participantes analisados
656
total em 10 estudos clínicos
Estudo científico comentado
Referência acadêmica
Periódico
BMJ Open
Ano
2025
Autores
Jia et al.
Desenho
revisão sistemática e meta-análise
Este estudo analisou 10 pesquisas para verificar se a ventosaterapia (aqueles copos que fazem sucção na pele) realmente funciona para dor crônica. Os resultados mostram que a ventosaterapia pode reduzir a dor imediatamente após o tratamento, mas não melhora a capacidade de fazer atividades do dia a dia nem o humor. O alívio da dor foi temporário e só foi medido logo após as sessões, então ainda não sabemos se os benefícios duram mais tempo.
Título original do estudo: Effects of cupping therapy on chronic musculoskeletal pain and collateral problems: a systematic review and meta-analysis
Como usar este conteúdo: Este resumo ajuda a entender o estudo e a organizar perguntas para a consulta, mas não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. O conteúdo pode ser atualizado conforme novas evidências e revisão médica.
Mensagem principal
A ventosaterapia oferece alívio imediato da dor intensidade em dor musculoesquelética crônica, mas não melhora a capacidade funcional nem a saúde mental, com benefícios de duração incerta.
Este estudo analisou 10 pesquisas para verificar se a ventosaterapia (aqueles copos que fazem sucção na pele) realmente funciona para dor crônica. Os resultados mostram que a ventosaterapia pode reduzir a dor imediatamente após o tratamento, mas não melhora a capacidade de fazer atividades do dia a dia nem o humor. O alívio da dor foi temporário e só foi medido logo após as sessões, então ainda não sabemos se os benefícios duram mais tempo.
Pontos Principais
Conversa Prática
Leitura Consciente
Leitura rápida para pacientes
A ventosaterapia pode diminuir a dor intensidade no momento, mas não devolva a capacidade de se mover bem nem melhora o humor
Ponto 1
Funciona melhor para dor no pescoço e ombros do que nas costas
Ponto 2
Uma sessão pode ser tão boa quanto — ou melhor que — várias
Ponto 3
As marcas na pele são normais e temporárias, mas o benefício também parece ser
O que este estudo acrescenta
Primeira meta-análise a integrar dor, função e saúde mental em um único estudo sobre ventosaterapia, revelando que o benefício se restringe apenas à dimensão da dor
Aplicabilidade clínica
O efeito na dor é estatisticamente significativo e de magnitude considerável, mas limitado ao alívio imediato e temporário, sem impacto nas dimensões funcionais e emocionais que mais afetam a qualidade de vida em longo p
Força do desenho do estudo
Este é o nível mais alto de evidência científica, pois sintetiza dados de múltiplos ensaios clínicos randomizados — embora aqui com apenas 10 estudos e alta variabilidade entre ele
participantes analisados
656
total em 10 estudos clínicos
redução da dor
SMD=-1. 17
efeito moderado a grande, mas com alta incerteza
heterogeneidade entre estudos
94%
variabilidade muito alta, resultados inconsistentes
melhora da função
SMD=-0. 24
sem significância estatística
melhora da saúde mental
SMD=0. 08
praticamente nula e não significativa
Ficha rápida do estudo
Condição
dor musculoesquelética crônica (costas, pescoço, ombros)
Tipo de estudo
revisão sistemática e meta-análise
Participantes
656 adultos com dor por mais de 3 meses
Duração
avaliação de efeitos imediatos após tratamento
Sessões
variável: 1 sessão única ou múltiplas sessões
Comparador
placebo/sham, lista de espera ou repouso
Grupos do estudo
Protocolo de tratamento
variável: 1 a múltiplas sessões
não padronizada entre estudos; alguns com sessão única, outros com tratamentos r
10-15 minutos de retenção dos copos nos estudos que relataram
ventosa seca (50%), pulsátil (20%), úmida com sangria (20%), massagem com ventosa (10%)
sham/placebo com copos sem sucção (30%), lista de espera (50%), repouso (20%)
A sessão única mostrou efeito maior na dor do que múltiplas sessões; técnica pulsátil teve efeito mais consistente
Quem entrou no estudo
Quem ficou de fora
Mapa de resultados
intensidade da dor
reduziu
redução significativa e de magnitude moderada a grande (SMD=-1. 17), mais evidente em pescoço/ombros
dor no pescoço e ombros
melhorou
efeito mais consistente e robusto comparado à dor nas costas
participantes >45 anos
melhorou
benefício mais significativo na dor nessa faixa etária
resposta à sessão única
melhorou
uma sessão mostrou efeito maior que múltiplas sessões
O que não mudou
Quando a melhora apareceu
mesma sessão
imediatamente após sessão única
maior redução da dor (SMD=-1. 87), efeito mais robusto que múltiplas sessões
avaliação pós-intervenção
imediatamente após tratamento
redução significativa da intensidade da dor em geral, mas não da função ou humor
Antes e depois
intensidade da dor (escala padronizada)
escala máx. 10 pontos estimados
Segurança e perfil
Sinal de segurança
Perfil de paciente
Mais parecido com a amostra
Mais cautela para extrapolar
Expectativa realista
Possível redução da intensidade da dor logo após a sessão, especialmente em pescoço e ombros, sem melhora na capacidade de movimentação ou humor
Tempo provável
Benefício medido apenas no momento ou pouco após o tratamento; duração desconhecida
Não há evidência de que múltiplas sessões sejam melhores que uma única, e a dor nas costas parece responder menos
Checklist para consulta
Como ler este estudo
Mito e achado
Mito
Quanto mais sessões de ventosaterapia, melhor o resultado
Achado
Uma única sessão mostrou efeito maior na dor do que múltiplas sessões; o benefício de tratamentos repetidos não foi demonstrado
Mito
A ventosaterapia melhora a qualidade de vida global na dor crônica
Achado
Apenas a intensidade da dor melhorou; função física, capacidade de trabalhar e saúde mental permaneceram inalteradas
Mito
A ventosaterapia funciona igualmente bem para qualquer tipo de dor musculoesquelética
Achado
O efeito foi significativo para dor no pescoço/ombros, mas não demonstrado para dor nas costas
Mito
As marcas da ventosaterapia são sinal de que o tratamento foi eficaz
Achado
As marcas são apenas uma consequência mecânica esperada da sucção, sem relação com a magnitude do alívio da dor
Como isso pode funcionar
ESTÍMULO MECÂNICO
A sucção dos copos ativa fibras nervosas de pressão e toque (Aβ), que teoricamente chegam mais rápido à medula que as fibras de dor — mecanismo proposto, não comprovado
AUMENTO DO FLUXO SANGUÍNEO
A pressão negativa dilata vasos e aumenta a circulação local, possivelmente acelerando a remoção de substâncias inflamatórias — hipótese plausível, não certeza
MODULAÇÃO DA DOR
A ativação das vias de pressão pode inibir a transmissão da dor no nível da medula espinhal — explicação teórica dos autores, não diretamente observada
NÃO MUDA ESTRUTURA OU FUNÇÃO
O mecanismo não altera relações biomecânicas entre músculos e articulações, o que pode explicar por que a capacidade funcional não melhora
O que ainda é incerto
avaliar se a ventosaterapia (cupping) melhora dor, função física e saúde mental em pessoas com dor musculoesquelética crônica
656 adultos com dor musculoesquelética há mais de 3 meses, principalmente nas costas, pescoço e ombros
10 estudos comparando ventosaterapia (seca ou úmida) com grupos controle sem tratamento ou placebo
redução significativa da intensidade da dor imediatamente após o tratamento, mas sem melhora na função ou humor
efeitos colaterais limitados a marcas circulares avermelhadas temporárias, sem dor ou limitação nas atividades
Achados Interessantes
A PARADOXO DA SESSÃO ÚNICA
Contra a lógica de que mais é melhor, os dados sugerem que uma única sessão de ventosaterapia alivia mais a dor do que tratamentos prolongados — um achado que desafia práticas comuns
DELIMITAÇÃO CLARA DO BENEFÍCIO
Este estudo ajuda a entender que a ventosaterapia é uma ferramenta de alívio sintomático pontual, não uma intervenção que transforma a trajetória da dor crônica
A LOCALIZAÇÃO IMPORTA
A dor no pescoço e ombros respondeu de forma robusta; a dor nas costas, não. Essa distinção anatômica é clinicamente útil para orientar expectativas
O VAZIO DO LONGO PRAZO
Nenhum dos estudos avaliou se o alívio dura horas, dias ou semanas — uma lacuna crítica que deixa pacientes e médicos sem saber quando repetir o tratamento
Resumo detalhado em linguagem acessível
Esta revisão sistemática e meta-análise investigou a efetividade da ventosaterapia no tratamento da dor musculoesquelética crônica (DMC), uma condição que afeta 1,52 bilhão de pessoas globalmente e representa significativo impacto na qualidade de vida e custos de saúde. A pesquisa analisou 10 estudos randomizados controlados envolvendo 656 participantes adultos com dor crônica em diferentes regiões corporais, incluindo pescoço, ombros e coluna vertebral. Os estudos foram conduzidos em seis países diferentes (Arábia Saudita, Brasil, China, Alemanha) e avaliaram diversos tipos de ventosaterapia: ventosa seca, úmida, pulsátil e massagem com ventosa. Os grupos controle receberam tratamento simulado (sham), permaneceram em lista de espera ou fizeram repouso.
A metodologia seguiu rigorosos padrões científicos com busca em cinco bases de dados principais até dezembro de 2024, avaliação independente da qualidade dos estudos usando ferramentas Cochrane, e análise estatística com modelos de efeitos fixos e aleatórios. Os resultados principais demonstraram que a ventosaterapia teve efeito significativo na redução da intensidade da dor (DME=-1,17; IC 95%=-1,93 a -0,42; p=0,002), com qualidade moderada de evidência segundo critérios GRADE. Tanto a ventosa seca quanto a úmida mostraram-se eficazes, sem diferença significativa entre os métodos. Análises de subgrupos revelaram maior efetividade em sessões únicas comparadas a múltiplas sessões, e melhor resposta em dor cervical/ombro versus dor lombar.
Contudo, a ventosaterapia não demonstrou melhora significativa na incapacidade funcional (DME=-0,24; p=0,51) nem na saúde mental (DME=0,08; p=0,46). Os pesquisadores explicam que o mecanismo analgésico pode envolver a teoria do portão da dor, onde estímulos mecânicos das ventosas ativam fibras nervosas Aβ mais rapidamente que fibras nociceptivas Aδ e C, bloqueando a transmissão dolorosa. Adicionalmente, o aumento do fluxo sanguíneo local pode acelerar a remoção de citocinas inflamatórias como IL-1 e IL-6. As implicações clínicas sugerem que a ventosaterapia pode ser considerada como terapia complementar para alívio imediato da dor crônica, especialmente útil para pacientes que buscam alternativas não-farmacológicas.
Entretanto, não deve ser expectativa única para restauração funcional ou bem-estar psicológico, requerendo abordagem multidisciplinar. Limitações importantes incluem alta heterogeneidade entre estudos (I²=94%), análise restrita aos efeitos imediatos, número limitado de estudos e variações nas dosagens e protocolos de tratamento. Estudos futuros devem investigar efeitos a longo prazo, padronizar protocolos e explorar combinações com outras terapias para maximizar benefícios funcionais e psicológicos.
ventosaterapia
328 pessoas
cupping seco, úmido ou pulsátil
controle
328 pessoas
placebo, lista de espera ou repouso
redução da intensidade da dor
melhora da incapacidade funcional
melhora da saúde mental
heterogeneidade entre estudos
Curadoria Médica

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523
Doutor em Ciências pela USP e especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
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A equipe do Prof. Dr. Hong Jin Pai avalia seu caso em consulta presencial na Alameda Jaú, Jardim Paulista, São Paulo.
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