Animais por grupo
5
Amostra pequena, limitando poder estatístico
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Arquivos Brasileiros de Neurocirurgia
Ano
2018
Autores
Holanda et al.
Desenho
Nível não totalmente claro
Este estudo investigou como a terapia laser de alta intensidade alivia a dor neuropática, mostrando que ela funciona bloqueando temporariamente a transmissão de sinais dolorosos nos nervos. O laser causou mudanças nas células nervosas que interrompem a condução da dor, oferecendo alívio imediato que pode durar dias ou semanas. Os resultados sugerem que diferentes intensidades de laser podem ser combinadas para otimizar o tratamento da dor neuropática.
Título original do estudo: The Mechanistic Basis for Photobiomodulation Therapy of Neuropathic Pain by Near Infrared Laser Light
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Este estudo pré-clínico sugere que laser infravermelho de alta intensidade pode bloquear rapidamente a transmissão de dor neuropática por alterações transitórias nos neurônios, mas ainda não há evidência de que esse efeito se reproduza da mesma forma em humano
Este estudo investigou como a terapia laser de alta intensidade alivia a dor neuropática, mostrando que ela funciona bloqueando temporariamente a transmissão de sinais dolorosos nos nervos. O laser causou mudanças nas células nervosas que interrompem a condução da dor, oferecendo alívio imediato que pode durar dias ou semanas. Os resultados sugerem que diferentes intensidades de laser podem ser combinadas para otimizar o tratamento da dor neuropática.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo em animais mostra que luz infravermelha forte altera neurônios da dor e alivia sintomas rapidamente, mas ainda não é tratamento aprovado para humanos
Ponto 1
Uma única aplicação de 2 minutos reduziu dor ao calor por até 3 semanas em ratos
Ponto 2
O mecanismo parece ser diferente do laser tradicional: bloqueio neural, não apenas anti-inflamatório
Ponto 3
Ainda não existe evidência suficiente para uso clínico rotineiro; converse com seu médico sobre opções comprovadas
O que este estudo acrescenta
Este estudo foi pioneiro em propor explicitamente que diferentes níveis de irradiância do laser atuam por vias distintas — alta intensidade para bloqueio rápido da dor, baixa intensidade para modulação inflamatória prolo
Aplicabilidade clínica
Embora os efeitos tenham sido estatisticamente significativos e clinicamente interessantes em modelo animal, não há dados de eficácia em humanos, nem definição do que constituiria 'melhora clinicamente importante' nesta
Força do desenho do estudo
Estudos em modelos biológicos que precedem testes em humanos, úteis para compreender mecanismos mas insuficientes para recomendar tratamento clínico
Animais por grupo
5
Amostra pequena, limitando poder estatístico
Irradiância in vitro
300 mW/cm²
Intensidade que causou alterações em todos os neurônios pequenos
Irradiância in vivo na região alvo
270 mW/cm²
Obtida com 10W na superfície, após atenuação pelos tecidos
Tempo de aplicação
120 segundos
Exposição única, protocolo muito breve comparado a tratamentos clínicos típicos
Duração do efeito sobre calor
≥21 dias
Mais duradouro que os efeitos sobre frio e pinprick (~5 dias)
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor neuropática periférica persistente
Tipo de estudo
Estudo experimental pré-clínico (in vitro e in vivo)
Participantes
15 ratos machos Sprague-Dawley com lesão experimental do nervo, mais células do
Duração
22 dias de acompanhamento comportamental nos animais
Sessões
Aplicação única de 2 minutos
Comparador
Grupo controle com cirurgia de lesão, sem exposição ao laser
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 sessão única
Aplicação única, sem repetição
2 minutos (120 segundos)
Sonda com esfera de massagem de 4cm movida ao longo do trajeto do nervo ciático/sural, da coluna toracolombar até a pata
Grupo controle: mesma manipulação com laser desligado
Alta irradiância de 270 mW/cm² na região do gânglio da raiz dorsal, obtida com potência de 10W na superfície da pele; animais levemente anestesiados durante o procedimento
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Hipersensibilidade ao calor
melhorou
Redução significativa imediata, com efeito duradouro até 21 dias após tratamento único
Alodinia ao frio
melhorou
Queda acentuada da sensibilidade ao frio dentro de 1 hora, durando cerca de 5 dias
Dor mecânica por pinprick
melhorou
Diminuição da resposta a estímulo pontiagudo logo após o laser, com duração de aproximadamente 5 dias
Metabolismo mitocondrial em neurônios
reduziu
Inibição significativa do metabolismo celular, sugerindo alteração funcional das células nervosas expostas à luz
Morfologia dos neurônios de pequeno diâmetro
alterou
Formação de varicosidades e ondulações nos prolongamentos, indicando interrupção temporária da condução
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Dentro de 1 hora após a aplicação
Alívio imediato
Redução da sensibilidade ao calor, frio e estimulação por pinprick
Dia 7 a 15
Pico do efeito terapêutico
Maior separação entre grupo tratado e controle para sensibilidade ao calor
Dias 15 e 21
Efeito tardio
Redução da sensibilidade ao calor ainda significativa comparada ao controle
Dia 12 (5 dias pós-laser)
Retorno à linha de base
Sensibilidade ao frio e ao pinprick voltaram aos níveis do grupo controle
Antes e depois
Sensibilidade ao calor (dia 7 vs. pós-laser)
escala máx. 10 escala arbitrária de
Sensibilidade ao frio (dia 7 vs. 1h pós-laser)
escala máx. 10 escala de graduação
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Se mecanismos similares operarem em humanos, poderia haver redução da dor térmica e mecânica aguda após uma sessão, com duração de dias a semanas para certos tipos de dor, mas não eliminação completa dos sintomas
Tempo provável
Efeito inicial em horas; pico possível entre 1-2 semanas; necessidade de reavaliação após 3 semanas
Baseado apenas em estudos com animais; resposta em humanos pode ser diferente ou inexistente
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Laser de baixa intensidade e alta intensidade funcionam da mesma forma
Achado
O estudo propõe mecanismos distintos: alta irradiância parece bloquear condução neural diretamente, enquanto baixa irradiância atua mais pela modulação inflamatória
Mito
Quanto mais sessões de laser, melhor o resultado
Achado
Neste estudo, uma única aplicação de 2 minutos produziu efeitos mensuráveis por semanas, sugerindo que a resposta não depende necessariamente de múltiplas sessões
Mito
Laser alivia todos os tipos de dor neuropática igualmente
Achado
O estudo mostrou melhora seletiva: dor térmica e por pinprick melhoraram, mas alodinia mecânica a pressão leve (Von Frey) não mudou
Mito
Efeitos do laser são apenas placebo ou psicológicos
Achado
Alterações mensuráveis em metabolismo mitocondrial e morfologia neuronal foram demonstradas em células cultivadas, independentemente de efeito psicológico
Como isso pode funcionar
ABSORÇÃO DA LUZ
Fótons de 808nm penetram os tecidos e são absorvidos por componentes celulares, possivelmente proteínas associadas aos microtúbulos (mecanismo proposto, não totalmente confirmado)
ALTERAÇÃO CITOESQUELETAL
Formação de varicosidades e ondulações nos neurônios de pequeno diâmetro, sugerindo desorganização temporária dos microtúbulos que sustentam o transporte axonal
INTERRUPÇÃO DA CONDUÇÃO
Redução do metabolismo mitocondrial e bloqueio da condução de sinais dolorosos, especialmente nas fibras C e Aδ responsáveis por dor e temperatura
RECUPERAÇÃO GRADUAL
As células parecem se recuperar com o tempo — o efeito sobre frio e pinprick durou ~5 dias, enquanto o efeito sobre calor persistiu mais, por motivos ainda não esclarecidos
O que ainda é incerto
Investigar como a terapia laser de alta intensidade bloqueia a transmissão de dor neuropática ao nível celular e nervoso
Células nervosas cultivadas e ratos com lesão experimental do nervo para simular dor neuropática
Laser infravermelho 808nm com alta intensidade (270-300 mW/cm²) aplicado uma vez por 2 minutos ao longo do trajeto nervoso
Redução imediata da sensibilidade à dor térmica e mecânica, com efeito duradouro para dor ao calor por até 21 dias
Tratamento bem tolerado, sem eventos adversos relatados nos experimentos
Achados Interessantes
BLOQUEIO NEURAL DIRETO
Pela primeira vez, este estudo detalhou como a alta irradiância (270-300 mW/cm²) causa alterações estruturais visíveis nos neurônios da dor — varicosidades que sugerem interrupção temporária da condução, não apenas modul
PROTOCOLO COMBINADO PROPOSTO
Os autores sugerem uma nova estratégia terapêutica: começar com alta intensidade para alívio rápido, depois usar baixa intensidade para manutenção anti-inflamatória — uma abordagem ainda não testada clinicamente
SELETIVIDADE DE FIBRAS
O laser afetou principalmente neurônios pequenos (fibras de dor e temperatura) e não alterou a alodinia mecânica a pressão leve, sugerindo que diferentes tipos de dor neuropática podem responder diferentemente
JANELA TERAPÊUTICA INESPERADA
A descoberta de que efeitos sobre calor duram semanas, enquanto sobre frio duram dias, com a mesma aplicação, desafia a suposição de que todos os componentes da dor neuropática respondem uniformemente
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor neuropática é uma condição debilitante que afeta milhões de pessoas no mundo todo, caracterizada por sensações dolorosas anormais que surgem quando os nervos ficam lesionados ou doentes. Diferente de uma dor comum, que serve como alerta de uma ameaça imediata, a dor neuropática persiste mesmo sem estímulo aparente, frequentemente descrita como queimação, choques elétricos, formigamento ou hipersensibilidade ao frio e ao toque. Os tratamentos medicamentosos disponíveis hoje — como anticonvulsivantes, antidepressivos e opioides — aliviam os sintomas em menos da metade dos pacientes, e muitos sofrem efeitos colaterais significativos. Essa realidade clínica motiva a busca por terapias não farmacológicas que possam oferecer alívio com maior segurança.
A fotobiomodulação, também conhecida como terapia a laser de baixa intensidade, emergiu nas últimas décadas como uma abordagem promissora. Seu uso clínico já é relatado para dores crônicas de pescoço, síndrome do túnel do carpo e outras condições neuropáticas. No entanto, os mecanismos pelos quais a luz alivia a dor permaneciam incompletamente compreendidos, especialmente quando se utilizam diferentes níveis de intensidade. O estudo de Holanda e colaboradores, publicado em 2018, representa um avanço importante nessa compreensão, investigando especificamente como um laser infravermelho de alta intensidade atua no nível celular e nervoso para bloquear a transmissão da dor.
A pesquisa combinou experimentos em células nervosas cultivadas e em ratos com lesão experimental do nervo, um modelo amplamente utilizado para simular dor neuropática persistente. Nos experimentos in vitro, células do gânglio da raiz dorsal — estruturas que contêm os corpos dos neurônios sensoriais responsáveis por transmitir informações de dor, temperatura e tato — foram expostas a laser de 808 nanômetros com irradiância de 300 miliwatts por centímetro quadrado, por diferentes tempos (2, 5, 30, 60 ou 120 segundos). Já nos experimentos com animais, ratos submetidos à cirurgia de lesão do nervo ciático receberam tratamento transcutâneo único no sétimo dia após a lesão, com laser do mesmo comprimento de onda, mas com potência de saída de 10 watts, resultando em 270 miliwatts por centímetro quadrado na região do gânglio da raiz dorsal. O procedimento durava dois minutos, durante os quais a sonda laser era movida ao longo do trajeto do nervo, desde a coluna até a pata.
Os resultados revelaram padrões distintos de resposta que ajudam a explicar como a luz de alta intensidade atua. Nas células cultivadas, houve redução significativa do metabolismo mitocondrial em todos os grupos tratados, independentemente do tempo de exposição. Além disso, formaram-se varicosidades — dilatações anormais nos prolongamentos dos neurônios — especialmente nos neurônios de menor diâmetro, que correspondem às fibras não mielinizadas e pouco mielinizadas responsáveis por transmitir dor e temperatura. Essas alterações morfológicas sugerem uma interrupção temporária da condução nervosa, mecanismo proposto como base do efeito analgésico rápido.
Nos animais, os testes comportamentais demonstraram redução imediata da sensibilidade ao calor, ao frio e à estimulação mecânica por pinprick dentro de uma hora após o tratamento. O efeito sobre a sensibilidade ao frio e à dor mecânica por pinprick durou aproximadamente cinco dias, retornando então aos níveis do grupo controle. Já a redução da sensibilidade ao calor mostrou-se mais duradoura, mantendo-se significativamente diferente do controle nos dias 15 e 21 após o tratamento. Curiosamente, não houve melhora na alodinia mecânica avaliada pelo teste de Von Frey, que mede a hipersensibilidade a estímulos leves de pressão — uma distinção importante que sugere que o laser de alta intensidade afeta preferencialmente certos tipos de fibra nervosa.
A interpretação desses achados leva os autores a propor uma estratégia terapêutica combinada: o uso inicial de alta irradiância para bloqueio rápido da dor, seguido de tratamentos com menor irradiância para modulação da inflamação crônica e alívio prolongado. Essa abordagem dual reflete a compreensão de que diferentes intensidades de luz ativam mecanismos distintos — enquanto doses mais baixas promovem efeitos anti-inflamatórios e regenerativos bem documentados, doses mais altas parecem causar alterações estruturais transitórias nos neurônios que interrompem a condução dolorosa.
Para pacientes que convivem com dor neuropática, este estudo oferece perspectivas encorajadoras, mas com limitações importantes a considerar. Trata-se de pesquisa pré-clínica, realizada exclusivamente em animais e células cultivadas, sem validação em seres humanos. A amostra foi pequena — apenas cinco animais por grupo — e o tratamento foi aplicado uma única vez, o que difere dos protocolos clínicos típicos que envolvem múltiplas sessões. Além disso, a tradução de resultados de modelos animais para a prática humana é historicamente desafiadora, com muitas terapias promissoras falhando em ensaios clínicos.
A segurança a longo prazo de irradiâncias elevadas também necessita de investigação mais aprofundada, embora neste estudo não tenham sido observados eventos adversos agudos.
O valor desta pesquisa reside principalmente na elucidação de mecanismos: ela ajuda a comunidade científica a compreender por que diferentes configurações de laser produzem efeitos distintos, informando o design de futuros estudos clínicos. Para o paciente, a mensagem prática é que a fotobiomodulação continua sendo uma área de investigação ativa, com potencial para diferentes abordagens terapêuticas dependendo da intensidade utilizada. Quem busca essa terapia deve estar ciente de que a evidência mais robusta atualmente existe para condições específicas e protocolos bem definidos, e que a decisão de tratamento deve sempre considerar o perfil individual de dor, as comorbidades e as opções já experimentadas.
Controle
5 pessoas
cirurgia sem laser
Curto prazo
5 pessoas
laser no 7º dia, avaliação no mesmo dia
Longo prazo
5 pessoas
laser no 7º dia, avaliação até 22º dia
Redução sensibilidade ao calor no dia 15
Redução sensibilidade ao frio imediata
Redução dor mecânica imediata
Duração do alívio da dor ao frio
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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