Estudo científico comentado

Como classificar tipos de dor crônica para melhorar o tratamento

Referência acadêmica

Periódico

Brazilian Journal of Physical Therapy

Ano

2023

Autores

Nijs et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Este artigo explica uma nova forma de classificar dor crônica em três tipos principais, cada um com características e tratamentos específicos. Esta abordagem é especialmente útil para quem tem dor há mais de 3 meses e não obteve melhora com tratamentos convencionais. O objetivo é oferecer cuidado mais personalizado e eficaz.

Título original do estudo: Phenotyping nociceptive, neuropathic, and nociplastic pain: who, how, & why?

📝editorial🧠classificação de doralto impacto clínico
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Classificar a dor crônica em nociceptiva, neuropática ou nociplástica pode ajudar médicos a escolherem tratamentos mais direcionados, mas a evidência de que isso melhora resultados ainda está em construção.

O que isso significa para você?

Este artigo explica uma nova forma de classificar dor crônica em três tipos principais, cada um com características e tratamentos específicos. Esta abordagem é especialmente útil para quem tem dor há mais de 3 meses e não obteve melhora com tratamentos convencionais. O objetivo é oferecer cuidado mais personalizado e eficaz.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você tem dor há mais de 3 meses, pergunte ao seu médico se ele considera a possibilidade de diferentes 'tipos' de dor, não apenas a localização
  • 2Exames de imagem que não mostram nada não significam que sua dor é imaginária — pode ser nociplástica, uma condição biológica real reconhecida internacionalmente
  • 3Tratamentos que funcionam para um tipo de dor podem não funcionar para outro; persistir com abordadas inadequadas pode ser frustrante e ineficaz
  • 4A classificação por fenótipos é promissora, mas ainda não é uma ciência exata — médicos podem discordar, e sua dor pode ter componentes mistos
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1O senhor(a) considera que minha dor pode ser nociceptiva, neuropática, nociplástica ou uma mistura? Qual critério usa para isso?
  • 2Meus exames de imagem não explicam minha dor intensa — isso seria compatível com dor nociplástica? Como podemos explorar isso?
  • 3O tratamento que estou fazendo agora é adequado para o tipo de dor que o senhor(a) identificou? Se não, o que mudaria?
  • 4Se minha dor for mista, como priorizamos as abordagens? Preciso de avaliação com outros especialistas?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Este artigo não avalia segurança de intervenções específicas — é um editorial sobre classificação, não um estudo de tratamento
  • 2A implementação dos critérios depende de treinamento médico; critérios mal aplicados podem levar a classificações erradas e tratamentos inadequados
  • 3O risco de rotular incorretamente uma dor como 'nociplástica' é que causas nociceptivas ou neuropáticas tratáveis possam ser subdiagnosticadas
  • 4Pacientes devem saber que 'nociplástica' não significa 'psicológica' — a confusão entre esses conceitos pode causar dano emocional e atrasar cuidado adequado

Leitura rápida para pacientes

Sua dor crônica tem um 'tipo' — e isso importa

Cientistas e médicos estam aprendendo que dor que persiste por meses pode funcionar de formas diferentes. Identificar qual é a sua pode ajudar a escolher caminhos mais adequados.

Ponto 1

Dor nociceptiva vem de tecido danificado; dor neuropática, de nervos lesionados; dor nociplástica, de sensibilização do

Ponto 2

Tratamentos diferentes fazem sentido para cada tipo — exercício baseado na dor pode ajudar em um caso, mas não em outro

Ponto 3

A classificação ainda é uma ferramenta em desenvolvimento, não uma resposta definitiva, mas pode melhorar a conversa com

O que este estudo acrescenta

CONSOLIDAÇÃO CLÍNICA

Este editorial organiza critérios dispersos (neuropática 2016, nociplástica 2021, consenso 2022) em proposta prática de implementação, mas sem novos dados de pesquisa.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A classificação por fenótipos é biologicamente plausível e alinhada com tendências de medicina de precisão, mas a evidência de que melhora resultados clínicos ainda é escassa. Seu valor principal está em estruturar o rac

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um editorial que resume e propõe aplicação de critérios estabelecidos, mas não apresenta dados originais de pesquisa com pacientes.

Critérios de dor neuropática

2016

Ano de publicação do sistema de graduação atualizado pela IASP

Critérios de dor nociplástica

2021

Ano em que a IASP publicou critérios clínicos formais para esta categoria

Duração mínima para nociplástica

3 meses

Critério temporal obrigatório na definição de dor crônica para esta classificação

Tipos principais de dor

3

Nociceptiva, neuropática e nociplástica, além de possíveis combinações mistas

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor crônica de diversas etiologias

Tipo de estudo

Editorial de opinião e síntese de evidência

Participantes

Não aplicável — artigo conceitual sem coleta de dados primários

Duração

Não aplicável

Sessões

Não aplicável

Comparador

Não aplicável

Grupos do estudo

Grupos não claramente descritos

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Não especificado — varia conforme fenótipo e contexto clínico

Frequência02

Não especificado

Duração da sessão03

Não especificado

Pontos / técnica04

Abordagem multidimensional: educação, exercício, intervenções de estilo de vida, possíveis mobilizações neurodinâmicas para neuropática

Comparador05

Não aplicável — não há comparação entre protocolos no estudo

Nota de protocolo06

A tabela do artigo propõe adaptações por fenótipo, mas não especifica protocolos fixos. A evidência para essas adaptações ainda é limitada.

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pacientes com dor crônica de pelo menos 3 meses de duraçãoPessoas com condições onde componentes neuropáticos são prevalentes (ex: sobreviventes de câncer)Pessoas com condições onde componentes nociplásticos são comuns (ex: fibromialgia, dor lombar crônica)Pacientes com dor aparentemente nociceptiva que não respondem ao tratamento convencionalIndivíduos com dor em múltiplas regiões (temporomandibular, ombro, joelho, quadril, pélvis)

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Dor aguda de menos de 3 meses (critérios de nociplástica não se aplicam)Pacientes cuja dor tem explicação puramente psiquiátrica sem componente doloroso físicoIndivíduos que já obtiveram diagnóstico claro e tratamento efetivo para dor nociceptiva

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

🎯

Precisão diagnóstica

potencialmente melhora

Classificação em fenótipos pode reduzir o uso do rótulo 'não específico', que frequentemente estigmatiza pacientes

🗣️

Comunicação médico-paciente

melhora

Explicações adaptadas ao mecanismo de dor (tecidual, nervoso ou sensibilização central) são mais coerentes para o paciente

🔧

Direcionamento terapêutico

potencialmente melhora

Sugere quais tratamentos têm maior probabilidade de serem efetivos para cada mecanismo, embora a evidência seja preliminar

🧩

Integração biopsicossocial

melhora

A fenotipagem encoraja avaliação completa que inclui fatores cognitivos, emocionais, comportamentais e sociais

O que não mudou

  • A necessidade de avaliação individualizada além da classificação por fenótipo
  • A ausência de garantia de resposta ao trat mesmo com classificação correta
  • A complexidade de casos com dor mista (mais de um fenótipo simultâneo)

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • A abordagem não propõe intervenções invasivas ou de risco
  • A educação do paciente sobre mecanismos de dor pode reduzir catastrofização
  • A valorização do modelo biopsicossocial tende a humanizar o cuidado
Amarelo
  • O rótulo 'nociplástica' pode ser mal interpretado como 'psicológica' ou 'imaginária' se mal explicado
  • A implementação requer clínicos treinados nos critérios ainda em validação
  • Risco de desconsiderar componentes nociceptivos reais em pacientes com dor mista
Vermelho
  • Ainda não há evidência robusta de que tratamentos direcionados ao fenótipo são superiores
  • Critérios clínicos, especialmente para nociplástica, não têm validade prognóstica estabelecida
  • Não há critérios formais da IASP para dor nociceptiva, criando assimetria na classificação

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Pacientes com dor crônica há mais de 3 meses sem melhora com tratamentos convencionais
  • Pessoas com diagnóstico de fibromialgia, dor lombar crônica não específica ou síndrome pós-whiplash
  • Sobreviventes de câncer com dor persistente de mecanismo incerto
  • Pacientes com sintomas que sugerem neuropatia (dormência, formigamento) mas diagnóstico incerto
  • Indivíduos frustrados com o rótulo de 'dor não específica' ou 'tudo está na cabeça'

Mais cautela para extrapolar

  • Dor aguda recente (menos de 3 meses) onde ainda não é possível avaliar nociplástica
  • Pacientes com causa clara e tratável de dor nociceptiva que respondem bem ao tratamento padrão
  • Indivíduos que buscam apenas confirmação de lesão estrutural como única explicação para dor
  • Pessoas em situação de crise aguda que precisam de intervenção imediata, não de avaliação fenotípica detalhada

Expectativa realista

Uma classificação, não uma cura

Você pode sair da consulta com uma compreensão mais clara de por que sua dor persiste e quais tratamentos fazem mais sentido para seu caso específico, mas a classificação por si só não elimina a dor.

Tempo provável

A avaliação fenotípica é um processo de uma ou mais consultas; os benefícios de tratamentos direcionados, quando ocorrem

A ciência por trás dessa classificação ainda está evoluindo, e médicos experientes podem ter opiniões diferentes sobre qual é o seu fenótipo predominante.

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seu médico considera que sua dor pode ter componentes de sensibilização central (nociplástica)
  2. 2Questione se há evidência de lesão nervosa específica que justifique componente neuropático
  3. 3Peça explicação sobre por que exames de imagem não explicam toda sua dor, se for o caso
  4. 4Discuta se seu tratamento atual está adequado ao mecanismo predominante de sua dor
  5. 5Solicite encaminhamento para avaliação multidisciplinar se sua dor for complexa ou mista

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Dor crônica é sempre sinal de que algo está danificado no corpo

Achado

Em dor nociplástica, o sistema nervoso amplifica sinais mesmo sem dano tecidual correspondente — a dor é real, mas o driver é neural, não estrutural

Mito

Toda dor que não tem causa visível é psicológica ou inventada

Achado

A dor nociplástica tem critérios clínicos definidos desde 2021 e é reconhecida como condição biológica real pela IASP

Mito

Exercício sempre deve ser feito respeitando os limites da dor

Achado

Para dor nociplástica, abordagens baseadas no tempo (não na dor) podem ser mais apropriadas, pois focar na dor pode perpetuar a sensibilização

Mito

Uma vez classificado o tipo de dor, o tratamento é garantido de funcionar

Achado

A evidência de que tratamentos direcionados ao fenótipo são superiores ainda é escassa; a classificação é ferramenta de orientação, não garantia

Como isso pode funcionar

🔍

AVALIAÇÃO CLÍNICA

O médico investiga padrão da dor, sintomas sensoriais, exames e história. Mecanismo proposto, não definitivo.

🏷️

CLASSIFICAÇÃO EM FENÓTIPO

Com base em critérios da IASP, define-se se a dor é predominantemente nociceptiva, neuropática, nociplástica ou mista. Critérios ainda em validação.

🎨

PERSONALIZAÇÃO DA ABORDAGEM

A educação, o tipo de exercício e as intervenções são adaptadas ao mecanismo predominante. Eficácia ainda em estudo.

🔄

REAVALIAÇÃO CONTÍNUA

O fenótipo pode mudar ou revelar-se misto; ajustes são feitos conforme resposta. Processo dinâmico, não único.

O que ainda é incerto

  • ?Os critérios de nociplástica ainda não têm validade prognóstica completamente estabelecida — sabemos identificar, mas não prever com certeza quem resp
  • ?Não existem ainda critérios formais da IASP para dor nociceptiva, criando um vazio na classificação do tipo mais comum de dor
  • ?A evidência de que tratamentos adaptados ao fenótipo superam abordagens padronizadas é preliminar e carece de estudos robustos
  • ?A distinção entre dor mista e fenótipo predominante é subjetiva e pode variar entre avaliadores
🎯

O que o estudo quis responder

Explicar como classificar dor crônica em 3 tipos principais para personalizar tratamentos

👥

QUEM SE BENEFICIA

Pacientes com dor há mais de 3 meses que não melhoram com tratamentos convencionais

🧪

COMO CLASSIFICAR

Usar critérios clínicos para diferenciar dor nociceptiva, neuropática e nociplástica

📈

VANTAGENS

Permite escolher tratamentos mais específicos e eficazes para cada tipo de dor

🛟

APLICAÇÃO

Integra avaliação física, psicológica e social para tratamento completo

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

CRITÉRIOS RECENTES UNIFICADOS

Pela primeira vez, um editorial propõe integrar na prática clínica critérios de neuropática (2016), nociplástica (2021) e consenso de diferenciação (2022), criando um mapa de uso para médicos.

🧭

ALTERNATIVA AO RÓTULO 'NÃO ESPECÍFICO'

O artigo destaca que termos como 'nociplástica' conectam a condição do paciente a uma base científica, potencialmente reduzindo estigma e efeitos nocebo do rótulo 'não específico'.

📌

ADAPTAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DO EXERCÍCIO

A proposta mais prática do artigo: a forma de explicar a dor e prescrever exercício deve mudar conforme o fenótipo — informação que pacientes podem usar para questionar abordadas genéricas.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Como classificar tipos de dor crônica para melhorar o tratamento

A dor crônica é uma das condições mais desafiadoras da medicina moderna, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar de sua prevalência, muitos pacientes continuam recebendo tratamentos genéricos que não consideram as diferenças fundamentais entre os mecanismos que mantêm sua dor. Este editorial, publicado no Brazilian Journal of Physical Therapy em 2023 por Nijs e colaboradores, propõe uma mudança importante: em vez de tratar toda dor crônica da mesma forma, médicos devem classificar cada caso em um de três tipos principais — dor nociceptiva, neuropática ou nociplástica — para escolher intervenções mais adequadas.

O conceito central é o de "fenotipagem da dor", inspirado no movimento global de medicina de precisão. Assim como existem tipos diferentes de câncer que exigem quimioterapias distintas, a dor crônica também apresenta subtipos que respondem melhor a abordagens específicas. A fenotipagem não busca criar um tratamento único para cada pessoa, mas sim agrupar pacientes em categorias que compartilham características biológicas e clínicas relevantes, permitindo escolhas terapêuticas mais direcionadas.

O artigo é um editorial de natureza conceitual, não um estudo experimental com pacientes. Seu objetivo é sintetizar conhecimento existente e propor diretrizes para implementação clínica. Os autores baseiam-se em critérios estabelecidos pela International Association for the Study of Pain (IASP), incluindo os critérios de dor neuropática de 2016 e os critérios de dor nociplástica de 2021, além de um consenso de especialistas de 2022 sobre métodos de diferenciação entre os tipos de dor.

Para entender os três tipos, é útil pensar em como a dor se origina. A dor nociceptiva surge quando há dano real ou ameaçado em tecidos não-neurais — como inflamação articular, lesões musculares ou fraturas. Os exames médicos geralmente encontram uma causa clara que explica os sintomas. A dor neuropática, por sua vez, resulta de uma lesão ou doença do próprio sistema nervoso, seja periférico (como síndrome do túnel do carpo ou radiculopatia lombar) ou central.

Caracteriza-se por sintomas como dormência, formigamento ou queimação em uma área que segue a distribuição de um nervo específico. Já a dor nociplástica é mais complexa: o sistema nervoso processa sinais de forma alterada, amplificando a percepção dolorosa mesmo quando não há dano tecidual significativo ou quando o dano encontrado não explica toda a intensidade da dor. É comum em condições como fibromialgia, artrite reumatoide, dor lombar crônica e síndrome pós-whiplash.

A diferenciação clínica segue critérios específicos. Para dor neuropática, é necessário identificar uma lesão do sistema nervoso e confirmar que a dor e os sintomas sensoriais se limitam a uma distribuição neuroanatomicamente plausível. Para dor nociplástica, os critérios da IASP exigem dor crônica de pelo menos três meses, distribuição em áreas que não seguem padrões nervosos, e frequentemente associada a fadiga, problemas cognitivos e distúrbios do sono. Cabe notar que ainda não existem critérios formais da IASP para dor nociceptiva — esse é um projeto em desenvolvimento.

A importância dessa classificação vai além do diagnóstico. Segundo os autores, cada tipo de dor sugere abordagens terapêuticas distintas. Pacientes com dor nociceptiva podem se beneficiar de tratamentos direcionados à fonte de inflamação ou dano, com abordagem de exercícios baseada na tolerância à dor. Para dor neuropática, mobilizações neurodinâmicas específicas podem ser relevantes, além do manejo da lesão nervosa subjacente.

Já para dor nociplástica, a ênfase recai em estratégias que reduzam a sensibilização central, incluindo abordagens cognitivo-comportamentais, atividade física gradual baseada no tempo (não na dor) e intervenções psicologicamente informadas.

A educação do paciente também muda conforme o fenótipo. Quem tem dor nociceptiva precisa entender a origem do dano tecidual. Quem tem dor neuropática deve compreender tanto a lesão nervosa quanto os mecanismos de sensibilização central. Para quem tem dor nociplástica, é fundamental explicar que o tecido não é o principal driver da dor — o sistema nervoso está processando sinais de forma amplificada.

Essa explicação, quando bem feita, pode reduzir a ansiedade e o catastrofismo, comuns nesse grupo.

Os autores reconhecem limitações importantes. Os critérios de nociplástica ainda estão em fase de validação e testes de confiabilidade. A evidência de que tratamentos direcionados ao fenótipo são superiores a abordagens tradicionais ainda é escassa, especialmente para intervenções não farmacológicas. A implementação clínica é complexa e exige treinamento.

Além disso, muitos pacientes apresentam dor mista, com características de mais de um tipo, o que complica a classificação.

A aplicabilidade é ampla: teoricamente, qualquer pessoa com dor pode ser fenotipada, mas o método é mais relevante para dor crônica acima de três meses, especialmente quando há suspeita de componentes neuropáticos ou nociplásticos. Condições como dor temporomandibular, dor no ombro, joelho ou quadril, tendinopatias, cefaleias, dor pós-cirúrgica e dor pélvica na gestação podem ser avaliadas sob essa ótica.

Para pacientes, a mensagem principal é que a dor crônica não é uma condição única e homogênea. Exigir uma avaliação que vá além de "você tem dor" para identificar "que tipo de dor você tem" pode abrir caminho para tratamentos mais personalizados e, potencialmente, mais eficazes. No entanto, é importante manter expectativas realistas: a fenotipagem é uma ferramenta em desenvolvimento, não uma solução mágica, e funciona melhor quando integrada a uma avaliação biopsicossocial completa.

O que fortalece a leitura

  • 1Abordagem baseada em critérios científicos estabelecidos
  • 2Integra conhecimento atual sobre mecanismos de dor
  • 3Oferece orientação prática para clínicos
  • 4Promove medicina de precisão em dor
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Critérios ainda em desenvolvimento e validação
  • 2Falta evidência robusta para tratamentos específicos por fenótipo
  • 3Complexidade na implementação clínica
  • 4Limitado a dor crônica acima de 3 meses

Leitura clínica do estudo

FORTE
85/ 100
Desenho
4/5
Amostra
1/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

pessoas avaliadas
divisão dos grupos
⏱️ Tempo de acompanhamento: não aplicável - editorial

📊 Resultados em números

3 categorias principais

Tipos de dor identificados

3 meses de duração

Critério temporal mínimo

todas as dores crônicas

Condições aplicáveis

📊 Comparação de Resultados

Características dos tipos de dor

Dor nociceptiva
1
Dor neuropática
2
Dor nociplástica
3

📅 Linha do tempo da evidência

2016Estabelecimento dos critérios para dor neuropática
2021Publicação dos critérios clínicos para dor nociplástica
2022Consenso de especialistas sobre métodos de diferenciação
2023Editorial propondo implementação clínica da classificação

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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