Estudo científico comentado

Benefícios do agulhamento seco para dor miofascial crônica se mantêm por 6 semanas após o tratamento

Referência acadêmica

Periódico

PM R

Ano

2017

Autores

Gerber et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo acompanhou pessoas que fizeram agulhamento seco para dor no pescoço e mostrou que os benefícios se mantêm por pelo menos 6 semanas após terminar o tratamento. Pacientes que tiveram maior alívio da dor durante o tratamento foram mais propensos a manter a melhora. Os resultados sugerem que o agulhamento seco pode oferecer alívio duradouro para dor miofascial crônica, especialmente quando há resposta inicial significativa ao tratamento.

Título original do estudo: Beneficial Effects of Dry Needling for Treatment of Chronic Myofascial Pain Persist for 6 Weeks After Treatment Completion

📊Estudo de seguimento👥n=45 participantes🎯Resultados sustentados
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Agulhamento seco para pontos-gatilho cervicais mostrou benefícios sustentados por pelo menos 6 semanas após completar 3 sessões de tratamento, especialmente em pacientes com dor inicial menos severa e pontos-gatilho unilaterais.

O que isso significa para você?

Este estudo acompanhou pessoas que fizeram agulhamento seco para dor no pescoço e mostrou que os benefícios se mantêm por pelo menos 6 semanas após terminar o tratamento. Pacientes que tiveram maior alívio da dor durante o tratamento foram mais propensos a manter a melhora. Os resultados sugerem que o agulhamento seco pode oferecer alívio duradouro para dor miofascial crônica, especialmente quando há resposta inicial significativa ao tratamento.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se agulhamento seco ajudar sua dor inicialmente, há boa chance dos benefícios durarem semanas
  • 2Tratamento pode ser mais efetivo quando iniciado antes da dor se tornar muito severa
  • 3Casos com dor em apenas um lado tendem a responder melhor que dor bilateral
  • 4Não desista se não sentir melhora imediata - padrão de resposta varia entre pessoas
  • 5Discuta com seu profissional se você é bom candidato baseado no tipo de dor que tem
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Baseado na localização e intensidade da minha dor, sou bom candidato para agulhamento seco?
  • 2Como saberemos se o tratamento está funcionando para mim especificamente?
  • 3Se eu responder bem, com que frequência poderia precisar de sessões de manutenção?
  • 4Quais são as alternativas se agulhamento seco não funcionar para meu caso?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso foi relatado durante as 6 semanas de seguimento
  • 2Estudo não reporta detalhadamente efeitos colaterais menores como dor temporária no local
  • 3Dados de segurança limitados a período relativamente curto de acompanhamento

Leitura rápida para pacientes

AGULHAMENTO SECO PODE TER BENEFÍCIOS DURADOUROS

Estudo mostra que melhora da dor miofascial pode persistir por semanas após completar tratamento

Ponto 1

71% mantiveram melhora do ponto-gatilho 6 semanas após terminar 3 sessões

Ponto 2

Quem responde bem inicialmente tem maior chance de manter benefícios

Ponto 3

Pessoas com dor menos severa no início tendem a ter melhores resultados duradouros

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA EVIDÊNCIA DE DURABILIDADE

Este é um dos primeiros estudos a documentar especificamente quanto tempo os benefícios do agulhamento seco para dor miofascial persistem após completar o tratamento

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

Redução de 2+ pontos na dor (escala 0-10) é considerada clinicamente significativa, e benefícios sustentados por 6 semanas sugerem valor terapêutico real

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Acompanha os mesmos pacientes ao longo do tempo, mas sem grupo controle - fornece evidência moderada sobre durabilidade dos efeitos.

pacientes seguidos

45

completaram avaliação 6 semanas pós-tratamento

taxa de resposta sustentada

71%

mantiveram melhora do ponto-gatilho

redução de dor (respondedores)

2,29

pontos na escala 0-10

aumento na probabilidade de resposta

6,3x

para cada ponto a menos de dor inicial

idade média

37

anos - amostra relativamente jovem

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

dor miofascial crônica cervical com pontos-gatilho ativos

Tipo de estudo

estudo de seguimento prospectivo

Participantes

45 adultos (idade média 37 anos) com dor cervical >3 meses

Duração

6 semanas de seguimento após completar tratamento

Sessões

3 sessões semanais de agulhamento seco já completadas

Comparador

comparação dos próprios participantes antes/depois sem grupo controle

Grupos do estudo

respondedores (n=32)não respondedores (n=13)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

3 sessões (já completadas no estudo anterior)

Frequência02

uma vez por semana por 3 semanas

Duração da sessão03

não especificado no seguimento

Pontos / técnica04

agulhamento direto de pontos-gatilho ativos no trapézio superior com agulhas sólidas

Comparador05

nenhum - seguimento sem intervenção

Nota de protocolo06

técnica padronizada aplicada por profissionais treinados com boa confiabilidade inter-examinador

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de 18-65 anos com dor cervical há mais de 3 mesesPresença de pelo menos um ponto-gatilho ativo no músculo trapézio superiorParticipantes que completaram as 3 sessões originais de agulhamento secoPessoas dispostas a evitar outros tratamentos para dor miofascial durante seguimentoPrincipalmente universitários e pessoas da comunidade universitária

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pessoas com fibromialgia, síndrome da fadiga crônica ou doença de LymePacientes com radiculopatia cervical ou cirurgias prévias de pescoço/ombroIndivíduos que mudaram medicações nas 6 semanas antes do estudoPessoas usando acupuntura ou outros tratamentos concomitantesPopulações mais velhas ou com condições médicas complexas

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

dor geral

melhorou significativamente

redução de 2,29 pontos (escala 0-10) em respondedores vs 0,46 em não respondedores

🎯

status dos pontos-gatilho

melhorou sustentadamente

conversão de ativos para latentes ou resolvidos mantida em 71% dos participantes

🏃

funcionalidade física

melhorou

pontuação SF-36 de funcionalidade física permaneceu significativamente melhor

📋

incapacidade

reduziu

Índice de Incapacidade Oswestry mostrou melhora sustentada

📐

mobilidade cervical

melhorou em casos unilaterais

flexão lateral do pescoço melhorou apenas em pontos-gatilho unilaterais

O que não mudou

  • Humor e estados emocionais não mostraram mudanças significativas
  • Limiar de dor à pressão não se manteve melhorado em casos bilaterais
  • Algumas medidas de qualidade de vida permaneceram estáveis
  • Mobilidade cervical em casos bilaterais não teve melhora sustentada

Quando a melhora apareceu

1

3 semanas

durante tratamento original

redução da dor e mudança do status do ponto-gatilho

2

6 semanas pós-tratamento

seguimento sustentado

manutenção dos benefícios sem declínio significativo

Antes e depois

Dor (VAS) - Respondedores

escala máx. 10 pontos

Antes5.5 pontos
Depois3.2 pontos

Dor (VAS) - Não Respondedores

escala máx. 10 pontos

Antes4.8 pontos
Depois4.3 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito adverso relatado durante período de seguimento
  • Técnica bem tolerada pelos participantes
Amarelo
  • Dependência de autorrelato para confirmar ausência de outros tratamentos
  • Dados de segurança limitados ao período de 6 semanas
Vermelho
  • Estudo não relata adequadamente perfil completo de segurança ou efeitos adversos menores

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pessoas com dor cervical/ombro há pelo menos 3 meses com pontos-gatilho identificáveis
  • Pacientes com dor inicial moderada (não extremamente severa)
  • Indivíduos com pontos-gatilho unilaterais (um lado apenas)
  • Pessoas dispostas a comprometer-se com múltiplas sessões
  • Adultos jovens a meia-idade sem condições médicas complexas

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com dor bilateral severa ou múltiplos pontos-gatilho
  • Pacientes com fibromialgia ou síndromes de dor generalizada
  • Indivíduos com problemas de coluna cervical estruturais
  • Pessoas com medo extremo de agulhas
  • Pacientes com expectativas de cura imediata ou permanente

Expectativa realista

MELHORA GRADUAL E SUSTENTADA

Se você responder bem ao agulhamento seco inicialmente, há boa chance de manter os benefícios por pelo menos 6 semanas após completar o tratamento

Tempo provável

Benefícios aparecem durante as 3 sessões de tratamento e podem persistir por 6+ semanas

Nem todos respondem igualmente - pessoas com dor muito intensa ou bilateral podem ter resultados menos duradouros

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se você é candidato baseado na localização e severidade da sua dor
  2. 2Discuta suas expectativas realistas sobre duração dos benefícios
  3. 3Entenda quantas sessões podem ser necessárias para seu caso específico
  4. 4Esclareça quando avaliar se o tratamento está funcionando para você
  5. 5Converse sobre alternativas caso o agulhamento seco não seja adequado

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Agulhamento seco só funciona enquanto você faz o tratamento

Achado

Os benefícios podem persistir por pelo menos 6 semanas após completar as sessões

Mito

Todos os pacientes respondem igualmente ao agulhamento seco

Achado

Respondedores iniciais têm muito mais chance de manter benefícios duradouros

Mito

Dor mais intensa significa que você vai responder melhor

Achado

Paradoxalmente, dor inicial menos severa está associada a melhor resposta sustentada

Como isso pode funcionar

🎯

PASSO 1

Agulha atinge ponto-gatilho ativo, possivelmente interrompendo atividade elétrica anormal no músculo

🔄

PASSO 2

Pode melhorar circulação local e reduzir substâncias inflamatórias no tecido muscular

🧠

PASSO 3

Provavelmente modula sinais de dor no sistema nervoso, reduzindo sensibilização central

⏱️

PASSO 4

Mudanças neuroplásticas podem sustentar benefícios mesmo após cessação do estímulo da agulha

O que ainda é incerto

  • ?Não sabemos se os benefícios persistem além de 6 semanas
  • ?Mecanismo exato de ação do agulhamento seco ainda não é completamente compreendido
  • ?Faltam dados sobre qual frequência de 'sessões de reforço' seria ideal
  • ?Não está claro como estes resultados se aplicam a populações mais velhas ou com múltiplas condições
🎯

O que o estudo quis responder

Verificar se os benefícios do agulhamento seco para dor miofascial crônica se mantêm 6 semanas após completar o tratamento

👥

QUEM PARTICIPOU

45 pessoas com dor cervical crônica há mais de 3 meses e pontos-gatilho ativos no músculo trapézio superior

🧪

COMO FOI FEITO

Seguimento de pacientes que receberam 3 sessões semanais de agulhamento seco, avaliados 6 semanas após o final do tratamento

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa da dor se manteve, com melhora sustentada na funcionalidade física e incapacidade

🛟

SEGURANÇA

Sem efeitos adversos relatados durante o período de seguimento

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

DURABILIDADE COMPROVADA

Primeira evidência robusta de que benefícios do agulhamento seco persistem por pelo menos 6 semanas, não apenas durante tratamento

📊

PADRÃO PREDITIVO

Descoberta de que resposta inicial pode prever resposta sustentada - ferramenta útil para decisões clínicas

🎯

DIFERENÇA UNILATERAL vs BILATERAL

Pontos-gatilho unilaterais respondem melhor e de forma mais duradoura que casos bilaterais - insight importante para prognóstico

🧮

PARADOXO DA DOR INICIAL

Contrariando intuição, dor inicial menos intensa associa-se a melhor resposta duradoura que dor muito severa

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Benefícios do agulhamento seco para dor miofascial crônica se mantêm por 6 semanas após o tratamento

A dor miofascial crônica representa uma das condições dolorosas mais prevalentes em nossa sociedade, afetando entre 15% a 85% das pessoas ao longo da vida, dependendo da população estudada. Caracterizada pela presença de pontos-gatilho miofasciais - pequenos nódulos dolorosos localizados dentro de bandas tensas do músculo esquelético - esta condição pode causar dor persistente e limitações funcionais significativas que impactam profundamente a qualidade de vida dos pacientes. Embora o agulhamento seco tenha demonstrado eficácia no tratamento desses pontos-gatilho no curto prazo, uma questão fundamental permanecia sem resposta definitiva: por quanto tempo os benefícios deste tratamento se mantêm após sua conclusão? Este estudo de seguimento, conduzido por uma equipe multidisciplinar da Universidade George Mason e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, foi especificamente desenhado para responder essa pergunta crucial.

Os pesquisadores acompanharam prospectivamente 45 indivíduos que haviam completado um protocolo padronizado de três sessões semanais de agulhamento seco para tratar dor cervical crônica associada a pontos-gatilho ativos no músculo trapézio superior. Este músculo, que conecta o pescoço ao ombro, é frequentemente acometido em pessoas que trabalham longos períodos em computadores ou mantêm posturas inadequadas, desenvolvendo nódulos dolorosos que podem irradiar dor para áreas adjacentes. A metodologia empregada seguiu critérios rigorosos de seleção. Todos os participantes apresentavam dor cervical há pelo menos três meses antes do início do tratamento original, com pelo menos um ponto-gatilho ativo palpável no músculo trapézio superior.

Pontos-gatilho ativos são aqueles que causam dor espontânea, diferindo dos pontos-gatilho latentes, que só causam dor quando pressionados. Os critérios de exclusão incluíram condições que poderiam confundir os resultados, como síndrome da fadiga crônica, fibromialgia, doença de Lyme crônica, radiculopatia cervical, cirurgias prévias na região do pescoço/ombro/cabeça, mudanças medicamentosas recentes ou uso atual de acupuntura. O protocolo de tratamento original consistiu em três sessões de agulhamento seco, realizadas uma vez por semana durante três semanas consecutivas. O agulhamento seco utiliza agulhas filiformes sólidas de calibre fino, similares às utilizadas em acupuntura, mas sem a adição de soluções ou agentes farmacológicos.

A técnica visa normalizar a atividade elétrica anormal, as alterações bioquímicas e as propriedades tissulares alteradas que caracterizam os pontos-gatilho ativos. Seis semanas após completar este protocolo de tratamento, todos os participantes retornaram para uma avaliação completa de seguimento, repetindo todas as medidas realizadas antes e após o tratamento inicial. Durante o período de seguimento, os participantes foram orientados a não buscar outros tratamentos específicos para sua dor miofascial, permitindo que os pesquisadores avaliassem especificamente a durabilidade dos efeitos do agulhamento seco. Embora esta confirmação tenha sido baseada em autorrelato dos participantes, o que representa uma limitação do estudo, esta abordagem permitiu isolar os efeitos duradouros do tratamento original.

A avaliação utilizou múltiplas ferramentas validadas para medir diferentes aspectos da resposta ao tratamento. As medidas primárias de dor incluíram a escala visual analógica (VAS), pontuada de 0 a 10 pontos (onde 0 representa ausência de dor e 10 dor insuportável), e o Inventário Breve de Dor (BPI), um instrumento multidimensional que avalia tanto a intensidade da dor quanto seu impacto nas atividades diárias. O status dos pontos-gatilho foi determinado através de exame físico padronizado realizado por dois clínicos com alta confiabilidade inter-avaliador, classificando os pontos como ativos (espontaneamente dolorosos), latentes (dolorosos apenas sob pressão) ou não palpáveis (resolvidos). Medidas secundárias incluíram o limiar de dor à pressão (PPT), medido com algômetro em quatro pontos anatômicos específicos; amplitude de movimento cervical nas direções de flexão/extensão, flexão lateral e rotação, medida com instrumento cervical de amplitude de movimento; questionários de qualidade de vida relacionada à saúde (SF-36); índice de incapacidade de Oswestry; e perfil de estados de humor (POMS).

Os resultados demonstraram que os benefícios do agulhamento seco se mantiveram significativamente por pelo menos seis semanas após a conclusão do tratamento. As medidas de dor permaneceram estatisticamente melhor que os níveis basais, com valores de p menores que 0,003 para todas as escalas de dor utilizadas. A funcionalidade física, medida pelo SF-36, manteve melhora significativa (p=0,012), assim como a incapacidade relacionada à dor, avaliada pelo índice de Oswestry (p=0,002). Uma descoberta relevante emergiu quando os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos baseados na resposta sustentada dos pontos-gatilho: "respondedores" (32 pessoas) foram aqueles cujos pontos-gatilho mudaram de ativos para latentes ou completamente resolvidos, enquanto "não respondedores" (13 pessoas) mantiveram pontos-gatilho ativos.

Entre os respondedores, a redução média da dor foi de 2,29 pontos na escala VAS, comparada a apenas 0,46 pontos entre os não respondedores - uma diferença estatisticamente significativa (p=0,006). Uma redução de 2 pontos na escala VAS é considerada clinicamente significativa, indicando que os respondedores alcançaram melhora clinicamente relevante. A análise dos fatores preditivos revelou insights importantes para a prática clínica. Pacientes com menor intensidade de dor no início do tratamento tiveram 6,3 vezes mais chances de manter a melhora no seguimento (p=0,008).

Isso sugere que o agulhamento seco pode ser mais efetivo quando aplicado relativamente cedo no curso da dor miofascial, antes que ela se torne muito intensa ou crônica. Adicionalmente, pacientes que experimentaram maior redução da dor durante o tratamento inicial foram mais propensos a manter esses benefícios a longo prazo. Diferenças interessantes emergiram entre participantes com pontos-gatilho unilaterais versus bilaterais. Apenas aqueles com acometimento unilateral mantiveram melhorias sustentadas nos testes de sensibilidade à pressão (PPT) e na mobilidade de flexão lateral do pescoço (p=0,002).

Pacientes com pontos-gatilho bilaterais, embora tenham experimentado alívio da dor, não apresentaram essas melhorias objetivas sustentadas. Esta descoberta pode ter implicações importantes para as decisões de tratamento e prognóstico. Do ponto de vista mecanístico, embora o estudo não tenha investigado diretamente como o agulhamento seco produz seus efeitos, os autores discutem várias teorias baseadas na literatura existente. Os pontos-gatilho ativos demonstram atividade elétrica espontânea aumentada, indicando liberação excessiva de acetilcolina na placa motora terminal.

Isso pode levar à contratura dos sarcômeros, produzindo isquemia e hipóxia locais, resultando na liberação de substâncias algogênicas e vasoativas capazes de ativar e sensibilizar nociceptores periféricos. O agulhamento seco pode atuar normalizando essas anormalidades através de efeitos no fluxo sanguíneo local, oxigenação, liberação de opioides endógenos, mediadores anti-inflamatórios colinérgicos e modulação de impulsos neurais sensoriais no sistema nervoso central. É crucial reconhecer as limitações deste estudo para interpretar adequadamente seus resultados. A amostra foi composta principalmente por indivíduos jovens de uma comunidade universitária, com idade média de 37 anos, que podem não representar completamente a população geral com dor miofascial.

Esta população específica pode ter características diferentes em termos de cronicidade da dor, estilo de vida, capacidade de recuperação e aderência às orientações de tratamento. O desenho do estudo também apresenta limitações importantes.

O que fortalece a leitura

  • 1Seguimento prospectivo de longo prazo
  • 2Avaliação padronizada de pontos-gatilho miofasciais
  • 3Uso de múltiplas medidas de dor validadas
  • 4Análise de fatores preditivos de resposta
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra de conveniência universitária pode não representar população geral
  • 2Ausência de grupo controle no seguimento
  • 3Confirmação de não busca de outros tratamentos baseada apenas em autorrelato
  • 4Alguns participantes com dados limitados

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

45pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Respondedores

32 pessoas

Pacientes com melhora sustentada do ponto-gatilho

Não respondedores

13 pessoas

Pacientes sem melhora sustentada do ponto-gatilho

⏱️ Tempo de acompanhamento: Seguimento de 6 semanas

📊 Resultados em números

2,29 pontos

Redução da dor (escala VAS) - respondedores

p=0,012

Melhora na funcionalidade física (SF-36)

p=0,002

Redução da incapacidade (Oswestry)

p<0,001

Melhora sustentada do ponto-gatilho

📊 Comparação de Resultados

Redução da dor (VAS)

Respondedores
2.29
Não respondedores
0.46

Mudança no Brief Pain Inventory

Respondedores
1.43
Não respondedores
0.08

📅 Linha do tempo da evidência

1983Travell e Simons descrevem pontos-gatilho miofasciais
2013Estudos demonstram eficácia do agulhamento seco para dor miofascial
2015Grupo publica resultados de curto prazo do agulhamento seco
2017Presente estudo confirma benefícios sustentados por 6 semanas

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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