n de participantes
88
tamanho da amostra, sendo 83% do sexo feminino
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
International Journal of Nursing Studies
Ano
2005
Autores
Dysvik et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo mostra que viver com dor crônica vai muito além da dor física - afeta principalmente a vida familiar e social. A forma como você enxerga seus problemas faz diferença: quem vê as dificuldades como desafios a superar tende a usar estratégias mais ativas e eficazes. Já quem vê tudo como ameaça pode ficar mais deprimido e usar estratégias menos eficazes. Isso significa que trabalhar a mentalidade e o humor pode ser tão importante quanto tratar a dor em si.
Título original do estudo: Coping with chronic pain
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A forma como pacientes com dor crônica avaliam seus problemas — como ameaça ou como desafio — parece influenciar mais seu padrão de enfrentamento do que a própria intensidade da dor, sugerindo que intervenções psicológicas direcionadas podem complementar o tra
Este estudo mostra que viver com dor crônica vai muito além da dor física - afeta principalmente a vida familiar e social. A forma como você enxerga seus problemas faz diferença: quem vê as dificuldades como desafios a superar tende a usar estratégias mais ativas e eficazes. Já quem vê tudo como ameaça pode ficar mais deprimido e usar estratégias menos eficazes. Isso significa que trabalhar a mentalidade e o humor pode ser tão importante quanto tratar a dor em si.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Este estudo norueguês mostrou que, para quem vive com dor crônica, as dificuldades familiares e sociais frequentemente pesam mais que a própria dor física. E a chave para estratégi
Ponto 1
Quem vê dificuldades como desafios tende a usar estratégias mais ativas de enfrentamento
Ponto 2
Depressão e baixa autoestima se associam a padrões mais passivos, mas podem ser trabalhadas
Ponto 3
Tratar a dor crônica pode exigir atenção à vida emocional e social, não apenas ao corpo
O que este estudo acrescenta
Este estudo destacou que a maioria dos estressores de pacientes com dor crônica está fora do corpo — na família e nas relações sociais — ampliando a visão de que o manejo da dor deve transcender o tratamento físico.
Aplicabilidade clínica
O estudo oferece insights teóricos importantes sobre mecanismos psicológicos na dor crônica, mas como é transversal, observacional e sem intervenção, não estabelece causalidade nem eficácia de tratamentos. Sua relevância
Força do desenho do estudo
Este tipo de estudo descreve associações em um único momento, mas não consegue estabelecer se uma coisa causa a outra, nem testar se uma intervenção funciona.
n de participantes
88
tamanho da amostra, sendo 83% do sexo feminino
estressores familiares/sociais
53%
proporção que tinha como principal estressor da semana questões fora da própria saúde
estressores de saúde
38%
proporção que identificou a própria dor/saúde como principal estressor
com sinais de depressão
35%
escore acima do ponto de corte na escala de Zung
duração média da dor
22%
porcentagem da vida total com diagnóstico de dor
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor crônica não maligna há mais de 6 meses
Tipo de estudo
Estudo transversal observacional
Participantes
88 pacientes (73 mulheres, 15 homens), idade média 46 anos, em programa multidis
Duração
Avaliação única no momento pré-tratamento
Sessões
Não aplicável — estudo observacional sem intervenção
Comparador
Não aplicável — estudo descritivo correlacional
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Não aplicável
Não aplicável
Não aplicável
Avaliação com questionários validados: Ways of Coping Checklist-Revised, Escala de Depressão de Zung, Escala de Autoestima de Rosenberg, Escala Visual Analógica para dor
Não aplicável
Estudo puramente observacional — nenhuma intervenção foi testada ou comparada. Os dados foram coletados como parte de avaliação de rotina antes do início do programa de reabilitaçã
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Compreensão dos padrões de enfrentamento
esclarecido
O estudo mapeou que avaliar situações como desafio prediz uso de estratégias ativas, enquanto avaliar como ameaça prediz estratégias emocionais passivas
Visibilidade dos estressores não-dor
ampliada
53% dos pacientes tinham como principal estressor questões familiares/sociais, não a própria dor, revelando a dimensão social da experiência
Entendimento das conexões psicológicas
melhorado
Depressão e baixa autoestima mostraram-se ligadas ao enfrentamento focado na emoção, sugerindo alvos para intervenção
O que não mudou
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Este estudo sugere que refletir sobre como você avalia suas dificuldades — como ameaças ou como desafios — pode ajudar a identificar caminhos para estratégias mais ativas de manejo da dor, em conjunto com seu tratamento médico.
Tempo provável
Não aplicável — estudo observacional sem acompanhamento longitudinal ou intervenção
O estudo não prova que mudar sua avaliação cognitiva melhora os resultados; apenas mostra associações que merecem ser testadas em pesquisas futuras com interven
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
A dor crônica é apenas um problema médico que precisa de mais remédios ou cirurgias
Achado
Para a maioria dos pacientes neste estudo, os principais estressores eram familiares e sociais, não a própria dor, sugerindo que o manejo precisa ser mais amplo
Mito
Quanto mais intensa a dor, mais provável que a pessoa use estratégias passivas de enfrentamento
Achado
A intensidade da dor não predisse o tipo de coping usado — a forma como a pessoa avalia a situação foi mais importante que a dor em si
Mito
Pessoas com dor crônica que parecem 'desistir' simplesmente não querem se esforçar
Achado
Avaliar situações como ameaça, estar deprimido e ter baixa autoestima formaram um padrão associado a enfrentamento emocional — fatores que podem ser trabalhados, não falta de vontade
Mito
O importante é apenas tratar a dor física; o resto se resolve sozinho
Achado
O estudo indica que trabalhar a mentalidade, o humor e a autoimagem pode ser tão relevante quanto o manejo da dor, pois esses fatores se entrelaçam no enfrentamento
Como isso pode funcionar
ESTRESSOR
Situações difíceis surgem — que podem ser relacionadas à dor, família, trabalho ou vida social
AVALIAÇÃO (provável mecanismo central)
A pessoa interpreta a situação como desafio (foco em crescimento) ou como ameaça (foco em perda) — esta avaliação parece moldar o que vem a seguir
CAMINHO ATIVO
Se avaliado como desafio: tendência ao enfrentamento focado no problema, com ações direcionadas a gerenciar a situação — associado a melhor adaptação em estudos anteriores
CAMINHO PASSIVO
Se avaliado como ameaça, especialmente com depressão e baixa autoestima: tendência ao enfrentamento focado na emoção, tentando apenas reduzir a angústia — associado a maior dificuldade de adaptação
O que ainda é incerto
Investigar como pacientes com dor crônica avaliam situações estressantes e quais estratégias usam para lidar com elas
88 pessoas com dor crônica há mais de 6 meses, em programa de reabilitação multidisciplinar
Avaliação de estratégias de enfrentamento, depressão, autoestima e intensidade da dor através de questionários validados
Pacientes que veem problemas como desafio usam estratégias ativas; quem vê como ameaça usa estratégias passivas
Estudo apenas observacional, sem intervenções - apenas aplicação de questionários
Achados Interessantes
O ESTRESSOR INVISÍVEL
A descoberta de que a maioria dos pacientes (53%) tinha como principal estressor da semana problemas familiares e sociais, não a própria dor — deslocando o foco do corpo para o contexto de vida
A MENTALIDADE SOBRE A DOR
A intensidade e duração da dor não predisseram o tipo de coping; quem importou foi a avaliação cognitiva — desafio versus ameaça — sugerindo que intervenções psicológicas podem ter papel relevante
O TRIÂNGULO DA VULNERABILIDADE
Ameaça + depressão + baixa autoestima formaram um padrão associado a enfrentamento emocional passivo, identificando um perfil que pode precisar de atenção especial em programas de reabilitação
O QUE FALTA PROVAR
O estudo deixa claro que ainda não sabemos se treinar pessoas a reavaliarem ameaças como desafios de fato muda seus resultados — este é um convite para pesquisas futuras, não uma conclusão definitiva
Resumo detalhado em linguagem acessível
Viver com dor crônica representa uma experiência que transcende o desconforto físico, envolvendo múltiplas dimensões da vida pessoal, familiar e social. Para compreender melhor essa realidade complexa, pesquisadores noruegueses liderados por Elin Dysvik conduziram um estudo com 88 pacientes que buscavam tratamento em um programa multidisciplinar de manejo da dor. O trabalho, publicado em 2005 no International Journal of Nursing Studies, teve como objetivo central investigar como essas pessoas avaliam as situações estressantes de suas vidas e quais estratégias utilizam para lidar com elas, fundamentando-se no modelo teórico de stress e enfrentamento desenvolvido por Lazarus e Folkman em 1984.
O estudo adotou um desenho transversal, o que significa que todos os dados foram coletados em um único momento específico — durante a avaliação pré-tratamento de rotina dos pacientes. Os participantes eram adultos entre 18 e 67 anos, com dor crônica não maligna há mais de seis meses, que já haviam completado investigação médica e demonstrado motivação para participar de um programa de reabilitação ativo. A maioria era do sexo feminino (83%), com idade média de 46 anos, e a duração média da dor correspondia a 22% da vida total dos participantes — um dado que ilustra a natureza verdadeiramente prolongada e invasiva dessa condição.
Para capturar a complexidade da experiência vivida, os pesquisadores utilizaram uma bateria de questionários validados internacionalmente. O Ways of Coping Checklist-Revised avaliou as estratégias de enfrentamento, distinguindo entre o enfrentamento focado no problema — que engloba ações direcionadas a resolver ou gerenciar a situação de forma ativa — e o enfrentamento focado na emoção, que envolve tentativas de controlar a angústia emocional quando a situação é percebida como inalterável. A escala de depressão de Zung e a escala de autoestima de Rosenberg completaram a avaliação, permitindo explorar como o humor e a autoimagem se relacionavam com o modo de lidar com a dor. A intensidade da dor foi medida por uma escala visual analógica de 0 a 100, oferecendo uma medida contínua da experiência dolorosa.
Os resultados revelaram padrões que desafiam uma visão puramente biomédica da dor crônica. Apenas 38% dos participantes identificaram a própria saúde como seu principal estressor da semana anterior. A maioria, 53%, apontou problemas familiares e sociais como a fonte principal de stress — um achado que reforça a dimensão multidimensional da dor crônica e como ela irradia para todas as esferas da existência, afetando relacionamentos, dinâmicas familiares e participação social. Questões de trabalho ou estudos apareceram em apenas 9% dos relatos, sugerindo que, para essa população, os conflitos no ambiente laboral ou acadêmico eram secundários frente às demandas do convívio familiar e social.
Outro dado preocupante emergiu da análise: 35% dos participantes apresentavam escores compatíveis com depressão, evidenciando a sobrecarga emocional significativa que acompanha a vivência com dor persistente.
A análise estatística mais detalhada, conduzida por meio de regressão hierárquica em quatro etapas, trouxe insights ainda mais refinados sobre os mecanismos psicológicos envolvidos. Quando os pesquisadores investigaram quais fatores prediziam o uso de estratégias ativas de enfrentamento focado no problema, apenas um elemento se destacou de maneira estatisticamente significativa: a avaliação da situação como um desafio a ser superado, em vez de uma ameaça. Isso sugere que a mentalidade — a forma como interpretamos nossas dificuldades — pode ser mais determinante que a intensidade da dor, a duração do problema ou características demográficas para mobilizar recursos ativos de coping. Curiosamente, variáveis como idade, educação, sexo, estado civil, intensidade da dor e duração da dor não mostraram associação significativa com o enfrentamento focado no problema, reforçando o papel central da avaliação cognitiva.
Por outro lado, o enfrentamento focado na emoção foi predito por três fatores em conjunto: ver a situação como ameaça, apresentar sintomas depressivos e ter autoestima reduzida. Esses três elementos formaram um padrão coerente que os autores associam a maior dificuldade de adaptação e menor participação ativa na reabilitação. A análise mostrou que, após a inclusão dessas variáveis psicológicas, o modelo explicava 60% da variância no uso de estratégias emocionais, um valor considerável em pesquisas dessa natureza. A correlação entre depressão e autoestima foi forte (r = 0,69), indicando que esses construtos emocionais estão profundamente entrelaçados na experiência da dor crônica.
É fundamental interpretar esses achados com prudência e reconhecer as limitações do estudo. Por ser transversal, o desenho não permite estabelecer causalidade nem concluir se a depressão leva ao enfrentamento passivo ou se esse padrão de coping contribui para a manutenção da depressão — a relação provavelmente é bidirecional e dinâmica, com feedback mútuo ao longo do tempo. Além disso, a amostra foi recrutada em um único centro de reabilitação, com critérios de inclusão que exigiam motivação para tratamento ativo, o que pode não refletir a população mais ampla de pessoas com dor crônica, incluindo aquelas mais desengajadas ou com barreiras de acesso. A dependência exclusiva de autorrelatos também constitui uma limitação reconhecida pelos próprios autores, pois pode estar sujeita a vieses de memória, desejabilidade social e falta de insight sobre os próprios padrões de comportamento.
A heterogeneidade de conceitos e instrumentos na literatura sobre coping também dificulta comparações diretas com outros estudos.
Do ponto de vista prático e clínico, os resultados sugerem que intervenções que ajudem pacientes a reestruturar cognitivamente suas avaliações — transformando percepções de ameaça em percepções de desafio — podem ser tão relevantes quanto o manejo direto da dor. Os autores mencionam especificamente técnicas de reestruturação cognitiva, treinamento em relaxamento e programas de fortalecimento da autoestima como abordagens com potencial de promover mudanças benéficas. A ideia central é que, na ausência de cura ou alívio total da dor, reduzir níveis de stress e promover enfrentamento otimizado deve constituir um objetivo maior da reabilitação. A mensagem para pacientes é que a forma como encaramos nossos problemas não é fixa nem predeterminada: com apoio adequado, é possível desenvolver novas formas de avaliar e enfrentar as situações difíceis, o que pode abrir caminho para estratégias mais ativas e, potencialmente, para uma melhor qualidade de vida mesmo quando a dor persiste de maneira crônica.
Pacientes com dor crônica
88 pessoas
Avaliação pré-tratamento com questionários
Principais estressores relacionados à vida familiar e social
Estressores relacionados à própria saúde
Pacientes com sinais de depressão
Duração média da dor
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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