Especialistas no consenso
10
de 6 instituições internacionais
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Life
Ano
2023
Autores
Fernández-de-las-Peñas et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo propõe uma forma mais precisa de entender os pontos-gatilho musculares. Os pesquisadores descobriram que esses pontos dolorosos podem ter diferentes 'tipos' de dor, e identificar corretamente qual tipo você tem pode levar a um tratamento mais eficaz. É como descobrir se sua dor muscular precisa de um tipo específico de abordagem terapêutica para melhorar mais rapidamente.
Título original do estudo: Myofascial Pain Syndrome: A Nociceptive Condition Comorbid with Neuropathic or Nociplastic Pain
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A dor por pontos-gatilho miofasciais é fundamentalmente nociceptiva, mas pode coexistir com componentes nociplásticos ou neuropáticos; identificar corretamente esses fenótipos permite direcionar o tratamento de forma mais precisa, embora os critérios propostos
Este estudo propõe uma forma mais precisa de entender os pontos-gatilho musculares. Os pesquisadores descobriram que esses pontos dolorosos podem ter diferentes 'tipos' de dor, e identificar corretamente qual tipo você tem pode levar a um tratamento mais eficaz. É como descobrir se sua dor muscular precisa de um tipo específico de abordagem terapêutica para melhorar mais rapidamente.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Entender se seu ponto-gatilho é uma dor local simples ou parte de um padrão de sensibilização do nervosismo central ajuda a escolher o tratamento certo.
Ponto 1
A dor miofascial é geralmente nociceptiva (local e ligada ao tecido), mas pode coexistir com sensibilização central
Ponto 2
Se você tem dor generalizada, distúrbios do sono e fadiga, seu tratamento pode precisar de abordagens além do músculo
Ponto 3
Fale com seu médico sobre classificar seu fenótipo de dor — isso pode orientar terapias mais direcionadas
O que este estudo acrescenta
Pela primeira vez, critérios internacionais da IASP são adaptados especificamente para classificar fenótipos de dor em pacientes com pontos-gatilho miofasciais, propondo um sistema prático de 7 passos.
Aplicabilidade clínica
O artigo oferece uma estrutura lógica e bem fundamentada para classificação da dor miofascial, com potencial significativo para melhorar a precisão terapêutica. No entanto, como se trata de proposta teórica sem validação
Força do desenho do estudo
Este nível de evidência sintetiza conhecimento de múltiplas fontes e opinião de especialistas, mas não substitui ensaios clínicos que testam diretamente intervenções em pacientes.
Especialistas no consenso
10
de 6 instituições internacionais
Passos de classificação
7
baseados nos critérios IASP 2021
Fenótipos principais
3
nociceptivo, neuropático, nociplástico (além do tipo misto)
Pacientes com radiculopatia e pontos-gatilho
50-76%
segundo estudos citados, mostrando overlap entre condições
Critérios de diagnóstico em ensaios clínicos
<25%
usam os critérios recomendados de consenso, mostrando heterogeneidade na área
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor miofascial por pontos-gatilho (classificação fenotípica)
Tipo de estudo
Artigo de consenso e análise teórica
Participantes
10 especialistas internacionais; sem dados de pacientes reais
Duração
Revisão abrangente da literatura publicada
Sessões
Não aplicável (estudo teórico)
Comparador
Não aplicável
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Não especificado (estudo teórico)
Não aplicável
Não aplicável
Sistema de 7 passos para classificação fenotípica baseado em critérios IASP
Não aplicável
O artigo discute que tratamentos periféricos são mais adequados para fenótipo nociceptivo, enquanto abordagens multimodais (incluindo intervenções centrais) são necessárias para fe
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Precisão diagnóstica
proposta de melhora
Sistema de 7 passos permite classificar o fenótipo de dor predominante
Personalização terapêutica
potencial de melhora
Identificação do fenótipo orienta escolha entre abordagens periféricas ou centrais
Compreensão da dor mista
melhorou
Reconhece que pontos-gatilho podem coexistir com condições nociplásticas como fibromialgia
Fundamentação científica
melhorou
Baseia-se em critérios internacionais estabelecidos (IASP 2021) e evidências de biomarcadores
O que não mudou
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Este estudo ajuda médicos a identificar se sua dor por pontos-gatilho é predominantemente localizada (nociceptiva) ou se faz parte de um padrão mais complexo de sensibilização do sistema nervoso (nociplástica), permitindo tratamentos mais d
Tempo provável
A classificação pode ser aplicada durante a avaliação clínica inicial, mas os benefícios do tratamento direcionado varia
Os critérios propostos são uma ferramenta teórica que ainda precisa ser testada em estudos clínicos para confirmar se realmente melhoram os resultados do tratam
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Pontos-gatilho sempre causam o mesmo tipo de dor em todas as pessoas
Achado
A dor pode ser predominantemente nociceptiva, mas também coexistir com componentes nociplásticos ou neuropáticos, exigindo avaliação individualizada
Mito
Se o tratamento local no músculo não resolve, a culpa é do paciente ou do 'estresse'
Achado
Em fenótipos nociplásticos, abordagens apenas periféricas podem ser insuficientes; o sistema nervoso central precisa ser considerado no tratamento
Mito
Fibromialgia e dor miofascial são a mesma coisa ou completamente diferentes
Achado
Podem ser condições distintas mas com padrões de dor sobrepostos, possivelmente representando extremos de um mesmo espectro clínico
Mito
Pontos-gatilho em pacientes com dor generalizada são sempre secundários e irrelevantes
Achado
O tratamento dos pontos-gatilho mesmo em condições nociplásticas pode reduzir sintomas de sensibilização e contribuir para o alívio global
Como isso pode funcionar
PASSO 1: Estímulo periférico
Sobrecarga muscular, trauma repetitivo ou postura inadequada ativam nociceptores no ponto-gatilho (mecanismo nociceptivo bem estabelecido)
PASSO 2: Sensibilização espinal
A entrada persistente de sinais dolorosos pode sensibilizar neurônios da medula, ampliando a dor e criando áreas de dor referida (mecanismo central proposto, com evidências de neuroimagem)
PASSO 3: Modulação supraespinal
Em alguns pacientes, mecanismos de inibição descendente da dor ficam comprometidos, e áreas cerebrais de processamento da dor mostram atividade alterada (mecanismo nociplástico, com evidências preliminares)
PASSO 4: Generalização e comorbidades
A sensibilização central pode levar a dor generalizada, distúrbios do sono, fadiga e hipersensibilidade a outros estímulos — características do fenótipo nociplástico (relação observada, mas causalidade ainda em investiga
O que ainda é incerto
Propor critérios para classificar pontos-gatilho em diferentes tipos de dor: nociceptiva, neuropática ou nociplástica
Pontos-gatilho são principalmente dor nociceptiva, mas podem coexistir com outros tipos de dor
Sistema de 7 passos baseado em critérios internacionais para identificar o tipo de dor predominante
Permite tratamento mais preciso ao identificar corretamente o tipo de dor do paciente
Orienta clínicos a adaptar tratamentos conforme o fenótipo de dor identificado
Achados Interessantes
FENÓTIPOS NÃO SÃO EXCLUSIVOS
O estudo desafia a visão de que pontos-gatilho são apenas dor local: eles podem ser comorbidades importantes em condições como fibromialgia e radiculopatia, exigindo tratamento integrado
FERRAMENTA PRÁTICA DE 7 PASSOS
Pela primeira vez, os critérios da IASP de 2021 são operacionalizados em uma árvore de decisão clínica específica para dor miofascial, tornando a classificação mais acessível na prática médica
O TRATAMENTO PRECISA MUDAR CONFORME O TIPO
A descoberta mais útil: exercícios doloridos podem ajudar em fenótipos nociceptivos, mas em fenótipos nociplásticos a abordagem deve ser mais gradual e incluir estratégias centrais — a mesma dor exige terapias diferentes
BIOMARCADORES EMERGENTES
Embora ainda não disponíveis rotineiramente, substâncias como CGRP e citocinas inflamatórias em pontos-gatilho ativos oferecem pistas futuras para diagnóstico mais objetivo
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor miofascial, aquela sensação de nós tensos e doloridos nos músculos que muitas pessoas conhecem como pontos-gatilho, pode ser mais complexa do que parece à primeira vista. Este artigo de consenso, elaborado por especialistas internacionais liderados por Fernández-de-las-Peñas e publicado em 2023 na revista Life, propõe uma nova forma de entender esses pontos-gatilho: eles não são sempre iguais, e o tipo de dor que causam pode variar bastante de uma pessoa para outra. Essa descoberta tem implicações práticas importantes para quem busca tratamento, pois sugere que a abordagem terapêutica precisa ser personalizada conforme o "fenótipo de dor" de cada paciente.
O estudo é uma análise teórica e de consenso, não um ensaio clínico com pacientes reais. Dez especialistas de diferentes países — Espanha, Dinamarca, Bélgica, Suécia, Estados Unidos — revisaram extensivamente a literatura científica existente para propor critérios que permitam classificar a dor dos pontos-gatilho em três categorias principais: nociceptiva, neuropática ou nociplástica. A dor nociceptiva é a mais comum e a que todos conhecemos: surge quando tecidos são lesionados ou sobrecarregados, como quando um músculo fica tenso demais após horas na mesma posição. A dor neuropática, por outro lado, está ligada a problemas no próprio sistema nervoso, como compressões de nervos.
Já a dor nociplástica é mais sutil e intrigante: o sistema nervoso central fica hipersensível, processando sinais de forma exagerada, mesmo sem lesão tecidual clara.
Os autores concluem que a dor miofascial por pontos-gatilho é, na sua essência, uma condição nociceptiva. Isso significa que os pontos-gatilho ativos funcionam como verdadeiras fontes periféricas de dor, liberando substâncias químicas inflamatórias como bradicinina, peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) e diversas citocinas. Estudos citados no artigo mostraram que essas substâncias estão em concentrações mais altas em pontos-gatilho ativos comparados a pontos latentes ou áreas normais do músculo. A tensão da banda muscular onde o ponto se localiza, a rigidez aumentada e as alterações de fluxo sanguíneo são evidências que sustentam essa natureza nociceptiva primária.
No entanto, o artigo vai além dessa classificação simples. Os especialistas argumentam que pontos-gatilho podem coexistir com outros tipos de dor, atuando como comorbidades. Por exemplo, em pacientes com fibromialgia — uma condição classicamente nociplástica, com dor generalizada e hipersensibilidade —, múltiplos pontos-gatilho ativos podem reproduzir o padrão de dor desses pacientes. Estudos preliminares mencionados mostram que a dor generalizada da fibromialgia pode ser, em parte, formada pela soma de várias dores regionais provenientes desses pontos-gatilho.
Da mesma forma, em pacientes com radiculopatia cervical ou lombar (compressão de nervos na coluna), pontos-gatilho secundários aparecem nos músculos inervados pelos nervos afetados, contribuindo para a sintomatologia em uma espécie de fenótipo misto.
Para ajudar médicos a navegar por essa complexidade, os autores propuseram um sistema de sete passos baseado nos critérios da IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor) de 2021. O primeiro passo verifica a duração da dor — pelo menos três meses para caracterizar dor crônica. O segundo analisa a distribuição: dor regional e localizada sugere predominância nociceptiva, enquanto padrões mais generalizados apontam para componente nociplástica. O terceiro passo busca identificar se há uma fonte nociceptiva clara, como lesões visíveis em exames de imagem.
O quarto exclui ou confirma mecanismos neuropáticos. Os passos cinco a sete investigam sinais de hipersensibilidade à dor, histórico de alodinia (dor com estímulos que normalmente não doem) e presença de comorbidades associadas à sensibilização central, como distúrbios do sono, fadiga, problemas cognitivos, ou sensibilidade a luz e sons.
A utilidade clínica dessa classificação é substancial. O artigo destaca que tratamentos focados apenas no ponto-gatilho — como terapias manuais ou exercícios localizados — tendem a funcionar bem quando a dor é predominantemente nociceptiva. Porém, em pacientes com componente nociplástico significativo, essas abordagens sozinhas podem ter efeitos limitados ou até piorar a situação. Para esses casos, o tratamento precisa ser mais abrangente, incluindo abordagens que modulam o sistema nervoso central, como educação sobre neurociência da dor, exercícios aeróbicos graduados de forma contingente à dor, e abordagens psicológicas.
A boa notícia é que o tratamento dos pontos-gatilho mesmo em condições nociplásticas não deve ser completamente abandonado: evidências citadas mostram que ele pode reduzir sintomas associados à sensibilização, como em pacientes com fibromialgia.
É importante que pacientes entendam as limitações deste trabalho. Como se trata de um consenso teórico baseado em revisão de literatura, os critérios propostos ainda precisam ser validados em estudos clínicos futuros. Não há dados de ensaios randomizados prospectivos que provem que essa classificação melhora de fato os resultados do tratamento, embora a lógica seja robusta e baseada em mecanismos conhecidos. Além disso, a distinção entre os fenótipos pode ser desafiadora na prática, pois muitos pacientes apresentam características mistas.
A própria definição de dor nociplástica ainda gera debates na comunidade científica.
Para quem vive com dor miofascial crônica, a mensagem principal é de esperança informada: sua dor pode ter características específicas que, uma vez identificadas, permitem um tratamento mais direcionado. Se sua dor é localizada, ligada a movimentos específicos e sem sinais de hipersensibilidade generalizada, abordagens mais diretas nos tecidos provavelmente ajudarão. Se, por outro lado, você tem dor generalizada, sensibilidade a estímulos leves, distúrbios do sono e fadiga, seu tratamento provavelmente precisará ser mais multidisciplinar, abordando também o funcionamento do sistema nervoso central. Em qualquer caso, a conversa aberta com seu médico sobre essas características pode ser o primeiro passo para uma abordagem mais precisa e eficaz.
Consenso de especialistas
10 pessoas
Análise de literatura e proposição de critérios
Sistema de classificação em 7 passos proposto
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
Converse com quem trata dor crônica há mais de 40 anos
A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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