Estudo científico comentado

Estimulação elétrica muscular com alongamento ativo mostra-se promissora para dor miofascial

Referência acadêmica

Periódico

Artificial Organs

Ano

2025

Autores

Churproong et al.

Desenho

ensaio clínico randomizado

Este estudo testou uma nova abordagem para dor no músculo trapézio (região entre pescoço e ombro): combinar estimulação elétrica muscular com alongamento. Em apenas 1 minuto de tratamento, essa combinação aliviou mais a dor do que alongamento isolado ou TENS. Embora promissor para alívio imediato, ainda não sabemos se os benefícios são duradouros, sendo necessários mais estudos.

Título original do estudo: A Comparison Study Between Electrical Muscle Stimulation and Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation on Treatment of Myofascial Pain Syndrome

🔬ensaio clínico randomizado👥n=41 participantestratamento de curta duração
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em apenas 1 minuto, a combinação de estimulação elétrica muscular com alongamento ativo aliviou mais a dor miofascial do trapézio e aumentou mais a tolerância à pressão do que alongamento isolado ou TENS convencional, mas os efeitos duradouros ainda precisam s

O que isso significa para você?

Este estudo testou uma nova abordagem para dor no músculo trapézio (região entre pescoço e ombro): combinar estimulação elétrica muscular com alongamento. Em apenas 1 minuto de tratamento, essa combinação aliviou mais a dor do que alongamento isolado ou TENS. Embora promissor para alívio imediato, ainda não sabemos se os benefícios são duradouros, sendo necessários mais estudos.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A dor miofascial do trapézio é comum em quem trabalha sentado ou com computador, e existem opções de tratamento além da medicação
  • 2Esta técnica combinada de estimulação elétrica com alongamento mostrou alívio rápido, mas não é uma cura definitiva — o ponto-gatilho permanece
  • 3O TENS tradicional ainda funciona, mas neste estudo de curta duração a combinação EMS + alongamento foi superior para aumentar a tolerância à pressão
  • 4Antes de usar qualquer estimulação elétrica em casa, é importante consultar um médico para descartar contraindicações como marca-passo ou problemas cardíacos
  • 5Para benefícios que persistam, provavelmente será necessário usar a técnica regularmente, não apenas uma vez
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor no pescoço/ombro é realmente de origem miofascial, ou poderia ser outra condição como hérnia de disco ou síndrome do desfiladeiro?
  • 2Tenho alguma contraindicação para usar estimulação elétrica, considerando meu histórico cardíaco e medicamentos?
  • 3Se esta técnica de 1 minuto é promissora, quantas vezes por dia ou por semana seria recomendado usá-la para manter o benefício?
  • 4Existem outras opções de tratamento que deva considerar em paralelo, como mudanças ergonômicas no trabalho?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso foi relatado neste estudo com 41 participantes, mas a segurança de uso prolongado ou repetitivo não foi testada
  • 2A técnica é contraindicada em portadores de marca-passo, pessoas com arritmias cardíacas, epilepsia, ou infecções/lesões de pele na região de aplicação
  • 3A intensidade elétrica deve ser ajustada individualmente para contrações confortáveis — desconforto excessivo não é esperado nem desejado
  • 4O posicionamento dos eletrodos parece técnico e pode exigir orientação inicial para ser feito corretamente em casa

Leitura rápida para pacientes

Alívio rápido para dor no ombro e pescoço

Uma técnica nova combina estimulação elétrica com alongamento em apenas 1 minuto, mostrando resultados promissores para dor miofascial do trapézio.

Ponto 1

A combinação de EMS + alongamento ativo reduziu mais a dor e aumentou mais a tolerância à pressão que TENS ou alongament

Ponto 2

Cada sessão dura apenas 1 minuto, mas o efeito foi testado apenas no momento imediato — não se sabe quanto tempo dura

Ponto 3

É preciso repetir o tratamento regularmente e consultar um médico para confirmar se sua dor é de origem miofascial e se

O que este estudo acrescenta

PROTOCOLO DE 1 MINUTO

Este estudo desenvolveu e testou uma técnica combinada de EMS + alongamento ativo com duração de apenas 60 segundos, drasticamente menor que os 20-30 minutos típicos de TENS, mantendo eficácia superior no limiar de dor à

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

O efeito de 1,05 ponto na escala de dor e o aumento de 0,38 kgf no limiar de pressão são clinicamente perceptíveis e superiores aos comparadores, mas a avaliação limitada ao efeito imediato e a amostra pequena restringem

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um estudo experimental onde os participantes receberam tratamentos em ordem aleatória, o que oferece evidência de boa qualidade sobre eficácia, embora com limitações de tama

Participantes do estudo

41

adultos trabalhadores com pontos-gatilho no trapézio

Redução de dor com EMS + alongamento

1,05

pontos na escala 0-10, de 6,22 para 5,17 em média

Aumento do limiar de dor à pressão

0,38

kgf de força, indicando menor sensibilidade do ponto-gatilho

Pontos-gatilho latentes

73%

da amostra tinha pontos não ativos, representando dor mais leve

Duração do tratamento

60

segundos por sessão, divididos em 3 ciclos de 10 segundos

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

síndrome da dor miofascial com pontos-gatilho no músculo trapézio

Tipo de estudo

ensaio clínico randomizado cruzado

Participantes

41 adultos trabalhadores, média de 39 anos, com dor na região cervical/ombro

Duração

avaliação apenas do efeito imediato após sessão única

Sessões

uma sessão com três tratamentos em ordem aleatória

Comparador

alongamento ativo isolado e TENS convencional sem alongamento

Grupos do estudo

EMS + alongamento ativoalongamento ativo com estimulação falsa (sham)TENS convencional

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 sessão experimental com 3 tratamentos cruzados

Frequência02

não aplicável — estudo de sessão única

Duração da sessão03

1 minuto por tratamento (3 ciclos de 10 segundos com 10 segundos de pausa)

Pontos / técnica04

eletrodos posicionados transversalmente às fibras musculares, com distância intereletrodos de 1 cm, sobre o ponto-gatilho ou adjacente (acrômio/espinha para estabilização)

Comparador05

alongamento ativo com estimulação falsa (sham) e TENS convencional (60 Hz, 100 μs, 5 mA) sem alongamento

Nota de protocolo06

A EMS usou frequência de 20 Hz e largura de pulso de 100 μs, com intensidade ajustada individualmente para contrações tetânicas confortáveis. O alongamento ativo foi realizado pelo

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com 18 anos ou mais, de ambos os sexosTrabalhadores com diagnóstico médico de síndrome da dor miofascial e pontos-gatilho no trapézioPessoas com dor autorrportada na região superior das costasCapacidade de movimentar os membros superiores normalmenteMaioria com pontos-gatilho latentes (73%), não ativos

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com marca-passo, arritmias cardíacas ou doenças cardiovasculares gravesPacientes com epilepsia, câncer avançado, doenças autoimunes ou tireoidopatiasQuem usava analgésicos de longa duração ou tinha infecções de pele na região do trapézioPessoas com compressão de raízes nervosas cervicais ou fraqueza muscular

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

queda média de 1,05 ponto na escala 0-10 com EMS + alongamento (significativo dentro do grupo)

🛡️

Limiar de dor à pressão

aumentou

aumento médio de 0,38 kgf, indicando menor sensibilidade do ponto-gatilho à pressão mecânica

Atividade muscular funcional

pequena melhora, não significativa entre grupos

ligeira elevação da atividade eletromiográfica durante movimento do trapézio, mas sem diferença estatística comparativa

⏱️

Tempo de tratamento

reduziu drasticamente

protocolo de apenas 1 minuto versus 20-30 minutos típicos de TENS

O que não mudou

  • O ponto-gatilho não desapareceu fisicamente ao exame físico (palpação do nódulo)
  • Não houve diferença significativa entre os três tratamentos na redução de dor quando comparados diretamente (apenas dentro de cada grupo)
  • A atividade eletromiográfica não diferiu significativamente entre EMS + alongamento, alongamento isolado e TENS

Quando a melhora apareceu

1

minutos após o tratamento

Imediatamente após a sessão

redução significativa da intensidade da dor e aumento do limiar de dor à pressão com EMS + alongamento

2

mesma sessão, ordem randomizada

Comparação entre tratamentos

EMS + alongamento mostrou aumento superior de limiar de dor versus os dois comparadores

Antes e depois

Intensidade da dor (EMS + alongamento)

escala máx. 10 pontos NRS

Antes6.2 pontos NRS
Depois5.15 pontos NRS

Limiar de dor à pressão (EMS + alongamento)

escala máx. 5 kgf

Antes2.5 kgf
Depois2.88 kgf

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito adverso relatado entre os 41 participantes
  • Contrações elétricas ajustadas individualmente para conforto
  • Técnica não invasiva, sem agulhas ou medicação
Amarelo
  • Contrações tetânicas podem causar desconforto em algumas pessoas
  • Necessidade de exclusão de portadores de marca-passo e doenças cardíacas
  • Reposicionamento do sensor EMG entre tratamentos pode ter introduzido variabilidade técnica
Vermelho
  • Efeitos avaliados apenas imediatamente — segurança de uso repetitivo ou prolongado não testada
  • Contraindicado em pessoas com marca-passo, arritmias, epilepsia ou infecções cutâneas locais
  • Não se sabe se a técnica é segura ou eficaz sem supervisão inicial para posicionamento dos eletrodos

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Trabalhadores de escritório com dor cervical/ombro relacionada a postura ou uso de computador
  • Pessoas com pontos-gatilho latentes no trapézio que buscam alívio rápido entre atividades
  • Pacientes com tempo limitado para tratamentos mais longos como TENS convencional
  • Indivíduos sem contraindicações cardíacas, neurológicas ou de pele que possam usar estimulação elétrica

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com marca-passo, arritmias cardíacas ou histórico de epilepsia
  • Pacientes com dor intensa e constante de origem não miofascial (radiculopatia, compressão nervosa)
  • Quem busca resolução definitiva de pontos-gatilho em uma única sessão
  • Indivíduos com infecções de pele, feridas ou hipersensibilidade aos materiais dos eletrodos
  • Pessoas que não conseguem realizar o movimento de alongamento ativo por limitação articular ou neurológica

Expectativa realista

Alívio rápido, mas não definitivo

Você pode sentir diminuição da dor e maior tolerância à pressão na região do ombro e pescoço logo após 1 minuto de uso, especialmente se combinar a estimulação elétrica com o alongamento ativo.

Tempo provável

O efeito aparece imediatamente após a sessão; não se sabe quanto tempo dura.

O ponto-gatilho não desaparece — o benefício é sintomático e provavelmente exige repetições regulares para manutenção, segundo os próprios autores do estudo.

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seus sintomas são compatíveis com pontos-gatilho miofascial do trapézio ou se há outra causa de dor
  2. 2Verifique se você tem alguma contraindicação para estimulação elétrica (marca-passo, arritmia, epilepsia, problemas de pele)
  3. 3Discuta se vale a pena tentar esta técnica combinada versus outras opções como TENS, alongamento supervisionado ou outras terapias
  4. 4Pergunte sobre frequência ideal de uso e se há necessidade de acompanhamento para posicionamento correto dos eletrodos
  5. 5Questione sobre sinais de alerta que indicariam necessidade de investigação adicional (dor com irradiação, fraqueza, dormência)

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

TENS sempre é a melhor opção de estimulação elétrica para dor miofascial

Achado

Neste estudo de 1 minuto, EMS combinada com alongamento superou o TENS no aumento do limiar de dor à pressão, sugerindo que a escolha da técnica depende do objetivo e do tempo disponível

Mito

Estimulação elétrica sozinha resolve o problema miofascial

Achado

O benefício veio da combinação EMS + alongamento, não da estimulação isolada; o ponto-gatilho físico permaneceu após o tratamento

Mito

Quanto mais tempo de tratamento, melhor o resultado

Achado

O protocolo inovador de apenas 1 minuto mostrou efeitos significativos, questionando a necessidade de sessões longas para alívio imediato — embora ainda não se saiba se múltiplas sessões curtas sustentam o benefício

Mito

Alongamento sozinho é tão eficaz quanto com auxílio

Achado

O alongamento ativo isolado foi menos efetivo que o combinado com EMS, possivelmente porque a escápula se move junto, reduzindo o estiramento do ponto-gatilho específico

Como isso pode funcionar

PASSO 1: Contração localizada

A EMS aplicada transversalmente às fibras musculares gera uma contração tetânica confortável na região do ponto-gatilho — mecanismo proposto, não diretamente observado

🛑

PASSO 2: Estabilização mecânica

Essa contração funciona como uma 'mão' que fixa a escápula ou o acrômio, permitindo que o alongamento ativo atinja melhor o músculo-alvo — interpretação dos autores baseada na analogia com alongamento passivo assistido

🔄

PASSO 3: Estiramento mais efetivo

Com a estabilização, o alongamento ativo do próprio paciente alonga mais eficientemente as fibras musculares ao redor do ponto-gatilho, possivelmente alterando a tensão sarcomérica — mecanismo plausível, mas não comprova

🧠

PASSO 4: Modulação da dor

A estimulação elétrica pode também ativar vias de liberação de endorfinas e mecanismos gate-control, contribuindo para o alívio da dor — efeito conhecido da estimulação elétrica, mas não especificamente mensurado neste p

O que ainda é incerto

  • ?Os benefícios foram avaliados apenas no momento imediato após o tratamento — não se sabe se duram horas, dias ou semanas
  • ?O estudo não testou múltiplas sessões ao longo do tempo, que os autores sugerem serem necessárias para efeitos duradouros
  • ?A amostra de 41 participantes, predominantemente trabalhadores de escritório e estudantes, limita a generalização para outras populações
  • ?Não houve avaliação de amplitude de movimento, flexibilidade ou mudanças morfológicas do ponto-gatilho por imagem
🎯

O que o estudo quis responder

comparar EMS + alongamento ativo versus TENS e alongamento isolado para dor miofascial do trapézio

👥

QUEM PARTICIPOU

41 adultos trabalhadores com pontos-gatilho no músculo trapézio

🧪

COMO FOI FEITO

três sessões de 1 minuto cada: EMS + alongamento, alongamento isolado e TENS

📈

O QUE MUDOU

EMS + alongamento reduziu mais dor e aumentou tolerância à pressão

🛟

SEGURANÇA

nenhum efeito adverso relatado, contrações musculares confortáveis

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

A 'mão elétrica' que alonga por você

O conceito mais inovador é usar a contração muscular elétrica como estabilizador mecânico, imitando a função da mão de um terapeuta durante o alongamento passivo — algo que o alongamento sozinho não consegue replicar.

🧭

Desafio ao paradigma do tempo de tratamento

Este estudo questiona a suposição de que tratamentos elétricos precisam ser longos: 1 minuto de EMS + alongamento superou 1 minuto de TENS e de alongamento isolado, abrindo caminho para protocolos mais práticos no dia a

📌

A persistência do nódulo importa

Curiosamente, o ponto-gatilho não desapareceu ao toque após o tratamento — um lembrete honesto de que o alívio da dor não significa cura estrutural, e que expectativas realistas são essenciais.

🔬

Primeiro passo para terapia domiciliar

A simplicidade e rapidez do protocolo sugerem potencial para autogestão doméstica no futuro, embora ainda seja necessário validar o treinamento adequado para posicionamento dos eletrodos.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Estimulação elétrica muscular com alongamento ativo mostra-se promissora para dor miofascial

A dor miofascial é uma condição extremamente comum, especialmente entre trabalhadores que passam longas horas em frente a computadores ou realizando tarefas repetitivas. Ela se manifesta através de pontos-gatilho — nódulos sensíveis nos músculos que podem causar dor local ou irradiada, limitar movimentos e reduzir a qualidade de vida. O músculo trapézio, que se estende da base do crânio até a região média das costas e move o ombro e a escápula, é um dos locais mais frequentemente afetados. Quando esses pontos-gatilho estão ativos, a dor pode ser espontânea e constante; quando latentes, a dor só aparece sob pressão, mas mesmo assim podem comprometer a função muscular e predispor a episódios mais intensos.

Este estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Bath no Reino Unido e publicado em 2025, propôs uma abordagem inovadora e extremamente rápida para esse problema: combinar estimulação elétrica muscular (EMS) com alongamento ativo realizado pelo próprio paciente. A ideia central é que a EMS, aplicada de forma localizada, cria uma contração controlada que funciona como uma "mão estabilizadora" — similar ao que um terapeuta faria durante um alongamento passivo. Sem essa estabilização, quando uma pessoa tenta alongar o trapézio sozinha, a escápula tende a se mover junto, reduzindo o efeito do alongamento sobre o ponto-gatilho exato. A EMS resolveria essa limitação, permitindo um estiramento mais efetivo em apenas um minuto.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores recrutaram 41 adultos trabalhadores, com idade média de aproximadamente 39 anos, que apresentavam pontos-gatilho no trapézio superior ou médio. A maioria (73%) tinha pontos-gatilho latentes, não ativos — o que é importante porque representa um perfil de dor mais leve, porém muito comum na população trabalhadora. Os participantes passaram por três tratamentos diferentes, todos em uma única sessão e em ordem aleatória: EMS combinada com alongamento ativo, alongamento ativo isolado com estimulação falsa (sham), e TENS convencional sem alongamento. Cada tratamento durava apenas um minuto, dividido em três ciclos de 10 segundos de estimulação/estiramento intercalados com 10 segundos de descanso.

Os resultados foram medidos imediatamente antes e depois de cada tratamento, usando três parâmetros: intensidade da dor relatada pelo paciente em uma escala de 0 a 10, limiar de dor à pressão medido com um algômetro digital (quanto maior o valor, menor a sensibilidade dolorosa), e atividade elétrica muscular durante movimentos do trapézio, registrada por eletromiografia de superfície. A combinação EMS + alongamento mostrou resultados superiores: reduziu a dor em média 1,05 ponto na escala de 0 a 10, aumentou o limiar de dor à pressão em 0,38 kgf, e ambas as mudanças foram estatisticamente significativas. O alongamento isolado e o TENS também reduziram a dor, mas em menor magnitude (0,54 e 0,68 ponto, respectivamente), e não conseguiram aumentar significativamente o limiar de dor à pressão. Quando comparados diretamente, o EMS + alongamento foi significativamente superior ao TENS e ao alongamento isolado no aumento do limiar de dor, embora as diferenças na redução de dor entre os três tratamentos não tenham atingido significância estatística no teste comparativo.

A atividade muscular medida por eletromiografia apresentou pequena elevação após o EMS + alongamento, mas sem diferença significativa entre os grupos — algo esperado, dado o brevíssimo tempo de tratamento. Os pesquisadores observaram que o ponto-gatilho não desapareceu fisicamente após o tratamento, o que sugere que o benefício foi de alívio sintomático imediato, não de resolução estrutural do problema.

Do ponto de vista prático, o que distingue este estudo é a velocidade do protocolo. Tratamentos convencionais com TENS geralmente exigem 20 a 30 minutos, e muitos trabalhadores acabam abandonando a terapia por falta de tempo. A possibilidade de obter alívio em apenas 60 segundos, com uma técnica que pode ser aprendida para uso doméstico, representa um avanço em termos de adesão e acessibilidade. No entanto, é fundamental manter as expectativas realistas: os efeitos foram avaliados apenas no momento imediato após o tratamento, não se sabe por quanto tempo persistem, e o estudo não testou múltiplas sessões ao longo de dias ou semanas.

Os próprios autores sugerem que, para benefícios duradouros, seriam necessárias 3 a 5 rodadas por sessão, repetidas várias vezes por semana, possivelmente combinadas com outras abordagens terapêuticas.

A segurança pareceu boa: não houve relatos de efeitos adversos, e as contrações elétricas foram ajustadas individualmente para serem confortáveis. Ainda assim, o estudo excluiu pessoas com marca-passo, doenças cardíacas graves, epilepsia, infecções de pele na região, ou uso de analgésicos de longa duração — limitações importantes para quem considera aplicar essa técnica em casa. A amostra de 41 participantes, embora adequada para um estudo piloto, é pequena para generalizações amplas, e a população era predominantemente de trabalhadores de escritório e estudantes universitários, o que pode não refletir outros perfis ocupacionais ou faixas etárias.

Em síntese, este estudo oferece evidências promissoras de que a combinação de estimulação elétrica muscular com alongamento ativo pode ser uma ferramenta rápida e eficaz para alívio imediato da dor miofascial do trapézio, potencialmente mais vantajosa que o TENS convencional ou o alongamento isolado nesse contexto específico de curta duração. Para pacientes, a mensagem mais importante é: existe uma técnica nova, rápida e aparentemente segura, mas ela ainda está em fase de validação, e o alívio que proporciona parece ser imediato, não necessariamente duradouro sem tratamento continuado.

O que fortalece a leitura

  • 1protocolo randomizado bem estruturado
  • 2medidas objetivas de dor e sensibilidade
  • 3tratamento muito rápido (1 minuto)
  • 4técnica inovadora mimetizando terapia manual
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1efeitos avaliados apenas imediatamente após o tratamento
  • 2não sabemos se benefícios são duradouros
  • 3amostra relativamente pequena
  • 4faltam medidas de flexibilidade muscular

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

41pessoas avaliadas
divisão dos grupos

EMS + alongamento ativo

41 pessoas

estimulação elétrica + alongamento por 1 minuto

Alongamento + sham

41 pessoas

alongamento ativo isolado por 1 minuto

TENS

41 pessoas

estimulação elétrica nervosa por 1 minuto

⏱️ Tempo de acompanhamento: sessão única com três tratamentos em ordem randomizada

📊 Resultados em números

1,05 pontos

Redução da dor com EMS + alongamento

0,38 kgf

Aumento do limiar de dor com EMS + alongamento

p < 0,001

Significância estatística da melhora

0%

Pontos-gatilho latentes

Destaques percentuais

73%
Pontos-gatilho latentes

📊 Comparação de Resultados

Redução da intensidade da dor (0-10)

EMS + alongamento
1.05
Alongamento isolado
0.54
TENS
0.68

Aumento do limiar de dor (kgf)

EMS + alongamento
0.38
Alongamento isolado
-0.07
TENS
0.01

📅 Linha do tempo da evidência

1997primeiros estudos comparando EMS e TENS para pontos-gatilho
2002técnicas de eletroterapia para dor miofascial estabelecidas
2019revisões sistemáticas confirmam eficácia de TENS para dor
2023interesse crescente em tratamentos combinados para dor miofascial
2025este estudo desenvolve protocolo inovador EMS + alongamento ativo

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Conheça a equipe da clínica →

Acesse a fonte original

Continue lendo

Continue pesquisando

Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.

Dor Crônica (Geral)Dor Cervical & Ombro
2020

Exercícios mandibulares reduzem dor muscular da face em estudo controlado

O que este estudo responde

Exercícios mandibulares simples, realizados em casa, reduziram a dor durante movimentos da mandíbula, a frequência de dores de cabeça e o uso de…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como exercícios mandibulares (n=35) foi comparado a placa oclusal noturna e grupo sem tratamento (lista de espera) em dor miofascial da mastigação…

Comparador

Placa oclusal noturna e grupo sem tratamento (lista de espera)

🧪 ensaio clínico controlado👥 97 participantes alto impacto clínico

Força da evidência

82%

Lindfors et al.

Journal of Oral & Facial Pain and Headache

Ver resumo
Dor Cervical & OmbroAgulhamento Seco vs. Acupuntura
2002

Efeitos imediatos da acupuntura a distância e dry needling na dor cervical crônica

O que este estudo responde

Acupuntura em pontos distantes do corpo mostrou alívio imediato da dor cervical e melhora da mobilidade superior tanto a um placebo quanto ao agulhamento…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura em pontos distantes (não-locais) foi comparado a laser sham inativo como controle placebo duplo-cego em dor cervical crônica com…

Comparador

Laser sham inativo como controle placebo duplo-cego

🔄 Crossover Duplo-Cego👥 36 participantes Efeito Imediato

Força da evidência

78%

Irnich et al.

Pain

Ver resumo
Dor Cervical & OmbroDor Crônica (Geral)
2018

Anestesia de pontos-gatilho reduz a sensibilização central em dor crônica por trauma cervical

O que este estudo responde

Anestesia local de um único ponto-gatilho no trapézio aumentou rapidamente o limiar de dor à pressão em regiões distantes do corpo em pacientes com dor…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como grupo a: anestesia subfascial com bupivacaína 0,25% (2 ml) foi comparado a injeção intradérmica superficial (placebo/sham) versus injeção…

Comparador

Injeção intradérmica superficial (placebo/sham) versus injeção subfascial ativa

🔬 Ensaio clínico randomizado👥 31 participantes🎯 Alto impacto clínico

Força da evidência

78%

Nystrom & Freeman

Pain Medicine

Ver resumo
Dor Crônica (Geral)Revisões Sistemáticas & Meta-Análises
2024

Toxina botulínica no tratamento da dor: análise sistemática de estudos clínicos

O que este estudo responde

Em dois terços dos ensaios clínicos revisados, a toxina botulínica reduziu a dor mais que controles, com qualidade metodológica moderada a boa, mas…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como toxina botulínica foi comparado a principalmente placebo ou solução salina (21 estudos); outras drogas (8 estudos); terapias físicas como…

Comparador

principalmente placebo ou solução salina (21 estudos); outras drogas (8 estudos); terapias físicas como ondas de choque

📊 Revisão sistemática👥 33 ensaios clínicos incluídos🎯 alta relevância clínica

Força da evidência

78%

Coraci et al.

European Journal of Translational Myology

Ver resumo