Pacientes no PREEMPT
1. 384
Maior ensaio clínico em enxaqueca crônica, base da aprovação regulatória
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Plastic and Reconstructive Surgery
Ano
2020
Autores
Hehr et al.
Desenho
Revisão narrativa
Esta revisão mostra que a toxina botulínica pode ser útil para várias condições de dor, não apenas para rugas. Funciona bloqueando sinais de dor nos nervos, além do relaxamento muscular. A evidência é mais forte para enxaqueca crônica, mas também existe para outras dores como neuralgias. É importante saber que nem todas as condições têm estudos de alta qualidade ainda.
Título original do estudo: The Use of Botulinum Toxin in Pain Management: Basic Science and Clinical Applications
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A toxina botulínica mostra evidência de alta qualidade apenas para enxaqueca crônica, evidência moderada para neuralgias trigeminal e pós-herpética, e evidência fraca ou muito fraca para a maioria das outras condições dolorosas analisadas.
Esta revisão mostra que a toxina botulínica pode ser útil para várias condições de dor, não apenas para rugas. Funciona bloqueando sinais de dor nos nervos, além do relaxamento muscular. A evidência é mais forte para enxaqueca crônica, mas também existe para outras dores como neuralgias. É importante saber que nem todas as condições têm estudos de alta qualidade ainda.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Funciona bem para algumas condições, tem evidência fraca para outras. A chave é saber para qual dor você está considerando.
Ponto 1
A evidência mais forte é para enxaqueca crônica (≥15 dias/mês), com redução de mais da metade das crises em muitos pacie
Ponto 2
Neuralgia trigeminal e pós-herpética também têm bons estudos, mas a maioria das outras dores ainda precisa de mais pesqu
Ponto 3
O efeito dura 3-6 meses, exige reaplicação, e muitas indicações são off-label — converse com seu médico sobre expectativ
O que este estudo acrescenta
Esta revisão de 2020 consolidou, pela primeira vez em formato acessível para cirurgiões plásticos, toda a gama de aplicações analgésicas da toxina botulínica, diferenciando claramente o que tem evidência robusta do que a
Aplicabilidade clínica
O efeito é clinicamente relevante para enxaqueca crônica e algumas neuralgias, com reduções substanciais em escalas de dor e uso de medicamentos. Para outras condições, a relevância é incerta devido à baixa qualidade da
Força do desenho do estudo
Os autores selecionaram e sintetizaram estudos publicados sem método sistemático de busca explícito, oferecendo visão de especialistas mas com menor rigor que uma revisão sistemáti
Pacientes no PREEMPT
1. 384
Maior ensaio clínico em enxaqueca crônica, base da aprovação regulatória
Redução de cefaleias
>50%
Proporção de pacientes com redução significativa na frequência de dias de enxaqueca
Resposta em neuralgia pós-herpética
87%
Pacientes com redução ≥50% na dor após injeção única de 100 U
Resolução de dor em Raynaud
84%
Pacientes com fenômeno de Raynaud que relataram alívio da dor isquêmica
Assimetria facial em neuralgia trigeminal
13%
Taxa de efeito adverso mais específico desta indicação, geralmente temporário
Ficha rápida do estudo
Condição
Múltiplas condições dolorosas (enxaqueca crônica, neuralgias, dor neuropática, distúrbios vasoespásticos, dor pélvica, d
Tipo de estudo
Revisão narrativa da literatura
Participantes
Variável conforme estudo incluído; o maior ensaio citado (PREEMPT) teve 1. 384 pa
Duração
Variável; seguimentos de 8 a 56 semanas nos principais ensaios clínicos
Sessões
Protocolo variável: de injeção única a ciclos repetidos a cada 12 semanas
Comparador
Placebo, lidocaína, metilprednisolona ou ausência de controle (dependendo do estudo)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Variável: 1 a 5 ciclos para enxaqueca; geralmente injeção única para neuralgias
A cada 12 semanas para enxaqueca crônica; única ou conforme necessidade para out
Não especificada na revisão (procedimento ambulatorial rápido)
31 pontos fixos para enxaqueca (155-195 U); técnica 'seguir a dor' para neuralgia trigeminal (40-100 U em 8-20 pontos); injeção ao redor da área de alodinia para neuralgia pós-herp
Placebo, solução salina, lidocaína 0,5% ou metilprednisolona 10 mg
Doses e técnicas variam significativamente entre condições; muitas aplicações são off-label
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Frequência de cefaleia
reduziu
>50% de redução nos dias de enxaqueca por mês no programa PREEMPT
Intensidade da dor neuralgica
reduziu
Queda de 6,5 pontos na escala visual analógica para neuralgia trigeminal
Qualidade do sono
melhorou
Melhora significativa em neuralgia pós-herpética e trigeminal
Uso de analgésicos
reduziu
Menor necessidade de opioides em neuralgia pós-herpética e medicamentos de resgate em enxaqueca
Cicatrização de úlceras
melhorou
Cicatrização em 48-84% dos pacientes com fenômeno de Raynaud e úlceras digitais
Função e qualidade de vida
melhorou
Melhora em escores de qualidade de vida e tolerância a próteses em amputados (evidência muito baixa)
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Dias 3-7
Primeira semana
Alguns pacientes com neuralgia pós-herpética e fenômeno de Raynaud relatam alívio precoce
Semanas 2-4
Duas a quatro semanas
Redução mensurável da dor em neuralgia trigeminal e neuropatia diabética
Semanas 8-12
Oito a doze semanas
Pico de efeito em muitos estudos de neuralgia; avaliação de resposta sustentada
Ciclos repetidos
Após múltiplos ciclos
Melhora progressiva até 'estado estável' em enxaqueca crônica com injeções direcionadas a nervos periféricos
Antes e depois
Dias de enxaqueca/mês (PREEMPT)
escala máx. 30 dias
Dor em neuralgia trigeminal (EVA)
escala máx. 10 pontos
Dor em fenômeno de Raynaud (EVA)
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Para a maioria das condições, a redução da dor é progressiva nas primeiras 2-4 semanas e pode atingir 50% ou mais em respondentes. O efeito dura tipicamente 3-4 meses, exigindo reavaliação.
Tempo provável
Primeiras melhoras em 1-2 semanas; pico de efeito em 4-12 semanas; duração de 3-6 meses
Nem todos respondem igualmente; cerca de 30% podem não ter benefício significativo, e muitas indicações ainda carecem de evidência robusta.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Toxina botulínica só funciona para dor porque relaxa o músculo
Achado
Ela também bloqueia neurotransmissores da dor (substância P, CGRP, glutamato) e pode ter efeitos anti-inflamatórios e sobre canais de sódio, independentemente da ação muscular
Mito
Se funciona para enxaqueca, deve funcionar para qualquer dor de cabeça
Achado
A aprovação regulatória e a evidência robusta existem apenas para enxaqueca crônica (≥15 dias/mês); para enxaqueca episódica ou cefaleia tensional, a evidência não sustenta uso
Mito
É um tratamento permanente, uma única vez resolve
Achado
O efeito é temporário (3-6 meses), e a maioria das condições requer ciclos repetidos de aplicação para manutenção do benefício
Mito
Como é usada para estética, é totalmente segura em qualquer situação
Achado
A segurança depende da dose, local de aplicação e condições do paciente; há contraindicações importantes e efeitos adversos específicos para cada indicação
Como isso pode funcionar
BLOQUEIO PERIFÉRICO
A toxina entra nas terminações nervosas e impede a liberação de acetilcolina, reduzindo contrações musculares que comprimem nervos — mecanismo bem estabelecido
INTERRUPÇÃO DE MEDIADORES
Também bloqueia a liberação de substância P, CGRP e glutamato, neurotransmissores que amplificam sinais dolorosos — evidência forte para este mecanismo
EFEITO ANTI-INFLAMATÓRIO
Reduz expressão de ciclooxigenase-2 e prostaglandinas, diminuindo inflamação local ao redor de nervos — mecanismo proposto, com suporte experimental
TRANSPORTE RETROGRADO (PROVÁVEL)
Há evidências emergentes, ainda não definitivas, de que a toxina pode migrar retrogradamente até gânglios da raiz dorsal, modulando sensibilização central — mecanismo proposto, necessita confirmação
O que ainda é incerto
Revisar como a toxina botulínica funciona no controle da dor e suas aplicações clínicas
Age bloqueando liberação de neurotransmissores da dor além do efeito muscular
Qualidade alta para enxaqueca, moderada para neuralgias e baixa para outras condições
Enxaqueca crônica com 50% de redução na frequência das crises
Perfil seguro com efeitos adversos leves e transitórios
Achados Interessantes
ALÉM DO MÚSCULO
A revisão destacou que o efeito analgésico não se explica apenas pela paralisia muscular: a toxina interfere diretamente em vias de neurotransmissores da dor, abrindo possibilidades para condições sem componente muscular
MAPA DE EVIDÊNCIAS
Pela primeira vez em uma revisão acessível, os autores aplicaram o sistema GRADE para classificar separadamente cada condição, mostrando claramente onde a ciência está sólida e onde ainda há incerteza
CICATRIZAÇÃO DE ÚLCERAS
Em fenômeno de Raynaud, a toxina botulínica aliviou dor e promoveu cicatrização de úlceras digitais refratárias em 48-84% dos casos, com potencial de evitar amputa
MECANISMO CENTRAL EM DISCUSSÃO
A revisão compilou evidências emergentes de que a toxina pode atuar no sistema nervoso central, não apenas localmente — o que, se confirmado, redefiniria completamente seu potencial terapêutico para dores crônicas comple
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor crônica representa um dos maiores desafios da medicina moderna, afetando qualidade de vida, sono, produtividade e bem-estar emocional de milhões de pessoas. Tradicionalmente, os tratamentos se concentram em analgésicos, anti-inflamatórios e intervenções mais invasivas, mas nem sempre oferecem alívio satisfatório. Neste cenário, a toxina botulínica do tipo A — amplamente conhecida por suas aplicações estéticas — emergiu como uma possibilidade terapêutica para diversas condições dolorosas, muito além do relaxamento muscular. A revisão narrativa publicada por Hehr, Schoenbrunner e Janis em 2020, na revista Plastic and Reconstructive Surgery, examina de forma abrangente como essa substância funciona no controle da dor e quais evidências científicas a sustentam até o momento.
O estudo não se trata de um ensaio clínico original, mas sim de uma revisão narrativa da literatura médica, na qual os autores analisaram dezenas de publicações sobre o uso da toxina botulínica em diferentes condições dolorosas. Essa abordagem permite visualizar o panorama geral do campo, embora não forneça os mesmos níveis de certeza de uma revisão sistemática com meta-análise. Os autores organizaram as evidências segundo o sistema GRADE, que classifica a qualidade das recomendações em alta, moderada, baixa ou muito baixa, dependendo da robustez dos estudos disponíveis.
O mecanismo de ação da toxina botulínica na dor vai além do simples relaxamento muscular. Sabe-se há décadas que ela bloqueia a liberação de acetilcolina nas terminações nervosas, causando paralisia flácida. Porém, pesquisas mais recentes revelam que a toxina também interfere na liberação de mediadores proinflamatórios da dor, como a substância P, o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) e o glutamato. Essas moléculas são fundamentais para a sensibilização dos nervos periféricos e para a manutenção da dor neuropática.
Além disso, a toxina botulínica parece reduzir a expressão da ciclooxigenase-2, enzima envolvida na produção de prostaglandinas inflamatórias, e pode inibir canais de sódio, semelhante ao que fazem alguns medicamentos antiepilépticos usados para dor neuropática. Há também evidências emergentes — ainda não totalmente consolidadas — de que a toxina pode ser transportada retrogradamente pelos neurônios sensitivos até os gânglios da raiz dorsal, onde modula a expressão de receptores como o TRPV1, envolvido na transmissão de estímulos dolorosos.
Entre as condições analisadas, a enxaqueca crônica reúne a evidência mais robusta. A aprovação da toxina botulínica pelo FDA americano em 2010 baseou-se no programa PREEMPT, que incluiu 1. 384 pacientes em estudo duplo-cego controlado por placebo. Os resultados mostraram redução superior a 50% na frequência de dias de cefaleia, além de diminuição na gravidade e na necessidade de medicamentos de resgate.
O protocolo aprovado envolve 155 unidades injetadas em 31 pontos fixos, com ciclos a cada 12 semanas. Para a neuralgia trigeminal, a evidência é moderada: estudos mostram redução de cerca de 6,5 pontos na escala visual analógica de dor, com melhora também em ansiedade, depressão e qualidade do sono. A neuralgia pós-herpética também apresenta evidência moderada, com 87% dos pacientes atingindo redução de pelo menos 50% na intensidade da dor após injeção única de 100 unidades ao redor da área de alodinia tátil. Os distúrbios vasoespásticos das mãos, como o fenômeno de Raynaud, têm evidência de qualidade baixa, mas relatos sugerem resolução da dor em 84% dos casos e cicatrização de úlceras digitais em até 60 dias.
Já a dor pélvica crônica, a dor neuropática diabética e a dor em reconstrução de parede abdominal contam com evidência moderada a baixa, enquanto a dor do membro fantasma apresenta evidência muito baixa, baseada em pouquíssimos pacientes.
A segurança da toxina botulínica para essas indicações parece consistente com seu perfil já conhecido. Os efeitos adversos mais comuns incluem fraqueza muscular local, dor no local da injeção, ptose palpebral (quando injetada na face) e cefaleia. Na maioria dos estudos revisados, os eventos adversos foram leves e transitórios, e poucos pacientes precisaram abandonar o tratamento. Para a neuralgia trigeminal, a assimetria facial foi relatada em cerca de 13% dos casos, embora temporária.
Nos distúrbios vasoespásticos, fraqueza dos músculos intrínsecos da mão ocorreu em alguns pacientes, resolvendo-se em até cinco meses.
A utilidade prática desta revisão para pacientes reside principalmente na organização das evidências. Ela permite que pessoas com condições dolorosas específicas — especialmente enxaqueca crônica, neuralgia trigeminal e neuralgia pós-herpética — discutam com seus médicos a possibilidade de uma intervenção minimamente invasiva, com perfil de segurança conhecido e potencial de reduzir significativamente o uso de analgésicos sistêmicos. No entanto, é fundamental que os pacientes compreendam as limitações: muitas aplicações ainda são off-label (não aprovadas formalmente pelas agências reguladoras), a qualidade da evidência varia drasticamente entre condições, e os mecanismos de ação na dor não estão completamente elucidados. Além disso, a ausência de comparadores ativos em vários estudos dificulta saber se a toxina é superior a outras intervenções já estabelecidas.
A revisão aponta para um campo em expansão, mas que ainda demanda pesquisas controladas de maior porte para consolidar muitas das indicações promissoras.
Redução frequência enxaqueca crônica
Melhora dor em neuralgia trigeminal
Alívio dor pós-herpética
Melhora fenômeno Raynaud
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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