Pacientes na análise econômica
293
de 517 randomizados (58% com dados completos)
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
PLOS ONE
Ano
2017
Autores
Essex et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo de 12 meses comparou dois tratamentos para dor no pescoço: acupuntura e aulas da Técnica Alexander. Ambos melhoraram a dor e qualidade de vida em comparação ao tratamento médico padrão. A acupuntura mostrou melhor relação custo-benefício, custando cerca de £451 a mais mas oferecendo bons resultados. A Técnica Alexander também foi eficaz, mas custou mais (£667 adicional) e pode não ser considerada custo-efetiva pelos critérios britânicos de saúde pública.
Título original do estudo: An economic evaluation of Alexander Technique lessons or acupuncture sessions for patients with chronic neck pain: A randomized trial (ATLAS)
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Acupuntura adicionada ao cuidado médico habitual provavelmente é custo-efetiva para dor cervical crônica; a Técnica Alexander também melhora sintomas, mas seu custo mais alto e maior número de sessões a tornam economicamente menos vantajosa.
Este estudo de 12 meses comparou dois tratamentos para dor no pescoço: acupuntura e aulas da Técnica Alexander. Ambos melhoraram a dor e qualidade de vida em comparação ao tratamento médico padrão. A acupuntura mostrou melhor relação custo-benefício, custando cerca de £451 a mais mas oferecendo bons resultados. A Técnica Alexander também foi eficaz, mas custou mais (£667 adicional) e pode não ser considerada custo-efetiva pelos critérios britânicos de saúde pública.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo britânico de 12 meses mostra que acupuntura somada ao tratamento médico habitual melhora qualidade de vida com custo adicional moderado e boa relação custo-benefício
Ponto 1
Acupuntura (até 12 sessões) mostrou melhor custo-efetividade que cuidado médico sozinho
Ponto 2
Técnica Alexander também ajudou, mas exige 20 aulas e custo mais alto
Ponto 3
Ambos os tratamentos foram seguros, mas estudo teve muitas pessoas que não completaram dados
O que este estudo acrescenta
Primeiro estudo econômico completo em ensaio randomizado a comparar acupuntura e Técnica Alexander para dor cervical crônica, com acompanhamento de 12 meses
Aplicabilidade clínica
As melhorias em dor e qualidade de vida foram consistentes e estatisticamente significativas, mas de magnitude moderada; a relevância prática é maior para acupuntura devido à melhor relação custo-benefício
Força do desenho do estudo
Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, onde pacientes são distribuídos aleatoriamente entre tratamentos para minimar vieses de comparação.
Pacientes na análise econômica
293
de 517 randomizados (58% com dados completos)
Custo por QALY - acupuntura
£18. 767
provavelmente custo-efetiva pelo padrão britânico
Custo por QALY - Técnica Alexander
£25. 101
acima do limiar mais conservador de £20. 000
Redução da dor com acupuntura
33,6%
no escore NPQ em 12 meses
Redução da dor com Técnica Alexander
36,4%
no escore NPQ em 12 meses, ligeiramente maior que acupuntura
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor cervical crônica não específica (3+ meses)
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado pragmático
Participantes
n=517 (análise econômica n=293), adultos de clínicas médicas no Reino Unido
Duração
12 meses de acompanhamento
Sessões
Até 12 sessões de acupuntura ou até 20 aulas de Técnica Alexander
Comparador
Cuidados médicos habituais (tratamento padrão do médico de família)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Até 12 sessões de acupuntura OU até 20 aulas de Técnica Alexander
Semanal no início, quinzenal posteriormente; Alexander podia ser 2x/semana se de
Acupuntura: 50 minutos; Técnica Alexander: 30 minutos
Acupuntura por membros do British Acupuncture Council; Técnica Alexander por professores registrados na STAT, com abordagem individual hands-on e didática
Cuidados médicos habituais continuados (sem restrição de acesso a outros tratamentos)
Ambas as intervenções totalizavam 600 minutos de contato; o período de oferta era tipicamente de 5 meses
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor e incapacidade cervical
melhorou
Redução de 33,6% no NPQ com acupuntura e 36,4% com Técnica Alexander, vs. 22,7% no cuidado usual
Qualidade de vida geral (QALYs)
melhorou
Ganhos moderados de 0,032 QALY com acupuntura e 0,025 QALY com Técnica Alexander
Custo-efetividade da acupuntura
favorável
£18. 767 por QALY, dentro dos limites de aceitabilidade do sistema britânico de saúde
Tolerabilidade das intervenções
boa
Ambas as terapias foram bem aceitas, sem eventos adversos graves relatados no estudo
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
6 meses
6 meses
Reduções significativas nos escores de dor e incapacidade (NPQ) já eram evidentes em ambos os grupos de intervenção
12 meses
12 meses
Ganhos de QALY e melhorias no NPQ foram mantidos, com acupuntura mostrando 33,6% de redução e Alexander 36,4% vs. 22,7% no cuidado usual
Antes e depois
Dor e incapacidade cervical (NPQ)
escala máx. 100 % de incapacidade (a
Dor e incapacidade cervical (NPQ)
escala máx. 100 % de incapacidade (A
Dor e incapacidade cervical (NPQ)
escala máx. 100 % de incapacidade (c
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução moderada da dor e melhora na qualidade de vida geral, especialmente com acupuntura combinada ao cuidado médico habitual
Tempo provável
Benefícios mensuráveis aparecem em 6 meses e se mantêm até 12 meses
A Técnica Alexander exige mais sessões e tem custo mais elevado, sem garantia de ser considerada custo-efetiva pelos padrões usuais de saúde pública
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Terapias complementares sempre são mais baratas que tratamentos médicos convencionais
Achado
Ambas as intervenções aumentaram custos em relação ao cuidado usual; a acupuntura foi custo-efetiva, mas não 'barata', e a Técnica Alexander foi a mais cara
Mito
Quanto mais sessões, melhor o resultado
Achado
A Técnica Alexander teve mais sessões (20) que a acupuntura (12), mas ganhou menos QALYs e teve pior relação custo-benefício
Mito
Se funciona clinicamente, deve ser oferecido pelo sistema de saúde
Achado
A Técnica Alexander melhorou sintomas, mas seu custo mais alto a torna economicamente questionável para financiamento público em alguns cenários
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO LOCAL
Acupuntura: inserção de agulhas em pontos específicos pode modular vias de dor e promover relaxamento muscular (mecanismo proposto, não completamente elucidado)
REEDUCAÇÃO CORPORAL
Técnica Alexander: ensino prático de consciência postural e movimento, visando reduzir padrões tensionais associados à dor (mecanismo de autoconsciência motora)
EFEITO GLOBAL
Ambas podem influenciar a percepção de dor e funcionamento geral, com impacto mensurável na qualidade de vida após meses de prática
O que ainda é incerto
Avaliar custo-efetividade da acupuntura e Técnica Alexander vs. cuidados médicos habituais para dor cervical crônica
293 pacientes com dor cervical há 3+ meses, recrutados de clínicas médicas no Reino Unido
3 grupos: até 12 sessões de acupuntura, até 20 aulas de Técnica Alexander, ou apenas cuidados médicos habituais
Ambos tratamentos melhoraram qualidade de vida, com acupuntura sendo mais custo-efetiva
Ambas intervenções foram bem toleradas, sem eventos adversos graves relatados
Achados Interessantes
ACUPUNTURA COMPETITIVA ECONOMICAMENTE
Pela primeira vez em um ensaio de 12 meses, a acupuntura para dor cervical mostrou-se provavelmente custo-efetiva dentro dos parâmetros do sistema britânico de saúde, abrindo possibilidade de recomendações futuras
EFICÁCIA NÃO GARANTE CUSTO-EFETIVIDADE
A Técnica Alexander teve ligeira vantagem na redução percentual de dor, mas seu custo mais alto e maior número de sessões a tornaram economicamente menos atrativa — uma lição importante sobre como mais não sempre é melho
O PROBLEMA DOS DADOS PERDIDOS
Quase metade dos participantes não completou todos os dados, e essas pessoas eram mais doentes; isso alerta para que interpretemos resultados econômicos de terapias complementares com cautela
Resumo detalhado em linguagem acessível
O estudo ATLAS representa uma das primeiras avaliações econômicas completas comparando acupuntura e técnica Alexander para dor cervical crônica. Conduzido no Reino Unido entre 2011 e 2013, este ensaio clínico randomizado de três braços envolveu 517 participantes com dor cervical há mais de 3 meses, recrutados de consultórios médicos em York, Sheffield, Leeds e Manchester. O objetivo principal foi determinar a relação custo-efetividade dessas intervenções comparadas ao cuidado médico habitual. Os participantes foram randomizados em três grupos: acupuntura (até 12 sessões de 50 minutos), técnica Alexander (até 20 lições de 30 minutos) ou cuidado médico habitual.
Ambos os grupos de intervenção mantiveram o cuidado médico habitual. O acompanhamento durou 12 meses, com avaliações aos 6 e 12 meses. Para medir a efetividade clínica, utilizaram o Northwick Park Neck Pain Questionnaire (NPQ), enquanto para a análise econômica empregaram o EQ-5D para calcular anos de vida ajustados por qualidade (QALYs). A coleta de dados de utilização de recursos incluiu consultas médicas, medicamentos, fisioterapia e custos de produtividade.
Os resultados de efetividade mostraram reduções clinicamente relevantes nos escores NPQ aos 12 meses para acupuntura (32%) e técnica Alexander (31%), comparados ao cuidado habitual (23%). Na análise econômica primária, dados completos estavam disponíveis para 293 participantes (58% da amostra). Os ganhos incrementais de QALY foram 0,032 para acupuntura e 0,025 para técnica Alexander, comparados ao cuidado habitual, indicando benefícios moderados de saúde. Os custos incrementais foram £451 para acupuntura e £667 para técnica Alexander, principalmente devido aos custos de intervenção.
A acupuntura mostrou-se provavelmente custo-efetiva com ICER de £18. 767/QALY (IC 95%: £4. 426-£74. 562), estando dentro do limiar de £20.
000/QALY do NICE. A técnica Alexander teve ICER de £25. 101/QALY (IC 95%: -£150. 208 a £248.
697), não sendo custo-efetiva no limiar inferior mas possivelmente no superior de £30. 000/QALY. Múltiplas análises de sensibilidade foram realizadas, incluindo perspectiva societal mais ampla e imputação de dados faltantes. A inclusão de custos sociais (gastos privados e perdas de produtividade) reduziu a custo-efetividade de ambas intervenções.
Quando dados faltantes foram imputados, nenhuma intervenção permaneceu custo-efetiva, embora com grande incerteza estatística. O principal limitador foi o alto nível de dados faltantes (42% dos participantes), potencialmente introduzindo viés, pois participantes com dados completos eram geralmente mais saudáveis. As implicações clínicas sugerem que acupuntura oferece uma opção custo-efetiva para dor cervical crônica no sistema público de saúde, enquanto técnica Alexander, embora eficaz, apresenta custo elevado que pode limitar sua implementação ampla. Este estudo fornece evidência importante para tomadores de decisão sobre alocação de recursos em saúde para condições musculoesqueléticas crônicas.
Acupuntura + cuidados habituais
104 pessoas
até 12 sessões de 50 minutos
Técnica Alexander + cuidados habituais
89 pessoas
até 20 aulas de 30 minutos
Cuidados médicos habituais
100 pessoas
apenas tratamento médico padrão
Ganho de QALYs com acupuntura
Ganho de QALYs com Técnica Alexander
Custo adicional da acupuntura
Custo adicional da Técnica Alexander
Custo por QALY - acupuntura
Custo por QALY - Técnica Alexander
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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