anos de experiência clínica
15
Período acumulado de uso em ortopedia até 2003
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Chang Gung Medical Journal
Ano
2003
Autores
Wang et al.
Desenho
artigo de revisão
A terapia por ondas de choque é um tratamento não cirúrgico que usa ondas sonoras de alta energia para estimular a cicatrização de ossos e tendões. Os estudos mostram que é eficaz para condições como fasciite plantar, tendinite do ombro e problemas de cicatrização óssea. O tratamento é seguro, com poucas complicações, e oferece uma alternativa à cirurgia em muitos casos.
Título original do estudo: An Overview of Shock Wave Therapy in Musculoskeletal Disorders
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A terapia por ondas de choque mostra taxas de sucesso de 65% a 91% em fraturas não consolidadas e faixas variáveis de 34% a 88% em condições de tendão e fasciite, oferecendo uma alternativa não cirúrgica com boa segurança, embora o mecanismo exato e os protoco
A terapia por ondas de choque é um tratamento não cirúrgico que usa ondas sonoras de alta energia para estimular a cicatrização de ossos e tendões. Os estudos mostram que é eficaz para condições como fasciite plantar, tendinite do ombro e problemas de cicatrização óssea. O tratamento é seguro, com poucas complicações, e oferece uma alternativa à cirurgia em muitos casos.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
A terapia por ondas de choque usa energia sonora de alta intensidade para estimular a cicatrização natural de ossos e tendões, sem cortes ou anestesia geral.
Ponto 1
Taxas de sucesso variam de 65% a 91% para fraturas não consolidadas, mas são mais modestas para outras condições
Ponto 2
A melhora, quando ocorre, é gradual — espere semanas a meses, não dias
Ponto 3
É segura e conveniente, mas a falta de protocolos padronizados exige discussão cuidadosa com seu médico
O que este estudo acrescenta
Em 2003, o próprio autor foi eleito presidente da Sociedade Internacional de Terapia por Ondas de Choque Musculoesqueléticas (ISMST), refletindo a consolidação da área e o papel de liderança de Taiwan nesse campo.
Aplicabilidade clínica
As taxas de sucesso são clinicamente significativas para várias condições, especialmente como alternativa à cirurgia, mas a grande variabilidade entre estudos (34% a 88%) e a falta de padronização dos protocolos limitam
Força do desenho do estudo
Compilação de múltiplos estudos por um especialista experiente, mas sem método sistemático de busca e seleção, o que permite viés e não permite quantificar precisamente o efeito do
anos de experiência clínica
15
Período acumulado de uso em ortopedia até 2003
taxa de sucesso em não-uniões
65-91%
Faixa de consolidação óssea em fraturas de ossos longos
taxa de sucesso em fasciite plantar
34-88%
Grande variabilidade entre estudos, refletindo heterogeneidade de protocolos
semanas para neovascularização
4-12
Tempo para formação de novos vasos em modelos animais do autor
aprovação FDA para fasciite plantar
2000
Marco regulatório nos EUA para uso específico do dispositivo OssaTron
Ficha rápida do estudo
Condição
Múltiplos distúrbios musculoesqueléticos: não-união de fraturas, fasciite plantar, tendinite calcária do ombro, epicondi
Tipo de estudo
Revisão narrativa de literatura com relato de experimentos animais do próprio la
Participantes
Diversos estudos clínicos revisados; experimentos animais em coelhos, cães e rat
Duração
15 anos de experiência clínica acumulada (1988-2003)
Sessões
Variável: tipicamente 1 a 3 sessões, com 1000 a 3000 impulsos por sessão
Comparador
Placebo, cuidado usual ou cirurgia em alguns estudos comparativos
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Geralmente 1 a 3 sessões, dependendo da condição e do estudo
Intervalo de 1 semana entre sessões em alguns protocolos; tratamento único em ou
Não especificado de forma padronizada; a aplicação de 1000 a 3000 impulsos leva
Focalização do dispositivo sobre a área de máxima dor ou lesão identificada por imagem; energia variando de baixa (0,06 mJ/mm²) a alta intensidade
Placebo com aparelho desligado ou baixa energia em ensaios controlados; cirurgia em alguns estudos comparativos
Não há consenso sobre parâmetros ideais: tipo de gerador (eletrohidráulico, eletromagnético ou piezoelétrico), energia, número de impulsos e sessões variam significativamente entre
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
consolidação de fraturas
melhorou
Taxas de união óssea de 65% a 91% em não-uniões de ossos longos, com melhora progressiva ao longo de 6 a 12 meses
dor no calcanhar
melhorou
75% livres de queixas em um estudo com seguimento de um ano; taxas gerais de 34% a 88% entre estudos
tendinite calcária do ombro
melhorou
Eliminação completa ou parcial do cálcio em 72% dos casos; melhora funcional correlacionada à resolução radiográfica
epicondilite lateral
melhorou
61% livres de queixas e 30% significativamente melhores em um estudo; taxas gerais de 48% a 73%
circulação local
melhorou
Neovascularização documentada em modelos animais, com formação de novos vasos capilares e muscularizados
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
1 semana
Primeira semana
Expressão precoce de fatores de crescimento angiogênicos (eNOS, VEGF) detectada em modelos animais
4 semanas
Quatro semanas
Início da neovascularização visível e proliferação celular em tecidos tratados
12 semanas
Três meses
Primeira avaliação de sucesso em muitos estudos clínicos; neovascularização persistente em animais
6-12 meses
Seis a doze meses
Taxas máximas de consolidação óssea em fraturas não unidas; avaliação de longo prazo em fasciite plantar
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Se o tratamento funcionar, a melhora tende a ser progressiva, não imediata. A resposta biológica leva semanas para se desenvolver, com redução da dor e recuperação funcional aparecendo tipicamente entre 3 e 12 semanas após o tratamento.
Tempo provável
Avaliação inicial de resultados aos 3 meses; consolidação óssea pode requerer 6 a 12 meses
Nem todos respondem: as taxas de sucesso variam de 34% a 91% dependendo da condição, e a falta de padronização dos protocolos dificulta prever quem se beneficia
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
As ondas de choque 'quebram' o osso ou o tendão para cicatrizar
Achado
Na ortopedia, diferente da urologia, as ondas não destroem tecidos — elas estimulam respostas biológicas como neovascularização e regeneração celular
Mito
A melhora é imediata, como tomar um analgésico
Achado
O efeito é biológico e lento: fatores de crescimento aparecem na primeira semana, mas neovascularização e regeneração levam 4 a 12 semanas para se desenvolver
Mito
É uma tecnologia nova e experimental sem comprovação
Achado
Em 2003 já havia 15 anos de uso clínico, com aprovação da FDA para fasciite plantar desde 2000, embora a evidência ainda não fosse de alta qualidade
Mito
Funciona igualmente bem para todas as condições musculoesqueléticas
Achado
As taxas de sucesso variam enormemente: 65-91% para não-uniões, mas apenas 34-88% para fasciite plantar, mostrando que o efeito depende da condição tratada
Como isso pode funcionar
ENERGIA MECÂNICA
Onda de choque de alta pressão é aplicada no tecido alvo — efeito físico documentado, não especulativo
EXPRESSÃO PRECOCE
Estímulo a fatores de crescimento (eNOS, VEGF, PCNA) detectado em animais na primeira semana — mecanismo proposto, não totalmente confirmado em humanos
NEOVASCULARIZAÇÃO
Formação de novos vasos sanguíneos observada a partir de 4 semanas em modelos animais, melhorando o aporte de sangue
REGENERAÇÃO TECIDUAL
Proliferação celular e reparo de tendão ou osso, com melhora clínica que pode levar 3 a 12 meses para se manifestar completamente
O que ainda é incerto
Revisar 15 anos de aplicação da terapia por ondas de choque em problemas musculoesqueléticos
Taxa de sucesso de 65% a 91% nas condições avaliadas
Estimula neovascularização e regeneração tecidual via fatores de crescimento
Complicações baixas e negligíveis, sem riscos cirúrgicos
Achados Interessantes
CASCATA BIOLOGICA MAPEADA
Pela primeira vez, o autor descreve uma sequência temporal clara: fatores de crescimento na semana 1, neovascularização na semana 4, regeneração tecidual prolongada — conectando observações de laboratório com a melhora c
EXPANSÃO DAS INDICAÇÕES
A revisão documenta o movimento de quatro condições 'clássicas' (fraturas, fasciite, ombro, cotovelo) para novas fronteiras: necrose avascular, osteocondrite e tendinite patelar, mostrando onde a área estava se dirigir
DOSE-RESPOSTA RECONHECIDA
Tanto em animais quanto clinicamente, o efeito parece depender da energia aplicada — nem muito baixa (ineficaz) nem muito alta (risco de dano), sugerindo que a 'receita' importa tanto quanto o 'remédio'
Resumo detalhado em linguagem acessível
A terapia por ondas de choque é uma modalidade terapêutica que surgiu quase por acaso. Durante a Segunda Guerra Mundial, engenheiros da fábrica Dornier, na Alemanha, notaram que o metal de tanques atingidos por projéteis apresentava pequenas crateras — um efeito das ondas de choque. Mais tarde, a esposa de um desses engenheiros sugeriu que o mesmo princípio poderia fragmentar cálculos renais, dando origem à litotripsia na década de 1970. Foi apenas em 1988 que o tratamento foi aplicado pela primeira vez em uma fratura que não havia cicatrizado, na cidade de Bochum, também na Alemanha.
Desde então, cerca de 15 anos de experiência clínica se acumularam até a publicação desta revisão, em 2003, pelo médico ortopedista Ching-Jen Wang e colaboradores.
O artigo em questão não é um estudo clínico novo, mas uma revisão narrativa que compila evidências de múltiplas fontes sobre o uso das ondas de choque em distúrbios musculoesqueléticos. O autor também relata descobertas de seu próprio laboratório em modelos animais, o que enriquece a discussão, mas exige cautela na interpretação — afinal, resultados em coelhos e cães nem sempre se traduzem diretamente para humanos.
A terapia funciona de maneira distinta da litotripsia urológica. Enquanto na urologia o objetivo é fragmentar pedras, na ortopedia as ondas de choque não destroem tecidos. Em vez disso, elas parecem desencadear uma cascata biológica: a energia mecânica estimula a expressão precoce de fatores de crescimento relacionados à formação de novos vasos sanguíneos — especificamente a eNOS (óxido nítrico sintase endotelial), o VEGF (fator de crescimento vascular endotelial) e o PCNA (antígeno nuclear de proliferação celular). Esses marcadores começam a aumentar já na primeira semana após o tratamento, atingem pico por volta de oito semanas e, em seguida, declinam.
A neovascularização — a formação de novos vasos — torna-se visível após quatro semanas e pode persistir por 12 semanas ou mais, acompanhada de proliferação celular. Em termos práticos, isso significa que o tratamento pode melhorar o aporte sanguíneo em áveis com má circulação e estimular a regeneração de tendões e ossos cronicamente lesados.
Os resultados clínicos compilados na revisão variam conforme a condição tratada. Para não-união de fraturas de ossos longos — ou seja, fraturas que simplesmente não cicatrizam —, as taxas de sucesso relatadas oscilam entre 50% e 90%, com a maioria dos estudos agrupando-se na faixa de 65% a 91%. Na fasciite plantar, uma causa comum de dor no calcanhar, os números são mais heterogêneos: de 34% a 88%. Para a tendinite calcária do ombro, onde há deposição de cálcio no tendão, a taxa de sucesso fica entre 47% e 70%.
Já na epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista, os estudos mostram melhora em 48% a 73% dos pacientes. Essa variabilidade reflete diferenças nos protocolos de tratamento — energia aplicada, número de impulsos, número de sessões — e também na definição do que constitui "sucesso" em cada estudo.
A segurança do tratamento é um ponto consistentemente tranquilizador. As complicações são descritas como "baixas e negligenciáveis", sem os riscos inerentes a procedimentos cirúrgicos. Não há necessidade de incisões, anestesia geral ou período de recuperação prolongado. O tratamento é realizado em ambulatório, e o paciente pode retornar às atividades diárias imediatamente.
No entanto, desconforto local durante ou após a aplicação é esperado, e a revisão não fornece dados sistemáticos sobre efeitos colaterais específicos — apenas a impressão clínica geral de boa tolerabilidade.
O artigo também menciona aplicações mais recentes e ainda em investigação, como a necrose avascular da cabeça do fêmur, a osteocondrite dissecante e a tendinite patelar do atleta (joelho do saltador). Para essas condições, os dados são preliminares, com poucos pacientes e seguimento curto, o que impede qualquer recomendação firme.
As limitações desta revisão são importantes de serem reconhecidas. Não se trata de uma meta-análise sistemática, onde os dados de múltiplos estudos seriam combinados estatisticamente. A seleção dos estudos incluídos não segue critérios transparentes, e há risco de viés de publicação — estudos com resultados positivos tendem a ser mais publicados do que aqueles com resultados negativos. Além disso, o mecanismo exato de ação permanece incompletamente compreendido.
A hipótese da neovascularização é apoiada por experimentos animais do próprio autor, mas ainda carece de confirmação robusta em humanos. A falta de padronização dos parâmetros de tratamento — tipo de aparelho, energia, frequência, número de sessões — dificulta comparar estudos e definir o protocolo ideal para cada condição.
Para o paciente que considera essa terapia, a mensagem prática é a seguinte: a terapia por ondas de choque oferece uma alternativa não cirúrgica para condições crônicas de dor musculoesquelética, com chances razoáveis de melhora significativa, especialmente em fraturas não consolidadas, fasciite plantar, tendinite calcária do ombro e epicondilite lateral. O tratamento é conveniente, relativamente acessível e seguro. Contudo, não é uma panaceia: uma parcela considerável de pacientes não responde adequadamente, e os resultados variam bastante. A melhora, quando ocorre, tende a ser gradual, desenvolvendo-se ao longo de semanas a meses, consistente com os achados de que a resposta biológica leva tempo para se estabelecer.
A decisão pelo tratamento deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, as alternativas disponíveis e as expectativas realistas do paciente.
estudos revisados
0 pessoas
terapia por ondas de choque
Taxa de sucesso em não-união óssea
Taxa de sucesso em fasciite plantar
Taxa de sucesso em tendinite calcária do ombro
Taxa de sucesso em epicondilite lateral
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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