Total de participantes
59. 018
soma dos estudos incluídos na revisão
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Esta revisão mostra que a dor crônica é muito comum em crianças e adolescentes, afetando especialmente meninas. A cefaleia é o tipo mais frequente, seguida de dor abdominal e lombar. Os dados sugerem que a dor aumenta com a idade e pode persistir até a vida adulta, destacando a importância de identificação e tratamento precoces.
Título original do estudo: The epidemiology of chronic pain in children and adolescents revisited: A systematic review
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A dor crônica e recorrente afeta pelo menos 1 em cada 4 a 5 crianças e adolescentes, sendo cefaleia, dor abdominal e lombar as mais comuns, com meninas e adolescentes mais atingidos; a maioria dos estudos ainda tem limitações metodológicas importantes.
Esta revisão mostra que a dor crônica é muito comum em crianças e adolescentes, afetando especialmente meninas. A cefaleia é o tipo mais frequente, seguida de dor abdominal e lombar. Os dados sugerem que a dor aumenta com a idade e pode persistir até a vida adulta, destacando a importância de identificação e tratamento precoces.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
Seu filho não está sozinho: milhares de crianças e adolescentes vivem com cefaleia, dor de barriga ou nas costas de forma recorrente. Reconhecer o problema é o primeiro passo para
Ponto 1
Cefaleia é a dor mais frequente, afetando cerca de 1 em cada 4 adolescentes semanalmente
Ponto 2
Meninas, especialmente após a puberdade, relatam mais dor que meninos em quase todas as categorias
Ponto 3
A qualidade da maioria dos estudos ainda é limitada — os números orientam, mas não substituem avaliação médica individua
O que este estudo acrescenta
Primeira revisão sistemática abrangente desde 1991 a quantificar prevalência de dor crônica pediátrica, com avaliação crítica da qualidade metodológica e proposta de critérios para futuros estudos.
Aplicabilidade clínica
A magnitude da prevalência (medianas de 12-47% dependendo do tipo e período de dor) indica que a dor crônica pediátrica é um problema de saúde pública, não uma condição rara. A identificação de grupos de risco (meninas,
Força do desenho do estudo
Síntese de múltiplos estudos observacionais, oferecendo visão panorâmica do problema, mas com menor certeza causal que ensaios clínicos randomizados.
Total de participantes
59. 018
soma dos estudos incluídos na revisão
Prevalência mediana de cefaleia semanal
23%
variação de 6% a 31% entre estudos
Prevalência de dor lombar
14-24%
já significativa em adolescentes
Estudos com qualidade baixa a moderada
maioria
média de 4,5 a 9,9 critérios atendidos de 19 possíveis
Aumento da cefaleia em 18 anos (estudo finlandês)
14% → 52%
possível tendência de crescimento, mas baseada em poucos estudos temporais
Ficha rápida do estudo
Condição
Dor crônica e recorrente em crianças e adolescentes (cefaleia, dor abdominal, lombar, musculoesquelética e múltiplas dor
Tipo de estudo
Revisão sistemática de estudos epidemiológicos
Participantes
59. 018 participantes de 41 estudos (24. 230 em cefaleia, 27. 526 em dor abdominal,
Duração
Revisão de publicações entre 1991 e 2009 (18 anos de literatura)
Sessões
Não aplicável — revisão de estudos observacionais
Comparador
Não aplicável — estudos de prevalência sem grupo controle
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
Não aplicável
Não aplicável
Não aplicável
Não aplicável — estudo observacional sem intervenção
Não aplicável
Esta revisão não avaliou tratamentos, apenas frequência e distribuição de dores na população. Não há protocolo terapêutico a ser descrito.
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
Conhecimento epidemiológico
ampliou
Primeira atualização em 20 anos sobre quantas crianças têm dor crônica, com síntese de 41 estudos
Identificação de padrões
melhorou
Confirmou que meninas, adolescentes e crianças de menor renda têm mais dor; cefaleia é o tipo mais frequente
Consciência do problema
aumentou
Revelou que prevalências parecem estar crescendo ao longo das décadas, não são estáticas
Critérios de qualidade
foram propostos
Desenvolveu instrumento de 19 itens para avaliar qualidade de estudos epidemiológicos de dor pediátrica
O que não mudou
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Compreender que a dor recorrente na infância é comum, não é 'frescura', e que meninas e adolescentes são particularmente afetados. Os números ajudam a contextualizar, mas não substituem avaliação individual.
Tempo provável
Não aplicável — estudo de prevalência, não de evolução temporal após intervenção
Os números exatos variam muito entre estudos; use como orientação geral, não como diagnóstico ou prognóstico individual.
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Dor de cabeça frequente em criança é rara e sempre indica problema grave
Achado
Cefaleia semanal afeta cerca de 23% das crianças e adolescentes; a maioria não tem causa orgânica identificável, embora avaliação médica seja importante
Mito
Dor nas costas só acontece em adultos
Achado
14-24% dos adolescentes relatam dor lombar, com tendência de aumento com a idade; já atinge proporções comparáveis às de adultos jovens
Mito
Meninos e meninas têm dor com a mesma frequência
Achado
Meninas apresentam mais cefaleia, dor abdominal, musculoesquelética e dor generalizada, especialmente após a puberdade
Mito
A qualidade dos estudos sobre dor em crianças melhorou muito nos últimos 20 anos
Achado
Apesar de mais estudos publicados, a maioria ainda tem qualidade baixa a moderada, com amostras enviesadas e definições inconsistentes
Como isso pode funcionar
FATORES BIOLÓGICOS
Mudanças hormonais na puberdade, possivelmente via estrogênio e modulação da dor, podem explicar parte do aumento em meninas — mecanismo proposto, não confirmado causalmente
FATORES PSICOLÓGICOS
Ansiedade, depressão e baixa autoestima aparecem associados a vários tipos de dor; a direção causal é incerta — a dor pode causar sofrimento emocional ou vice-versa
FATORES SOCIAIS E AMBIENTAIS
Baixa renda, estresse escolar, histórico familiar de dor e possivelmente estilo de vida sedentário correlacionam-se com maior prevalência — associações observacionais
TRAJETÓRIA DE VIDA
Dores na infância, especialmente musculoesqueléticas, podem persistir ou prever dor adulta, sugerindo continuidade que justifica atenção precoce — evidência preliminar de estudos não longitudinais
O que ainda é incerto
Atualizar dados sobre prevalência de dor crônica e recorrente em crianças e adolescentes
41 estudos com crianças e adolescentes de 2 a 18 anos
Revisão sistemática de estudos epidemiológicos publicados entre 1991-2009
Cefaleia foi o tipo mais comum (23%), meninas têm mais dor
Maioria dos estudos teve qualidade baixa a moderada
Achados Interessantes
ATUALIZAÇÃO HISTÓRICA
Após 20 anos sem uma síntese completa, esta revisão consolidou 41 estudos e mostrou que a epidemiologia da dor pediátrica avançou em quantidade, mas não tanto em qualidade metodológica
PADRÃO DE SEXO CLARO
A diferença para meninas é consistente e crescente com a idade, sugerindo que intervenções preventivas podem precisar ser diferenciadas por sexo e faixa etária
DOR LOMBAR JÁ NA ADOLESCÊNCIA
Com 14-24% de prevalência, a dor nas costas já atinge níveis de adultos jovens, desafiando a crença de que é problema apenas da meia-idade
CRESCIMENTO TEMPORAL PREOCUPANTE
Dados finlandeses sugerem que a cefaleia quase quadruplicou em duas décadas, indicando que fatores ambientais ou comportamentais modernos podem estar em jogo
Resumo detalhado em linguagem acessível
A dor persistente ou que volta repetidamente ao longo do tempo é muito mais comum em crianças e adolescentes do que muitos pais e profissionais de saúde imaginam. Esta revisão sistemática, publicada em 2011 na revista Pain por King e colaboradores, representa a primeira atualização abrangente em duas décadas sobre quantos jovens realmente vivem com esse tipo de dor. Entre 1991 e 2009, os pesquisadores identificaram 185 estudos potencialmente relevantes em bases de dados como EMBASE, Medline, CINAHL e PsycINFO, dos quais 41 foram incluídos na análise final, abrangendo mais de 59 mil participantes de diversos países. O objetivo central foi claro: oferecer números atualizados sobre prevalência, entender como a dor varia conforme idade e sexo, e avaliar se a qualidade dos estudos epidemiológicos havia melhorado desde a revisão pioneira de Goodman e McGrath em 1991.
Para isso, dois revisores independentes selecionaram os artigos, extraíram dados e avaliaram a qualidade dos estudos por meio de critérios específicos desenvolvidos para esta pesquisa, inspirados em diretrizes como o STROBE e adaptados às particularidades do estudo da dor. Os critérios incluíam aspectos como uso de amostras não enviesadas, recrutamento aleatório, cálculo do tamanho amostral, taxa de resposta superior a 80%, definição operacional da dor, período de recordação claramente estabelecido e apresentação de intervalos de confiança. A concordância entre os codificadores foi de 96%, mas os resultados da avaliação de qualidade foram preocupantes. O que os pesquisadores encontraram foi tanto esperado quanto alarmante.
A cefaleia — ou dor de cabeça — lidera como o tipo mais frequente de dor em jovens, com prevalência mediana de 23% quando considerada semanalmente, podendo chegar a 47% em períodos mensais e até 69% em alguns estudos que investigaram a ocorrência nos últimos três meses. Isso significa que, em uma sala de aula com 30 crianças, cerca de 7 podem estar vivendo com dor de cabeça recorrente em qualquer momento. Quando analisados subtipos, a cefaleia do tipo tensional apresentou mediana de 25%, enquanto a migrânea variou de 3% a 10%. Um achado particularmente preocupante foi a tendência de crescimento das taxas de cefaleia ao longo das décadas: um estudo finlandês mostrou aumento de 14% para 52% em 18 anos, possivelmente relacionado a mudanças no estilo de vida, maior uso de telas e pressões escolares.
A dor abdominal recorrente, muitas vezes associada a diagnósticos funcionais na infância, apresentou prevalência mediana de 12%, com variação enorme entre estudos que variou de 4% a 53%. Essa ampla dispersão reflete, em parte, as diferentes definições utilizadas — alguns estudos adotaram os critérios clássicos de Apley e Naish (pelo menos três episódios de dor abdominal em três meses, com intensidade suficiente para limitar as atividades da criança), enquanto outros empregaram critérios mais flexíveis. A dor lombar, frequentemente considerada problema exclusivo de adultos, já afeta 14% a 24% dos adolescentes, com tendência clara de aumento conforme a idade avança. As dores musculoesqueléticas e de membros também mostraram-se significativas, com prevalências que variaram de 4% a 40%, dependendo do período de reporte e da inclusão ou não de dores relacionadas à prática esportiva.
A combinação de múltiplas dores — como cefaleia associada a dor abdominal e lombar — apresentou mediana de 6% para ocorrência semanal, mas pode atingir proporções consideráveis em períodos mais longos. Um padrão particularmente notável em praticamente todas as categorias de dor foi a diferença entre sexos. As meninas apresentaram taxas mais altas que os meninos em cefaleia, dor abdominal, dor musculoesquelética, dor lombar e dor generalizada, especialmente após a puberdade. Essa diferença se acentua com a idade, sugerindo que fatores hormonais, psicológicos e sociais interagem de maneira complexa.
Na cefaleia, por exemplo, a prevalência em meninas pode chegar a mais que o dobro da observada em meninos na adolescência. Na dor musculoesquelética, as meninas relataram mais dores em múltiplos sítios corporais, enquanto os meninos apresentaram ligeira predominância apenas em dores localizadas nos joelhos. A idade em si também mostrou ser um fator importante, embora com padrões distintos conforme o tipo de dor. Enquanto a dor abdominal tende a ser mais comum em crianças mais novas, com pico em idades escolares iniciais, a cefaleia, a dor lombar e a musculoesquelética aumentam progressivamente da infância à adolescência.
A dor lombar, por exemplo, praticamente dobra sua prevalência quando se comparam crianças de 9-10 anos com adolescentes de 14-15 anos. Esse padrão de aumento com a idade, combinado com a similaridade das prevalências de dor musculoesquelética encontradas em adolescentes com as observadas em adultos, sugere fortemente que pelo menos alguns tipos de dor podem se tornar crônicos já na infância e persistir por décadas. Fatores psicossociais e demográficos também se destacaram nas análises, embora com resultados nem sempre consistentes. Crianças de famílias com menor renda e menor escolaridade materna apresentaram mais cefaleias em alguns estudos, mas não em todos.
Ansiedade, depressão, baixa autoestima e estresse escolar apareceram associados a vários tipos de dor. Curiosamente, alguns estudos encontraram correlações inesperadas, como maior tempo assistindo televisão associado a mais queixas de dor múltipla, embora a direção dessa relação — se a dor leva ao sedentarismo ou vice-versa — não possa ser estabelecida com certeza. A qualidade de vida, quando avaliada, mostrou-se significativamente menor em crianças com dor crônica, e cerca de 53% dessas crianças haviam consultado médico por causa da dor, comparado a 30% daquelas sem dor crônica. A utilidade clínica desta revisão é multifacetada.
Para pais, ela valida preocupações: a dor do filho não é "invenção" nem algo raro. Para médicos e outros profissionais de saúde, oferece números para contextualizar consultas e justificar investigação cuidadosa de queixas recorrentes. O estudo reforça que a dor na infância não é apenas um problema do momento — há evidências de continuidade que pode persistir por décadas, afetando desenvolvimento escolar, social e emocional. A identificação precoce de padrões de dor, especialmente em meninas e adolescentes, pode abrir janelas para intervenções que prevenham cronicidade futura.
Contudo, a interpretação deve ser prudente. A maioria dos estudos incluídos apresentou qualidade metodológica baixa a moderada. A média de critérios atendidos pelos estudos que usaram entrevistas foi de apenas 4,5 de 19 possíveis; para os que usaram questionários autopreenchidos, 9,9 de 17. Poucos usaram amostras realmente representativas da população geral — muitos dependiam de conveniência, como escolas específicas.
Nenhum dos estudos com questionários realizou cálculo do tamanho amostral, e praticamente nenhum analisou quem não respondeu ou apresentou intervalos de confiança para as prevalências. As definições de "dor crônica" ou "dor recorrente" variavam enormemente entre estudos, e muitos nem sequer forneceram definições operacionais claras. Os períodos de recordação oscilavam entre "dor agora", "esta semana", "este mês" ou "nos últimos seis meses", tornando comparações diretas arriscadas.
estudos de cefaleia
24230 pessoas
análise de prevalência
estudos de dor abdominal
27526 pessoas
análise de prevalência
estudos de dor lombar
7262 pessoas
análise de prevalência
Prevalência de cefaleia semanal
Prevalência mediana de cefaleia
Prevalência de dor abdominal recorrente
Prevalência de dor lombar
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Conheça a equipe da clínica →Dor crônica · Avaliação especializada
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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