Critérios de dor neuropática
2016
Ano de publicação do sistema de graduação atualizado pela IASP
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Brazilian Journal of Physical Therapy
Ano
2023
Autores
Nijs et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este artigo explica uma nova forma de classificar dor crônica em três tipos principais, cada um com características e tratamentos específicos. Esta abordagem é especialmente útil para quem tem dor há mais de 3 meses e não obteve melhora com tratamentos convencionais. O objetivo é oferecer cuidado mais personalizado e eficaz.
Título original do estudo: Phenotyping nociceptive, neuropathic, and nociplastic pain: who, how, & why?
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Classificar a dor crônica em nociceptiva, neuropática ou nociplástica pode ajudar médicos a escolherem tratamentos mais direcionados, mas a evidência de que isso melhora resultados ainda está em construção.
Este artigo explica uma nova forma de classificar dor crônica em três tipos principais, cada um com características e tratamentos específicos. Esta abordagem é especialmente útil para quem tem dor há mais de 3 meses e não obteve melhora com tratamentos convencionais. O objetivo é oferecer cuidado mais personalizado e eficaz.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Cientistas e médicos estam aprendendo que dor que persiste por meses pode funcionar de formas diferentes. Identificar qual é a sua pode ajudar a escolher caminhos mais adequados.
Ponto 1
Dor nociceptiva vem de tecido danificado; dor neuropática, de nervos lesionados; dor nociplástica, de sensibilização do
Ponto 2
Tratamentos diferentes fazem sentido para cada tipo — exercício baseado na dor pode ajudar em um caso, mas não em outro
Ponto 3
A classificação ainda é uma ferramenta em desenvolvimento, não uma resposta definitiva, mas pode melhorar a conversa com
O que este estudo acrescenta
Este editorial organiza critérios dispersos (neuropática 2016, nociplástica 2021, consenso 2022) em proposta prática de implementação, mas sem novos dados de pesquisa.
Aplicabilidade clínica
A classificação por fenótipos é biologicamente plausível e alinhada com tendências de medicina de precisão, mas a evidência de que melhora resultados clínicos ainda é escassa. Seu valor principal está em estruturar o rac
Força do desenho do estudo
Este é um editorial que resume e propõe aplicação de critérios estabelecidos, mas não apresenta dados originais de pesquisa com pacientes.
Critérios de dor neuropática
2016
Ano de publicação do sistema de graduação atualizado pela IASP
Critérios de dor nociplástica
2021
Ano em que a IASP publicou critérios clínicos formais para esta categoria
Duração mínima para nociplástica
3 meses
Critério temporal obrigatório na definição de dor crônica para esta classificação
Tipos principais de dor
3
Nociceptiva, neuropática e nociplástica, além de possíveis combinações mistas
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor crônica de diversas etiologias
Tipo de estudo
Editorial de opinião e síntese de evidência
Participantes
Não aplicável — artigo conceitual sem coleta de dados primários
Duração
Não aplicável
Sessões
Não aplicável
Comparador
Não aplicável
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Não especificado — varia conforme fenótipo e contexto clínico
Não especificado
Não especificado
Abordagem multidimensional: educação, exercício, intervenções de estilo de vida, possíveis mobilizações neurodinâmicas para neuropática
Não aplicável — não há comparação entre protocolos no estudo
A tabela do artigo propõe adaptações por fenótipo, mas não especifica protocolos fixos. A evidência para essas adaptações ainda é limitada.
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Precisão diagnóstica
potencialmente melhora
Classificação em fenótipos pode reduzir o uso do rótulo 'não específico', que frequentemente estigmatiza pacientes
Comunicação médico-paciente
melhora
Explicações adaptadas ao mecanismo de dor (tecidual, nervoso ou sensibilização central) são mais coerentes para o paciente
Direcionamento terapêutico
potencialmente melhora
Sugere quais tratamentos têm maior probabilidade de serem efetivos para cada mecanismo, embora a evidência seja preliminar
Integração biopsicossocial
melhora
A fenotipagem encoraja avaliação completa que inclui fatores cognitivos, emocionais, comportamentais e sociais
O que não mudou
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Você pode sair da consulta com uma compreensão mais clara de por que sua dor persiste e quais tratamentos fazem mais sentido para seu caso específico, mas a classificação por si só não elimina a dor.
Tempo provável
A avaliação fenotípica é um processo de uma ou mais consultas; os benefícios de tratamentos direcionados, quando ocorrem
A ciência por trás dessa classificação ainda está evoluindo, e médicos experientes podem ter opiniões diferentes sobre qual é o seu fenótipo predominante.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Dor crônica é sempre sinal de que algo está danificado no corpo
Achado
Em dor nociplástica, o sistema nervoso amplifica sinais mesmo sem dano tecidual correspondente — a dor é real, mas o driver é neural, não estrutural
Mito
Toda dor que não tem causa visível é psicológica ou inventada
Achado
A dor nociplástica tem critérios clínicos definidos desde 2021 e é reconhecida como condição biológica real pela IASP
Mito
Exercício sempre deve ser feito respeitando os limites da dor
Achado
Para dor nociplástica, abordagens baseadas no tempo (não na dor) podem ser mais apropriadas, pois focar na dor pode perpetuar a sensibilização
Mito
Uma vez classificado o tipo de dor, o tratamento é garantido de funcionar
Achado
A evidência de que tratamentos direcionados ao fenótipo são superiores ainda é escassa; a classificação é ferramenta de orientação, não garantia
Como isso pode funcionar
AVALIAÇÃO CLÍNICA
O médico investiga padrão da dor, sintomas sensoriais, exames e história. Mecanismo proposto, não definitivo.
CLASSIFICAÇÃO EM FENÓTIPO
Com base em critérios da IASP, define-se se a dor é predominantemente nociceptiva, neuropática, nociplástica ou mista. Critérios ainda em validação.
PERSONALIZAÇÃO DA ABORDAGEM
A educação, o tipo de exercício e as intervenções são adaptadas ao mecanismo predominante. Eficácia ainda em estudo.
REAVALIAÇÃO CONTÍNUA
O fenótipo pode mudar ou revelar-se misto; ajustes são feitos conforme resposta. Processo dinâmico, não único.
O que ainda é incerto
Explicar como classificar dor crônica em 3 tipos principais para personalizar tratamentos
Pacientes com dor há mais de 3 meses que não melhoram com tratamentos convencionais
Usar critérios clínicos para diferenciar dor nociceptiva, neuropática e nociplástica
Permite escolher tratamentos mais específicos e eficazes para cada tipo de dor
Integra avaliação física, psicológica e social para tratamento completo
Achados Interessantes
CRITÉRIOS RECENTES UNIFICADOS
Pela primeira vez, um editorial propõe integrar na prática clínica critérios de neuropática (2016), nociplástica (2021) e consenso de diferenciação (2022), criando um mapa de uso para médicos.
ALTERNATIVA AO RÓTULO 'NÃO ESPECÍFICO'
O artigo destaca que termos como 'nociplástica' conectam a condição do paciente a uma base científica, potencialmente reduzindo estigma e efeitos nocebo do rótulo 'não específico'.
ADAPTAÇÃO DA EDUCAÇÃO E DO EXERCÍCIO
A proposta mais prática do artigo: a forma de explicar a dor e prescrever exercício deve mudar conforme o fenótipo — informação que pacientes podem usar para questionar abordadas genéricas.
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor crônica é uma das condições mais desafiadoras da medicina moderna, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar de sua prevalência, muitos pacientes continuam recebendo tratamentos genéricos que não consideram as diferenças fundamentais entre os mecanismos que mantêm sua dor. Este editorial, publicado no Brazilian Journal of Physical Therapy em 2023 por Nijs e colaboradores, propõe uma mudança importante: em vez de tratar toda dor crônica da mesma forma, médicos devem classificar cada caso em um de três tipos principais — dor nociceptiva, neuropática ou nociplástica — para escolher intervenções mais adequadas.
O conceito central é o de "fenotipagem da dor", inspirado no movimento global de medicina de precisão. Assim como existem tipos diferentes de câncer que exigem quimioterapias distintas, a dor crônica também apresenta subtipos que respondem melhor a abordagens específicas. A fenotipagem não busca criar um tratamento único para cada pessoa, mas sim agrupar pacientes em categorias que compartilham características biológicas e clínicas relevantes, permitindo escolhas terapêuticas mais direcionadas.
O artigo é um editorial de natureza conceitual, não um estudo experimental com pacientes. Seu objetivo é sintetizar conhecimento existente e propor diretrizes para implementação clínica. Os autores baseiam-se em critérios estabelecidos pela International Association for the Study of Pain (IASP), incluindo os critérios de dor neuropática de 2016 e os critérios de dor nociplástica de 2021, além de um consenso de especialistas de 2022 sobre métodos de diferenciação entre os tipos de dor.
Para entender os três tipos, é útil pensar em como a dor se origina. A dor nociceptiva surge quando há dano real ou ameaçado em tecidos não-neurais — como inflamação articular, lesões musculares ou fraturas. Os exames médicos geralmente encontram uma causa clara que explica os sintomas. A dor neuropática, por sua vez, resulta de uma lesão ou doença do próprio sistema nervoso, seja periférico (como síndrome do túnel do carpo ou radiculopatia lombar) ou central.
Caracteriza-se por sintomas como dormência, formigamento ou queimação em uma área que segue a distribuição de um nervo específico. Já a dor nociplástica é mais complexa: o sistema nervoso processa sinais de forma alterada, amplificando a percepção dolorosa mesmo quando não há dano tecidual significativo ou quando o dano encontrado não explica toda a intensidade da dor. É comum em condições como fibromialgia, artrite reumatoide, dor lombar crônica e síndrome pós-whiplash.
A diferenciação clínica segue critérios específicos. Para dor neuropática, é necessário identificar uma lesão do sistema nervoso e confirmar que a dor e os sintomas sensoriais se limitam a uma distribuição neuroanatomicamente plausível. Para dor nociplástica, os critérios da IASP exigem dor crônica de pelo menos três meses, distribuição em áreas que não seguem padrões nervosos, e frequentemente associada a fadiga, problemas cognitivos e distúrbios do sono. Cabe notar que ainda não existem critérios formais da IASP para dor nociceptiva — esse é um projeto em desenvolvimento.
A importância dessa classificação vai além do diagnóstico. Segundo os autores, cada tipo de dor sugere abordagens terapêuticas distintas. Pacientes com dor nociceptiva podem se beneficiar de tratamentos direcionados à fonte de inflamação ou dano, com abordagem de exercícios baseada na tolerância à dor. Para dor neuropática, mobilizações neurodinâmicas específicas podem ser relevantes, além do manejo da lesão nervosa subjacente.
Já para dor nociplástica, a ênfase recai em estratégias que reduzam a sensibilização central, incluindo abordagens cognitivo-comportamentais, atividade física gradual baseada no tempo (não na dor) e intervenções psicologicamente informadas.
A educação do paciente também muda conforme o fenótipo. Quem tem dor nociceptiva precisa entender a origem do dano tecidual. Quem tem dor neuropática deve compreender tanto a lesão nervosa quanto os mecanismos de sensibilização central. Para quem tem dor nociplástica, é fundamental explicar que o tecido não é o principal driver da dor — o sistema nervoso está processando sinais de forma amplificada.
Essa explicação, quando bem feita, pode reduzir a ansiedade e o catastrofismo, comuns nesse grupo.
Os autores reconhecem limitações importantes. Os critérios de nociplástica ainda estão em fase de validação e testes de confiabilidade. A evidência de que tratamentos direcionados ao fenótipo são superiores a abordagens tradicionais ainda é escassa, especialmente para intervenções não farmacológicas. A implementação clínica é complexa e exige treinamento.
Além disso, muitos pacientes apresentam dor mista, com características de mais de um tipo, o que complica a classificação.
A aplicabilidade é ampla: teoricamente, qualquer pessoa com dor pode ser fenotipada, mas o método é mais relevante para dor crônica acima de três meses, especialmente quando há suspeita de componentes neuropáticos ou nociplásticos. Condições como dor temporomandibular, dor no ombro, joelho ou quadril, tendinopatias, cefaleias, dor pós-cirúrgica e dor pélvica na gestação podem ser avaliadas sob essa ótica.
Para pacientes, a mensagem principal é que a dor crônica não é uma condição única e homogênea. Exigir uma avaliação que vá além de "você tem dor" para identificar "que tipo de dor você tem" pode abrir caminho para tratamentos mais personalizados e, potencialmente, mais eficazes. No entanto, é importante manter expectativas realistas: a fenotipagem é uma ferramenta em desenvolvimento, não uma solução mágica, e funciona melhor quando integrada a uma avaliação biopsicossocial completa.
Tipos de dor identificados
Critério temporal mínimo
Condições aplicáveis
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
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