Estudo científico comentado

TENS no tratamento da síndrome da dor miofascial: evidências limitadas como terapia adjuvante

Referência acadêmica

Periódico

Journal of Research in Clinical Medicine

Ano

2024

Autores

Toopchizadeh et al.

Desenho

revisão sistemática e meta-análise

Este estudo analisou se o TENS (estimulação elétrica através da pele) ajuda na dor miofascial. Os resultados mostram que o TENS pode reduzir a dor quando usado junto com outros tratamentos, mas não deve ser usado sozinho. A qualidade dos estudos disponíveis é limitada, e são necessárias mais pesquisas para confirmar estes resultados.

Título original do estudo: Effectiveness of transcutaneous electrical nerve stimulation (TENS) modality for treating myofascial pain syndrome: A systematic review and meta-analysis

📊revisão sistemática e meta-análise👥n=214⚠️evidência limitada
⚕️

Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.

Mensagem principal

O TENS pode reduzir moderadamente a dor miofascial quando usado como coadjuvante, mas não há evidência robusta de que melhore a sensibilidade do músculo ou que funcione bem isoladamente; a qualidade global das evidências é limitada.

O que isso significa para você?

Este estudo analisou se o TENS (estimulação elétrica através da pele) ajuda na dor miofascial. Os resultados mostram que o TENS pode reduzir a dor quando usado junto com outros tratamentos, mas não deve ser usado sozinho. A qualidade dos estudos disponíveis é limitada, e são necessárias mais pesquisas para confirmar estes resultados.

🧠

Pontos Principais

O que Vale Levar

  • 1O TENS é uma opção não invasiva que pode diminuir sua sensação de dor, mas não elimina a causa estrutural da dor miofascial
  • 2Funciona melhor como parte de um plano combinado, com exercícios e orientação postural, do como tratamento isolado
  • 3A resposta varia muito entre pessoas; o que funciona para outro pode não funcionar igual para você
  • 4Não há protocolo único ideal; a frequência e duração das sessões precisam ser ajustadas individualmente
  • 5Converse com seu médico sobre expectativas realistas e como medir se está funcionando no seu caso
🗣️

Conversa Prática

Perguntas para a Consulta

  • 1Minha dor se encaixa no perfil dos estudos — pontos-gatilho ativos em músculos específicos?
  • 2O TENS será combinado com exercícios e outras medidas, ou usado isoladamente?
  • 3Qual frequência e duração de sessão o senhor recomenda, e como ajustaremos se não funcionar?
  • 4Como vamos avaliar se está ajudando — só a dor que sinto, ou também minha capacidade de movimento e função?
🛟

Leitura Consciente

Segurança & Cuidados

  • 1Nenhum evento adverso significativo foi relatado nos estudos incluídos, mas os estudos eram pequenos e de follow-up curto
  • 2Contraindicações clássicas do TENS (como uso de marcapasso) não foram detalhadamente avaliadas nesta revisão e devem ser discutidas individualmente
  • 3A segurança em populações especiais (gestantes, crianças, idosos frágeis) não foi estabelecida nestes estudos
  • 4A variabilidade de parâmetros nos estudos (frequência, intensidade, duração) significa que nem toda configuração de TENS tem o mesmo perfil de segurança

Leitura rápida para pacientes

TENS pode ajudar, mas não sozinho

A estimulação elétrica transcutânea mostrou alívio moderado da dor miofascial em análise de múltiplos estudos, sempre como complemento a exercícios e outras medidas

Ponto 1

Espere redução parcial da dor, não cura completa dos pontos-gatilho

Ponto 2

Combine com exercícios orientados e mudanças posturais para melhor resultado

Ponto 3

O protocolo ideal ainda não está definido — discuta frequência e duração com seu médico

O que este estudo acrescenta

PRIMEIRA META-ANÁLISE ESPECÍFICA

Esta é a primeira revisão sistemática com meta-análise dedicada exclusivamente ao TENS na dor miofascial, consolidando evidências antes dispersas em estudos isolados

Aplicabilidade clínica

Sinal discreto

A redução de 1,6 pontos na escala de dor é perceptível, mas modesta; não houve melhora no limiar de pressão, indicador mais objetivo da sensibilidade tecidual. A alta heterogeneidade (88%) reduz a confiança na reprodutib

Força do desenho do estudo

01Pré-clínico
02Série de casos
03Observacional
04RCT
05Revisão

Este é um dos níveis mais altos de evidência científica, pois reúne e analisa criticamente múltiplos ensaios clínicos; no entanto, a confiança aqui é limitada pela pequena quantida

Pacientes na meta-análise principal

214

7 estudos combinados para análise de dor

Redução de dor vs exercício

-1,60

pontos na escala visual analógica (0-10)

Heterogeneidade entre estudos

88%

indica alta variabilidade de resultados, reduzindo confiança

Estudos incluídos na meta-análise

7

de 21 estudos revisados qualitativamente

Intervalo de sessões nos estudos

1-30

grande variabilidade no regime de tratamento

Ficha rápida do estudo

Mapa rápido do estudo

Condição

Síndrome da dor miofascial com pontos-gatilho ativos

Tipo de estudo

Revisão sistemática e meta-análise

Participantes

214 pacientes (7 estudos combinados), adultos com pontos-gatilho miofasciais em

Duração

Variável: 1 a 30 sessões de TENS, com follow-up imediato a curto prazo

Sessões

1 a 30 sessões, frequência de 1 a 7 vezes por semana

Comparador

Exercício, placebo, sham TENS ou cuidado usual

Grupos do estudo

TENS (diversas frequências e protocolos)Controle (exercício, placebo, sham TENS ou cuidado usual)

Protocolo de tratamento

Como o tratamento foi aplicado

Sessões01

1 a 30 sessões no total (média variável)

Frequência02

1 a 7 vezes por semana, dependendo do estudo

Duração da sessão03

10 minutos a períodos mais longos (não uniformemente relatado)

Pontos / técnica04

Eletrodos colocados sobre pontos-gatilho miofasciais, pontos de acupuntura ou região dolorosa; frequências variando de 4 Hz a 100 Hz, com modulação contínua, burst ou bifásica

Comparador05

Exercício isolado, placebo/sham TENS, ou cuidado usual

Nota de protocolo06

Grande variabilidade nos parâmetros do TENS entre estudos; não há protocolo padronizado estabelecido

Quem entrou no estudo

Para quem este estudo realmente olhou

Adultos com diagnóstico de síndrome da dor miofascial e pontos-gatilho ativosPacientes com pontos-gatilho em músculos esqueléticos, principalmente trapézio superiorIndivíduos de ambos os sexos, com idades variadas (faixas de 18-65 anos nos estudos originais)Participantes de ensaios clínicos randomizados ou quase-randomizadosPacientes que não estavam usando exclusivamente medicação como única intervenção

Quem ficou de fora

Quem ficou fora ou exige mais cautela

Crianças e adolescentes (menores de 18 anos)Pacientes com dor miofascial sem pontos-gatilho ativos confirmadosIndivíduos com menos de 7 participantes por grupo nos estudos originais (critério de exclusão da revisão)Pacientes em estudos retrospectivos ou sem acesso ao texto completoPessoas com condições de dor generalizada não miofascial, como fibromialgia isolada

Mapa de resultados

O que melhorou, o que não mudou e quando apareceu

📉

Intensidade da dor (VAS)

reduziu

Média de 1,6 pontos a menos que exercício isolado (escala 0-10); diferença estatisticamente significativa

🏃

Funcionalidade com exercício combinado

melhorou

TENS + exercício mostrou resultados comparáveis ou melhores que exercício sozinho em alguns estudos

🛡️

Tolerabilidade geral

melhorou

Nenhum evento adverso significativo relatado; método não invasivo bem aceito

O que não mudou

  • Limiar de pressão (PPT): não houve melhora significativa do TENS versus placebo ou exercício
  • Não houve superioridade do TENS sobre sham TENS na análise de subgrupos de alguns estudos
  • Não foi demonstrada cura ou resolução completa dos pontos-gatilho
  • Não houve padronização de qual frequência ou duração seria ideal

Quando a melhora apareceu

1

Imediato

Após primeira sessão

Alguns estudos mostraram redução da dor logo após a aplicação do TENS, mas sem superioridade sustentada sobre controles em todos os parâmetros

2

1 a 30 sessões

Ao longo do tratamento

Redução média de 1,6 pontos na escala de dor versus exercício isolado na meta-análise

Antes e depois

Dor (escala 0-10) — TENS vs Exercício

escala máx. 10 pontos

Antes5.1 pontos
Depois3.5 pontos

Segurança e perfil

Segurança, expectativa e perfil de paciente

Sinal de segurança

Verde
  • Método não invasivo, sem agulhas ou procedimentos invasivos
  • Nenhum evento adverso significativo relatado nos estudos incluídos
  • Bem tolerado pelos participantes
Amarelo
  • Grande variabilidade de parâmetros pode afetar segurança e eficácia em diferentes configurações
  • Contraindicações clássicas do TENS (marcapasso, área sobre tumores, pele lesionada) não foram detalhadamente discutidas nesta revisão
  • Follow-up curto nos estudos originais limita avaliação de efeitos de longo prazo
Vermelho
  • Não se sabe se resultados se aplicam a pacientes com marcapasso ou outras condições eletrônicas implantadas
  • Ausência de relato sistemático de efeitos adversos pode refleter subnotificação em estudos pequenos
  • Evidência limitada impede conclusões definitivas sobre segurança em populações especiais

Perfil de paciente

Mais parecido com a amostra

  • Adultos com dor miofascial localizada e pontos-gatilho ativos confirmados
  • Pacientes que já fazem exercícios terapêuticos e buscam recurso adicional não farmacológico
  • Pessoas que preferem ou precisam evitar aumento de medicamentos analgésicos
  • Indivíduos com acesso a orientação para uso correto do aparelho de TENS

Mais cautela para extrapolar

  • Pessoas com marcapasso ou dispositivos eletrônicos implantados (precaução não avaliada nesta revisão)
  • Pacientes que esperam cura completa ou monoterapia eficaz
  • Indivíduos com dor generalizada não atribuída a pontos-gatilho miofasciais específicos
  • Quem não tem acesso a acompanhamento para ajuste adequado dos parâmetros do TENS
  • Crianças, adolescentes ou gestantes (populações não incluídas nos estudos)

Expectativa realista

Alívio parcial, não cura

Possível redução moderada na sensação de dor, especialmente quando o TENS é combinado com exercícios e outras medidas de reabilitação

Tempo provável

Alguns estudos mostraram efeito já na primeira sessão; para resultado mais consistente, várias sessões ao longo de seman

A melhora na dor que você sente pode não se refletir em mudança mensurável na sensibilidade do músculo, e o efeito varia muito de pessoa para pessoa

Checklist para consulta

  1. 1Perguntar se meu perfil de dor se enquadra nos estudos revisados (pontos-gatilho ativos em músculos esqueléticos)
  2. 2Discutir se o TENS será usado como complemento a exercícios e outras medidas, não como tratamento único
  3. 3Questionar qual frequência e duração de sessão seriam mais adequadas, dada a grande variabilidade nos estudos
  4. 4Verificar se há contraindicações para meu caso específico, como uso de marcapasso
  5. 5Combinar como avaliaremos os resultados: apenas escala de dor, ou também funcionalidade e qualidade de vida?

Como ler este estudo

Como interpretar esse artigo sem exagerar

Mito e achado

Mito

TENS cura a dor miofascial eliminando os pontos-gatilho

Achado

O estudo mostra redução parcial na sensação de dor, mas não evidência de resolução dos pontos-gatilho ou melhora no limiar de pressão muscular

Mito

Quanto mais TENS, melhor — qualquer frequência funciona igual

Achado

Os estudos usaram frequências de 4 Hz a 100 Hz com resultados inconsistentes; não há consenso sobre protocolo ideal e a eficácia variou muito

Mito

TENS é tão bom quanto exercício, então posso parar de me mover

Achado

A evidência mais robusta mostra o TENS superior ao exercício isolado apenas quando combinado a ele; a recomendação é uso adjuvante, não substitutivo

Mito

Como é elétrico, o TENS deve ter efeito profundo no músculo

Achado

A melhora foi apenas na sensação subjetiva de dor, não no limiar de pressão objetivo, sugerindo efeito mais modulatório da dor que mudança tecidual real

Como isso pode funcionar

ESTÍMULO ELÉTRICO

Impulsos elétricos de baixa intensidade atravessam a pele e ativam fibras nervosas sensoriais — mecanismo observado, não profundamente no músculo

🚪

BLOQUEIO DA DOR (TEORIA)

Possível ativação do 'mecanismo da porta' na medula espinhal, onde sinais elétricos competem com sinais dolorosos — mecanismo proposto, não comprovado nestes estudos

🧠

LIBERAÇÃO DE OPIOIDES ENDÓGENOS (TEORIA)

Estimulação pode promover liberação de encefalinas e beta-endorfinas — sugerido em literatura mais ampla, mas não diretamente medido nesta revisão

📉

SENSAÇÃO DE ALÍVIO

Resultado mensurável: redução na escala subjetiva de dor, embora sem mudança correspondente no limiar de pressão do músculo

O que ainda é incerto

  • ?Qual frequência, duração e colocação de eletrodos seriam ótimas? A variabilidade entre estudos impede essa resposta
  • ?O efeito se mantém a longo prazo? A maioria dos estudos avaliou apenas follow-up imediato a curto prazo
  • ?A melhora na dor reflete mudança real no tecido muscular ou apenas alteração na percepção? O limiar de pressão não melhorou, deixando essa questão em
  • ?Funcionaria em populações não estudadas, como idosos frágeis, gestantes ou quem tem dor generalizada?
🎯

O que o estudo quis responder

Avaliar a eficácia do TENS no tratamento da síndrome da dor miofascial

👥

QUEM PARTICIPOU

214 pacientes com pontos-gatilho miofasciais ativos em músculos esqueléticos

🧪

COMO FOI FEITO

TENS comparado com placebo, exercícios ou tratamento simulado em 7 estudos

📈

O QUE MUDOU

Redução de 1,6 pontos na escala de dor comparado ao exercício isolado

🛟

SEGURANÇA

Modalidade não invasiva e bem tolerada, sem eventos adversos relatados

Achados Interessantes

O que chamou atenção neste estudo

ADJUVÂNCIA CONFIRMADA

Pela primeira vez em meta-análise, fica claro que o TENS tem papel como coadjuvante, não como tratamento único — uma orientação prática antes baseada apenas em opinião

🧭

O QUE NÃO MELHORA IMPORTA

A descoberta de que o limiar de pressão muscular não muda, mesmo quando a dor diminui, ajuda a calibrar expectativas: o efeito parece mais na percepção que na estrutura

📌

VARIABILIDADE É O VILÃO

A amplitude de protocolos — de 1 a 30 sessões, de 4 Hz a 100 Hz — revela que ainda não sabemos 'qual botão apertar' para resultados mais consistentes

📝

Leitura comentada do estudo

Resumo detalhado em linguagem acessível

TENS no tratamento da síndrome da dor miofascial: evidências limitadas como terapia adjuvante

A síndrome da dor miofascial é uma condição dolorosa crônica que afeta músculos e fáscias, com pontos-gatilho sensíveis que provocam dor local e irradiada. É extremamente comum: estudos sugerem que entre 30% e 93% das pessoas com dores musculoesqueléticas apresentam algum grau dessa condição. O pescoço, os ombros e as costas são as regiões mais atingidas. Diante de tantas opções de tratamento, pesquisadores iranianos decidiram reunir e analisar criticamente as evidências sobre um método não invasivo e amplamente disponível: a estimulação elétrica transcutânea, conhecida como TENS.

O TENS funciona através de eletrodos colocados sobre a pele, que enviam impulsos elétricos de baixa intensidade. A ideia por trás do método é que esses impulsos possam interferir nos sinais de dor que viajam pelos nervos, além de potencialmente estimular a liberação de substâncias naturais de alívio da dor no próprio organismo. O aparelho é portátil, relativamente simples e pode ser usado em casa ou em ambientes clínicos.

Para entender se essa promessa se confirma na prática, os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática com meta-análise, o tipo de estudo que busca reunir todos os ensaios clínicos relevantes sobre um tema e analisá-los em conjunto. Eles vasculharam sete bases de dados científicas, encontrando inicialmente 422 artigos. Após rigorosa seleção, 21 estudos foram incluídos na revisão qualitativa e apenas sete na meta-análise quantitativa — aqueles com dados suficientemente comparáveis. No total, 214 pacientes compuseram a análise numérica principal.

Os participantes dos estudos originais eram adultos com pontos-gatilho miofasciais ativos em músculos esqueléticos, principalmente no trapézio superior (região dos ombros e pescoço). Os protocolos de TENS variaram bastante: alguns usaram frequências baixas de 4 Hz, outros moderadas de 20-80 Hz, e alguns chegaram a 100 Hz. A duração das sessões oscilou entre 10 minutos e períodos mais longos, com total de sessões variando de uma única aplicação até 30 sessões. Essa heterogeneidade é um ponto importante: não há um "TENS único", e sim uma família de protocolos diferentes.

O resultado mais robusto da meta-análise mostrou que, quando comparado ao exercício físico isolado, o TENS proporcionou uma redução média de 1,6 pontos na escala visual analógica de dor — uma escala de 0 a 10 onde zero é "sem dor" e dez é "a pior dor imaginável". Essa diferença foi estatisticamente significativa (p < 0,00001), o que significa que é improvável que tenha ocorrido ao acaso. No entanto, quando os pesquisadores analisaram o limiar de pressão — ou seja, quanta pressão o músculo suporta antes de sentir dor —, o TENS não mostrou vantagem clara sobre placebo ou exercício. Isso sugere que a melhora na sensação subjetiva de dor não se traduziu necessariamente em uma mudena mensurável na sensibilidade do tecido muscular.

Um achado preocupante foi a alta heterogeneidade entre os estudos: 88% para a análise da dor e 99% para o limiar de pressão. Isso indica que os resultados variaram muito de um estudo para outro, provavelmente devido às diferenças em frequências, durações, localizações dos eletrodos e perfis dos pacientes. Essa inconsistência enfraquece a confiança nas conclusões e dificulta saber exatamente qual protocolo funciona melhor.

A segurança do TENS, pelo que foi relatado, parece favorável. Nenhum evento adverso significativo foi documentado nos estudos incluídos, e o método é descrito como bem tolerado. Contudo, é importante notar que ensaios clínicos costumam ter follow-up curto e amostras pequenas, então riscos raros ou efeitos de longo prazo podem não ter sido capturados.

A interpretação mais prudente deste estudo é que o TENS pode ter um papel como tratamento complementar — algo a ser usado junto com exercícios, orientação postural e outras abordagens —, mas não como terapia única. Os autores enfatizam explicitamente: "TENS pode ser utilizado como tratamento adjuvante para ajudar a aliviar a síndrome da dor miofascial, mas não deve ser considerado como monoterapia. " Essa recomendação é crucial para quem busca soluções realistas.

As limitações são substanciais e devem ser levadas a sério. Apenas sete estudos puderam ser combinados numericamente. Os tamanhos amostrais eram pequenos, variando de 21 a 70 participantes nos estudos individuais. A qualidade metodológica, embora considerada moderada a boa pelos avaliadores, apresentava lacunas — nem todos os estudos conseguiram manter o cegamento adequado de participantes e avaliadores.

Além disso, a ausência de padronização dos parâmetros do TENS impede que se saiba qual "receita" elétrica seria ideal.

Para quem convive com dor miofascial, esta revisão oferece uma mensagem equilibrada: o TENS não é milagroso, mas também não é descartável. Pode ajudar a diminuir a sensação de dor, especialmente quando combinado com movimento e outras estratégias. A expectativa realista não deve ser a cura, mas sim um alívio parcial que permita melhor funcionalidade e qualidade de vida. Como sempre em ciência, mais pesquisas de boa qualidade, com mais participantes e protocolos padronizados, são necessárias para definir com precisão o lugar do TENS no arsenal terapêutico da dor miofascial.

O que fortalece a leitura

  • 1Primeira meta-análise específica sobre TENS na dor miofascial
  • 2Análise rigorosa seguindo protocolos Cochrane
  • 3Avaliação de diferentes parâmetros do TENS
⚠️

Onde é preciso cautela

  • 1Apenas 7 estudos incluídos na meta-análise
  • 2Alta heterogeneidade entre os estudos (88%)
  • 3Variabilidade nos protocolos e parâmetros do TENS
  • 4Tamanhos amostrais pequenos nos estudos individuais

Leitura clínica do estudo

LIMITADA
40/ 100
Desenho
2/5
Amostra
2/5
Confirmação
3/5

🔬 Como o estudo foi organizado

214pessoas avaliadas
divisão dos grupos

TENS

107 pessoas

estimulação elétrica transcutânea

Controle

107 pessoas

placebo, exercícios ou TENS simulado

⏱️ Tempo de acompanhamento: 1 a 30 sessões

📊 Resultados em números

-1,60 pontos

Redução na escala visual de dor vs exercício

p < 0,00001

Significância estatística vs exercício

não significativa

Melhora no limiar de pressão vs placebo

0%

Heterogeneidade entre estudos

Destaques percentuais

88%
Heterogeneidade entre estudos

📊 Comparação de Resultados

Escala Visual Analógica de Dor

TENS
3.5
Exercício
5.1

📅 Linha do tempo da evidência

2002Primeiros estudos comparando TENS com outras modalidades
2010Estudos controlados com placebo começam a emergir
2018Pesquisas sobre diferentes frequências do TENS
2024Meta-análise confirma benefício limitado como terapia adjuvante

Curadoria Médica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523

Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Força da evidência

78%

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Placebo/sham (estimulação simulada ou agulhas sem corrente)

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Força da evidência

72%

Ahmed et al.

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