Estudo científico comentado

Diagnóstico e tratamento da dor no ombro na atenção básica

Referência acadêmica

Periódico

BMJ

Ano

2005

Autores

Mitchell et al.

Desenho

revisão clínica

Este estudo propõe uma forma mais prática de diagnosticar e tratar problemas no ombro, focando nas 4 causas mais comuns. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador incluindo analgésicos, orientações de autocuidado e fisioterapia. Injeções podem ajudar a curto prazo, mas o benefício é limitado.

Título original do estudo: Shoulder pain: diagnosis and management in primary care

📚revisão clínica🏥atenção básica💊evidência moderada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A maioria das dores no ombro melhora com tratamento conservador; injeções de corticoide oferecem apenas alívio temporário, e a fisioterapia pode reduzir a necessidade de consultas repetidas, mas a evidência de alta qualidade para intervenções comuns ainda é li

O que isso significa para você?

Este estudo propõe uma forma mais prática de diagnosticar e tratar problemas no ombro, focando nas 4 causas mais comuns. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador incluindo analgésicos, orientações de autocuidado e fisioterapia. Injeções podem ajudar a curto prazo, mas o benefício é limitado.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A dor no ombro é extremamente comum e geralmente tem boa evolução com tratamento conservador
  • 2Não se preocupe se o médico não pedir ressonância logo no início — isso faz parte de uma abordagem sensata e baseada em evidências
  • 3A participação ativa em exercícios e modificação de hábitos é tão importante quanto qualquer medicamento
  • 4Injeções podem ajudar momentaneamente, mas não espere que sejam a solução definitiva
  • 5Se a dor persistir além de 6 meses apesar das medidas iniciais, é hora de discutir encaminhamento especializado
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Quais atividades devo modificar e quais posso continuar fazendo?
  • 2Como saber se minha dor é do ombro propriamente dita ou vem do pescoço?
  • 3Quanto tempo devo persistir com o tratamento conservador antes de considerar outras opções?
  • 4Há sinais de alerta em meu caso que justifiquem investigação mais precoce?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O tratamento conservador é seguro, mas requer paciência e adesão às orientações
  • 2Injeções de corticoide são geralmente bem toleradas, mas seu benefício é limitado e a segurança de repetições frequentes não está bem estabelecida
  • 3A evidência de segurança para muitas intervenções comuns na dor no ombro é relativamente fraca devido a estudos pequenos e de seguimento limitado
  • 4Pacientes com diabetes devem ser monitorados de perto, pois o ombro congelado pode ter evolução mais prolongada e resposta diferente aos tratamentos

Leitura rápida para pacientes

Dor no ombro: a paciência é parte do tratamento

A maioria dos casos melhora sem cirurgia, com medidas simples e reabilitação gradual. Exames e injeções têm papel limitado no início.

Ponto 1

Analgésicos, orientações de atividade e exercícios são a base do tratamento inicial

Ponto 2

Injeções de corticoide aliviam temporariamente, mas o benefício é pequeno e passageiro

Ponto 3

Cirurgia é considerada apenas quando o tratamento conservador falha por meses

O que este estudo acrescenta

CLASSIFICAÇÃO SIMPLIFICADA

Este estudo consolidou uma abordagem de 4 categorias para diagnóstico na atenção primária, reduzindo a complexidade desnecessária e focando no que realmente muda o manejo inicial do paciente.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A revisão oferece uma estrutura prática valiosa para atenção primária, mas a evidência subjacente para intervenções específicas é de qualidade modesta, limitando a certeza sobre o tamanho dos efeitos.

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Síntese de múltiplos estudos por especialistas, útil para orientar prática, mas com menor rigor metodológico que uma revisão sistemática com meta-análise.

prevalência de dor no ombro na população

16-26%

um dos problemas musculoesqueléticos mais comuns

causas de manguito rotador na atenção primária

85%

a grande maioria dos casos de dor no ombro

pacientes com múltiplos diagnósticos

77%

reforça a necessidade de abordagem pragmática, não fragmentada

consultas anuais por dor no ombro

1%

dos adultos procuram médico de família por esse motivo a cada ano

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

dor no ombro e distúrbios do ombro na atenção primária

Tipo de estudo

revisão narrativa da literatura

Participantes

não aplicável — análise de estudos prévios sobre prevalência e tratamento

Duração

revisão de literatura até 2005, com seguimentos variados nos estudos primários

Sessões

variável conforme estudo primário analisado

Comparador

não aplicável — múltiplas comparações entre estudos

Grupos do estudo

não aplicável — revisão sem grupos experimentais

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

variável — fisioterapia tipicamente múltiplas sessões; injeções até 3 vezes

Frequência02

injeções em intervalos de 6 semanas; fisioterapia conforme programa individualiz

Duração da sessão03

não especificado de forma padronizada na revisão

Pontos / técnica04

injeção subacromial de corticoide até 10 ml; fisioterapia com exercícios supervisionados

Comparador05

cuidado usual, placebo, ou diferentes modalidades de fisioterapia entre estudos

Nota de protocolo06

injeção intra-articular guiada por fluoroscopia mostrou benefício em um estudo, mas com limitada generalizabilidade para atenção primária

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

pacientes com dor no ombro atendidos na atenção primáriaadultos de 35 a 75 anos com distúrbios do manguito rotadorpessoas de 40 a 65 anos com ombro congelado (capsulite adesiva)indivíduos com doença acromioclavicular (adolescência aos 50 anos)pacientes com dor referida do pescoçoestudos com intervenções conservadoras e cirúrgicas para dor no ombro

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

pacientes com sinais de alerta ('red flags') como tumor, infecção ou instabilidade traumática agudacrianças e adolescentes com doenças diferentes da acromioclavicular traumáticapacientes que já falharam em múltiplas tentativas de tratamento e foram encaminhados para ortopediaindivíduos com artrite reumatoide ou osteoartrite avançada em estágio terminal

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

necessidade de reconsultas médicas

reduziu

fisioterapia diminuiu retornos ao médico para distúrbios do manguito rotador

💊

dor aguda

melhorou marginalmente

injeções de corticoide deram alívio de curto prazo, mas benefício pequeno e temporário

🔄

funcionalidade do ombro

melhorou

exercícios supervisionados e retorno gradual às atividades contribuíram para recuperação funcional

🛌

qualidade do sono

melhorou

redução da dor noturna com tratamento conservador adequado

O que não mudou

  • evidência robusta de que fisioterapia isolada beneficia ombro congelado
  • consenso sobre critérios diagnósticos padronizados entre diferentes estudos
  • diferença clara entre injeção de corticoide e anestésico local em todos os desfechos
  • necessidade de cirurgia precoce para a maioria dos casos de dor no ombro

Quando a melhora apareceu

1

2 a 4 semanas

curto prazo com injeção de corticoide

alívio marginal da dor, mas sem diferença significativa comparado a anestésico local em alguns desfechos

2

durante o tratamento

redução de reconsultas com fisioterapia

pacientes em programa de fisioterapia precisaram menos retornos ao médico que aqueles com injeções isoladas

3

2 a 3 anos

evolução natural do ombro congelado

recuperação gradual, embora sintomas possam persistir mais tempo em diabéticos

Antes e depois

prevalência de diagnóstico único vs múltiplo

escala máx. 100 % com múltiplos diag

Antes23 % com múltiplos diag
Depois77 % com múltiplos diag

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • tratamento conservador é seguro e bem tolerado como primeira linha
  • injeções de corticoide são bem toleradas quando indicadas
  • exercícios graduados não apresentam riscos significativos
Amarelo
  • benefício das injeções é de curto prazo e marginal
  • repetição de injeções deve ser limitada a 3 vezes
  • fisioterapia em fase aguda muito dolorosa do ombro congelado pode ser contraproducente
Vermelho
  • evidência de segurança a longo prazo das injeções repetidas é insuficiente
  • não há dados robustos sobre efeitos de corticoide em presença de rasgo completo do manguito (teste do braço que cai positivo)
  • estudos primários são pequenos e com seguimento limitado, criando lacunas de segurança

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • adultos com dor no ombro de início gradual, relacionada a sobrecarga ou atividade repetitiva
  • pessoas com limitação de movimento ativo, mas preservação de movimento passivo (sugestivo de manguito rotador)
  • pacientes com sintomas de ombro congelado e restrição global dos movimentos
  • indivíduos motivados para participar de programa de exercícios e autocuidado
  • pacientes sem sinais de alerta ('red flags') que indicam doença grave

Mais cautela para extrapolar

  • pacientes com histórico de câncer, perda de peso inexplicada ou febre
  • indivíduos com trauma agudo grave, fraqueza significativa ou sinais neurológicos
  • pessoas com instabilidade articular recorrente ou luxação não reduzida
  • pacientes que já falharam em tratamento conservador por mais de 6 meses
  • diabéticos com ombro congelado que podem ter evolução mais prolongada e resposta diferente

Expectativa realista

Melhora gradual com tratamento conservador

A maioria dos pacientes experimenta redução da dor e recuperação funcional com analgésicos, orientações de atividade e exercícios. A recuperação completa pode levar semanas a meses, dependendo da condição específica.

Tempo provável

alívio inicial em 2-4 semanas com injeções; melhora funcional em 6-12 semanas com reabilitação; ombro congelado pode lev

A evidência para muitas intervenções comuns é relativamente fraca, e a resposta individual varia consideravelmente.

Checklist para consulta

  1. 1Descrever quando a dor começou, o que a piora e o que alivia
  2. 2Informar se há limitação para atividades específicas (vestir-se, dormir, trabalhar)
  3. 3Mencionar histórico de trauma, queda ou luxação prévia do ombro
  4. 4Perguntar sobre sintomas associados: dor no pescoço, formigamento, fraqueza
  5. 5Questionar sobre doenças prévias como diabetes, que afetam o prognóstico

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Dor no ombro sempre precisa de ressonância magnética para diagnóstico

Achado

Exames de imagem precoces raramente mudam o tratamento inicial e podem mostrar alterações que não causam sintomas

Mito

Injeção de corticoide cura a dor no ombro

Achado

O benefício é marginal e de curto prazo; em um estudo, anestésico local sozinho foi tão efetivo quanto corticoide combinado

Mito

Ombro congelado precisa de cirurgia para melhorar

Achado

A maioria dos casos evolui para recuperação espontânea em 2-3 anos; cirurgia é reservada para casos refratários

Mito

Rasgo no manguito rotador visto em exame exige cirurgia

Achado

Rasgos são comuns em pessoas sem sintomas; a decisão cirúrgica depende de sintomas e falha do tratamento conservador, não apenas do achado de imagem

Como isso pode funcionar

🔍

PASSO 1: Avaliação clínica pragmática

O médico classifica a dor em 4 categorias principais por meio da história e exame físico, sem depender inicialmente de exames complexos — mecanismo bem estabelecido na prática clínica

🛡️

PASSO 2: Tratamento conservador inicial

Analgésicos, modificação de atividades e orientações de autocuidado são a base; propõe-se que isso reduza a inflamação e permita a recuperação natural dos tecidos — mecanismo plausível, mas não completamente elucidado

🏋️

PASSO 3: Reabilitação ativa

Exercícios supervisionados visam restaurar a biomecânica do ombro e prevenir compensações que perpetuam a dor — efeito suportado por evidência moderada para distúrbios do manguito rotador

⚠️

PASSO 4: Reavaliação se necessário

Caso não haja melhora em 6 meses, ou se houver sinais de alerta, encaminhamento para avaliação especializada — abordagem consensual, embora a evidência de benefício do encaminhamento precoce seja limitada

O que ainda é incerto

  • ?A evidência de qualidade para fisioterapia e injeções de corticoide é relativamente fraca, com estudos pequenos e metodologicamente diversos
  • ?Não há consenso sobre critérios diagnósticos padronizados, dificultando a comparação entre estudos e a generalização dos resultados
  • ?O papel da cirurgia em comparação com tratamento conservador robusto ainda não está bem estabelecido para muitas condições
  • ?A influência de fatores psicossociais na cronicidade da dor no ombro é reconhecida, mas intervenções direcionadas a esses fatores não mostraram benefí
🎯

O que o estudo quis responder

propor abordagem baseada em evidências para diagnóstico e manejo de dor no ombro na atenção primária

👥

QUEM PARTICIPOU

revisão abrangente da literatura sobre distúrbios do ombro

🧪

COMO FOI FEITO

classificação simplificada em 4 causas principais: lesões de manguito, problemas articulares, articulação acromioclavicular e dor cervical referida

📈

O QUE MUDOU

fisioterapia reduz consultas médicas repetidas; injeções de corticosteroides têm benefício marginal a curto prazo

🛟

SEGURANÇA

tratamento conservador é a primeira linha, com injeções sendo bem toleradas quando indicadas

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

SIMPLICIDADE DIAGNÓSTICA

Em vez de dezenas de diagnósticos diferentes, os autores propuseram 4 categorias que cobrem a maioria dos casos na atenção primária, facilitando decisões rápidas sem perder a eficácia.

🧭

REAVALIAÇÃO DA FISIOTERAPIA

A revisão destacou que fisioterapia não apenas pode melhorar sintomas, mas também reduzir a dependência de consultas médicas repetidas — um benefício prático para o sistema de saúde e para o paciente.

📌

LIMITES DO CORTICOIDE

Um achado: em um estudo, anestésico local sozinho foi tão efetivo quanto corticoide combinado, questionando o valor agregado das injeções anti-inflamatórias tão comuns na prática.

🔬

IMAGEM NÃO É DESTINO

Rasgos do manguito rotador e outras alterações estruturais são frequentes em pessoas sem dor alguma, alertando contra a medicalização baseada apenas em achados de exames.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Diagnóstico e tratamento da dor no ombro na atenção básica

A dor no ombro representa uma das queixas mais frequentes na atenção primária de saúde, ficando atrás apenas dos problemas nas costas e no pescoço em termos de consultas relacionadas ao sistema musculoesquelético. Estudos populacionais indicam que entre 16% e 26% das pessoas relatam dor no ombro em algum momento da vida, e aproximadamente 1% dos adultos procura um médico de família a cada ano por causa desse sintoma. Apesar de sua elevada frequência, o manejo da dor no ombro apresenta desafios consideráveis tanto para médicos quanto para pacientes, principalmente porque diversas condições diferentes podem produzir sintomas muito semelhantes, dificultando o diagnóstico preciso e a escolha do tratamento mais adequado.

O artigo de Mitchell e colaboradores, publicado no British Medical Journal em 2005, constitui uma revisão narrativa abrangente da literatura médica, que sintetiza evidências de múltiplas fontes, incluindo revisões sistemáticas da Cochrane, avaliações de tecnologia em saúde e pesquisas primárias publicadas até aquele momento. Os autores não conduziram um novo experimento com pacientes, mas analisaram criticamente o conhecimento acumulado para propor uma classificação clínica mais acessível e prática para o cotidiano da atenção básica. A principal contribuição metodológica foi agrupar as numerosas causas de dor no ombro em quatro categorias principais: distúrbios do manguito rotador, problemas da articulação glenoumeral como o ombro congelado, doença da articulação acromioclavicular e dor referida originária do pescoço. Essa simplificação visa auxiliar médicos a tomar decisões mais rápidas e adequadas, evitando diagnósticos excessivamente detalhados que, na prática, não alterariam a conduta inicial.

Os resultados da análise revelam números expressivos e de grande relevância clínica. Lesões do manguito rotador, que englobam tendinopatia, bursite subacromial e síndrome do impingimento, representam a causa mais frequente, presente em 85% dos pacientes atendidos na atenção primária. Um dado importante é que 77% dos pacientes recebem mais de um diagnóstico simultaneamente, como tendinose associada a impingement, o que reforça a necessidade de uma abordagem pragmática e não fragmentada. Os autores também destacam que achados estruturais em exames de imagem, como rasgos do manguito rotador, são comuns mesmo em pessoas completamente assintomáticas, o que significa que a simples presença de uma alteração radiológica não determina, por si só, a necessidade de tratamento invasivo.

Quanto ao tratamento, a revisão traz conclusões que podem surpreender pacientes acostumados a esperar soluções imediatas e intervencionistas. A reabilitação com exercícios supervisionados mostrou reduzir a necessidade de consultas médicas repetidas para distúrbios do manguito rotador, sugerindo que a reabilitação ativa desempenha papel importante não apenas na melhora dos sintomas, mas também na autonomia do paciente. Já as injeções de corticosteroides, muito utilizadas na prática clínica, apresentam benefício apenas marginal e de curto prazo para a dor. Um estudo primário citado pelos autores encontrou resultados equivalentes entre injeção de anestésico local isolado e a combinação de corticoide com anestésico, questionando o valor agregado do medicamento anti-inflamatório.

Para o ombro congelado, a evidência de benefício da reabilitação isolada é fraca, embora a combinação de injeção intra-articular com exercícios possa ajudar nas fases iniciais mais dolorosas.

A segurança das intervenções é um aspecto bem estabelecido nesta revisão. O tratamento conservador constitui a primeira linha de manejo, sendo bem tolerado e associado a baixo risco de complicações. As injeções de corticosteroides, quando indicadas, são geralmente bem aceitas, embora devam ser aplicadas com critério e em número limitado de repetições. Não há evidências de que essas injeções sejam prejudiciais ou benéficas na presença de rasgo completo do manguito rotador, devendo ser evitadas quando o teste da queda do braço é positivo, que sugere lesão extensa.

A utilidade prática deste estudo para pacientes é significativa em múltiplos aspectos. Primeiramente, ele legitima a expectativa de que a maioria dos casos de dor no ombro deve ser tratada de forma conservadora, com analgésicos, orientações de autocuidado, modificação de atividades e, quando indicado, programa de exercícios. Em segundo lugar, ele alerta contra a medicalização excessiva: exames de imagem precoces podem aumentar a ansiedade e as remissões desnecessárias para especialistas, sem melhorar o desfecho clínico. Em terceiro lugar, estabelece critérios claros para quando a cirurgia deve ser considerada: falha do tratamento conservador por mais de seis meses, instabilidade articular significativa, ou sinais de alerta como infecção, tumor ou lesão neurológica.

Os autores são transparentes e cuidadosos ao discutir as limitações da evidência disponível. Muitos dos estudos revisados são pequenos, com métodos diversos e seguimento limitado no tempo. Não há consenso robusto sobre critérios diagnósticos padronizados, o que dificulta comparar resultados entre diferentes pesquisas. Além disso, a maioria das intervenções comuns na prática diária conta com evidência de qualidade relativamente fraca.

Isso não significa que esses tratamentos não funcionem, mas que ainda há muito a aprender sobre quais pacientes se beneficiam mais e em que momento da evolução da doença cada intervenção é mais apropriada.

A interpretação prudente desta revisão leva a algumas conclusões importantes. A dor no ombro geralmente melhora com medidas simples, mas exige paciência e participação ativa do paciente no processo de reabilitação. A busca por soluções rápidas ou invasivas nem sempre constitui a melhor estratégia. A comunicação aberta com o médico sobre expectativas, limitações funcionais e resposta aos tratamentos iniciais é fundamental para um manejo bem-sucedido.

Fatores como idade mais avançada, sexo feminino, sintomas graves ou recorrentes desde o início, e dor associada no pescoço indicam prognóstico menos favorável, devendo ser considerados na definição da conduta. Por outro lado, trauma leve ou uso excessivo antes do início da dor, apresentação precoce ao médico e início agudo dos sintomas estão associados a evolução mais favorável.

Para o paciente que busca compreender melhor sua condição, a mensagem central é de prudência ativa e confiança no processo de recuperação natural que a maioria dos quadros apresenta. A abordagem proposta por Mitchell e colaboradores oferece um mapa claro para navegar pelas incertezas do diagnóstico e do tratamento, sempre priorizando intervenções seguras, pouco invasivas e centradas na autonomia do indivíduo.

O que fortalece a leitura

  • 1abordagem prática para atenção básica
  • 2classificação simplificada facilita diagnóstico
  • 3baseado em evidências de múltiplos estudos
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1evidência para tratamentos comuns é relativamente fraca
  • 2falta consenso sobre critérios diagnósticos
  • 3estudos com seguimento limitado

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

pessoas avaliadas
divisão dos grupos

revisão narrativa

0 pessoas

análise de evidências sobre diagnóstico e tratamento

⏱️ Tempo de acompanhamento: revisão da literatura até 2005

📊 Resultados em números

16-26%

prevalência de dor no ombro

0%

lesões de manguito rotador

0%

múltiplos diagnósticos

Destaques percentuais

16-26%
prevalência de dor no ombro
85%
lesões de manguito rotador
77%
múltiplos diagnósticos

📊 Comparação de Resultados

📅 Linha do tempo da evidência

1990início dos estudos sobre prevalência de dor no ombro
2000primeiros consensos sobre lesões de manguito rotador
2003revisões sistemáticas sobre fisioterapia e injeções
2005proposta de classificação simplificada para atenção básica

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Conheça a equipe da clínica →

Acesse a fonte original

Continue lendo

Continue pesquisando

Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.

Agulhamento Seco vs. AcupunturaDor Cervical & Ombro
2021

Agulhamento seco traz alívio duradouro da dor no ombro, mostra estudo controlado

O que este estudo responde

Uma única sessão de agulhamento seco nos pontos-gatilho do trapézio reduziu significativamente a dor no ombro por pelo menos uma semana, com efeitos…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como agulhamento seco ativo (n=20) foi comparado a agulhamento superficial simulado sem atingir músculo em dor crônica no ombro com síndrome da…

Comparador

agulhamento superficial simulado sem atingir músculo

🔬 ensaio clínico randomizado👥 41 participantes alto impacto clínico

Força da evidência

85%

Pai et al.

PAIN Reports

Ver resumo
Dor Cervical & OmbroRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2008

Acupuntura em ponto único melhora função e dor no ombro quando associada à fisioterapia

O que este estudo responde

Acupuntura em ponto único na perna (Tiaokou) somada à fisioterapia melhorou função e dor no ombro em 6 pontos a mais que fisioterapia isolada, com…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura + fisioterapia (n=205) foi comparado a tens simulado (aparelho desligado com luz piscando) + mesma fisioterapia em síndrome do…

Comparador

TENS simulado (aparelho desligado com luz piscando) + mesma fisioterapia

🔬 Ensaio clínico randomizado👥 425 participantes Evidência de alta qualidade

Força da evidência

85%

Vas et al.

Rheumatology

Ver resumo
Dor Cervical & OmbroRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2017

Avanços no diagnóstico e tratamento da dor cervical

O que este estudo responde

A dor cervical é extremamente comum e geralmente autolimitada no curto prazo; entre as opções não cirúrgicas, o exercício tem o melhor respaldo…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como não aplicável (revisão de literatura) foi comparado a variável conforme estudo incluído (placebo, cuidado usual, outras intervenções ativas)…

Comparador

Variável conforme estudo incluído (placebo, cuidado usual, outras intervenções ativas)

📖 Revisão de Estado da Arte🌍 População Global Alto Impacto Clínico

Força da evidência

85%

Cohen et al.

BMJ

Ver resumo
Dor Cervical & OmbroRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2024

Acupuntura reduz dor e melhora função em distúrbios temporomandibulares

O que este estudo responde

Acupuntura real foi superior à simulada na redução da dor e melhora da função em pacientes com distúrbio temporomandibular, com benefícios que…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura real foi comparado a acupuntura simulada com dispositivo park sham não invasivo em distúrbio temporomandibular (dtm) com dor há…

Comparador

Acupuntura simulada com dispositivo Park sham não invasivo

🎯 ensaio clínico randomizado👥 60 participantes alto impacto clínico

Força da evidência

85%

Liu et al.

QJM: An International Journal of Medicine

Ver resumo