Estudo científico comentado

Laserterapia reduz dor no músculo trapézio em pacientes com síndrome dolorosa miofascial

Referência acadêmica

Periódico

Photobiomodulation, Photomedicine, and Laser Surgery

Ano

2022

Autores

Alayat et al.

Desenho

revisão sistemática e meta-análise

Este estudo confirma que a laserterapia é um tratamento eficaz para dor no músculo trapézio superior causada por pontos-gatilho (nódulos musculares dolorosos). O laser funciona melhor quando combinado com exercícios de alongamento. O tratamento é seguro e pode reduzir significativamente a dor, especialmente quando aplicado por profissionais treinados seguindo protocolos adequados.

Título original do estudo: Effectiveness of Photobiomodulation Therapy in the Treatment of Myofascial Pain Syndrome of the Upper Trapezius Muscle: A Systematic Review and Meta-Analysis

📚revisão sistemática e meta-análise👥n=944 participantesmoderada evidência clínica
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A laserterapia mostra benefício moderado para dor no trapézio superior causada por pontos-gatilho, com resultados mais consistentes quando combinada com exercícios de alongamento, embora a qualidade geral da evidência ainda seja baixa a moderada.

O que isso significa para você?

Este estudo confirma que a laserterapia é um tratamento eficaz para dor no músculo trapézio superior causada por pontos-gatilho (nódulos musculares dolorosos). O laser funciona melhor quando combinado com exercícios de alongamento. O tratamento é seguro e pode reduzir significativamente a dor, especialmente quando aplicado por profissionais treinados seguindo protocolos adequados.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A laserterapia é uma opção terapêutica válida para dor crônica no trapézio superior, mas funciona melhor como parte de um programa que inclua exercícios
  • 2Não espere milagres imediatos — a melhora tende a ser gradual ao longo de semanas de tratamento regular
  • 3A qualidade da evidência é moderada, o que significa que resultados individuais podem variar mais do que gostaríamos
  • 4A segurança parece boa, mas informe seu médico sobre qualquer condição especial, como histórico de câncer ou sensibilidade à luz
  • 5A falta de protocolo padronizado significa que perguntar sobre os parâmetros específicos do tratamento é uma atitude inteligente
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1O tratamento com laser será combinado com exercícios de alongamento específicos para o trapézio?
  • 2Quais são os parâmetros exatos do equipamento que será utilizado (comprimento de onda, potência, energia por ponto)?
  • 3Como será avaliada a resposta ao tratamento e em que momento reconsideraremos a estratégia se não houver melhora?
  • 4Existem contraindicações específicas para mim considerando meu histórico de saúde e medicamentos atual?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso significativo foi relatado nos 17 estudos revisados, mas a maioria não reportou sistematicamente a segurança
  • 2A fotobiomodulação é geralmente bem tolerada, com mínimo ou nenhum desconforto durante a aplicação
  • 3Contraindicações específicas não foram detalhadamente investigadas nesta revisão; precaução é recomendada em condições como câncer ativo, distúrbios fotossensíveis ou uso de medica
  • 4A variabilidade de equipamentos e parâmetros significa que a experiência de segurança pode não ser uniforme entre diferentes configurações de tratamento

Leitura rápida para pacientes

Laser + alongamento pode aliviar dor no trapézio

A evidência sugere que a fotobiomodulação ajuda mais quando combinada com exercícios, não usada sozinha.

Ponto 1

Tratamento não invasivo com benefício moderado a grande para dor crônica no trapézio

Ponto 2

Melhores resultados exigem comprometimento com exercícios de alongamento

Ponto 3

Ainda não existe protocolo único comprovado — a experiência pode variar

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA REVISÃO ESPECÍFICA

Esta foi a primeira revisão sistemática com meta-análise dedicada exclusivamente à fotobiomodulação para síndrome dolorosa miofascial do trapézio superior, consolidando evidências anteriormente dispersas.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução da dor alcançada, especialmente com a combinação laser + exercícios, atinge tamanho de efeito considerado clinicamente relevante (grande segundo critérios de Cohen). No entanto, a baixa a moderada qualidade da

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois sintetiza dados de múltiplos ensaios clínicos randomizados, embora a qualidade dos estudos incluídos afete a confiança

Total de pacientes analisados

944

de 17 ensaios clínicos randomizados incluídos na revisão

Estudos na meta-análise quantitativa

16

um estudo excluído por dados insuficientes

Redução da dor com laser + exercícios

tamanho de efeito grande

SMD -0,80 (IC 95%: -1,35 a -0,26), considerado clinicamente relevante

Aumento do limiar de dor à pressão

tamanho de efeito grande

SMD 1,11 (IC 95%: 0,59 a 1,63) para laser combinado com exercícios

Estudos de alta qualidade metodológica

12 de 17

segundo a escala PEDro; 3 de qualidade razoável e 2 de baixa qualidade

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome dolorosa miofascial do músculo trapézio superior com pontos-gatilho ativos

Tipo de estudo

Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Participantes

944 pacientes de 17 estudos, idades 17-65 anos, predominantemente ambos os sexos

Duração

2 a 15 semanas de tratamento; acompanhamento pós-tratamento variável (4 semanas

Sessões

Variável: diário a 2-3 vezes por semana, total de sessões não uniformemente repo

Comparador

Placebo, tratamento medicamentoso, ultrassom, ondas de choque, terapia manual, terapia física convencional, eletroestimu

Grupos do estudo

Fotobiomodulação sozinha (441 pacientes)Fotobiomodulação + exercícios (421 pacientes)Controles diversos (82 pacientes)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável entre estudos; não há padronização clara no número total de sessões

Frequência02

Diária em alguns estudos, 2 a 3 vezes por semana em outros

Duração da sessão03

1 a 5 minutos por ponto tratado, dependendo do protocolo

Pontos / técnica04

Aplicação direta sobre pontos-gatilho miofasciais na maioria dos estudos; dois estudos utilizaram varredura da região do trapézio além dos pontos-gatilho

Comparador05

Placebo (laser desligado), medicamentos, ultrassom terapêutico, ondas de choque, terapia manual, eletroestimulação, tera

Nota de protocolo06

Grande variedade de parâmetros de laser: comprimentos de onda predominantemente infravermelhos (780-1064 nm), potências de miliwatts a watts, energia por ponto de 3J a 50J. Três es

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pacientes com diagnóstico de síndrome dolorosa miofascial crônica no trapézio superiorPresença confirmada de pontos-gatilho miofasciais ativos na região do trapézioIdade predominantemente entre 17 e 65 anosAmbos os sexos na maioria dos estudos (dois estudos apenas com mulheres)Pacientes que utilizavam escala visual analógica ou escala numérica para dor como desfecho

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Síndrome dolorosa miofascial em músculos diferentes do trapézio superiorCrianças e adolescentes menores de 17 anosPacientes com condições agudas ou trauma recenteEstudos não randomizados, relatos de caso, artigos de conferência ou sem texto completo disponívelArtigos publicados em idiomas diferentes do inglês

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

Redução moderada com laser sozinho (tamanho de efeito médio) e maior com laser + exercícios (tamanho de efeito grande)

🖐️

Limiar de dor à pressão

aumentou

Aumento significativo da tolerância à pressão sobre pontos-gatilho, especialmente quando laser foi combinado com exercícios

🔄

Amplitude de movimento cervical

melhorou parcialmente

Alguns estudos reportaram melhora, mas este não foi o foco principal da meta-análise

🧘

Extensibilidade muscular

melhorou

Benefício observado em estudos que combinaram laser com exercícios de alongamento

O que não mudou

  • Não houve superioridade consistente da fotobiomodulação isolada sobre todas as terapias comparadoras em todos os estudos
  • O efeito sobre o limiar de dor à pressão com laser sozinho não foi significativo em algumas análises devido ao número limitado de estudos
  • A heterogeneidade alta impede conclusões definitivas sobre qual protocolo de laser é ideal

Quando a melhora apareceu

1

2 a 4 semanas

Durante o tratamento

Redução da dor intensidade avaliada ao final do período de intervenção ativa

2

4 semanas após término

Acompanhamento curto

Manutenção parcial dos efeitos em alguns estudos que realizaram seguimento

3

12 semanas a 6 meses

Acompanhamento médio

Dados limitados e inconsistentes sobre persistência dos benefícios em longo prazo

Antes e depois

Intensidade da dor (escala 0-10 aproximada)

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois3.5 pontos

Intensidade da dor com laser + exercícios

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois2.8 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso significativo foi relatado nos estudos incluídos
  • A fotobiomodulação é geralmente bem tolerada, com desconforto mínimo durante a aplicação
  • Tratamento não invasivo, sem necessidade de medicação sistêmica
Amarelo
  • A maioria dos estudos não reportou sistematicamente a ocorrência de efeitos colaterais, o que limita a avaliação completa de segurança
  • A variabilidade de parâmetros de laser significa que a experiência pode diferir entre diferentes equipamentos e configurações
  • Contraindicações específicas não foram detalhadamente abordadas na revisão
Vermelho
  • Ausência de dados robustos sobre segurança em populações especiais como gestantes, pacientes com câncer ou com distúrbios fotossensíveis
  • Dois estudos de baixa qualidade metodológica incluídos na revisão podem ter viesado os resultados de segurança

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor crônica no trapézio superior e diagnóstico de pontos-gatilho miofasciais ativos
  • Pessoas que já tentaram outras modalidades sem alívio satisfatório e buscam alternativas não farmacológicas
  • Pacientes dispostos a combinar o tratamento com exercícios de alongamento regularmente
  • Indivíduos com posturas de trabalho prolongadas que contribuem para tensão do trapézio
  • Pacientes que preferem abordagens não invasivas com baixo risco de efeitos sistêmicos

Mais cautela para extrapolar

  • Crianças e adolescentes menores de 17 anos (fora da faixa etária estudada)
  • Pacientes com dor aguda traumática ou condições inflamatórias sistêmicas não avaliadas
  • Pessoas com histórico de câncer na região cervical ou distúrbios de sensibilidade à luz
  • Indivíduos que esperam melhora imediata e definitiva sem comprometimento com exercícios
  • Pacientes com expectativa de cura permanente, dado que a durabilidade dos efeitos é incerta

Expectativa realista

Alívio gradual com combinação terapêutica

A maioria das pessoas pode esperar alguma redução da intensidade da dor ao longo de 2 a 4 semanas de tratamento. Os melhores resultados parecem ocorrer quando a laserterapia é combinada com exercícios de alongamento, não como tratamento iso

Tempo provável

Benefícios iniciais tipicamente observados após algumas semanas de tratamento regular; a persistência além de 1-3 meses

Não existe ainda um protocolo único e comprovadamente superior de laser — a experiência pode variar dependendo do equipamento e dos parâmetros utilizados.

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se há experiência com protocolos específicos de fotobiomodulação para pontos-gatilho do trapézio e quais parâmetros serão utilizados
  2. 2Discutir a importância de associar exercícios de alongamento e fortalecimento ao tratamento com laser
  3. 3Questionar sobre expectativas realistas de melhora, número estimado de sessões e critérios para reavaliação
  4. 4Informar sobre outras condições de saúde, especialmente se há histórico de câncer, distúrbios fotossensíveis ou uso de medicamentos fotossensibilizantes
  5. 5Solicitar planejamento de acompanhamento pós-tratamento para avaliar a persistência dos benefícios

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

A laserterapia sozinha cura a dor miofascial do trapézio

Achado

O laser isolado mostrou benefício moderado, mas os efeitos mais consistentes e maiores ocorreram quando combinado com exercícios de alongamento

Mito

Qualquer tipo de laser funciona igualmente bem

Achado

Houve grande variabilidade entre equipamentos, potências, comprimentos de onda e doses de energia, sem consenso sobre o protocolo ideal

Mito

Os resultados da laserterapia são imediatos e duradouros

Achado

A melhora tende a ser gradual ao longo de semanas, e a persistência dos efeitos em longo prazo foi pouco estudada e inconsistente

Mito

A fotobiomodulação é totalmente isenta de riscos

Achado

Embora geralmente bem tolerada, a revisão não forneceu dados sistemáticos sobre segurança, e contraindicações específicas não foram detalhadas

Como isso pode funcionar

💡

ESTÍMULO CELULAR

A luz infravermelha penetra nos tecidos e pode ser absorvida por componentes celulares, potencialmente aumentando a produção de energia celular (ATP) — mecanismo proposto, não diretamente observado nestes estudos clínico

🛡️

MODULAÇÃO INFLAMATÓRIA

Estudos pré-clínicos sugerem redução de citocinas pró-inflamatórias e aumento de mediadores anti-inflamatórios, o que pode contribuir para alívio da dor

🧠

INIBIÇÃO DA SINALIZAÇÃO DOLOROSA

A laserterapia pode alterar a transmissão de sinais dolorosos pelas fibras nervosas e potencialmente estimular a liberação de endorfinas e encefalinas — substâncias naturais de alívio da dor

🩸

MELHORA DA CIRCULAÇÃO LOCAL

Aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade vascular na região tratada, com consequente redução da tensão muscular — efeito proposto na literatura de suporte

O que ainda é incerto

  • ?Qual é o protocolo ótimo de laser (comprimento de onda, potência, energia por ponto, frequência de aplicação) para esta condição?
  • ?Quanto tempo os benefícios realmente persistem após o término do tratamento, considerando o acompanhamento inconsistente entre estudos?
  • ?A fotobiomodulação seria igualmente eficaz em populações mais idosas, em atletas ou em trabalhadores com demandas físicas específicas?
  • ?Como a falta de padronização dos parâmetros de irradiação afeta a reprodutibilidade dos resultados na prática clínica real?
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se a laserterapia é eficaz para reduzir dor e aumentar tolerância à pressão no trapézio superior

👥

QUEM PARTICIPOU

944 pacientes de 17 estudos com síndrome dolorosa miofascial no músculo trapézio superior

🧪

COMO FOI FEITO

Comparação da laserterapia sozinha ou combinada com exercícios versus placebo e outras terapias

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa da dor, especialmente quando laser foi combinado com exercícios

🛟

SEGURANÇA

Tratamento bem tolerado sem eventos adversos significativos relatados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

SINERGIA COM EXERCÍCIOS

A descoberta mais relevante foi que a fotobiomodulação isolada tem efeito moderado, mas a combinação com exercícios de alongamento produz benefício substancialmente maior — uma pista importante para otimizar o tratamento

🧭

PADRONIZAÇÃO PENDENTE

A revisão expôs de forma clara a falta de consenso sobre parâmetros de tratamento, abrindo caminho para pesquisas futuras que definam protocolos mais precisos e reprodutíveis

📌

LIMIAR DE DOR À PRESSÃO

O aumento da tolerância à pressão sobre pontos-gatilho foi particularmente expressivo com a combinação terapêutica, sugerindo não apenas alívio subjetivo da dor, mas também mudança mensurável na sensibilidade tecidual

🔍

EVIDÊNCIA MODERADA COM RESSALVAS

Pela primeira vez, uma revisão dedicada a esta condição específica aplicou tanto a escala PEDro quanto o sistema GRADE, deixando transparente que a promessa terapêutica existe, mas a confiança ainda precisa ser fortaleci

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Laserterapia reduz dor no músculo trapézio em pacientes com síndrome dolorosa miofascial

A síndrome dolorosa miofascial é uma condição dolorosa crônica que afeta os músculos e se caracteriza pela presença de pontos-gatilho — pequenas áreas de tensão e hipersensibilidade que podem causar dor local e irradiada, limitação de movimento e sensação de cansaço precoce. O músculo trapézio superior, localizado na região do pescoço e ombros, é um dos locais mais comumente acometidos, especialmente em pessoas que passam muito tempo em posturas fixas, como trabalho em computador ou atividades com elevação dos braços. Diante da variedade de tratamentos disponíveis — desde medicamentos até terapias físicas diversas —, surge a pergunta sobre o papel da fotobiomodulação, também conhecida como laserterapia de baixa intensidade, como opção terapêutica.

O estudo de Alayat e colaboradores, publicado em 2022, representa a primeira revisão sistemática com meta-análise dedicada especificamente a avaliar a eficácia da fotobiomodulação para dor e sensibilidade à pressão no trapézio superior. Os pesquisadores reuniram e analisaram 17 ensaios clínicos randomizados, totalizando 944 pacientes, publicados até dezembro de 2020. A metodologia seguiu rigorosos padrões de relatório para revisões sistemáticas (PRISMA) e foi registrada prospectivamente na base PROSPERO, o que aumenta a confiabilidade dos achados.

A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi avaliada pela escala PEDro, que examina aspectos como randomização, cegamento, análise estatística adequada e acompanhamento dos participantes. Doze estudos foram considerados de alta qualidade, três de qualidade razoável e dois de baixa qualidade. Além disso, o sistema GRADE foi utilizado para avaliar a certeza da evidência, revelando níveis de baixo a moderado — o que significa que, embora haja indicações promissoras, a confiança nos resultados ainda não é robusta o suficiente para recomendações definitivas sem ressalvas.

Os participantes dos estudos originais tinham idades entre 17 e 65 anos, com predomínio de ambos os sexos, embora dois estudos tenham incluído apenas mulheres. Todos apresentavam diagnóstico de síndrome dolorosa miofascial crônica com pontos-gatilho ativos no trapézio superior. Os tratamentos variaram consideravelmente: a fotobiomodulação foi aplicada sozinha em oito estudos, combinada com exercícios em sete estudos, e os comparadores incluíram placebo, tratamento medicamentoso, ultrassom, ondas de choque, terapia manual e terapias físicas convencionais. Os protocolos de laser também mostraram grande heterogeneidade, com diferentes comprimentos de onda (predominantemente infravermelho), potências, densidades de energia e número de sessões — geralmente de 2 a 4 semanas, com frequências diárias ou algumas vezes por semana.

Os resultados da meta-análise demonstraram que a fotobiomodulação isolada produziu redução moderada da intensidade da dor, com tamanho de efeito considerado médio segundo os critérios de Cohen. Quando combinada com exercícios de alongamento, porém, os benefícios foram mais pronunciados: a redução da dor atingiu tamanho de efeito grande, e o aumento do limiar de dor à pressão — ou seja, a capacidade de tolerar pressão sobre o ponto doloroso antes de sentir desconforto — também foi substancial, com tamanho de efeito grande e significância estatística. Isso sugere que a laserterapia funciona melhor como parte de um programa combinado do que como tratamento único.

É importante notar que a heterogeneidade entre os estudos foi alta, especialmente para os resultados de dor. Isso pode ser explicado pela variedade de protocolos de laser, tamanhos amostrais pequenos em alguns estudos, ausência de acompanhamento em longo prazo em parte das pesquisas e diferenças nos momentos de avaliação. Apenas três estudos mediram o limiar de dor à pressão para a fotobiomodulação isolada, o que limita a certeza sobre esse desfecho específico quando o laser é usado sem exercícios.

Sobre a segurança, o artigo não relata eventos adversos significativos, o que é reconfortante. No entanto, como a maioria dos estudos não descreveu sistematicamente a ocorrência de efeitos colaterais, essa ausência de informação não deve ser interpretada como garantia absoluta de inocuidade. A fotobiomodulação é geralmente considerada bem tolerada, com desconforto mínimo ou inexistente durante a aplicação.

Do ponto de vista prático, o que esses resultados significam para quem vive com dor no trapézio? Primeiro, que a laserterapia pode ser uma opção válida a considerar, especialmente se combinada com exercícios de alongamento e fortalecimento. Segundo, que os benefícios tendem a aparecer ao longo de semanas de tratamento, não de forma imediata. Terceiro, que a falta de padronização dos protocolos é uma limitação real — não existe ainda uma "receita única" de comprimento de onda, dose e frequência que tenha sido comprovadamente superior.

Isso significa que a experiência pode variar dependendo de onde o tratamento é realizado.

As limitações desta revisão merecem atenção. A restrição a artigos em inglês pode ter excluído estudos relevantes. A qualidade da evidência, classificada como baixa a moderada pelo GRADE, indica que novos estudos de alta qualidade podem alterar as conclusões. A ausência de descrição completa dos parâmetros de tratamento em vários artigos dificulta a reprodutibilidade e a comparação entre protocolos.

Por fim, o acompanhamento de longo prazo foi inconsistente, variando de 4 semanas a 6 meses, o que deixa incerto quanto tempo os benefícios persistem após o término do tratamento.

Em síntese, esta revisão oferece suporte científico moderado para o uso da fotobiomodulação na síndrome dolorosa miofascial do trapézio superior, com ênfase especial na combinação com exercícios. Para pacientes, a mensagem mais honesta é: o tratamento pode ajudar, provavelmente de forma mais consistente quando associado a alongamentos, mas ainda há incertezas sobre os melhores parâmetros e a durabilidade dos efeitos. A decisão de iniciar esse tratamento deve ser individualizada, considerando as características de cada pessoa, a gravidade dos sintomas e as alternativas disponíveis.

O que fortalece a leitura

  • 1Primeira revisão sistemática específica para trapézio superior
  • 2Análise de 944 pacientes em 17 estudos
  • 3Avaliação rigorosa da qualidade metodológica
  • 4Comparação com múltiplas terapias alternativas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Protocolos de laser muito variados entre estudos
  • 2Qualidade metodológica baixa a moderada
  • 3Falta de padronização dos parâmetros de irradiação
  • 4Heterogeneidade alta nos resultados

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
4/5
Amostra
4/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

944pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Laserterapia sozinha

441 pessoas

Aplicação de laser em pontos-gatilho do trapézio

Laser + exercícios

421 pessoas

Laser combinado com exercícios de alongamento

Controles

82 pessoas

Placebo, medicamentos ou outras terapias físicas

⏱️ Tempo de acompanhamento: 2 a 15 semanas de tratamento

📊 Resultados em números

0%

Redução da dor com laser sozinho

0%

Redução da dor com laser + exercícios

0%

Aumento do limiar de dor à pressão

12 de 17

Estudos de alta qualidade metodológica

Destaques percentuais

54%
Redução da dor com laser sozinho
80%
Redução da dor com laser + exercícios
111%
Aumento do limiar de dor à pressão

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (escala 0-10)

Laser sozinho
3.5
Laser + exercícios
2.8
Controles
5.2

📅 Linha do tempo da evidência

2003Primeiros estudos sobre laser em pontos-gatilho do trapézio
2015Introdução do termo 'fotobiomodulação' para laserterapia
2020Estudos com laser de alta intensidade mostram resultados promissores
2022Esta revisão confirma eficácia da laserterapia, especialmente combinada com exercícios

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Conheça a equipe da clínica →

Continue lendo

Continue pesquisando

Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.

Agulhamento Seco vs. AcupunturaDor Cervical & Ombro
2021

Agulhamento seco traz alívio duradouro da dor no ombro, mostra estudo controlado

O que este estudo responde

Uma única sessão de agulhamento seco nos pontos-gatilho do trapézio reduziu significativamente a dor no ombro por pelo menos uma semana, com efeitos…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como agulhamento seco ativo (n=20) foi comparado a agulhamento superficial simulado sem atingir músculo em dor crônica no ombro com síndrome da…

Comparador

agulhamento superficial simulado sem atingir músculo

🔬 ensaio clínico randomizado👥 41 participantes alto impacto clínico

Força da evidência

85%

Pai et al.

PAIN Reports

Ver resumo
Dor Cervical & OmbroRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2008

Acupuntura em ponto único melhora função e dor no ombro quando associada à fisioterapia

O que este estudo responde

Acupuntura em ponto único na perna (Tiaokou) somada à fisioterapia melhorou função e dor no ombro em 6 pontos a mais que fisioterapia isolada, com…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura + fisioterapia (n=205) foi comparado a tens simulado (aparelho desligado com luz piscando) + mesma fisioterapia em síndrome do…

Comparador

TENS simulado (aparelho desligado com luz piscando) + mesma fisioterapia

🔬 Ensaio clínico randomizado👥 425 participantes Evidência de alta qualidade

Força da evidência

85%

Vas et al.

Rheumatology

Ver resumo
Dor Cervical & OmbroRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2017

Avanços no diagnóstico e tratamento da dor cervical

O que este estudo responde

A dor cervical é extremamente comum e geralmente autolimitada no curto prazo; entre as opções não cirúrgicas, o exercício tem o melhor respaldo…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como não aplicável (revisão de literatura) foi comparado a variável conforme estudo incluído (placebo, cuidado usual, outras intervenções ativas)…

Comparador

Variável conforme estudo incluído (placebo, cuidado usual, outras intervenções ativas)

📖 Revisão de Estado da Arte🌍 População Global Alto Impacto Clínico

Força da evidência

85%

Cohen et al.

BMJ

Ver resumo
Dor Cervical & OmbroRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2024

Acupuntura reduz dor e melhora função em distúrbios temporomandibulares

O que este estudo responde

Acupuntura real foi superior à simulada na redução da dor e melhora da função em pacientes com distúrbio temporomandibular, com benefícios que…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura real foi comparado a acupuntura simulada com dispositivo park sham não invasivo em distúrbio temporomandibular (dtm) com dor há…

Comparador

Acupuntura simulada com dispositivo Park sham não invasivo

🎯 ensaio clínico randomizado👥 60 participantes alto impacto clínico

Força da evidência

85%

Liu et al.

QJM: An International Journal of Medicine

Ver resumo