Participantes que completaram
30
de 34 inicialmente recrutadas (4 desistiram por motivos pessoais)
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Frontiers in Pain Research
Ano
2024
Autores
Chiarle et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo mostra que a acupuntura pode ser uma opção segura e eficaz para mulheres com endometriose profunda que sofrem com dores intensas. O tratamento reduziu significativamente a dor menstrual e melhorou a capacidade das mulheres de realizar suas atividades diárias. Embora seja um estudo pequeno e não tenha grupo controle, os resultados são promissores e sugerem que a acupuntura pode complementar outros tratamentos para endometriose.
Título original do estudo: Acupuncture for pain and pain-related disability in deep infiltrating endometriosis
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em mulheres com endometriose infiltrativa profunda, 15 sessões de acupuntura ao longo de 6 meses reduziram pela metade a intensidade da dor menstrual e a limitação funcional, mas a ausência de grupo controle impede afirmar com certeza quanto disso se deve espe
Este estudo mostra que a acupuntura pode ser uma opção segura e eficaz para mulheres com endometriose profunda que sofrem com dores intensas. O tratamento reduziu significativamente a dor menstrual e melhorou a capacidade das mulheres de realizar suas atividades diárias. Embora seja um estudo pequeno e não tenha grupo controle, os resultados são promissores e sugerem que a acupuntura pode complementar outros tratamentos para endometriose.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo italiano com mulheres de endometriose profunda mostrou redução da dor menstrual pela metade e queda de 90% para 7% na limitação funcional, mas ainda faltam estudos maiores c
Ponto 1
15 sessões em 6 meses (semanal depois mensal) reduziram dor e limitação no dia a dia
Ponto 2
A melhora mais forte apareceu entre o 3º e 4º mês de tratamento
Ponto 3
Foi seguro, mas converse com seu ginecologista antes de começar
O que este estudo acrescenta
Diferente de estudos anteriores que incluíam todos os estágios de endometriose, este trabalho se concentrou especificamente na forma infiltrativa profunda — a mais dolorosa e de mais difícil tratamento — e avaliou dispar
Aplicabilidade clínica
A redução de incapacidade funcional de quase 90% para menos de 7% é clinicamente significativa e transformadora para o dia a dia. No entanto, a ausência de grupo controle e o viés de expectativa inerente a um estudo aber
Força do desenho do estudo
Este tipo de estudo mostra que algo pode funcionar em um grupo específico, mas não prova causa e efeito porque não compara com placebo ou tratamento padrão.
Participantes que completaram
30
de 34 inicialmente recrutadas (4 desistiram por motivos pessoais)
Redução da dor menstrual
57%
queda de 8,0 para 3,4 na escala 0-10
Queda na incapacidade funcional
81%
redução de 89,7% para 17% de mulheres com incapacidade moderada a severa
Redução no uso de analgésicos
52%
de 63% para 30% usando regularmente
Taxa de efeitos adversos
6,7%
apenas hematomas locais leves, nada grave
Ficha rápida do estudo
Condição
Endometriose infiltrativa profunda (DIE) com dor persistente
Tipo de estudo
Estudo piloto, aberto, sem grupo controle
Participantes
30 mulheres, média de 34 anos, com diagnóstico cirúrgico confirmado nos últimos
Duração
8 meses totais (2 meses de observação + 6 meses de tratamento)
Sessões
15 sessões (12 semanais + 3 mensais)
Comparador
Nenhum — comparação antes e depois no mesmo grupo
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
15 sessões totais
Semanal por 12 semanas, depois mensal por 3 meses
30 minutos por sessão
11 pontos fixos padronizados (LR3, SP6, LI4, SP8, SP10, PC6, CV6, CV3, ST29, BL32, EX22), bilateralmente exceto pontos do Vaso da Concepção; agulhas de 30mm x 0,3mm; manipulação ma
Nenhum — auto-comparação longitudinal
Protocolo baseado na teoria de estagnação de sangue e Qi na medicina tradicional chinesa; tratamento realizado por médicos com treinamento pós-graduado de 4 anos e pelo menos 5 ano
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Dor menstrual (dismenorreia)
reduziu
De 8,0 para 3,4 na escala 0-10; redução de 50% ou mais em 65% das mulheres
Dias de dor menstrual
reduziu
De 2,9 para 1,3 dias por mês; queda de 50% ou mais em 58,6% das participantes
Limitação funcional na menstruação
melhorou drasticamente
Incapacidade moderada a severa caiu de 89,7% para 17% em 3 meses, e para 6,9% em 4 meses
Uso de analgésicos
reduziu
Uso regular caiu de 63% para 30%; eficácia percebida dos remédios quando usados subiu de 29% para 65%
Dispareunia
reduziu
Intensidade caiu de 5,7 para 3,8; incapacidade moderada a severa de 73% para 37%
Dor pélvica não ciclica
reduziu
Intensidade de 6,3 para 4,4; incapacidade funcional de 83% para 33%
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
1 mês (sessão 4)
Dor menstrual
Redução da incapacidade funcional moderada a severa de 90% para 38%
1 mês (sessão 4)
Dor pélvica não ciclica
Queda estatisticamente significativa na intensidade da dor
3 a 4 meses (sessões 12 a 13)
Pico de benefício geral
Menores scores de dor em todos os sintomas; redução de 50% ou mais na dismenorreia para 65% das mulheres
2 meses (sessão 8)
Dispareunia
Início da redução consistente na intensidade da dor
Antes e depois
Intensidade da dor menstrual (0-10)
escala máx. 10 pontos
Incapacidade moderada a severa na menstruação
escala máx. 100 % das mulheres
Uso regular de analgésicos
escala máx. 100 % das mulheres
Dias de dor menstrual por mês
escala máx. 5 dias
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Redução da dor menstrual e da limitação no dia a dia, com possível diminuição da necessidade de analgésicos. A melhora mais expressa costuma aparecer entre o 3º e 4º mês de tratamento.
Tempo provável
Primeiros sinais de alívio em 1 a 2 meses; pico de benefício por volta de 3 a 4 meses
A melhora pode parcialmente regredir se a frequência de sessões cair muito cedo, e os benefícios após o término do tratamento não foram estudados
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Acupuntura cura a endometriose
Achado
O estudo avaliou apenas alívio de sintomas e limitação funcional; não houve avaliação de regressão das lesões ou cura anatômica
Mito
Funciona igualmente bem para todos os sintomas
Achado
A dismenorreia e a limitação funcional responderam melhor; a disquezia piorou levemente após redução da frequência das sessões
Mito
Basta algumas sessões para sentir o efeito máximo
Achado
A melhora mais significativa ocorreu entre o 3º e 4º mês, após 12 a 13 sessões; a redução para sessões mensais coincidiu com perda parcial do benefício
Mito
É seguro iniciar sem informar o ginecologista
Achado
O estudo foi conduzido em contexto hospitalar integrado à ginecologia; a coordenação com o médico assistente é essencial
Como isso pode funcionar
MODULAÇÃO DA DOR
A acupuntura pode elevar o limiar de dor ativando mecanismos analgésicos cerebrais — provavelmente através da liberação de opioides endógenos, embora isso tenha sido proposto com base em outros estudos, não diretamente d
INFLUÊNCIA HORMONAL E INFLAMATÓRIA
Estudos prévios sugerem que a acupuntura pode modular níveis de estrogênio e vias inflamatórias; neste estudo, a redução da CA 125 foi mencionada como possível marcador de modulação inflamatória, mas não foi medida diret
ESTAGNAÇÃO DE SANGUE E ENERGIA
Do ponto de vista da medicina tradicional chinesa, os pontos escolhidos visam mover o Qi e o sangue na região pélvica, eliminar umidade e calor patogênicos, e fortalecer o útero — esta é uma explicação teórica, não mecan
O que ainda é incerto
Avaliar se acupuntura reduz dor e limitações funcionais em mulheres com endometriose infiltrativa profunda
30 mulheres com endometriose profunda confirmada por cirurgia há até 24 meses
15 sessões de acupuntura padronizada ao longo de 6 meses usando 11 pontos específicos
Redução de 50% na intensidade da dor menstrual e 60% na limitação funcional
Apenas 2 mulheres tiveram hematomas locais, sem efeitos adversos graves
Achados Interessantes
FOCO NA FORMA MAIS GRAVE
Pela primeira vez, um estudo piloto dedicou-se exclusivamente à endometriose infiltrativa profunda — não misturando estágios leves e graves — e ainda assim encontrou resultados expressivos em uma população considerada de
DISQUEZIA E DISPAREUNIA FINALMENTE AVALIADAS
Enquanto a maioria dos estudos anteriores olhou apenas para dor menstrual, este incluiu dor durante a relação sexual e ao evacuar, sintomas que impactam profundamente a intimidade e a dignidade das mulheres.
MENOS REMÉDIOS, MELHOR EFEITO
Curiosamente, ao mesmo tempo em que o uso de analgésicos caiu pela metade, a eficácia percebida dos medicamentos quando usados quase triplicou — sugerindo que a acupuntura pode ter modificado a qualidade da resposta ao t
A FREQUÊNCIA IMPORTA
A mudança de sessões semanais para mensais coincidiu com leve piora dos sintomas, um achado prático que sugere que a 'fase de manutenção' precisa de atenção cuidadosa no planejamento do tratamento.
Resumo detalhado em linguagem acessível
Este estudo piloto prospectivo investigou os efeitos da acupuntura em mulheres com endometriose infiltrativa profunda (DIE), uma condição ginecológica complexa que causa dor crônica significativa e impacto na qualidade de vida. A endometriose profunda é caracterizada por lesões que se estendem mais de 5mm sob a superfície peritoneal, causando sintomas debilitantes como dismenorreia severa, dispareunia, dor pélvica crônica e disquezia. O tratamento convencional frequentemente inclui cirurgia e terapias hormonais, mas muitas pacientes continuam a experimentar dor significativa e limitações funcionais. A pesquisa envolveu 34 mulheres com idade média de 33,8 anos que tinham diagnóstico histológico confirmado de endometriose.
Após um período de observação de 2 meses para estabelecer linha de base, as participantes receberam 15 sessões de acupuntura ao longo de 6 meses, começando com tratamentos semanais por 12 semanas, seguidos por sessões mensais por 3 meses. O protocolo utilizou uma fórmula padronizada de acupuntura com 11 pontos específicos bilateralmente, selecionados com base nos princípios da Medicina Tradicional Chinesa para tratar estase de sangue e deficiência de Qi no abdome e útero. Os resultados mostraram melhora em múltiplas dimensões. A intensidade da dismenorreia diminuiu de 8,0 na linha de base para 3,4 no quarto mês de tratamento, representando uma redução de mais de 50%.
O número de dias de dismenorreia por ciclo menstrual também diminuiu significativamente de 2,9 para 1,28 dias. A dispareunia mostrou melhora constante, com intensidade reduzindo de 5,7 para 3,8, enquanto a dor pélvica não-cíclica diminuiu de 6,3 para 4,44. Igualmente importante foi a redução na incapacidade funcional relacionada aos sintomas. A porcentagem de mulheres com incapacidade moderada a severa relacionada à dismenorreia caiu de 89,7% na linha de base para apenas 6,9% no quarto e quinto meses de tratamento.
Para dispareunia, a incapacidade moderada a severa diminuiu de 73,7% para 36,9%, e para dor pélvica, de 83,3% para 33,3%. O uso de medicamentos analgésicos também diminuiu substancialmente. Enquanto 63% das pacientes relataram uso regular de anti-inflamatórios não esteroides na linha de base, este número caiu para 36,7% durante o tratamento. Mais importante, a eficácia percebida dos analgésicos aumentou de 29% para 65% das pacientes relatando alívio efetivo.
O estudo demonstrou excelente perfil de segurança, com apenas dois casos (6,7%) de hematoma no local de inserção da agulha, sem efeitos adversos graves. A taxa de resposta foi alta, com apenas 2 das 30 pacientes (6,7%) relatando não receber benefício do tratamento, muito abaixo da taxa típica de não-resposta de 20-30% observada na população geral para acupuntura. Os pontos de acupuntura foram selecionados estrategicamente para abordar os padrões energéticos subjacentes na endometriose segundo a medicina chinesa. Pontos como LR3 (Taichong) e SP6 (Sanyinjiao) foram incluídos para tratar estase de sangue e promover circulação, enquanto pontos como CV6 (Qihai) e CV3 (Zhongji) foram escolhidos para fortalecer o Qi e atuar especificamente no útero.
As limitações incluem o pequeno tamanho da amostra, típico de estudos piloto, a ausência de grupo controle placebo devido às dificuldades técnicas em criar controles válidos para acupuntura, e possível viés de seleção, já que parte das participantes procurou ativamente o tratamento com acupuntura. Apesar dessas limitações, os resultados fornecem evidência encorajadora de que a acupuntura pode ser uma intervenção valiosa para o manejo da dor relacionada à endometriose profunda, potencialmente oferecendo uma alternativa ou complemento aos tratamentos convencionais com menor perfil de efeitos adversos.
Grupo único
30 pessoas
15 sessões de acupuntura padronizada com 11 pontos específicos
Redução da dor menstrual
Melhora na limitação funcional
Redução nos dias de dor menstrual
Diminuição no uso de analgésicos
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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