Estudo científico comentado

Agulhamento seco em pontos-gatilho miofasciais comparado ao diclofenaco oral em pacientes com osteoartrite de joelho

Referência acadêmica

Periódico

BMC Musculoskeletal Disorders

Ano

2023

Autores

Ma et al.

Desenho

Ensaio clínico randomizado

Este estudo mostra que o agulhamento seco em pontos dolorosos dos músculos da coxa e perna pode ser mais eficaz que o anti-inflamatório diclofenaco para tratar dor no joelho por artrose. O tratamento com agulhas proporcionou alívio da dor mais duradouro e melhor recuperação da mobilidade do joelho. Ambos os tratamentos foram seguros, mas o agulhamento teve menos efeitos colaterais que o medicamento.

Título original do estudo: Dry needling on latent and active myofascial trigger points versus oral diclofenac in patients with knee osteoarthritis: a randomized controlled trial

🔬Ensaio clínico randomizado👥n=98 participantesAlto impacto clínico
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em pacientes com osteoartrite de joelho moderada a grave, agulhamento seso em pontos-gatilho miofasciais ativos e latentes combinado a alongamentos proporcionou alívio da dor, melhora da função e amplitude de movimento superiores e mais duradouros que diclofen

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que o agulhamento seco em pontos dolorosos dos músculos da coxa e perna pode ser mais eficaz que o anti-inflamatório diclofenaco para tratar dor no joelho por artrose. O tratamento com agulhas proporcionou alívio da dor mais duradouro e melhor recuperação da mobilidade do joelho. Ambos os tratamentos foram seguros, mas o agulhamento teve menos efeitos colaterais que o medicamento.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A osteoartrite de joelho envolve não só a cartilagem, mas também tensões musculares que podem ser identificadas e tratadas
  • 2O agulhamento seco em pontos específicos da coxa e perna, combinado a alongamentos, mostrou alívio superior ao anti-inflamatório diclofenaco neste estudo
  • 3Os benefícios do agulhamento parecem durar mais tempo, mesmo após o término das sessões
  • 4Alongamentos regulares em casa foram importantes em ambos os grupos e não devem ser negligenciados
  • 5A decisão pelo tratamento deve ser individualizada, considerando suas condições de saúde e conversando com seu médico
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Eu tenho pontos tensos ou doloridos na coxa ou perna que poderiam ser pontos-gatilho miofasciais?
  • 2Quais são os riscos e benefícios do agulhamento seco comparados aos anti-inflamatórios no meu caso específico?
  • 3Eu conseguiria realizar os alongamentos diários em casa como descrito no estudo?
  • 4Há alguma contraindicação ao agulhamento considerando meus medicamentos ou condições de saúde atuais?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O agulhamento seco causou principalmente dor residual leve após a sessão e pequenos hematomas; dois pacientes abandonaram por desconforto persistente
  • 2O diclofenaco causou problemas digestivos em alguns participantes; seu uso prolongado requer cautela em pessoas com histórico de úlcera, problemas renais ou cardiovasculares
  • 3Nenhum evento adverso grave foi registrado, mas o estudo não teve poder estatístico para detectar eventos raros
  • 4A segurança do agulhamento em pessoas com distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes ou infecção local não foi testada nesta população

Leitura rápida para pacientes

Agulhamento pode aliviar mais e por mais tempo

Para quem tem osteoartrite de joelho com pontos tensos na coxa ou perna, tratar esses pontos com agulhas semanais mostrou resultado melhor e mais duradouro que tomar diclofenaco

Ponto 1

Ambos os tratamentos aliviam a dor, mas o agulhamento manteve benefícios por 6 meses

Ponto 2

Alongamentos diários em casa foram parte essencial de ambos os grupos

Ponto 3

Fale com seu médico sobre se essa abordagem se encaixa no seu caso

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRO A INCLUIR LATENTES

Primeiro estudo randomizado em osteoartrite de joelho a tratar tanto pontos-gatilho ativos quanto latentes, demonstrando que os latentes — apesar de não causarem dor espontânea — são prevalentes e podem ser alvos terapêu

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A diferença entre grupos supera o mínimo clinicamente importante para dor e função em osteoartrite de joelho, com efeito duradouro de 6 meses, mas limitado pela ausência de grupo placebo e perdas de acompanhamento

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Estudo em que participantes são alocados aleatoriamente a diferentes tratamentos, oferecendo evidência de alta qualidade sobre eficácia comparativa, embora aqui sem grupo placebo

Participantes incluídos

98

42 completaram agulhamento, 35 completaram diclofenaco

Redução da dor com agulhamento

66%

Queda de 6,15 para 2,10 na escala 0-10 aos 6 meses

Redução da dor com diclofenaco

37%

Queda de 5,85 para 3,68 na mesma escala, com regressão posterior

Prevalência de pontos-gatilho latentes

até 68,8%

No gastrocnêmio, sendo mais comuns que os ativos na amostra estudada

Seguimento pós-tratamento

6 meses

Período em que o grupo de agulhamento manteve vantagem sobre o medicamentoso

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Osteoartrite de joelho graus II a IV com pontos-gatilho miofasciais ativos ou latentes

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado, paralelo, simples-cego

Participantes

98 pacientes (77 completaram), idade média ~75 anos, dor ≥4/10

Duração

6 semanas de tratamento com seguimento de 6 meses

Sessões

Agulhamento semanal (média de sessões não especificada; interrompido quando dor

Comparador

Diclofenaco sódico 75 mg oral diário

Grupos do estudo

Agulhamento seco + alongamentosDiclofenaco 75mg + alongamentos

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Até 6 sessões semanais (interrompidas individualmente se dor <3/10 ou ponto-gati

Frequência02

1 vez por semana

Duração da sessão03

Não especificada; procedimento até obtenção de resposta de contração local e com

Pontos / técnica04

Pontos-gatilho ativos e latentes em quadríceps, tensor da fáscia lata, adutores/abdutores do quadril, isquiotibiais, tríceps sural e poplíteo; agulha 0,30mm x 40-75mm com punção va

Comparador05

Diclofenaco sódico 75mg oral diário antes das refeições por 6 semanas

Nota de protocolo06

Ambos os grupos realizaram alongamentos específicos domiciliares diários (1 minuto, 3 repetições, 3x ao dia) conforme músculos com pontos-gatilho identificados

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Idade ≥55 anos com dor de joelho e disfunção uni ou bilateralOsteoartrite primária confirmada por critérios clínicos e radiográficos Kellgren-Lawrence graus II-IVDor média ≥4 na escala numérica de 0 a 10 na semana anteriorPelo menos um ponto-gatilho miofascial ativo ou latente palpável em músculo do membro inferior ipsilateral ao joelho doloridoCapacidade de compreender e completar as avaliações do estudo

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com cirurgia prévia no joelho ou injeção de esteroide intra-articular nos 2 meses anterioresCondições que causassem dor miofascial ou neuropática no membro inferior, como radiculopatia lombarHistórico de úlcera péptica, doença cardíaca, insuficiência renal ou hipersensibilidade ao diclofenacoOsteoporose avançada, incapacidade de caminhar 10m sem dispositivo auxiliar, ou fobia a agulhasUso de esteroides sistêmicos nas 4 semanas anteriores ao estudo

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

melhorou

Redução de 6,15 para 2,10 no grupo agulhamento vs 5,85 para 3,68 no grupo diclofenaco aos 6 meses

🚶

Função no dia a dia

melhorou

WOMAC total reduziu de 93,34 para 51,08 (agulhamento) vs 73,81 para 62,33 (diclofenaco) aos 6 meses

🦵

Amplitude de movimento do joelho

melhorou

Flexão do joelho aumentou significativamente mais no grupo agulhamento após 6 semanas

⏱️

Durabilidade do efeito

melhorou

Benefícios do agulhamento mantidos por 6 meses; efeito do diclofenaco regrediu após interrupção

🎯

Dor e rigidez WOMAC

melhorou

Subescores de dor e rigidez do WOMAC favoreceram agulhamento em ambos os momentos avaliados

O que não mudou

  • Não houve diferença significativa nas características basais entre os grupos antes do tratamento
  • A prevalência de pontos-gatilho latentes permaneceu elevada na população estudada, não sendo eliminada completamente
  • Não foi avaliada a redução da progressão estrutural da osteoartrite (dano cartilaginoso)

Quando a melhora apareceu

1

6 semanas

Após 6 semanas de tratamento

Ambos os grupos mostraram melhora significativa em dor, função WOMAC e amplitude de movimento do joelho

2

6 meses

Seguimento de 6 meses

Grupo de agulhamento manteve ganhos; grupo do diclofenaco mostrou piora significativa da dor e função comparado às 6 semanas

Antes e depois

Dor em repouso (NPRS 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes6.15 pontos
Depois2.1 pontos

Dor em repouso - diclofenaco (NPRS 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes5.85 pontos
Depois3.68 pontos

Função total (WOMAC 0-96)

escala máx. 96 pontos

Antes93.34 pontos
Depois51.08 pontos

Função total - diclofenaco (WOMAC 0-96)

escala máx. 96 pontos

Antes73.81 pontos
Depois62.33 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Agulhamento bem tolerado com eventos adversos leves e autolimitados
  • Nenhum evento adverso grave em nenhum dos grupos
  • Dois grupos de tratamento ativo permitiram comparação de perfis de segurança
Amarelo
  • Dor residual pós-agulhamento em alguns pacientes, levando a 2 abandono
  • Hematomas subcutâneos pontuais como efeito esperado do agulhamento
  • Indigestão e dor abdominal com diclofenaco, com 3 abandono por eventos adversos
Vermelho
  • Ausência de grupo placebo impede avaliação completa de segurança comparativa
  • Seguimento por telefone limitou a detecção de eventos adversos tardios
  • Contraindicações ao diclofenaco não exploradas em subgrupos de risco cardiovascular/renal

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pacientes com osteoartrite de joelho graus II-IV e dor persistente ≥4/10
  • Pessoas com pontos-gatilho miofasciais palpáveis em coxa ou perna associados à dor do joelho
  • Indivíduos que não obtiveram alívio satisfatório com anti-inflamatórios orais ou que desejam reduzi-los
  • Pacientes sem contraindicações ao uso de agulhas (sem alergia a metal, sem fobia intensa)
  • Pessoas com capacidade de realizar e aderir a programa de alongamentos domiciliares

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com osteoartrite leve (grau I) ou muito avançada com indicação cirúrgica estabelecida
  • Indivíduos com neuropatia periférica, radiculopatia lombar ou outras causas de dor não miofascial
  • Pessoas com osteoporose avançada, distúrbios de coagulação ou infecção ativa na área de punção
  • Pacientes com histórico de úlcera péptica, insuficiência renal ou cardiopatia que necessitem de diclofenaco com cautela
  • Indivíduos incapazes de caminhar 10m sem auxílio ou de compreender as instruções do tratamento

Expectativa realista

Alívio progressivo que pode se manter

Redução da dor e melhora da capacidade de movimento do joelho, com benefícios que tendem a persistir por meses após o término das sessões de agulhamento

Tempo provável

Melhora inicial em 6 semanas; manutenção dos ganhos avaliada até 6 meses

Resultados individuais variam, e o estudo não teve grupo placebo para isolar o efeito específico do agulhamento dos alongamentos

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há pontos doloridos específicos na coxa ou perna que possam ser pontos-gatilho miofasciais
  2. 2Discutir se já houve uso prévio de diclofenaco ou outros anti-inflamatórios e como foram tolerados
  3. 3Avaliar se há contraindicações ao agulhamento (uso de anticoagulantes, distúrbios de coagulação, infecção local)
  4. 4Verificar disposição para realizar alongamentos diários em casa como parte do tratamento
  5. 5Questionar sobre expectativas realistas e necessidade de acompanhamento de longo prazo

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Só os pontos-gatilho que doem espontaneamente precisam de tratamento

Achado

O estudo incluiu pontos-gatilho latentes (sem dor espontânea) e mostrou benefícios, sugerindo relevância clínica desses pontos na osteoartrite de joelho

Mito

Anti-inflamatórios orais são sempre a melhor primeira opção para dor de osteoartrite

Achado

O diclofenaco aliviou a dor inicialmente, mas seus efeitos regrediram após a interrupção, enquanto o agulhamento mostrou resultados superiores e mais duradouros

Mito

Agulhamento seco é apenas outra forma de acupuntura tradicional

Achado

O procedimento usado no estudo baseou-se em critérios anatômicos e fisiopatológicos de pontos-gatilho miofasciais, com técnica de punção específica até obtenção de resposta de contração local

Mito

Alongamentos sozinhos são suficientes para melhorar a osteoartrite de joelho

Achado

Ambos os grupos fizeram alongamentos, mas o grupo com agulhamento obteve resultados significativamente melhores, sugerindo efeito aditivo do tratamento dos pontos-gatilho

Como isso pode funcionar

🔍

IDENTIFICAÇÃO

Pontos-gatilho ativos e latentes são localizados por palpação em músculos que controlam o joelho — mecanismo proposto: esses pontos geram tensão muscular anormal que altera a biomecânica articular

💉

PUNÇÃO

Agulha inserida na banda tensa até obter resposta de contração local — mecanismo provável: estímulo mecânico despolariza a placa motora e interrompe o ciclo de espasmo-ischemia

🧘

ALONGAMENTO

Exercícios de alongamento específicos após alívio da dor — mecanismo proposto: restauração do comprimento muscular normal reduz a carga anormal sobre a cartilagem do joelho

🔄

MANUTENÇÃO

Benefícios persistem por meses — mecanismo ainda não totalmente elucidado; possivelmente relacionado à remodelação do padrão de ativação muscular e redução da sensibilização central

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe qual proporção da melhora se deve especificamente ao agulhamento, aos alongamentos ou ao efeito placebo, pela ausência de grupo controle c
  • ?A durabilidade dos benefícios além de 6 meses não foi investigada; não se sabe se são necessárias sessões de reforço
  • ?O efeito do agulhamento em pacientes com osteoartrite leve (grau I) ou muito severa aguardando cirurgia de substituição articular não foi testado nest
  • ?Não foi avaliado se a redução da dor se traduz em menor progressão estrutural da doença ou apenas em alívio sintomático
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar agulhamento seco em pontos-gatilho ativos e latentes vs diclofenaco oral em osteoartrite de joelho

👥

QUEM PARTICIPOU

98 pacientes com osteoartrite de joelho graus II-IV e pelo menos um ponto-gatilho identificado

🧪

COMO FOI FEITO

Grupo agulhamento seco + alongamento vs grupo diclofenaco 75mg + alongamento por 6 semanas

📈

O QUE MUDOU

Ambos reduziram dor e melhoraram função, mas agulhamento seco mostrou resultados superiores

🛟

SEGURANÇA

Agulhamento teve efeitos colaterais leves, diclofenaco causou problemas digestivos em alguns

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

LATENTES IMPORTAM

Pela primeira vez em um ensaio clínico para osteoartrite de joelho, pontos-gatilho latentes — que não doem espontaneamente — foram tratados ativamente, com resultados positivos

🧭

VANTAGEM DURADOURA

Enquanto o efeito do diclofenaco regrediu após parar o remédio, os ganhos do agulhamento se mantiveram estáveis por seis meses, sugerindo modificação mais profunda do problema

📌

ALTA PREVALÊNCIA

Quase 70% dos participantes tinham pontos-gatilho latentes no gastrocnêmio, e mais de 50% em vasto lateral e bíceps femoral — músculos frequentemente ignorados no tratamento convencional

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Agulhamento seco em pontos-gatilho miofasciais comparado ao diclofenaco oral em pacientes com osteoartrite de joelho

A osteoartrite de joelho é uma condição degenerativa comum que afeta principalmente idosos, causando dor, rigidez e limitação funcional significativa. Embora os anti-inflamatórios não esteroidais como o diclofenaco sejam amplamente prescritos, seus efeitos colaterais gastrointestinais, renais e cardiovasculares limitam o uso prolongado, levando pacientes a buscar terapias complementares. Este estudo investigou uma abordagem inovadora: o tratamento de pontos-gatilho miofasciais tanto ativos quanto latentes através do agulhamento seco, comparando sua eficácia com o tratamento farmacológico convencional. Os pontos-gatilho miofasciais são áreas hipersensíveis em bandas tensas do músculo esquelético que podem contribuir significativamente para a dor e disfunção na osteoartrite de joelho.

Diferentemente dos pontos-gatilho ativos, que reproduzem os sintomas do paciente quando estimulados, os pontos latentes não causam dor espontânea, mas podem levar a disfunções motoras, rigidez, restrição de amplitude de movimento e fadiga muscular. O estudo incluiu 77 pacientes com osteoartrite de joelho confirmada radiograficamente, com idade igual ou superior a 55 anos e dor moderada (≥4 na escala numérica de dor). Os participantes foram randomizados em dois grupos: o grupo de agulhamento seco recebeu tratamento semanal nos pontos-gatilho ativos e latentes dos músculos periarticulares do joelho (quadríceps, isquiotibiais, glúteos, gastrocnêmio, entre outros) combinado com exercícios de alongamento, enquanto o grupo controle recebeu diclofenaco oral 75mg diários combinado com os mesmos exercícios de alongamento. O protocolo de agulhamento seco seguiu critérios estabelecidos internacionalmente, com inserção transcutânea de agulhas esterilizadas até provocar resposta de contração local, seguida de compressão isquêmica.

Os exercícios de alongamento foram específicos para os músculos que apresentavam pontos-gatilho, incluindo alongamentos para flexores e extensores do joelho, glúteos, adutores e músculos da panturrilha. Os resultados demonstraram superioridade significativa do agulhamento seco em todos os desfechos avaliados. Ambos os grupos apresentaram melhora após o tratamento, mas o grupo de agulhamento seco mostrou reduções mais pronunciadas na intensidade da dor, medida pela Escala Numérica de Dor, e melhor função, avaliada pelo índice WOMAC. Os benefícios se mantiveram ao longo do tempo: enquanto o grupo do diclofenaco mostrou deterioração significativa entre 6 semanas e 6 meses de seguimento, o grupo de agulhamento seco manteve os ganhos obtidos.

A amplitude de movimento do joelho também melhorou significativamente mais no grupo de agulhamento seco. As implicações clínicas são substanciais. O agulhamento seco reduziu mais a dor e melhorou mais a função, e os ganhos se mantiveram ao longo do tempo, configurando uma alternativa aos anti-inflamatórios. O mecanismo proposto envolve o relaxamento das contrações nodulares dos pontos-gatilho, restaurando o equilíbrio mecânico muscular ao redor da articulação do joelho e reduzindo o estresse concentrado sobre a cartilagem articular.

Esta abordagem é particularmente relevante considerando que muitos pacientes com osteoartrite apresentam discordância entre achados radiográficos e sintomas clínicos, sugerindo que fatores além da degeneração articular contribuem para a dor. O estudo apresenta limitações importantes, incluindo a falta de supervisão dos exercícios domiciliares de alongamento e ausência de grupo placebo por considerações éticas. A maioria dos seguimentos foi realizada por telefone devido às limitações de mobilidade dos pacientes idosos, impossibilitando medições diretas da amplitude de movimento no seguimento. Apesar dessas limitações, os resultados fornecem evidências robustas de que o agulhamento seco de pontos-gatilho miofasciais, incluindo tanto pontos ativos quanto latentes, representa uma intervenção eficaz e duradoura para pacientes com osteoartrite de joelho, oferecendo uma opção terapêutica valiosa que pode reduzir a dependência de medicamentos anti-inflamatórios e seus efeitos adversos associados.

O que fortalece a leitura

  • 1Primeiro estudo a incluir pontos-gatilho latentes além dos ativos
  • 2Seguimento de longo prazo (6 meses)
  • 3Comparação com tratamento padrão estabelecido
  • 4Avaliação abrangente incluindo dor, função e mobilidade
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Impossibilidade de cegar os participantes ao tratamento
  • 2Falta de supervisão dos exercícios domiciliares
  • 3Seguimento por telefone limitou algumas medidas
  • 4Ausência de grupo placebo

Leitura clínica do estudo

FORTE
80/ 100
Desenho
4/5
Amostra
4/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

98pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Agulhamento seco + alongamento

42 pessoas

Agulhamento semanal em pontos-gatilho com exercícios de alongamento

Diclofenaco + alongamento

35 pessoas

Diclofenaco 75mg/dia com exercícios de alongamento

⏱️ Tempo de acompanhamento: 6 semanas de tratamento com seguimento de 6 meses

📊 Resultados em números

6.15 para 2.10

Redução da dor (escala 0-10) - agulhamento seco

5.85 para 3.05

Redução da dor (escala 0-10) - diclofenaco

28.05 para 11.45

Melhora na função WOMAC - agulhamento seco

Melhora significativamente superior no grupo agulhamento

Amplitude de movimento do joelho

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (escala 0-10) aos 6 meses

Agulhamento seco
2.1
Diclofenaco
3.68

Função WOMAC aos 6 meses (0-68 pontos)

Agulhamento seco
11.45
Diclofenaco
19.68

📅 Linha do tempo da evidência

2012Primeira identificação de pontos-gatilho em osteoartrite de joelho
2017Início do recrutamento e registro do estudo
2020Evidências limitadas para agulhamento em osteoartrite
2023Publicação deste estudo comparativo com diclofenaco

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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