n de pacientes
15
tamanho total da amostra, todos completaram o estudo
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Frontiers in Human Neuroscience
Ano
2023
Autores
Zhang et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo mostra que ouvir música relaxante pode diminuir como o cérebro processa a dor em pessoas com dor muscular crônica. Usando um equipamento que mede a atividade cerebral, os pesquisadores viram que a música reduziu a ativação das áreas do cérebro responsáveis pela dor. Embora promissor, o estudo é pequeno e precisa ser confirmado em grupos maiores antes de ser usado como tratamento padrão.
Título original do estudo: A study based on functional near-infrared spectroscopy: Cortical responses to music interventions in patients with myofascial pain syndrome
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Música relaxante pode reduzir a ativação cerebral da dor e a percepção subjetiva em alguns pacientes com síndrome miofascial, mas os efeitos são variáveis e o estudo é pequeno demais para recomendação definitiva.
Este estudo mostra que ouvir música relaxante pode diminuir como o cérebro processa a dor em pessoas com dor muscular crônica. Usando um equipamento que mede a atividade cerebral, os pesquisadores viram que a música reduziu a ativação das áreas do cérebro responsáveis pela dor. Embora promissor, o estudo é pequeno e precisa ser confirmado em grupos maiores antes de ser usado como tratamento padrão.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo pequeno mostra que música relaxante reduziu ativação cerebral e percepção de dor em 6 de 10 pacientes com dor miofascial
Ponto 1
Efeito imediato durante a sessão, mas não funciona para todos
Ponto 2
Intervenção segura e sem custo, mas não substitui tratamento médico
Ponto 3
Fale com seu médico sobre incluir música como estratégia complementar
O que este estudo acrescenta
Este estudo foi pioneiro em usar espectroscopia de infravermelho próximo para demonstrar, de forma objetiva, como a música modula a resposta cerebral à dor em pacientes com síndrome miofascial.
Aplicabilidade clínica
O efeito foi significativo estatisticamente para 60% dos participantes, mas a amostra é muito pequena, a intervenção foi aguda e não há dados sobre impacto na qualidade de vida ou funcionalidade diária.
Força do desenho do estudo
Cada participante serviu como seu próprio controle, o que reduz variabilidade mas também limita a força da evidência comparada a ensaios randomizados com grupos paralelos.
n de pacientes
15
tamanho total da amostra, todos completaram o estudo
com redução significativa da dor
9 de 15
60% dos participantes com melhora mensurável
correlação dlPFC-aPFC
r=0,82
forte associação entre regiões pré-frontais durante a música
pressão aplicada
3,5 kg/cm²
força padronizada de compressão sobre pontos dolorosos
frequência da música
8-150 Hz
faixa de frequências da composição sintética utilizada
Ficha rápida do estudo
Condição
Síndrome da dor miofascial crônica
Tipo de estudo
Experimento auto-controlado (crossover)
Participantes
15 pacientes (9 mulheres, 6 homens), média de 38 anos
Duração
Duas sessões de 15 minutos com pausa de 15 minutos
Sessões
2 sessões por participante
Comparador
Auto-controle (mesmo participante sem música)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
2 sessões por participante
Sessão única em um dia, com 15 minutos de intervalo
Aproximadamente 15 minutos cada
Compressão vertical de 3-4 kg/cm² com o polegar sobre o ponto doloroso individual
Mesma pressão sem música (sessão anterior)
Música sintética relaxante com frequências 8-150 Hz e 50-70 dB, aplicada via fones de ouvido
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Ativação cerebral da dor
reduziu
Menor ativação no córtex pré-frontal dorsolateral (BA9) e outras regiões de interesse
Escore de dor (EVA)
reduziu
Valores significativamente menores na condição com música (p<0,05)
Conectividade cerebral excessiva
reduziu
Diminuição da conectividade funcional entre canais durante a música
Tensão muscular de evitação
reduziu
Menor ativação em áreas motoras associadas à resposta de fuga da dor
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Imediato, durante a aplicação da pressão
Durante a sessão com música
Redução da ativação cerebral e menores escores de dor na EVA comparados à sessão sem música
Antes e depois
Ativação BA9 (dlPFC)
escala máx. 1 β (ativ.)
Escore de dor (EVA estimado)
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Se a música funcionar para você, pode sentir uma redução modesta da intensidade da dor durante a exposição, com sensação de maior distanciamento emocional do desconforto
Tempo provável
Durante a sessão de 15 minutos; não há dados sobre efeito prolongado
Cerca de 40% das pessoas no estudo não tiveram benefício mensurável, e não se sabe se o efeito se mantém com o tempo
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Música cura a dor miofascial
Achado
A música reduziu a percepção da dor e a ativação cerebral em 60% dos participantes durante a sessão, mas não é cura e os efeitos não foram universais
Mito
Qualquer música funciona igualmente
Achado
O estudo usou uma única composição sintética específica; não há evidência de que outros tipos de música tenham o mesmo efeito neurobiológico
Mito
Se funciona no cérebro, funciona para todos
Achado
A resposta foi individual e variável, com 6 de 15 participantes não mostrando melhora significativa, sugerindo que fatores pessoais influenciam o resultado
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO SONORO
Música relaxante entra pelos canais auditivos — provavelmente ativando vias de processamento sensorial que competem com a atenção à dor
MODULAÇÃO PRÉ-FRONTAL
O córtex pré-frontal dorsolateral (BA9) mostra redução de ativação, possivelmente refletindo menor 'investimento' neural no processamento exclusivo da dor
REORGANIZAÇÃO DE REDE
A conectividade entre regiões cerebrais diminui, sugerindo que a música 'desacelera' a comunicação excessiva típica da resposta dolorosa crônica
RESULTADO PERCEBIDO
Menor ativação neural se traduz em menores escores de dor, possivelmente via distração atencional e redução da resposta emocional — mecanismo proposto, não definitivamente provado
O que ainda é incerto
Investigar se música relaxante reduz a resposta cerebral à dor em pacientes com síndrome miofascial
15 pessoas com síndrome de dor miofascial crônica (37 anos de idade média)
Aplicação de pressão dolorosa com e sem música (8-150Hz, 50-70dB) monitorando o cérebro com fNIRS
Música diminuiu ativação cerebral da dor e reduziu escores de dor em 9 de 15 participantes
Intervenção não-invasiva sem efeitos adversos relatados
Achados Interessantes
EVIDÊNCIA CEREBRAL OBJETIVA
Pela primeira vez em pacientes com dor miofascial, mostrou-se que a música não apenas 'distrai' subjetivamente, mas produz mudanças mensuráveis no oxigênio cerebral em áreas da dor
MAPA DE CONECTIVIDADE
A música não só reduziu ativação individual de regiões, como também 'desligou' parcialmente a hiperconectividade entre áreas cerebrais típica da resposta dolorosa
RESPOSTA DO MOTOR À DOR
O estudo revelou que áreas motoras também participam da resposta à dor miofascial, e que a música as modula — sugerindo relaxamento muscular como parte do mecanismo
PREDITOR INDIVIDUAL
A forte correlação entre pré-frontal dorsolateral e anterior (r=0,82) durante a música sugere um 'assinatura neural' que poderia, em estudos futuros, ajudar a prever quem responde melhor
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor crônica é uma das condições mais desafiadoras da medicina moderna, afetando mais de 300 milhões de pessoas apenas na China e crescendo a cada ano. Entre as suas manifestações, a síndrome da dor miofascial (SDM) se destaca como uma forma particularmente incômoda de dor musculoesquelética persistente, caracterizada por pontos sensíveis que, quando pressionados, reproduzem a dor característica. Para quem vive com essa condição, a busca por alívio muitas vezes envolve uma combinação de medicamentos, terapias físicas e mudanças no estilo de vida — mas nem sempre com o resultado desejado.
Neste cenário, uma pesquisa publicada em 2023 na revista Frontiers in Human Neuroscience trouxe uma perspectiva interessante: será que algo tão simples quanto ouvir música poderia ajudar o cérebro a processar a dor de forma diferente? O estudo, conduzido por Zhang e colaboradores, reuniu 15 pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome da dor miofascial, com idade média de 38 anos, que apresentavam dor em diferentes regiões do corpo — pescoço, ombros, costas e quadril. Todos eram adultos conscientes, sem comprometimentos cognitivos graves ou problemas auditivos que pudessem interferir na experiência.
A metodologia foi cuidadosamente desenhada como um experimento de auto-comparação, onde cada participante serviu como seu próprio controle. Em duas sessões distintas, com intervalo de 15 minutos entre elas, os voluntários foram submetidos a uma pressão controlada de aproximadamente 3,5 kg/cm² aplicada diretamente sobre seus pontos dolorosos característicos. Na primeira sessão, realizada sem música, a experiência era puramente a pressão dolorosa. Na segunda, a mesma pressão era aplicada, mas acompanhada por uma música sintética relaxante com frequências entre 8 e 150 Hz e volume de 50 a 70 decibéis — nível considerado confortável e semelhante ao de uma conversa tranquila.
Durante todo o procedimento, os pesquisadores utilizaram um equipamento chamado espectroscopia funcional de infravermelho próximo (fNIRS), que mede as variações de oxigênio no sangue do cérebro em tempo real. Essa tecnologia permite observar quais áreas cerebrais se ativam em resposta a estímulos, funcionando como uma espécie de "janela" não invasiva para a atividade neural. As regiões de interesse foram o córtex pré-frontal — responsável por integrar informações sensoriais e emocionais da dor — e áreas motoras associadas.
Os resultados revelaram padrões claros. Quando a música estava presente, a ativação cerebral em resposta à dor mostrou uma tendência clara de diminuição. Especificamente, no córtex pré-frontal dorsolateral (BA9), uma área crucial para atenção, memória de trabalho e modulação da experiência dolorosa, a ativação caiu de valores positivos para negativos, indicando não apenas redução, mas uma espécie de "inibição" da resposta ao estímulo doloroso. Nove dos 15 participantes — exatamente 60% da amostra — apresentaram redução estatisticamente significativa da dor quando a música estava presente, com valores-p menores que 0,05.
Além da redução da ativação individual das áreas cerebrais, os pesquisadores observaram outra mudança intrigante: a conectividade funcional entre canais cerebrais — ou seja, o grau de "comunicação" entre diferentes regiões — também diminuiu com a música. Isso sugere que a música não apenas "calma" áreas específicas, mas pode reorganizar de forma mais ampla como o cérebro processa e se conecta durante a experiência dolorosa. Uma correlação forte (r=0,82) foi encontrada entre o córtex pré-frontal dorsolateral e o córtex pré-frontal anterior, indicando que essas regiões trabalham de forma coordenada quando a música está presente.
Do ponto de vista subjetivo, os escores de dor na Escala Visual Analógica (EVA) também foram significativamente menores na condição com música, confirmando que as mudanças cerebrais se traduziam em percepção realmente diferente da dor pelos pacientes. Os pesquisadores propuseram que o mecanismo envolve distração atencional — a música desvia recursos cerebrais do processamento exclusivo da dor — além de possível modulação emocional, reduzindo ansiedade e tensão muscular associadas à experiência dolorosa.
É importante, porém, manter a prudência na interpretação. O estudo, embora inovador em combinar avaliação cerebral objetiva com medidas subjetivas de dor, apresenta limitações importantes. A amostra de apenas 15 participantes é pequena, o que limita a generalização dos achados. Apenas um tipo de música foi testado — uma composição sintética específica —, deixando em aberto se outros gêneros, tempos ou preferências pessoais produziriam efeitos similares.
Além disso, a intervenção foi aguda, ou seja, avaliou o efeito imediato durante a sessão, sem informar sobre benefícios prolongados ou cumulativos com o uso contínuo.
Para pacientes que convivem com dor miofascial crônica, os achados sugerem que incorporar música relaxante como estratégia complementar pode ter fundamento neurobiológico. Não se trata de substituir tratamentos médicos estabelecidos, mas de potencialmente enriquecer o arsenal de autocuidado. A beleza da intervenção está na sua simplicidade, baixo custo e ausência de efeitos colaterais relatados. No entanto, a resposta individual parece variar — cerca de 40% dos participantes não tiveram redução significativa —, reforçando que não existe solução única para todos.
A música, nesse contexto, emerge mais como uma ponte promissora entre mente e corpo do que como cura definitiva, convidando a novas pesquisas que explorem personalização, duração ideal e integração com outras terapias.
Sem música
15 pessoas
pressão dolorosa apenas
Com música
15 pessoas
pressão dolorosa com música relaxante
participantes com redução significativa da dor
redução da ativação cerebral
correlação entre dlPFC e aPFC
escores VAS menores com música
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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