Estudo científico comentado

Plasma rico em plaquetas melhora função muscular na síndrome da dor miofascial lombar

Referência acadêmica

Periódico

Scientific Reports

Ano

2024

Autores

Li et al.

Desenho

Nível não totalmente claro

Este estudo testou o plasma rico em plaquetas (PRP) - uma concentração de células do próprio sangue do paciente - para tratar a dor muscular crônica nas costas. O PRP foi injetado diretamente nos pontos dolorosos dos músculos e mostrou reduzir significativamente a dor e melhorar o funcionamento muscular em 2 semanas. Os pesquisadores usaram equipamentos especiais para medir objetivamente as mudanças na atividade elétrica e rigidez dos músculos, confirmando que o tratamento realmente funciona.

Título original do estudo: Effects of platelet-rich plasma injection on electrical activity and biomechanics of the erector spinae muscles in lumbar myofascial pain syndrome

🧪Estudo de Intervenção👥n=40 participantes💪Melhora funcional
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

Uma única injeção de plasma rico em plaquetas guiada por ultrassom reduziu a dor e melhorou a função muscular mensurável em pacientes com dor miofascial lombar crônica, mas a ausência de grupo controle e o acompanhamento curto de duas semanas limitam a certeza

O que isso significa para você?

Este estudo testou o plasma rico em plaquetas (PRP) - uma concentração de células do próprio sangue do paciente - para tratar a dor muscular crônica nas costas. O PRP foi injetado diretamente nos pontos dolorosos dos músculos e mostrou reduzir significativamente a dor e melhorar o funcionamento muscular em 2 semanas. Os pesquisadores usaram equipamentos especiais para medir objetivamente as mudanças na atividade elétrica e rigidez dos músculos, confirmando que o tratamento realmente funciona.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1A dor miofascial lombar crônica envolve não apenas sensação dolorosa, mas também alterações mensuráveis na forma como os músculos se comportam eletricamente e mecanicamente
  • 2O PRP é uma opção que utiliza seu próprio sangue, minimizando riscos de rejeição, mas exige preparo especializado e aplicação guiada por imagem para maior segurança
  • 3A melhora em dois semanas é encorajadora, mas não garante que o benefício se mantenha por meses — acompanhamento contínuo é essencial
  • 4A ausência de grupo controle neste estudo significa que você deve discutir com seu médico todas as opções disponíveis, não apenas o PRP
  • 5Métodos objetivos de avaliação muscular, como os usados neste estudo, podem ajudar a personalizar e monitorar seu tratamento no futuro
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Meu perfil de dor e duração dos sintomas se assemelha aos participantes deste estudo?
  • 2Quais são as alternativas terapêuticas com evidência mais robusta para minha condição específica?
  • 3O centro onde o PRP seria aplicado possui experiência com preparação adequada e guia ultrassônica?
  • 4Como será feito o acompanhamento pós-procedimento e quais critérios definem sucesso ou insucesso do tratamento?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1O estudo não relatou de forma sistemática eventos adversos, embora o procedimento tenha sido descrito como bem tolerado; a segurança específica desta população e protocolo não foi
  • 2O uso de sangue autólogo reduz riscos de transmissão de doenças infecciosas, mas a preparação do PRP envolve etapas técnicas que, se mal executadas, podem comprometer a esterilidad
  • 3A injeção intramuscular, mesmo guiada por ultrassom, carrega riscos potenciais de sangramento local, infecção ou lesão de estruturas adjacentes, embora raros em mãos experientes
  • 4Não há dados neste estudo sobre segurança em pacientes com distúrbios de coagulação, uso de anticoagulantes ou outras condições sistêmicas que possam aumentar riscos procedimentais

Leitura rápida para pacientes

PRP mostrou promessa, mas ainda é cedo para certezas

Uma injeção de plasma do próprio sangue reduziu dor e melhorou função muscular em 2 semanas para quem tem dor miofascial lombar crônica de um lado — mas faltam comparações com outr

Ponto 1

A melhora foi real e mensurável: dor caiu quase pela metade e músculos ficaram menos tensos

Ponto 2

O estudo não teve grupo comparador, então não se sabe se o resultado é específico do PRP

Ponto 3

Se você tem esse perfil de dor, vale conversar com seu médico sobre prós, contras e alternativas

O que este estudo acrescenta

AVALIAÇÃO OBJETIVA DA MUSCULATURA

Este estudo foi um dos primeiros a combinar eletromiografia de superfície e MyotonPRO para documentar mudanças mensuráveis na função muscular após PRP em dor miofascial lombar, indo além de avaliações subjetivas de dor

Aplicabilidade clínica

Sinal moderado

A magnitude da redução da dor e da incapacidade é clinicamente perceptível para pacientes, e a normalização de parâmetros fisiológicos objetivos (atividade elétrica e elasticidade) fortalece a plausibilidade biológica do

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Trata-se de um estudo que aplica uma intervenção e mede resultados antes e depois, mas sem comparar com grupo placebo ou tratamento alternativo, o que limita a certeza sobre a efic

Participantes que completaram

33

de 40 inicialmente recrutados (7 desistiram por conflitos de agenda)

Redução da dor

49%

queda relativa na escala EVA, de 4,3 para 2,2 pontos

Redução da incapacidade

34%

queda relativa no ODI, de 20,8 para 13,8 pontos

Volume de PRP injetado

~6 ml

obtido a partir de aproximadamente 40 ml de sangue venoso

Significância estatística

p < 0,001

para as principais medidas clínicas (dor e incapacidade) e para a redução da atividade elétrica anor

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome da dor miofascial lombar unilateral crônica

Tipo de estudo

Ensaio clínico de grupo único, não randomizado

Participantes

40 adultos (23 mulheres, 17 homens) com dor miofascial lombar unilateral há mais

Duração

2 semanas de acompanhamento pós-intervenção

Sessões

1 sessão única de injeção de PRP

Comparador

Nenhum — estudo sem grupo controle ou comparador ativo

Grupos do estudo

Todos receberam PRP (sem grupo controle)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1

Frequência02

Sessão única, sem repetição programada

Duração da sessão03

Não especificada no artigo

Pontos / técnica04

Injeção de PRP guiada por ultrassom nos pontos-gatilho miofasciais e tecido circundante do músculo eretor da espinha, com liberação camada por camada

Comparador05

Nenhum — todos os participantes receberam PRP

Nota de protocolo06

O PRP foi preparado a partir de aproximadamente 40 ml de sangue venoso do próprio paciente, com dupla centrifugação, obtendo-se cerca de 6 ml de concentrado; cloreto de cálcio e tr

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos de 18 a 70 anos com dor miofascial lombar unilateralSintomas persistentes há pelo menos 6 mesesPresença de pontos-gatilho miofasciais ativos confirmados por critérios clínicos padronizadosDor localizada no músculo eretor da espinhaCapacidade de realizar contrações voluntárias máximas do tronco para avaliação eletromiográfica

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Pacientes com sinais neurológicos de compressão radicularIndivíduos com histórico de cirurgia lombar ou trauma vertebralGestantesPacientes com diagnóstico de neoplasia malignaPessoas que não puderam completar o protocolo por conflitos de agenda

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor

reduziu

Queda de 4,3 para 2,2 pontos na escala EVA (0-10), com significância estatística (p < 0,001)

🚶

Incapacidade funcional

melhorou

Redução de 20,8 para 13,8 pontos no Índice de Oswestry, indicando menos interferência nas atividades diárias (p < 0,001)

Atividade elétrica muscular anormal

reduziu

Diminuição significativa dos parâmetros de amplitude do sinal eletromiográfico no lado doloroso (RMS, MAV, iEMG, WL; p ≤ 0,001 a 0,008)

🧽

Elasticidade muscular

melhorou

Aumento do decremento logarítmico no lado doloroso (p < 0,001), indicando recuperação da capacidade elástica do tecido

⚖️

Equilíbrio muscular bilateral

melhorou

Após o tratamento, não houve mais diferenças significativas entre os lados doloroso e não doloroso nos parâmetros eletromiográficos

O que não mudou

  • Características de frequência do sinal eletromiográfico (MDF e MPF) não mostraram diferença significativa entre os lados nem antes nem depois do trata
  • Rigidez dinâmica, tempo de relaxamento e deformação lenta (creep) não apresentaram alterações significativas no lado doloroso após o PRP
  • Não houve grupo controle para isolar o efeito específico do PRP de fatores como placebo ou evolução espontânea

Quando a melhora apareceu

1

2 semanas após a injeção única de PRP

Avaliação pós-tratamento

Redução significativa da dor (EVA de 4,3 para 2,2), melhora da incapacidade funcional (ODI de 20,8 para 13,8), normalização da atividade elétrica muscular e aumento da elasticidade

Antes e depois

Dor (EVA 0-10)

escala máx. 10 pontos

Antes4.3 pontos
Depois2.2 pontos

Incapacidade (ODI 0-100)

escala máx. 100 %

Antes20.8 %
Depois13.8 %

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Uso de sangue autólogo elimina riscos de rejeição ou transmissão de doenças infecciosas
  • Procedimento minimamente invasivo realizado com guia ultrassônica, aumentando a precisão e reduzindo riscos
  • Nenhum evento adverso grave foi relatado entre os 33 participantes que completaram o estudo
Amarelo
  • Desconforto temporário no local da punção venosa e da injeção muscular é esperável
  • A necessidade de adição de ativadores (cloreto de cálcio e trombina) pode variar em outros protocolos clínicos
  • A experiência do operador é relevante para a segurança e eficácia do procedimento guiado por ultrassom
Vermelho
  • Ausência de relato sistemático de eventos adversos no artigo — a segurança foi inferida, não rigorosamente quantificada
  • Não há dados sobre contraindicações específicas, interações medicamentosas ou segurança em populações especiais

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial lombar unilateral crônica (mais de 6 meses) e pontos-gatilho ativos no eretor da espinha
  • Pacientes que não obtiveram alívio satisfatório com tratamentos conservadores convencionais
  • Indivíduos sem sinais de compressão nervosa, histórico cirúrgico lombar ou doenças sistêmicas graves
  • Pessoas com acesso a centros que realizam o procedimento com guia ultrassônica e preparação adequada do PRP

Mais cautela para extrapolar

  • Pacientes com dor de origem predominantemente neuropática ou compressão radicular confirmada
  • Indivíduos com expectativa de cura definitiva ou resultados imediatos e duradouros sem acompanhamento
  • Pessoas que buscam exclusivamente evidência de ensaios randomizados com grupo controle para tomar decisões terapêuticas
  • Pacientes com condições que dificultam a coleta de sangue venoso ou que utilizam anticoagulantes (não especificamente estudado)
  • Gestantes ou pacientes com diagnóstico de neoplasia (critérios de exclusão do estudo original)

Expectativa realista

Melhora em duas semanas, com ressalvas

Se o PRP funcionar para você, a redução da dor e a melhora do funcionamento tendem a se manifestar dentro de aproximadamente duas semanas após a injeção única, com diminuição perceptível da tensão muscular anormal

Tempo provável

Avaliação inicial de resultados em 2 semanas; não há dados neste estudo sobre duração além desse período

Como não houve comparação com placebo neste estudo, não é possível saber com certeza se a melhora observada se deve exclusivamente ao PRP ou também a fatores co

Checklist para consulta

  1. 1Pergunte se seus sintomas se encaixam no perfil estudado: dor miofascial lombar unilateral com pontos-gatilho palpáveis há mais de 6 meses
  2. 2Questione se há evidências de disfunção muscular mensurável (tensão aumentada, elasticidade reduzida) que poderia justificar o uso de PRP
  3. 3Discuta alternativas terapêuticas com evidência mais consolidada e compare custos, riscos e benefícios esperados
  4. 4Verifique se o procedimento será realizado com guia ultrassônica e por profissional com experiência adequada na preparação e aplicação de PRP
  5. 5Estabeleça um plano de reavaliação clínica em 2-4 semanas e defina critérios para considerar outras opções caso a melhora não ocorra

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

PRP é uma cura definitiva para qualquer tipo de dor nas costas

Achado

O estudo avaliou apenas dor miofascial lombar unilateral específica, com acompanhamento de apenas duas semanas, e não demonstrou cura — apenas melhora parcial dos sintomas

Mito

Se a dor melhorou, o PRP foi o único responsável

Achado

Sem grupo controle, não é possível distinguir o efeito do PRP do efeito placebo, da expectativa do paciente ou da evolução natural da condição crônica

Mito

A injeção de PRP restaura completamente o músculo ao normal

Achado

A melhora foi parcial e seletiva: alguns parâmetros eletromiográficos e de elasticidade melhoraram, mas outros parâmetros biomecânicos não mostraram alteração significativa

Mito

Quanto mais sessões de PRP, melhor o resultado

Achado

Este estudo utilizou apenas uma sessão única e não comparou regimes diferentes; não há evidência aqui de que múltiplas injeções sejam necessárias ou superiores

Como isso pode funcionar

🩸

PREPARAÇÃO DO PRP

Sangue do próprio paciente é coletado e centrifugado para concentrar plaquetas e fatores de crescimento — mecanismo bem estabelecido na literatura médica

🎯

INJEÇÃO GUIADA

O PRP é injetado diretamente nos pontos-gatilho miofasciais sob guia ultrassônica, permitindo precisão anatômica — técnica validada clinicamente

🔧

POSSÍVEIS EFEITOS LOCAIS

Provavelmente promove modulação inflamatória, melhora da microcirculação e interrupção do ciclo de contração sustentada das fibras musculares — mecanismos propostos pelos autores, ainda em investigação

📊

MUDANÇAS MENSURÁVEIS

Redução da atividade elétrica anormal e recuperação parcial da elasticidade muscular, observadas objetivamente com equipamentos especializados — resultado empírico do estudo

O que ainda é incerto

  • ?A durabilidade dos efeitos além de duas semanas é completamente desconhecida, pois não houve acompanhamento de longo prazo
  • ?Não se sabe se os resultados seriam semelhantes em dor miofascial bilateral, em outras regiões da coluna ou em outros músculos além do eretor da espin
  • ?A contribuição relativa do efeito placebo versus efeito biológico do PRP permanece indeterminada devido à ausência de grupo controle
  • ?O impacto da técnica de preparação do PRP (velocidade de centrifugação, ativadores utilizados) na eficácia final não foi explorado neste estudo
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar se o plasma rico em plaquetas (PRP) melhora a disfunção muscular na síndrome da dor miofascial lombar

👥

QUEM PARTICIPOU

40 adultos com dor miofascial unilateral no músculo eretor da espinha há mais de 6 meses

🧪

COMO FOI FEITO

Injeção única de PRP guiada por ultrassom nos pontos-gatilho musculares, com análise da atividade elétrica e propriedades biomecânicas

📈

O QUE MUDOU

Redução significativa da dor (de 4,3 para 2,2) e melhora da função muscular após 2 semanas

🛟

SEGURANÇA

Procedimento bem tolerado, usando sangue do próprio paciente com baixo risco de complicações

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

MÚSCULOS DO LADO SAUDÁVEL TAMBÉM MUDARAM

Curiosamente, após tratar apenas o lado doloroso, alguns parâmetros do lado oposto também se modificaram — sugerindo que o corpo reorganiza o padrão muscular global quando a dor principal é aliviada, não apenas o local t

🧭

AVALIAÇÃO OBJETIVA VALIDA A MELHORA SUBJETIVA

Pela primeira vez em dor miofascial lombar com PRP, melhorias relatadas pelos pacientes (menos dor, mais funcionalidade) foram acompanhadas de mudanças concretas em exames de atividade elétrica e elasticidade muscular —

📌

ELASTICIDADE RECUPEROU, MAS RIGIDEZ NÃO

O estudo mostrou que a elasticidade muscular melhorou de forma seletiva, enquanto a rigidez dinâmica permaneceu inalterada — indicando que o PRP pode atuar de forma diferenciada nas propriedades do tecido, não de forma g

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

Plasma rico em plaquetas melhora função muscular na síndrome da dor miofascial lombar

A dor lombar é uma das queixas mais comuns em consultórios médicos em todo o mundo, e entre suas diversas causas, a síndrome da dor miofascial (SDM) ocupa lugar de destaque. Essa condição se caracteriza por pontos dolorosos localizados nos músculos — conhecidos como pontos-gatilho miofasciais — que podem gerar dor persistente, tensão muscular e limitação dos movimentos. O músculo eretor da espinha, fundamental para a estabilização da coluna, é frequentemente acometido nesse processo. Quando a dor se instala de forma unilateral, ou seja, predominantemente de um lado, ela não apenas incomoda, mas também altera a forma como os músculos trabalham, criando desequilíbrios que perpetuam o ciclo doloroso.

Neste estudo conduzido no Centro de Medicina de Reabilitação do Hospital West China da Universidade de Sichuan, na China, pesquisadores investigaram uma abordagem promissora para essa condição: a injeção de plasma rico em plaquetas, ou PRP. O PRP é uma preparação obtida a partir do sangue do próprio paciente, que passa por um processo de centrifugação para concentrar as plaquetas — células ricas em fatores de crescimento e moléculas que auxiliam na regeneração tecidual e na modulação da inflamação. A ideia central é que, ao injetar essa concentração diretamente nos pontos-gatilho dolorosos, seria possível não apenas aliviar a dor, mas também promover a recuperação do tecido muscular danificado.

O estudo incluiu 40 adultos com dor miofascial lombar unilateral de pelo menos seis meses de duração, com idades entre 18 e 70 anos. Todos os participantes apresentavam os critérios clássicos da síndrome: pontos sensíveis à palpação, com ou sem irradiação da dor, reconhecimento da sintomatologia pelo próprio paciente durante o exame, e pelo menos três características adicionais como rigidez muscular, limitação de movimento, piora da dor com estresse ou presença de bandas tensas palpáveis. Foram excluídos pacientes com sinais neurológicos de compressão de raiz nervosa, histórico prévio de cirurgia lombar, gestantes e aqueles com diagnóstico de câncer.

O protocolo de intervenção consistiu em uma única sessão de injeção de PRP, guiada por ultrassom para garantir precisão na localização dos pontos-gatilho no músculo eretor da espinha. O procedimento foi realizado por um médico de reabilitação com mais de dez anos de experiência. Aproximadamente 40 ml de sangue venoso foram coletados de cada paciente, processados por centrifugação para obter cerca de 6 ml de PRP, que foi então ativado e injetado imediatamente. A avaliação dos resultados ocorreu antes do tratamento e duas semanas após, combinando medidas subjetivas de dor e funcionalidade com avaliações objetivas da atividade elétrica e das propriedades biomecânicas musculares.

Para avaliar a dor, os pesquisadores utilizaram a escala visual analógica (EVA, de 0 a 10), enquanto a incapacidade funcional foi mensurada pelo Índice de Incapacidade de Oswestry (ODI). A atividade elétrica muscular foi captada por eletromiografia de superfície durante contrações de extensão do tronco, analisando parâmetros que refletem a intensidade do sinal elétrico muscular. Já as propriedades biomecânicas foram avaliadas com um dispositivo portátil chamado MyotonPRO, capaz de medir a tensão, elasticidade e rigidez do músculo em repouso.

Os resultados revelaram melhorias significativas em múltiplos aspectos. A dor diminuiu de uma média de 4,3 para 2,2 pontos na escala EVA, enquanto a incapacidade funcional caiu de 20,8 para 13,8 pontos no ODI — ambas as reduções com significância estatística robusta. Do ponto de vista fisiológico, a atividade elétrica anormalmente elevada no lado doloroso — que indicava os músculos trabalhando de forma excessiva e descontrolada — reduziu-se consideravelmente após o tratamento. Curiosamente, alguns parâmetros do lado não doloroso também se modificaram, sugerindo que a melhora do lado acometido permitiu uma reorganização mais equilibrada do padrão muscular global.

As propriedades biomecânicas também mostraram evolução. O parâmetro chamado "decremento logarítmico", que reflete a elasticidade muscular, aumentou significativamente no lado doloroso após o PRP, indicando que o músculo recuperou parte de sua capacidade de deformação e retorno elástico. Isso é particularmente relevante porque a perda de elasticidade é uma das características centrais da disfunção miofascial crônica.

Apesar desses achados promissores, é fundamental interpretar os resultados com prudência. O estudo não incluiu um grupo controle — ou seja, não houve comparação com pacientes que recebessem placebo, outro tratamento ou nenhuma intervenção. Isso significa que parte da melhora observada poderia estar relacionada ao efeito placebo, à expectativa do tratamento ou à evolução natural da condição. Além disso, o acompanhamento foi relativamente curto, de apenas duas semanas, não permitindo conclusões sobre a durabilidade dos benefícios a médio e longo prazo.

Outra limitação importante foi o diagnóstico dos pontos-gatilho baseado exclusivamente na palpação clínica, sem confirmação por métodos de imagem, o que pode ter introduzido alguma heterogeneidade na amostra.

Do ponto de vista prático para pacientes, este estudo sugere que o PRP pode representar uma opção terapêutica válida para a dor miofascial lombar crônica, especialmente quando há evidência de disfunção muscular mensurável. O procedimento é minimamente invasivo, utiliza material autólogo — eliminando riscos de rejeição ou transmissão de doenças — e foi bem tolerado pelos participantes. No entanto, a decisão pelo tratamento deve considerar que se trata de evidência preliminar, derivada de um estudo de grupo único sem randomização. Pacientes interessados devem discutir com seus médicos se essa abordagem se encaixa em seu perfil clínico particular, especialmente considerando a disponibilidade do procedimento, os custos envolvidos e a necessidade de acompanhamento adequado.

O que fortalece a leitura

  • 1Uso de medidas objetivas para avaliar função muscular
  • 2Análise detalhada da atividade elétrica e propriedades biomecânicas
  • 3Melhora significativa tanto na dor quanto na função
  • 4Procedimento minimamente invasivo usando sangue do próprio paciente
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Sem grupo controle para comparação
  • 2Acompanhamento curto de apenas 2 semanas
  • 3Diagnóstico baseado apenas no exame clínico
  • 4Tamanho da amostra relativamente pequeno

Leitura clínica do estudo

MODERADA
72/ 100
Desenho
4/5
Amostra
3/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

40pessoas avaliadas
divisão dos grupos

Todos receberam PRP

40 pessoas

Injeção única de plasma rico em plaquetas nos pontos-gatilho

⏱️ Tempo de acompanhamento: 2 semanas de acompanhamento

📊 Resultados em números

de 4,3 para 2,2 pontos

Redução da dor (escala VAS)

de 20,8 para 13,8 pontos

Melhora da incapacidade funcional (ODI)

p < 0,001

Redução da atividade elétrica anormal

p < 0,001

Melhora da elasticidade muscular

📊 Comparação de Resultados

Dor (VAS 0-10)

Antes do PRP
4.3
Após PRP
2.2

Incapacidade (ODI %)

Antes do PRP
20.8
Após PRP
13.8

📅 Linha do tempo da evidência

2010Primeiros estudos sobre pontos-gatilho miofasciais
2020Interesse crescente no PRP para dor miofascial
2022Desenvolvimento de métodos objetivos de avaliação muscular
2024Este estudo comprova eficácia do PRP com medidas objetivas

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Conheça a equipe da clínica →

Continue lendo

Continue pesquisando

Outros estudos próximos para aprofundar a leitura.

Dor Lombar & PélvicaTerapias Adjuntas (Moxa, Ventosa, Gua Sha)
2021

Ventosa seca reduz dor e melhora funcionalidade em dor lombar crônica

O que este estudo responde

A ventosaterapia seca, aplicada em pontos específicos com sucção moderada por cinco sessões, reduziu significativamente a dor lombar crônica e melhorou a…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como ventosa seca com sucção real (n=19) foi comparado a ventosa falsa com furo que impede a sucção, mantida por fita adesiva dupla-face em dor…

Comparador

Ventosa falsa com furo que impede a sucção, mantida por fita adesiva dupla-face

🧪 Ensaio clínico randomizado👥 37 participantes Alto impacto clínico

Força da evidência

82%

Salemi et al.

Journal of Acupuncture and Meridian Studies

Ver resumo
Dor Lombar & PélvicaTerapias Adjuntas (Moxa, Ventosa, Gua Sha)
2022

Exercícios de alongamento miofascial e acupuntura na dor lombar aguda

O que este estudo responde

Acupuntura e alongamento miofascial específico superam o anti-inflamatório isolado na dor lombar aguda/subaguda: a acupuntura reduz mais a dor, enquanto…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como acupuntura bilateral bl 57/62 foi comparado a anti-inflamatório não esteroide (etodolac) como cuidado básico comum a todos os grupos em dor…

Comparador

Anti-inflamatório não esteroide (etodolac) como cuidado básico comum a todos os grupos

🎯 Estudo controlado randomizado👥 81 participantes Impacto clínico moderado

Força da evidência

75%

Büyükşireci et al.

Journal of Acupuncture and Meridian Studies

Ver resumo
Dor Lombar & PélvicaRevisões Sistemáticas & Meta-Análises
2022

Ventosaterapia seca vs. úmida na dor lombar: evidências científicas para uma escolha informada

O que este estudo responde

A ventosaterapia úmida mostrou evidências moderadas de redução da dor lombar em comparação a cuidados convencionais, enquanto ambas as técnicas (seca e…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como ventosaterapia seca (sucção sem perfuração) foi comparado a cuidados convencionais, lista de espera, tratamento padrão ou placebo/sham em dor…

Comparador

Cuidados convencionais, lista de espera, tratamento padrão ou placebo/sham

📊 Meta-análise👥 690 participantes Sinal clínico moderado

Força da evidência

75%

Shen et al.

Medicine

Ver resumo
Dor Lombar & PélvicaTerapias Adjuntas (Moxa, Ventosa, Gua Sha)
2024

Cupping terapia mostra eficácia no tratamento de dores lombares

O que este estudo responde

A ventosaterapia mostrou alívio significativo da dor lombar durante as primeiras semanas de tratamento, sendo superior a medicamentos e cuidados…

Vale abrir se...

Útil se você quer entender como ventosaterapia (seca ou molhada) foi comparado a medicação analgésica/anti-inflamatória, cuidados usuais, ventosaterapia simulada ou lista de…

Comparador

Medicação analgésica/anti-inflamatória, cuidados usuais, ventosaterapia simulada ou lista de espera

🔬 Revisão sistemática👥 Amostra: 921 Sinal clínico moderado

Força da evidência

75%

Zhang et al.

Complementary Therapies in Medicine

Ver resumo