Participantes randomizados
198
94 no grupo de auriculoterapia, 88 no grupo combinado
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Traditional and Complementary Medicine
Ano
2022
Autores
Moura et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo mostrou que a auriculoterapia já é eficaz para dor crônica nas costas, mas quando combinada com ventosaterapia os resultados são ainda melhores. Pessoas que receberam as duas terapias juntas tiveram maior alívio da dor e conseguiram realizar melhor suas atividades do dia a dia. Os tratamentos foram seguros e bem tolerados. Vale lembrar que os pacientes mantiveram os benefícios mesmo uma semana após o fim do tratamento.
Título original do estudo: Effects of ear acupuncture combined with cupping therapy on severity and threshold of chronic back pain and physical disability: A randomized clinical trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Auriculoterapia combinada com ventosaterapia reduziu mais a dor e a incapacidade física em pacientes com dor crônica nas costas do que a auriculoterapia isolada, com boa tolerância em cinco sessões semanais.
Este estudo mostrou que a auriculoterapia já é eficaz para dor crônica nas costas, mas quando combinada com ventosaterapia os resultados são ainda melhores. Pessoas que receberam as duas terapias juntas tiveram maior alívio da dor e conseguiram realizar melhor suas atividades do dia a dia. Os tratamentos foram seguros e bem tolerados. Vale lembrar que os pacientes mantiveram os benefícios mesmo uma semana após o fim do tratamento.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Auriculoterapia com ventosaterapia mostrou resultados superiores à auriculoterapia sozinha em 198 pessoas com dor crônica
Ponto 1
5 sessões semanais foram necessárias para alcançar a melhora máxima
Ponto 2
A dor diminuiu mais e a capacidade de movimento melhorou mais com as duas terapias combinadas
Ponto 3
Os benefícios se mantiveram uma semana após o término, mas a longo prazo ainda é incerto
O que este estudo acrescenta
Este foi o primeiro estudo randomizado a comparar auriculoterapia isolada versus combinada com ventosaterapia especificamente para dor crônica nas costas, demonstrando vantagem do tratamento combinado.
Aplicabilidade clínica
A redução de 52% na dor e 60% na incapacidade física supera os limiares do IMMPACT para melhora substancialmente importante, com impacto direto na capacidade de realizar atividades diárias e potencial redução de dependên
Força do desenho do estudo
Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois a randomização reduz vieses na distribuição de pacientes entre os tratamentos comparados.
Participantes randomizados
198
94 no grupo de auriculoterapia, 88 no grupo combinado
Redução da dor (combinado)
52%
queda na intensidade da dor do início ao final das 5 sessões
Redução da dor (isolado)
38%
queda na intensidade da dor do início ao final no grupo de auriculoterapia só
Redução incapacidade física (combinado)
60%
melhora no questionário Roland-Morris ao final do tratamento
Taxa de desistência
8,1%
16 participantes, principalmente por uso de medicamentos para dor
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor crônica nas costas (cervical, torácica e/ou lombar)
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado, paralelo, aberto
Participantes
198 adultos, média de 48 anos, 83% mulheres, dor média de 8 anos
Duração
5 sessões semanais + seguimento após 7 dias
Sessões
5 sessões semanais
Comparador
Auriculoterapia isolada versus auriculoterapia + ventosaterapia
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
5 sessões
1 vez por semana, durante 5 semanas
Não explicitada para auriculoterapia; ventosas fixadas por 10 minutos
Auriculoterapia: 7-9 agulhas semipermanentes por sessão, alternando orelhas, nos pontos TF4, CO10, AH6, AT4, CO9, CO12 e pontos vertebrais conforme local da dor. Ventosaterapia: ve
Auriculoterapia isolada versus mesma auriculoterapia + ventosaterapia
Agulhas auriculares mantidas por 1 semana com micropore; pacientes orientados a não pressioná-las. Sem intervenção na 6ª semana, apenas coleta de seguimento.
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
reduziu
queda de 52% no grupo combinado e 38% no isolado ao final das 5 sessões; vantagem de 0,8 ponto para o combinado na escala 0-10
Alívio da dor
melhorou
pacientes do grupo combinado relataram alívio 6% maior no final e no seguimento
Incapacidade física
reduziu
queda de 60% no grupo combinado versus 45% no isolado; diferença de 1,78 ponto no RMDQ ao final e 2,78 pontos no seguimento
Limiar de dor à pressão
melhorou
aumento significativo em ambos os grupos do início ao final e ao seguimento, embora sem diferença entre os grupos
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
final do tratamento
Após 5 sessões
redução de 52% na dor no grupo combinado e 38% no grupo isolado; redução de 60% e 45% na incapacidade física, respectivamente
seguimento
1 semana após término
benefícios mantidos: redução de 35% na dor no grupo combinado versus 27% no isolado; 54% versus 32% na incapacidade física
Antes e depois
Intensidade da dor (grupo combinado)
escala máx. 10 pontos
Intensidade da dor (grupo isolado)
escala máx. 10 pontos
Incapacidade física RMDQ (grupo combinado)
escala máx. 24 pontos
Incapacidade física RMDQ (grupo isolado)
escala máx. 24 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
A maioria dos pacientes que responderam bem precisou de 5 sessões semanais para alcançar redução substancial da dor e melhora na capacidade de movimento. Os benefícios se mantiveram uma semana após o término.
Tempo provável
5 semanas de tratamento, com avaliação de manutenção do efeito na 6ª semana
Resultados variam entre pessoas; a dor crônica não tem cura garantida e a manutenção dos benefícios além de uma semana não foi testada neste estudo.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Uma sessão de acupuntura já resolve a dor crônica
Achado
Foram necessárias 5 sessões semanais para alcançar redução significativa, e os melhores resultados ocorreram com a combinação de duas terapias
Mito
Terapias alternativas são apenas efeito placebo
Achado
Ambos os grupos melhoraram de forma mensurável e estatisticamente significativa, com vantagem clínica relevante para o tratamento combinado, mesmo em estudo aberto
Mito
Auriculoterapia e ventosaterapia funcionam da mesma forma
Achado
Os mecanismos parecem complementares: a auriculoterapia atua por vias neurológicas e liberação de endorfinas, enquanto a ventosaterapia promove circulação local e ativação imunológica
Mito
Melhora na dor significa retorno total às atividades
Achado
Embora a incapacidade física tenha diminuído substancialmente (60% no grupo combinado), ainda havia limitações residuais, e o estudo não avaliou retorno ao trabalho ou atividades plenas
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO AURICULAR
Agulhas em pontos específicos da orelha ativam reflexos neurológicos que levam à liberação de neurotransmissores e endorfinas, substâncias naturais de alívio da dor — mecanismo proposto, não diretamente observado neste e
AÇÃO DAS VENTOSAS
A sucção das ventosas promove aumento da circulação sanguínea local, possível desintoxicação e ativação do sistema imunológico, contribuindo para alívio da dor — mecanismo ainda não completamente esclarecido na literatur
MODULAÇÃO DA DOR
A combinação das duas terapias parece atuar de forma complementar: uma por via neurológica central, outra por efeitos periféricos locais, potencializando a redução da sensibilidade dolorosa e da incapacidade funcional
EFEITO ACUMULADO
A melhora progressiva ao longo das 5 sessões sugere que o efeito não é imediato, mas depende da repetição e consolidação das vias de modulação da dor — hipótese baseada no padrão de resposta observado
O que ainda é incerto
comparar auriculoterapia sozinha versus combinada com ventosaterapia para dor nas costas crônica
198 adultos com dor crônica nas costas há pelo menos 3 meses
5 sessões semanais: só auriculoterapia versus auriculoterapia + ventosaterapia
redução de 52% na intensidade da dor com terapia combinada versus 38% só auriculoterapia
tratamentos bem tolerados com poucas desistências por efeitos adversos
Achados Interessantes
SINERGIA COMPROVADA
Pela primeira vez em um ensaio randomizado, a combinação de auriculoterapia com ventosaterapia mostrou vantagem estatística e clínica sobre a auriculoterapia isolada para dor crônica nas costas
IMPACTO NA INCAPACIDADE
A melhora de 60% na incapacidade física com o tratamento combinado é particularmente relevante, pois a dor crônica nas costas frequentemente limita mais a funcionalidade do que a própria intensidade da dor
MANUTENÇÃO DO EFEITO
Os benefícios persistiram uma semana após o término das sessões, sugerindo que o efeito não é meramente transitório, embora a duração a longo prazo permaneça a ser estudada
LIMIAR DE DOR NEUTRO
Curiosamente, o limiar de dor à pressão melhorou igualmente nos dois grupos, sugerindo que este desfecho específico pode responder à auriculoterapia independentemente da adição de ventosaterapia
Resumo detalhado em linguagem acessível
Este estudo clínico randomizado brasileiro investigou se a combinação de auriculoterapia com ventosaterapia seria superior à auriculoterapia isolada no tratamento da dor lombar crônica. A pesquisa foi conduzida com 198 pacientes adultos (18-70 anos) que apresentavam dor nas costas há pelo menos três meses, recrutados de serviços de fisioterapia da atenção básica.
A metodologia seguiu rigorosamente as diretrizes CONSORT para ensaios clínicos. Os participantes foram randomizados em dois grupos: um recebeu apenas auriculoterapia (94 pacientes) e outro recebeu auriculoterapia combinada com ventosaterapia (88 pacientes). O protocolo consistiu em cinco sessões semanais, com avaliação de seguimento uma semana após o término.
O protocolo de auriculoterapia utilizou agulhas semi-permanentes em pontos específicos da orelha, incluindo Shenmen, Rim, Sistema Simpático, Subcórtex, Bexiga, Fígado, além de pontos vertebrais conforme a localização da dor do paciente. As agulhas permaneciam fixadas por uma semana. A ventosaterapia foi aplicada bilateralmente na região dorsal por 10 minutos, utilizando pontos como Jianjing, Huantiao e Ququan, além de pontos específicos conforme a região afetada.
Os resultados foram mensurados através do Inventário Breve de Dor para severidade, alívio da dor, algometria digital para limiar de dor por pressão, e Questionário de Incapacidade de Roland-Morris. As análises utilizaram modelos de Equações de Estimação Generalizada para examinar os efeitos ao longo do tempo.
Os resultados demonstraram melhorias significativas em ambos os grupos, mas com superioridade clara do tratamento combinado. No grupo que recebeu apenas auriculoterapia, houve redução de 38% na severidade da dor entre as sessões inicial e final, mantendo 27% de melhora no seguimento. Já o grupo que recebeu tratamento combinado apresentou redução de 52% na severidade da dor até o final do tratamento e 35% no seguimento.
Em relação à incapacidade física, os resultados foram ainda mais expressivos. O grupo auriculoterapia mostrou redução significativa de 45% na sessão final e 32% no seguimento. O grupo combinado alcançou redução de 60% na sessão final e 54% no seguimento, demonstrando melhora substancial na capacidade de realizar atividades diárias.
O alívio da dor foi relatado em ambos os grupos, mas pacientes do grupo combinado reportaram 6% mais alívio tanto na sessão final quanto no seguimento. Quanto ao limiar de dor por pressão, ambos os grupos mostraram melhora significativa, mas sem diferenças estatísticas entre eles.
As implicações clínicas são relevantes para profissionais de saúde que buscam alternativas não farmacológicas para dor crônica. A combinação das terapias mostrou-se segura e eficaz, com taxa de abandono aceitável (8,1%). O estudo sugere que a ventosaterapia potencializa os efeitos da auriculoterapia em 24% na sessão final e 30% no seguimento.
As limitações incluem o uso de protocolos padronizados, que contrasta com os princípios individualizados da Medicina Tradicional Chinesa, embora permita reprodutibilidade. A impossibilidade de cegamento dos participantes e terapeutas é inerente a estudos de acupuntura. O seguimento de apenas uma semana também limita conclusões sobre efeitos de longo prazo.
Auriculoterapia
94 pessoas
apenas agulhas semi-permanentes no ouvido
Auriculoterapia + Ventosaterapia
88 pessoas
agulhas no ouvido + ventosas nas costas
redução da dor com terapia combinada
redução da dor só auriculoterapia
melhora na incapacidade física (combinado)
melhora na incapacidade física (só auri)
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor lombar · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor lombar há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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