Estudo científico comentado

Ventosaterapia para Dor Lombar Crônica: Estudo Controlado Avalia Eficácia

Referência acadêmica

Periódico

The Journal of Alternative and Complementary Medicine

Ano

2015

Autores

AlBedah et al.

Desenho

Ensaio clínico controlado

Este estudo testou se a ventosaterapia (uso de ventosas com pequenos cortes na pele) ajuda pessoas com dor lombar crônica. Os resultados mostram que o tratamento reduziu significativamente a dor e melhorou a capacidade funcional. No entanto, como o grupo controle não recebeu um tratamento placebo, parte da melhora pode estar relacionada ao efeito psicológico. O estudo sugere que a ventosaterapia pode ser uma opção útil, mas são necessários estudos com placebo para confirmar os resultados.

Título original do estudo: The Use of Wet Cupping for Persistent Nonspecific Low Back Pain: Randomized Controlled Clinical Trial

🎲Ensaio clínico controlado👥n=80 participantes📊Impacto clínico significativo
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Ventosaterapia úmida em protocolo intensivo mostrou redução significativa de dor e melhora funcional em curto prazo para dor lombar crônica não específica, mas a ausência de grupo placebo impede saber quanto da melhora é efeito específico da técnica versus exp

O que isso significa para você?

Este estudo testou se a ventosaterapia (uso de ventosas com pequenos cortes na pele) ajuda pessoas com dor lombar crônica. Os resultados mostram que o tratamento reduziu significativamente a dor e melhorou a capacidade funcional. No entanto, como o grupo controle não recebeu um tratamento placebo, parte da melhora pode estar relacionada ao efeito psicológico. O estudo sugere que a ventosaterapia pode ser uma opção útil, mas são necessários estudos com placebo para confirmar os resultados.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A ventosaterapia úmida mostrou potencial para reduzir dor lombar crônica e melhorar atividades diárias em curto prazo, mas ainda não tem evidência definitiva de superioridade sobre
  • 2O tratamento testado foi intensivo — 6 sessões em apenas 2 semanas — e requer disponibilidade de tempo e acesso a profissional treinado
  • 3Pessoas com problemas de coagulação, uso de anticoagulantes ou doenças crônicas não foram incluídas no estudo e precisam de avaliação médica individualizada
  • 4A melhora observada pode refletir em parte a expectativa positiva com o tratamento, o que não a torna menos real para quem sente, mas limita o que se sabe sobre o mecanismo
  • 5A dor lombar crônica tem múltiplas abordagens com evidência; a ventosaterapia pode ser uma opção a discutir, não um substituto de investigação médica adequada
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor lombar já foi completamente investigada para descartar causas específicas que precisam de tratamentos diferentes?
  • 2Tenho alguma condição de saúde ou uso medicamento que contraindique a ventosaterapia, especialmente relacionado à coagulação?
  • 3Quais são as alternativas de tratamento com maior evidência científica para o meu caso específico?
  • 4Se eu optar pela ventosaterapia, como será feito o acompanhamento e qual o plano se não houver melhora em 2-4 semanas?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso foi relatado neste estudo, mas a população foi selecionada e o acompanhamento foi curto (4 semanas)
  • 2A técnica envolve incisões cutâneas e exposição de sangue, exigindo rigorosa assepsia e materiais estéreis para prevenir infecções
  • 3Contraindicações importantes como doenças hematológicas e uso de anticoagulantes foram critérios de exclusão; segurança nesses grupos é desconhecida
  • 4A ventosaterapia não deve substituir a investigação de causas específicas de dor lombar nem tratamentos com evidência consolidada quando indicados

Leitura rápida para pacientes

Ventosaterapia pode aliviar, mas não é milagre

Estudo saudita mostrou redução de dor e melhora funcional em 2 semanas, com ressalvas importantes sobre o que realmente causou a melhora.

Ponto 1

Melhora significativa apareceu em 2 semanas de tratamento intensivo (6 sessões)

Ponto 2

Não se sabe se o efeito é da técnica ou da expectativa, pois faltou grupo placebo

Ponto 3

Converse com seu médico sobre contraindicações e alternativas com mais evidências

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRO ENSAIO MULTICÊNTRICO NA REGIÃO

Este foi o primeiro estudo controlado multicêntrico de ventosaterapia para dor lombar no sistema de saúde da Arábia Saudita, com implementação de clínicas integradas em hospitais públicos e avaliação de satisfação dos pa

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A magnitude da melhora superou os limiares de importância clínica mínima estabelecidos na literatura (15 pontos na NRS, 10 pontos no ODQ), com grande proporção de respondedores. No entanto, a ausência de controle placebo

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Estudo em que participantes são distribuídos aleatoriamente para grupos de tratamento, oferecendo evidência de alta qualidade sobre eficácia, embora neste caso sem máscara ou grupo

Participantes do estudo

80

40 em cada grupo, com baixa taxa de abandono de 7%

Redução da dor no grupo tratado

~51%

Queda de média 60,5 para 29,2 pontos na escala NRS 0-100

Pacientes com melhora clinicamente importante

77,5%

No grupo de ventosaterapia, versus apenas 2,5% no controle

Sessões em 2 semanas

6

Protocolo intensivo de 3 sessões semanais

Eventos adversos relatados

0

Nenhum durante as 4 semanas de acompanhamento, em população selecionada

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor lombar crônica não específica persistente (≥3 meses)

Tipo de estudo

Ensaio clínico randomizado, aberto, paralelo

Participantes

80 adultos (18-60 anos), 40 por grupo

Duração

4 semanas totais (2 semanas de intervenção + 2 semanas de seguimento)

Sessões

6 sessões em 2 semanas

Comparador

Sem tratamento ativo, apenas paracetamol de resgate permitido

Grupos do estudo

Ventosaterapia úmidaControle sem tratamento

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

6

Frequência02

3 vezes por semana durante 2 semanas

Duração da sessão03

Não especificada no artigo

Pontos / técnica04

2 pontos por sessão, selecionados entre BL23, BL24 e BL25 (bilateralmente); técnica de punção com lanceta automática seguida de aplicação de ventosa

Comparador05

Nenhum tratamento ativo, com paracetamol até 3 comprimidos de 500mg/dia permitido para ambos os grupos

Nota de protocolo06

Técnica modificada em relação à prática tradicional do Oriente Médio: punção-cupping em vez de cupping-punção-cupping, e lancetas automáticas em vez de lâmina cirúrgica

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos entre 18 e 60 anos com dor lombar não específica por pelo menos 3 mesesPacientes com diagnóstico confirmado por história detalhada, exame físico e imagens (raio-X e ressonância magnética) para excluir causas específicasPessoas que não haviam feito ventosaterapia nos últimos 3 mesesParticipantes que não receberam tratamento para dor lombar nas 2 semanas anteriores ao estudoIndivíduos com expectativa de prognóstico avaliada em escala Likert antes da randomização

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com doenças hematológicas ou em uso de anticoagulantesPacientes com outras doenças crônicas que contraindicam a ventosaterapiaIndivíduos que necessitavam de tratamento ativo para dor lombar recenteParticipantes com causas específicas de dor lombar identificadas (fratura, tumor, infecção, doença inflamatória, síndrome radicular ou cauda equina)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

De média de 60 para 29 pontos na escala NRS (0-100), mantendo-se em 24 pontos após 4 semanas

🚶

Funcionalidade e atividades diárias

melhorou

Redução do escore de incapacidade de Oswestry de ~38% para ~20%, indicando menos limitação em atividades como sentar, levantar e caminhar

Intensidade da dor presente

reduziu

Queda do escore PPI de McGill de ~2,3 para ~1,2, indicando dor de 'desconfortante' para 'leve'

Proporção com melhora clinicamente importante

melhorou

77,5% dos tratados atingiram redução mínima importante de dor versus apenas 2,5% no controle

O que não mudou

  • Uso de paracetamol de resgate: houve tendência a menor consumo no grupo de ventosaterapia, mas sem diferença estatisticamente significativa
  • Não houve comparação com grupo placebo, impedindo isolar o efeito específico da técnica

Quando a melhora apareceu

1

14 dias

Após 2 semanas (fim da intervenção)

Redução significativa da dor, melhora funcional e diminuição da intensidade da dor presente já eram evidentes e estatisticamente significativas

2

28 dias

2 semanas após término das sessões

Os benefícios se mantiveram ou até se intensificaram para dor e funcionalidade; a intensidade da dor presente (PPI) não mostrou redução adicional significativa

Antes e depois

Dor (escala 0-100)

escala máx. 100 pontos

Antes60.5 pontos
Depois29.2 pontos

Incapacidade funcional (%)

escala máx. 100 %

Antes38.3 %
Depois19.6 %

Intensidade da dor presente (0-5)

escala máx. 5 pontos

Antes2.35 pontos
Depois1.17 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso relatado durante as 4 semanas do estudo
  • Procedimento realizado por profissionais treinados em ambiente hospitalar com critérios de higiene
Amarelo
  • Técnica invasiva com incisões cutâneas requer cuidados de assepsia
  • Protocolo intensivo de 6 sessões em 2 semanas pode não ser replicável em todos os contextos de prática
  • Efeito placebo não neutralizado pode influenciar percepção de segurança e eficácia
Vermelho
  • Contraindicações não testadas no estudo: doenças hematológicas, uso de anticoagulantes e outras condições crônicas foram critérios de exclusão
  • Segurança em longo prazo não avaliada; apenas 4 semanas de acompanhamento
  • Risco de infecção em procedimentos com quebra de barreira cutânea se não houver adequada esterilização

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor lombar crônica não específica há mais de 3 meses, sem causa identificável
  • Pessoas que já tentaram tratamentos convencionais sem alívio satisfatório
  • Pacientes sem contraindicações hematológicas ou uso de anticoagulantes
  • Indivíduos abertos a terapias complementares e com acesso a profissionais treinados
  • Pacientes que conseguem comprometer-se com protocolo intensivo de múltiplas sessões em curto período

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com doenças de coagulação, anemia severa ou em uso de anticoagulantes
  • Pacientes com dor lombar de causa específica identificável (fratura, tumor, infecção, doença inflamatória, hérnia com comprometimento radicular)
  • Indivíduos com expectativa negativa ou forte ceticismo em relação à terapia, que pode reduzir adesão e potencial resposta
  • Pacientes que buscam tratamento único ou de manutenção prolongada sem reavaliação, dado que a duração do efeito além de 4 semanas é desconhecida
  • Gestantes, crianças e adolescentes (fora da faixa etária estudada de 18-60 anos)

Expectativa realista

Alívio possível em poucas semanas, com ressalvas

Se a ventosaterapia úmida funcionar para você, a melhora na dor e na capacidade de realizar atividades diárias tende a aparecer já nas primeiras 2 semanas de tratamento intensivo, com benefícios que podem persistir por pelo menos mais 2 sem

Tempo provável

Melhora inicial em 2 semanas; manutenção do efeito observada até 4 semanas

Não se sabe se a melhora se deve especificamente à técnica ou em parte à expectativa do tratamento, pois o estudo não usou grupo placebo. A duração do efeito al

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar ao médico se há contraindicações pessoais para ventosaterapia, especialmente relacionadas à coagulação sanguínea
  2. 2Discutir se a dor lombar foi adequadamente investigada para excluir causas específicas que exigem tratamentos diferentes
  3. 3Verificar a disponibilidade de profissionais treinados e credenciados em sua região, com protocolos de higiene adequados
  4. 4Questionar sobre alternativas de tratamento com maior volume de evidências, como exercícios supervisionados e terapia cognitivo-comportamental
  5. 5Combinar como será o acompanhamento após as sessões e critérios para reavaliar a necessidade de continuidade

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ventosaterapia funciona igualmente para todos os tipos de dor lombar

Achado

O estudo incluiu apenas dor lombar não específica sem causa identificável; não se aplica a fraturas, hérnias, tumores ou doenças inflamatórias

Mito

Os benefícios comprovam que a técnica tem efeito biológico específico

Achado

Sem grupo placebo, não é possível distinguir o efeito da técnica do efeito de expectativa; os autores mesmo recomendam estudos placebo-controlados

Mito

Ventosaterapia é totalmente segura porque o estudo não relatou eventos adversos

Achado

A segurança foi demonstrada apenas para participantes selecionados, por período curto e em ambiente controlado; contraindicações como distúrbios de coagulação existem e foram excluídas do estudo

Como isso pode funcionar

🩸

ESTÍMULO NOCICEPTIVO LOCAL

A sucção e a pequena incisão podem ativar vias de inibição da dor difusa no sistema nervoso central — mecanismo proposto, não comprovado neste estudo

🧪

REDUÇÃO DO ESTRESSE OXIDATIVO

A remoção de pequena quantidade de sangue poderia reduzir oxidantes locais — teoria mencionada pelos autores com base em outros estudos, não medida diretamente aqui

💨

LIBERAÇÃO DE ÓXIDO NÍTRICO

Similar ao que se observa em acupuntura, a ventosaterapia poderia aumentar a circulação local por meio de óxido nítrico — hipótese teórica, não testada neste ensaio

O que ainda é incerto

  • ?Qual é a contribuição exata do efeito placebo? Sem grupo sham, não se sabe se a melhora seria similar com ventosas simuladas
  • ?Quanto tempo dura o benefício? O acompanhamento de apenas 4 semanas não permite saber se reintervenções periódicas seriam necessárias
  • ?A técnica modificada (punção-cupping com lanceta automática) é equivalente à técnica tradicional mais difundida? Não há estudos comparando diferentes
  • ?A resposta pode ser influenciada por crenças culturais e religiosas específicas da população estudada, limitando a generalização para outros contextos
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se a ventosaterapia úmida reduz dor lombar crônica não específica

👥

QUEM PARTICIPOU

80 pessoas com dor lombar por pelo menos 3 meses

🧪

COMO FOI FEITO

6 sessões de ventosaterapia em 2 semanas vs grupo controle

📈

O QUE MUDOU

Redução de 50% na dor e melhora significativa da função

🛟

SEGURANÇA

Nenhum evento adverso relatado durante o estudo

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

PROTOCOLO MODIFICADO MAIS SEGURO

Os pesquisadores substituíram a lâmina cirúrgica tradicional por lancetas automáticas e inverteram a sequência do procedimento, padronizando a técnica para ambiente hospitalar sem eventos adversos

🧭

IMPACTO NA ORGANIZAÇÃO DA SAÚDE

Além dos resultados clínicos, o estudo criou três clínicas de ventosaterapia em hospitais públicos e iniciou discussões sobre cobertura de seguros para terapias complementares no sistema de saúde saudita

📌

MELHORA QUE PERSISTE APÓS PARAR

Diferentemente de analgésicos que precisam ser continuados, os benefícios de dor e funcionalidade se mantiveram ou até aumentaram nas duas semanas seguintes ao término das sessões

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Ventosaterapia para Dor Lombar Crônica: Estudo Controlado Avalia Eficácia

Este ensaio clínico randomizado avaliou a eficácia da ventosaterapia úmida (wet cupping) no tratamento da dor lombar persistente não específica (DLPNE), uma condição que afeta milhões de pessoas mundialmente e representa uma das principais causas de limitação de atividades e afastamento do trabalho. A DLPNE é definida como dor lombar que persiste por pelo menos 12 semanas sem causas específicas identificáveis, sendo resistente aos tratamentos convencionais e levando muitos pacientes a buscar terapias alternativas. O estudo foi conduzido em três hospitais secundários na Arábia Saudita entre abril e setembro de 2014, envolvendo 80 participantes com idade entre 18 e 60 anos que apresentavam dor lombar há pelo menos 3 meses. Os participantes foram randomizados em dois grupos: o grupo de intervenção recebeu ventosaterapia úmida e o grupo controle não recebeu tratamento específico, sendo permitido apenas o uso de acetaminofeno como medicação de resgate para ambos os grupos.

A ventosaterapia úmida foi realizada através de seis sessões distribuídas ao longo de duas semanas, com três sessões por semana. Em cada sessão, eram utilizados dois pontos dentre seis pontos de tratamento selecionados dos pontos bilaterais do meridiano da bexiga: BL23, BL24 e BL25. O protocolo específico utilizado diferia ligeiramente da técnica tradicional do Oriente Médio, empregando punção seguida de ventosa, em vez da sequência convencional ventosa-punção-ventosa. Os resultados primários foram medidos através de instrumentos validados: a Escala Numérica de Classificação (NRS) para dor, o Questionário de Intensidade de Dor Presente McGill (PPI) e o Questionário de Incapacidade de Oswestry (ODQ).

As avaliações foram realizadas no início do estudo, após 2 semanas (fim do período de tratamento) e após 4 semanas (2 semanas após o término do tratamento). Os resultados demonstraram diferenças estatisticamente significativas favorecendo o grupo de ventosaterapia em todas as medidas de resultado. Na escala NRS, o grupo de ventosaterapia apresentou pontuação média de 29,2 comparado a 57,9 do grupo controle. No questionário ODQ, as pontuações foram 19,6 versus 35,4, respectivamente.

O PPI mostrou valores de 1,17 versus 2,3. Todas essas diferenças mantiveram significância estatística (p=0,0001) e foram clinicamente relevantes, excedendo os limiares mínimos de diferença clinicamente importante estabelecidos. Os benefícios do tratamento se mantiveram durante o período de seguimento de duas semanas após o término das sessões, sugerindo um efeito duradouro da intervenção. Do ponto de vista de segurança, nenhum evento adverso foi relatado durante todo o estudo, indicando que o protocolo utilizado foi bem tolerado pelos participantes.

A taxa de abandono foi menor que o esperado (menos de 7% versus os 30% previstos), sugerindo boa aceitabilidade do tratamento. O mecanismo de ação da ventosaterapia úmida ainda não está completamente esclarecido, mas teorias propostas incluem o estímulo nociceptivo que desencadeia controle inibitório difuso nocivo, remoção de oxidantes reduzindo o estresse oxidativo, e liberação de óxido nítrico similar à acupuntura. Este estudo tem importantes limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Primeiro, não foi controlado por placebo, o que impede a neutralização do efeito placebo e pode superestimar os benefícios do tratamento.

Segundo, o período de seguimento foi relativamente curto, limitando conclusões sobre eficácia a longo prazo. Terceiro, a população estudada foi específica (Arábia Saudita) e pode ter crenças culturais e religiosas particulares em relação à ventosaterapia que poderiam influenciar os resultados. Apesar dessas limitações, o estudo representa uma contribuição valiosa para a literatura científica sobre ventosaterapia, sendo o primeiro a demonstrar benefícios estatisticamente significativos em todas as medidas de resultado avaliadas. O estudo também teve impacto prático importante, levando ao estabelecimento de clínicas de ventosaterapia em três hospitais governamentais e criando um modelo de medicina integrada envolvendo profissionais multidisciplinares.

O que fortalece a leitura

  • 1Estudo multicêntrico com boa qualidade metodológica
  • 2Baixa taxa de abandono (7%)
  • 3Uso de escalas validadas para dor e função
  • 4Seguimento por 4 semanas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Ausência de grupo placebo
  • 2Possível influência de crenças culturais/religiosas
  • 3Amostra relativamente pequena
  • 4Seguimento de curto prazo

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
2/5

🔬 Como o estudo foi organizado

80pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Ventosaterapia

40 pessoas

6 sessões de ventosaterapia em pontos BL23, BL24 e BL25

Controle

40 pessoas

Sem tratamento, apenas analgésicos se necessário

⏱️ Tempo de acompanhamento: 4 semanas com seguimento

📊 Resultados em números

29.2 vs 57.9 pontos

Redução da dor (escala 0-100)

19.6% vs 35.4%

Melhora funcional (ODQ)

p=0.0001

Significância estatística

77.5% vs 2.5%

Pacientes com melhora clínica

Destaques percentuais

19.6% vs 35.4%
Melhora funcional (ODQ)
77.5% vs 2.5%
Pacientes com melhora clínica

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (escala 0-100)

Ventosaterapia
29.2
Controle
57.9

Incapacidade funcional (%)

Ventosaterapia
19.6
Controle
35.4

📅 Linha do tempo da evidência

2009Primeiros estudos piloto com ventosaterapia para dor lombar
2011Estudo coreano pioneir com resultados limitados
2014Condução deste estudo multicêntrico na Arábia Saudita
2015Publicação mostrando eficácia significativa da ventosaterapia

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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