pacientes no estudo
1
relato de caso único, sem grupo controle
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
European Journal of Musculoskeletal Diseases
Ano
2021
Autores
Bonioli et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo mostra que uma matriz de colágeno pode substituir enxertos do céu da boca em cirurgias periodontais. A técnica demonstrou bons resultados estéticos e funcionais após 4 anos, oferecendo uma alternativa menos invasiva. Embora seja apenas um caso, os resultados sugerem que esta abordagem pode reduzir o desconforto do paciente mantendo a eficácia do tratamento.
Título original do estudo: Collagen Matrix for Soft Tissue Regeneration: Basic Principles and Case Report
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em um único caso acompanhado por quatro anos, a matriz de colágeno porcina manteve a convexidade gengival e a estética após extração e implante, sem necessidade de enxerto do palato, mas evidências mais robustas ainda são necessárias para confirmar essa aborda
Este estudo mostra que uma matriz de colágeno pode substituir enxertos do céu da boca em cirurgias periodontais. A técnica demonstrou bons resultados estéticos e funcionais após 4 anos, oferecendo uma alternativa menos invasiva. Embora seja apenas um caso, os resultados sugerem que esta abordagem pode reduzir o desconforto do paciente mantendo a eficácia do tratamento.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Um caso mostrou que colágeno porcino pode manter o volume e a beleza da gengiva por 4 anos após perder um dente
Ponto 1
Evita a cirurgia de retirada de enxerto do próprio palato
Ponto 2
Resultado estético mantido por 4 anos em um paciente
Ponto 3
Ainda é evidência preliminar — converse com seu dentista sobre sua situação
O que este estudo acrescenta
Este relato contribui com evidência de longo prazo (4 anos) para o uso de matriz de colágeno porcina como substituto do enxerto palatino em cirurgia periodontal estética, reduzindo a morbidade do paciente.
Aplicabilidade clínica
Para um relato de caso único, a relevância reside na demonstração de viabilidade técnica e na manutenção do resultado por 4 anos. A redução da morbidade do sítio doador é clinicamente significativa para a qualidade de vi
Força do desenho do estudo
Descreve a experiência de uma única pessoa, sendo o degrau mais inicial da evidência científica — útil para gerar hipóteses, mas insuficiente para estabelecer recomendações firmes.
pacientes no estudo
1
relato de caso único, sem grupo controle
tempo de acompanhamento
4 anos
longo prazo para um relato de caso em cirurgia de tecidos moles
dias para integração tecidual
10
segundo literatura referenciada (De Santis et al. , 2019)
dias para reabsorção completa
20
degradação enzimática total do material
redução de morbidade
100%
eliminação da necessidade de segundo sítio cirúrgico no palato
Ficha rápida do estudo
Condição
perda de volume de tecidos moles após extração dentária com necessidade de implante
Tipo de estudo
relato de caso
Participantes
1 homem adulto, saudável, com bom estado periodontal geral
Duração
4 anos de acompanhamento clínico e fotográfico
Sessões
1 procedimento cirúrgico combinado (extração, implante, GBR, matriz de colágeno)
Comparador
nenhum — ausência de grupo controle ou comparação direta com enxerto autógeno
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 cirurgia combinada
procedimento único com acompanhamentos periódicos
não especificado no artigo
técnica de envelope com retalho de espessura parcial, avanço coronal da gengiva, matriz de colágeno hidratada inserida no espaço submucoso; extensão para box technique quando neces
nenhum — estudo sem grupo controle
implante pós-extrativo sem carga imediata; regeneração óssea guiada associada; matriz de colágeno de origem porcina (CreosTM mucogain, Nobelbiocare)
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
convexidade do rebordo alveolar
melhorou
curvatura fisiológica bucal preservada, reproduzindo a anatomia radicular perdida
estética gengival
melhorou
cor do tecido regenerado bem camuflada em relação à gengiva circundante
volume tecidual
melhorou
aumento de tecidos moles sem necessidade de enxerto autógeno do palato
morbidade do sítio doador
reduziu
eliminação do desconforto, edema e sangramento associados à coleta palatina
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
10 dias
integração tecidual
a matriz de colágeno se integra aos tecidos conjuntivo e epitelial, segundo literatura referenciada
20 dias
reabsorção completa
o material é completamente degradado, deixando tecido nativo organizado
4 anos
estabilidade estética
manutenção da convexidade bucal e camuflagem de cor com tecidos adjacentes
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Em situações favoráveis, a gengiva pode manter volume e aparência natural por anos, sem a necessidade de uma segunda cirurgia no céu da boca para retirar enxerto.
Tempo provável
integração em cerca de 10 dias, reabsorção completa em 20 dias, com avaliação de longo prazo aos 4 anos neste caso
Resultados baseados em único relato; sua situação específica pode variar e requer avaliação individualizada com o cirurgião-dentista.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Matriz de colágeno substitui completamente o enxerto do palato em todos os casos
Achado
Neste caso específico funcionou bem, mas a literatura ainda debate em quais situações a equivalência é real; o enxerto autógeno permanece padrão-ouro para grandes volumes
Mito
O resultado com matriz de colágeno é imediato e permanente
Achado
Houve maturação tecidual com leve recessão ao longo de 4 anos; tecidos vivos continuam se remodelando
Mito
Como é natural, o colágeno porcino não tem riscos
Achado
O material é biocompatível, mas a literatura cita riscos teóricos como degradação rápida, custo elevado e possibilidade remota de transmissão de agentes infecciosos
Como isso pode funcionar
ARCABOUÇO
A matriz de colágeno atua como estrutura temporária — provavelmente um scaffold tridimensional — que mantém o espaço para crescimento tecidual
ATRAÇÃO CELULAR
O colágeno parece funcionar como fator quimiotático, atraindo fibroblastos e queratinócitos do próprio paciente para a área (mecanismo proposto, não diretamente observado neste caso)
NEOVASCULARIZAÇÃO
Estudos prévios sugerem que o material estimula a formação de novos vasos sanguíneos, nutrindo o tecido em regeneração
REABSORÇÃO PROGRAMADA
Em cerca de 20 dias, enzimas do próprio organismo degradam a matriz em oligopeptídeos e aminoácidos, sendo substituída por tecido conjuntivo nativo
O que ainda é incerto
avaliar o uso de matriz de colágeno como alternativa ao enxerto de palato para regeneração periodontal
homem com necessidade de reabilitação de incisivo lateral superior esquerdo
extração atraumática, implante pós-extrativo e aplicação de matriz de colágeno sem carregamento imediato
boa convexidade do lado bucal e manutenção do volume tecidual após 4 anos
procedimento bem tolerado sem complicações relatadas
Achados Interessantes
ESTABILIDADE A LONGO PRAZO
A manutenção da convexidade bucal por 4 anos com matriz de colágeno, documentada fotograficamente, é um achado relevante em um campo onde a maioria dos estudos tem seguimento mais curto
TÉCNICA DE BOX COMBINADA
A descrição da extensão da técnica de envelope para a box technique, usando duas porções de matriz simultaneamente, oferece uma opção cirúrgica para preservar tanto volume ósseo quanto tecidual
CAMUFLAGEM DE COR
A cor do tecido regenerado com matriz porcina se integrou tão bem à gengiva natural que não criou contraste estético — um detalhe importante para a zona do sorriso
Resumo detalhado em linguagem acessível
Quando um dente precisa ser extraído e substituído por um implante, a gengiva ao redor do local passa por transformações importantes que podem comprometer tanto a estética quanto a saúde bucal a longo prazo. Sem a raiz natural, o osso e os tecidos moles tendem a diminuir de volume, criando depressões na gengiva que dificultam a reabilitação protética. Tradicionalmente, os cirurgiões-dentistas recorriam a enxertos retirados do próprio céu da boca do paciente para repor esse volume perdido — uma técnica considerada padrão-ouro pela literatura especializada, mas que traz desconforto pós-operatório significativo, incluindo dor, risco de sangramento, edema, parestesia e maior tempo de recuperação. Desde os anos 1990, a medicina dentária vem explorando alternativas para reduzir essa morbidade, e entre elas as matrizes de colágeno de origem heteróloga — ou seja, provenientes de outras espécies, tipicamente porcina — têm ganhado espaço como substitutos promissores que poderiam simplificar o procedimento cirúrgico e melhorar a experiência do paciente.
O estudo de Bonioli e colaboradores, publicado em 2021 no European Journal of Musculoskeletal Diseases, documenta de forma detalhada a trajetória clínica de um homem que precisava reabilitar o incisivo lateral superior esquerdo, região altamente estética do sorriso. A situação inicial era desafiadora: o dente apresentava cáries radiculares extensas e fratura radicular, com perda óssea moderada ao seu redor visível tanto clinicamente quanto radiograficamente. Além do problema funcional evidente, havia uma preocupação estética marcante — uma pigmentação escura na gengiva comprometia significativamente a harmonia do sorriso do paciente. A equipe do Departamento de Cirurgia, Odontologia, Pediatria e Ginecologia da Universidade de Verona, na Itália, optou por uma abordagem combinada e minimamente invasiva: extração atraumática do dente comprometido, colocação de implante pós-extrativo sem carga imediata, regeneração óssea guiada para preservar o volume alveolar e, constituindo o foco principal do relato, o uso de uma matriz de colágeno comercializada como CreosTM mucogain para aumento dos tecidos moles em substituição ao enxerto autógeno de palato.
A técnica empregada foi a chamada "envelope", descrita de forma didática pelos autores. Nesta abordagem, prepara-se um retalho de espessura parcial no lado vestibular (bucal), cuidadosamente deslocado sem atingir o periósteo subjacente, estendendo-se além da linha mucogingival para garantir tensão zero na hora do fechamento — fator crítico para a vascularização e sobrevivência do tecido. A matriz de colágeno, previamente hidratada conforme as instruções do fabricante, é inserida nesse espaço criado e o retalho é avançado coronalmente, cobrindo completamente o material. Para situações mais complexas como a descrita no caso, onde havia necessidade simultânea de preservação do volume ósseo e dos tecidos moles, os autores utilizaram uma extensão dessa técnica — a "box technique".
Esta variante combina duas porções de matriz: uma triangular inserida no envelope vestibular para aumento de tecidos moles e outra retangular posicionada sobre o alvéolo na face oclusal, protegendo conjuntamente a cavidade de extração e promovendo a arquitetura gengival desejada. O que torna esse relato valioso para a literatura científica é o acompanhamento prolongado. O paciente foi seguido por quatro anos após o procedimento, período considerado robusto para uma intervenção de tecidos moles e raramente documentado em estudos sobre matrizes de colágeno. Ao final desse tempo, a gengiva regenerada manteve boa convexidade no lado bucal, reproduzindo de forma satisfatória a curvatura fisiológica que a raiz do dente original proporcionava — aspecto fundamental para a estética do sorriso e para a emergência protética natural do implante.
A cor do tecido novo se integrou harmoniosamente com a gengiva circundante, sem o contraste desagradável ou aparência artificial que alguns materiais sintéticos ou de origem heteróloga podem causar. Os autores registram com honestidade que houve uma maturação natural com leve recessão ao longo dos anos, fenômeno mais perceptível no incisivo central vizinho, mas enfatizam que a arquitetura geral do sorriso permaneceu preservada e esteticamente aceitável. Do ponto de vista biológico, o artigo discute extensamente as propriedades do colágeno que justificam seu comportamento favorável. O material funciona como um arcabouço tridimensional — um "scaffold" — que orienta a chegada, adesão e organização das células do próprio paciente.
Estudos prévios da mesma escola de Verona, citados pelos autores, demonstraram que matrizes semelhantes se integram aos tecidos conjuntivo e epitelial em cerca de dez dias e são completamente reabsorvidas em aproximadamente vinte dias. Durante esse período relativamente curto, o material parece exercer múltiplos efeitos benéficos: reduz a resposta inflamatória local, estimula de forma significativa a proliferação de fibroblastos e queratinócitos, e promove a neoangiogênese — a formação de novos vasos sanguíneos que nutrem a área em reconstrução. Os pesquisadores da Universidade de Verona denominaram esse processo de "mucus-neo-gênese", enfatizando que não se trata meramente de um preenchimento passivo, mas de uma verdadeira regeneração funcional com reorganização tecidual ativa. A discussão do artigo também contextualiza os achados dentro da literatura mais ampla.
Os autores reconhecem que os enxertos autógenos de palato permanecem como procedimentos de primeira escolha em 75-80% dos casos na prática clínica atual, dada sua comprovada eficácia a longo prazo. No entanto, destacam que as complicações associadas à coleta de tecido do palato — edema, sangramento, inchaço, parestesia, desconforto pós-operatório prolongado e maior tempo cirúrgico total — constituem fardo relevante para o paciente. Estudos comparativos prévios, como o ensaio clínico randomizado de Thoma e colaboradores em 2016, demonstraram que sítios tratados com membrana de colágeno xenogênico apresentavam maior queratinização já no quarto e oitavo dia pós-operatório comparados a sítios de controle com cicatrização espontânea, sugerindo benefícios nas fases iniciais de reparo tecidual. É fundamental que pacientes interessados nessa abordagem compreendam seus limites com clareza.
Este é, antes de mais nada, um relato de caso único — ou seja, descreve meticulosamente a experiência de uma única pessoa, sem grupo de comparação, sem randomização, sem mascaramento e sem análise estatística de significância. Não podemos afirmar com segurança que os resultados seriam idênticos em outros indivíduos com diferentes condições sistêmicas, hábitos de higiene, espessura de biotipo gengival ou extensão de defeitos teciduais. Tampouco podemos concluir que a matriz de colágeno supera ou iguala definitivamente o enxerto autógeno do palato em todas as situações clínicas, especialmente em defeitos mais extensos ou em pacientes fumantes. A literatura mais ampla, incluindo ensaios clínicos randomizados com maior poder estatístico, tem mostrado resultados encorajadores para as matrizes de colágeno, mas ainda há necessidade premente de mais pesquisas com seguimento prolongado e amostras maiores para consolidar essa abordagem como primeira escolua em todas as indicações de aumento de tecidos moles peri-implantares.
matriz de colágeno
1 pessoas
aplicação de matriz de colágeno CreosTM mucogain com técnica de envelope
manutenção da convexidade bucal
integração da matriz
reabsorção completa
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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