Estudo científico comentado

Ventosaterapia seca vs. úmida na dor lombar: evidências científicas para uma escolha informada

Referência acadêmica

Periódico

Medicine

Ano

2022

Autores

Shen et al.

Desenho

Meta-análise

Este estudo comparou dois tipos de ventosaterapia para dor lombar: a técnica seca (apenas sucção) e a úmida (pequenos cortes + sucção). A ventosaterapia úmida mostrou-se mais eficaz para reduzir a dor, enquanto ambas as técnicas melhoraram a qualidade de vida dos pacientes. Os tratamentos foram seguros e bem tolerados, oferecendo uma opção complementar aos cuidados convencionais.

Título original do estudo: Effectiveness of self-management of dry and wet cupping therapy for low back pain: A systematic review and meta-analysis

📊Meta-análise👥n=690 participantesEvidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A ventosaterapia úmida mostrou evidências moderadas de redução da dor lombar em comparação a cuidados convencionais, enquanto ambas as técnicas (seca e úmida) parecem melhorar qualidade de vida e funcionalidade; a falta de padronização entre estudos e a ausênc

O que isso significa para você?

Este estudo comparou dois tipos de ventosaterapia para dor lombar: a técnica seca (apenas sucção) e a úmida (pequenos cortes + sucção). A ventosaterapia úmida mostrou-se mais eficaz para reduzir a dor, enquanto ambas as técnicas melhoraram a qualidade de vida dos pacientes. Os tratamentos foram seguros e bem tolerados, oferecendo uma opção complementar aos cuidados convencionais.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A ventosaterapia úmida (com pequenas perfurações e sangria) mostrou evidências mais robustas para redução da dor lombar do que a ventosaterapia seca em análise de múltiplos estudos
  • 2Ambas as técnicas podem contribuir para melhorar sua capacidade de realizar atividades diárias e a qualidade de vida relacionada à coluna
  • 3Os benefícios tendem a ser parciais e acumulativos, não uma cura completa, e geralmente requerem múltiplas sessões ao longo de algumas semanas
  • 4A segurança depende da ausência de contraindicações pessoais e da utilização de técnicas assépticas; a ventosaterapia úmida exige cuidados especiais devido à perfuração cutânea
  • 5A decisão pelo tipo de ventosaterapia, número de sessões e combinação com outros tratamentos deve ser individualizada com orientação médica
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base no meu histórico de saúde e medicamentos atuais, existe alguma contraindicação para eu fazer ventosaterapia, especialmente a úmida?
  • 2Quantas sessões seriam razoáveis para avaliar se o tratamento está funcionando para mim, e como vamos medir essa resposta?
  • 3A ventosaterapia será usada como complemento ao meu tratamento atual ou em substituição a alguma medicação ou terapia?
  • 4Quais cuidados devo ter após as sessões, e quais sinais de alerta devem me levar a procurar atendimento médico imediato?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1A ventosaterapia úmida envolve perfuração cutânea e sangria controlada, com riscos de infecção local, formação de cicatrizes e, em casos de distúrbios de coagulação, complicações h
  • 2Os estudos revisados não relataram seguimento de segurança a longo prazo, e a qualidade da aplicação variou entre os estudos, o que limita as garantias de segurança em qualquer con
  • 3As marcas de ventosa (equimoses circulares) são esperadas e temporárias, mas podem persistir por dias; a dor ou sensibilidade anormal após a sessão deve ser avaliada por um profiss
  • 4A ausência de padronização do treinamento dos aplicadores nos estudos levanta preocupações sobre a consistência da técnica; prefira locais que utilizem materiais descartáveis estér

Leitura rápida para pacientes

Ventosaterapia pode ajudar, mas não é milagre

A versão com sangria controlada (únida) mostrou mais evidências para dor; ambas podem melhorar seu dia a dia. Fale com seu médico antes.

Ponto 1

A ventosaterapia úmida reduziu a dor em estudos, mas a seca não mostrou o mesmo efeito significativo isoladamente

Ponto 2

Ambas as técnicas melhoraram a capacidade de fazer atividades diárias e a qualidade de vida relacionada à coluna

Ponto 3

É um tratamento complementar: use junto com, e não no lugar de, a orientação médica convencional

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA ANÁLISE SEPARADA

Este foi o primeiro estudo a analisar meta-analiticamente de forma separada a ventosaterapia seca e úmida para dor lombar, revelando que seus perfis de eficácia diferem: a úmida parece mais efetiva para dor, enquanto amb

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de 2,22 pontos no PPI e 2,08 no ODI é clinicamente perceptível para muitos pacientes, mas a alta heterogeneidade entre estudos (I² > 50-99%) e a ausência de padronização dos protocolos reduzem a confiança na ma

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois sintetiza dados de múltiplos experimentos controlados e randomizados, embora a qualidade dos estudos incluídos possa v

Total de participantes

690

Adultos com dor lombar em 10 ensaios clínicos randomizados

Redução da dor (PPI úmida)

-2,22

Pontos de diferença média versus controle, com significância estatística (P < 0,01)

Melhora funcional (ODI combinado)

-2,08

Pontos de diferença média para ambas as técnicas versus controle (P < 0,01)

Heterogeneidade máxima

I² = 99%

Indica variabilidade extrema entre estudos, reduzindo a confiança na estimativa do efeito

Ensaios incluídos

10

Estudos publicados entre 2008 e 2021, de 6 países diferentes

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor lombar crônica ou persistente não específica

Tipo de estudo

Revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados

Participantes

n=690 adultos com dor lombar de qualquer duração, maiores de 18 anos

Duração

2 a 4 semanas de intervenção em média, com seguimento variável

Sessões

1 a 8 sessões totais, dependendo do estudo incluído

Comparador

Cuidados convencionais, lista de espera, tratamento padrão ou placebo/sham

Grupos do estudo

Ventosaterapia seca (sucção sem perfuração)Ventosaterapia úmida (sucção com sangria controlada)Cuidados convencionais ou medicamentos

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 a 8 sessões totais (média variável entre estudos)

Frequência02

De 1 a 3 vezes por semana, dependendo do protocolo do estudo

Duração da sessão03

5 a 20 minutos por sessão, com alguns protocolos usando permanência do dispositi

Pontos / técnica04

Pontos de acupuntura lombares (BL22-BL26), pontos Ashi (mais dolorosos à palpação) ou áreas interescapulares e sacrais; técnica de sucção manual, elétrica ou por bomba automática

Comparador05

Cuidados usuais, analgésicos conforme necessidade, lista de espera, ventosaterapia sham (falsa) ou laser sem radiação

Nota de protocolo06

A ventosaterapia úmida utilizava lancetes estéreis descartáveis para perfurações de 2mm antes da sucção; não houve padronização de pressão negativa entre os estudos

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos maiores de 18 anos com diagnóstico de dor lombar de qualquer duraçãoPacientes com dor lombar crônica persistente ou inespecíficaIndivíduos de ambos os sexos, em estudos realizados na Ásia, Europa e Oriente MédioParticipantes que utilizaram escalas padronizadas (EVA, PPI ou ODI) para avaliaçãoPacientes que não estavam usando outras medicinas tradicionais combinadas com ventosaterapia

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com dor lombar específica (fraturas, tumores, infecções) não foram estudados separadamenteGestantes, crianças e adolescentes menores de 18 anosIndivíduos com distúrbios de coagulação ou que usam anticoagulantes (exclusão implícita por segurança na ventosaterapia úmida)Pacientes em uso concomitante de acupuntura ou outras medicinas tradicionais chinesas combinadasEstudos publicados em idiomas diferentes do inglês foram excluídos da busca

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor (PPI)

reduziu

Ventosaterapia úmida reduziu em média 2,22 pontos o PPI versus controle (P < 0,01)

🏃

Incapacidade funcional (ODI)

melhorou

Ambas as técnicas combinadas melhoraram ODI em média 2,08 pontos versus controle (P < 0,01)

💧

Qualidade de vida específica (ODI úmida)

melhorou

Apenas ventosaterapia úmida mostrou melhora significativa isoladamente na qualidade de vida

🔄

Resposta dose-sessão

sugestão de melhora

Meta-regressão indicou que maior número de sessões esteve associado a melhores resultados em dor e funcionalidade

O que não mudou

  • A ventosaterapia seca não demonstrou redução significativa da dor quando analisada isoladamente na meta-análise (P = 0,19)
  • A duração do tratamento e a dosagem de sucção não mostraram associação estatística significativa com os resultados na meta-regressão
  • Não houve comparação direta entre ventosaterapia seca e úmida no mesmo estudo, impedindo conclusões sobre superioridade relativa

Quando a melhora apareceu

1

Imediato a curto prazo

Após primeira sessão

Alguns estudos relataram redução de dor logo após a intervenção, mas a maioria dos protocolos avaliou ao final do tratamento

2

2 a 4 semanas

Ao final do tratamento

Redução significativa do PPI e ODI nos grupos de ventosaterapia úmida comparados ao controle

3

2 a 12 semanas após término

Seguimento curto

Um estudo mostrou efeito mantido da ventosaterapia seca em 12 semanas, mas dados de seguimento longo foram escassos

Antes e depois

Intensidade da dor (PPI)

escala máx. 6 pontos

Antes4.5 pontos
Depois2.3 pontos

Incapacidade funcional (ODI)

escala máx. 100 pontos

Antes24 pontos
Depois22 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum evento adverso grave relatado nos estudos incluídos
  • Boa tolerabilidade geral relatada pelos participantes
  • Uso de materiais descartáveis estéreis nos protocolos mais recentes
Amarelo
  • Marcas temporárias na pele (equimoses circulares) que persistem por dias
  • Desconforto durante a sucção, especialmente em pressões mais intensas
  • Contraindicação relativa em pacientes com fobia a sangue ou agulhas para ventosaterapia úmida
Vermelho
  • Risco de infecção, formação de cicatrizes ou complicações hematológicas na ventosaterapia úmida devido à perfuração cutânea
  • Contraindicação em distúrbios de coagulação, trombocitopenia ou uso de anticoagulantes
  • Ausência de padronização de treinamento dos profissionais nos estudos revisados

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor lombar crônica não específica que não obtiveram alívio satisfatório com cuidados convencionais isolados
  • Pacientes interessados em abordagens complementares e dispostos a participar de múltiplas sessões de tratamento
  • Indivíduos sem contraindicações de coagulação que consideram a ventosaterapia úmida após orientação médica
  • Pacientes que valorizam melhoras na funcionalidade e qualidade de vida além da redução pura da dor

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com distúrbios de coagulação, hemofilia, trombocitopenia ou em uso de anticoagulantes orais
  • Indivíduos com pele comprometida, infecções ativas na área de aplicação ou histórico de cicatrização anormal
  • Gestantes, crianças e adolescentes (fora do escopo dos estudos revisados)
  • Pacientes com dor lombar de causa específica que requer tratamento direcionado (fraturas, neoplasias, infecções)
  • Indivíduos que esperam eliminação completa da dor como único critério de sucesso, dado que os efeitos são parciais

Expectativa realista

O que esperar realisticamente da ventosaterapia

Possível redução moderada da intensidade da dor com ventosaterapia úmida, e melhora na capacidade de realizar atividades diárias com ambas as técnicas, geralmente após várias sessões em algumas semanas

Tempo provável

Benefícios tendem a aparecer ao final de 2 a 4 semanas de tratamento, com acúmulo de sessões; dados de manutenção a long

Os resultados variam muito entre pessoas, os protocolos ainda não são padronizados, e a ventosaterapia deve complementar — não substituir — a avaliação médica e

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar ao médico se existe alguma contraindicação pessoal para ventosaterapia, especialmente se há uso de anticoagulantes ou distúrbios de coagulação
  2. 2Questionar sobre a experiência e certificação do profissional que realizará o procedimento, e se utiliza materiais descartáveis estéreis
  3. 3Discutir expectativas realistas: a ventosaterapia tende a reduzir parcialmente a dor e melhorar funcionalidade, mas raramente elimina completamente a dor lombar crônica
  4. 4Perguntar sobre o número recomendado de sessões e como será avaliada a resposta ao tratamento
  5. 5Solicitar orientação sobre cuidados com a pele após as sessões, especialmente para ventosaterapia úmida, e sinais de alerta para complicações

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Toda ventosaterapia é igual e funciona da mesma forma

Achado

O estudo mostrou diferenças importantes: a ventosaterapia úmida reduziu significativamente a dor, enquanto a seca não mostrou efeito significativo isoladamente na meta-análise da dor, embora ambas tenham melhorado qualid

Mito

Uma única sessão de ventosaterapia resolve a dor lombar crônica

Achado

A meta-regressão indicou que o número de sessões influenciou os resultados; a maioria dos protocolos usou múltiplas sessões ao longo de 2 a 4 semanas, e os benefícios foram parciais, não curativos

Mito

Como é natural e tradicional, a ventosaterapia não tem riscos

Achado

A ventosaterapia úmida envolve perfuração cutânea e sangria, com riscos reais de infecção e complicações em pessoas com distúrbios de coagulação; mesmo a seca pode causar lesões cutâneas se mal aplicada

Mito

Os resultados dos estudos de ventosaterapia são consistentes e confiáveis

Achado

A heterogeneidade foi muito alta (I² > 50-99%), indicando que os protocolos variaram enormemente e os resultados não são facilmente generalizáveis; nenhum estudo comparou diretamente seca versus úmida

Como isso pode funcionar

🔽

PRESSÃO NEGATIVA

A sucção cria microambiente de pressão negativa na pele e tecidos subcutâneos, que pode aumentar o fluxo sanguíneo local e estimular mecanorreceptores — mecanismo proposto, não completamente comprovado

🩸

SANGRIA CONTROLADA (única na úmida)

Na ventosaterapia úmida, a perfuração cutânea permite sangria que, segundo hipóteses pré-clínicas, poderia eliminar compostos inflamatórios ou metabólicos; esta teoria carece de confirmação robusta em humanos

🧠

MODULAÇÃO DA DOR

A estimulação mecânica da pele pode ativar vias de inibição da dor conforme a teoria da porta do controle da dor, e desencadear respostas neuroendócrinas e imunes — mecanismo teórico baseado em estudos de fisiologia da d

⚠️

INCERTEZA MECANÍSTICA

Os autores enfatizam que nenhuma das teorias propostas (teoria da porta, modulação condicionada da dor, liberação de óxido nítrico, ativação imune) foi comprovada cientificamente como explicação definitiva para os efeito

O que ainda é incerto

  • ?Nenhum estudo incluído comparou diretamente ventosaterapia seca versus úmida no mesmo experimento, impedindo conclusões definitivas sobre qual técnica
  • ?A alta heterogeneidade (I² de 97-99% em várias análises) indica que os resultados variaram muito entre estudos, possivelmente devido a diferenças de p
  • ?Não há consenso sobre o número ideal de sessões, a pressão de sucção, a duração da aplicação ou os pontos anatômicos mais efetivos, o que dificulta a
  • ?Os estudos não relataram seguimento de segurança a longo prazo, e a ausência de padronização do treinamento dos aplicadores levanta questões sobre a q
🎯

O que o estudo quis responder

Comparar a eficácia da ventosaterapia seca versus úmida no tratamento da dor lombar

👥

QUEM PARTICIPOU

690 adultos com dor lombar crônica ou persistente

🧪

COMO FOI FEITO

Análise de 10 estudos comparando ventosas secas e úmidas vs. cuidados convencionais

📈

O QUE MUDOU

Ventosaterapia úmida reduziu significativamente a dor; ambas melhoraram qualidade de vida

🛟

SEGURANÇA

Tratamento considerado seguro com boa tolerabilidade pelos pacientes

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

SECA E ÚMIDA SÃO DIFERENTES

Pela primeira vez, uma meta-análise separou as duas técnicas e descobriu que não têm o mesmo perfil de eficácia: a úmida se destacou na redução da dor, enquanto ambas contribuíram para melhorar a funcionalidade

🧭

MAIS SESSÕES, MAIS EFEITO?

A análise estatística sugeriu que o número de sessões influenciou os resultados, tanto para dor quanto para incapacidade — mas ainda não sabemos o número ideal, apenas que uma sessão única parece insuficiente para a maio

📌

O PLACEBO É UM ENIGMA

Como as marcas das ventosas são visíveis e persistentes, nenhum estudo conseguiu mascarar adequadamente os participantes; isso significa que parte do benefício observado pode estar relacionada à expectativa e não apenas

🔍

FALTA O ESTUDO CHAVE

Nenhum dos 690 pacientes em 10 estudos foi randomizado para comparar diretamente seca versus úmida — uma lacuna crítica que impede saber qual técnica é realmente superior quando aplicada nas mesmas co

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Ventosaterapia seca vs. úmida na dor lombar: evidências científicas para uma escolha informada

Esta revisão sistemática e meta-análise examinou a eficácia da ventosaterapia seca versus molhada no tratamento da dor lombar, analisando 10 estudos randomizados controlados com 690 participantes publicados entre 2008-2022. A dor lombar afeta até 70% da população adulta em algum momento da vida, resultando em custos significativos de saúde e impacto na qualidade de vida. A ventosaterapia, uma prática milenar da medicina complementar, tem ganhado popularidade como tratamento alternativo, mas estudos anteriores frequentemente agrupavam diferentes técnicas de ventosa sem distinção. O diferencial deste estudo foi analisar separadamente a ventosa seca (apenas sucção) e a ventosa molhada (com pequenas incisões e sangramento).

Os pesquisadores utilizaram escalas de autoavaliação padronizadas: Escala Visual Analógica (VAS), Intensidade da Dor Presente (PPI) e Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI). Os resultados revelaram diferenças importantes entre as duas técnicas. A ventosa molhada demonstrou eficácia significativa na redução da intensidade da dor, com redução média de 2,22 pontos na escala PPI comparada ao grupo controle (P < 0,01). Em contraste, a ventosa seca não mostrou redução significativa da dor (P = 0,19) quando comparada aos cuidados usuais.

Ambas as técnicas melhoraram a qualidade de vida dos pacientes, medida pelo ODI, com redução média de 2,08 pontos (P < 0,01). A superioridade da ventosa molhada pode estar relacionada ao efeito adicional da sangria, que teoricamente remove substâncias prejudiciais como colesterol, radicais livres e metais pesados do organismo. O mecanismo proposto inclui a ativação de teorias de controle da dor, como a teoria do portão da dor e modulação condicionada da dor através da estimulação da pele. A meta-regressão identificou que o número de sessões de tratamento influenciou significativamente os resultados, explicando parcialmente a alta heterogeneidade entre os estudos (I² > 50%).

Estudos com mais sessões de tratamento tenderam a apresentar melhores resultados. As limitações incluem a impossibilidade de cegamento adequado devido às marcas visíveis deixadas pelas ventosas, alta heterogeneidade metodológica entre os estudos, e ausência de comparações diretas entre ventosa seca e molhada no mesmo estudo. A qualidade metodológica dos estudos foi moderada, com pontuação média de 6±2,3 na escala PEDro. As implicações clínicas sugerem que a ventosa molhada pode ser considerada uma opção terapêutica complementar eficaz para dor lombar, especialmente quando tratamentos convencionais não são adequados ou apresentam efeitos colaterais.

No entanto, são necessários mais estudos com metodologia rigorosa, comparações diretas entre técnicas, e padronização de protocolos de tratamento para fortalecer a evidência científica.

O que fortalece a leitura

  • 1Meta-análise abrangente com 690 participantes
  • 2Primeira análise separada entre ventosaterapia seca e úmida
  • 3Uso de escalas padronizadas para avaliação da dor
  • 4Análise de múltiplos desfechos clínicos relevantes
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Alta heterogeneidade entre os estudos incluídos
  • 2Falta de estudos comparando diretamente as duas técnicas
  • 3Dificuldade de mascaramento devido às marcas visíveis das ventosas
  • 4Limitação a estudos publicados em inglês

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
4/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

690pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Ventosaterapia seca

151 pessoas

Ventosas com pressão negativa sem perfuração da pele

Ventosaterapia úmida

390 pessoas

Ventosas com pequenas perfurações e sangria controlada

Controle

149 pessoas

Cuidados convencionais ou medicamentos

⏱️ Tempo de acompanhamento: 2 a 4 semanas em média

📊 Resultados em números

-2.22 pontos

Redução na intensidade da dor (ventosaterapia úmida)

-2.08 pontos

Melhora na qualidade de vida (ambas as técnicas)

P < 0.01

Significância estatística (ventosaterapia úmida)

I² > 50%

Heterogeneidade dos estudos

Destaques percentuais

I² > 50%
Heterogeneidade dos estudos

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (PPI)

Ventosaterapia úmida
2.22
Controle
0

Índice de incapacidade (ODI)

Ventosas (ambas)
2.08
Controle
0

📅 Linha do tempo da evidência

2008Início do período de busca dos estudos incluídos
2015Primeiros ensaios clínicos rigorosos sobre ventosaterapia úmida
2018Estudos comparativos entre técnicas secas e convencionais
2022Meta-análise atual comparando ambas as modalidades

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Acupuntura simulada (sham) com agulhas sem penetração em pontos fora dos meridianos

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Força da evidência

92%

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