Estudo científico comentado

Agulhamento Seco para Cefaleia Tensional: Análise dos Músculos-alvo e Protocolos de Tratamento

Referência acadêmica

Periódico

J. Clin. Med.

Ano

2025

Autores

Bravo-Vázquez et al.

Desenho

revisão de escopo

Esta revisão analisou estudos sobre agulhamento seco para tratar cefaleia tensional. A técnica consiste em inserir agulhas finas em pontos específicos dos músculos do pescoço e da têmpora que podem causar dor de cabeça. Os resultados mostraram que o agulhamento seco reduziu significativamente a intensidade, frequência e duração das dores de cabeça, sendo considerado seguro. Entretanto, os protocolos variam muito entre os estudos, sugerindo necessidade de padronização.

Título original do estudo: Dry Needling for Tension-Type Headache: A Scoping Review on Intervention Procedures, Muscle Targets, and Outcomes

📋revisão de escopo👥n=309 participantes🎯evidência promissora
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

O agulhamento seco em músculos do pescoço e têmpora mostrou reduzir intensidade, frequência e duração da cefaleia tensional em sete estudos analisados, com perfil de segurança favorável, mas a falta de padronização dos protocolos ainda limita recomendações def

O que isso significa para você?

Esta revisão analisou estudos sobre agulhamento seco para tratar cefaleia tensional. A técnica consiste em inserir agulhas finas em pontos específicos dos músculos do pescoço e da têmpora que podem causar dor de cabeça. Os resultados mostraram que o agulhamento seco reduziu significativamente a intensidade, frequência e duração das dores de cabeça, sendo considerado seguro. Entretanto, os protocolos variam muito entre os estudos, sugerindo necessidade de padronização.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1O agulhamento seco é uma opção não farmacológica com evidência promissora para cefaleia tensional, mas ainda em consolidação
  • 2Espere melhora gradual ao longo de várias sessões, não resultado imediato após a primeira
  • 3A escolha do profissional e sua experiência com a técnica parecem influenciar o resultado
  • 4Mantenha o tratamento de base para cefaleia tensional (sono, hidratação, manejo do estresse); o agulhamento seco é complementar
  • 5Se não notar melhora após 3 sessões, discuta com o médico se vale continuar ou ajustar a abordagem
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Com base no meu tipo específico de cefaleia tensional, o agulhamento seco é adequado para mim?
  • 2Quantas sessões você recomenda inicialmente, e como vamos medir se está funcionando?
  • 3Quais são os riscos específicos para a região cervical e facial, e como são prevenidos?
  • 4O agulhamento seco substitui ou complementa meu tratamento medicamentoso atual?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum efeito adverso grave foi relatado nos 309 participantes dos 7 estudos, mas a coleta de segurança foi pouco sistemática
  • 2Dor leve e ansiedade durante o procedimento foram os únicos desconfortos documentados, afetando cerca de 12% dos pacientes em um estudo
  • 3A precisão anatômica é crucial na região cervical e facial devido à proximidade de vasos sanguíneos, nervos e outras estruturas sensíveis
  • 4A segurança a longo prazo e em populações especiais (grávidas, idosos, pessoas com distúrbios de coagulação) não foi estabelecida nestes estudos

Leitura rápida para pacientes

Agulhamento seco pode aliviar cefaleia tensional

Técnica com agulhas finas em músculos do pescoço e têmpora mostrou reduzir dor, frequência e duração das crises em estudos, mas ainda precisa de mais padronização.

Ponto 1

São necessárias geralmente 3 a 5 sessões para resultado significativo

Ponto 2

Músculos mais tratados: temporal (têmpora) e trapézio (base do pescoço)

Ponto 3

Segurança parece boa, mas fale sobre seus riscos e medicações com o profissional

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA REVISÃO DEDICADA

Este é o primeiro mapeamento exclusivo das características do agulhamento seco para cefaleia tensional, reunindo pela primeira vez dados sobre músculos-alvo, critérios diagnósticos e técnicas em uma única revisão de esco

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

As reduções observadas são numericamente expressivas e consistentes entre estudos, mas a heterogeneidade dos protocolos, o pequeno número de ensaios clínicos de alta qualidade e a ausência de padronização limitam a certe

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este estudo sintetiza características de múltiplas pesquisas primárias, oferecendo visão panorâmica, mas sem a robustez de uma meta-análise quantitativa.

participantes totais

309

soma dos 7 estudos incluídos na revisão

ensaios clínicos randomizados

5

maior rigor metodológico entre os estudos analisados

redução de intensidade da dor

84%

queda relativa de 4,5 para 0,7 no melhor ensaio controlado (Gildir et al. , 2019)

redução de frequência

79%

queda de 18,5 para 3,8 dias de cefaleia por mês no mesmo estudo

sessões médias de tratamento

3

variação de 1 a 5 sessões nos protocolos revisados

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

cefaleia tensional

Tipo de estudo

revisão de escopo

Participantes

309 adultos, principalmente mulheres, 18-65 anos

Duração

variável: 1 a 6 semanas de tratamento nos estudos originais

Sessões

1 a 5 sessões, média de 3 sessões

Comparador

sham, injeção de lidocaína, toxina botulínica, massagem por fricção ou inserções subcutâneas

Grupos do estudo

agulhamento secocontroles diversos (sham, lidocaína, toxina botulínica, massagem)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 a 5 sessões, com média de 3 sessões nos estudos analisados

Frequência02

variável: de 3 sessões em 1 semana a 1 sessão por semana durante 4-6 semanas

Duração da sessão03

20 a 30 minutos de permanência da agulha, ou técnica dinâmica com inserções múlt

Pontos / técnica04

pontos-gatilho miofasciais em músculos temporal e trapézio principalmente; técnicas de palpação plana ou pinça, com ou sem rotação da agulha

Comparador05

agulhamento simulado (sham), injeção de lidocaína, toxina botulínica, massagem por fricção, inserções subcutâneas

Nota de protocolo06

grande variabilidade nos protocolos: diferentes músculos-alvo, técnicas de inserção, tempo de permanência e número de sessões; não há consenso sobre protocolo ideal

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com diagnóstico de cefaleia tensional por critérios da Sociedade Internacional de CefaleiaPredominância de mulheres, refletindo a maior prevalência da condição no sexo femininoFaixa etária de 18 a 65 anos, abrangendo a população economicamente ativaPessoas com pontos-gatilho miofasciais ativos que reproduziam sintomas de dor de cabeçaParticipantes de estudos clínicos randomizados e relatos de caso publicados até 2024

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adolescentes menores de 18 anosPessoas com diagnóstico primário de outras cefaleias (enxaqueca, cefaleia em salvas, etc. )Grávidas ou indivíduos com contraindicações específicas para agulhamentoPacientes com cefaleia tensional sem pontos-gatilho miofasciais identificáveisPopulações de acompanhamento de longo prazo (mais da metade dos estudos não relatou follow-up)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

intensidade da dor

reduziu

queda de 4,5 para 0,7 em escala visual analógica de 0-10 no melhor estudo controlado

📅

frequência das crises

reduziu

de 18,5 para 3,8 dias com dor de cabeça por mês em média

⏱️

duração das dores

reduziu

de 3,9 para 0,7 horas por dia de cefaleia ativa

🏃

qualidade de vida

melhorou

melhora em qualidade de vida relacionada à saúde documentada em um ensaio clínico

💪

sensibilidade muscular

reduziu

diminuição da dor à palpação nos músculos tratados

O que não mudou

  • Não houve comparação direta entre diferentes técnicas de agulhamento seco para determinar qual é superior
  • Não foi demonstrada superioridade consistente do agulhamento seco sobre todas as comparações ativas (em um estudo, lidocaína e toxina botulínica tiver
  • Não há dados robustos sobre prevenção da cronificação da cefaleia tensional episódica
  • Não foi estabelecido o número ideal de sessões ou a periodicidade de manutenção

Quando a melhora apareceu

1

1ª sessão

após primeira sessão

redução inicial da intensidade da dor em alguns relatos de caso, com VAS caindo progressivamente

2

3-5 sessões ou 3-6 semanas

ao final do tratamento

reduções significativas e consistentes de intensidade, frequência e duração da cefaleia nos ensaios clínicos

3

semanas após término

manutenção no follow-up

um estudo relatou manutenção dos benefícios em acompanhamento posterior, embora follow-up seja raro na literatura revisada

Antes e depois

intensidade da dor (VAS 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes4.5 pontos
Depois0.7 pontos

frequência de crises

escala máx. 31 dias/mês

Antes18.5 dias/mês
Depois3.8 dias/mês

duração diária da cefaleia

escala máx. 10 horas/dia

Antes3.9 horas/dia
Depois0.7 horas/dia

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Nenhum efeito adverso grave relatado em 309 participantes ao longo de sete estudos
  • Técnica minimamente invasiva com recuperação imediata
  • Boa tolerabilidade geral, com desconfortos leves e transitórios
Amarelo
  • Dor e ansiedade durante o procedimento em alguns pacientes (cerca de 12% em um estudo)
  • Dependência da precisão anatômica do profissional para evitar estruturas sensíveis
  • Variabilidade na formação e experiência dos profissionais entre diferentes países e estudos
Vermelho
  • Ausência de coleta sistemática de dados de segurança a longo prazo
  • Complicações graves documentadas em outras regiões do corpo com agulhamento seco (não relatadas nestes estudos, mas não podem ser descartadas)
  • Contraindicações absolutas não bem estabelecidas na literatura específica de cefaleia tensional

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com cefaleia tensional diagnosticada por critérios estabelecidos
  • Pessoas com pontos-gatilho miofasciais palpáveis que reproduzem a dor de cabeça
  • Indivíduos que não obtiveram alívio adequado com medicações ou preferem abordagens não farmacológicas
  • Pacientes sem contraindicações para procedimentos com agulhas (ex: distúrbios de coagulação, infecções locais)
  • Pessoas com expectativas realistas e disposição para múltiplas sessões se necessário

Mais cautela para extrapolar

  • Crianças, adolescentes e idosos frágeis (fora da faixa etária estudada)
  • Grávidas (segurança não estabelecida nesta população)
  • Pessoas com diagnóstico exclusivo de enxaqueca ou outras cefaleias primárias
  • Indivíduos com pânico de agulhas ou incapacidade de colaborar com o posicionamento
  • Pacientes com cefaleia de causa secundária não investigada (tumor, infecção, trauma)

Expectativa realista

Alívio progressivo, não milagre imediato

A maioria das pessoas precisa de 3 a 5 sessões para sentir redução clara na intensidade e frequência das dores de cabeça. O benefício máximo tende a aparecer ao final do tratamento.

Tempo provável

2 a 6 semanas de tratamento, com possível necessidade de reavaliação posterior

Resultados variam muito conforme a técnica, os músculos escolhidos e a experiência do profissional; não há garantia de resposta e a cefaleia pode recorrer.

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se o profissional tem experiência específica em agulhamento seco para cefaleia tensional e conhecimento da anatomia cervical e facial
  2. 2Solicitar esclarecimentos sobre quantas sessões são previstas, qual a frequência e como será avaliada a resposta
  3. 3Informar sobre todos os medicamentos em uso, especialmente anticoagulantes, e condições de saúde prévias
  4. 4Discutir o que fazer se houver piora temporária após a sessão ou se não houver melhora após 3 sessões
  5. 5Questionar se há protocolo de acompanhamento de segurança e registro de eventos adversos

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Agulhamento seco é a mesma coisa que acupuntura

Achado

São abordagens distintas: o agulhamento seco visa pontos-gatilho miofasciais identificados por palpação, enquanto a acupuntura tradicional segue meridianos de energia; os estudos revisados usaram a primeira abordagem

Mito

Uma única sessão resolve a cefaleia tensional

Achado

Os estudos indicam que múltiplas sessões são necessárias, com média de 3 sessões e até 5 em alguns protocolos; o benefício se acumula ao longo do tratamento

Mito

Qualquer pessoa com dor de cabeça pode fazer agulhamento seco

Achado

Os estudos incluíram apenas adultos com cefaleia tensional específica e pontos-gatilho miofasciais identificáveis; outros tipos de cefaleia e populações não foram estudados

Mito

Como não teve efeito adverso grave, é totalmente seguro

Achado

A ausência de eventos adversos nos estudos não prova segurança absoluta; a coleta foi pouco sistemática e complicações em outras áreas anatômicas já foram relatadas na literatura médica

Como isso pode funcionar

🔍

IDENTIFICAÇÃO

O profissional localiza pontos-gatilho miofasciais em músculos do pescoço e têmpora por palpação manual — técnica dependente de experiência, sem exame de imagem confirmatório

💉

INSERÇÃO

Agulha filiforme é inserida no ponto-gatilho, buscando uma resposta do músculo (sinal de salto ou liberação da banda tensa); mecanismo exato de ação ainda é objeto de estudo

🧠

MODULAÇÃO

Provavelmente ocorre redução da atividade nervosa periférica e alteração no processamento da dor no sistema nervoso central, embora isso seja inferido de estudos em outras condições, não diretamente comprovado para cefal

RESULTADO

Diminuição da tensão muscular local, com redução da dor irradiada para a cabeça — efeito observado consistentemente, mas com duração do benefício pouco estudada a longo prazo

O que ainda é incerto

  • ?Qual protocolo de agulhamento seco é ideal: número de sessões, frequência, técnica de inserção, tempo de permanência da agulha?
  • ?A eficácia se mantém a longo prazo? A maioria dos estudos não incluiu acompanhamento pós-tratamento suficiente para responder
  • ?Pacientes com cefaleia tensional episódica respondem igual aos com forma crônica? Os estudos não separaram adequadamente esses subtipos
  • ?A identificação de pontos-gatilho por palpação manual é confiável o suficiente para padronização clínica ampla?
🎯

O que o estudo quis responder

Analisar características e protocolos do agulhamento seco para cefaleia tensional, incluindo músculos-alvo e técnicas

👥

QUEM PARTICIPOU

309 adultos com cefaleia tensional, principalmente mulheres entre 18-65 anos

🧪

COMO FOI FEITO

Revisão de 7 estudos sobre agulhamento seco em pontos-gatilho miofasciais dos músculos temporal e trapézio

📈

O QUE MUDOU

Melhora na intensidade, frequência e duração das dores de cabeça em todos os estudos analisados

🛟

SEGURANÇA

Nenhum efeito adverso grave relatado, apenas dor e ansiedade leve durante o procedimento

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

MAPEAMENTO INÉDITO

Pela primeira vez, uma revisão dedicou-se exclusivamente às características do agulhamento seco para cefaleia tensional, revelando que o temporal e o trapézio dominam como músculos-alvo, mas com grande diversidade nos de

🧭

PADRONIZAÇÃO PENDENTE

O estudo deixa claro que a falta de critérios objetivos para identificar pontos-gatilho e a variabilidade nos protocolos são os principais obstáculos para comparar resultados e definir melhores práticas

📌

SEGURANÇA SEM VIGILÂNCIA SISTEMÁTICA

Embora nenhum evento grave tenha sido relatado, os autores destacam que a ausência de coleta estruturada de dados de segurança é uma lacuna preocupante que precisa ser corrigida em pesquisas futuras

🔬

QUALIDADE DE VIDA SUBESTIMADA

Apenas um dos sete estudos avaliou qualidade de vida de forma direta, sugerindo que os benefícios funcionais do tratamento podem estar sendo subnotificados na literatura

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Agulhamento Seco para Cefaleia Tensional: Análise dos Músculos-alvo e Protocolos de Tratamento

Esta revisão de escopo analisou sistematicamente a evidência sobre o uso do agulhamento seco no tratamento da cefaleia tensional, a forma mais comum de dor de cabeça primária. A cefaleia tensional afeta entre 26% e 38% da população mundial, manifestando-se como dor bilateral, surda e não pulsátil de intensidade leve a moderada na cabeça ou pescoço. Apesar de sua alta prevalência, a etiologia desta condição permanece pouco compreendida, embora estudos sugiram que pontos-gatilho miofasciais em músculos cervicais e faciais podem contribuir para sua patogênese. Os pesquisadores conduziram uma busca abrangente em quatro bases de dados (PubMed, Embase, Scopus e Web of Science), resultando na seleção de sete estudos que avaliaram intervenções de agulhamento seco em adultos com cefaleia tensional.

Os estudos incluídos eram predominantemente ensaios clínicos randomizados, envolvendo um total de 309 participantes. A análise revelou uma clara predominância na seleção dos músculos temporal e trapézio como alvos terapêuticos, sendo tratados em cinco dos sete estudos. Esta escolha é corroborada por evidências prévias sobre a relevância destes músculos na ocorrência de pontos-gatilho relacionados à cefaleia tensional. Outros músculos também foram abordados, incluindo esplênio da cabeça e pescoço, levantador da escápula, masseter e músculos suboccipitais, refletindo a diversidade de abordagens na prática clínica.

Quanto aos critérios diagnósticos, seis dos sete estudos utilizaram a identificação de pontos-gatilho miofasciais ativos que reproduziam sintomas de cefaleia através de palpação manual. As técnicas de palpação variaram desde palpação digital com uso de algômetros até palpação plana, refletindo a heterogeneidade nas abordagens diagnósticas. Esta variabilidade pode influenciar significativamente a interpretação dos resultados, uma vez que a identificação de pontos-gatilho depende em grande parte da experiência do clínico e da padronização da técnica. Em relação às características das intervenções de agulhamento seco, observou-se consenso sobre o uso de desinfetantes e especificação das dimensões das agulhas, com calibres variando de 0.

2 a 0. 3 mm e comprimentos de 0. 13 a 0. 5 mm.

As técnicas aplicadas basearam-se na metodologia descrita por Travell e Simons, mas apresentaram variações significativas. Alguns estudos empregaram técnicas estáticas com retenção da agulha por 20 a 30 minutos, enquanto outros utilizaram abordagens mais dinâmicas com inserções repetidas em múltiplas direções. O número médio de sessões de tratamento foi de três, variando de uma a cinco sessões. Os resultados demonstraram efeitos favoráveis do agulhamento seco em todos os estudos, com melhorias significativas nos sintomas de cefaleia.

A intensidade da dor mostrou reduções substanciais, com alguns estudos relatando diminuições de até 85% nos escores de dor. A frequência das cefaleias também apresentou melhorias, com reduções de 18. 5 para 3. 8 dias por mês em um dos estudos principais.

Adicionalmente, a duração dos episódios de cefaleia diminuiu de 3. 9 para 0. 7 horas por dia. A ausência de eventos adversos graves relatados em qualquer dos estudos, sugerindo que o agulhamento seco é uma técnica segura quando aplicada adequadamente.

Apenas efeitos menores como dor e ansiedade durante o procedimento foram reportados em alguns participantes. A revisão também destacou o potencial do agulhamento seco para melhorar a qualidade de vida relacionada à saúde, permitindo que os pacientes retomem suas atividades diárias com maior facilidade. No entanto, a diversidade metodológica e a falta de protocolos padronizados limitam a comparabilidade dos resultados e a reprodutibilidade das intervenções. As limitações identificadas incluem o pequeno número de estudos incluídos, heterogeneidade metodológica significativa, falta de reportagem abrangente de detalhes técnicos essenciais e variabilidade nos critérios diagnósticos utilizados.

A natureza subjetiva do processo diagnóstico para identificação de pontos-gatilho miofasciais representa uma limitação importante que pode comprometer a confiabilidade dos achados.

O que fortalece a leitura

  • 1redução consistente da dor em todos os estudos
  • 2perfil de segurança favorável
  • 3melhora na qualidade de vida
  • 4técnica não farmacológica
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1pequeno número de estudos incluídos
  • 2grande variabilidade nos protocolos
  • 3critérios diagnósticos subjetivos
  • 4falta de padronização nas técnicas

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

309pessoas avaliadas
divisão dos grupos

agulhamento seco

154 pessoas

agulhas filiformes em pontos-gatilho miofasciais

controles diversos

155 pessoas

sham, lidocaína, botox ou massagem

⏱️ Tempo de acompanhamento: 1 a 6 semanas de tratamento

📊 Resultados em números

4,5 para 0,7 pontos

redução da intensidade da dor

18,5 para 3,8 dias/mês

redução da frequência

3,9 para 0,7 horas/dia

redução da duração

temporal e trapézio

músculos mais tratados

📊 Comparação de Resultados

intensidade da dor (escala visual analógica)

antes do tratamento
4.5
após agulhamento seco
0.7

📅 Linha do tempo da evidência

2001primeiros estudos sobre agulhamento seco em cefaleia tensional
2009comparação com lidocaína e toxina botulínica
2019estudos controlados randomizados duplo-cegos
2024relatos de caso com técnicas refinadas
2025esta revisão de escopo analisando protocolos e músculos-alvo

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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