Estudo científico comentado

Acupuntura reduz dor e limitações funcionais na endometriose profunda

Referência acadêmica

Periódico

Frontiers in Pain Research

Ano

2024

Autores

Chiarle et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo mostra que a acupuntura pode ser uma opção segura e eficaz para mulheres com endometriose profunda que sofrem com dores intensas. O tratamento reduziu significativamente a dor menstrual e melhorou a capacidade das mulheres de realizar suas atividades diárias. Embora seja um estudo pequeno e não tenha grupo controle, os resultados são promissores e sugerem que a acupuntura pode complementar outros tratamentos para endometriose.

Título original do estudo: Acupuncture for pain and pain-related disability in deep infiltrating endometriosis

🔬estudo piloto👥n=30 mulheresalto impacto clínico
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Em mulheres com endometriose infiltrativa profunda, 15 sessões de acupuntura ao longo de 6 meses reduziram pela metade a intensidade da dor menstrual e a limitação funcional, mas a ausência de grupo controle impede afirmar com certeza quanto disso se deve espe

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a acupuntura pode ser uma opção segura e eficaz para mulheres com endometriose profunda que sofrem com dores intensas. O tratamento reduziu significativamente a dor menstrual e melhorou a capacidade das mulheres de realizar suas atividades diárias. Embora seja um estudo pequeno e não tenha grupo controle, os resultados são promissores e sugerem que a acupuntura pode complementar outros tratamentos para endometriose.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A acupuntura mostrou-se uma opção promissora para complementar o tratamento da dor em endometriose profunda, especialmente para quem ainda sente dor após cirurgia.
  • 2O comprometimento com o número e a frequência de sessões parece importante: as primeiras 12 semanais foram cruciais, e reduzir muito cedo pode diminuir o benefício.
  • 3A melhora mais significativa foi na capacidade de realizar atividades diárias durante a menstruação — não apenas na dor em si, mas no quanto ela limita a vida.
  • 4A segurança foi boa neste estudo, mas qualquer decisão deve ser tomada em conjunto com o ginecologista, mantendo o acompanhamento médico regular.
  • 5Não se trata de cura: a endometriose permanece, mas os sintomas podem se tornar mais manejáveis.
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base no meu estágio e localização da endometriose, a acupuntura pode ser um complemento adequado ao meu tratamento atual?
  • 2Se eu iniciar a acupuntura, devo manter, reduzir ou ajustar meus medicamentos atuais — e como faremos essa transição com segurança?
  • 3Qual seria um plano realista de frequência de sessões para mim, considerando minha rotina, e como seria a fase de manutenção após os primeiros meses?
  • 4Como vamos medir se está funcionando — devo manter um diário de sintomas como no estudo?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Neste estudo, a acupuntura foi bem tolerada, com apenas 6,7% de hematomas locais leves e nenhum evento grave, mas a amostra foi pequena e o acompanhamento limitado a 6 meses.
  • 2A segurança em situações específicas — como gravidez, uso de anticoagulantes, ou certas condições de saúde — não foi abordada neste estudo e requer avaliação individualizada.
  • 3A acupuntura deve ser vista como complementar, não substituta do acompanhamento ginecológico regular e dos tratamentos convencionais indicados.
  • 4A escolha do profissional importa: no estudo, todos os tratamentos foram realizados por médicos com treinamento específico de 4 anos e experiência em ginecologia.

Leitura rápida para pacientes

Acupuntura pode aliviar dor e devolver qualidade de vida

Estudo italiano com mulheres de endometriose profunda mostrou redução da dor menstrual pela metade e queda de 90% para 7% na limitação funcional, mas ainda faltam estudos maiores c

Ponto 1

15 sessões em 6 meses (semanal depois mensal) reduziram dor e limitação no dia a dia

Ponto 2

A melhora mais forte apareceu entre o 3º e 4º mês de tratamento

Ponto 3

Foi seguro, mas converse com seu ginecologista antes de começar

O que este estudo acrescenta

FOCO NA ENDOMETRIOSE PROFUNDA

Diferente de estudos anteriores que incluíam todos os estágios de endometriose, este trabalho se concentrou especificamente na forma infiltrativa profunda — a mais dolorosa e de mais difícil tratamento — e avaliou dispar

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A redução de incapacidade funcional de quase 90% para menos de 7% é clinicamente significativa e transformadora para o dia a dia. No entanto, a ausência de grupo controle e o viés de expectativa inerente a um estudo aber

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este tipo de estudo mostra que algo pode funcionar em um grupo específico, mas não prova causa e efeito porque não compara com placebo ou tratamento padrão.

Participantes que completaram

30

de 34 inicialmente recrutadas (4 desistiram por motivos pessoais)

Redução da dor menstrual

57%

queda de 8,0 para 3,4 na escala 0-10

Queda na incapacidade funcional

81%

redução de 89,7% para 17% de mulheres com incapacidade moderada a severa

Redução no uso de analgésicos

52%

de 63% para 30% usando regularmente

Taxa de efeitos adversos

6,7%

apenas hematomas locais leves, nada grave

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Endometriose infiltrativa profunda (DIE) com dor persistente

Tipo de estudo

Estudo piloto, aberto, sem grupo controle

Participantes

30 mulheres, média de 34 anos, com diagnóstico cirúrgico confirmado nos últimos

Duração

8 meses totais (2 meses de observação + 6 meses de tratamento)

Sessões

15 sessões (12 semanais + 3 mensais)

Comparador

Nenhum — comparação antes e depois no mesmo grupo

Grupos do estudo

Grupo único: todas receberam acupuntura

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

15 sessões totais

Frequência02

Semanal por 12 semanas, depois mensal por 3 meses

Duração da sessão03

30 minutos por sessão

Pontos / técnica04

11 pontos fixos padronizados (LR3, SP6, LI4, SP8, SP10, PC6, CV6, CV3, ST29, BL32, EX22), bilateralmente exceto pontos do Vaso da Concepção; agulhas de 30mm x 0,3mm; manipulação ma

Comparador05

Nenhum — auto-comparação longitudinal

Nota de protocolo06

Protocolo baseado na teoria de estagnação de sangue e Qi na medicina tradicional chinesa; tratamento realizado por médicos com treinamento pós-graduado de 4 anos e pelo menos 5 ano

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Mulheres com diagnóstico histológico de endometriose infiltrativa profunda confirmado por cirurgia nos últimos 24 mesesPacientes com pelo menos um sintoma: dismenorreia, dor pélvica crônica não ciclica, dispareunia profunda ou disqueziaMulheres em idade reprodutiva (média de 34 anos, faixa de 19 a 46 anos)Pacientes que mantinham sintomas apesar de tratamento prévioA maioria havia passado por uma ou mais cirurgias prévias (40% uma cirurgia, 60% duas ou mais)Mulheres que concordaram em manter registro diário de sintomas por 8 meses

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Mulheres com endometriose assintomática ou dismenorreia primária (sem endometriose)Pacientes em tratamento profilático hormonal nos 6 meses anteriores ao estudoMulheres com outras causas de dor pélvica crônica, ginecológicas ou não ginecológicasPacientes com condições físicas ou mentais que pudessem interferir na participaçãoQuem buscava acupuntura exclusivamente para infertilidade, sem dor significativa

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Dor menstrual (dismenorreia)

reduziu

De 8,0 para 3,4 na escala 0-10; redução de 50% ou mais em 65% das mulheres

📅

Dias de dor menstrual

reduziu

De 2,9 para 1,3 dias por mês; queda de 50% ou mais em 58,6% das participantes

🚶‍♀️

Limitação funcional na menstruação

melhorou drasticamente

Incapacidade moderada a severa caiu de 89,7% para 17% em 3 meses, e para 6,9% em 4 meses

💊

Uso de analgésicos

reduziu

Uso regular caiu de 63% para 30%; eficácia percebida dos remédios quando usados subiu de 29% para 65%

💔

Dispareunia

reduziu

Intensidade caiu de 5,7 para 3,8; incapacidade moderada a severa de 73% para 37%

🏠

Dor pélvica não ciclica

reduziu

Intensidade de 6,3 para 4,4; incapacidade funcional de 83% para 33%

O que não mudou

  • A disquezia manteve tendência de piora após o pico de melhora no 3º mês, sugerindo que sessões mensais são insuficientes para esse sintoma
  • Não houve avaliação de alterações anatômicas ou no tamanho das lesões de endometriose
  • A qualidade de vida global não foi medida por instrumento padronizado específico, apenas limitação funcional
  • Não foi avaliado se a melhora se mantém após o término das 15 sessões

Quando a melhora apareceu

1

1 mês (sessão 4)

Dor menstrual

Redução da incapacidade funcional moderada a severa de 90% para 38%

2

1 mês (sessão 4)

Dor pélvica não ciclica

Queda estatisticamente significativa na intensidade da dor

3

3 a 4 meses (sessões 12 a 13)

Pico de benefício geral

Menores scores de dor em todos os sintomas; redução de 50% ou mais na dismenorreia para 65% das mulheres

4

2 meses (sessão 8)

Dispareunia

Início da redução consistente na intensidade da dor

Antes e depois

Intensidade da dor menstrual (0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes8 pontos
Depois3.4 pontos

Incapacidade moderada a severa na menstruação

escala máx. 100 % das mulheres

Antes89.7 % das mulheres
Depois17 % das mulheres

Uso regular de analgésicos

escala máx. 100 % das mulheres

Antes63 % das mulheres
Depois30 % das mulheres

Dias de dor menstrual por mês

escala máx. 5 dias

Antes2.9 dias
Depois1.3 dias

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Apenas 2 casos de hematoma local leve (6,7%), sem outros efeitos adversos
  • Nenhum evento adverso grave relatado em 30 mulheres ao longo de 6 meses
  • Taxa de não resposta baixa: apenas 6,7% não obtiveram benefício aparente
Amarelo
  • Hematomas podem ocorrer em qualquer sessão de acupuntura; informe o profissional sobre uso de anticoagulantes
  • A transição para sessões mensais coincidiu com leve piora de alguns sintomas, sugerindo que a frequência de manutenção importa
  • Quase metade das participantes buscou espontaneamente o tratamento, o que pode indicar maior adesão e expectativa positiva
Vermelho
  • Estudo não foi desenhado para detectar eventos raros de segurança
  • Não há dados sobre segurança em gestação, portanto não deve ser iniciada se houver possibilidade de gravidez sem discussão médica
  • Contraindicações específicas não foram detalhadamente exploradas nesta amostra pequena

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Mulheres com endometriose infiltrativa profunda confirmada cirurgicamente e sintomas persistentes de dor
  • Pacientes que já tentaram analgésicos e/ou terapia hormonal com resposta insuficiente
  • Quem busca complementar o tratamento convencional, não substituí-lo
  • Mulheres que conseguem comprometer-se com 12 sessões semanais iniciais e acompanhamento por 6 meses
  • Pacientes com dismenorreia e limitação funcional como sintomas predominantes

Mais cautela para extrapolar

  • Mulheres com endometriose leve ou assintomática, para quem não há evidência neste estudo
  • Pacientes que não podem realizar sessões frequentes nas primeiras 12 semanas
  • Quem espera cura da endometriose ou eliminação completa de todas as lesões — a acupuntura não modifica a anatomia da doença
  • Mulheres grávidas ou com possibilidade de gravidez iminente, sem orientação médica específica
  • Quem busca substituir completamente acompanhamento ginecológico ou tratamento hormonal prescrito

Expectativa realista

O que esperar realisticamente

Redução da dor menstrual e da limitação no dia a dia, com possível diminuição da necessidade de analgésicos. A melhora mais expressa costuma aparecer entre o 3º e 4º mês de tratamento.

Tempo provável

Primeiros sinais de alívio em 1 a 2 meses; pico de benefício por volta de 3 a 4 meses

A melhora pode parcialmente regredir se a frequência de sessões cair muito cedo, e os benefícios após o término do tratamento não foram estudados

Checklist para consulta

  1. 1Trazer o relatório cirúrgico com confirmação histológica de endometriose e estágio da doença
  2. 2Listar todos os medicamentos atualmente em uso, incluindo analgésicos, anti-inflamatórios e hormonais
  3. 3Anotar em um diário, por pelo menos 2 ciclos menstruais, a intensidade da dor (0 a 10) e quantos dias ela limitou suas atividades
  4. 4Perguntar sobre a experiência do profissional com acupuntura para distúrbios ginecológicos e o protocolo específico planejado
  5. 5Discutir se a acupuntura será complementar ou substitutiva em relação ao tratamento atual, e como será feita a transição

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Acupuntura cura a endometriose

Achado

O estudo avaliou apenas alívio de sintomas e limitação funcional; não houve avaliação de regressão das lesões ou cura anatômica

Mito

Funciona igualmente bem para todos os sintomas

Achado

A dismenorreia e a limitação funcional responderam melhor; a disquezia piorou levemente após redução da frequência das sessões

Mito

Basta algumas sessões para sentir o efeito máximo

Achado

A melhora mais significativa ocorreu entre o 3º e 4º mês, após 12 a 13 sessões; a redução para sessões mensais coincidiu com perda parcial do benefício

Mito

É seguro iniciar sem informar o ginecologista

Achado

O estudo foi conduzido em contexto hospitalar integrado à ginecologia; a coordenação com o médico assistente é essencial

Como isso pode funcionar

🧠

MODULAÇÃO DA DOR

A acupuntura pode elevar o limiar de dor ativando mecanismos analgésicos cerebrais — provavelmente através da liberação de opioides endógenos, embora isso tenha sido proposto com base em outros estudos, não diretamente d

⚖️

INFLUÊNCIA HORMONAL E INFLAMATÓRIA

Estudos prévios sugerem que a acupuntura pode modular níveis de estrogênio e vias inflamatórias; neste estudo, a redução da CA 125 foi mencionada como possível marcador de modulação inflamatória, mas não foi medida diret

🌀

ESTAGNAÇÃO DE SANGUE E ENERGIA

Do ponto de vista da medicina tradicional chinesa, os pontos escolhidos visam mover o Qi e o sangue na região pélvica, eliminar umidade e calor patogênicos, e fortalecer o útero — esta é uma explicação teórica, não mecan

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe quanto do benefício observado se deve à acupuntura em si, ao efeito placebo, à expectativa das pacientes ou à flutuação natural da doença,
  • ?É desconhecido se os benefícios se mantêm após o término das 15 sessões; a leve piora com sessões mensais sugere que a manutenção pode ser necessária
  • ?Não está claro se mulheres com diferentes localizações de endometriose profunda (reto, vagina, ligamentos) respondem igualmente, pois a análise não fo
  • ?O protocolo de 11 pontos fixos pode não ser o ideal para todas as pacientes; a individualização dos pontos não foi testada neste estudo
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se acupuntura reduz dor e limitações funcionais em mulheres com endometriose infiltrativa profunda

👥

QUEM PARTICIPOU

30 mulheres com endometriose profunda confirmada por cirurgia há até 24 meses

🧪

COMO FOI FEITO

15 sessões de acupuntura padronizada ao longo de 6 meses usando 11 pontos específicos

📈

O QUE MUDOU

Redução de 50% na intensidade da dor menstrual e 60% na limitação funcional

🛟

SEGURANÇA

Apenas 2 mulheres tiveram hematomas locais, sem efeitos adversos graves

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

FOCO NA FORMA MAIS GRAVE

Pela primeira vez, um estudo piloto dedicou-se exclusivamente à endometriose infiltrativa profunda — não misturando estágios leves e graves — e ainda assim encontrou resultados expressivos em uma população considerada de

🧭

DISQUEZIA E DISPAREUNIA FINALMENTE AVALIADAS

Enquanto a maioria dos estudos anteriores olhou apenas para dor menstrual, este incluiu dor durante a relação sexual e ao evacuar, sintomas que impactam profundamente a intimidade e a dignidade das mulheres.

📌

MENOS REMÉDIOS, MELHOR EFEITO

Curiosamente, ao mesmo tempo em que o uso de analgésicos caiu pela metade, a eficácia percebida dos medicamentos quando usados quase triplicou — sugerindo que a acupuntura pode ter modificado a qualidade da resposta ao t

⏱️

A FREQUÊNCIA IMPORTA

A mudança de sessões semanais para mensais coincidiu com leve piora dos sintomas, um achado prático que sugere que a 'fase de manutenção' precisa de atenção cuidadosa no planejamento do tratamento.

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Acupuntura reduz dor e limitações funcionais na endometriose profunda

Este estudo piloto prospectivo investigou os efeitos da acupuntura em mulheres com endometriose infiltrativa profunda (DIE), uma condição ginecológica complexa que causa dor crônica significativa e impacto na qualidade de vida. A endometriose profunda é caracterizada por lesões que se estendem mais de 5mm sob a superfície peritoneal, causando sintomas debilitantes como dismenorreia severa, dispareunia, dor pélvica crônica e disquezia. O tratamento convencional frequentemente inclui cirurgia e terapias hormonais, mas muitas pacientes continuam a experimentar dor significativa e limitações funcionais. A pesquisa envolveu 34 mulheres com idade média de 33,8 anos que tinham diagnóstico histológico confirmado de endometriose.

Após um período de observação de 2 meses para estabelecer linha de base, as participantes receberam 15 sessões de acupuntura ao longo de 6 meses, começando com tratamentos semanais por 12 semanas, seguidos por sessões mensais por 3 meses. O protocolo utilizou uma fórmula padronizada de acupuntura com 11 pontos específicos bilateralmente, selecionados com base nos princípios da Medicina Tradicional Chinesa para tratar estase de sangue e deficiência de Qi no abdome e útero. Os resultados mostraram melhora em múltiplas dimensões. A intensidade da dismenorreia diminuiu de 8,0 na linha de base para 3,4 no quarto mês de tratamento, representando uma redução de mais de 50%.

O número de dias de dismenorreia por ciclo menstrual também diminuiu significativamente de 2,9 para 1,28 dias. A dispareunia mostrou melhora constante, com intensidade reduzindo de 5,7 para 3,8, enquanto a dor pélvica não-cíclica diminuiu de 6,3 para 4,44. Igualmente importante foi a redução na incapacidade funcional relacionada aos sintomas. A porcentagem de mulheres com incapacidade moderada a severa relacionada à dismenorreia caiu de 89,7% na linha de base para apenas 6,9% no quarto e quinto meses de tratamento.

Para dispareunia, a incapacidade moderada a severa diminuiu de 73,7% para 36,9%, e para dor pélvica, de 83,3% para 33,3%. O uso de medicamentos analgésicos também diminuiu substancialmente. Enquanto 63% das pacientes relataram uso regular de anti-inflamatórios não esteroides na linha de base, este número caiu para 36,7% durante o tratamento. Mais importante, a eficácia percebida dos analgésicos aumentou de 29% para 65% das pacientes relatando alívio efetivo.

O estudo demonstrou excelente perfil de segurança, com apenas dois casos (6,7%) de hematoma no local de inserção da agulha, sem efeitos adversos graves. A taxa de resposta foi alta, com apenas 2 das 30 pacientes (6,7%) relatando não receber benefício do tratamento, muito abaixo da taxa típica de não-resposta de 20-30% observada na população geral para acupuntura. Os pontos de acupuntura foram selecionados estrategicamente para abordar os padrões energéticos subjacentes na endometriose segundo a medicina chinesa. Pontos como LR3 (Taichong) e SP6 (Sanyinjiao) foram incluídos para tratar estase de sangue e promover circulação, enquanto pontos como CV6 (Qihai) e CV3 (Zhongji) foram escolhidos para fortalecer o Qi e atuar especificamente no útero.

As limitações incluem o pequeno tamanho da amostra, típico de estudos piloto, a ausência de grupo controle placebo devido às dificuldades técnicas em criar controles válidos para acupuntura, e possível viés de seleção, já que parte das participantes procurou ativamente o tratamento com acupuntura. Apesar dessas limitações, os resultados fornecem evidência encorajadora de que a acupuntura pode ser uma intervenção valiosa para o manejo da dor relacionada à endometriose profunda, potencialmente oferecendo uma alternativa ou complemento aos tratamentos convencionais com menor perfil de efeitos adversos.

O que fortalece a leitura

  • 1Protocolo padronizado com pontos específicos
  • 2Seguimento detalhado por 6 meses
  • 3Avaliação de múltiplos sintomas e limitações funcionais
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Estudo pequeno com apenas 30 participantes
  • 2Ausência de grupo controle ou placebo
  • 3Possível viés de seleção em participantes motivadas

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

30pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Grupo único

30 pessoas

15 sessões de acupuntura padronizada com 11 pontos específicos

⏱️ Tempo de acompanhamento: 6 meses de tratamento

📊 Resultados em números

8.0 para 3.4

Redução da dor menstrual

89.7% para 17%

Melhora na limitação funcional

2.9 para 1.3 dias

Redução nos dias de dor menstrual

63% para 30%

Diminuição no uso de analgésicos

Destaques percentuais

89.7% para 17%
Melhora na limitação funcional
63% para 30%
Diminuição no uso de analgésicos

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor menstrual (escala 0-10)

Antes do tratamento
8
Após 4 meses
3.4

Limitação funcional moderada/grave (%)

Antes do tratamento
89.7
Após 3 meses
17

📅 Linha do tempo da evidência

2011Primeira revisão Cochrane sobre acupuntura na endometriose
2017Meta-análise confirma potencial da acupuntura para dor relacionada à endometriose
2023Revisão sistemática atualizada sobre acupuntura e moxabustão
2024Estudo piloto demonstra eficácia da acupuntura na endometriose profunda

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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