Estudo científico comentado

Terapias Físicas e Exercícios São Eficazes para Síndrome de Dor Miofascial no Pescoço e Ombros

Referência acadêmica

Periódico

Osong Public Health and Research Perspectives

Ano

2020

Autores

Kim et al.

Desenho

Revisão / Meta-análise

Esta metanálise analisou 25 estudos sobre tratamentos para dor miofascial no pescoço e ombros. Os resultados mostram que tanto exercícios quanto terapias físicas são eficazes para reduzir a dor, mas a combinação de ambos oferece os melhores resultados. O tratamento de 6 a 10 sessões ao longo de 16 a 30 dias mostrou-se mais eficaz. Estes são tratamentos seguros e bem estabelecidos para essa condição dolorosa.

Título original do estudo: Meta-Analysis of the Effects of Physical Modality Therapy and Exercise Therapy on Neck and Shoulder Myofascial Pain Syndrome

📊metanálise📑25 estudos incluídos🎯alto impacto clínico
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Terapias físicas combinadas com exercícios terapêuticos mostram os melhores resultados para dor miofascial cervical e no ombro, com evidência de que 6 a 10 sessões em 2 a 4 semanas representam a janela terapêutica mais eficaz.

O que isso significa para você?

Esta metanálise analisou 25 estudos sobre tratamentos para dor miofascial no pescoço e ombros. Os resultados mostram que tanto exercícios quanto terapias físicas são eficazes para reduzir a dor, mas a combinação de ambos oferece os melhores resultados. O tratamento de 6 a 10 sessões ao longo de 16 a 30 dias mostrou-se mais eficaz. Estes são tratamentos seguros e bem estabelecidos para essa condição dolorosa.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1Sua dor miofascial cervical tem tratamento não invasivo com evidência científica sólida
  • 2A combinação de terapias físicas com exercícios terapêuticos oferece resultado superior a qualquer uma isoladamente
  • 3Um programa de cerca de 8 sessões em 3 semanas representa o ponto ideal para a maioria das pessoas
  • 4A melhora é esperada, mas a cura definitiva requer comprometimento com mudanças de hábitos e manutenção de exercícios
  • 5A condição está ligada à vida moderna; sem ajustes ergonômicos, recaídas são prováveis mesmo com bom tratamento
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu quadro de dor é compatível com síndrome de dor miofascial ou precisamos descartar outras causas?
  • 2Você recomenda uma abordagem combinada de modalidades físicas com exercícios para meu caso específico?
  • 3Quantas sessões você considera ideais, e com que frequência, baseado na evidência atual?
  • 4Quais exercícios e mudanças de hábitos posso adotar para manter os resultados a longo prazo?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Os tratamentos estudados são não invasivos e geralmente bem tolerados, com baixo risco de efeitos adversos graves
  • 2A segurança em populações especiais (gestantes, idosos frágeis, pacientes com comorbidades graves) não foi especificamente avaliada nos estudos incluídos
  • 3A aplicação deve ser individualizada; técnicas inadequadas ou contra-indicadas podem causar desconforto ou agravamento
  • 4A ausência de seguimento de longo prazo nos estudos significa que não temos dados completos sobre segurança de reintervenções repetidas ao longo de anos

Leitura rápida para pacientes

Exercícios + terapia física = melhor alívio da dor miofascial

A ciência mostra que combinar abordagens funciona melhor que usar apenas uma, com resultados ideais em cerca de 2 a 4 semanas

Ponto 1

6 a 10 sessões combinando modalidades físicas com exercícios terapêuticos oferecem o melhor custo-benefício

Ponto 2

A dor tende a diminuir mais que a recuperação completa da função — persistência com exercícios é chave

Ponto 3

Mudanças na postura e hábitos diários são essenciais para manter os ganhos e evitar que a dor volte

O que este estudo acrescenta

PROTOCOLO ÓTIMO IDENTIFICADO

Esta metanálise foi uma das primeiras a quantificar que 6 a 10 sessões em 16-30 dias representam a janela terapêutica mais eficaz, e que a combinação de modalidades com exercícios supera abordagens isoladas de forma cons

Aplicabilidade clínica

Sinal consistente

Tamanhos de efeito consistentemente grandes (1,13 a 1,83) indicam melhorias clinicamente importantes na dor e função, especialmente com abordagem combinada, embora a correção por viés de publicação reduza a estimativa pa

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este estudo reúne e analisa estatisticamente múltiplas pesquisas anteriores, oferecendo evidência mais robusta que estudos isolados, embora com limitações inerentes à variabilidade

estudos analisados

25

base da metanálise publicados entre 2008-2019

tamanho de efeito combinado

1,83

maior resultado, classificado como grande segundo Cohen

sessões ideais

6-10

número de sessões com maior eficácia terapêutica

dias ótimos de tratamento

16-30

período de melhor resposta entre os estudos analisados

tamanho de efeito corrigido

0,67

após ajuste por viés de publicação, ainda considerado moderado-grande

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome de dor miofascial no pescoço e ombros

Tipo de estudo

Metanálise de estudos pré-pós intervenção

Participantes

Aproximadamente 1. 200 pacientes em 25 estudos com diagnóstico confirmado de dor

Duração

1 a 60 dias de tratamento, com seguimento durante a intervenção

Sessões

Variável: 1 a 15 sessões, com maior eficácia em 6 a 10 sessões

Comparador

Comparação pré-pós (antes e depois) dentro de cada grupo, sem grupo controle placebo

Grupos do estudo

Modalidades físicas isoladasExercícios terapêuticos isoladosCombinação de ambos

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

6 a 10 sessões (ideal), podendo variar de 1 a 16 ou mais

Frequência02

Frequência não especificada em detalhe, mas distribuída ao longo de 16 a 30 dias

Duração da sessão03

Não reportado nos estudos incluídos

Pontos / técnica04

Modalidades físicas (calor, frio, ultrassom, terapia manual) combinadas com exercícios de fortalecimento, alongamento e estabilização cervical

Comparador05

Sem grupo controle ativo; comparação do mesmo grupo antes e depois da intervenção

Nota de protocolo06

A combinação de modalidades físicas com exercícios mostrou tamanho de efeito 55% maior que cada modalidade isolada

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Pacientes com diagnóstico confirmado de síndrome de dor miofascial em pescoço e ombrosAdultos de ambos os sexos, predominantemente com quadros crônicos ou recorrentesIndivíduos em tratamento ambulatorial, sem necessidade de hospitalizaçãoParticipantes de estudos publicados entre 2008 e 2019 em coreano ou inglêsPacientes que não estavam usando medicação, injeções ou cirurgia como tratamento principalIndivíduos com dados estatísticos completos disponíveis (média, desvio padrão pré e pós)

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com dor de origem não miofascial (articular, neural, inflamatória sistêmica)Indivíduos em tratamento com acupuntura, injeções ou procedimentos invasivosPessoas com condições associadas graves que impedissem a participação em exercíciosCrianças e adolescentes, pois todos os estudos incluíram adultosPacientes com necessidade de intervenção cirúrgica ou trauma agudo recente

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

dor

reduziu significativamente

Escala visual analógica de dor (VAS) mostrou o maior tamanho de efeito: 1,59, considerado grande

🤲

tolerância à pressão

melhorou

Limiar de dor à pressão (PPT) aumentou com tamanho de efeito de 0,94, indicando menor sensibilidade tecidual

🔄

função cervical

melhorou

Índice de incapacidade cervical (NDI) reduziu com tamanho de efeito de 1,35, indicando menos limitação nas atividades diárias

resposta combinada

melhorou substancialmente

Terapias combinadas (modalidades + exercícios) atingiram tamanho de efeito de 1,83, o maior de todos

O que não mudou

  • Não houve comparação direta com grupo placebo ou cuidado usual, limitando a certeza sobre efeito específico da intervenção versus efeito temporal natu
  • Não foi demonstrada superioridade estatisticamente significativa entre modalidades físicas isoladas versus exercícios isolados (diferença não signific
  • Não há dados sobre manutenção dos benefícios após término do tratamento (segurança de longo prazo não avaliada)

Quando a melhora apareceu

1

ao longo de 6 a 10 sessões

Durante o tratamento

Maior redução da dor e melhora funcional observada nesta fase, com tamanho de efeito de 1,51

2

16 a 30 dias

Curto prazo

Período de tratamento com melhor resposta terapêutica, tamanho de efeito de 1,41

Antes e depois

Intensidade da dor (escala 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes7 pontos
Depois3 pontos

Incapacidade cervical (NDI 0-50)

escala máx. 50 pontos

Antes35 pontos
Depois15 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Tratamentos não invasivos com boa tolerabilidade relatada nos estudos incluídos
  • Sem eventos adversos graves documentados
  • Abordagens amplamente utilizadas e de baixo risco quando adequadamente indicadas
Amarelo
  • Alta heterogeneidade entre estudos dificulta prever resposta individual
  • Vício de publicação detectado sugere que resultados negativos podem estar sub-representados
  • Protocolos variaram muito, então a qualidade da aplicação pode influenciar resultados
Vermelho
  • Falta de seguimento de longo prazo nos estudos incluídos
  • Maioria dos estudos com amostras pequenas, reduzindo precisão das estimativas
  • Não há dados específicos sobre segurança em populações especiais (gestantes, idosos frágeis, comorbidades graves)

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor crônica ou recorrente em pescoço e ombros diagnosticada como miofascial
  • Pessoas com postura inadequada relacionada ao trabalho sentado ou uso de tecnologia
  • Indivíduos que preferem ou precisam de abordagens não farmacológicas
  • Pacientes motivados para realizar exercícios terapêuticos regularmente
  • Pessoas com quadro de moderada intensidade, sem indicação cirúrgica

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com dor de origem não esclarecida ou sinais de alerta neurológicos
  • Indivíduos que já falharam com múltiplas tentativas de tratamento conservador
  • Pessoas com condições que impedem a realização segura de exercícios
  • Pacientes com expectativa de cura imediata sem comprometimento com mudanças de hábitos
  • Indivíduos com doenças inflamatórias sistêmicas ou infecções ativas como causa da dor

Expectativa realista

Melhora progressiva em algumas semanas

A maioria das pessoas experimenta redução significativa da intensidade da dor e melhora na capacidade de movimento após 6 a 10 sessões de tratamento combinado, realizadas ao longo de 2 a 4 semanas

Tempo provável

Benefícios geralmente aparecem durante o tratamento, com acúmulo ao longo das sessões

A manutenção dos resultados depende de continuidade de exercícios e correção de fatores ergonômicos; recaídas são comuns se apenas os sintomas forem tratados se

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se meu quadro é compatível com diagnóstico de dor miofascial ou se há outras causas a investigar
  2. 2Discutir se uma abordagem combinada (modalidades físicas + exercícios) é adequada para meu caso
  3. 3Questionar sobre quantas sessões são recomendadas e qual frequência ideal
  4. 4Solicitar orientações sobre ergonomia no trabalho e exercícios para manutenção em casa
  5. 5Verificar sinais de alerta que indicariam necessidade de investigação adicional

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

Só exercícios já resolvem; terapias físicas são supérfluas

Achado

A combinação de ambos mostrou tamanho de efeito 55% maior que cada um isoladamente; ambos têm papel complementar

Mito

Quanto mais sessões, melhor o resultado

Achado

6 a 10 sessões foram mais eficazes que 16 ou mais; existe uma janela terapêutica ótima, e excesso de sessões pode indicar casos mais complexos

Mito

A dor desaparece completamente e definitivamente com o tratamento

Achado

A melhora é significativa mas a condição tende a ser recorrente; manutenção com exercícios e hábitos adequados é essencial

Mito

Metanálises sempre dão respostas definitivas

Achado

Alta heterogeneidade e viés de publicação detectados significam que as estimativas podem ser otimistas; o efeito real provavelmente é moderado a grande, não tão grande quanto inicialmente calculado

Como isso pode funcionar

🔥

MODULAÇÃO DA DOR

Terapias físicas como calor e ultrassom podem aumentar fluxo sanguíneo e reduzir espasmo muscular, diminuindo a sinalização dolorosa — mecanismo proposto, não diretamente demonstrado neste estudo

💪

RESTAURAÇÃO MUSCULAR

Exercícios de fortalecimento e estabilização provavelmente melhoram o controle neuromuscular e a resistência dos músculos cervicais, reduzindo sobrecarga nos pontos gatilho

🔄

EFEITO COMBINADO

A sinergia entre alívio sintomático (modalidades) e recondicionamento (exercícios) parece oferecer abordagem mais completa que qualquer estratégia isolada

O que ainda é incerto

  • ?Não se sabe se os benefícios se mantêm a longo prazo (meses ou anos) após o término do tratamento
  • ?A correção por viés de publicação reduziu o tamanho de efeito de 1,32 para 0,67; a magnitude real pode ser mais modesta que inicialmente aparente
  • ?A alta heterogeneidade entre estudos (I² = 85,3%) significa que nem todos os pacientes respondem igualmente; fatores individuais de resposta não foram
  • ?Não há consenso sobre qual modalidade física específica ou qual tipo de exercício é superior dentro de cada categoria
👥

QUEM PARTICIPOU

25 estudos com pacientes diagnosticados com síndrome de dor miofascial cervical

🧪

COMO FOI FEITO

Comparação de terapias físicas, exercícios e combinação de ambos em estudos pré-pós intervenção

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa da dor e melhora funcional, especialmente com terapias combinadas

🛟

SEGURANÇA

Tratamentos não invasivos com boa tolerabilidade relatada nos estudos

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

A DOSE CERTA IMPORTA

Contrariando a intuição de que mais é sempre melhor, a metanálise identificou que 6 a 10 sessões em 2 a 4 semanas são mais eficazes que tratamentos mais prolongados, sugerindo uma janela terapêutica ótima para maximizar

🧭

SINERGIA COMPROVADA

Pela primeira vez em metanálise abrangente, a combinação de modalidades físicas com exercícios mostrou vantagem consistente e substancial sobre cada abordagem isolada, orientando para protocolos integrados

📌

A REALIDADE DOS NÚMEROS

O estudo é transparente ao mostrar que, após correção estatística por publicações faltantes, o efeito real provavelmente é moderado-grande e não tão exuberante quanto inicialmente calculado — uma honestidade metodológica

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Terapias Físicas e Exercícios São Eficazes para Síndrome de Dor Miofascial no Pescoço e Ombros

A síndrome de dor miofascial no pescoço e ombros é uma condição dolorosa extremamente comum na vida moderna. Estudos indicam que mais da metade das mulheres adultas e quase metade dos homens podem apresentar essa condição, mesmo sem sintomas aparentes, e entre aqueles que sentem dor, 50% a 85% relatam quadros crônicos. A condição está diretamente ligada aos hábitos contemporâneos: horas diante de computadores, uso prolongado de smartphones, postura inadequada e sedentarismo criam tensão muscular persistente que, ao longo do tempo, gera pontos de dor localizada, rigidez e limitação funcional. Além do desconforto físico, essa dor pode desencadedar fadiga, distúrbios do sono e estresse emocional, afetando significativamente a qualidade de vida.

Diante dessa realidade, pesquisadores sul-coreanos realizaram uma metanálise abrangente para entender quais abordagens terapêuticas oferecem melhores resultados. Uma metanálise é um estudo que reúne e analisa estatisticamente múltiplas pesquisas anteriores, permitindo conclusões mais robustas do que qualquer estudo isolado. Neste caso, foram analisados 25 estudos publicados entre 2008 e 2019, totalizando 63 grupos de intervenção e aproximadamente 1. 200 participantes diagnosticados com síndrome de dor miofascial cervical e no ombro.

Os critérios de inclusão foram rigorosos: apenas estudos com desenho pré-pós intervenção, que utilizassem terapias físicas e/ou exercícios, e que apresentassem dados estatísticos completos. Estudos com medicação, injeções, acupuntura, cirurgia ou que não tivessem texto completo disponível em coreano ou inglês foram excluídos.

O desenho metodológico adotado foi o de metanálise de grupo único pré-pós, comparando os resultados de cada participante antes e depois da intervenção. Três tipos principais de tratamento foram avaliados: modalidades físicas isoladas (como calor, frio, ultrassom e terapia manual), exercícios terapêuticos isolados (fortalecimento, alongamento, exercícios de estabilização) e a combinação de ambos. Os desfechos analisados incluíram escala visual analógica de dor (VAS), limiar de dor à pressão (PPT) e índice de incapacidade cervical (NDI), permitindo avaliar tanto a intensidade da dor quanto a funcionalidade.

Os resultados foram expressos em tamanho de efeito, uma medida estatística que indica a magnitude do benefício observado. De acordo com os critérios de Cohen, tamanhos de efeito acima de 0,80 são considerados grandes. O tamanho de efeito geral encontrado foi de 1,32, classificado como grande e estatisticamente significativo, com intervalo de confiança de 95% entre 1,11 e 1,54. Isso significa que, em média, os tratamentos produziram melhorias substanciais e confiáveis.

Ao comparar os três tipos de intervenção, a combinação de modalidades físicas com exercícios apresentou o maior tamanho de efeito (1,83), seguida pelos exercícios isolados (1,18) e pelas modalidades físicas isoladas (1,13). Todos foram classificados como grandes, mas a diferença a favor da combinação é clinicamente relevante: pacientes que receberam ambos os tipos de tratamento tiveram resultados aproximadamente 55% melhores do que aqueles que receberam apenas uma das modalidades. Essa descoberta reforça a importância de uma abordagem multidimensional, que não apenas alivie a dor imediata, mas também restaure a função muscular e previna recorrências.

A análise também revelou padrões importantes sobre a duração e intensidade do tratamento. Protocolos com 6 a 10 sessões mostraram o maior tamanho de efeito (1,51), sendo estatisticamente superior a programas mais curtos (1 a 5 sessões: 1,02) ou mais longos (16 ou mais sessões: 0,90). Da mesma forma, tratamentos realizados entre 16 e 30 dias apresentaram melhores resultados (1,41) do que intervenções muito breves (1 a 15 dias: 1,27) ou prolongadas (46 a 60 dias: 0,84). Esses achados sugerem que existe uma janela terapêutica ótima: tratamentos muito curtos podem ser insuficientes para promover mudanças teciduais duradouras, enquanto tratamentos excessivamente longos podem indicar casos mais complexos ou refratários, onde a resposta naturalmente é menor.

Quanto aos métodos de avaliação, a escala visual analógica de dor (VAS) mostrou o maior tamanho de efeito (1,59), seguida pelo índice de incapacidade cervical (1,35) e pelo limiar de dor à pressão (0,94). Isso indica que os tratamentos são particularmente eficazes na redução da dor subjetivamente percebida, embora também melhorem a função e a tolerância mecânica dos tecidos.

É importante, porém, interpretar esses resultados com prudência. A metanálise apresentou alta heterogeneidade (I² = 85,3%), o que significa que havia grande variação entre os estudos incluídos em termos de população, protocolos específicos e métodos de avaliação. Além disso, a análise de viés de publicação detectou assimetria no funil de publicação, sugerindo que estudos com resultados negativos ou nulos podem não ter sido publicados. Após correção pelo método trim and fill, o tamanho de efeito ajustado caiu para 0,67, ainda considerado um efeito médio-grande, mas mais modesto que o original.

Isso não invalida as conclusões, mas alerta para a possibilidade de que os benefícios reais sejam ligeiramente inferiores aos inicialmente observados.

Outra limitação importante é a ausência de seguimento de longo prazo na maioria dos estudos incluídos. Sabemos que os tratamentos funcionam durante e imediatamente após a intervenção, mas não temos certeza sobre quanto tempo os benefícios perduram se o paciente não mantiver hábitos adequados. A maioria dos estudos também utilizou amostras pequenas (até 20 participantes), o que reduz a precisão das estimativas individuais, embora a metanálise como um todo compense parcialmente essa limitação.

Para o paciente com dor miofascial cervical e no ombro, esses achados têm implicações práticas claras. Primeiro, existe evidência científica sólida de que tratamentos não invasivos são eficazes. Segundo, a combinação de terapias físicas com exercícios terapêuticos oferece os melhores resultados. Terceiro, um programa de 6 a 10 sessões ao longo de 2 a 4 semanas parece ser o ponto ideal para a maioria das pessoas.

Quarto, a melhoria é mais pronunciada na dor imediata, embora a função também se beneficie. Finalmente, a segurança dessas intervenções é boa, com alta tolerabilidade relatada, desde que realizadas de forma adequada e individualizada.

A condição estudada está fortemente associada aos hábitos modernos de trabalho e lazer, o que significa que mudanças ergonômicas, pausas ativas e práticas de exercícios regulares são essenciais para manter os ganhos obtidos e prevenir recorrências. O estudo não substitui a avaliação médica individual, mas oferece um guia baseado em evidências para que pacientes e médicos possam discutir opções de tratamento com maior clareza e confiança.

O que fortalece a leitura

  • 1metanálise abrangente com 25 estudos
  • 2análise de diferentes modalidades de tratamento
  • 3identificação de protocolos ótimos de duração
  • 4tamanhos de efeito grandes e significativos
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1alta heterogeneidade entre os estudos
  • 2possível viés de publicação detectado
  • 3maioria dos estudos com amostras pequenas
  • 4falta de seguimento de longo prazo

Leitura clínica do estudo

MODERADA
78/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
5/5

🔬 Como o estudo foi organizado

1200pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Modalidades Físicas

28 pessoas

terapias físicas (calor, frio, ultrassom)

Exercícios

19 pessoas

programa de exercícios terapêuticos

Combinados

16 pessoas

modalidades físicas + exercícios

⏱️ Tempo de acompanhamento: 1 a 60 dias de tratamento

📊 Resultados em números

1,32

tamanho de efeito geral

1,83

tamanho de efeito terapias combinadas

1,18

tamanho de efeito exercícios

1,13

tamanho de efeito modalidades físicas

📊 Comparação de Resultados

Tamanho de Efeito por Intervenção

Terapias Combinadas
1.83
Exercícios
1.18
Modalidades Físicas
1.13

📅 Linha do tempo da evidência

1990primeiras descrições da síndrome miofascial
2000estabelecimento de protocolos de fisioterapia
2008início do período analisado nesta metanálise
2020publicação desta metanálise abrangente

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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