Participantes do estudo
80
40 em cada grupo, com baixa taxa de abandono de 7%
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
The Journal of Alternative and Complementary Medicine
Ano
2015
Autores
AlBedah et al.
Desenho
Ensaio clínico controlado
Este estudo testou se a ventosaterapia (uso de ventosas com pequenos cortes na pele) ajuda pessoas com dor lombar crônica. Os resultados mostram que o tratamento reduziu significativamente a dor e melhorou a capacidade funcional. No entanto, como o grupo controle não recebeu um tratamento placebo, parte da melhora pode estar relacionada ao efeito psicológico. O estudo sugere que a ventosaterapia pode ser uma opção útil, mas são necessários estudos com placebo para confirmar os resultados.
Título original do estudo: The Use of Wet Cupping for Persistent Nonspecific Low Back Pain: Randomized Controlled Clinical Trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Ventosaterapia úmida em protocolo intensivo mostrou redução significativa de dor e melhora funcional em curto prazo para dor lombar crônica não específica, mas a ausência de grupo placebo impede saber quanto da melhora é efeito específico da técnica versus exp
Este estudo testou se a ventosaterapia (uso de ventosas com pequenos cortes na pele) ajuda pessoas com dor lombar crônica. Os resultados mostram que o tratamento reduziu significativamente a dor e melhorou a capacidade funcional. No entanto, como o grupo controle não recebeu um tratamento placebo, parte da melhora pode estar relacionada ao efeito psicológico. O estudo sugere que a ventosaterapia pode ser uma opção útil, mas são necessários estudos com placebo para confirmar os resultados.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo saudita mostrou redução de dor e melhora funcional em 2 semanas, com ressalvas importantes sobre o que realmente causou a melhora.
Ponto 1
Melhora significativa apareceu em 2 semanas de tratamento intensivo (6 sessões)
Ponto 2
Não se sabe se o efeito é da técnica ou da expectativa, pois faltou grupo placebo
Ponto 3
Converse com seu médico sobre contraindicações e alternativas com mais evidências
O que este estudo acrescenta
Este foi o primeiro estudo controlado multicêntrico de ventosaterapia para dor lombar no sistema de saúde da Arábia Saudita, com implementação de clínicas integradas em hospitais públicos e avaliação de satisfação dos pa
Aplicabilidade clínica
A magnitude da melhora superou os limiares de importância clínica mínima estabelecidos na literatura (15 pontos na NRS, 10 pontos no ODQ), com grande proporção de respondedores. No entanto, a ausência de controle placebo
Força do desenho do estudo
Estudo em que participantes são distribuídos aleatoriamente para grupos de tratamento, oferecendo evidência de alta qualidade sobre eficácia, embora neste caso sem máscara ou grupo
Participantes do estudo
80
40 em cada grupo, com baixa taxa de abandono de 7%
Redução da dor no grupo tratado
~51%
Queda de média 60,5 para 29,2 pontos na escala NRS 0-100
Pacientes com melhora clinicamente importante
77,5%
No grupo de ventosaterapia, versus apenas 2,5% no controle
Sessões em 2 semanas
6
Protocolo intensivo de 3 sessões semanais
Eventos adversos relatados
0
Nenhum durante as 4 semanas de acompanhamento, em população selecionada
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor lombar crônica não específica persistente (≥3 meses)
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado, aberto, paralelo
Participantes
80 adultos (18-60 anos), 40 por grupo
Duração
4 semanas totais (2 semanas de intervenção + 2 semanas de seguimento)
Sessões
6 sessões em 2 semanas
Comparador
Sem tratamento ativo, apenas paracetamol de resgate permitido
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
6
3 vezes por semana durante 2 semanas
Não especificada no artigo
2 pontos por sessão, selecionados entre BL23, BL24 e BL25 (bilateralmente); técnica de punção com lanceta automática seguida de aplicação de ventosa
Nenhum tratamento ativo, com paracetamol até 3 comprimidos de 500mg/dia permitido para ambos os grupos
Técnica modificada em relação à prática tradicional do Oriente Médio: punção-cupping em vez de cupping-punção-cupping, e lancetas automáticas em vez de lâmina cirúrgica
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
reduziu
De média de 60 para 29 pontos na escala NRS (0-100), mantendo-se em 24 pontos após 4 semanas
Funcionalidade e atividades diárias
melhorou
Redução do escore de incapacidade de Oswestry de ~38% para ~20%, indicando menos limitação em atividades como sentar, levantar e caminhar
Intensidade da dor presente
reduziu
Queda do escore PPI de McGill de ~2,3 para ~1,2, indicando dor de 'desconfortante' para 'leve'
Proporção com melhora clinicamente importante
melhorou
77,5% dos tratados atingiram redução mínima importante de dor versus apenas 2,5% no controle
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
14 dias
Após 2 semanas (fim da intervenção)
Redução significativa da dor, melhora funcional e diminuição da intensidade da dor presente já eram evidentes e estatisticamente significativas
28 dias
2 semanas após término das sessões
Os benefícios se mantiveram ou até se intensificaram para dor e funcionalidade; a intensidade da dor presente (PPI) não mostrou redução adicional significativa
Antes e depois
Dor (escala 0-100)
escala máx. 100 pontos
Incapacidade funcional (%)
escala máx. 100 %
Intensidade da dor presente (0-5)
escala máx. 5 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Se a ventosaterapia úmida funcionar para você, a melhora na dor e na capacidade de realizar atividades diárias tende a aparecer já nas primeiras 2 semanas de tratamento intensivo, com benefícios que podem persistir por pelo menos mais 2 sem
Tempo provável
Melhora inicial em 2 semanas; manutenção do efeito observada até 4 semanas
Não se sabe se a melhora se deve especificamente à técnica ou em parte à expectativa do tratamento, pois o estudo não usou grupo placebo. A duração do efeito al
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ventosaterapia funciona igualmente para todos os tipos de dor lombar
Achado
O estudo incluiu apenas dor lombar não específica sem causa identificável; não se aplica a fraturas, hérnias, tumores ou doenças inflamatórias
Mito
Os benefícios comprovam que a técnica tem efeito biológico específico
Achado
Sem grupo placebo, não é possível distinguir o efeito da técnica do efeito de expectativa; os autores mesmo recomendam estudos placebo-controlados
Mito
Ventosaterapia é totalmente segura porque o estudo não relatou eventos adversos
Achado
A segurança foi demonstrada apenas para participantes selecionados, por período curto e em ambiente controlado; contraindicações como distúrbios de coagulação existem e foram excluídas do estudo
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO NOCICEPTIVO LOCAL
A sucção e a pequena incisão podem ativar vias de inibição da dor difusa no sistema nervoso central — mecanismo proposto, não comprovado neste estudo
REDUÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO
A remoção de pequena quantidade de sangue poderia reduzir oxidantes locais — teoria mencionada pelos autores com base em outros estudos, não medida diretamente aqui
LIBERAÇÃO DE ÓXIDO NÍTRICO
Similar ao que se observa em acupuntura, a ventosaterapia poderia aumentar a circulação local por meio de óxido nítrico — hipótese teórica, não testada neste ensaio
O que ainda é incerto
Avaliar se a ventosaterapia úmida reduz dor lombar crônica não específica
80 pessoas com dor lombar por pelo menos 3 meses
6 sessões de ventosaterapia em 2 semanas vs grupo controle
Redução de 50% na dor e melhora significativa da função
Nenhum evento adverso relatado durante o estudo
Achados Interessantes
PROTOCOLO MODIFICADO MAIS SEGURO
Os pesquisadores substituíram a lâmina cirúrgica tradicional por lancetas automáticas e inverteram a sequência do procedimento, padronizando a técnica para ambiente hospitalar sem eventos adversos
IMPACTO NA ORGANIZAÇÃO DA SAÚDE
Além dos resultados clínicos, o estudo criou três clínicas de ventosaterapia em hospitais públicos e iniciou discussões sobre cobertura de seguros para terapias complementares no sistema de saúde saudita
MELHORA QUE PERSISTE APÓS PARAR
Diferentemente de analgésicos que precisam ser continuados, os benefícios de dor e funcionalidade se mantiveram ou até aumentaram nas duas semanas seguintes ao término das sessões
Resumo detalhado em linguagem acessível
Este ensaio clínico randomizado avaliou a eficácia da ventosaterapia úmida (wet cupping) no tratamento da dor lombar persistente não específica (DLPNE), uma condição que afeta milhões de pessoas mundialmente e representa uma das principais causas de limitação de atividades e afastamento do trabalho. A DLPNE é definida como dor lombar que persiste por pelo menos 12 semanas sem causas específicas identificáveis, sendo resistente aos tratamentos convencionais e levando muitos pacientes a buscar terapias alternativas. O estudo foi conduzido em três hospitais secundários na Arábia Saudita entre abril e setembro de 2014, envolvendo 80 participantes com idade entre 18 e 60 anos que apresentavam dor lombar há pelo menos 3 meses. Os participantes foram randomizados em dois grupos: o grupo de intervenção recebeu ventosaterapia úmida e o grupo controle não recebeu tratamento específico, sendo permitido apenas o uso de acetaminofeno como medicação de resgate para ambos os grupos.
A ventosaterapia úmida foi realizada através de seis sessões distribuídas ao longo de duas semanas, com três sessões por semana. Em cada sessão, eram utilizados dois pontos dentre seis pontos de tratamento selecionados dos pontos bilaterais do meridiano da bexiga: BL23, BL24 e BL25. O protocolo específico utilizado diferia ligeiramente da técnica tradicional do Oriente Médio, empregando punção seguida de ventosa, em vez da sequência convencional ventosa-punção-ventosa. Os resultados primários foram medidos através de instrumentos validados: a Escala Numérica de Classificação (NRS) para dor, o Questionário de Intensidade de Dor Presente McGill (PPI) e o Questionário de Incapacidade de Oswestry (ODQ).
As avaliações foram realizadas no início do estudo, após 2 semanas (fim do período de tratamento) e após 4 semanas (2 semanas após o término do tratamento). Os resultados demonstraram diferenças estatisticamente significativas favorecendo o grupo de ventosaterapia em todas as medidas de resultado. Na escala NRS, o grupo de ventosaterapia apresentou pontuação média de 29,2 comparado a 57,9 do grupo controle. No questionário ODQ, as pontuações foram 19,6 versus 35,4, respectivamente.
O PPI mostrou valores de 1,17 versus 2,3. Todas essas diferenças mantiveram significância estatística (p=0,0001) e foram clinicamente relevantes, excedendo os limiares mínimos de diferença clinicamente importante estabelecidos. Os benefícios do tratamento se mantiveram durante o período de seguimento de duas semanas após o término das sessões, sugerindo um efeito duradouro da intervenção. Do ponto de vista de segurança, nenhum evento adverso foi relatado durante todo o estudo, indicando que o protocolo utilizado foi bem tolerado pelos participantes.
A taxa de abandono foi menor que o esperado (menos de 7% versus os 30% previstos), sugerindo boa aceitabilidade do tratamento. O mecanismo de ação da ventosaterapia úmida ainda não está completamente esclarecido, mas teorias propostas incluem o estímulo nociceptivo que desencadeia controle inibitório difuso nocivo, remoção de oxidantes reduzindo o estresse oxidativo, e liberação de óxido nítrico similar à acupuntura. Este estudo tem importantes limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Primeiro, não foi controlado por placebo, o que impede a neutralização do efeito placebo e pode superestimar os benefícios do tratamento.
Segundo, o período de seguimento foi relativamente curto, limitando conclusões sobre eficácia a longo prazo. Terceiro, a população estudada foi específica (Arábia Saudita) e pode ter crenças culturais e religiosas particulares em relação à ventosaterapia que poderiam influenciar os resultados. Apesar dessas limitações, o estudo representa uma contribuição valiosa para a literatura científica sobre ventosaterapia, sendo o primeiro a demonstrar benefícios estatisticamente significativos em todas as medidas de resultado avaliadas. O estudo também teve impacto prático importante, levando ao estabelecimento de clínicas de ventosaterapia em três hospitais governamentais e criando um modelo de medicina integrada envolvendo profissionais multidisciplinares.
Ventosaterapia
40 pessoas
6 sessões de ventosaterapia em pontos BL23, BL24 e BL25
Controle
40 pessoas
Sem tratamento, apenas analgésicos se necessário
Redução da dor (escala 0-100)
Melhora funcional (ODQ)
Significância estatística
Pacientes com melhora clínica
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor lombar · Avaliação especializada
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