Estudo científico comentado

Perspectivas de Médicos sobre o Uso de Acupuntura em Departamento de Emergência Pediátrica

Referência acadêmica

Periódico

Pediatric Emergency Care

Ano

2022

Autores

Jackson et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo qualitativo explorou como médicos pediatras de emergência experimentaram o uso de acupuntura para tratar dor em crianças. Embora tenham identificado barreiras como falta de conhecimento dos pais e tempo limitado, todos os médicos tiveram experiências positivas e recomendaram continuar oferecendo acupuntura. As principais sugestões incluem educar melhor famílias e equipe médica, treinar todos os profissionais e criar protocolos padronizados para tornar a acupuntura mais acessível na emergência pediátrica.

Título original do estudo: Physician Perspectives on Acupuncture Use in the Pediatric Emergency Department

🎯estudo qualitativo👥n=8 médicos📊análise exploratória
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Médicos de emergência pediátrica que aprenderam acupuntura básica tiveram experiências positivas e recomendam sua continuidade, mas barreiras de tempo, treinamento e padronização ainda limitam o acesso equitativo das famílias a essa opção não farmacológica de

O que isso significa para você?

Este estudo qualitativo explorou como médicos pediatras de emergência experimentaram o uso de acupuntura para tratar dor em crianças. Embora tenham identificado barreiras como falta de conhecimento dos pais e tempo limitado, todos os médicos tiveram experiências positivas e recomendaram continuar oferecendo acupuntura. As principais sugestões incluem educar melhor famílias e equipe médica, treinar todos os profissionais e criar protocolos padronizados para tornar a acupuntura mais acessível na emergência pediátrica.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A acupuntura pode estar disponível em prontos-socorros pediátricos como opção complementar para dor, especialmente cefaleia, mas ainda não é padrão em todos os hospitais
  • 2Seu filho pode recusar por medo de agulhas — isso é normal e respeitado; informação prévia e calma ajudam na decisão
  • 3A oferta depende de haver médico credenciado no plantão, então nem sempre será possível mesmo onde existe o programa
  • 4Uma visita de emergência com acupuntura positiva pode abrir porta para tratamento continuado com especialistas fora do hospital
  • 5Pais informados e engajados são essenciais para que mais hospitais invistam em treinamento e padronização desta opção
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Este pronto-socorro oferece acupuntura ou outras terapias não farmacológicas para dor pediátrica? Quando está disponível?
  • 2Meu filho tem condições que poderiam se beneficiar de acupuntura como complemento ao tratamento atual?
  • 3Se a acupuntura ajudar na emergência, como posso acessar tratamento continuado com profissionais especializados?
  • 4Quais são os sinais de que meu filho está respondendo bem, ou quando devo reportar preocupações após o procedimento?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O estudo não foi desenhado para avaliar segurança de forma sistemática — os relatos de 'baixo risco' são percepções dos médicos, não dados de vigilância
  • 2Não há informações nesta pesquisa sobre efeitos adversos específicos em crianças, contraindicações ou critérios de exclusão médica
  • 3A acupuntura aplicada em pronto-socorro era básica e limitada a duas técnicas; complexidade maior requer especialista
  • 4A decisão de oferecer ou aceitar acupuntura deve sempre considerar o estado clínico geral da criança e não atrasar tratamentos urgentemente necessários

Leitura rápida para pacientes

Acupuntura no pronto-socorro infantil? Já existe, mas ainda é rara

Médicos treinados relatam experiências positivas, mas famílias enfrentam barreiras de acesso e desconhecimento

Ponto 1

Pergunte no pronto-socorro se há médico credenciado em acupuntura para dor do seu filho

Ponto 2

O medo de agulhas e o desconhecimento são as maiores barreiras — informação clara ajuda a superar

Ponto 3

Acupuntura no ED é adjuvante, não substitui outros tratamentos, e geralmente é oferecida em uma única visita

O que este estudo acrescenta

PIONEIRO EM IMPLEMENTAÇÃO

Primeira pesquisa qualitativa a examinar como médicos de emergência pediátrica experimentam e implementam acupuntura, identificando barreiras reais e soluções práticas para tornar essa opção mais acessível às famílias.

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

O estudo não prova eficácia, mas fornece evidência de implementação relevante: mostra que médicos podem adotar acupuntura básica, identifica barreiras reais para famílias, e propõe soluções práticas. A relevância está em

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Explora experiências e percepções de profissionais, gerando hipóteses e identificando barreiras, mas não estabelece eficácia comparativa nem resultados clínicos quantificados.

Médicos entrevistados

8

de 18 elegíveis (taxa de participação de 44%)

Sem experiência prévia com acupuntura

62,5%

5 dos 8 médicos nunca haviam experimentado antes

Credenciados em ambas as técnicas

87,5%

7 de 8 completaram o processo completo de credenciamento

Visitas anuais nos dois prontos-socorros

99. 000+

volume do sistema hospitalar onde o estudo foi realizado

Temas principais identificados

4

fatores promotores, barreiras, soluções e recomendação de continuidade

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Dor aguda e crônica em crianças e adolescentes no pronto-socorro

Tipo de estudo

Estudo qualitativo com entrevistas semiestruturadas

Participantes

8 médicos de emergência pediátrica de um hospital acadêmico infantil

Duração

Entrevistas realizadas em 2020, após implementação iniciada em março de 2019

Sessões

Não aplicável — estudo sobre experiência dos médicos, não protocolo fixo de sess

Comparador

Não houve comparador — estudo descritivo-qualitativo

Grupos do estudo

Médicos credenciados em acupuntura básica (n=7)Médico treinado sem credenciamento completo (n=1)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

Variável — acupuntura oferecida em visita única do pronto-socorro, com encaminha

Frequência02

Aplicável apenas à visita de emergência; não havia regime de múltiplas sessões n

Duração da sessão03

O procedimento em si era breve; o tempo total incluía educação e consentimento

Pontos / técnica04

Battlefield Acupuncture (BFA): pontos auriculares específicos; Four Gates: pontos nos membros superiores e inferiores

Comparador05

Nenhum — acupuntura era adjuvante ao tratamento padrão de dor

Nota de protocolo06

A oferta era opcional e dependia da disponibilidade de médico credenciado no plantão; não havia protocolo padronizado de seleção de pacientes

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Médicos de emergência pediátrica de dois prontos-socorros de um hospital infantil acadêmicoProfissionais que completaram o curso básico de acupuntura do hospital entre 2018-2019Majoritariamente médicos sem experiência prévia com acupuntura (62,5%)Médicos com média de 19 anos desde a conclusão da residência (variação: 5-34 anos)Sete dos oito com credenciamento completo em BFA e Four GatesUm médico de pediatria geral; sete de medicina de emergência pediátrica

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças, adolescentes ou famílias — o estudo não entrevistou pacientesProfissionais de enfermagem ou outros membros da equipe multidisciplinarMédicos que optaram por não fazer o treinamento em acupunturaHospitais fora do sistema estudado ou contextos não pediátricosSituações de dor com indicação cirúrgica imediata ou urgências de alto risco de vida

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

🧠

Cefaleia e enxaqueca

maior probabilidade de oferta

Condição mais frequentemente selecionada pelos médicos para oferecer acupuntura

😌

Satisfação das famílias

melhorou

Médicos perceberam que famílias valorizavam o esforço adicional no manejo da dor

💊

Uso de medicamentos

potencial redução

Percepção de que acupuntura poderia diminuir necessidade de analgésicos ou estendê-los

🏥

Fluxo do atendimento

não prejudicou

Médicos relataram que o procedimento podia ocorrer paralelamente a outras intervenções

🔄

Visão holística do cuidado

expandiu

Médicos sentiram que ofereciam abordagem mais integrativa para dor refratária

O que não mudou

  • Não houve padronização de quando ou como oferecer acupuntura — cada médico desenvolveu abordagem individual
  • A disponibilidade não se tornou equitativa: dependia de qual médico estava de plantão
  • Não houve redução clara das barreiras de tempo em períodos de pico de demanda
  • Não foram coletados dados quantitativos de eficácia ou resultados clínicos objetivos dos pacientes

Quando a melhora apareceu

1

Imediato a 30-60 minutos

Durante a permanência no pronto-socorro

Médicos relataram observar redução da dor ou alívio completo enquanto a criança permanecia no departamento

2

Até uma semana após a alta

Potencial extensão do alívio

Alguns médicos mencionaram que o efeito poderia persistir além da visita, embora sem dados sistemáticos de acompanhamento

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Médicos consideraram acupuntura de baixo risco global
  • Nenhuma complicação significativa relatada pelos participantes
  • Procedimento bem tolerado quando oferecido e aceito
Amarelo
  • Medo de agulhas foi barreira frequente de aceitação
  • Requer consentimento informado de pais e, quando apropriado, da criança
  • Efetividade depende de seleção adequada do paciente e momento do atendimento
Vermelho
  • Estudo não foi desenhado para avaliar segurança sistematicamente
  • Sem dados sobre eventos adversos em população pediátrica maior ou mais diversa
  • Não há informações sobre contraindicações específicas ou critérios de exclusão clínicos

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Crianças e adolescentes com cefaleia ou enxaqueca no pronto-socorro
  • Pacientes com dor crônica já conhecida, refratária a tratamentos usuais
  • Famílias abertas a abordagens não farmacológicas e com alguma familiaridade com acupuntura
  • Situações em que o tratamento padrão já foi iniciado e há tempo paralelo para procedimento adjuvante
  • Crianças sem fobia intensa de agulhas ou ansiedade excessiva sobre procedimentos

Mais cautela para extrapolar

  • Urgências de alto risco de vida ou condições que exigem intervenção imediata e exclusiva
  • Pacientes e famílias já satisfeitos com analgesia convencional e sem interesse em alternativas
  • Crianças com recusa firme ao procedimento ou pais que não consentem
  • Situações de pico de demanda no pronto-socorro com tempo extremamente limitado para educação e consentimento
  • Pacientes que necessitam de múltiplas sessões de acupuntura, já que o ED oferecia apenas visita única

Expectativa realista

Uma opção extra, não uma solução única

Se a acupuntura estiver disponível no pronto-socorro, ela pode ser oferecida como complemento ao tratamento de dor, não substituindo medicamentos ou outras intervenções necessárias. O alívio, quando ocorre, pode ser percebido ainda durante

Tempo provável

Possível percepção de melhora durante a visita de emergência; duração do efeito além disso não foi estudada formalmente

A disponibilidade depende de haver médico credenciado no plantão, da receptividade da família, e do tempo disponível para educação e consentimento — nem todos o

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se o pronto-socorro pediátrico oferece acupuntura ou outras terapias não farmacológicas para dor
  2. 2Mencione se seu filho já teve experiência prévia com acupuntura e como reagiu
  3. 3Pergunte sobre possibilidade de encaminhamento para acupuntura continuada se o alívio na emergência for positivo
  4. 4Peça esclarecimentos sobre como a acupuntura se integra ao plano de analgesia atual, não substituindo-o
  5. 5Compartilhe preocupações específicas do seu filho sobre agulhas ou procedimentos para que a equipe possa adaptar a abordagem

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Acupuntura em crianças é exótica e inaceitável

Achado

Médicos relataram que crianças e famílias, quando bem informadas, geralmente aceitam; a principal barreira era desconhecimento, não rejeição intrínseca

Mito

Acupuntura atrasa o atendimento de emergência

Achado

Os médicos descreveram que o procedimento ocorria paralelamente a outras intervenções, sem prolongar a permanência no pronto-socorro

Mito

Só funciona quem já acredita em acupuntura

Achado

62,5% dos médicos não tinham experiência prévia e mesmo assim adotaram e recomendaram a técnica após o treinamento

Mito

Qualquer profissional de saúde pode aplicar

Achado

O estudo enfatizou a necessidade de credenciamento específico, treinamento estruturado e padronização para oferta segura e equitativa

Como isso pode funcionar

👂

ESTÍMULO LOCAL

As técnicas BFA (orelha) e Four Gates (membros) aplicam estímulo mecânico em pontos específicos — o mecanismo exato de analgesia ainda é objeto de pesquisa, com evidências preliminares sobre modulação de vias nervosas e

🧠

MODULAÇÃO CENTRAL

Estudos em adultos sugerem que a acupuntura pode influenciar a percepção da dor no sistema nervoso central, embora os mecanismos pediátricos específicos não tenham sido estudados nesta pesquisa

🔄

ABORDAGEM INTEGRATIVA

No contexto deste estudo, a acupuntura funcionava como complemento ao tratamento padrão, potencialmente reduzindo a necessidade exclusiva de medicamentos — um efeito mais de integração do que de substituição mecânica sim

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os resultados percebidos pelos médicos se traduzem em melhora objetiva e duradoura para as crianças, já que pacientes não foram entrevi
  • ?Desconhece-se se as soluções propostas (credenciamento universal, educação ampla) realmente aumentariam o uso e a eficácia em outros contextos hospita
  • ?A técnica mais eficaz (BFA versus Four Gates) e as indicações mais apropriadas permanecem indefinidas, já que os médicos usaram critérios clínicos não
  • ?Não está claro se a acupuntura básica de emergência seria suficiente para condições de dor mais complexas ou se apenas funciona como ponte para tratam
🎯

O que o estudo quis responder

Explorar experiências de médicos pediatras de emergência que usaram acupuntura (Battlefield e Four Gates) para tratar dor aguda e crônica

👥

QUEM PARTICIPOU

8 médicos de departamentos de emergência pediátrica que completaram treinamento em acupuntura básica entre 2018-2019

🧪

COMO FOI FEITO

Entrevistas semiestruturadas analisadas por métodos qualitativos para identificar fatores que facilitam ou dificultam o uso de acupuntura na emergência

📈

O QUE MUDOU

Identificação de barreiras e soluções práticas para implementar acupuntura na emergência pediátrica, com experiências positivas dos médicos

🛟

SEGURANÇA

Médicos consideraram acupuntura uma opção de baixo risco, sem relatos de complicações significativas

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

MÉDICOS SEM EXPERIÊNCIA VIRAM FÃS

A maioria dos médicos nunca tinha feito acupuntura antes, mas após o treinamento básico tornaram-se defensores da técnica, sugerindo que a curva de aprendizado é acessível para emergencistas pediátricos

🧭

O MAPA DAS BARREIRAS REAIS

O estudo detalha obstáculos concretos que famílias enfrentam: não é falta de vontade médica, mas falta de padronização, tempo para explicar, suprimentos confiáveis e médicos disponíveis em todos os plantões

📌

A CAIXA DE FERRAMENTAS QUE FAZ DIFERENÇA

Um detalhe memorável: médicos valorizaram intensamente um kit físico centralizado com agulhas, cartões de referência, folhetos para famílias e vídeo por QR code — mostrando que infraestrutura simples pode facilitar inova

🔮

O FUTURO DEPENDE DE TODOS CREDENCIADOS

A recomendação unânime dos médicos foi clara: para acesso equitativo, todos os emergencistas do departamento deveriam ser treinados, não apenas voluntários isolados

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Perspectivas de Médicos sobre o Uso de Acupuntura em Departamento de Emergência Pediátrica

A acupuntura vem ganhando cada vez mais destaque como uma alternativa não medicamentosa para o tratamento da dor, especialmente em um momento em que o mundo enfrenta uma grave crise dos opioides. Nos Estados Unidos, essa crise já custou cerca de 504 bilhões de dólares em apenas um ano, com quase 50 mil mortes relacionadas aos opioides em 2019. Aproximadamente 28% dessas mortes estavam ligadas a opioides prescritos por médicos, um número quatro vezes maior que em 1999. Diante desse cenário alarmante, há uma busca crescente por métodos não farmacológicos para o controle da dor, e a acupuntura surge como uma opção promissora, especialmente para crianças e adolescentes atendidos em serviços de emergência.

O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos já reconhece a acupuntura como um tratamento seguro e eficaz para dor aguda e crônica. Pesquisas emergentes mostram que pacientes pediátricos toleram bem a acupuntura e podem experimentar alívio significativo da dor com esse tratamento. Estudos anteriores demonstraram que a acupuntura pode ser útil para diversas condições dolorosas em crianças, incluindo crises de anemia falciforme, costocondrite, enxaquecas e até mesmo apendicite. No entanto, a maioria dessas pesquisas focou apenas na eficácia do tratamento, sem explorar os fatores que facilitam ou dificultam a implementação da acupuntura nos serviços de saúde.

Este estudo teve como objetivo preencher essa lacuna, investigando as experiências de médicos pediatras de emergência que foram treinados para usar duas técnicas específicas de acupuntura: a Acupuntura de Campo de Batalha e o procedimento Quatro Portões. Os pesquisadores queriam entender tanto as experiências desses profissionais ao aplicar essas técnicas quanto os fatores que influenciam a viabilidade de implementar a acupuntura em um departamento de emergência pediátrica. O estudo foi conduzido em um sistema hospitalar infantil no meio-oeste americano, que atende mais de 99 mil pacientes anualmente em seus dois departamentos de emergência.

A metodologia do estudo foi qualitativa, utilizando entrevistas individuais semiestruturadas com oito médicos pediatras de emergência que haviam completado o treinamento básico em acupuntura. Para obter credenciamento, esses médicos precisaram completar um curso básico de acupuntura do hospital e demonstrar competência realizando pelo menos um procedimento de cada técnica como parte do cuidado clínico. As entrevistas, que duraram até 65 minutos cada, exploraram as experiências positivas e negativas dos médicos, os fatores que contribuíram para barreiras e sucessos na implementação, e suas perspectivas sobre o uso futuro da acupuntura na emergência. Para garantir respostas mais honestas e imparciais, as entrevistas foram conduzidas por um membro da equipe que não era bem conhecido pelos participantes e não trabalhava clinicamente com eles.

A análise dos dados revelou quatro temas principais que emergem das experiências desses profissionais. Primeiro, múltiplos fatores promoveram o uso da acupuntura na prática clínica. Os médicos relataram que a acupuntura oferece uma abordagem mais integrativa e holística para o manejo da dor, podendo complementar as estratégias padrão de tratamento e potencialmente limitar o uso de medicamentos. Isso foi considerado particularmente importante para pacientes que não respondiam bem aos tratamentos convencionais ou para famílias que preferiam limitar o uso de medicações.

Os participantes também notaram que a acupuntura se adaptou bem ao fluxo de atendimento da emergência, não causando atrasos significativos. Curiosamente, os médicos eram mais propensos a oferecer acupuntura para pacientes com dores de cabeça, incluindo enxaquecas, comparado a outras queixas principais.

O segundo tema identificou barreiras em múltiplos níveis que impactaram a implementação da acupuntura. No nível individual, as barreiras incluíam a percepção dos pacientes de que a acupuntura seria dolorosa, falta de conhecimento prévio sobre o procedimento, e satisfação com terapias convencionais. Os pais apresentaram preocupações similares, além de ansiedade sobre o tempo adicional que a acupuntura poderia adicionar à permanência na emergência. Entre a equipe médica, as barreiras incluíam conhecimento limitado sobre a disponibilidade da acupuntura, restrições de tempo durante períodos de alta demanda, e dificuldade em reconhecer pacientes que poderiam se beneficiar do procedimento.

No nível sistêmico, os participantes identificaram a imprevisibilidade do ambiente de emergência, o fato de nem todos os médicos serem credenciados em acupuntura, falta de padronização no processo, e problemas ocasionais com o abastecimento de materiais.

O terceiro tema revelou soluções em múltiplos níveis para superar essas barreiras. Os participantes recomendaram aumentar a educação sobre acupuntura entre pacientes, pais, equipe médica e médicos da comunidade. Essa educação deveria abordar tanto o aumento da consciência geral sobre a acupuntura quanto a divulgação de que esse tratamento está disponível na emergência. Uma recomendação forte foi que todos os médicos da emergência deveriam ser credenciados em acupuntura para garantir cuidado mais padronizado e equitativo para todos os pacientes.

Os participantes também sugeriram mecanismos para melhorar o reconhecimento de pacientes que poderiam se beneficiar da acupuntura, incluindo lembretes visuais no ambiente da emergência e profissionais que defendam o uso da acupuntura durante seus plantões.

O quarto e último tema demonstrou que todos os participantes credenciados em acupuntura eram favoráveis à continuação do programa. Eles sentiram que ter a acupuntura disponível como opção de tratamento melhorou o cuidado geral dos pacientes. Os médicos expressaram entusiasmo sobre suas experiências positivas, incluindo tanto a satisfação profissional quanto a satisfação dos pacientes e melhora na dor. Importante destacar que os participantes consideraram a acupuntura um procedimento de baixo risco, com benefícios potenciais superando os riscos mínimos de complicações.

Para pacientes e famílias, este estudo oferece insights valiosos sobre como a acupuntura pode ser integrada de forma segura e eficaz no tratamento de emergência pediátrica. A pesquisa sugere que a educação adequada pode ajudar a superar medos comuns sobre a acupuntura, particularmente a preocupação de que o procedimento seja doloroso. Para profissionais de saúde, o estudo indica que implementar acupuntura em departamentos de emergência pediátrica é viável, mas requer planejamento cuidadoso, educação abrangente da equipe, e sistemas de apoio adequados. A criação de materiais educacionais padronizados, como vídeos explicativos e folhetos informativos, pode facilitar tanto a educação dos pacientes quanto o trabalho dos profissionais.

É importante reconhecer as limitações deste estudo. O tamanho da amostra foi pequeno, embora os pesquisadores tenham atingido saturação de dados consistente com métodos qualitativos padrão. O estudo focou apenas em médicos que completaram o treinamento em acupuntura; trabalhos futuros deveriam explorar as percepções de médicos que escolhem não receber esse treinamento, bem como perspectivas de outros membros da equipe, como enfermeiros. Explorar as perspectivas de cuidadores e pacientes pode identificar facilitadores e barreiras adicionais que devem ser considerados ao implementar acupuntura em emergências pediátricas.

Em conclusão, este estudo pioneiro demonstra que médicos que fornecem acupuntura em

O que fortalece a leitura

  • 1Primeira pesquisa a examinar implementação de acupuntura em emergência pediátrica
  • 2Metodologia qualitativa rigorosa com análise temática
  • 3Identificação de soluções práticas para barreiras encontradas
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Amostra pequena limitada a um único hospital
  • 2Incluiu apenas médicos que receberam treinamento em acupuntura
  • 3Não explorou perspectivas de enfermeiros, pacientes ou famílias

Leitura clínica do estudo

MODERADA
65/ 100
Desenho
3/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

8pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Médicos credenciados

7 pessoas

Médicos que completaram credenciamento em acupuntura BFA e Four Gates

Médicos treinados

1 pessoas

Médico que completou apenas o curso básico sem credenciamento

⏱️ Tempo de acompanhamento: Entrevistas realizadas após implementação de acupuntura em março de 2019

📊 Resultados em números

0%

Taxa de participação nas entrevistas

62,5%

Médicos sem experiência prévia com acupuntura

87,5%

Médicos que completaram credenciamento

0

Temas principais identificados

Destaques percentuais

44%
Taxa de participação nas entrevistas
62,5%
Médicos sem experiência prévia com acupuntura
87,5%
Médicos que completaram credenciamento

📊 Comparação de Resultados

Experiência prévia com acupuntura

Com experiência
3
Sem experiência
5

📅 Linha do tempo da evidência

2017Crise dos opioides declarada emergência de saúde pública nos EUA
2019Implementação de acupuntura básica nos departamentos de emergência do estudo
2020Realização das entrevistas qualitativas com médicos
2022Publicação deste estudo pioneiro sobre acupuntura em emergência pediátrica

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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