor
Taxa de resposta clínica para dor
Pacientes com múltiplos sintomas
Aderência ao tratamento (≥2 sessões)
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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