Total de participantes
1. 046
pooled de 12 ensaios clínicos randomizados
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Physiotherapy
Ano
2020
Autores
Tomazoni et al.
Desenho
Revisão sistemática com meta-análise
Este grande estudo analisou 12 pesquisas sobre o uso de laser de baixa intensidade para dor nas costas. Os resultados mostraram que essa terapia não oferece benefícios clinicamente importantes quando comparada ao tratamento placebo. Embora a terapia seja segura, as evidências atuais não apoiam seu uso como tratamento principal para lombalgia inespecífica.
Título original do estudo: Photobiomodulation therapy does not decrease pain and disability in people with non-specific low back pain: a systematic review
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Fotobiomodulação (laser de baixa intensidade) não demonstra benefício clinicamente importante para dor ou incapacidade em lombalgia inespecífica quando comparada a placebo ou exercício, segundo a melhor evidência disponível em 2020.
Este grande estudo analisou 12 pesquisas sobre o uso de laser de baixa intensidade para dor nas costas. Os resultados mostraram que essa terapia não oferece benefícios clinicamente importantes quando comparada ao tratamento placebo. Embora a terapia seja segura, as evidências atuais não apoiam seu uso como tratamento principal para lombalgia inespecífica.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Grande revisão de 12 estudos mostra que fotobiomodulação não oferece benefício perceptível para dor ou incapacidade na lombalgia comum
Ponto 1
12 pesquisas, mais de mil pessoas: laser não superou placebo de forma clinicamente relevante
Ponto 2
Segurança parece boa, mas a eficácia para lombalgia não está comprovada
Ponto 3
Prefira tratamentos com evidência mais sólida, como exercícios e orientação sobre a condição
O que este estudo acrescenta
Esta foi a primeira revisão sistemática de alta qualidade após a padronização do termo 'fotobiomodulação' em 2015, excluindo terapias de luz não pertinentes (acupuntura a laser, laser de alta intensidade) e incluindo cin
Aplicabilidade clínica
As diferenças encontradas entre fotobiomodulação e placebo ficaram bem abaixo do limiar de 10 pontos em escala de 0-100 considerado minimamente clinicamente importante. Mesmo nos casos com maior efeito observado, a incer
Força do desenho do estudo
Este é o mais alto nível de evidência científica, pois sintetiza dados de múltiplos ensaios clínicos randomizados usando métodos rigorosos e transparentes.
Total de participantes
1. 046
pooled de 12 ensaios clínicos randomizados
Diferença na dor vs placebo
-3,95
pontos em escala 0-100 (IC 95%: -10,98 a 3,08), não clinicamente importante
Diferença na incapacidade vs placebo
-4,83
pontos em escala 0-100 (IC 95%: -10,29 a 0,64), não clinicamente importante
Estudos com baixo risco de viés
9 de 12
75% dos ensaios incluídos, mas falhas metodológicas comuns em todos
Estudos com dose adequada (WALT)
4 de 12
apenas 33% seguiram diretrizes de dosagem recomendadas
Ficha rápida do estudo
Condição
Lombalgia inespecífica aguda, subaguda ou crônica
Tipo de estudo
Revisão sistemática com meta-análise
Participantes
n=1. 046, adultos com dor lombar sem causa específica identificada
Duração
Curto prazo (4 semanas), médio prazo (6 meses) e longo prazo (1 ano)
Sessões
Variável: 1 a 20 sessões, predominantemente 10-12 sessões
Comparador
Placebo sham, exercício, ultrassom, terapia Tecar ou cuidado usual
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 a 20 sessões (maioria com 10-12 sessões)
2 a 5 vezes por semana
Altamente variável: de 1,5 a 2. 400 segundos por ponto
Aplicação direta na pele em modo contínuo na maioria dos estudos; alguns usaram modo de varredura ou combinação de técnicas
Placebo sham (aparelho desligado ou luz simulada), exercício, ultrassom, terapia Tecar ou nenhuma intervenção
Doses de energia por ponto variaram drasticamente de 0,06 a 31,2 joules. Apenas 4 dos 12 estudos usaram doses consideradas adequadas pelas diretrizes WALT. Muitos estudos não repor
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor aguda/subaguda vs placebo
sem melhora clara
Diferença de -7,00 pontos (IC 95%: -1,87 a 15,87), não clinicamente importante, baseada em um único estudo de baixa qualidade de evidência
Dor crônica vs placebo
sem melhora clara
Diferença de -3,95 pontos (IC 95%: -10,98 a 3,08), não clinicamente importante, baixa qualidade de evidência
Incapacidade crônica vs placebo
sem melhora clara
Diferença de -4,83 pontos (IC 95%: -10,29 a 0,64), não clinicamente importante, baixa qualidade de evidência
Dor crônica vs exercício
sem diferença clara
Diferença de -2,10 pontos (IC 95%: -18,71 a 14,52), muito imprecisa, qualidade de evidência muito baixa
Dor vs ultrassom
possível pequena vantagem
Diferença de -11,20 pontos a favor da fotobiomodulação, mas intervalo de confiança amplo (-20,92 a -1,48) com incerteza sobre relevância clínica
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Aproximadamente 4 semanas após randomização
Curto prazo
Momento primário de avaliação; não houve diferença clinicamente importante entre fotobiomodulação e placebo
Aproximadamente 6 meses
Médio prazo
Dados limitados; um estudo mostrou efeito pequeno e clinicamente não importante de fotobiomodulação como adjuvante ao exercício
Aproximadamente 1 ano
Longo prazo
Apenas dois estudos avaliaram este período; evidência insuficiente para conclusões
Antes e depois
Dor (escala 0-100) - Grupo fotobiomodulação
escala máx. 100 pontos
Dor (escala 0-100) - Grupo placebo
escala máx. 100 pontos
Incapacidade (escala 0-100) - Grupo fotobiomodulação
escala máx. 100 pontos
Incapacidade (escala 0-100) - Grupo placebo
escala máx. 100 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Com base na melhor evidência disponível, a fotobiomodulação provavelmente não produzirá redução perceptível da dor ou da incapacidade em comparação com um tratamento placebo ou com exercícios. Qualquer benefício, se existir, tende a ser peq
Tempo provável
Mesmo após 10 a 12 sessões ao longo de 4 a 6 semanas, não há garantia de melhora clinicamente importante
Esta conclusão pode mudar se futuros estudos com melhor metodologia e doses otimizadas demonstrarem resultados diferentes; atualmente, a evidência não apoia o u
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Laser de baixa intensidade é comprovadamente eficaz para dor nas costas porque algumas diretrizes o recomendam
Achado
A recomendação da American College of Physicians de 2017 baseava-se em apenas três estudos pequenos; esta revisão de 12 estudos concluiu que a evidência é insuficiente para apoiar o uso
Mito
Se a dose do laser for ajustada corretamente, o tratamento funciona para lombalgia
Achado
Mesmo analisando apenas estudos com doses consideradas adequadas pelas diretrizes WALT, não houve benefício clinicamente importante; doses mais altas mostraram resultados incertos
Mito
Fotobiomodulação como complemento ao exercício potencializa os resultados
Achado
A evidência de que laser adicionado a exercício supera o exercício sozinho é de muito baixa qualidade e muito imprecisa; não é possível afirmar que há potencialização real
Mito
Como é um tratamento natural com luz, não há riscos
Achado
Embora nove estudos não tenham relatado eventos adversos, três não avaliaram segurança, e a falta de padronização dos equipamentos gera incerteza sobre riscos em diferentes protocolos
Como isso pode funcionar
EMISSÃO DE LUZ
O dispositivo emite luz na faixa do visível ou infravermelho, em intensidades que não aquecem o tecido de forma perceptível
ABSORÇÃO CELULAR (HIPÓTESE)
A luz pode ser absorvida por fotoreceptores nas mitocôndrias, potencialmente estimulando o metabolismo celular — mas este mecanismo é proposto, não comprovado clinicamente para lombalgia
EFEITOS BIOLÓGICOS (EM ESTUDO)
Estudos de laboratório sugerem redução de inflamação e promoção de reparo tecidual, porém a tradução desses achados para benefício clínico em humanos com lombalgia não foi demonstrada nesta revisão
RESULTADO CLÍNICO
Apesar do mecanismo teórico, os ensaios clínicos não mostraram que esses processos celulares se traduzem em redução mensurável da dor ou incapacidade na prática
O que ainda é incerto
Avaliar os efeitos da terapia de fotobiomodulação (laser de baixa intensidade) na dor e incapacidade de pessoas com lombalgia inespecífica
1. 046 pessoas com lombalgia aguda, subaguda ou crônica em 12 estudos randomizados
Comparação da fototerapia contra placebo, outros tratamentos ou como terapia adicional ao exercício
Não houve diferença clinicamente importante na dor ou incapacidade em comparação com placebo
Nove estudos relataram ausência de eventos adversos com o tratamento
Achados Interessantes
PADRONIZAÇÃO TERMINOLÓGICA
Esta revisão foi pioneira em aplicar rigorosamente a definição de 'fotobiomodulação' de 2015, excluindo estudos de acupuntura a laser e laser de alta intensidade que contaminaram revisões anteriores
ANÁLISE POR DOSE
Pela primeira vez em revisão sistemática de lombalgia, os autores testaram se doses adequadas segundo diretrizes internacionais (WALT) mudariam o resultado — e descobriram que não
CONTEXTO DE DIRETRIZES
Os achados contradizem diretamente a recomendação da American College of Physicians de 2017, que baseou sua indicação de fotobiomodulação em apenas três estudos pequenos e limitados
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor lombar é uma das condições de saúde mais prevalentes no mundo, sendo a principal causa de anos vividos com incapacidade. Na grande maioria dos casos, não se identifica uma causa patológica específica, como fratura, infecção ou compressão nervosa, configurando o que se chama de lombalgia inespecífica. Diante dessa realidade, diversos tratamentos não farmacológicos são oferecidos, entre eles a fotobiomodulação, também conhecida como laser de baixa intensidade ou terapia a laser. Apesar de algumas diretrizes clínicas, como a do American College of Physicians, terem recomendado esse recurso para lombalgia crônica, a força dessa recomendação era sustentada por apenas três ensaios clínicos randomizados, o que motivou a realização desta revisão sistemática abrangente.
, compilou dados de 12 ensaios clínicos randomizados, totalizando 1. 046 participantes com lombalgia aguda, subaguda ou crônica. A metodologia seguiu rigorosamente as recomendações do Cochrane Handbook of Systematic Reviews. Dois revisores independentemente selecionaram os estudos, extraíram os dados e avaliaram a qualidade metodológica por meio da escala PEDro, que varia de 0 a 10 pontos.
A qualidade global da evidência foi classificada pelo sistema GRADE, que considera cinco fatores: risco de viés, inconsistência entre estudos, imprecisão, indireção e viés de publicação. A busca foi realizada em cinco bases de dados principais — MEDLINE, Embase, CENTRAL, CINAHL e PEDro — além de busca manual em listas de referências e literatura cinzenta, sem restrição de idioma. Os participantes dos estudos incluídos apresentavam lombalgia de diferentes durações: aguda em dois ensaios, crônica em 11 ensaios, e um ensaio incluiu amostra mista com dados apresentados separadamente. As intervenções de fotobiomodulação variaram consideravelmente: a maioria utilizou laser de baixa intensidade, um ensaio empregou laser Nd-YAG de 1.
060 nm e outro utilizou LEDs. A aplicação foi predominantemente em modo contínuo com contato direto na pele, embora alguns estudos tenham utilizado modo de varredura ou combinação de técnicas. A frequência de tratamento variou de duas a cinco vezes por semana, com número total de sessões entre seis e 20, sendo a maioria com 10 ou 12 sessões. Os comparadores investigados foram diversos: placebo (aparelho desligado ou com luz simulada), nenhum tratamento, exercícios terapêuticos, ultrassom, terapia Tecar e ainda a fotobiomodulação como terapia adicional ao exercício.
Os resultados foram analisados em três momentos: curto prazo (aproximadamente 4 semanas), médio prazo (6 meses) e longo prazo (1 ano). Os desfechos primários foram intensidade da dor, medida por escalas validadas como a Escala Numérica de Dor, e incapacidade, avaliada pelo Questionário de Incapacidade de Roland-Morris, pelo Índice de Incapacidade de Oswestry ou por outras medidas validadas. Os desfechos secundários incluíram melhora global, qualidade de vida, retorno ao trabalho e eventos adversos. A avaliação de risco de viés revelou pontuações PEDro variando de 2 a 9 pontos, com média de 6,6 pontos.
Embora todos os ensaios tenham realizado alocação randomizada, 75% não conduziram análise por intenção de tratar e 67% não ocultaram a alocação dos participantes. Além disso, terapeutas e participantes não foram cegados em 58% e 50% dos ensaios, respectivamente. Nove ensaios foram considerados de baixo risco de viés e três de alto risco. Os principais resultados foram consistentemente desanimadores para quem esperava benefícios claros da fotobiomodulação na lombalgia inespecífica.
Quando comparada diretamente com placebo, a terapia não produziu diferença clinicamente importante na intensidade da dor nem na incapacidade, tanto na lombalgia aguda ou subaguda quanto na crônica. Na escala de 0 a 100, a diferença média na dor foi de apenas -3,95 pontos, e na incapacidade, de -4,83 pontos — ambas substancialmente abaixo do limiar de 10 pontos considerado minimamente importante para o paciente. Em outras palavras, alguém que recebeu laser de verdade não sentiu melhora perceptivelmente maior do que quem recebeu o aparelho desligado. A qualidade da evidência para essas comparações foi classificada como baixa, devido à inconsistência e imprecisão dos resultados.
A análise de subgrupos investigou se o problema estaria em doses inadequadas de fotobiomodulação. Seguindo as recomendações da Associação Mundial de Terapia com Laser (WALT), apenas quatro dos 12 ensaios utilizaram doses consideradas adequadas: pelo menos 4 joules por ponto de tratamento com laser de 780 a 860 nm, ou pelo menos 1 joule por ponto com laser de 904 nm. No entanto, mesmo restringindo a análise a esses quatro ensaios, o resultado não se alterou: não houve benefício clinicamente relevante da fotobiomodulação comparada ao placebo. Curiosamente, alguns ensaios que utilizaram doses mais altas do que as recomendadas ou comprimentos de onda não previstos nas diretrizes mostraram efeitos maiores, mas os intervalos de confiança eram tão amplos que não permitiam conclusões seguras — o efeito verdadeiro poderia ser importante ou trivial.
Quando a fotobiomodulação foi usada como complemento ao exercício, os resultados também não foram convincentes. A combinação não mostrou vantagem clara sobre o exercício isolado, com estimativas muito imprecisas. Apenas uma comparação isolada — fotobiomodulação mais manipulação espinal mais exercício versus exercício sozinho — sugeriu benefício moderado, mas era impossível determinar quanto da melhoria se devia ao laser e quanto à manipulação, que não foi controlada separadamente. A qualidade da evidência para essa comparação foi considerada baixa, devido à inconsistência e imprecisão.
Em comparações com outras terapias ativas, a fotobiomodulação foi estimada como inferior à terapia Tecar para redução da dor e da incapacidade, com diferenças que atingiam marginalmente o limiar de relevância clínica. Em contraste, a fotobiomodulação foi estimada como superior ao ultrassom para dor e incapacidade, mas os intervalos de confiança demonstravam incerteza importante sobre se essas diferenças eram clinicamente relevantes ou triviais. Em termos de segurança, nove ensaios relataram ausência de eventos adversos com o tratamento, o que é tranquilizador. Contudo, três ensaios não mencionaram segurança de forma clara, deixando uma lacuna importante na avaliação do perfil de risco.
A heterogeneidade dos protocolos — com doses de energia variando de 0,06 a 31,2 joules por ponto, tempos de aplicação de 1,5 a 2. 400 segundos e potências de 4,2 a 500 mW — dificultou enormemente a interpretação conjunta dos resultados. Muitos estudos não descreveram adequadamente os parâmetros do laser, como tempo de tratamento, tamanho do ponto e potência média, o que limita a reprodutibilidade e a confiança nas conclusões. Em sete ensaios, esses parâmetros tiveram de ser recalculados pelos autores da revisão com base em informações disponíveis ou mediante contato direto com os pesquisadores originais.
Fototerapia
523 pessoas
Laser de baixa intensidade ou LED em diferentes protocolos
Controle
523 pessoas
Placebo, outras terapias ou exercícios sem fototerapia
Diferença na dor vs placebo (escala 0-100)
Diferença na incapacidade vs placebo
Estudos com baixo risco de viés
Qualidade da evidência
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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