Estudo científico comentado

Carta ao editor sobre terapia por ondas de choque para alívio da dor

Referência acadêmica

Periódico

Urological Research

Ano

2009

Autores

Schmitz & DePace

Desenho

revisão de mecanismos

Esta carta científica esclarece como as ondas de choque realmente funcionam para tratar dores específicas como fascíte plantar e cotovelo de tenista. Diferente de teorias vagas sobre 'memória da dor', os pesquisadores mostram que o tratamento age através de mecanismos bem definidos no tecido lesionado. O texto ressalta que as ondas de choque são eficazes para problemas específicos dos tendões e músculos, mas não devem ser usadas indiscriminadamente para qualquer tipo de dor.

Título original do estudo: Pain relief by extracorporeal shockwave therapy: an update on the current understanding

📝carta ao editor⚠️discussão crítica🔬revisão de mecanismos
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A terapia de ondas de choque alivia dor em condições específicas do músculo-esquelético (fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles, epicondilite) por mecanismos moleculares definidos — redução de substância P e modulação de fibras dolorosas —, não por apagar u

O que isso significa para você?

Esta carta científica esclarece como as ondas de choque realmente funcionam para tratar dores específicas como fascíte plantar e cotovelo de tenista. Diferente de teorias vagas sobre 'memória da dor', os pesquisadores mostram que o tratamento age através de mecanismos bem definidos no tecido lesionado. O texto ressalta que as ondas de choque são eficazes para problemas específicos dos tendões e músculos, mas não devem ser usadas indiscriminadamente para qualquer tipo de dor.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A terapia de ondas de choque tem efeito real e explicável, não é mero placebo, mas sua indicação deve ser precisa
  • 2Fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e cotovelo de tenista são as condições com melhor evidência; outras dores não devem ser tratadas assim sem fundamento
  • 3Nem todo aparelho de ondas de choque é igual — aprovações regulatórias diferem e isso importa para sua segurança
  • 4O mecanismo envolve redução de substância P e modulação de fibras dolorosas, não uma vaga 'memória da dor'
  • 5Converse com seu médico sobre o diagnóstico exato e se ele se enquadra nas indicações com evidência consolidada
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu diagnóstico específico está entre aqueles com evidência robusta para ondas de choque, ou seria uma indicação experimental?
  • 2Qual a classificação regulatória e a evidência de eficácia do equipamento que será utilizado no meu tratamento?
  • 3Quais são as alternativas terapêuticas comparáveis, como exercícios excêntricos, e como elas se comparam em termos de evidência?
  • 4Como saberemos se o tratamento está funcionando, e em que momento devemos reconsiderar a estratégia se não houver resposta?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O artigo original alerta para riscos graves como embolia arterial e dano pulmonar quando ondas de choque são usadas fora das indicações apropriadas, como em angina peitoris
  • 2A segurança e eficácia não foram estabelecidas para dor pélvica crônica ou outras condições não músculo-esqueléticas na época da publicação
  • 3A destruição seletiva de fibras nervosas, embora contribua para analgesia, levanta questões sobre possíveis efeitos sensoriais a longo prazo não totalmente elucidados
  • 4Esta carta não relata dados originais de segurança; para decisões de tratamento, busque informações atualizadas em revisões sistemáticas mais recentes

Leitura rápida para pacientes

Ondas de choque funcionam de verdade, mas para diagnósticos específicos

Seu médico pode indicar este tratamento para dores definidas em tendões e inserções ósseas, com mecanismos científicos claros — não para qualquer dor crônica

Ponto 1

Pergunte se seu diagnóstico tem evidência sólida para ondas de choque

Ponto 2

Verifique se o equipamento tem aprovação específica para sua condição

Ponto 3

Entenda que o alívio vem de mudanças reais no tecido, não de 'apagar memórias' da dor

O que este estudo acrescenta

CORREÇÃO CONCEITUAL

Esta carta desmonta uma hipótese sem fundamento bibliográfico e consolida, para clínicos e pacientes, que o efeito analgésico das ondas de choque tem base molecular definida

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A carta fortalece a base científica para uso já estabelecido da ESWT em indicações específicas, mas não apresenta novos dados clínicos nem amplia as indicações. Sua relevância está na correção conceitual e no alerta regu

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Análise de opinião que examina e sintetiza estudos prévios, sem gerar novos dados primários, mas com valor para orientar prática baseada em evidências

Condições com evidência consolidada

3

fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles, epicondilite lateral

Mecanismos moleculares principais

3

redução de substância P, diminuição de síntese em gânglios, destruição de fibras C

Equipamentos de ondas de choque com aprovação rigorosa da FD

6

como dispositivos de Classe III para indicações específicas

Referências bibliográficas na hipótese criticada

0

para a seção de 'memória associativa da dor', segundo Schmitz e DePace

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor crônica em condições músculo-esqueléticas específicas (fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles, epicondilite later

Tipo de estudo

Carta ao editor / revisão crítica da literatura

Participantes

Não aplicável — análise de estudos prévios, não coleta primária de dados

Duração

Revisão de literatura publicada até 2009

Sessões

Variável conforme estudos revisados; protocolos originais não detalhados nesta c

Comparador

Não aplicável — discussão teórica e regulatória

Grupos do estudo

Não aplicável

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Não especificado nesta carta; protocolos variam conforme estudos revisados

Frequência02

Não detalhado — ver protocolos dos ensaios clínicos originais citados

Duração da sessão03

Não informado nesta revisão

Pontos / técnica04

Aplicação focalizada na região da entese ou tecido lesionado

Comparador05

Placebo, cuidado usual ou exercícios excêntricos (nos ensaios revisados)

Nota de protocolo06

A carta enfatiza diferenças regulatórias importantes entre equipamentos; nem toda tecnologia de ondas de choque possui a mesma evidência ou aprovação

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pacientes com fasciíte plantar crônica refratária a tratamentos conservadoresIndivíduos com tendinopatia de Aquiles crônica, insercional ou do corpo principal do tendãoPacientes com epicondilite lateral (cotovelo de tenista) de evolução crônicaPessoas com doenças de entese — onde tendões/ligamentos inserem-se no ossoParticipantes de ensaios clínicos randomizados prévios com ondas de choque

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com dor pélvica crônica (evidência apenas experimental/anedótica em 2009)Indivíduos com angina peitoris refratária (uso não estabelecido, riscos potenciais graves)Pessoas com dor crônica sem diagnóstico anatômico definidoPacientes tratados com dispositivos de Classe I aprovados apenas como 'massageadores terapêuticos'

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor crônica em enteses

melhorou

Evidência consolidada para fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e epicondilite lateral

🔬

Neurogênese da inflamação

reduziu

Menor liberação de substância P e CGRP, neuropeptídeos pró-inflamatórios

🧬

Síntese de substância P

reduziu

Diminuição da produção em gânglios da raiz dorsal, com efeito analgésico prolongado

Atividade de fibras C

reduziu

Destruição seletiva dessas fibras não mielinizadas, responsáveis por dor latejante crônica

O que não mudou

  • A teoria da 'memória associativa da dor' não foi validada ou substanciada com referências
  • O entendimento sobre mecanismos em condições não músculo-esqueléticas permaneceu incerto
  • A classificação regulatória de todos os equipamentos não se unificou

Quando a melhora apareceu

1

Resposta molecular precoce

Após redução de substância P

Liberação diminuída no tecido-alvo logo após a aplicação das ondas de choque

2

Efeito neuroquímico subsequente

Modulação em gânglios da raiz dorsal

Diminuição da síntese de substância P em neurônios dos gânglios espinais

3

Efeito estrutural

Remodelação de fibras dolorosas

Perda seletiva de fibras C não mielinizadas na zona focal do tratamento

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Mecanismos de ação biologicamente plausíveis e parcialmente elucidados
  • Equipamentos de Classe III com aprovação rigorosa da FDA disponíveis para indicações específicas
Amarelo
  • Risco de aplicação inadequada se baseada em teorias não comprovadas como 'memória da dor'
  • Variação significativa na evidência e regulamentação entre diferentes aparelhos de ondas de choque
  • Necessidade de diagnóstico anatômico preciso antes do tratamento
Vermelho
  • Uso em angina peitoris pode causar embolia arterial ou dano pulmonar grave
  • Dispositivos aprovados apenas como 'massageadores terapêuticos' (Classe I) não têm evidência equivalente para doenças anatomicamente definidas
  • Segurança e eficácia não estabelecidas para dor pélvica crônica em 2009

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pacientes com fasciíte plantar crônica há mais de 6 meses, sem resposta a tratamentos conservadores
  • Indivíduos com tendinopatia de Aquiles insercional ou do corpo principal, em diálogo com o médico sobre opções
  • Pessoas com epicondilite lateral (cotovelo de tenista) de evolução prolongada
  • Pacientes que buscam entender o mecanismo real do tratamento, não explicações vagas
  • Quem tem acesso a equipamentos com aprovação regulatória robusta para a indicação específica

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com dor crônica sem diagnóstico anatômico claro definido
  • Indivíduos com angina peitoris ou dor torácica (contraindicação de risco)
  • Pessoas que receberam indicação de tratamento com dispositivo de Classe I aprovado apenas como massageador
  • Quem espera que ondas de choque funcionem para qualquer tipo de dor, independentemente da causa
  • Pacientes com dor pélvica crônica sem evidência consolidada de benefício em 2009

Expectativa realista

Alívio com base biológica, não mágica

Para fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e cotovelo de tenista, as ondas de choque podem reduzir a dor ao modificar quimicamente e estruturalmente os mecanismos que a mantêm viva no tecido

Tempo provável

A resposta molecular é precoce, mas o alívio clínico significativo pode levar semanas a meses, conforme observado nos en

Este tratamento não é indicado para qualquer dor crônica — o diagnóstico preciso da origem anatômica da dor é indispensável

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se meu diagnóstico é uma 'entese' ou condição de inserção tendínea-óssea com evidência para ondas de choque
  2. 2Verifique se o equipamento proposto tem aprovação da FDA ou ANVISA específica para minha condição, não apenas como aparelho de massagem
  3. 3Solicite esclarecimentos sobre quantas sessões são previstas e qual a taxa de resposta esperada na prática do médico
  4. 4Discuta alternativas como exercícios excêntricos, especialmente para tendinopatias, que têm evidência comparável em alguns casos
  5. 5Questione sobre sinais de alerta que indicariam suspensão do tratamento ou busca de segunda opinião

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Ondas de choque apagam uma 'memória da dor' difusa no sistema nervoso

Achado

O tratamento age em locais anatômicos específicos, reduzindo substância P e modulando fibras nervosas no tecido lesionado

Mito

Qualquer aparelho de ondas de choque é igualmente eficaz e seguro

Achado

Existem diferenças regulatórias importantes; apenas alguns dispositivos têm aprovação rigorosa para condições músculo-esqueléticas específicas

Mito

Ondas de choque servem para qualquer tipo de dor crônica

Achado

A evidência robusta concentra-se em fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e epicondilite lateral; outras indicações são experimentais ou não suportadas

Mito

O mecanismo de ação é desconhecido ou misterioso

Achado

Mecanismos moleculares foram demonstrados: redução de substância P, diminuição de sua síntese em gânglios e destruição seletiva de fibras C

Como isso pode funcionar

🎯

APLICAÇÃO FOCALIZADA

Ondas de choque são direcionadas à região da entese (inserção tendínea no osso), onde existe patologia anatômica definida — não de forma difusa ou aleatória

⚗️

REDUÇÃO DE SUBSTÂNCIA P

No tecido-alvo, há diminuição da liberação deste neuropeptídeo pró-inflamatório e transmissor da dor; mecanismo demonstrado em modelos experimentais

🧠

MODULAÇÃO NEURAL

Há redução da síntese de substância P nos gânglios da raiz dorsal e, possivelmente, destruição seletiva de fibras C não mielinizadas na zona de tratamento

ANALGESIA DE BASE BIOLÓGICA

O alívio da dor resulta de alterações mensuráveis no tecido e no sistema nervoso, não de efeitos placebo ou de apagar 'memórias' difusas da dor

O que ainda é incerto

  • ?A duração exata dos efeitos neuroquímicos e estruturais não foi completamente caracterizada em humanos
  • ?A reprodutibilidade dos mecanismos em diferentes equipamentos e protocolos permanece parcialmente desconhecida
  • ?A segurança a longo prazo da destruição seletiva de fibras nervosas não foi totalmente estabelecida
  • ?A eficácia em populações específicas (idade avançada, comorbidades) não foi detalhadamente explorada nesta revisão
🎯

O que o estudo quis responder

Revisar criticamente as hipóteses sobre como ondas de choque aliviam dor crônica

🔬

FOCO PRINCIPAL

Mecanismos moleculares conhecidos do tratamento com ondas de choque

📋

CONDIÇÕES ESTUDADAS

Fasciíte plantar, tendinopatia de Aquiles e epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

🧪

MECANISMOS

Redução da substância P e modulação de fibras nervosas não mielinizadas

APLICAÇÃO

Tratamento estabelecido para condições específicas do sistema músculo-esquelético

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

DESMONTE DE UMA HIPÓTESE VAZIA

Os autores mostram que a teoria da 'memória associativa da dor' não tinha uma única referência bibliográfica, contrastando com mecanismos moleculares robustamente documentados

🧭

ALERTA REGULATÓRIO RELEVANTE

Revelaram que um equipamento específico havia sido aprovado pela FDA apenas como 'massageador terapêutico' (Classe I), não como terapia de ondas de choque para doenças músculo-esqueléticas (Classe III)

📌

CONSOLIDAÇÃO DOS MECANISMOS REAIS

Reuniram evidências de que a analgesia ocorre por redução de substância P em três níveis — tecido periférico, gânglios da raiz dorsal e destruição de fibras C — oferecendo explicação biológica clara para pacientes e médi

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Carta ao editor sobre terapia por ondas de choque para alívio da dor

Esta carta ao editor, publicada em 2009 na revista Urological Research pelos pesquisadores Christoph Schmitz e Rocco DePace, oferece uma revisão crítica e bem fundamentada sobre os mecanismos reais de alívio da dor proporcionados pela terapia de ondas de choque extracorporais (ESWT, na sigla em inglês). O texto surge como uma resposta direta a uma hipótese anteriormente publicada pelo Dr. O. Wess, que propunha um modelo neural de "memória associativa da dor" para explicar o efeito analgésico das ondas de choque.

Schmitz e DePace argumentam que esse modelo, além de desprovido de referências bibliográficas, desvia a atenção de mecanismos moleculares e celulares já bem estabelecidos na literatura científica internacional.

O contexto clínico é importante para compreender o que está em jogo. Na época da publicação, a terapia de ondas de choque já havia se consolidado como tratamento efetivo para condições específicas do sistema músculo-esquelético, particularmente a fasciíte plantar crônica, a tendinopatia de Aquiles crônica e a epicondilite lateral (conhecida popularmente como "cotovelo de tenista"). Essas são doenças anatomicamente definidas, que afetam os chamados sítios de inserção ou "enteses" — regiões onde tendões e ligamentos se conectam aos ossos. A carta enfatiza que, diferentemente do que sugeria o artigo de Wess, os profissionais que utilizam ondas de choque não estão tratando "dor sem distúrbios anatômicos subjacentes", nem deixaram de focar nos órgãos específicos afetados para tratar uma suposta "memória da dor".

A metodologia adotada por Schmitz e DePace é, por natureza, uma análise crítica da literatura — não um estudo experimental original. Os autores examinam minuciosamente publicações prévias em revistas revisadas por pares para construir um argumento sólido sobre três questões centrais: se a ESWT realmente trata dor sem base anatômica; se existem mecanismos moleculares e celulares conhecidos para sua ação analgésica; e qual teria sido a motivação para propor uma hipótese que ignora esse conhecimento acumulado.

Os principais resultados e mecanismos identificados pelos autores têm especificidade relevante. Em primeiro lugar, demonstrou-se que a aplicação de ondas de choque reduz a liberação de substância P — um neuropeptídeo fundamental na transmissão da dor e na neurogênese da inflamação — no tecido-alvo tratado. Essa redução foi documentada em estudos com modelos animais, particularmente em fêmures de coelhos. Em segundo lugar, verificou-se que a síntese de substância P também diminui em nível dos gânglios da raiz dorsal, estruturas do sistema nervoso periférico que contêm os corpos celulares dos neurônios sensoriais.

Em terceiro lugar, pesquisas mostraram uma destruição seletiva de fibras nervosas não mielinizadas (fibras C) dentro da zona focal das ondas de choque — essas são precisamente as fibras responsáveis pela transmissão da dor crônica, latejante e de caráter mais desagradável.

A utilidade clínica dessas descobertas é significativa, embora circunscrita. Para pacientes com fasciíte plantar crônica refratária, tendinopatia de Aquiles ou epicondilite lateral, a compreensão desses mecanismos oferece uma base racional para o tratamento: as ondas de choque não agem de forma misteriosa ou placebo, mas por meio de alterações mensuráveis na biologia do tecido lesionado e na neuroquímica da dor. Isso contrasta fortemente com a noção vaga de "memória da dor", que poderia levar à aplicação indiscriminada do tratamento para qualquer condição dolorosa crônica, independentemente de sua etiologia.

No entanto, os limites da aplicação devem ser claramente reconhecidos. Os autores alertam veementemente contra o uso casual da ESWT para condições como dor pélvica crônica ou angina peitoris, onde a experiência ainda era meramente experimental ou anedótica na época. O risco de efeitos colaterais graves, como embolias arteriais ou danos pulmonares, é mencionado como preocupação real quando o tratamento é aplicado fora das indicações estabelecidas. Além disso, a carta revela uma questão regulatória importante: enquanto diversos equipamentos de ondas de choque haviam obtido aprovação rigorosa da FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) como dispositivos de Classe III — o mais alto nível de risco, exigindo demonstração de eficácia e segurança em estudos clínicos —, o sistema D-ACTOR 200, fabricado pela empresa de afiliação do Dr.

Wess, havia sido aprovado apenas como dispositivo de Classe I, equivalente a "massageadores terapêuticos", com requisitos muito menos exigentes.

A interpretação prudente para pacientes deve considerar que, embora os mecanismos propostos sejam biologicamente plausíveis e apoiados por evidências pré-clínicas, esta carta não apresenta novos dados experimentais próprios. Trata-se de uma síntese crítica do conhecimento existente, com valor informativo e educativo, mas sem o peso de um ensaio clínico randomizado. A evidência disponível na época já incluía ensaios controlados para as indicações específicas mencionadas, o que fortalece a recomendação de uso nesses contextos, mas não autoriza extrapolações amplas.

Para quem sofre de dores crônicas em tendões e inserções ósseas, a mensagem prática é de cautela otimista: a terapia de ondas de choque oferece uma opção com mecanismos de ação razoavelmente compreendidos, com base biológica documentada. Contudo, sua eficácia está demonstrada para diagnósticos específicos, e a escolha do equipamento, do protocolo e da indicação deve ser criteriosa, preferencialmente com tecnologias que tenham passado por avaliação regulatória rigorosa. A conversa com o médico deve incluir não apenas a possibilidade de benefício, mas também a natureza das evidências que sustentam essa expectativa e os limites do que se conhece sobre segurança a longo prazo.

O que fortalece a leitura

  • 1Revisão abrangente dos mecanismos moleculares conhecidos
  • 2Análise crítica baseada em evidências científicas sólidas
  • 3Esclarecimento sobre indicações apropriadas do tratamento
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Carta ao editor, não estudo original
  • 2Foco principalmente em aspectos regulatórios
  • 3Ausência de novos dados experimentais

Leitura clínica do estudo

LIMITADA
45/ 100
Desenho
3/5
Amostra
1/5
Confirmação
2/5

🔬 Como o estudo foi organizado

pessoas avaliadas
divisão dos grupos
⏱️ Tempo de acompanhamento: Revisão de literatura

📊 Resultados em números

Demonstrada

Redução da substância P no tecido alvo

Confirmada

Destruição seletiva de fibras C não mielinizadas

Em gânglio da raiz dorsal

Diminuição da síntese de substância P

📊 Comparação de Resultados

📅 Linha do tempo da evidência

2000Primeira aprovação FDA para ondas de choque em dor no calcanhar
2003Descoberta da liberação de substância P após ondas de choque
2008Demonstração da redução de neurônios produtores de substância P
2009Publicação desta revisão crítica dos mecanismos

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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