Estudo científico comentado

Manejo da Dor Crônica em Idosos: Uma Abordagem Multidisciplinar

Referência acadêmica

Periódico

Anesthesiology Clinics

Ano

2019

Autores

Schwan et al.

Desenho

Revisão narrativa

Este estudo mostra que a dor crônica é muito comum em idosos, afetando mais da metade desta população. O tratamento mais eficaz combina diferentes abordagens: medicamentos adequados para a idade, fisioterapia, apoio psicológico e, quando necessário, procedimentos específicos. É importante que o tratamento seja personalizado, considerando as particularidades do envelhecimento e evitando o uso excessivo de medicamentos.

Título original do estudo: Chronic Pain Management in the Elderly

📚Revisão narrativa👥População: idosos >65 anos🌟Impacto clínico alto
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

A dor crônica em idosos é mais bem tratada com uma abordagem multidisciplinar combinada — medicamentos cuidadosamente selecionados, reabilitação física supervisionada e apoio psicológico — sempre priorizando segurança, função e qualidade de vida sobre a simple

O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a dor crônica é muito comum em idosos, afetando mais da metade desta população. O tratamento mais eficaz combina diferentes abordagens: medicamentos adequados para a idade, fisioterapia, apoio psicológico e, quando necessário, procedimentos específicos. É importante que o tratamento seja personalizado, considerando as particularidades do envelhecimento e evitando o uso excessivo de medicamentos.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A dor não é obrigação da idade — existem tratamentos que podem melhorar significativamente sua qualidade de vida
  • 2Quanto mais ativa for sua participação no tratamento, melhores tendem a ser os resultados, especialmente nos exercícios
  • 3Tomar muitos remédios diferentes pode ser tão prejudicial quanto a própria dor; peça revisão periódica de seus medicamentos
  • 4Falar sobre como a dor afeta seu humor e suas relações é parte legítima e importante do tratamento
  • 5Melhorar a capacidade de fazer atividades do dia a dia é frequentemente mais importante do que eliminar completamente a dor
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1É possível simplificar meus medicamentos atuais sem perder o controle da dor?
  • 2Qual tipo de exercício supervisionado seria mais adequado para minha condição atual?
  • 3Existe algum sinal de que eu esteja desenvolvendo dependência de algum medicamento?
  • 4Como posso reconhecer se estou catastrofizando minha dor e que apoio psicológico está disponível?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1AINEs requerem proteção gástrica com inibidores de bomba de prótons e monitoramento de função renal e cardiovascular
  • 2A combinação de gabapentina ou pregabalina com opioides ou sedativos aumenta risco de depressão respiratória — informe seu médico sobre todos os medicamentos em uso
  • 3A titulação de qualquer medicamento em idosos deve ser mais lenta que em adultos jovens, com monitoramento frequente de efeitos colaterais
  • 4Esta revisão não fornece dados de segurança comparativa quantitativa entre todas as modalidades; decisões devem ser individualizadas pelo médico responsável

Leitura rápida para pacientes

Dor crônica na terceira idade tem tratamento

A abordagem mais eficaz combina diferentes estratégias, sempre com segurança e foco em manter sua independência

Ponto 1

Exercícios de fortalecimento supervisionados melhoram dor e equilíbrio em 2-3 meses

Ponto 2

Revisar todos os medicamentos periodicamente ajuda a evitar efeitos colaterais e interações perigosas

Ponto 3

Cuidar do humor e da forma de encarar a dor é tão importante quanto tratar o corpo

O que este estudo acrescenta

ATUALIZAÇÃO MULTIDISCIPLINAR

Esta revisão de 2019 consolida a transição de tratamentos isolados para modelos integrados de cuidado à dor em idosos, enfatizando a farmacocinética do envelhecimento e o papel da reabilitação supervisionada como pilar t

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A revisão consolida evidências de que a abordagem multidisciplinar é superior à monoterapia, mas a magnitude exata do benefício varia conforme a condição de base, a adesão do paciente e a qualidade da supervisão clínica.

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Síntese qualitativa de múltiplos estudos por especialistas da área, útil para orientar prática clínica, mas sem a rigidez numérica de uma meta-análise.

Prevalência de dor crônica em idosos

>50%

Mais da metade dos idosos acima de 65 anos é afetada

Dor em múltiplos locais

70%

Proporção de idosos que relatam dor em mais de uma região do corpo

Perda anual de força muscular após 60 anos

3,5%

Declínio progressivo que contribui para instabilidade e piora da dor

Dispepsia com uso de AINEs

30%

Pacientes que relatam sintomas gástricos com anti-inflamatórios

Uso inapropriado de opioides em idosos

1-3%

Estimativa de uso inadequado entre idosos comunitários, embora taxas de abuso sejam menores que em j

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor crônica em idosos acima de 65 anos

Tipo de estudo

Revisão narrativa da literatura

Participantes

Revisão de estudos com idosos com dor crônica e múltiplas comorbidades; não há n

Duração

Não aplicável — análise de publicações prévias

Sessões

Variável conforme modalidade analisada

Comparador

Não aplicável — comparação entre diferentes abordagens descritas na literatura

Grupos do estudo

Não aplicável — revisão de literatura

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável conforme modalidade

Frequência02

Programas de exercícios geralmente 2-3 vezes por semana; medicações conforme pre

Duração da sessão03

Não especificado de forma uniforme na revisão

Pontos / técnica04

Multimodal: farmacológico (AINEs, antidepressivos, anticonvulsivantes, opioides selecionados), reabilitação física supervisionada, terapia psicológica, procedimentos intervencionis

Comparador05

Não aplicável — revisão comparando abordagens entre si e com cuidado usual

Nota de protocolo06

A titulação deve ser lenta em idosos; a supervisão direta nos exercícios é essencial para adesão e segurança

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Idosos acima de 65 anos com dor crônica de diversas causasPacientes com múltiplas comorbidades e polifarmáciaIndivíduos com osteoartrite, neuropatia diabética, dor pós-AVC e neuralgia pós-herpéticaIdosos com comprometimento cognitivo leve a moderadoResidentes de lares de idosos e idosos comunitáriosPacientes em reabilitação pós-cirúrgica ou pós-fratura

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adultos jovens abaixo de 65 anosPacientes com dor exclusivamente aguda ou pós-operatória imediataIndivíduos com contraindicações absolutas a exercícios ou procedimentos intervencionistasPacientes com insuficiência renal severa para certos medicamentos (criatina <30 mL/min)

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

🦵

Mobilidade e função física

melhorou

Programas de fortalecimento supervisionados melhoraram equilíbrio, marcha e capacidade de atividades diárias

📉

Intensidade da dor

reduziu

Especialmente em osteoartrite de quadril e joelho com exercícios de resistência; também com abordagens psicológicas

😊

Humor e qualidade de vida

melhorou

Manejo da dor associado a redução de isolamento social, ansiedade e sintomas depressivos

💊

Uso de opioides

reduziu

Terapia psicológica breve permitiu suspensão 9 dias mais cedo de opioides pós-cirúrgicos

🏠

Independência domiciliar

melhorou

Terapia ocupacional e adaptações ambientais reduziram incapacidade em atividades diárias

O que não mudou

  • A revisão não estabeleceu superioridade clara de uma única classe medicamentosa sobre todas as outras
  • Não houve consenso sobre protocolo padronizado aplicável universalmente a todos os idosos
  • A eficácia dos canabinoides e da memantina permaneceu com evidência limitada ou inconsistente na população idosa específica

Quando a melhora apareceu

1

8-12 semanas

Fortalecimento muscular

Programas de resistência mostram melhora em função e redução de dor em osteoartrite

2

1 dia (workshop) a 3 meses

Terapia psicológica breve

Workshop de um dia de Terapia de Aceitação e Compromisso reduziu dor pós-cirúrgica em 3 meses

3

Semanas a meses

Opioides de longa ação

Estudo longitudinal em lares de idosos mostrou melhora no status funcional e engajamento social comparado a opioides de curta duração

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Buprenorfina transdérmica apresenta teto para depressão respiratória e é segura em insuficiência renal
  • Terapias psicológicas e abordagens de autogerenciamento têm risco mínimo e alto potencial de benefício
  • Procedimentos intervencionistas, quando bem selecionados, têm menos efeitos sistêmicos que medicamentos
Amarelo
  • AINEs requerem proteção gástrica (IBP) e monitoramento renal e cardiovascular
  • Gabapentinoides devem ser iniciados em doses baixas (100 mg à noite) com titulação lenta
  • Antidepressivos tricíclicos estão na lista de Beers de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos
Vermelho
  • Polifarmácia é alarmante em idosos e aumenta risco de reações adversas a medicamentos
  • Combinação de gabapentinoides com opioides ou outros depressores do SNC pode causar depressão respiratória
  • AINEs são contraindicados em insuficiência renal severa (creatinina <30 mL/min) e devem ser usados com extrema cautela em doença cardiovascular

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Idosos com dor crônica em múltiplos locais e múltiplas comorbidades
  • Pacientes com osteoartrite de quadril ou joelho que conseguem participar de reabilitação supervisionada
  • Indivíduos com catastrofização ou sintomas depressivos/ansiosos associados à dor
  • Pacientes em polifarmácia que precisam de revisão e simplificação do regime medicamentoso
  • Idosos pós-cirurgia ortopédica com risco de dor crônica persistente

Mais cautela para extrapolar

  • Idosos com comprometimento cognitivo severo que não conseguem participar de programas de exercícios ou autogerenciamento
  • Pacientes com instabilidade hemodinâmica ou cardíaca descompensada para exercícios
  • Indivíduos com contraindicações a procedimentos intervencionistas por uso de anticoagulantes ou alto risco cirúrgico
  • Pacientes que recusam abordagem multidisciplinar e insistem apenas em soluções medicamentosas exclusivas

Expectativa realista

Melhora gradual com abordagem combinada

Com dedicação a um plano que combine exercícios supervisionados, ajustes medicamentosos cuidadosos e apoio psicológico, muitos idosos experimentam redução significativa da dor e, mais importante, recuperação de funções que permitam maior in

Tempo provável

Benefícios da reabilitação física tendem a aparecer em 8-12 semanas; ajustes farmacológicos podem levar semanas para est

A dor raramente desaparece completamente; o objetivo é melhorar a qualidade de vida e a capacidade funcional, não eliminar toda a sensação de dor.

Checklist para consulta

  1. 1Levar lista completa de todos os medicamentos em uso, incluindo os de venda livre e suplementos
  2. 2Descrever como a dor afeta atividades diárias específicas (vestir-se, cozinhar, caminhar, dormir)
  3. 3Perguntar sobre possibilidade de reduzir número de medicamentos sem perder controle da dor
  4. 4Solicitar encaminhamento para avaliação de fortalecimento muscular supervisionado, se indicado
  5. 5Discutir sinais de catastrofização ou alterações de humor que acompanham a dor

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Dor crônica é inevitável e deve ser aceita como parte normal do envelhecimento

Achado

Embora comum (mais de 50% dos idosos), a dor não é inevitável; existem tratamentos eficazes e a aceitação passiva leva a piora funcional e isolamento social

Mito

Quanto mais medicamentos para dor, melhor o resultado

Achado

A polifarmácia aumenta riscos de reações adversas; a abordagem multimodal combina estratégias não-farmacológicas para reduzir dependência de medicamentos

Mito

Idosos fracos não se beneficiam de exercícios de fortalecimento

Achado

Estudos mostram que até nonagenários melhoram força, equilíbrio e dor com treinamento de resistência supervisionado, com intensidades altas e baixas mostrando benefícios comparáveis

Mito

Opioides são sempre perigosos demais para idosos

Achado

Quando cuidadosamente selecionados, monitorados e em formulações adequadas (como buprenorfina transdérmica), os opioides podem fazer parte segura de um plano multimodal

Como isso pode funcionar

🦴

PERIFERIA

A dor começa com ativação de terminais nervosos por inflamação local. AINEs, opioides e anestésicos locais atuam neste nível, assim como o ganho de força e mobilidade pela reabilitação

🧠

MEDULA ESPINHAL

Sinais dolorosos são transmitidos para o corno dorsal. Gabapentinoides, opioides e intervenções bloqueiam essa transmissão periférico-central

💭

SISTEMA NERVOSO CENTRAL

A percepção da dor ocorre no cérebro. Antidepressivos (SNRIs, TCAs), antagonistas de NMDA e opioides modulam vias ascendentes e descendentes. Intervenções psicológicas ativam vias inibitórias descendentes

🔄

CICLO DA DOR

Dor crônica altera sono, humor, cognição e função, que por sua vez pioram a dor. A abordagem multidisciplinar quebra esse ciclo ao atuar em múltiplos pontos simultaneamente

O que ainda é incerto

  • ?A eficácia relativa de cada componente da abordagem multidisciplinar não foi quantificada de forma comparativa direta
  • ?Não existem protocolos padronizados de intensidade e duração ideais para exercícios em idosos com diferentes níveis de fragilidade
  • ?A segurança de longo prazo de gabapentinoides em idosos, especialmente com o aumento exponencial de prescrições, ainda carece de dados robustos
  • ?A melhor forma de identificar e tratar dor em idosos com comprometimento cognitivo moderado a severo permanece desafiadora
🎯

O que o estudo quis responder

Revisar abordagens multidisciplinares para manejo de dor crônica em idosos acima de 65 anos

👥

QUEM PARTICIPOU

Revisão focada em adultos idosos com dor crônica e múltiplas comorbidades

🧪

COMO FOI FEITO

Análise de tratamentos farmacológicos, fisioterapia, intervenções e terapias psicológicas

📈

O QUE MUDOU

Abordagem integrada melhora função, mobilidade e qualidade de vida

🛟

SEGURANÇA

Ênfase em evitar polifarmácia e monitorar efeitos adversos específicos da idade

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

BUPRENORFINA TRANSDÉRMICA

Destacada como opção opioidica com perfil de segurança favorável para idosos, incluindo teto para depressão respiratória e segurança em insuficiência renal — vantagens significativas frente a opioides tradicionais

🧭

SUPERVISÃO COMO FATOR CRÍTICO

A revisão revela que a presença de um instrutor qualificado durante exercícios não é luxo, mas necessidade: idosos sem supervisão não progridem e podem desenvolver frustração ou confusão

📌

IMPACTO DA TERAPIA PSICOLÓGICA BREVE

Um único workshop de um dia de Terapia de Aceitação e Compromisso reduziu dor pós-cirúrgica em 3 meses e acelerou em 9 dias a suspensão de opioides — um efeito obtido com uma intervenção de apenas um dia

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Manejo da Dor Crônica em Idosos: Uma Abordagem Multidisciplinar

A dor crônica é uma das condições de saúde mais frequentes entre pessoas acima de 65 anos, afetando mais da metade dessa população e frequentemente reduzindo mobilidade, humor e qualidade de vida social. Este artigo de revisão narrativa, publicado em 2019 na revista Anesthesiology Clinics pelos pesquisadores Schwan, Sclafani e Tawfik, da Universidade de Stanford, examina como o manejo multidisciplinar pode oferecer caminhos mais seguros e eficazes para idosos que convivem com dor persistente.

O estudo não se baseia em um único experimento clínico, mas em uma análise abrangente da literatura científica existente sobre tratamentos farmacológicos, reabilitação física, procedimentos intervencionistas e abordagens psicológicas. Essa natureza de revisão narrativa permite uma visão panorâmica do tema, embora não forneça os níveis mais altos de evidência que um ensaio clínico randomizado ou uma meta-análise ofereceriam. Os autores enfatizam que a dor em idosos raramente tem uma única causa: 70% dos idosos relatam dor em múltiplos locais do corpo, e as condições mais prevalentes incluem osteoartrite, neuropatia diabética, dor pós-AVC, neuralgia pós-herpética, fibromialgia e dor relacionada a câncer.

Um dos pilares centrais do artigo é a avaliação cuidadosa da dor. Em idosos, a comunicação sobre sintomas pode ser desafiadora devido a problemas cognitivos, neuromusculares ou até mesmo crenças culturais de que a dor é inevitável com a idade. Muitos pacientes minimizam seus sintomas por medo de perder independência ou por receio de exames diagnósticos. Para pessoas com comprometimento cognitivo, a observação de mudanças no comportamento — expressões faciais, alterações na mobilidade, mudanças no sono ou apetite — torna-se essencial, já que a autoavaliação pode ser insuficiente.

Na esfera farmacológica, os autores detalham com precisão os riscos específicos de cada classe de medicamento em idosos. Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), embora eficazes para dores com componente inflamatório, carregam riscos significativos de úlceras gástricas (30% dos pacientes relatam dispepsia), toxicidade renal e complicações cardiovasculares. Os antidepressivos tricíclicos, com eficácia comprovada para dor neuropática, aparecem na lista de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos devido aos efeitos anticolinérgicos. Os anticonvulsivantes mais modernos, como gabapentina e pregabalina, ganharam popularidade, mas o aumento três vezes maior em suas prescrições entre 2002 e 2015, especialmente em idosos com múltiplas comorbidades, preocupa os autores devido a riscos de depressão respiratória quando combinados com outros depressores do sistema nervoso central.

Os opioides, quando cuidadosamente selecionados e monitorados, podem fazer parte do plano multimodal. A buprenorfina transdérmica é destacada como opção com perfil de segurança mais favorável, incluindo menor risco de depressão respiratória e segurança em pacientes com comprometimento renal. Já os relaxantes musculares e os canabinoides devem ser usados com extrema cautela nesta faixa etária.

A reabilitação física ocupa lugar de destaque na revisão. A sarcopenia — perda de massa muscular — reduz a força em aproximadamente 3,5% ao ano após os 60 anos, contribuindo para instabilidade, quedas e piora da dor. Programas de fortalecimento muscular, supervisionados e progressivos, demonstraram melhorar significativamente a dor em osteoartrite de quadril e joelho, além de beneficiar equilíbrio e função física geral. Modalidades de baixo impacto como Tai Chi e hidroginástica também mostram benefícios modestos quando praticadas regularmente.

A supervisão direta é crucial: estudos mostram que idosos sem acompanhamento tendem a não progredir nos exercícios e podem desenvolver frustração ou confusão.

As intervenções psicológicas completam o arsenal multidisciplinar. O modelo biopsicossocial da dor reconhece que catastrofização — a tendência de sentir desesperança e impotência diante da dor — prediz pior evolução, maior intensidade de dor e maior consumo de opioides. Terapias como a Terapia de Aceitação e Compromisso, mesmo em formato breve, demonstraram reduzir a dor pós-cirúrgica e acelerar a suspensão de opioides.

Procedimentos intervencionistas, como injeções epidurais, bloqueios de facetas e articulares, oferecem alternativas com menos efeitos sistêmicos que os medicamentos, embora exijam avaliação cuidadosa do risco cirúrgico e do uso de anticoagulantes em cada paciente.

A utilidade clínica desta revisão reside em sua mensagem integradora: não existe tratamento único ideal para dor crônica em idosos. A abordagem mais segura e eficaz combina medicamentos adequadamente selecionados e doseados, reabilitação física personalizada, apoio psicológico e, quando indicado, procedimentos específicos. A coordenação entre diferentes especialistas — clínicos geriátricos, especialistas em dor, reabilitadores e psicólogos — é fundamental para evitar a polifarmácia, que atinge níveis alarmantes nesta população. Os autores reforçam que metas claras de melhora funcional, e não apenas redução numérica de dor, devem guiar o tratamento, engajando o paciente como participante ativo de seu cuidado.

As limitações desta revisão narrativa são importantes de reconhecer: a ausência de meta-análise quantitativa, a falta de protocolos padronizados de tratamento e a impossibilidade de estabelecer hierarquias definitivas de eficácia entre as diferentes abordagens. Cada paciente idoso apresenta um perfil único de comorbidades, medicamentos em uso, capacidade funcional e preferências pessoais, exigindo planos verdadeiramente individualizados. A mensagem final do artigo é de esperança moderada e realista: alívio efetivo da dor é possível na terceira idade, mas demanda um investimento em avaliação cuidadosa, paciência na titulação de medicamentos, comprometimento com atividades físicas supervisionadas e atenção à saúde mental como componentes inseparáveis do cuidado.

O que fortalece a leitura

  • 1Abordagem multidisciplinar abrangente
  • 2Considerações específicas para farmacocinética em idosos
  • 3Ênfase em segurança e prevenção de polifarmácia
  • 4Integração de tratamentos farmacológicos e não-farmacológicos
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Revisão narrativa sem meta-análise
  • 2Ausência de dados quantitativos específicos
  • 3Não apresenta protocolos padronizados de tratamento

Leitura clínica do estudo

MODERADA
75/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
4/5

🔬 Como o estudo foi organizado

pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Revisão narrativa

0 pessoas

Análise de evidências sobre tratamento multidisciplinar

⏱️ Tempo de acompanhamento: Não aplicável - revisão de literatura

📊 Resultados em números

>50%

Prevalência de dor crônica em idosos

0%

Idosos com dor em múltiplos locais

3,5%

Redução anual da força muscular após 60 anos

0%

Pacientes com dispepsia usando AINEs

Destaques percentuais

>50%
Prevalência de dor crônica em idosos
70%
Idosos com dor em múltiplos locais
3,5%
Redução anual da força muscular após 60 anos
30%
Pacientes com dispepsia usando AINEs

📊 Comparação de Resultados

📅 Linha do tempo da evidência

2000Reconhecimento dos riscos de AINEs em idosos
2010Desenvolvimento de diretrizes para uso de opioides em idosos
2015Critérios de Beers atualizados para medicamentos inapropriados
2019Publicação desta revisão sobre abordagem multidisciplinar

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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