n de pacientes
30
15 em cada grupo, amostra pequena mas calculada para detectar diferença clínica relevante
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Journal of Oral & Facial Pain and Headache
Ano
2022
Autores
Agarwal et al.
Desenho
ensaio clínico randomizado
Este estudo mostrou que injeções de plasma rico em plaquetas (PRP) foram mais eficazes que o agulhamento seco para tratar pontos dolorosos no músculo da mastigação. O PRP reduziu significativamente mais a dor e manteve os benefícios por mais tempo. Ambos os tratamentos são seguros, mas o PRP oferece alívio mais duradouro para quem sofre com dor muscular facial.
Título original do estudo: Comparative Efficacy of Platelet-Rich Plasma and Dry Needling for Management of Trigger Points in Masseter Muscle in Myofascial Pain Syndrome Patients: A Randomized Controlled Trial
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
Em pacientes com pontos-gatilho dolorosos no músculo masseter, o plasma rico em plaquetas reduziu mais a dor e por mais tempo que o agulhamento seco, com maior satisfação dos pacientes aos 6 meses, embora ambos os tratamentos tenham sido seguros.
Este estudo mostrou que injeções de plasma rico em plaquetas (PRP) foram mais eficazes que o agulhamento seco para tratar pontos dolorosos no músculo da mastigação. O PRP reduziu significativamente mais a dor e manteve os benefícios por mais tempo. Ambos os tratamentos são seguros, mas o PRP oferece alívio mais duradouro para quem sofre com dor muscular facial.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Estudo comparou injeção de plasma rico em plaquetas com agulhamento seco para pontos doloridos no músculo da mastigação
Ponto 1
PRP reduziu a dor de 5,5 para 0,6 em média; agulhamento seco de 5,1 para 2,0 aos 6 meses
Ponto 2
67% dos pacientes com PRP ficaram muito satisfeitos, contra 27% com agulhamento seco
Ponto 3
Ambos foram seguros, mas o PRP precisou de menos sessões de reforço
O que este estudo acrescenta
Este foi o primeiro ensaio clínico randomizado a comparar PRP versus agulhamento seco especificamente para pontos-gatilho no músculo masseter, preenchendo lacuna importante na literatura de dor orofacial.
Aplicabilidade clínica
A diferença de 1,4 pontos na escala de dor aos 6 meses, somada à maior satisfação e menor necessidade de reintervenção, sugere vantagem clínica relevante do PRP, embora a amostra pequena e a falta de cegamento limitem a
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental onde pacientes foram alocados aleatoriamente aos tratamentos, oferecendo evidência de maior confiabilidade que estudos observacionais, embora a amostr
n de pacientes
30
15 em cada grupo, amostra pequena mas calculada para detectar diferença clínica relevante
redução de dor com PRP
89%
queda relativa da média de VAS de 5,5 para 0,6 aos 6 meses
redução de dor com agulhamento seco
61%
queda relativa da média de VAS de 5,1 para 2,0 aos 6 meses
muito satisfeitos com PRP
67%
proporção no grupo PRP versus 27% no grupo agulhamento seco aos 6 meses
significância estatística
p=0,019
diferença entre grupos na dor aos 6 meses, considerada estatisticamente significativa
Ficha rápida do estudo
Condição
síndrome dolorosa miofascial com pontos-gatilho no músculo masseter
Tipo de estudo
ensaio clínico randomizado
Participantes
n=30 adultos com diagnóstico confirmado por critérios DC/TMD 2013
Duração
6 meses de acompanhamento
Sessões
1 sessão base, com possibilidade de reintervenção se redução da dor <50%
Comparador
agulhamento seco (agulha sem solução)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
1 sessão inicial, com reavaliação e possível reintervenção em seguimentos poster
reavaliações em 2 semanas, 1 mês, 3 meses e 6 meses
não especificada no artigo
injeção de 0,5 mL de PRP por ponto-gatilho no masseter com agulha 27G x 1,5 pol; ou agulhamento seco com mesma agulha em movimento de vai-e-vem 3-4 vezes sem solução
agulhamento seco (agulha vazia, mesma técnica de inserção)
PRP preparado por dupla centrifugação do sangue autólogo, com concentração de 200. 000 a 1. 000. 000 plaquetas/µL; concentração final variou de 2,5 a 10x o basal sanguíneo
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
intensidade da dor
melhorou significativamente mais com PRP
redução de ~89% no PRP versus ~61% no agulhamento seco aos 6 meses
satisfação do paciente
melhorou mais com PRP
67% muito satisfeitos com PRP versus 27% com agulhamento seco aos 6 meses
necessidade de analgésicos
reduziu mais no grupo PRP
apenas 20% precisaram de remédio às 4 semanas no PRP versus 53% no agulhamento seco
necessidade de reintervenção
favorável ao PRP
nenhum paciente do PRP precisou de reinjeção; 27% do grupo controle precisaram nas 2 primeiras semanas
qualidade do sono
melhorou em ambos os grupos
avaliada por VAS, com tendência de melhora acompanhando a redução da dor
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
2 semanas
redução inicial significativa
queda acentuada da dor em ambos os grupos, mais pronunciada no PRP (5,5→1,5 vs 5,1→3,1)
1 mês
diferença entre grupos consolidada
PRP atingiu 0,7 de média versus 2,0 no agulhamento seco, com diferença estatisticamente significativa
6 meses
manutenção do benefício
PRP manteve média de 0,6 enquanto agulhamento seco permaneceu em 2,0, com sinais de recaída no grupo controle
Antes e depois
dor média (escala 0-10) — grupo PRP
escala máx. 10 pontos
dor média (escala 0-10) — grupo agulhamento seco
escala máx. 10 pontos
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Com PRP, a maioria dos pacientes experimenta redução acentuada da dor já nas primeiras 2 semanas, com benefício que se mantém estável por 6 meses; com agulhamento seco, a melhora também ocorre, mas pode ser menos intensa e com maior chance
Tempo provável
melhora inicial em 2 semanas; pico de benefício aos 1-3 meses; avaliação de longo prazo aos 6 meses
Resultados individuais variam, e o estudo não garante que todos terão o mesmo grau de benefício; fatores como estresse, bruxismo não tratado e problemas de oclu
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Agulhamento seco e injeção de PRP funcionam igualmente bem para dor facial
Achado
O estudo mostrou vantagem significativa do PRP em redução de dor, satisfação e necessidade de reintervenção aos 6 meses
Mito
Qualquer dor na mandíbula é problema da articulação e precisa de cirurgia
Achado
A dor miofascial nos músculos da mastigação é uma causa comum e tratável, frequentemente sem envolvimento articular
Mito
PRP é um tratamento experimental perigoso para o rosto
Achado
Neste estudo, o PRP foi seguro, com apenas efeitos leves e temporários, usando sangue autólogo do próprio paciente
Mito
Se a dor melhorar inicialmente, não vai voltar
Achado
O grupo de agulhamento seco mostrou sinais de recaída entre 3 e 6 meses, enquanto o PRP manteve benefício estável — mostrando que durabilidade varia entre técnicas
Como isso pode funcionar
PREPARAÇÃO DO PRP
Sangue do próprio paciente é centrifugado para concentrar plaquetas e fatores de crescimento — mecanismo bem estabelecido
INJEÇÃO NO PONTO-GATILHO
O PRP é injetado diretamente na área dolorida do masseter; o agulhamento seco usa apenas a agulha sem solução
AÇÃO PROPOSTA DO PRP
Fatores de crescimento podem promover regeneração tecidual e modulação inflamatória — mecanismo sugerido, não comprovado neste estudo
RESPONSE LOCAL À AGULHA
Ambas as técnicas provocam resposta local no músculo, mas o PRP adiciona componentes bioativos que podem potencializar a cicatrização
O que ainda é incerto
Comparar plasma rico em plaquetas (PRP) com agulhamento seco para tratar pontos-gatilho dolorosos no músculo masseter
30 pacientes com síndrome dolorosa miofascial e pontos-gatilho confirmados no masseter
15 receberam injeção de PRP e 15 agulhamento seco, com avaliação por 6 meses
PRP reduziu mais a dor: de 5,5 para 0,6 pontos versus 5,1 para 2,0 pontos
Ambos tratamentos foram seguros, com apenas dor leve temporária no local
Achados Interessantes
DURABILIDADE DOS EFEITOS
Enquanto o grupo de agulhamento seco mostrou sinais de recaída entre 3 e 6 meses, o PRP manteve benefício estável, com 66% dos pacientes assintomáticos no final do acompanhamento
PRIMEIRO MAPA DE COMPARAÇÃO
Antes deste estudo, não existia evidência randomizada direta entre essas duas técnicas para o masseter; a pesquisa estabelece um ponto de referência para decisões clínicas futuras
SATISFAÇÃO COMO DESFECHO RELEVANTE
O estudo destacou que a satisfação do paciente acompanhou fielmente os resultados de dor, reforçando o valor de considerar a perspectiva relatada por quem vive com a condição junto às medidas objetivas
QUESTÃO EM ABERTO SOBRE MECANISMO
Os autores levantam se o benefício do PRP vem dos fatores de crescimento ou simplesmente do efeito mecânico da agulha — este estudo não conseguiu separar esses componentes
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor facial persistente, especialmente aquela relacionada à tensão e ao desconforto nos músculos da mastigação, é uma queixa comum que pode comprometer desde a alimentação até a qualidade do sono. Entre as causas mais frequentes está a síndrome dolorosa miofascial, caracterizada pela presença de pontos-gatilho — pequenas áreas muito sensíveis dentro de bandas tensas do músculo que produzem dor local e, muitas vezes, irradiada. O músculo masseter, principal responsável pela elevação da mandíbula e pela força de mordida, é vulnerável a esses pontos-gatilho devido ao estresse, hábitos como apertar os dentes, traumas ou simplesmente a tensão acumulada no dia a dia.
O estudo conduzido por Agarwal e colaboradores, publicado em 2022 no Journal of Oral & Facial Pain and Headache, representa um passo importante na busca por tratamentos mais eficazes para essa condição. Os pesquisadores compararam duas abordagens minimamente invasivas: a injeção de plasma rico em plaquetas, conhecido como PRP, e o agulhamento seco, técnica que utiliza agulhas finas sem aplicação de qualquer solução. O que torna essa pesquisa relevante é que se trata do primeiro ensaio clínico randomizado a confrontar diretamente essas duas modalidades para pontos-gatilho no masseter, preenchendo uma lacuna importante na literatura médica.
Foram recrutados 30 pacientes com diagnóstico confirmado de dor miofascial no masseter, segundo critérios rigorosos internacionais. A amostra foi dividida aleatoriamente em dois grupos de 15 pessoas cada. O grupo de intervenção recebeu injeções de PRP — preparado a partir do próprio sangue do paciente, com concentração de plaquetas entre 200 mil e 1 milhão por microlitro — enquanto o grupo controle foi submetido ao agulhamento seco com agulhas de 27 milímetros em movimento de vai-e-vem. Em ambos os casos, a intervenção base foi realizada no início do estudo, com possibilidade de reavaliação e reintervenção nas consultas de acompanhamento caso a redução da dor fosse inferior a 50%.
A avaliação foi meticulosa e abrangente. Além da intensidade da dor, medida por escala visual de 0 a 10, os pesquisadores acompanharam a amplitude de movimentos mandibulares — abertura máxima da boca, movimentos laterais e protrusivos —, a necessidade de medicamentos analgésicos, a satisfação dos pacientes por escala de Likert e, de forma inovadora, a qualidade do sono também por escala visual. Os pontos de avaliação ocorreram antes do tratamento, após duas semanas, um mês, três meses e, para dor e satisfação, até seis meses por contato telefônico.
Os resultados revelaram diferenças entre as abordagens. No grupo PRP, a dor média caiu de 5,47 para 1,53 já nas duas primeiras semanas, atingindo 0,67 ao primeiro mês e se mantendo em 0,60 aos seis meses — uma redução de aproximadamente 89% em relação ao início. Já no grupo de agulhamento seco, a queda foi de 5,13 para 3,07 em duas semanas, 2,00 no primeiro mês, permanecendo em 2,00 aos seis meses — redução de cerca de 61%. A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa nas avaliações de duas semanas, um mês e seis meses, com valor de p igual a 0,019 no último ponto, indicando que o PRP proporcionou alívio mais pronunciado e duradouro.
A análise por categorias de severidade da dor trouxe insights ainda mais reveladores. No grupo PRP, 86,6% dos pacientes iniciaram com dor moderada, mas aos seis meses 66,6% estavam completamente assintomáticos. No grupo de agulhamento seco, embora houvesse melhora inicial, observou-se uma tendência preocupante de recaída: enquanto aos três meses 40% estavam assintomáticos, aos seis meses esse número caiu para 26,6%, com aumento proporcional na categoria de dor leve. Esse padrão sugere que os efeitos do agulhamento seco podem ser menos sustentáveis ao longo do tempo.
A satisfação dos pacientes acompanhou fielmente os resultados de dor. No grupo PRP, 93,3% estavam satisfeitos ou muito satisfeitos aos seis meses, sendo que 66,7% classificaram-se como muito satisfeitos. No grupo de agulhamento seco, apenas 53,3% alcançaram níveis de satisfação positiva, com 26,7% muito satisfeitos. Nenhum paciente do grupo PRP precisou de reinjeção durante o acompanhamento, enquanto no grupo controle 26,6% necessitaram reintervenção já nas duas semanas e 20% no mês.
Quanto à funcionalidade, ambos os grupos mostraram melhorias na amplitude de movimentos mandibulares, embora sem diferença estatisticamente significativa entre si. Isso provavelmente reflete o fato de que a maioria dos participantes já apresentava abertura bucal dentro da normalidade no início do estudo, limitando o potencial de melhora mensurável. A necessidade de medicamentos para dor também foi menor no grupo PRP, com apenas 20% precisando de analgésicos às quatro semanas contra 53,3% no grupo de agulhamento seco.
A segurança de ambos os procedimentos foi boa. Os únicos efeitos adversos relatados foram dor temporária, leve inchaço e leve dormência no local, geralmente resolvendo-se em 24 a 48 horas. Não houve infecções, hematomas significativos ou outras complicações sérias em nenhum dos grupos.
No entanto, é fundamental interpretar esses achados com prudência. O estudo apresenta limitações importantes que afetam sua generalizabilidade. A amostra de apenas 30 pacientes é pequena, reduzindo a precisão das estimativas de efeito. Os pacientes não foram cegados quanto ao tratamento recebido, o que pode ter influenciado suas avaliações subjetivas de dor e satisfação.
A concentração de plaquetas no PRP variou substancialmente entre os participantes, de 2,5 a 10 vezes o valor basal do sangue, introduzindo heterogeneidade na dose efetiva administrada. Além disso, fatores psicológicos — reconhecidamente importantes em condições de dor crônica — não foram avaliados, e o acompanhamento, embora razoável, poderia ser mais longo para confirmar a durabilidade dos benefícios.
Do ponto de vista prático, este estudo oferece evidências promissoras para pacientes que convivem com dor miofascial facial refratária aos tratamentos conservadores. O PRP emerge como uma opção potencialmente superior ao agulhamento seco, com efeito mais rápido, mais intenso e mais duradouro, além de maior satisfação dos pacientes e menor necessidade de sessões repetidas. Contudo, a decisão terapêutica deve sempre ser individualizada, considerando custos, disponibilidade da tecnologia, preferências do paciente e avaliação criteriosa por profissional qualificado. A pesquisa futura, com amostras maiores, desenho duplo-cego e acompanhamento prolongado, será essencial para consolidar ou refinar essas recomendações.
PRP
15 pessoas
injeção de plasma rico em plaquetas nos pontos-gatilho
Agulhamento seco
15 pessoas
inserção de agulha sem solução nos pontos-gatilho
redução da dor com PRP
redução da dor com agulhamento seco
diferença entre grupos aos 6 meses
pacientes muito satisfeitos com PRP
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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