Participantes incluídos
98
42 completaram agulhamento, 35 completaram diclofenaco
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
BMC Musculoskeletal Disorders
Ano
2023
Autores
Ma et al.
Desenho
Ensaio clínico randomizado
Este estudo mostra que o agulhamento seco em pontos dolorosos dos músculos da coxa e perna pode ser mais eficaz que o anti-inflamatório diclofenaco para tratar dor no joelho por artrose. O tratamento com agulhas proporcionou alívio da dor mais duradouro e melhor recuperação da mobilidade do joelho. Ambos os tratamentos foram seguros, mas o agulhamento teve menos efeitos colaterais que o medicamento.
Título original do estudo: Dry needling on latent and active myofascial trigger points versus oral diclofenac in patients with knee osteoarthritis: a randomized controlled trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em pacientes com osteoartrite de joelho moderada a grave, agulhamento seso em pontos-gatilho miofasciais ativos e latentes combinado a alongamentos proporcionou alívio da dor, melhora da função e amplitude de movimento superiores e mais duradouros que diclofen
Este estudo mostra que o agulhamento seco em pontos dolorosos dos músculos da coxa e perna pode ser mais eficaz que o anti-inflamatório diclofenaco para tratar dor no joelho por artrose. O tratamento com agulhas proporcionou alívio da dor mais duradouro e melhor recuperação da mobilidade do joelho. Ambos os tratamentos foram seguros, mas o agulhamento teve menos efeitos colaterais que o medicamento.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Para quem tem osteoartrite de joelho com pontos tensos na coxa ou perna, tratar esses pontos com agulhas semanais mostrou resultado melhor e mais duradouro que tomar diclofenaco
Ponto 1
Ambos os tratamentos aliviam a dor, mas o agulhamento manteve benefícios por 6 meses
Ponto 2
Alongamentos diários em casa foram parte essencial de ambos os grupos
Ponto 3
Fale com seu médico sobre se essa abordagem se encaixa no seu caso
O que este estudo acrescenta
Primeiro estudo randomizado em osteoartrite de joelho a tratar tanto pontos-gatilho ativos quanto latentes, demonstrando que os latentes — apesar de não causarem dor espontânea — são prevalentes e podem ser alvos terapêu
Aplicabilidade clínica
A diferença entre grupos supera o mínimo clinicamente importante para dor e função em osteoartrite de joelho, com efeito duradouro de 6 meses, mas limitado pela ausência de grupo placebo e perdas de acompanhamento
Força do desenho do estudo
Estudo em que participantes são alocados aleatoriamente a diferentes tratamentos, oferecendo evidência de alta qualidade sobre eficácia comparativa, embora aqui sem grupo placebo
Participantes incluídos
98
42 completaram agulhamento, 35 completaram diclofenaco
Redução da dor com agulhamento
66%
Queda de 6,15 para 2,10 na escala 0-10 aos 6 meses
Redução da dor com diclofenaco
37%
Queda de 5,85 para 3,68 na mesma escala, com regressão posterior
Prevalência de pontos-gatilho latentes
até 68,8%
No gastrocnêmio, sendo mais comuns que os ativos na amostra estudada
Seguimento pós-tratamento
6 meses
Período em que o grupo de agulhamento manteve vantagem sobre o medicamentoso
Ficha rápida do estudo
Condição
Osteoartrite de joelho graus II a IV com pontos-gatilho miofasciais ativos ou latentes
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado, paralelo, simples-cego
Participantes
98 pacientes (77 completaram), idade média ~75 anos, dor ≥4/10
Duração
6 semanas de tratamento com seguimento de 6 meses
Sessões
Agulhamento semanal (média de sessões não especificada; interrompido quando dor
Comparador
Diclofenaco sódico 75 mg oral diário
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Até 6 sessões semanais (interrompidas individualmente se dor <3/10 ou ponto-gati
1 vez por semana
Não especificada; procedimento até obtenção de resposta de contração local e com
Pontos-gatilho ativos e latentes em quadríceps, tensor da fáscia lata, adutores/abdutores do quadril, isquiotibiais, tríceps sural e poplíteo; agulha 0,30mm x 40-75mm com punção va
Diclofenaco sódico 75mg oral diário antes das refeições por 6 semanas
Ambos os grupos realizaram alongamentos específicos domiciliares diários (1 minuto, 3 repetições, 3x ao dia) conforme músculos com pontos-gatilho identificados
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
melhorou
Redução de 6,15 para 2,10 no grupo agulhamento vs 5,85 para 3,68 no grupo diclofenaco aos 6 meses
Função no dia a dia
melhorou
WOMAC total reduziu de 93,34 para 51,08 (agulhamento) vs 73,81 para 62,33 (diclofenaco) aos 6 meses
Amplitude de movimento do joelho
melhorou
Flexão do joelho aumentou significativamente mais no grupo agulhamento após 6 semanas
Durabilidade do efeito
melhorou
Benefícios do agulhamento mantidos por 6 meses; efeito do diclofenaco regrediu após interrupção
Dor e rigidez WOMAC
melhorou
Subescores de dor e rigidez do WOMAC favoreceram agulhamento em ambos os momentos avaliados
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
6 semanas
Após 6 semanas de tratamento
Ambos os grupos mostraram melhora significativa em dor, função WOMAC e amplitude de movimento do joelho
6 meses
Seguimento de 6 meses
Grupo de agulhamento manteve ganhos; grupo do diclofenaco mostrou piora significativa da dor e função comparado às 6 semanas
Antes e depois
Dor em repouso (NPRS 0-10)
escala máx. 10 pontos
Dor em repouso - diclofenaco (NPRS 0-10)
escala máx. 10 pontos
Função total (WOMAC 0-96)
escala máx. 96 pontos
Função total - diclofenaco (WOMAC 0-96)
escala máx. 96 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução da dor e melhora da capacidade de movimento do joelho, com benefícios que tendem a persistir por meses após o término das sessões de agulhamento
Tempo provável
Melhora inicial em 6 semanas; manutenção dos ganhos avaliada até 6 meses
Resultados individuais variam, e o estudo não teve grupo placebo para isolar o efeito específico do agulhamento dos alongamentos
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Só os pontos-gatilho que doem espontaneamente precisam de tratamento
Achado
O estudo incluiu pontos-gatilho latentes (sem dor espontânea) e mostrou benefícios, sugerindo relevância clínica desses pontos na osteoartrite de joelho
Mito
Anti-inflamatórios orais são sempre a melhor primeira opção para dor de osteoartrite
Achado
O diclofenaco aliviou a dor inicialmente, mas seus efeitos regrediram após a interrupção, enquanto o agulhamento mostrou resultados superiores e mais duradouros
Mito
Agulhamento seco é apenas outra forma de acupuntura tradicional
Achado
O procedimento usado no estudo baseou-se em critérios anatômicos e fisiopatológicos de pontos-gatilho miofasciais, com técnica de punção específica até obtenção de resposta de contração local
Mito
Alongamentos sozinhos são suficientes para melhorar a osteoartrite de joelho
Achado
Ambos os grupos fizeram alongamentos, mas o grupo com agulhamento obteve resultados significativamente melhores, sugerindo efeito aditivo do tratamento dos pontos-gatilho
Como isso pode funcionar
IDENTIFICAÇÃO
Pontos-gatilho ativos e latentes são localizados por palpação em músculos que controlam o joelho — mecanismo proposto: esses pontos geram tensão muscular anormal que altera a biomecânica articular
PUNÇÃO
Agulha inserida na banda tensa até obter resposta de contração local — mecanismo provável: estímulo mecânico despolariza a placa motora e interrompe o ciclo de espasmo-ischemia
ALONGAMENTO
Exercícios de alongamento específicos após alívio da dor — mecanismo proposto: restauração do comprimento muscular normal reduz a carga anormal sobre a cartilagem do joelho
MANUTENÇÃO
Benefícios persistem por meses — mecanismo ainda não totalmente elucidado; possivelmente relacionado à remodelação do padrão de ativação muscular e redução da sensibilização central
O que ainda é incerto
Comparar agulhamento seco em pontos-gatilho ativos e latentes vs diclofenaco oral em osteoartrite de joelho
98 pacientes com osteoartrite de joelho graus II-IV e pelo menos um ponto-gatilho identificado
Grupo agulhamento seco + alongamento vs grupo diclofenaco 75mg + alongamento por 6 semanas
Ambos reduziram dor e melhoraram função, mas agulhamento seco mostrou resultados superiores
Agulhamento teve efeitos colaterais leves, diclofenaco causou problemas digestivos em alguns
Achados Interessantes
LATENTES IMPORTAM
Pela primeira vez em um ensaio clínico para osteoartrite de joelho, pontos-gatilho latentes — que não doem espontaneamente — foram tratados ativamente, com resultados positivos
VANTAGEM DURADOURA
Enquanto o efeito do diclofenaco regrediu após parar o remédio, os ganhos do agulhamento se mantiveram estáveis por seis meses, sugerindo modificação mais profunda do problema
ALTA PREVALÊNCIA
Quase 70% dos participantes tinham pontos-gatilho latentes no gastrocnêmio, e mais de 50% em vasto lateral e bíceps femoral — músculos frequentemente ignorados no tratamento convencional
Resumo detalhado em linguagem acessível
A osteoartrite de joelho é uma condição degenerativa comum que afeta principalmente idosos, causando dor, rigidez e limitação funcional significativa. Embora os anti-inflamatórios não esteroidais como o diclofenaco sejam amplamente prescritos, seus efeitos colaterais gastrointestinais, renais e cardiovasculares limitam o uso prolongado, levando pacientes a buscar terapias complementares. Este estudo investigou uma abordagem inovadora: o tratamento de pontos-gatilho miofasciais tanto ativos quanto latentes através do agulhamento seco, comparando sua eficácia com o tratamento farmacológico convencional. Os pontos-gatilho miofasciais são áreas hipersensíveis em bandas tensas do músculo esquelético que podem contribuir significativamente para a dor e disfunção na osteoartrite de joelho.
Diferentemente dos pontos-gatilho ativos, que reproduzem os sintomas do paciente quando estimulados, os pontos latentes não causam dor espontânea, mas podem levar a disfunções motoras, rigidez, restrição de amplitude de movimento e fadiga muscular. O estudo incluiu 77 pacientes com osteoartrite de joelho confirmada radiograficamente, com idade igual ou superior a 55 anos e dor moderada (≥4 na escala numérica de dor). Os participantes foram randomizados em dois grupos: o grupo de agulhamento seco recebeu tratamento semanal nos pontos-gatilho ativos e latentes dos músculos periarticulares do joelho (quadríceps, isquiotibiais, glúteos, gastrocnêmio, entre outros) combinado com exercícios de alongamento, enquanto o grupo controle recebeu diclofenaco oral 75mg diários combinado com os mesmos exercícios de alongamento. O protocolo de agulhamento seco seguiu critérios estabelecidos internacionalmente, com inserção transcutânea de agulhas esterilizadas até provocar resposta de contração local, seguida de compressão isquêmica.
Os exercícios de alongamento foram específicos para os músculos que apresentavam pontos-gatilho, incluindo alongamentos para flexores e extensores do joelho, glúteos, adutores e músculos da panturrilha. Os resultados demonstraram superioridade significativa do agulhamento seco em todos os desfechos avaliados. Ambos os grupos apresentaram melhora após o tratamento, mas o grupo de agulhamento seco mostrou reduções mais pronunciadas na intensidade da dor, medida pela Escala Numérica de Dor, e melhor função, avaliada pelo índice WOMAC. Os benefícios se mantiveram ao longo do tempo: enquanto o grupo do diclofenaco mostrou deterioração significativa entre 6 semanas e 6 meses de seguimento, o grupo de agulhamento seco manteve os ganhos obtidos.
A amplitude de movimento do joelho também melhorou significativamente mais no grupo de agulhamento seco. As implicações clínicas são substanciais. O agulhamento seco reduziu mais a dor e melhorou mais a função, e os ganhos se mantiveram ao longo do tempo, configurando uma alternativa aos anti-inflamatórios. O mecanismo proposto envolve o relaxamento das contrações nodulares dos pontos-gatilho, restaurando o equilíbrio mecânico muscular ao redor da articulação do joelho e reduzindo o estresse concentrado sobre a cartilagem articular.
Esta abordagem é particularmente relevante considerando que muitos pacientes com osteoartrite apresentam discordância entre achados radiográficos e sintomas clínicos, sugerindo que fatores além da degeneração articular contribuem para a dor. O estudo apresenta limitações importantes, incluindo a falta de supervisão dos exercícios domiciliares de alongamento e ausência de grupo placebo por considerações éticas. A maioria dos seguimentos foi realizada por telefone devido às limitações de mobilidade dos pacientes idosos, impossibilitando medições diretas da amplitude de movimento no seguimento. Apesar dessas limitações, os resultados fornecem evidências robustas de que o agulhamento seco de pontos-gatilho miofasciais, incluindo tanto pontos ativos quanto latentes, representa uma intervenção eficaz e duradoura para pacientes com osteoartrite de joelho, oferecendo uma opção terapêutica valiosa que pode reduzir a dependência de medicamentos anti-inflamatórios e seus efeitos adversos associados.
Agulhamento seco + alongamento
42 pessoas
Agulhamento semanal em pontos-gatilho com exercícios de alongamento
Diclofenaco + alongamento
35 pessoas
Diclofenaco 75mg/dia com exercícios de alongamento
Redução da dor (escala 0-10) - agulhamento seco
Redução da dor (escala 0-10) - diclofenaco
Melhora na função WOMAC - agulhamento seco
Amplitude de movimento do joelho
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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