Condições com evidência consolidada
3
fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles, epicondilite lateral
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Urological Research
Ano
2009
Autores
Schmitz & DePace
Desenho
revisão de mecanismos
Esta carta científica esclarece como as ondas de choque realmente funcionam para tratar dores específicas como fascíte plantar e cotovelo de tenista. Diferente de teorias vagas sobre 'memória da dor', os pesquisadores mostram que o tratamento age através de mecanismos bem definidos no tecido lesionado. O texto ressalta que as ondas de choque são eficazes para problemas específicos dos tendões e músculos, mas não devem ser usadas indiscriminadamente para qualquer tipo de dor.
Título original do estudo: Pain relief by extracorporeal shockwave therapy: an update on the current understanding
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A terapia de ondas de choque alivia dor em condições específicas do músculo-esquelético (fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles, epicondilite) por mecanismos moleculares definidos — redução de substância P e modulação de fibras dolorosas —, não por apagar u
Esta carta científica esclarece como as ondas de choque realmente funcionam para tratar dores específicas como fascíte plantar e cotovelo de tenista. Diferente de teorias vagas sobre 'memória da dor', os pesquisadores mostram que o tratamento age através de mecanismos bem definidos no tecido lesionado. O texto ressalta que as ondas de choque são eficazes para problemas específicos dos tendões e músculos, mas não devem ser usadas indiscriminadamente para qualquer tipo de dor.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Seu médico pode indicar este tratamento para dores definidas em tendões e inserções ósseas, com mecanismos científicos claros — não para qualquer dor crônica
Ponto 1
Pergunte se seu diagnóstico tem evidência sólida para ondas de choque
Ponto 2
Verifique se o equipamento tem aprovação específica para sua condição
Ponto 3
Entenda que o alívio vem de mudanças reais no tecido, não de 'apagar memórias' da dor
O que este estudo acrescenta
Esta carta desmonta uma hipótese sem fundamento bibliográfico e consolida, para clínicos e pacientes, que o efeito analgésico das ondas de choque tem base molecular definida
Aplicabilidade clínica
A carta fortalece a base científica para uso já estabelecido da ESWT em indicações específicas, mas não apresenta novos dados clínicos nem amplia as indicações. Sua relevância está na correção conceitual e no alerta regu
Força do desenho do estudo
Análise de opinião que examina e sintetiza estudos prévios, sem gerar novos dados primários, mas com valor para orientar prática baseada em evidências
Condições com evidência consolidada
3
fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles, epicondilite lateral
Mecanismos moleculares principais
3
redução de substância P, diminuição de síntese em gânglios, destruição de fibras C
Equipamentos de ondas de choque com aprovação rigorosa da FD
6
como dispositivos de Classe III para indicações específicas
Referências bibliográficas na hipótese criticada
0
para a seção de 'memória associativa da dor', segundo Schmitz e DePace
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor crônica em condições músculo-esqueléticas específicas (fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles, epicondilite later
Tipo de estudo
Carta ao editor / revisão crítica da literatura
Participantes
Não aplicável — análise de estudos prévios, não coleta primária de dados
Duração
Revisão de literatura publicada até 2009
Sessões
Variável conforme estudos revisados; protocolos originais não detalhados nesta c
Comparador
Não aplicável — discussão teórica e regulatória
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Não especificado nesta carta; protocolos variam conforme estudos revisados
Não detalhado — ver protocolos dos ensaios clínicos originais citados
Não informado nesta revisão
Aplicação focalizada na região da entese ou tecido lesionado
Placebo, cuidado usual ou exercícios excêntricos (nos ensaios revisados)
A carta enfatiza diferenças regulatórias importantes entre equipamentos; nem toda tecnologia de ondas de choque possui a mesma evidência ou aprovação
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor crônica em enteses
melhorou
Evidência consolidada para fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e epicondilite lateral
Neurogênese da inflamação
reduziu
Menor liberação de substância P e CGRP, neuropeptídeos pró-inflamatórios
Síntese de substância P
reduziu
Diminuição da produção em gânglios da raiz dorsal, com efeito analgésico prolongado
Atividade de fibras C
reduziu
Destruição seletiva dessas fibras não mielinizadas, responsáveis por dor latejante crônica
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Resposta molecular precoce
Após redução de substância P
Liberação diminuída no tecido-alvo logo após a aplicação das ondas de choque
Efeito neuroquímico subsequente
Modulação em gânglios da raiz dorsal
Diminuição da síntese de substância P em neurônios dos gânglios espinais
Efeito estrutural
Remodelação de fibras dolorosas
Perda seletiva de fibras C não mielinizadas na zona focal do tratamento
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Para fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e cotovelo de tenista, as ondas de choque podem reduzir a dor ao modificar quimicamente e estruturalmente os mecanismos que a mantêm viva no tecido
Tempo provável
A resposta molecular é precoce, mas o alívio clínico significativo pode levar semanas a meses, conforme observado nos en
Este tratamento não é indicado para qualquer dor crônica — o diagnóstico preciso da origem anatômica da dor é indispensável
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque apagam uma 'memória da dor' difusa no sistema nervoso
Achado
O tratamento age em locais anatômicos específicos, reduzindo substância P e modulando fibras nervosas no tecido lesionado
Mito
Qualquer aparelho de ondas de choque é igualmente eficaz e seguro
Achado
Existem diferenças regulatórias importantes; apenas alguns dispositivos têm aprovação rigorosa para condições músculo-esqueléticas específicas
Mito
Ondas de choque servem para qualquer tipo de dor crônica
Achado
A evidência robusta concentra-se em fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e epicondilite lateral; outras indicações são experimentais ou não suportadas
Mito
O mecanismo de ação é desconhecido ou misterioso
Achado
Mecanismos moleculares foram demonstrados: redução de substância P, diminuição de sua síntese em gânglios e destruição seletiva de fibras C
Como isso pode funcionar
APLICAÇÃO FOCALIZADA
Ondas de choque são direcionadas à região da entese (inserção tendínea no osso), onde existe patologia anatômica definida — não de forma difusa ou aleatória
REDUÇÃO DE SUBSTÂNCIA P
No tecido-alvo, há diminuição da liberação deste neuropeptídeo pró-inflamatório e transmissor da dor; mecanismo demonstrado em modelos experimentais
MODULAÇÃO NEURAL
Há redução da síntese de substância P nos gânglios da raiz dorsal e, possivelmente, destruição seletiva de fibras C não mielinizadas na zona de tratamento
ANALGESIA DE BASE BIOLÓGICA
O alívio da dor resulta de alterações mensuráveis no tecido e no sistema nervoso, não de efeitos placebo ou de apagar 'memórias' difusas da dor
O que ainda é incerto
Revisar criticamente as hipóteses sobre como ondas de choque aliviam dor crônica
Mecanismos moleculares conhecidos do tratamento com ondas de choque
Fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
Redução da substância P e modulação de fibras nervosas não mielinizadas
Tratamento estabelecido para condições específicas do sistema músculo-esquelético
Achados Interessantes
DESMONTE DE UMA HIPÓTESE VAZIA
Os autores mostram que a teoria da 'memória associativa da dor' não tinha uma única referência bibliográfica, contrastando com mecanismos moleculares robustamente documentados
ALERTA REGULATÓRIO RELEVANTE
Revelaram que um equipamento específico havia sido aprovado pela FDA apenas como 'massageador terapêutico' (Classe I), não como terapia de ondas de choque para doenças músculo-esqueléticas (Classe III)
CONSOLIDAÇÃO DOS MECANISMOS REAIS
Reuniram evidências de que a analgesia ocorre por redução de substância P em três níveis — tecido periférico, gânglios da raiz dorsal e destruição de fibras C — oferecendo explicação biológica clara para pacientes e médi
Resumo detalhado em linguagem acessível
Esta carta ao editor, publicada em 2009 na revista Urological Research pelos pesquisadores Christoph Schmitz e Rocco DePace, oferece uma revisão crítica e bem fundamentada sobre os mecanismos reais de alívio da dor proporcionados pela terapia de ondas de choque extracorporais (ESWT, na sigla em inglês). O texto surge como uma resposta direta a uma hipótese anteriormente publicada pelo Dr. O. Wess, que propunha um modelo neural de "memória associativa da dor" para explicar o efeito analgésico das ondas de choque.
Schmitz e DePace argumentam que esse modelo, além de desprovido de referências bibliográficas, desvia a atenção de mecanismos moleculares e celulares já bem estabelecidos na literatura científica internacional.
O contexto clínico é importante para compreender o que está em jogo. Na época da publicação, a terapia de ondas de choque já havia se consolidado como tratamento efetivo para condições específicas do sistema músculo-esquelético, particularmente a fasciíte plantar crônica, a tendinopatia de Aquiles crônica e a epicondilite lateral (conhecida popularmente como "cotovelo de tenista"). Essas são doenças anatomicamente definidas, que afetam os chamados sítios de inserção ou "enteses" — regiões onde tendões e ligamentos se conectam aos ossos. A carta enfatiza que, diferentemente do que sugeria o artigo de Wess, os profissionais que utilizam ondas de choque não estão tratando "dor sem distúrbios anatômicos subjacentes", nem deixaram de focar nos órgãos específicos afetados para tratar uma suposta "memória da dor".
A metodologia adotada por Schmitz e DePace é, por natureza, uma análise crítica da literatura — não um estudo experimental original. Os autores examinam minuciosamente publicações prévias em revistas revisadas por pares para construir um argumento sólido sobre três questões centrais: se a ESWT realmente trata dor sem base anatômica; se existem mecanismos moleculares e celulares conhecidos para sua ação analgésica; e qual teria sido a motivação para propor uma hipótese que ignora esse conhecimento acumulado.
Os principais resultados e mecanismos identificados pelos autores têm especificidade relevante. Em primeiro lugar, demonstrou-se que a aplicação de ondas de choque reduz a liberação de substância P — um neuropeptídeo fundamental na transmissão da dor e na neurogênese da inflamação — no tecido-alvo tratado. Essa redução foi documentada em estudos com modelos animais, particularmente em fêmures de coelhos. Em segundo lugar, verificou-se que a síntese de substância P também diminui em nível dos gânglios da raiz dorsal, estruturas do sistema nervoso periférico que contêm os corpos celulares dos neurônios sensoriais.
Em terceiro lugar, pesquisas mostraram uma destruição seletiva de fibras nervosas não mielinizadas (fibras C) dentro da zona focal das ondas de choque — essas são precisamente as fibras responsáveis pela transmissão da dor crônica, latejante e de caráter mais desagradável.
A utilidade clínica dessas descobertas é significativa, embora circunscrita. Para pacientes com fasciíte plantar crônica refratária, tendinopatia de Aquiles ou epicondilite lateral, a compreensão desses mecanismos oferece uma base racional para o tratamento: as ondas de choque não agem de forma misteriosa ou placebo, mas por meio de alterações mensuráveis na biologia do tecido lesionado e na neuroquímica da dor. Isso contrasta fortemente com a noção vaga de "memória da dor", que poderia levar à aplicação indiscriminada do tratamento para qualquer condição dolorosa crônica, independentemente de sua etiologia.
No entanto, os limites da aplicação devem ser claramente reconhecidos. Os autores alertam veementemente contra o uso casual da ESWT para condições como dor pélvica crônica ou angina peitoris, onde a experiência ainda era meramente experimental ou anedótica na época. O risco de efeitos colaterais graves, como embolias arteriais ou danos pulmonares, é mencionado como preocupação real quando o tratamento é aplicado fora das indicações estabelecidas. Além disso, a carta revela uma questão regulatória importante: enquanto diversos equipamentos de ondas de choque haviam obtido aprovação rigorosa da FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) como dispositivos de Classe III — o mais alto nível de risco, exigindo demonstração de eficácia e segurança em estudos clínicos —, o sistema D-ACTOR 200, fabricado pela empresa de afiliação do Dr.
Wess, havia sido aprovado apenas como dispositivo de Classe I, equivalente a "massageadores terapêuticos", com requisitos muito menos exigentes.
A interpretação prudente para pacientes deve considerar que, embora os mecanismos propostos sejam biologicamente plausíveis e apoiados por evidências pré-clínicas, esta carta não apresenta novos dados experimentais próprios. Trata-se de uma síntese crítica do conhecimento existente, com valor informativo e educativo, mas sem o peso de um ensaio clínico randomizado. A evidência disponível na época já incluía ensaios controlados para as indicações específicas mencionadas, o que fortalece a recomendação de uso nesses contextos, mas não autoriza extrapolações amplas.
Para quem sofre de dores crônicas em tendões e inserções ósseas, a mensagem prática é de cautela otimista: a terapia de ondas de choque oferece uma opção com mecanismos de ação razoavelmente compreendidos, com base biológica documentada. Contudo, sua eficácia está demonstrada para diagnósticos específicos, e a escolha do equipamento, do protocolo e da indicação deve ser criteriosa, preferencialmente com tecnologias que tenham passado por avaliação regulatória rigorosa. A conversa com o médico deve incluir não apenas a possibilidade de benefício, mas também a natureza das evidências que sustentam essa expectativa e os limites do que se conhece sobre segurança a longo prazo.
Redução da substância P no tecido alvo
Destruição seletiva de fibras C não mielinizadas
Diminuição da síntese de substância P
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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