Pacientes analisados
230
jovens de 8 a 21 anos com dor crônica
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Children
Ano
2023
Autores
Gold et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo mostra que a acupuntura em crianças e adolescentes é muito menos dolorosa do que muitos imaginam - mais da metade dos pacientes não sentiram dor alguma durante o agulhamento. Os jovens ficaram muito satisfeitos com o tratamento e se sentiram relaxados e menos ansiosos. Quanto mais sessões fizeram, mais satisfeitos ficaram, sugerindo que a acupuntura é bem tolerada e aceita por pacientes jovens com dor crônica.
Título original do estudo: Does Acupuncture Hurt? A Retrospective Study on Pain and Satisfaction during Pediatric Acupuncture
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Acupuntura estilo japonês Kiiko Matsumoto é muito bem tolerada por crianças e adolescentes com dor crônica: mais da metade não sente dor no agulhamento, e a satisfação aumenta com o número de sessões, embora a ausência de grupo controle impeça conclusões sobre
Este estudo mostra que a acupuntura em crianças e adolescentes é muito menos dolorosa do que muitos imaginam - mais da metade dos pacientes não sentiram dor alguma durante o agulhamento. Os jovens ficaram muito satisfeitos com o tratamento e se sentiram relaxados e menos ansiosos. Quanto mais sessões fizeram, mais satisfeitos ficaram, sugerindo que a acupuntura é bem tolerada e aceita por pacientes jovens com dor crônica.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo com mais de 200 jovens mostra que a maioria não sente dor no agulhamento e fica satisfeita com o tratamento
Ponto 1
Mais da metade (58%) não sentiu dor alguma nas agulhas na primeira sessão
Ponto 2
Satisfação aumenta com mais sessões: quem fez 7+ tratamentos deu nota 9,4/10
Ponto 3
Apenas 1 evento leve em 1. 380 sessões, mas estudo não teve grupo de comparação
O que este estudo acrescenta
É o maior trabalho a examinar diretamente a dor do agulhamento e a satisfação em tempo real durante a acupuntura pediátrica, com 1. 380 sessões, ampliando dados anteriores de coortes menores.
Aplicabilidade clínica
A tolerabilidade e aceitabilidade são altas e consistentes, com grande amostra, mas a ausência de controle impede isolar o efeito específico da acupuntura sobre a dor crônica de base; a relevância prática está principalm
Força do desenho do estudo
Analisa dados já coletados na prática clínica, sem randomização ou grupo controle, oferecendo informações reais sobre tolerabilidade mas não provando causalidade de efeitos terapêu
Pacientes analisados
230
jovens de 8 a 21 anos com dor crônica
Sessões totais
1. 380
dados coletados ao longo de 5 anos
Sem dor no agulhamento
57,7%
na primeira sessão de acupuntura
Satisfação média (7+ sessões)
9,37/10
nota máxima de satisfação alcançada
Eventos adversos
1 em 1. 380
único caso leve e transitório de vermelhidão facial
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor crônica em crianças e adolescentes (musculoesquelética, dor generalizada, dor de cabeça, abdominal)
Tipo de estudo
estudo de coorte retrospectivo
Participantes
230 pacientes, 8 a 21 anos (média 15,9 anos), 76% mulheres
Duração
5 anos de coleta de dados (2009-2013), número variável de sessões por paciente
Sessões
1 a 71 sessões por paciente, mediana de 3 sessões, total de 1. 380 sessões analis
Comparador
nenhum — sem grupo controle ou placebo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 a 71 sessões, mediana de 3 por paciente
não especificada no artigo — frequência determinada clinicamente
1 a 20 minutos de retenção de agulhas, aumentando com a idade
Estilo japonês Kiiko Matsumoto: palpação diagnóstica de abdômen, pescoço, canais e pés para identificar reflexos ativos; agulhas Seirin 40 gauge (0,16 mm), 5 a 15 mm de profundidad
nenhum — todos receberam a mesma intervenção
Tratamento individualizado: número de agulhas variava conforme reflexos positivos identificados em cada paciente
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Satisfação geral
aumentou
de 8,04 (1 sessão) para 9,37 (7+ sessões), com melhora estatisticamente significativa
Relaxamento
aumentou
de 7,94 para 9,10 nas múltiplas sessões; diferença significativa entre primeira e última sessão
Redução de ansiedade
aumentou
de 7,08 para 8,73; maior ganho entre quem persistiu no tratamento
Satisfação com o profissional
manteve-se alta
9,1/10 desde a primeira sessão, estável em todos os grupos
Dor existente do paciente
melhorou para a maioria
68,6% sentiram redução da dor de base após a sessão, 28,3% não souberam dizer
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
sessão inicial
Primeira sessão
57,7% já relatam zero dor no agulhamento; satisfação média 8,4/10 desde o início
aproximadamente 4 a 6 tratamentos
4-6 sessões
salto significativo na satisfação (9,04) e relaxamento comparado a quem fez apenas 1 sessão
7 ou mais tratamentos
7+ sessões
satisfação máxima (9,37/10), ansiedade reduzida (8,73), mantendo dor do agulhamento em zero
Antes e depois
Satisfação geral
escala máx. 10 pontos (1 sessão vs
Relaxamento
escala máx. 10 pontos (1 sessão vs
Redução de ansiedade
escala máx. 10 pontos (1 sessão vs
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Mais da metade dos jovens não sente dor no momento do agulhamento, e a satisfação com o tratamento costuma aumentar conforme se faz mais sessões, com sensação de relaxamento e menos ansiedade.
Tempo provável
O benefício subjetivo (satisfação, relaxamento) parece se consolidar a partir da 4ª sessão, embora a experiência já seja
Este estudo não prova que a acupuntura cura a dor crônica de base — apenas que é bem tolerada e bem aceita por quem a experimenta.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Acupuntura sempre dóre é difícil de tolerar para crianças
Achado
57,7% dos jovens não sentiram dor alguma no agulhamento, e 87% tiveram dor nula ou leve; a mediana de dor foi zero em todos os grupos
Mito
Quanto mais sessões, mais o corpo "sofre" com as agulhas
Achado
A dor do agulhamento não aumentou com mais sessões — permaneceu igualmente baixa; o que melhorou foi satisfação, relaxamento e redução de ansiedade
Mito
Acupuntura é rejeitada pela maioria dos adolescentes
Achado
A satisfação média foi de 8,4/10 na primeira sessão e subiu para 9,37/10 em quem fez 7 ou mais sessões, indicando boa aceitação
Mito
Acupuntura é arriscada para crianças
Achado
Em 1. 380 sessões, houve apenas um evento adverso leve e transitório, sem sequelas
Como isso pode funcionar
AVALIAÇÃO INDIVIDUALIZADA
O profissional palpa abdômen, pescoço e pés para encontrar reflexos ativos relacionados aos sintomas do paciente — cada sessão é personalizada
ESTÍMULO SUAVE
Agulhas extremamente finas (0,16 mm) são inseridas superficialmente por poucos minutos; a técnica Kiiko Matsumoto é propositalmente delicada
RESPOSTA DO SISTEMA NERVOSO
Possivelmente ativa vias de modulação da dor e do estresse, embora o mecanismo exato em pediatria ainda seja objeto de pesquisa
EFEITO CUMULATIVO SUBJETIVO
Com mais sessões, pacientes relatam maior relaxamento e satisfação — seja por efeito fisiológico, familiaridade com o procedimento ou atenção terapêutica recebida
O que ainda é incerto
Avaliar se a acupuntura causa dor durante o agulhamento e medir satisfação em crianças e adolescentes
230 pacientes de 8 a 21 anos com dor crônica em clínica de dor pediátrica
Estilo japonês Kiiko Matsumoto com agulhas finas, questionário pós-sessão com escala de dor facial
57,7% relataram zero dor no agulhamento, satisfação média 8,4/10
Apenas 1 evento adverso leve (vermelhidão facial transitória) em 1. 380 sessões
Achados Interessantes
A DOR NÃO AUMENTA COM O TEMPO
Diferente do que muitos temem, fazer mais sessões de acupuntura não torna a experiência mais dolorosa — a dor do agulhamento permanece igualmente baixa, enquanto satisfação e relaxamento crescem.
DADOS DIRETOS DO PACIENTE, NÃO DOS PAIS
Ao contrário de pesquisas anteriores que ouviam apenas responsáveis por telefone, este estudo coletou avaliações diretas dos jovens logo após cada sessão, com escala facial validada.
TÉCNICA ESPECÍFICA, RESULTADO ESPECÍFICO
O uso exclusivo do estilo Kiiko Matsumoto, com agulhas mais finas e inserção mais superficial, pode explicar a alta tolerabilidade — os achados não se estendem automaticamente a outras formas de acupuntura.
VOZ DOS PACIENTES EM PRIMEIRO PLANO
Comentários espontâneos como 'estava com medo, mas foi agradável' e 'nunca sinto dor' reforçam quantitativamente o que os números mostram: o medo costuma ser maior que a experiência real.
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor é uma das principais preocupações que afastam crianças e adolescentes da acupuntura, mesmo quando essa terapia poderia oferecer benefícios significativos para o tratamento de condições dolorosas crônicas. Muitos pais, pacientes e até mesmo profissionais de saúde evitam considerar a acupuntura pediátrica devido ao receio de que as agulhas causem desconforto adicional às crianças que já sofrem com dor. Embora existam estudos comprovando a segurança e eficácia da acupuntura em crianças para diversos tipos de dor, incluindo dor crônica, enxaquecas e dor relacionada à anemia falciforme, poucos trabalhos investigaram especificamente o quanto a aplicação das agulhas realmente incomoda os jovens pacientes durante o procedimento.
Este estudo teve como objetivo principal investigar a experiência real de crianças e adolescentes durante sessões de acupuntura, com foco especial na dor causada pela inserção das agulhas, além de avaliar os níveis de satisfação, relaxamento e redução da ansiedade. Os pesquisadores também quiseram entender se o número de sessões de acupuntura influenciava essas percepções ao longo do tempo. Para isso, analisaram retrospectivamente os dados de 230 pacientes únicos (com idades entre 8 e 21 anos) que participaram de um total de 1. 380 sessões de acupuntura em uma clínica de dor pediátrica entre 2009 e 2013.
Todos os pacientes foram tratados com o estilo Kiiko Matsumoto de acupuntura japonesa, conhecido por ser uma técnica mais suave que utiliza agulhas muito finas inseridas superficialmente. Após cada sessão, os pacientes preenchiam questionários padronizados avaliando a dor da aplicação das agulhas através da Escala de Faces de Dor Revisada, além de questões sobre satisfação geral, relaxamento e redução da ansiedade em escalas de 1 a 10 pontos.
Os resultados foram surpreendentemente positivos e tranquilizadores. A dor média relacionada à inserção das agulhas foi de apenas 1,3 em uma escala de 0 a 10, sendo que 57,7% dos pacientes relataram não sentir absolutamente nenhuma dor durante sua primeira sessão de acupuntura. Outros 28% reportaram apenas dor leve (pontuação 2 de 10). Isso significa que aproximadamente 87% dos jovens pacientes experimentaram dor mínima ou nenhuma dor durante o procedimento.
Além disso, os pacientes demonstraram alta satisfação com o tratamento, com pontuação média de 8,4 de 10, sentiram-se relaxados (média de 8,2 de 10) e experimentaram redução significativa da ansiedade (média de 7,7 de 10). Cerca de 68% dos pacientes relataram que a acupuntura ajudou a diminuir sua dor existente, enquanto apenas 3,1% reportaram não ter havido redução da dor.
Para pacientes e profissionais de saúde, estes achados têm implicações práticas muito importantes. Primeiro, eles desmentem o mito de que a acupuntura é dolorosa para crianças, fornecendo evidências concretas de que a grande maioria dos jovens pacientes não sente dor significativa durante o tratamento. Isso pode encorajar mais famílias a considerar a acupuntura como parte de um plano de tratamento integrado para dor crônica pediátrica. O estudo também revelou que pacientes que realizaram mais sessões (quatro ou mais) relataram níveis ainda maiores de satisfação, relaxamento e redução da ansiedade, sugerindo que os benefícios da acupuntura podem aumentar com o tempo.
Importante notar que a dor relacionada às agulhas permaneceu consistentemente baixa, independentemente do número de sessões, e apenas um evento adverso leve foi registrado em todo o período do estudo. Para profissionais de saúde, estes dados oferecem confiança para recomendar acupuntura como uma opção terapêutica segura e bem tolerada, especialmente considerando a crescente necessidade de alternativas não farmacológicas para o manejo da dor em crianças.
O estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Por se tratar de uma análise retrospectiva de dados clínicos, existe a possibilidade de viés de seleção, já que pacientes insatisfeitos com as primeiras sessões provavelmente não retornariam para tratamentos adicionais. Além disso, os resultados se aplicam especificamente ao estilo Kiiko Matsumoto de acupuntura japonesa, que utiliza técnicas mais suaves, e podem não se generalizar para todos os tipos de acupuntura. O estudo também incluiu apenas crianças a partir de 8 anos de idade, pois esta é a idade mínima para auto-relato confiável da dor.
Apesar dessas limitações, os achados são consistentes e baseados em uma amostra grande e diversificada de pacientes com diferentes tipos de dor crônica. Os pesquisadores sugerem que estudos futuros incluam ensaios clínicos randomizados com grupos controle e comparações com outras terapias integrativas. Em conclusão, este estudo fornece evidências robustas de que a acupuntura pediátrica é uma intervenção bem tolerada, praticamente indolor e altamente satisfatória para crianças e adolescentes, podendo ser uma ferramenta valiosa no manejo multidisciplinar da dor crônica pediátrica.
Pacientes com dor crônica
230 pessoas
Acupuntura estilo Kiiko Matsumoto
Dor no agulhamento (média)
Pacientes sem dor no agulhamento
Satisfação geral média
Relaxamento médio
Redução de ansiedade média
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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