Participantes analisados
40
de 52 recrutados, após aplicação de critérios de elegibilidade
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
Clinical Interventions in Aging
Ano
2019
Autores
Walewicz et al.
Desenho
Ensaio Randomizado
Este estudo testou se ondas de choque aplicadas nas costas ajudam pessoas com dor lombar crônica. Os resultados mostram que o tratamento não alivia a dor imediatamente, mas oferece benefícios significativos que aparecem gradualmente. Após 3 meses, quem recebeu ondas de choque reais teve muito menos dor e melhor função que o grupo controle. É uma opção promissora para dor lombar persistente, especialmente pensando nos resultados a longo prazo.
Título original do estudo: The Effectiveness Of Radial Extracorporeal Shock Wave Therapy In Patients With Chronic Low Back Pain: A Prospective, Randomized, Single-Blinded Pilot Study
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A terapia por ondas de choque radial combinada com exercícios de estabilização mostrou alívio da dor e melhora funcional significativos apenas após 1 a 3 meses, não imediatamente, em pacientes com dor lombar crônica por discopatia L5-S1.
Este estudo testou se ondas de choque aplicadas nas costas ajudam pessoas com dor lombar crônica. Os resultados mostram que o tratamento não alivia a dor imediatamente, mas oferece benefícios significativos que aparecem gradualmente. Após 3 meses, quem recebeu ondas de choque reais teve muito menos dor e melhor função que o grupo controle. É uma opção promissora para dor lombar persistente, especialmente pensando nos resultados a longo prazo.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Se você tem dor lombar crônica por problema no disco L5-S1, essa terapia combinada com exercícios pode ajudar — mas exige paciência.
Ponto 1
Não espere alívio imediato: o benefício real aparece após 1 a 3 meses
Ponto 2
Funciona combinada com exercícios de estabilização, não como tratamento isolado
Ponto 3
Converse com seu médico sobre contraindicações e se seu perfil se encaixa no estudo
O que este estudo acrescenta
Este foi um dos primeiros estudos randomizados com grupo placebo a demonstrar que o benefício da rESWT em dor lombar crônica é real, específico e duradouro, embora retardado, diferente do efeito imediato de placebo.
Aplicabilidade clínica
A diferença de 2,4 pontos no VAS e 8,5 pontos no ODI aos 3 meses é clinicamente perceptível para pacientes, mas o tamanho amostral pequeno e o desenho piloto limitam a certeza sobre a magnitude real do efeito em populaçõ
Força do desenho do estudo
Este é um estudo experimental em que os participantes foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos, o que oferece maior confiança de que as diferenças observadas se devem ao t
Participantes analisados
40
de 52 recrutados, após aplicação de critérios de elegibilidade
Sessões de tratamento
10
ao longo de 5 semanas, 2 vezes por semana
Redução de dor aos 3 meses (grupo real)
57%
queda de 4,7 para 2,0 no VAS, comparado a quase nenhuma mudança no grupo placebo
Diferença entre grupos aos 3 meses
p<0,0001
probabilidade estatística muito baixa de o resultado ser ao acaso
Melhora funcional mantida
9,3
pontos no ODI aos 3 meses no grupo real, vs 17,8 no placebo (escala 0-50)
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor lombar crônica por discopatia L5-S1
Tipo de estudo
Ensaio clínico randomizado, simples-cego, piloto
Participantes
40 pacientes (idade média 53 anos), dor >3 meses, sem cirurgia prévia
Duração
5 semanas de tratamento + acompanhamento de 3 meses
Sessões
10 sessões de rESWT (2x/semana)
Comparador
Placebo sham (aplicador com capa de polietileno que absorvia energia)
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
10 sessões totais
2 vezes por semana (segundas e quintas-feiras)
Aproximadamente 7 minutos por sessão
2000 pulsos, 2,5 bares (0,1 mJ/mm²), 5 Hz, aplicador móvel na região lombo-sacral no ponto de maior dor
Sham com capa de polietileno que absorvia energia, mesmos sons e parâmetros técnicos exibidos
Ambos os grupos fizeram treinamento de estabilização funcional idêntico: 45 min, 5x/semana, com relaxamento muscular, ativação de músculos profundos, respiração e treinamento postu
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Intensidade da dor
reduziu significativamente
De média 4,7 para 2,0 no VAS aos 3 meses no grupo real, vs 4,4 no grupo placebo
Sensação de dor (Laitinen)
melhorou progressivamente
De 6,3 para 2,2 pontos aos 3 meses no grupo real, enquanto placebo piorou de 4,3 para 6,4
Capacidade funcional
melhorou e se manteve
ODI caiu de 16,1 para 9,3 aos 3 meses no grupo real, vs piora para 17,8 no placebo
Estabilidade do benefício
mantida sem recaída súbita
Efeito duradouro com p=0,001 comparando pós-tratamento com 3 meses no grupo real
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
Semana 5
Imediatamente após tratamento
Sem vantagem do grupo real; controle teve leve redução superior de dor
1 mês de acompanhamento
Primeiros sinais de diferença
Grupo de ondas reais começou a apresentar menos dor que o controle (2,7 vs 3,5 no VAS)
3 meses de acompanhamento
Benefício máximo e estável
Diferença altamente significativa: dor 2,0 vs 4,4 no VAS; incapacidade funcional 9,3 vs 17,8 no ODI
Antes e depois
Dor (VAS 0-10) - Grupo ondas reais
escala máx. 10 pontos aos 3 meses
Dor (VAS 0-10) - Grupo placebo
escala máx. 10 pontos aos 3 meses
Incapacidade (ODI 0-50) - Grupo ondas reais
escala máx. 50 pontos aos 3 meses
Incapacidade (ODI 0-50) - Grupo placebo
escala máx. 50 pontos aos 3 meses
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Não espere alívio imediato. Os benefícios mais importantes da terapia por ondas de choque radial tendem a aparecer gradualmente, com a diferença mais clara se manifestando entre 1 e 3 meses após o término das sessões.
Tempo provável
Melhora inicial discreta ou ausente nas primeiras 5 semanas; vantagem significativa do tratamento real vs placebo a part
O estudo não prova que funcione para todos os tipos de dor lombar, nem que o efeito persista indefinidamente sem manutenção dos exercícios.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Ondas de choque aliviam a dor imediatamente
Achado
No estudo, o grupo que recebeu ondas reais não teve vantagem imediata; o alívio significativo apareceu apenas após 1 a 3 meses
Mito
Ondas de choque substituem a necessidade de exercícios
Achado
O benefício foi observado apenas na combinação com treinamento de estabilização funcional intenso; não se sabe se funcionaria sozinha
Mito
Funciona para qualquer tipo de dor nas costas
Achado
O estudo incluiu apenas pacientes com discopatia L5-S1 específica; não há evidência para outras causas como hérnia com radiculopatia, fraturas ou tumores
Mito
É um tratamento totalmente isento de riscos
Achado
Embora bem tolerado neste estudo, existem contraindicações importantes e o mecanismo é descrito como relativamente invasivo; segurança em larga escala ainda precisa ser confirmada
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
Pulsos de pressão aplicados na pele propagam energia mecânica para os tecidos subjacentes da região lombo-sacral
POSSÍVEL RESPOSTA BIOLÓGICA
Estudos pré-clínicos sugerem, de forma não confirmada nesta pesquisa, que pode haver aumento de fatores de crescimento como VEGF e BMP-2, além de neoformação vascular
MODULAÇÃO DA SENSIBILIDADE
Hipótese de que o estímulo intenso possa alterar a transmissão de sinais dolorosos no sistema nervoso, embora o mecanismo exato em humanos ainda seja incerto
EFEITO CUMULATIVO TARDIO
O benefício clínico observado sugere que processos de reparo tecidual ou adaptação neural levam semanas a meses para se consolidar, explicando o atraso na resposta terapêutica
O que ainda é incerto
Testar se ondas de choque radiais melhoram dor lombar crônica quando combinadas com exercícios
40 pacientes com dor lombar crônica há mais de 3 meses
Grupo recebeu ondas de choque reais ou falsas + exercícios por 5 semanas
Redução significativa da dor 3 meses após o tratamento
Procedimento bem tolerado, sem relatos de eventos adversos
Achados Interessantes
O PARADOXO DO EFEITO TARDIO
Diferente de quase todo tratamento para dor, este mostrou que o verdadeiro benefício vem depois, não durante as sessões — o grupo placebo até pareceu melhor no curto prazo, mas piorou depois
SEPARAÇÃO DO EFEITO PLACEBO
O uso criativo de uma capa de polietileno que mantinha sons e aparência idênticos permitiu demonstrar que a melhora tardia era específica das ondas reais, não apenas expectativa do paciente
PERFIL ESPECÍFICO DE RESPONDEDOR
Os autores identificaram que a resposta ideal ocorre em discopatia L5-S1 grau III-IV de Modic, sem cirurgia prévia — um nicho claro que ajuda a direcionar quem pode se beneficiar
PROTOCOLO REPLICÁVEL
A definição precisa de parâmetros (2000 pulsos, 2,5 bares, 5 Hz, 10 sessões) oferece um ponto de partida concreto para futuras pesquisas e possível padronização clínica
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor lombar crônica é uma das condições mais comuns que levam pessoas a buscarem ajuda médica, afetando não apenas o bem-estar físico, mas também a capacidade de trabalhar, se relacionar e manter a qualidade de vida. Quando a dor persiste por mais de três meses, ela deixa de ser um sintoma temporário e se torna um problema de saúde complexo, que frequentemente exige abordagens terapêuticas combinadas. Neste cenário, a terapia por ondas de choque extracorpórea radial, ou rESWT, tem despertado interesse crescente como uma opção complementar ao tratamento convencional.
Este estudo piloto, conduzido na Polônia e publicado em 2019, trouxe uma contribuição importante ao investigar de forma rigorosa se a rESWT realmente oferece benefícios duradouros para quem vive com dor lombar crônica. Os pesquisadores recrutaram 52 pacientes, dos quais 40 foram selecionados para formar um grupo homogêneo com idade média de aproximadamente 53 anos. Todos apresentavam discopatia no segmento L5-S1 da coluna, com dor persistente há mais de três meses, e nenhum havia sido submetido previamente a cirurgia na coluna. A metodologia foi cuidadosamente desenhada: os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos de 20 pessoas cada, sendo que um grupo recebeu ondas de choque reais combinadas a exercícios de estabilização, enquanto o outro recebeu um tratamento falso — com o aparelho desativado por uma capa especial que absorvia a energia — também acompanhado dos mesmos exercícios.
Essa estrutura de placebo é especialmente valiosa porque permite separar o efeito real da terapia daqueles efeitos que simplesmente ocorrem pelo fato de o paciente estar recebendo algum tipo de atenção e cuidado.
O protocolo de tratamento consistiu em dez sessões de rESWT ao longo de cinco semanas, com duas aplicações semanais. Cada sessão aplicava 2000 pulsos de ondas de choque com pressão de 2,5 bares, frequência de 5 Hz e duração de aproximadamente sete minutos. A região tratada correspondia à área lombar e sacral, focando especificamente o ponto de maior dor relatado pelo paciente. Paralelamente, ambos os grupos realizavam treinamento de estabilização funcional por 45 minutos, cinco vezes por semana, incluindo técnicas de relaxamento muscular, ativação da musculatura profunda do tronco, respiração adequada e treinamento postural.
As avaliações foram feitas em quatro momentos: antes do tratamento, imediatamente após as cinco semanas, e depois em acompanhamentos de um e três meses.
Os resultados revelaram um padrão interessante e, em certo sentido, contraintuitivo. Imediatamente após o tratamento, quem recebeu as ondas de choque reais não se saiu melhor — na verdade, o grupo controle apresentou redução de dor ligeiramente superior nesse primeiro momento. Porém, a história mudou completamente quando os pesquisadores olharam para o médio prazo. Após um mês, os pacientes do grupo de ondas de choque reais começaram a apresentar menos dor, e essa vantagem se ampliou significativamente aos três meses: enquanto quem recebeu o tratamento falso voltou a sentir dor intensa (média de 4,4 em uma escala de 0 a 10), quem recebeu a rESWT real manteve uma dor bem mais leve (média de 2,0).
Essa diferença foi altamente significativa estatisticamente, com valor de p menor que 0,0001, indicando uma probabilidade extremamente baixa de que esse resultado tenha ocorrido ao acaso.
A melhora funcional, medida pelo Índice de Incapacidade de Oswestry, seguiu trajetória semelhante. Ambos os grupos melhoraram inicialmente, mas apenas quem recebeu ondas de choque reais manteve os ganhos: aos três meses, o escore de incapacidade funcional era de 9,3 pontos no grupo tratado, contra 17,8 no grupo controle, em uma escala que vai até 50 pontos. Isso sugere que a combinação de rESWT com exercícios não apenas alivia a dor, mas também ajuda a preservar a capacidade de realizar atividades diárias ao longo do tempo.
A interpretação desses achados para quem convive com dor lombar crônica é que a paciência pode ser uma virtude importante neste tratamento. Diferente de abordagens que prometem alívio imediato, a rESWT parece funcionar de forma mais gradual, construindo seus benefícios ao longo das semanas e meses seguintes às sessões. Os autores especulam que isso pode estar relacionado a mecanismos biológicos de reparo tecidual, como a estimulação da formação de novos vasos sanguíneos e a modulação da resposta inflamatória, embora esses mecanismos ainda sejam objeto de investigação e não possam ser afirmados com certeza absoluta a partir deste estudo.
É importante, contudo, manter uma visão equilibrada sobre as limitações. Como estudo piloto, o número de participantes foi relativamente pequeno, o que reduz a precisão das estimativas de efeito. Além disso, todos os pacientes tinham um perfil bastante específico: discopatia L5-S1 confirmada por ressonância magnética, sem cirurgia prévia, e sem certas condições que poderiam complicar o tratamento, como doenças cardiovasculares, distúrbios de coagulação ou implantes metálicos. Isso significa que os resultados não podem ser automaticamente extrapolados para pessoas com outros tipos de dor lombar, como síndrome radicular pura, espondilolistese, fraturas ou tumores.
Outro ponto de atenção é que o estudo não comparou a rESWT com outras terapias ativas amplamente utilizadas, como medicamentos específicos ou diferentes modalidades de exercício, limitando as conclusões sobre sua posição relativa no arsenal terapêutico.
Do ponto de vista da segurança, o procedimento foi bem tolerado, sem relatos de eventos adversos significativos entre os participantes. Isso é reconfortante, embora estudos maiores sejam necessários para construir um perfil de segurança mais completo, especialmente considerando que a rESWT é descrita pelos autores como um tratamento "relativamente invasivo" do ponto de vista fisiológico.
Para pacientes que convivem com dor lombar crônica persistente e já tentaram diversas abordagens sem sucesso duradouro, este estudo oferece uma luz promissora no final do túnel. A rESWT combinada com exercícios de estabilização parece ter o potencial de proporcionar alívio sustentado, especialmente quando se tem a disposição de esperar algumas semanas para que os benefícios se manifestem plenamente. A conversa com um médico especialista pode ajudar a avaliar se esse perfil terapêutico faz sentido para sua situação particular, considerando suas características clínicas, histórico de tratamentos e expectativas realistas sobre o tempo de resposta.
Ondas de Choque + Exercícios
20 pessoas
2000 pulsos, 2.5 bar, 5 Hz, 2x/semana
Falso + Exercícios
20 pessoas
ondas de choque inativas + exercícios
Redução da dor aos 3 meses
Melhora funcional aos 3 meses
Diferença entre grupos aos 3 meses
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor lombar · Avaliação especializada
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