Estudo científico comentado

Aceitar a dor crônica pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes

Referência acadêmica

Periódico

Pain

Ano

1998

Autores

McCracken

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo mostra que pessoas com dor crônica que conseguem aceitar sua condição tendem a ter melhor qualidade de vida, menos depressão e ansiedade, e funcionam melhor no dia a dia. A aceitação não significa desistir do tratamento, mas sim parar de lutar constantemente contra algo que pode não mudar completamente. Os resultados sugerem que focar em viver bem apesar da dor pode ser mais benéfico do que se concentrar apenas em eliminar a dor.

Título original do estudo: Learning to live with the pain: acceptance of pain predicts adjustment in persons with chronic pain

📊estudo transversal👥n=160 participantes🔬impacto clínico moderado
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Pacientes com dor crônica que relatam maior aceitação da condição tendem a apresentar menos depressão, ansiedade e incapacidade — mas este estudo observacional não prova que aceitar a dor cause esses benefícios, apenas que ambos estão associados.

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que pessoas com dor crônica que conseguem aceitar sua condição tendem a ter melhor qualidade de vida, menos depressão e ansiedade, e funcionam melhor no dia a dia. A aceitação não significa desistir do tratamento, mas sim parar de lutar constantemente contra algo que pode não mudar completamente. Os resultados sugerem que focar em viver bem apesar da dor pode ser mais benéfico do que se concentrar apenas em eliminar a dor.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Se você vive com dor crônica há anos, a busca incessante por eliminá-la pode estar custando mais do que a própria dor
  • 2Aceitação é uma habilidade que pode ser desenvolvida, não uma caracteridade de personalidade fixa
  • 3Viver bem com dor não significa que a dor é imaginária ou que você deveria suportar sem ajuda
  • 4Conversar com seu médico sobre quando persistir em buscar causas e quando investir em qualidade de vida pode ser um passo importante
  • 5Terapias psicológicas focadas em aceitação e valores podem ser uma opção válida, não substituta, mas complementar ao tratamento médico
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Dado o tempo e os tratamentos que já tentei, faz sentido continuar buscando exclusivamente eliminar a dor ou também investir em viver melhor com ela?
  • 2Existem evidências de que abordagens de aceitação e mindfulness sejam eficazes especificamente para minha condição de dor?
  • 3Como posso saber se estou 'aceitando demais' e deixando de buscar tratamentos que ainda poderiam ajudar?
  • 4Há programas de reabilitação multidisciplinar disponíveis que incluam componente psicológico de aceitação?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Este estudo não avaliou segurança de nenhuma intervenção, pois não houve tratamento experimental
  • 2A mensagem de 'aceitação' pode ser mal interpretada por profissionais ou familiares como 'não há mais nada a fazer', o que não é o caso
  • 3Pacientes com condições deprimidas severas ou ideação suicida precisam de avaliação específica antes de qualquer abordagem focada em aceitação
  • 4A decisão de reduzir a busca por novos tratamentos deve ser individualizada e nunca generalizada com base apenas neste estudo observacional

Leitura rápida para pacientes

Aceitar não é desistir — é escolher onde colocar sua energia

Este estudo mostra que pessoas com dor crônica que conseguem aceitar sua condição tendem a viver melhor, mesmo quando a dor persiste

Ponto 1

A luta constante para eliminar a dor pode aumentar o sofrimento emocional e limitar sua vida

Ponto 2

Aceitação significa parar de bater em porta fechada, não abandonar tratamentos que realmente ajudam

Ponto 3

Focar no que ainda é possível fazer pode trazer mais alívio que focar apenas no que a dor impede

O que este estudo acrescenta

FUNDAÇÃO CONCEITUAL

Um dos primeiros estudos a quantificar sistematicamente a relação entre aceitação da dor e ajuste psicológico/funcional, pavimentando o desenvolvimento posterior das terapias baseadas em aceitação para dor crônica

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

O estudo identifica uma associação robusta e consistente entre aceitação e múltiplos indicadores de ajuste, com análises que controlam intensidade da dor. No entanto, o desenho transversal impede conclusões causais, e nã

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Mediu características de pacientes em um único momento, sem intervenção ou acompanhamento temporal, o que permite identificar associações mas não estabelecer relações de causa e ef

participantes

160

adultos com dor crônica em centro de tratamento especializado

correlação aceitação-depressão

r = -0,58

associação moderada a forte entre maior aceitação e menos sintomas depressivos

correlação aceitação-ansiedade

r = -0,66

forte associação entre aceitação e menor ansiedade relacionada à dor

correlação aceitação-intensidade da dor

r = -0,28

relação modesta, sugerindo que aceitação não é apenas consequência de sentir menos dor

tempo médio de dor

36 meses

mediana de duração da dor crônica na amostra estudada

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

dor crônica em adultos

Tipo de estudo

estudo transversal observacional

Participantes

160 adultos buscando tratamento em centro de dor, maioria mulheres (66%), idade

Duração

avaliação única, sem acompanhamento longitudinal

Sessões

avaliação por questionários em momento único

Comparador

sem grupo comparador; análise de correlação entre variáveis

Grupos do estudo

pacientes com dor crônica (n=160)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

avaliação única por questionários

Frequência02

aplicação em momento único durante avaliação inicial

Duração da sessão03

não especificado; preenchimento de múltiplos questionários

Pontos / técnica04

Chronic Pain Acceptance Questionnaire (CPAQ), Beck Depression Inventory (BDI), Pain Anxiety Symptoms Scale (PASS), Sickness Impact Profile (SIP), escala visual analógica de dor e r

Comparador05

sem intervenção ou grupo comparador; estudo observacional correlacional

Nota de protocolo06

Não houve tratamento ou intervenção experimental; os pacientes foram apenas avaliados quanto às características psicológicas e funcionais já presentes

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com dor crônica buscando tratamento especializadoMaioria do sexo feminino (66%), com idade média de 47 anosPacientes com dor lombar predominante (60% dos casos)Pessoas com dor persistente há mediana de 36 mesesIndivíduos que já haviam tentado múltiplas intervenções, incluindo cirurgia em 45% dos casosPacientes em diversas situações de trabalho, incluindo afastados ou aposentados por dor (48,8%)

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adolescentes menores de 18 anosPessoas com dor crônica que não buscam tratamento especializadoPacientes com condições de dor aguda ou recenteIndivíduos que já haviam alcançado estabilidade sem busca ativa de cuidados

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

intensidade da dor

associada a menor intensidade

correlação modesta (r=-0,28); pacientes mais aceitantes relataram dor levemente menos intensa

😰

ansiedade relacionada à dor

reduziu

forte correlação negativa (r=-0,66); maior aceitação associada a menos ansiedade e evitação

😔

depressão

reduziu

correlação negativa substancial (r=-0,58); aceitação ligada a menos sintomas depressivos

🚶

incapacidade física

melhorou

menor impacto da doença nas atividades físicas do dia a dia

👥

incapacidade psicossocial

melhorou

melhor funcionamento em interações sociais e atividades relacionadas à comunicação e interação

tempo de atividade diária

melhorou

mais horas de atividade produtiva e menos tempo deitado ou inativo

O que não mudou

  • O estudo não avaliou se intervenções para promover aceitação seriam eficazes — apenas mediu aceitação já existente
  • Não houve acompanhamento para verificar se a relação observada se mantinha ao longo do tempo
  • A situação de trabalho teve associação mais fraca e menos consistente com aceitação após controles estatísticos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Estudo puramente observacional, sem riscos de intervenção
  • Questionários amplamente validados e de uso estabelecido
  • Mensagem de que aceitação não implica abandono de tratamentos válidos
Amarelo
  • Risco de interpretação simplista: aceitação não significa resignação passiva
  • Pacientes podem sentir que estão sendo 'despachados' se a mensagem for mal comunicada
  • Associação não comprovada como causalidade
Vermelho
  • Dados de segurança não foram coletados neste estudo
  • Sem informações sobre possíveis efeitos negativos de aceitação excessiva ou prematura
  • Não se sabe se todos os perfis de pacientes se beneficiariam igualmente dessa abordagem

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor crônica persistente há meses ou anos
  • Pacientes que já tentaram múltiplos tratamentos sem alívio duradouro
  • Pessoas cuja busca intensa por controle da dor está causando sofrimento adicional
  • Indivíduos abertos a reconsiderar sua relação com a dor, em vez de focar exclusivamente em eliminá-la
  • Pacientes com sintomas de ansiedade ou depressão relacionados à experiência da dor

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com dor de início recente, onde tratamentos curativos ainda não foram explorados
  • Indivíduos que interpretariam 'aceitação' como abandono de cuidados médicos
  • Pessoas em situação de vulnerabilidade emocional que precisam de validação ativa de sua dor antes de qualquer abordagem de aceitação
  • Pacientes com dor causada por condições ainda não diagnosticadas ou em investigação
  • Crianças e adolescentes, fora da faixa etária estudada

Expectativa realista

Mudar a relação com a dor, não necessariamente a dor em si

Este estudo sugere que aprender a aceitar a dor crônica pode estar associado a menos sofrimento emocional e maior capacidade de funcionamento no dia a dia, mesmo sem redução drástica da intensidade da dor

Tempo provável

Não aplicável — estudo não avaliou intervenção ao longo do tempo, apenas características presentes em momento único

A aceitação observada pode ser consequência, não causa, do melhor ajuste; não se sabe se ensinar aceitação produziria os mesmos resultados

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar ao médico se já foram exploradas todas as opções de tratamento com potencial curativo para sua condição específica
  2. 2Discutir se sua busca por controle da dor está ajudando ou prejudicando sua qualidade de vida atual
  3. 3Questionar sobre abordagens psicológicas que trabalhem a aceitação e o compromisso com valores de vida, como terapias contextuais
  4. 4Verificar se há programas multidisciplinares de manejo da dor disponíveis em sua região
  5. 5Compartilhar se você se sente ouvido e validado em sua experiência de dor, ou se sente pressionado a 'simplesmente aceitar'

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Aceitar a dor significa desistir de tratamento e resignar-se ao sofrimento

Achado

O estudo define aceitação como abandonar tentativas improdutivas de controle, não todos os tratamentos — e associa essa postura a menos depressão e mais atividade

Mito

Quem aceita a dor simplesmente sente menos dor

Achado

A correlação entre aceitação e intensidade da dor foi modesta (r=-0,28); a aceitação permaneceu associada ao ajuste mesmo após controlar a intensidade da dor

Mito

Pacientes deprimidos ou ansiosos não conseguem aceitar a dor

Achado

O estudo mostrou associação, mas não direção causal; é possível que a falta de aceitação contribua para a piora emocional, ou vice-versa, ou ambos

Mito

Este estudo prova que terapia de aceitação funciona para dor crônica

Achado

O estudo não testou nenhuma intervenção; apenas observou que pacientes que já relatam mais aceitação também relatam melhor ajuste — são dados correlacionais, não de eficácia de tratamento

Como isso pode funcionar

🔄

CICLO DE EVITAÇÃO

Tentativas repetidas de eliminar a dor levam a evitação de atividades, descondicionamento e manutenção de expectativas irrealistas — mecanismo proposto, não diretamente testado neste estudo

🚪

EXPANSÃO DE EXPERIÊNCIA

Aceitação pode permitir maior exposição a atividades e contingências naturais, reduzindo reações emocionais exageradas — hipótese do autor baseada em trabalhos anteriores

🎯

REDIRECIONAMENTO DE FOCO

Energia antes dedicada a controlar a dor é direcionada para metas e valores pessoais, potencialmente aumentando satisfação e funcionamento — mecanismo teórico, não confirmado causalmente

⚖️

EQUILÍBRIO DINÂMICO

Aceitação e controle não são mutuamente excludentes; o ideal seria um processo contínuo de avaliação sobre quando persistir em tratamentos e quando investir em viver bem apesar da dor

O que ainda é incerto

  • ?A direção da relação entre aceitação e ajuste é desconhecida: aceitação leva a melhor ajuste, ou quem já está melhor ajustado consegue aceitar mais fa
  • ?Não se sabe se intervenções projetadas para aumentar a aceitação reproduziriam os padrões observados naturalmente nesta amostra
  • ?A amostra era de pacientes já em busca de tratamento, possivelmente mais desajustados que a população geral de pessoas com dor crônica
  • ?Todos os dados foram de autorrelato, sem observação direta de comportamentos ou medições fisiológicas independentes
🎯

O que o estudo quis responder

avaliar se aceitar a dor crônica está relacionado ao melhor ajuste psicológico e funcional dos pacientes

👥

QUEM PARTICIPOU

160 adultos com dor crônica buscando tratamento em clínica especializada

🧪

COMO FOI FEITO

aplicação de questionários sobre aceitação da dor, ansiedade, depressão e incapacidade

📈

O QUE MUDOU

maior aceitação da dor correlacionou com menor depressão, ansiedade e melhor função diária

🛟

SEGURANÇA

estudo observacional sem intervenção, apenas questionários

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

ACEITAÇÃO INDEPENDENTE DA INTENSIDADE

Pela primeira vez com evidências quantitativas robustas: aceitar a dor não é só coisa de quem já sente pouca dor — a relação com melhor ajuste permanece mesmo estatisticamente controlando a intensidade da dor

🧭

REDEFINIÇÃO DO OBJETIVO TERAPÊUTICO

O estudo ajudou a legitimar uma mudança de paradigma: em vez de medir sucesso apenas pela redução da dor, passou-se a considerar como a pessoa está vivendo com a dor

📌

MENSAGEM CLÍNICA MEMORÁVEL

A frase que pacientes temiam ouvir — 'você vai ter que aprender a viver com a dor' — foi ressignificada: pode não ser uma sentença de derrota, mas uma orientação para melhor qualidade de vida

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Aceitar a dor crônica pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes

Viver com dor crônica é uma experiência que milhões de pessoas enfrentam diariamente, e muitas vezes a busca incessante pela eliminação completa da dor acaba se tornando parte do próprio problema. Em 1998, o psicólogo Lance M. McCracken publicou na revista Pain um estudo que ajudou a mudar a forma como compreendemos o enfrentamento da dor persistente. A pesquisa surgiu em um momento em que a medicina da dor começava a reconhecer que, para uma parcela significativa de pacientes, os tratamentos convencionais não conseguiam produzir alívio duradouro — levantamentos da época indicavam que cerca de 82% dos pacientes de clínicas especializadas continuavam com dor mesmo após dois anos de acompanhamento.

McCracken propôs investigar se aceitar a dor, em vez de lutar constantemente contra ela, poderia estar associado a uma vida mais funcional e emocionalmente equilibrada.

O estudo foi realizado com 160 adultos que buscavam tratamento em um centro universitário de manejo da dor. A maioria era do sexo feminino (66%), com idade média de 47 anos, e a dor lombar era o principal motivo de queixa (60% dos casos). Esses pacientes já viviam com dor há uma mediana de três anos, e quase metade havia passado por pelo menos uma cirurgia relacionada à dor. Tratava-se de um desenho transversal: os participantes foram avaliados uma única vez, por meio de questionários que mediam aceitação da dor, intensidade da dor, ansiedade relacionada à dor, depressão, incapacidade física e psicossocial, tempo de atividade diária e situação de trabalho.

A aceitação da dor foi medida por um instrumento chamado Chronic Pain Acceptance Questionnaire (CPAQ), desenvolvido por Geiser em 1992. Esse questionário avalia o quanto a pessoa reconhece que tem dor, abandona tentativas improdutivas de controlá-la, age como se a dor não necessariamente implicasse incapacidade e consegue direcionar seus esforços para viver de forma satisfatória apesar da dor. Itens como "Estou seguindo em frente com a vida, não importa qual seja meu nível de dor" e "É um alívio perceber que não preciso mudar minha dor para seguir com minha vida" exemplificam essa abordagem.

Os resultados foram consistentes e reveladores. Pacientes com maior pontuação de aceitação relataram menor intensidade de dor, menos ansiedade e comportamentos de evitação, menos depressão, menor incapacidade física e psicossocial, mais horas de atividade diária e melhor situação no trabalho. A correlação entre aceitação e intensidade da dor foi relativamente modesta (r = -0,28), o que indica que aceitar a dor não é simplesmente uma consequência de ter menos dor — ou seja, não são apenas os pacientes que já sofrem menos que conseguem aceitar melhor. O ponto mais importante veio das análises de regressão: mesmo controlando a intensidade da dor e variáveis demográficas como idade, gênero, educação e tempo de dor, a aceitação continuou sendo um preditor significativo de todos os indicadores de ajuste.

Isso sugere que a aceitação tem uma relação própria com o bem-estar, independentemente de quanto a pessoa está doendo no momento.

A interpretação desses achados, porém, exige cautela. Como o próprio autor enfatiza, o estudo é transversal — todos os dados foram coletados em um único momento. Isso significa que não podemos afirmar que aceitar a dor causa melhor ajuste; é igualmente plausível que pessoas que já estão menos deprimidas, menos ansiosas e mais funcionais simplesmente encontrem mais fácil aceitar sua condição. A direção da relação permanece incerta.

Além disso, todos os dados foram obtidos por autorrelato, o que introduz a possibilidade de que características de estilo de resposta ou estado emocional no momento da avaliação tenham influenciado as respostas em múltiplos questionários de forma semelhante.

Do ponto de vista prático, o estudo oferece uma mensagem valiosa para pacientes: a luta constante para eliminar a dor pode, paradoxalmente, aumentar o sofrimento. Quando tentativas repetidas de controle da dor falham, o esforço contínuo de evitação pode levar à descondicionamento físico, manter expectativas irrealistas e perpetuar um ciclo de ansiedade e depressão. Aceitar a dor, neste contexto, não significa desistir de tratamentos que possam ajudar, mas sim reconhecer quando a busca obsessiva pelo controle se torna mais prejudicial que a própria dor. É um convite a redirecionar energia para metas e atividades que ainda são possíveis e significativas, mesmo na presença de desconforto.

O autor destaca que essa transição não é uma decisão única, mas um processo contínuo de equilíbrio entre estratégias de controle e aceitação. E ressalva que nossa cultura e a experiência prévia dos pacientes com o sistema de saúde não os preparam para essa abordagem — desde crianças aprendemos que sintomas devem ser eliminados, não vividos. Mudar essa lógica exige não apenas esforço individual, mas também que profissionais de saúde validem a experiência do paciente e ofereçam explicações completas, para que a sugestão de "aprender a viver com a dor" não seja percebida como rejeição ou justificativa para falha terapêutica.

Para pacientes que já tentaram múltiplos tratamentos sem sucesso duradouro, este estudo oferece uma perspectiva alternativa e esperançosa: é possível que a qualidade de vida melhore mesmo sem redução drástica da dor, desde que haja uma mudança na relação com ela. Essa é a essência do que hoje conhecemos como terapias baseadas em aceitação e compromisso, que se desenvolveram amplamente nas décadas seguintes a esta pesquisa pioneira.

O que fortalece a leitura

  • 1amostra representativa de pacientes com dor crônica
  • 2múltiplas medidas de ajuste psicológico e funcional
  • 3controle estatístico para intensidade da dor
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1estudo transversal não estabelece causalidade
  • 2dependente apenas de autorrelato
  • 3amostra limitada a pacientes buscando tratamento

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
3/5
Confirmação
2/5

🔬 Como o estudo foi organizado

160pessoas avaliadas
divisão dos grupos

pacientes com dor crônica

160 pessoas

avaliação por questionários

⏱️ Tempo de acompanhamento: avaliação única

📊 Resultados em números

📊 Comparação de Resultados

📅 Linha do tempo da evidência

1976Fordyce descreve primeiros conceitos de aceitação na dor crônica
1992Geiser desenvolve primeiro questionário de aceitação da dor
1998McCracken demonstra relação entre aceitação e melhor ajuste

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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