profissionais ouvidos
282
amostra final após limpeza de dados para análises bivariadas
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Bodywork & Movement Therapies
Ano
2024
Autores
Hotfiel et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo mostra que a termoterapia (aplicação de calor) é amplamente aceita e usada por profissionais de saúde europeus para tratar dores musculoesqueléticas. Os profissionais valorizam especialmente seu efeito relaxante muscular e perfil de segurança. É mais comumente usada para dor lombar e cervical. A termoterapia pode ser uma opção valiosa de autocuidado que você pode discutir com seu profissional de saúde.
Título original do estudo: Importance of heat therapy in the treatment of pain in the daily clinical practice
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A termoterapia é amplamente adotada por profissionais de saúde europeus como opção segura e útil, especialmente para lombalgia e dor cervical, embora as evidências diretas de eficácia deste estudo sejam limitadas por seu desenho de pesquisa de opinião.
Este estudo mostra que a termoterapia (aplicação de calor) é amplamente aceita e usada por profissionais de saúde europeus para tratar dores musculoesqueléticas. Os profissionais valorizam especialmente seu efeito relaxante muscular e perfil de segurança. É mais comumente usada para dor lombar e cervical. A termoterapia pode ser uma opção valiosa de autocuidado que você pode discutir com seu profissional de saúde.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Profissionais de saúde europeus usam e recomendam a termoterapia, especialmente para lombalgia e dor cervical. É segura, acessível e vale conversar sobre ela — mas funciona melhor
Ponto 1
Termoterapia é usada por 9 em cada 10 profissionais para lombalgia e 8 em cada 10 para dor cervical
Ponto 2
Principal atrativo: relaxamento muscular, segurança e melhora da circulação local
Ponto 3
Funciona melhor combinada com exercícios, postura e outras orientações — não como única solução
O que este estudo acrescenta
Esta é a primeira pesquisa de amplitude europeia a quantificar como profissionais de múltiplas especialidades utilizam a termoterapia na prática real, revelando padrões de uso antes apenas presumidos.
Aplicabilidade clínica
O estudo confirma aceitação profissional ampla e padrões de uso claros, mas como pesquisa de opinião sem desfechos clínicos diretos, não estabelece magnitude de efeito terapêutico em pacientes. Sua utilidade está em orie
Força do desenho do estudo
Este tipo de estudo mapeia o que profissionais pensam e fazem, mas não testa diretamente se um tratamento funciona em pacientes por meio de comparação controlada.
profissionais ouvidos
282
amostra final após limpeza de dados para análises bivariadas
usam termoterapia em lombalgia
92%
condição mais frequente para indicação de calor
recomendam termoterapia
86,5%
sempre ou em casos específicos, segundo os respondentes
uso médio na prática clínica
51%
média de casos em que profissionais recorrem ao calor exógeno
países europeus
5
Itália, Portugal, Espanha, Alemanha e Áustria
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor musculoesquelética (lombalgia, dor cervical, síndrome miofascial, osteoartrite)
Tipo de estudo
Pesquisa de opinião por questionário (método Delphi para consenso do instrumento
Participantes
282 profissionais de saúde de 5 países europeus, predominantemente com >10 anos
Duração
3 meses de coleta (novembro 2021 a janeiro 2022)
Sessões
Não aplicável — estudo transversal de práticas clínicas
Comparador
Análise comparativa entre grupos de profissionais e entre condições clínicas
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Não especificado — uso variável conforme prática individual
Não padronizado — média de uso em 51% dos casos atendidos
Não quantificado no estudo; referência a 'heat wraps' por várias horas em contex
Aplicação de calor exógeno (bolsas térmicas, adesivos, compressas) em região afetada
Outras modalidades não farmacológicas: exercício, terapia manual, eletroterapia, crioterapia
Termoterapia frequentemente combinada com outras terapias; uso mais comum em condições crônicas que agudas
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
relaxamento muscular
benefício mais valorizado
Efeito miorrelaxante foi o fator mais citado pelos profissionais (nota média 7,2/10) como razão para usar termoterapia
circulação local
benefício reconhecido
Melhora da perfusão tecidual foi citada com nota média 6,7/10 como vantagem da termoterapia
perfil de segurança
excelente tolerabilidade
Segurança foi destacada como um dos principais atrativos, com nota 6,9/10
alívio da dor
benefício percebido
Redução da dor foi citada com nota média 6,7/10 entre os profissionais
metabolismo local
benefício secundário
Aumento do metabolismo tecidual recebeu nota 6,3/10 de importância
O que não mudou
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
A termoterapia pode ajudar a relaxar musculaturas tensas, melhorar a sensação de bem-estar e complementar outras estratégias de manejo da dor. Não elimina a causa subjacente da dor musculoesquelética.
Tempo provável
O alívio costuma ser percebido durante ou logo após a aplicação, mas varia muito entre pessoas e condições
Este estudo mostra o que profissionais fazem e acreditam, não prova que a termoterapia funciona melhor que outras opções em ensaio controlado
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Termoterapia é apenas um 'chazinho de cadeira de balanço' sem fundamento científico
Achado
Profissionais europeus citam evidências científicas como segundo fator mais importante em sua decisão de usar calor, próximo à experiência clínica
Mito
Calor serve para qualquer tipo de dor nas costas ou pescoço
Achado
O uso é mais frequente em condições crônicas; profissionais são mais seletivos em casos agudos e consideram contraindicações
Mito
Só médicos recomendam termoterapia; outros profissionais não valorizam
Achado
Farmacêuticos e outros profissionais também recomendam amplamente (81% dos não-prescritores), embora médicos o façam em proporção ligeiramente maior
Mito
Termoterapia substitui outras formas de tratamento
Achado
86,5% dos profissionais a recomendam em combinação com outras terapias, não como tratamento isolado
Como isso pode funcionar
AQUECIMENTO TECIDUAL
O calor externo eleva a temperatura local da pele e tecidos subcutâneos — mecanismo fisiológico bem estabelecido, embora a profundidade efetiva varie conforme a técnica
VASCULARIZAÇÃO LOCAL
A vasodilatação induzida pelo calor aumenta o fluxo sanguíneo regional — efeito proposto e tradicionalmente aceito, que pode auxiliar na oxigenação tecidual
RELAXAMENTO MUSCULAR
A redução do tônus muscular é o benefício mais valorizado pelos profissionais — possivelmente mediada por efeitos nos fusos musculares e diminuição da atividade do sistema nervoso simpático, embora mecanismos completos a
O que ainda é incerto
Mapear como profissionais europeus usam termoterapia para dores musculoesqueléticas
282 profissionais de saúde de 5 países europeus
Questionário online baseado em consenso de especialistas
Termoterapia é usada em 50% dos casos, especialmente lombalgia
86,5% dos profissionais recomendam termoterapia
Achados Interessantes
LOMBALIA E CERVICAL LIDERAM
Embora a termoterapia seja popularmente associada a 'dor muscular' de forma genérica, o estudo revela concentração muito específica: 92% para lombalgia e 84% para dor cervical, com queda acentuada para outras condições c
EXPERIÊNCIA = EVIDÊNCIA
Profissionais atribuem peso quase idêntico à sua experiência clínica pessoal e às evidências científicas na decisão de usar calor — uma rara fotografia de como a prática real equilibra ciência e sabedoria clínica.
PRESCRITORES VS. NÃO PRESCRITORES
Médicos com poder de prescrição recomendam termoterapia 1,1 vez mais que outros profissionais — diferença estatisticamente significativa, mas pequena na prática, sugerindo consenso amplo além de barreiras profissionais.
A LACUNA DA DOSAGEM
O estudo mapeia quem usa e por quê, mas deixa exposto um vácuo crítico: não há consenso sobre temperatura ideal, tempo de aplicação ou frequência — informação essencial para transformar uso empírico em protocolo replicáv
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor musculoesquelética é uma das condições mais frequentes no mundo, afetando milhões de pessoas e representando uma das principais causas de incapacidade e perda de qualidade de vida. Entre as diversas abordagens disponíveis para seu manejo, a termoterapia — o uso de calor externo aplicado à região dolorida — surge como uma das opções mais tradicionais e acessíveis. No entanto, apesar de sua popularidade, faltava até pouco tempo atrás um mapeamento claro de como essa terapia é realmente utilizada na prática clínica europeia, especialmente considerando a variedade de profissionais que atendem pacientes com essas queixas. O estudo conduzido por Hotfiel e colaboradores, publicado em 2024 no Journal of Bodywork & Movement Therapies, buscou exatamente preencher essa lacuna, oferecendo o primeiro panorama abrangente do uso da termoterapia em cinco países europeus.
Para construir esse mapeamento, os pesquisadores reuniram uma comissão internacional de dez especialistas que, por meio de um método Delphi — técnica estruturada para alcançar consenso em grupos de especialistas — desenvolveu um questionário com 13 questões fechadas. O instrumento foi aplicado entre novembro de 2021 e janeiro de 2022, com a colaboração de dez sociedades científicas europeias, alcançando 282 profissionais de saúde com experiência direta no cuidado de pacientes. A amostra era predominantemente masculina, com idade média avançada e grande experiência profissional — mais de 70% tinham mais de dez anos de prática. A distribuição geográfica não foi homogênea: a Itália e Portugal concentraram a maioria dos respondentes, enquanto outros países tiveram representação menor.
Os resultados revelaram padrões interessantes sobre como a termoterapia se insere no arsenal terapêutico. Aproximadamente metade dos profissionais (média de 51% dos casos) recorre ao calor externo em sua prática clínica, com uso concentrado em duas condições: lombalgia, onde 92% dos profissionais indicam a termoterapia, e dor cervical, com 84% de indicação. Outras condições como síndrome miofascial (58%) e osteoartrite (39%) também se beneficiam, embora em menor escala. Uma descoberta relevante foi que a termoterapia é mais frequentemente recomendada para dores crônicas do que agudas — quando se compara o manejo da dor aguda versus crônica, o calor ganha maior destaque no cenário crônico, embora ainda seja utilizado em ambos.
As razões por trás dessa preferência são multifatoriais e revelam como os profissionais ponderam suas decisões. O efeito miorrelaxante foi citado como o principal benefício percebido, seguido pelo excelente perfil de segurança da técnica e pela melhora da perfusão tecidual. Curiosamente, os profissionais valorizam quase igualmente sua experiência clínica pessoal e as evidências científicas disponíveis na hora de escolher a termoterapia, o que sugere uma prática baseada tanto no conhecimento acadêmico quanto na sabedoria acumulada no consultório. Diretrizes clínicas e contraindicações também pesam na decisão, embora em menor grau.
Do ponto de vista da aceitação profissional, os números são expressivos: 86,5% dos respondentes recomendam o uso de termoterapia, seja sempre (20,6%) ou em casos específicos (65,9%). Apenas uma minoria expressa reserva ou não utiliza a técnica. A análise estatística não encontrou diferenças significativas relacionadas a gênero, idade ou anos de experiência, o que sugere que a adesão à termoterapia transcende perfis demográficos. Porém, profissionais com capacidade de prescrição médica — médicos de família, ortopedistas, especialistas em medicina esportiva e fisiatras — demonstraram taxa ligeiramente maior de recomendação comparados a não prescritores, como farmacêuticos e instrutores de exercício.
Para pacientes, o estudo oferece mensagens práticas importantes. Primeiro, confirma que a termoterapia é uma opção legítima e amplamente respaldada por profissionais de saúde europeus, especialmente para dores nas costas e no pescoço. Segundo, reforça que seu perfil de segurança é considerado excelente pelos próprios profissionais, o que a torna uma alternativa atraente para autocuidado — desde que utilizada de forma adequada. Terceiro, destaca que a termoterapia raramente é usada isoladamente: profissionais que a adotam tendem a recomendá-la em combinação com outras terapias, como exercícios, orientações posturais e técnicas de relaxamento.
Contudo, é fundamental manter a prudência na interpretação. O estudo possui limitações significativas que afetam sua generalização. O questionário não passou por validação prévia de confiabilidade, o que significa que não se sabe se os resultados seriam reproduzíveis em outro momento ou com outro grupo. A amostra pode conter viés de seleção, pois profissionais já favoráveis à termoterapia podem ter sido mais propensos a responder.
A distribuição desigual por países e a ausência de análises estatísticas mais robustas — como tamanhos de efeito e intervalos de confiança — reforçam a natureza exploratória da pesquisa. Além disso, o estudo não investigou diretamente a eficácia da termoterapia em ensaio controlado, mas sim as percepções e práticas dos profissionais.
Em síntese, este mapeamento posiciona a termoterapia como uma ferramenta consolidada no manejo da dor musculoesquelética na Europa, particularmente para condições lombares e cervicais. Para quem convive com essas dores, a mensagem é de esperança moderada: o calor é uma opção acessível, segura e profissionalmente reconhecida, que pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de cuidado. Ainda assim, como toda decisão terapêutica, seu uso deve ser discutido individualmente com um profissional de saúde, considerando as particularidades de cada caso, a presença de contraindicações pessoais e a necessidade de abordagem multimodal para dores mais complexas ou persistentes.
Prescritores médicos
156 pessoas
Médicos e especialistas que prescrevem medicamentos
Não prescritores
126 pessoas
Fisioterapeutas, farmacêuticos e outros profissionais
Uso em lombalgia
Uso em dor cervical
Profissionais que recomendam
Uso médio em casos
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor lombar · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor lombar há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
Acesse a fonte original
Continue lendo
Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.
O que este estudo responde
A terapia por ondas de choque mostra taxas de sucesso de 65% a 91% em fraturas não consolidadas e faixas variáveis de 34% a 88% em condições de tendão e…
Vale abrir se...
Útil se você quer entender como pacientes tratados com ondas de choque foi comparado a placebo, cuidado usual ou cirurgia em alguns estudos comparativos em múltiplos…
Comparador
Placebo, cuidado usual ou cirurgia em alguns estudos comparativos
Força da evidência
Wang et al.
Chang Gung Medical Journal
O que este estudo responde
Acupuntura, manipulação espinhal e massagem oferecem alívio real da dor lombar e cervical de curto prazo, mas sem superioridade clara entre elas; os…
Vale abrir se...
Útil se você quer entender como acupuntura/eletroacupuntura foi comparado a sem tratamento, placebo, medicamentos para dor, fisioterapia, cuidados usuais e outras terapias…
Comparador
Sem tratamento, placebo, medicamentos para dor, fisioterapia, cuidados usuais e outras terapias CAM
Força da evidência
Furlan et al.
Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine
O que este estudo responde
Acupuntura reduz dor crônica de forma superior ao placebo e os benefícios persistem por pelo menos um ano, sendo uma opção terapêutica razoável para…
Vale abrir se...
Útil se você quer entender como acupuntura verdadeira foi comparado a placebo acupuntura (agulhas falsas ou superficiais) ou ausência de tratamento/cuidado usual em dor…
Comparador
Placebo acupuntura (agulhas falsas ou superficiais) ou ausência de tratamento/cuidado usual
Força da evidência
Vickers et al.
The Journal of Pain
O que este estudo responde
Acupuntura verdadeira reduziu mais a dor e melhorou mais a função que acupuntura simulada em pacientes com ciática crônica por hérnia de disco, com…
Vale abrir se...
Útil se você quer entender como acupuntura verdadeira (n=108) foi comparado a acupuntura simulada (sham) com agulhas sem penetração em pontos fora dos meridianos em ciática…
Comparador
Acupuntura simulada (sham) com agulhas sem penetração em pontos fora dos meridianos
Força da evidência
Tu et al.
JAMA Internal Medicine